História Lovers in Conflict (Amantes em Conflito) - Capítulo 29


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Amor, Comedia, Drama, Josei, Originais, Romance
Visualizações 23
Palavras 4.697
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Bishounen, Comédia, Ficção, Harem, Josei, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


E, DE NOVO, o capítulo não ficou exatamente como eu queria...
Mas segue o som...

Capítulo 29 - O que é esse sentimento?


Tentei ajudar Mark a catar os cacos de vidro do chão, mas ele automaticamente me afastou, dizendo que já tinha me machucado o suficiente e isso era problema dele. As coisas começaram a ficar estranhas a partir daí.

Dillan e Melissa tinham se acertado com Mark, mas parece que não foi suficiente para ele ficar definitivamente bem.

Fiquei extremamente incomodado com ele, porque mesmo que tivéssemos acabado de ter um dos momentos mais legais que já houve entre nós (Aquele lance da menina superpoderosa), ele decidiu “não insistir” e dormir no sofá para não “me incomodar”, o que eu achei fantasticamente incômodo e sem cabimento algum essa atitude, apesar dos pesares.

A cama espaçosa e larga parecia um imenso corredor de colchões que não tinha mais fim enquanto eu me virava e revirava de um lado para o outro. Enquanto que quando Mark dormia ao meu lado, acontecia quase que o completo oposto. Parecia que a cama se tornava extremamente pequena como se a qualquer momento a área fosse se transformar restrita somente a um espaço de um abraço, mas o mais estranho e não estranho ao mesmo tempo é que… Eu prefiro assim do que me sentir sozinha (Parece que as paranóias do Mark são contagiosas).

O modo como ele ficou quando descobriu sobre Melissa, sobre a relação dela com Dillan. Ele não hesitou em transparecer que não abriria mão dela para ninguém. Sua irmã, seu tesouro.

Quando me disse para não se preocupar com ele, ele realmente parecia chateado, mas não era com a descoberta inusitada do sigilo do namoro deles. Era como se ele estivesse chateado comigo. Como se aquela barreira de antes tivesse voltado e muito mais alta e mais espessa. Talvez o que falei na festa foi desnecessário, ou até mesmo o que falei pra ele aqui, e mesmo que ele tenha agido normalmente comigo, talvez ele tenha ficado extremamente magoado. Quer dizer, eu basicamente disse que ele é fútil e eu não o suporto, mas isso foi em momento de pura raiva e eu não estava controlando minhas palavras por completo.

Suspirei derrotada pela milésima vez quando tentei me ajeitar de novo em uma posição agradável na cama. Era tão mais fácil cair no sono quando a centímetros de você se ouvia a respiração calma de alguém que ficava esplendidamente bem dormindo (Ele até pareceria um anjo, se não fosse um tipo de demônio).

Por que diabos eu não consigo dormir?

E por que diabos eu estou pensando nisso e dessa forma?

São perguntas que eu já não movo mais nenhum milímetro da minha curiosidade para responder. Eu meio que não quero saber ou até mesmo já sei a resposta.

Olhei para tela do celular outra vez e não tinha passado nem um minuto direito. 2h da madrugada e eu ainda estou aqui. Inquieta.

“Kate, você tem prova amanhã, vá dormir” eu dizia mentalmente pra ver se o meu senso de responsabilidade falava mais alto do que essa insônia sem motivos, mas nada que eu dissesse resolveria. Já não haviam mais carneiros pra contar e começar a fazer cálculos de entalpia não fez os carneirinhos se tornarem máquinas de soníferos.

Liguei a lanterna do celular e encontrei minha bolsa jogada no chão ao lado da cama. Bisbilhotei nela umas três mil vezes sem propósito algum. Eu já sabia o que tinha ali de cor e salteado. Meu caderno surrado de um semestre inteiro de anotações sem fim. Meu estojo com umas duas canetas quase esgotadas pelas anotações sem fim e alguns lápis quase no zero pelas anotações sem fim. Também tinham dois livros um de Química Quântica que era da biblioteca da universidade e que eu tenho que entregar antes que o prazo termine (Tenho que lembrar disso pela manhã… Ou hoje) e outro era O futuro do espaço-tempo de Stephen Hawking, o cara mais maravilhosamente brilhante que já existiu e que existe hoje (Por que eu me interessei por viagem no tempo, espaço ou multiverso? Tenho amigos psicóticos que adoram uma boa ficção cientifica, e eu não sou diferente) e outros cientistas não menos importantes e fantásticos.

