História Lovers in Conflict (Amantes em Conflito) - Capítulo 21


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Comedia, Drama, Josei, Romance
Visualizações 54
Palavras 2.400
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Bishounen, Comédia, Ficção, Harem, Josei, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 21 - Algo Além da Ponta do Iceberg


– Não dá pra acreditar que mesmo que sua mãe não esteja aqui você ainda quer satisfazer todas as vontades dela. – Ele comentou enquanto me observava preparar o jantar (Ou pelo menos tentava).

Fazia mais de duas horas que tínhamos “feito as pazes” e por incrível que pareça não tínhamos lançado nada um contra o outro, nem sequer palavras, até agora. Ele apenas ficava me fitando por longos momentos.

Seus lábios podiam não esboçar um sorriso concreto, mas seus olhos indicavam atrevimento quando me acompanhavam de um lado para o outro. Por vezes, mandei com que parasse, porque aquilo me incomodava muito, e ele desviava o olhar para qualquer outro lugar, mas quando dava por conta já estava a me “comer” com os olhos outra vez.

– Eu não estou satisfazendo as vontades dela. – Respondi seu comentário, assim que terminei de lavar as verduras para cortá-las e me virei para olhá-lo de frente. Ele me encarava com uma expressão que dizia claramente “Jura?”, o que me fez duvidar de mim mesma. – Aah, está bem... Eu não estou satisfazendo todas as vontades dela. – Corrige derrotada, tentando, quase que sem relevância,  defender-me.

– E qual é a sua vontade que você está satisfazendo, Katherine? – Ele perguntou, chamando meu nome por inteiro, pela primeira vez em “muito” tempo, o que me fez ter um leve arrepio de surpresa e estranheza, e em seguida se levantou da cadeira e deu alguns passos à frente em minha direção.

– A de comer algo que não seja pão com carne gelada e alface murcha. – Brinquei e voltei a tratar das verduras, tentando disfarçar o meu vago momento de assombro (Não assombro de medo, era mais como um assombro por algo que aconteceu repentinamente, ou seja, susto).

– Justo. – Ele falou e completou o caminho até mim, pegou a faca da minha mão e eu me afastei para ele tomar meu lugar na pia. – Com licença. – Ele pediu quando me afastei e começou a cortar as cebolas e os outros vegetais. E eu apenas me encostei no balcão ao lado da pia e fiquei observando.

– Com quem aprendeu a cozinhar? – Perguntei sem conseguir segurar minha língua (Longos silêncios e minha curiosidade incisiva são meus piores inimigos). Eu aprendi por passar mais tempo na cozinha do que nas aulas de etiqueta, então, talvez, tenha sido algo parecido para ele também.

– Com Melissa. – Ele respondeu sem desviar a atenção do seu afazer.

– E com quem ela aprendeu? – Tentei continuar uma conversa para que eu não me sentisse tão desconfortável.

– Sozinha. – Ele respondeu curto outra vez. Eu pensei em perguntar algo mais, mas não queria insistir e parecer uma chata. – Eu sei aonde você quer chegar... – Olhei para ele, e ele sorria. – “Ele sabe muito sobre mim e eu não sei quase nada sobre ele”. É esse seu ponto? – Ele indagou, concretizando o que ele pensava ser o motivo da minha “inquietação” (Vamos combinar que “pessoa calma” eu nunca fui). Retribuí seu sorriso. “Quase”, pensei (É algo como isso, só que com muito mais drama). – Bem... Eu sou uma longa história.

– E eu estou ouvindo. – Sorri mais uma vez e dei um pequeno salto para sentar no balcão como se eu dissesse “Tenho todo o tempo do mundo”. Ele me olhou hesitante e demorou um tempo até começar a falar.

– Meu pai é solteiro há muito tempo e ele teve algumas... Muitas... Amantes no caminho para a meia idade, só que nenhuma delas estava interessada realmente nele, mas sim no dinheiro dele... – Ele parecia ainda mais estranho e misterioso quando falava de si do que em qualquer outro momento. – Minha mãe era assim. Ela nunca esteve interessada realmente nele, ela era um pouco mais jovem que ele, uns sete ou oito anos de diferença... Ela era obcecada por dinheiro, viciada em gastar e comprar tudo que tivesse pela frente... Quando nosso pai viajava e ela gastava tudo o que ele deixava, ela ameaçava vender as coisas da casa se nosso pai não mandasse mais dinheiro, e um dia... Ela ameaçou vender os próprios filhos. Foi assim que meu pai ganhou uma causa no tribunal de olhos fechados e eles se divorciaram... Judicialmente, ela estava proibida de se aproximar de qualquer bem que pertencia aos Sutcliff, inclusive os filhos. O Juiz determinou que ela não tinha direito a nada do meu pai, porque ela não leu as entrelinhas dos papéis de casamento... Você leu as entrelinhas dos papéis do seu casamento? – Ele brincou com um sorriso atrevido.

