História Love of War - Capítulo 2


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Palavras 1.152
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Two


A segunda guerra mundial era um cenário de dor e sofrimento e, sem dúvida, Louis sentia na pele muita dessa dor e sofrimento. Viver naquela época era motivo suficiente para pensar que talvez — só talvez — a morte fosse mais agradável.

Ele chorava agarrado aos lençóis da cama de Harry que tinha saído para a guerra de manhã cedo. Louis tinha medo e não queria que o homem fosse por muito que ainda o temesse e preferisse mil vezes ficar longe dele.

Aproximou-se da janela e, ao ver tantos soldados alemães rondando a casa armados, o coração de Louis se apertou por não saber da irmã.

— Estou com medo. — Disse para si mesmo encarando as mãos com pesar. — Mamãe, manas… Eu…

Sem dar conta as lágrimas começavam a formar-se nos cantos dos seus olhos. Era assustador. Uma guerra era simplesmente muito assustadora e causava arrepios por todo o corpo do menor.

Sentou-se no chão — encostado à cama de madeira — abraçado aos joelhos.

A dor da perda era avassaladora e, sem dúvida, não iria ser algo bonito no final. O medo que ele sentia de ser traído por Harry era o suficiente para não querer ficar naquele lugar.

Ele encontrava-se na casa do inimigo enquanto ele assassinava mais dos dele, certo? Ele poderia estar, naquele momento, a matar a sua irmã, certo? Ele era um inimigo, não era?

Ele era. Louis sabia que sim mas, então, porque insistia em confiar? Porque não fugia?

— Estou a ficar louco. — Suspirou.

A porta foi aberta com rapidez e um soldado armado entrou. Louis fora mais rápido e encontrava-se agora por baixo da cama, trémulo.

A respiração estava acelerada — mesmo ele lutando com tudo para que não estivesse —, levou as mãos à boca para impedir o grito — que ficara perdido nas suas cordas vocais e não encontrara a saída.

O coração do moreno batia ainda mais rápido do que quando estava com Louise, parecia que o homem poderia ouvir os seus batimentos cardíacos a quilómetros de distância.

— Harry, não disseste que tinhas um judeu aqui? — Perguntou o homem.

— E tenho, pelo menos, tinha. — A voz de Harry suava mais calma agora do que quando falava consigo. — E, Liam, fala baixo. Não precisamos de uns soldados à perna.

O que aquilo deveria significar? Quem era o outro homem?

A porta fora fechada novamente. Louis ouvia os passos em volta da cama. Harry e o homem andavam à sua procura. Ele queria entrega-lo! Louis sabia que ele não era confiável.

— Ele pode ter fugido. — Concluiu o homem que Harry chamou de Liam.

— Você olhou no banheiro?

— Sim e se ele lá estiver é dentro do vaso. — Riu. — Olhou por baixo da cama?

— Não! — Exclamou Harry.

Nessa hora, é claro, que Louis já suava frio. As mãozinhas trémulas ainda junto da sua boca denunciavam o seu nervosismo.

O de olhos verdes baixou-se, levantou a colcha da cama, e encarou os olhinhos azuis lagrimejados. O mais alto sorriu e puxou Louis para fora, embora o mesmo se recusasse a sair dali.

Harry puxou-o e prendeu-o em seus braços. O de olhos azuis não conseguia soltar-se do outro mas tentava afastá-lo de si com as mãos.

— Aqui está ele. — Harry soltou Louis e o mesmo caiu no chão.

Levou as mãos ao rosto para esconder as suas lágrimas e fungou. Ele havia sido traído. Também o que ele queria? Que o inimigo o acolhesse em sua casa? Que o deixasse dormir ali para sempre?

Ter um judeu em casa traria demasiados problemas para um soldado alemão, não é?

— N-Não me levem para um campo de concentração, por favor… — Ele já chorava e soluçava compulsivamente, naquele momento. — Eu vou embora e vocês fingem que nunca me viram. Tudo bem?

Enxugou as lágrimas na roupa que usava e encarou o homem que tinha os olhos verdes arregalados.

— Eu não te vou levar para um campo de concentração.

— Não? — Fungou.

— Não. — Respondeu acariciando o cabelo do de olhos azuis. — Eu não era capaz de fazer isso…

Pegou na mão do garoto e puxou-a para que ele se levantasse. Fez muita força e acabou por puxar Louis contra o seu peito.

— Este é Liam. — Apontou para o outro homem fardado. — Ele também tem um judeu em casa.

— Louis. — Baixou o olhar para os pés descalços.

Liam sorriu, um sorriso radiante, por sinal.

Harry sentou-se na cama preguiçosamente e deixou cair o corpo sobre ela. Estava cansado e ninguém poderia dizer que era mentira.

Ninguém melhor que Liam para saber o que o amigo sentia. Ele odiava a guerra e essa guerra nem mesmo era sua. Conseguia compreender o porquê do amigo também querer ajudar um judeu, pelo menos.

— O Harry só quer ajudar-te, Lou.

— Eu… — O de olhos azuis não tinha palavras para descrever o que sentia.

O seu estomago embrulhava por alguma causa desconhecida e o coração batia tão forte quanto um tambor. Mas essa pequena — pequenininha — pontinha de esperança que começava a formar-se no seu interior, fora substituída por culpa.

Que sentimento odioso. Culpa. Ele era culpado pela morte da sua mãe e irmãs. Ele tinha mandado Louise para a morte certa mas não pensara nisso. Ele nunca pensara que os seus actos poderiam afectar as pessoas.

O pior, é que nunca ninguém pensa.

“De boas intenções está o inferno cheio.” A voz de Louise ecoava pela sua cabeça. “Não se culpe pela morte da mamãe. O culpado não é você, sou eu.” A garota sempre dizia coisas do género. Sempre a tentar protege-lo de tudo e todos. Era o seu precioso irmãozinho.

O choro rasgou-lhe a garganta. Era um choro realmente alto. Se a garota o visse agora o que diria? Ele nunca foi assim.

“Nunca chore, Lou.” Era uma frase muito usada por ela quando o garoto estava à beira das lágrimas. “Tudo vai passar.” Nunca passava mas ele não chorava.

Não vou chorar, Lou. — Sussurrou limpando as lágrimas rapidamente. — Não vou.

— Lou? Você chamava Louise de Lou? — Perguntou o de olhos verdes.

Louis fora acordado dos seus pensamentos com a pergunta repentina de Harry.

— Como que… — Estava perdido e de olhos arregalados.

— Você falou o nome dessa pessoa enquanto dormia. — Respondeu. — Parece alguém importante. É a sua irmã?

— Sim. A minha irmã gémea.

O mais alto abriu a boca para dizer qualquer coisa — que Louis tinha a certeza que seria um “sinto muito” — mas Liam o cortou.

— Louise? Louise Tomlinson?

— Sim! Como você sabe?

— Ela está bem. Está na casa de uma amiga minha. Não se preocupe, existem pessoas boas neste mundo. Ela perdeu o filho, não é?

— Eu agradeceria se pudéssemos mudar de assunto. — Baixou a cabeça para encarar as mãos, novamente. — Ainda bem que ela está viva…

Sorriu minimamente. Ele estava feliz com a notícia. Não se sentia menos culpado mas, pelo menos, tinha Louise viva e isso bastava.

Mesmo sabendo que muito provavelmente nunca mais a veria, não poderia deixar de ficar feliz por não a ter perdido.



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