Peguei o segundo livro e caminhei em direção do único lugar iluminado do apartamento. A sala. As luzes da cidade ainda estavam bem vividas pela janela de vidro. Eu poderia simplesmente puxar uma cadeira da mesa e sentar para ler a luz do luar, mas nããão (O que eu fiz prova de que eu realmente preciso de uma consulta com um psiquiatra e uma internação em um hospício).

Caminhei até o sofá onde Mark estava dormindo e me abaixei, sentando no chão e apoiando minha costa no sofá. Estava um pouco escuro para ler, mas a minha “cegueira” não estava tão ruim assim e o meu óculos me ajudou bastante, me impedindo de ter uma dor de cabeças horrenda por estar forçando minha vista mais do que o necessário. Logo meus olhos já estavam acostumados com a pouca luminosidade.

Eu podia ouvir claramente a respiração lenta e ritmada de Mark, o que tornava esse o lugar mais confortável da casa. Vez ou outra, eu me certificava de que Mark ainda estava dormindo e ficava presa a sua imagem, tentando fixar na memória e entender porque estar perto dele me fazia tão bem (E não fazia também).

Me perdi na leitura e já estava até um pouco sonolenta, como eu sabia que seria, quando senti a mão de Mark acarinhando minha orelha esquerda. O toque inusitado e inesperado me assustou no início, mas nada que o meu coração já não estivesse acostumado e aguentaria sem problema algum. Eu tive que fitá-lo para saber que tipo de expressão ele estava fazendo. Ele me olhava um pouco incrédulo e taciturno, ainda que estivesse sorrindo com certa malícia (E ele  continuava a fazer um tipo de massagem genuinamente entorpecente no lóbulo da minha orelha).

– O que está fazendo? – Ele perguntou intensificando seu sorriso.

– Eu estava… Lendo. – Respondi um tanto incerta e acanhada. Fui flagrada. É claro que depois disso, ele pode começar a fazer suposições e tomá-las como fatos (Ao menos eu faria assim). O que pensar de uma situação como essa?!

– Estou vendo. Mas o que está fazendo aqui? Você ainda prefere qualquer lugar a minha cama?! – Ele falou calmamente e com muita paciência que eu sei que não é qualquer que teria. Com “aqui” aposto que se refere a eu estar sentada no chão a seu encalço como se fosse sua sombra.

– Eu estava… Preocupada. – Não eram as palavras que eu queria usar, mas foi as que saíram. Eu estava preocupada, mas não sabia com o quê.

– Preocupada comigo? Pensou que eu iria surtar de novo e te machucar… De novo. – Ele falou irônico e nada contente. Ele se levantou e sentou no sofá. – Eu acho que deixei uma marca muito forte em você do tipo que provavelmente você nunca vai esquecer. – Ele balbuciou, mas não parecia ser pra mim que ele estava dizendo aqui, ele estava dizendo pra si mesmo.

Ele passou a mão pelos cabelos bagunçados, os bagunçando ainda mais e isso dava um aspecto ainda mais jovial a ele. Ele esfregou os olhos, tentando afastar o sono e se espertar.

– Mas que horas são afinal? Três da madrugada. Ah, vá dormir, Katherine. – Ele perguntou outras vez para si mesmo, pegou o celular no sofá e respondeu a sua pergunta, parecendo frustrado e inconformado por eu estar acordada a essa hora.

– Pare de me dar ordens e pare de me chamar de Katherine… Ninguém me chama assim. –  Falei zangada por ele mudar tão bruscamente de assunto e de atitude.

Por que ele tem que ser tão grosso e mandão o tempo todo? Até quando ele é gentil, ele é arrogante. Uma hora ele faz coisas como pedir para Dillan me dar um dia sem estresses, me dar um presente, me “apresentar” para os seus amigos, parecer arrependido, me contar coisas sobre ele, me olhar de forma carinhosa, mas isso não dura muito porque logo adiante ele muda completamente e já está falando coisas como “Não vi nada do que queria ver”, “Onde estão os seus seios?”, “Fico surpreso que você consiga enxergar alguma coisa”, “Você não consegue fazer nada por si próprio”, “Se fosse a sua irmã aqui…”, “Você não sabe de nada” e por aí vai e só piora.