– Não suporto leitura de autoajuda. – Respondi e ambos sorrimos, ficando em silêncio logo em seguida (Mais uma vez ele estava usando humor para afastar a dor). Meu Deus, e eu pensava que minha mãe era ruim por não ter me amamentado (Esse é um comentário que eu definitivamente não posso fazer). Tenho que parar de reclamar da Dona Helena quando existem pessoas muito piores mundo a fora.

– Eles se casaram sob pena de não comunhão de bens, meu pai sabia como ela era afinal, mas não podia deixar de amá-la... Foi difícil para ele nos primeiros meses, eu era só uma criança, mal entendia que ela tinha ido embora, mas eu sabia o porquê de ela ter ido. Eu e Melissa tivemos que nos virar sozinhos depois de tudo isso. Eu tinha seis anos e ela, oito... Nunca mais a vimos, nunca a procuramos, não sabemos como ela está, se ela mudou, nem sabemos se ela está viva. – Ele se calou e olhou para mim como se pedisse para que eu falasse qualquer coisa.

– Você gostaria de saber? – Perguntei e logo em seguida percebi que eu poderia ter simplesmente perguntado qualquer outra coisa.

– Não... – Ele disse entristecido e pareceu incomodado por um segundo, desviando o olhar para qualquer outro canto. Mas ele logo mudou de assunto colocando um sorriso animado no rosto. – Eu preciso te apresentar à Senhora Nora. Ela mora aqui. Você vai gostar dela e ela com certeza vai gostar de você.

– É a senhora que passeia todo dia com o cachorrinho que eu ainda não decidi se é Bruce Banner ou Bruce Wayne? – Perguntei, seguindo a mudança de assunto, brincando e me lembrando da minha conversa com o George.

– Sim! Você já a viu? – Ele perguntou ainda mais entusiasmado.

– Não. – Eu neguei um pouco sem jeito por tê-lo feito se entusiasmar demais. – George me contou sobre ela. – Respondi, expressando a minha negligência sobre os inquilinos do prédio.

– Ah, sim. Você gostou dele? Tinha me esquecido de perguntar. Ele me contou que conversou com você. – Mark já foi mudando de assunto outra vez, provavelmente por perceber que fiquei desconfortável por não conhecer ninguém.

– Claro que eu gostei dele, ele é um doce... Qual a sua ligação com ele? – Perguntei para continuar nosso diálogo promissor e também porque George não havia me contado esse detalhe.

– Bem... A filha dele é casada com meu primo, mas ele se recusa a ficar em casa e não trabalhar, porque diz que ser “velho” não é ser inválido, então me pediu um “favor”. Ele é de origem extremamente simples e diz que não combina com esse mundo “moderno”. – Ele explicou, fazendo gesto em forma de aspas para as palavras velho, favor e moderno, de um jeito divertido que me fez rir.

– Você sempre atencioso com todo mundo, não é mesmo!? – Ironizei, tentando fazê-lo sorrir mais uma vez. Sinto-me bem quando ele sorrir, apesar de ser muito raro (É difícil admitir isso? Extremamente. Direi isso para ele algum dia? Nunca nesse mundo e nem no próximo).

– Não com você. – Ele desfez o sorriso e me lançou um olhar entristecido, mas ainda sim, terno (Um dia eu ainda vou descobrir como é que esse cara consegue mudar radicalmente de uma hora para outra).

– Nunca comigo. – Sorri sem graça, desviando o meu olhar do dele e confirmando a sua afirmação. – Você é mais novo que Melissa? – Perguntei, lembrando-me dos detalhes da história e para mudar de assunto, já que nós havíamos caído em um silêncio funesto.

– Não me diga que, de toda a história melodramática que eu contei, essa foi a única interrogação que surgiu nessa sua cabecinha curiosa. – Ele brincou, com mais um sorriso atrevido e irônico, fazendo-me rir junto a ele.

– Não a única... Mas a que estou mais curiosa em saber. – Respondi, entrando no jogo de brincadeiras, que estávamos usando para ganharmos intimidade.

– Sim, ela é mais velha que eu. Não parece, porque ela começou a rejuvenescer com os anos ou simplesmente parou de envelhecer aos vinte. – Ele gracejou, exaltando a irmã (Deve ter sido só para ganhar créditos quando eu for contar coisas assim para ela. Eu manjo desse tipo de jogada tática).

– Você é o mais novo de todos os seus amigos? – Continuei perguntando, para tirar onda e fazê-lo enjoar da minha curiosidade.

– Você não se cansa mesmo, hein? – Ele questionou com um sorriso debochado, mostrando que eu sou super hiper mega incrível no quesito me tornar muito chata quando eu deixo a curiosidade falar por mim.

– Eu só quero saber mais sobre você. – Gracejei, arrumando uma desculpa para ser uma completa “chatonilda”, como dizem os meninos do quinteto (Eu, Aiko, Kento, Adam e Dougie somos o quinteto, como nos titãs).

– Sou o mais novo de todos os meus amigos. Mais alguma pergunta? – Ele me lançou um olhar de interrogação que dizia “fale agora ou cale-se para sempre”.

– Você é virgem? – Perguntei, com uma expressão séria, mas por dentro eu estava explodindo de tanto rir.