– E eu não posso ser especial e único em pelo menos uma coisa na sua vida? – Ele me surpreendeu com sua pergunta, e aqui está a prova de que estou certa, porque agora ele me olhava de forma gentil e afetuosa. – Relaxa, docinho. – Ele falou se levantando do sofá e encerrando aquele momento. “Docinho”? Jura que ele levou mesmo a sério isso?

– Pra onde você vai? – Perguntei, enquanto me levantava.

– Dormir na minha cama. – Ele falou convencido e abriu um sorriso de gracejo. – Você vem?

Nós não éramos nem um casal direito quanto mais “normais”. Então, deixar tudo como estar parece ser a atitude mais inteligente que eu posso fazer do que voltar para como era antes.

Deitamos e ficamos frente a frente, nos olhando quase sem piscar. Ele parecia, assim como eu, muito confortável em ficar perto de mim. Ele desistiu primeiro e fechou os olhos antes de mim, mas seu sorriso ainda ficou presente e perceptível em seu rosto.

O despertador tocou e eu fiquei um pouco atordoada. Parecia que a um segundo atrás eu tinha fechado meus olhos e agora esse som infernal me tirou das portas do céu.

– Você vai desligar isso ou quer que eu te empurre pra fora da cama de novo? – Mark murmurou sonolento ao meu lado e a única que pude fazer foi sorrir, sem abrir os olhos e tão pouco fazer menção a levantar. – Estou falando sério, Katherine.

Sentei na cama e esfreguei os olhos repetidas vezes. Acho que a vida gosta de ironias, eu tenho que admitir. O celular estava na sala, dava pra ver ele piscando a luz da tela e vibrando eufórico em cima da mesa.

– Katherine. – Mark murmurou um aviso outra vez, mas não estava de fato zangado, só cansado mesmo.

Resmunguei qualquer coisa e me levantei totalmente contra a minha vontade. Desliguei o aparelho e desabei na mesa, ainda exausta. Não dormi nenhum três horas, já que o relógio indicava seis da manhã. O sol ainda não tinha nascido, mas o dia já estava ficando claro lá fora.

Eu tenho uma prova prática para fazer daqui a três horas, mas não preciso estar na universidade antes das 9. Eu poderia mais um pouco, mas se eu voltar a deitar, não me levanto mais de jeito nenhum.

Caminhei até o banheiro depois de pegar um conjunto de roupas no armário. Mark se moveu na cama e eu pude ver que ele estava olhando para mim. Parei na porta por um instante e me virei na direção de Mark.

– É melhor você ficar onde está, se você invadir minha privacidade de novo, te afogo na banheira. – Avisei sem precedentes me lembrando de antes quando ele literalmente invadiu o banheiro (Aquilo me deixou perplexa).

Ele sorriu e o ignorei, trancando a porta com a chave que se mostra a cada dia mais uma inútil.

Fiquei pensando sobre ontem, sobre tudo na verdade. Fazia pouco mais duas semanas que estávamos “juntos”, mas para mim parecia meses, ou até anos.

O que eu passei a sentir por ele, algo que eu não senti por ninguém antes. É estranho e também me assusta um pouco, porque… Talvez… Ele não venha a sentir o mesmo. Ele me trata como se gostasse de mim (Ou como se não me odiasse), mas isso não é suficiente.

Palavras bonitas já me conquistaram no passado, mas foram apenas palavras de um estranho que eu nem vi a sombra. Uma situação completamente diferente dessa. Em vez de me encantar por afirmações gentis e bem formadas como aconteceu quando eu não passava de uma tola adolescente, eu estou cativada por uma pessoa física e não pelo que ele diz. Mark é totalmente diferente do cara que me disse frases feitas e depois foi embora e eu nunca soube quem era. Mark está aqui. Está presente. Material. Sólido.

O que é isso? Eu o odiei tantas vezes. Nunca quis isso. Imaginava ele como a minha ruína. E agora… Eu sinto que...

Acordei do meu devaneio quando as portas do metrô se abriram na minha estação (Passar tanto tempo pensando em algo que não seja química tem tomado muito meu tempo. Melhor eu parar logo com isso.

– Você está atrasada. – O reitor Cornely estava esperando impaciente na porta do laboratório. Já até sabia por que ele estava aqui. Veio se certificar de que eu estava sã o que eu acho improvável. Duas semanas afastada do laboratório por causa daquele “pequeno probleminha” que foi totalmente acidental, mas eu jurei a mim mesma que nunca mais iria acontecer.

– Ah, não. – Suspirei exaurida como se estivesse de saco cheio de vê-lo, mas é claro que não passava de uma encenação. Ele me olhou com total desaprovação e começou a resmungar sobre qualquer coisa, bla, bla, bla, irresponsabilidade. – Vê o cara lá dentro? – Apontei para o laboratório na direção do Doutor Irving Shannon, meu professor preferido e meu orientador, que por alguma razão viu em mim um futuro brilhante (Ele estava de férias até o momento). – É o meu orientador. O físico-químico mais sensacional dessa cidade e até mesmo do país. Eu não estou sozinha hoje, anote isso pra você parar de se preocupar. Então, vá pra sua sala, com as suas papeladas, cuidar dos seus pacientes, que eu vou fazer a minha prova e passar com mais alta honra.

– Desde quando você ficou tão confiante? – Ele perguntou com estranheza. Confesso que exagerei um pouco, eu definitivamente não estou tão confiante assim. Não dormi quase nada e tão pouco estudei muita coisa, mas de fato eu sei o bastante pra me garantir um 9 que não é nada de mais alta honra.

– Não precisa de muito. Basta você viver com um cara super egocêntrico e bipolar, ter amigos idiotas e escutar sermões de um certo psicólogo todos os dias. – Falei irônico afim de me livrar logo desse sermão e entrar no laboratório (Pela porta o Doutor Shannon também parecia muito impaciente).

O Reitor me deixou em paz, mas não antes de me lançar um monte de intimações como “Não exploda nada ou minha esposa vai acabar sendo mãe solteira, porque não dá pra ser um bom pai na cadeia”. No fim das contas, eu tirei 9,6 na prova e isso porque eu errei apenas um mísero detalhe que me fez perder um décimo (Os outros três décimos foram descontados pelo atraso e por, minha palavra favorita, irresponsabilidade).

Finalmente, encontrei os meninos na nossa sala, conversando balelas e perdendo tempo com alguma coisa supérflua. Aiko e Ken estava vendo revistas e comentando sobre sei lá o que era o conteúdo da revista e Dougie estava fazendo alguns cálculos apenas por hobbie, já que era final de semestre (Douglas era de longe o mais estranho de nós, mas também o mais legal), apenas Adam não estava.

– Trocou nossas quartas a noite por status. Tsc Tsc Tsc, que feio. – Ken falou com condenação sarcástica, enquanto ele e Aiko bisbilhotavam o celular, vendo qualquer coisa.

Me aproximei para relacionar a frase de Ken com o que ele estava vendo e me surpreendi ao ver a foto que tiraram de mim e de Mark no aniversário do Senhor Sutcliff em um site de fofocas. Na foto, Mark olhava para mim, esboçando um sorriso que lhe caiu muito bem e dava a imagem um verdadeiro tom de “intimidade”, enquanto eu estava sorrindo para câmera da forma mais “normal” que eu podia.

– Que bonito você quis dizer. – Aiko puxou o celular da mão dele para olhar a foto mais de perto, dando zoom apenas em mim. – Eu até podia confundir ela com uma mulher. – Ele falou de forma desacreditada, como se isso fosse a coisa mais improvável do mundo de conhecer. Revirei os olhos, desinteressada com aquele circo barato dele.

– Eu posso ver? – Não tinha percebido que Dougie estava agora próximo a nós e curioso para ver a foto também. – Esse é o cara? – Ele perguntou pra mim, depois de pegar o celular. Balancei a cabeça em confirmação e eu não conseguia dizer o que ele estava sentindo com a sua corriqueira expressão inexpressiva. – Entendo. Com licença. – Ele falou, entregando o celular de volta para Aiko e literalmente indo embora. Dougie saiu pela porta, olhei para Ken e Aiko que pareciam tão surpresos quanto eu, mas não por muito tempo.