– Você é patética. – Ele respondeu de imediato, balançando a cabeça desacreditado, “negando a minha pateticidade” e voltando a dar atenção para os ingredientes do jantar, que ele tinha deixado de lado para conversar comigo. – A propósito, já que você não leu as entrelinhas... Nós casamos sob pena de comunhão total de bens. – Ele falou sem voltar a me fitar.

– Sério? – Perguntei inteiramente pasma por ouvir algo assim. Onde nesse mundo que eu imaginaria isso? – Então, se nos divorciarmos, eu posso ficar com metade do que é seu? Isso é loucura. – Comentei ainda surpreendida, mais para mim do que para ele.

– É sim. Mas isso só vai acontecer se você ficar casada comigo por pelo menos um ano. – Ele interrompeu o meu momento no limbo, acrescentando uma “ótima” exceção.

– É claro que tinha que ter um mas, pra tudo tem um mas, porque que eu tinha que ficar tão feliz sem esperar o tão famoso mas. – Resmunguei irônica e ele abriu um sorriso que no início era por achar engraçado o que havia dito, mas depois se transformou em um sorriso sem jeito.

– Meu pai me disse para estabelecer apenas comunhão parcial de bens, mas eu fui teimoso. – Ele comentou, forçando ainda mais o sorriso que denotava mais tristeza do que a emoção que o sorriso de fato deveria demonstrar.

– Você foi burro, isso sim. – Comentei, tentando parecer engraçada para aliviar o clima pesado (E também por que é bom xingar as pessoas que merecem. Na verdade, como eu já “perdoei” ele, talvez, ele não mereça, mas resíduos são resíduos).

– Muitas coisas deixam os homens burros... E loucos. – Ele falou de um jeito atrativo e me olhou, mordendo os lábios, como se olhasse para algo suculento. Franzi o cenho e não disfarcei a minha expressão de “Você é um idiota” ou simplesmente “MORRA” quando revirei os olhos em ridicularização.

Ele riu e caminhou até mim, aproximando mais do que devia. Assustei-me a princípio, mas ele não estava com aquele maldito olhar de predador que ele estabeleceu desde a primeira noite em que eu estive aqui. Mark parou a minha frente e olhou-me nos olhos com um meio sorriso que parecia tentar me desvendar ou enxergar além de mim. Uma situação completamente estranha, não pela primeira vez, mas completamente diferente.

– O que foi? Você vai me beijar de novo? – Perguntei esnobe, brincando com fogo que eu sei que um dia eu vou acabar me queimando (Eu já me queimei). – Oh, olha pra mim, olha pra mim... Eu sou Mark Sei lá o quê, sou podre de rico e comprei uma esposa. Ela deveria ser boazinha e me obedecer, mas prefere dormir no armário a dividir a cama comigo. Eu sou arrogante e presunçoso e todos deveriam beijar o chão que eu piso. Meu carrão importado cabe só a mim, porque eu e meu ego ocupamos todo espaço... Mas olha só, eu não sou nada disso que você tá vendo. Eu sou sensível e compreensível, tenho medo de altura e me arrependi de ter machucado minha esposa, que aliás eu não comprei, porque ela tá pouco se lixando pro meu dinheiro. E eu queria, só por um momento, ser quem eu queria ser e não quem todos dizem para eu ser. – Terminei de tagarelar feito um papagaio e, como todas as outras milhares de vezes que eu não calei a minha desafortunada boca, me arrependi de ter falado mais da metade do que falei. Falar demais é um dom, mas falar besteira é o meu dom.

Ele não mudou seu olhar ou seu sorriso, nem para raiva, nem para seriedade. Apenas continuou a me encarar passivamente.

– Eu preciso pegar uma panela. – Ele falou e apontou para o armário que eu estava empatando com as pernas. Meu coração simplesmente parou e meu cérebro deu tilte. Eu falei tanta baboseira por achar que ele tentaria fazer algo comigo quando na verdade ele queria pegar uma panela? Oi?

Levantei e encolhi minhas pernas, abraçando-as enquanto observava ele se abaixar, abrir o armário e pegar duas panelas.

– Você me definiu muito bem. Acho que você me conhece, afinal. – Ele falou quando caminhou de volta para o fogão, e eu me senti mais envergonhada ainda.

– Bem... Acho que sua vida é muito triste. – Mencionei baixinho, para não parecer presunçosa, que por um “acaso” foi o que eu o acusei ser.

– Você é mulher, provavelmente feminista, sozinha, lutando por independência e rodeada por diversos homens, que pode fazer você ficar sujeita a comentários nada agradáveis... Acho que sua vida é muito mais triste que a minha. – Ele esclareceu sério, mas abriu um sorriso logo em seguida. E eu também não pude conter o meu sorriso.

– É certo que você me conhece. Enfim, eu vejo algo a mais do que só a ponta do iceberg. – Falei e sorri intensamente, deixando-me levar por completo.

Já estava mais do que na hora de nós nos acertarmos, e ficar brigando o tempo todo é muito desgastante. Dias melhores e com mais sorrisos estão por vir. Eu sei disso.


Notas Finais


Beijinhos espaciais... <3


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