– Não pense que aquele lance dos adesivos vai ficar por nada, sua tremenda mentirosa. – Ken cercou meu pescoço com seus braços em um mata leão um pouco forte demais. Mas logo Aiko estava puxando ele pela orelha pra longe mim e eu pude respirar aliviada (Ken não vai desistir tão fácil de me ferrar).

– Vai falar com ele. – Aiko me incentivou, referindo-se a Dougie. – Acho que ele não precisa de espaço, ele precisa de explicações. – Aiko completou e foi dar mais cascudos em Kento.

Foi um pouco difícil achar Douglas, considerando que ele não confidenciava quase nada pra quase ninguém. Encontrei ele milênios depois de ter revirado tudo que é lugar da universidade e no fim ele estava no mesmo lugar onde eu encontrei ele da primeira vez (O lugar mais lógico e improvável que ele poderia estar).

– Ei. – Me sentei ao lado dele e ele parou de resolver contas em seu caderno (Ele usava a matemática pra muitas coisas, sim, pra diversão e pra se distrair dos outros problemas também).

– Você foi minha heroína. E eu só queria ser seu herói. Mas agora você tem ele e… – Ele me deixou completamente pasma. Não esperava nem em mil anos que ele fosse dizer algo assim completamente pessoal.

Dougie pensava assim o tempo todo? Por que ele nunca me disse? Eu não entendo. Isso quer dizer exatamente o que?

– Você é meu herói. Eu gosto de você mais do que eu gosto do Superman. – Falei tentando animá-lo (Mas as vezes isso só piora tudo). Era a única coisa que eu poderia fazer nesse momento.

– Obrigado… Por ser minha amiga. – Ele concluiu gentilmente, mostrando sutilmente um sorriso gentil.

– Eu que agradeço.

– Você realmente gosta dele, não é!? – Ele perguntou depois de algum tempo. Eu me sentia muito menos desconfortável dividindo longos silêncios com Dougie do que com qualquer outro (Principalmente Mark).

– Sinceramente… Eu não sei… Eu realmente ainda não sei. – Respondi com toda a sinceridade e veracidade que eu tinha. E era assim que eu me sentia. Sob a luz da cruel lâmina da dúvida. – Dougie!? – Demorei um pouco pensar no que eu queria perguntar a ele. Eu precisava saber e eu sei que logicamente eu podia confiar na sinceridade de Dougie assim como ele sempre confiou na minha.

– Sim.

– Você gosta de mim? Quero dizer, além da amizade? Em sentido amoroso? – Tentei não parecer tão confusa (Dougie odiava perguntas sem objetivos), mas foi uma tentativa quase falha.

– Sinceramente? – Ele sorriu um pouco folgado, mas ficou sério logo após, ele só queria demonstrar que “Sinceramente?” era uma tirada com a minha fala. – Eu acho que não. Você é muito importante pra mim. Talvez a mais importante, mas não sei se é nesse sentido. Não consigo imaginar nós… – Ele não completou nada depois de “nós”, mas era bastante sugestivo. “Não consigo imaginar nós em sentido amoroso”.

– É… Bem, vamos ter que descobrir essas nossas incertezas depois. Temos um final de semestre daqueles pra enfrentar.

Dougie parecia bem mais relaxado. Ele é sim meu herói e a prova viva de que heróis nem sempre usam capas.

Eu estava tentando resolver todos os meus problemas. Quanto antes melhor. E como Dougie me deu uma luz de certeza de que eu não tinha certeza do que eu sentia por Mark, eu resolvi perguntar para as únicas pessoas verdadeiramente apaixonadas que eu conhecia (E que eu teria coragem de perguntar).

Ao contrário de Dougie, não foi difícil encontrar o casal de pombinhos “escondidos” na nossa própria sala (Ken sempre achou que o lugar mais óbvio nunca é investigado, foi daí que eu tirei a brilhante ideia absurda de me esconder no armário da minha própria casa).

Abri a porta e os dois estavam se beijando no sofá, e eu não queria ter visto aquilo. Tentei cair fora ainda a tempo, mas Ken, como o bom carrancudo que ele é, balbuciou qualquer coisa como “Atrapalhou agora fala”. Me sentei no sofá ao lado deles. Adam estava sentado com as pernas sobre as de Ken de forma muito confortável e nenhum dos dois parecia estar incomodados por terem sido flagrados (Eu sempre admirei a forma como eles não tem medo de se assumir… Apesar de eu ter certeza que o Senhor Carrasco Silverstone não sabe dessa relação).

– Como você sabe que ama alguém? – Perguntei no fim das contas, tentando não parecer uma completa estranha.

– Já vi que é conversa pra garotas. – Ken se levantou e quis bater em retirada, mas eu precisava da opinião dele também.

– Isso afeta a sua heterossexualidade, macho alfa? – O provoquei do modo que eu sabia que funcionaria e ele caiu na isca direitinho.

– Ha ha... Saiba que eu não o amo por ele ser homem, mas sim por ele ser o Adam. – Ken se justificou da forma mais admirável possível e voltou a sentar no sofá, e dava pra ver que Adam estava explodindo de felicidade por ouvir aquilo.

– Alguém vai ter uma noite excelente hoje, e não vai ser eu. – Comentei, enquanto os dois se dava um beijo rápido.

– Pode falar, Kate. – Adam disse, me incentivando a expor logo o assunto.

– Então, eu conheci esse cara e…

– Eu casei com esse cara, foi o que você quis dizer. – Ken me interrompeu bruscamente e esnobe como sempre.

– Será que você pode não falar isso em voz alta. É bizarro. – Sentenciei imediatamente. Eu realmente não gostava nada do som das palavras “Casar”, “Esposa” e “Senhora”. – Ta. Eu conhe... casei com ele e eu não sentia nada, nada mesmo. Mas agora tudo o que ele faz me deixa um pouco... fascinada é uma palavra muito forte... eu diria, atordoada, como se eu estivesse drogada ou hipnotizada ou sobre o efeito de um tipo de feitiço. – Expliquei, tentando expressar o que eu sentia, mas eu não estou me sentindo muito expressiva hoje.

– O que exatamente você sente quando está com ele? Não estou falando só das suas funções biológicas. – Adam indagou, levantando o ponto de que eu me sentir seduzida por Mark era um fator biológico de atração. O meu corpo o queria, mas o que a minha mente queria?

– Eu não consigo explicar. – Respondi indecisa.

– Então você sabe que está apaixonada. – Adam parecia estar convicto da sua resposta, mas aquilo não me satisfazia.

– Mas eu não quero. Quer dizer... Eu não sei se quero. – Automaticamente fiquei confusa e entrei em estado de negação.

– Do que estamos falando? – A porta se abriu e Aiko passou por ela, com uma maçã na mão de forma descontraída.

Salva ("Perdida”) pelo gongo.

– Sobre queijos. – Kento foi o mais rápido de nós a inventar qualquer coisa para não ficar um clima suspeito e desagradável. – Eu prefiro o coalho. – Ken afirmou, fingindo tão bem a mentira que eu quase estrago tudo com a minha expressão.

– Mussarela. – Adam deu um gritinho de felicidade acompanhando o amante.

– Cheddar – Falei, tentando transparecer normalidade.

– Parmesão. – Aiko nos olhou com receio, mas deixou de lado o assunto.

Adam e Kento foram de tanta ajuda quanto Dougie foi, mas eu não voltei a relevar a questão.

Tudo bem que eu já tinha pensado nisso outras vezes, como quando eu supus que eu provavelmente me apaixonaria por ele e me neguei a acreditar, porque eu JAMAIS pensaria em ficar com alguém tão tosco. Pensar mais sobre isso me faz ficar ainda mais confusa.

– Kate? – Ouvi uma voz masculina gritar meu nome quando estava a caminho do prédio-casa.

Jack estava vestido com roupas esportivas e estava literalmente correndo em minha direção. Ele parou ofegante na minha frente e sorriu, tentando estabilizar a respiração. Aposto minhas blusas estampadas (De novo) que ele tinha saído para uma corrida rápida (Não creio que ele esteja vindo de uma academia). Ele usava tênis de corrida, um shorts que mostrava suas pernas tonificadas e uma regata branca suada que revelavam seus braços fortes e o abdômen definido que eu não tinha percebido ontem a noite, porque ele estava usando um terno (Prestar atenção em detalhes assim, me fazem pensar que eu sou uma libidinosa embutida).

– Doutor Richard!? – Falei entusiasmada, querendo parecer amigável.

– Está indo pra casa? – Ele perguntou entre arfadas longas e pesadas e parecia estar um pouco cansado (Não, Kate, não seja ridícula, ele só gosta de respirar forte perto das pessoas), mas isso o fazia parecer ainda mais humano (Eu continuo lembrando da hipótese de os inquilinos serem de outro planeta, enfim) e ainda mais jovem.

– Sim – Respondi, e ele imediatamente insistiu, dizendo “Eu te acompanho”.

Passamos a andar lado a lado em direção do prédio que estava a algumas quadras. Ele perguntava coisas como “Como foi seu dia?” e seguimos conversando coisas supérfluas.

– Você parece um pouco abatida. – Ele observou quando já estávamos perto de casa.

– Não dormi bem noite passada. – Expliquei e ironicamente me veio um bocejo repentino, que escondi com a mão, me lembrando de fato que minha noite de sono tinha sido péssima.

– Sei como é… A universidade nos deixa loucos. Eu me lembro. – Ele comentou sorrindo. Realmente, a universidade cobra muito de você, mas...

– Não é a universidade que tem me deixado louca ultimamente. – Deixei escapar meu pensamento em forma de resmungo, mas ele apenas sorriu sem comentar mais a respeito.

Acenei para o homem que estava na recepção hoje, que não era George, e Jack fez o mesmo. Paramos em frente ao elevador e ele apertou o botão para que a porta abrisse. Eu não tinha tanto assunto quanto gostaria pra simplesmente sair tagarelando qualquer coisa.

– Gostei da sua camisa. – Ele apontou para a estampa da minha camisa preta que tinha uma “placa” amarela de sinalização de perigo de risco biológico (MInha camisa favorita de todas).

– Obrigada. – Agradeci ainda sem assunto. Eu deveria dizer qualquer coisa sobre algo relacionado a medicina ou sei lá, mas isso seria muito óbvio.

– Tem um... Aqui… Deixa eu… – Ele começou  a falar, apontando para o meu rosto, mas logo tocou minha bochecha para tirar um cílio solto. Aquilo me pegou de surpresa, mas não o suficiente pra me deixar completamente desconfortável. – Pronto. A superstição diz que devemos fazer um pedido. – O cílio ainda estava no seu dedo indicador e ele o estendeu para mim. Segurei seu dedo como deveria para “tentar a sorte” na repescagem do cílio.

– Eu sou cientista. Não acredito em superstições. – Comentei, enquanto fazia pressão em seu dedo para que o cílio viesse para o meu dedo. Um telescópio, esse é meu desejo (Minha cabeça anda tão nas nuvens ultimamente que faz todo o sentido). – Oh, não. – Exclamei um pouco frustrada ao ver o cílio ainda em seu dedo (Nada de telescópio pra mim).

– E é por não acreditar que você perdeu. – Ele falou soprando o cílio do dedo e começando a sorrir. Ele tinha covinhas no sorriso e dentes tão brancos quanto os de Mark (Mas eu ainda acho a risada de Mark mais bonita).

– O que você pediu? – Perguntei curiosa para saber se ele acreditava naquela superstição.

– A gente não conta o pedido senão não se realiza. – Não dava pra saber se ele acreditava ou não, mas que ele era divertido isso eu já tinha notado. – O que você pediu? – Foi a vez dele de perguntar. E como eu tinha perdido mesmo...

– Um telescópio. – Respondi séria, abrindo um sorriso logo depois. Ele me olhou surpreso e começou a sorrir junto a mim.  – Foi a primeira coisa que surgiu na minha mente. – Me justifiquei e começamos a fazer piadas sobre isso, gargalhando um pouco alto.

“Hm-hm” Mark limpou a garganta, chamando atenção sobre si e avisando que estava ao nosso lado. Eu realmente não o vi chegar. Ele não parecia nem de longe contente, o que me fez parar de sorrir no mesmo instante.


Notas Finais


Beijinhos espaciais...


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