História Lua de Sangue - Capítulo 29


Escrita por: ~

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Categorias Demi Lovato, Wilmer Valderrama
Tags Darissa, Dilmer, Lobos, Romance, Teen Wolf, Terror
Exibições 76
Palavras 4.357
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Terror e Horror
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 29 - Ele continua sendo minha âncora.


“Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta. Não podemos nunca esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los como servos da nossa inteligência. Não tenha medo da dor, tenha medo de não enfrentá-la, criticá-la, usá-la.”

Não sei quanto tempo se passou exatamente, mas sinto que há dias não durmo, nem respiro, a dor em meu corpo é contundente e silenciosa. Eu fiquei me questionando se seria melhor me entregar para Peter, ou continuar aguentando as torturas físicas e psicológicas da Virginia. Entretanto, apenas a primeira opção promove algo bom: Charles. Estive pensando muito sobre ele como uma forma de distração, uma âncora.

E novamente estava a deriva dos luxos de Virginia. Eu não sabia de que material era feito aquela algema, mas certamente não era algum qualquer. Eu sentia a dificuldade do meu sangue em percorrer meus pulsos e tornozelos fazendo-os inchar. As paredes esverdeadas indicavam o mofo, além de anos de infiltração, naquela pequena sala onde me encontrava. A cadeira era desconfortável e eu estava de costas para a porta apenas encarando a parede. Não demorou muito para que o ranger das dobradiças indicassem uma companhia.

— Seria interessante se você comesse alguma coisa, Demetria — uma voz feminina verbalizou atrás de mim e logo seus olhos passaram a explorar os meus. Seu rosto arredondado, seus cabelos levemente alourados pela tintura e os olhos verdes me eram familiares, mesmo que já nos tenha visto, a memória de sua fotografia invadiu minha mente como um alerta. 

“Antes que eu descesse, ajeito a cama recolhendo os grampos que ficaram espalhados pelo lençol, nessa situação, acabo notando porta-retratos sobre o criado mudo. Na fotografia, ao lado do Wilmer, estava uma mulher sorridente e seus cabelos levemente alourados e olhos esverdeados. Apesar de não se parecerem muito eu a julguei como sua irmã, Marylin, a qual ele já havia mencionado.”

— Não seria interessante que fique fraca, principalmente se tratando da Dra. Coady — disse ela, porém senti um quê de diversão em sua voz e seus olhos transpareciam o gosto pela situação.

— Talvez esse seja o meu plano — respondo com a voz rouca e ainda mantenho um sorriso frio em meus lábios. — Desculpe-me, mas qual é o seu nome? É um pouco injusto você saber o meu e eu não ter a mesma graça.

Ela me olhou desconfiada, recolhendo o próprio corpo.

— Shelby Wyatt — indagou dando alguns passos para frente e logo umedeceu seus lábios. — Não se faça de durona garota, não irá sobreviver se continuar se fechando.

— Eu sou um livro aberto — cantarolo.

Shelby ergueu seu tronco passando a me olhar com ódio, provavelmente não era essa resposta que gostaria que eu dissesse.

— Não deve ser fácil viver sabendo que o seu próprio pai está querendo te matar em busca de algo mais precioso. — Sua voz incrivelmente aguda afligia meus tímpanos. Ela rodeava a cadeira e meus olhos se mantinham em um ponto fixo. Sinto seus dedos macios tocarem a pele de meu braço enquanto divertia-se com a situação, porém eu sentia que ia além, ela queria me testar ou algo semelhante. — E mais ainda, colocar fé em um homem que te traiu. Você não o ama, não é? — Ela parou em minha frente em uma distancia segura, com olhos duvidosos.

Permito que meu sorriso se intensifique e tombo minha cabeça para o lado em uma tentativa de não olha-la. Acontece, porém, que a sua ignorância alinhada ao sentimento de rejeição deixava-a curiosa sobre mim. Ela segurou o meu rosto entre seus dedos pressionando cada lado de minha bochecha e obrigando-me a olhar em seus olhos. Como que se ela pudesse ver a verdade através de um simples olhar.

— Você não o ama — disse por fim. — Você está com dúvidas, se deve entregar seu frágil coração para ele. — Ela abriu um sorriso doentio. — Você está o usando. Ele ainda tem esperanças em seu futuro e...

Ela piscou algumas vezes, suavizando sua expressão e afastando-se.

— Você não o merece. Ele está se sacrificando por você, estão claros os sentimentos dele, porém os seus... — Ela espalmou suas mãos com desgosto, cuspindo as palavras em seguida: — claramente é filha do Peter.

Ela afastou-se ainda mais e no instante que tocou a maçaneta respondo-a:

— Você já foi noiva dele. — Permito que um mínimo sorriso abra em meus lábios. — Will já me contou uma vez sobre você. Ter um noivado em meio a tantas outras coisas não deve ter sido fácil. — Deixo uma risada fria escapar. — Eu te reconheci no porta-retratos. — Nesse momento, ela encontrava-se em minha frente a uma distancia segura apenas ouvindo minhas palavras com delicadeza. — Estava bem ao lado da cama dele, eu lembro porque foi a primeira vez que dormimos juntos e Deus... Como ele é bom no que faz — provoco, mordendo o meu lábio inferior e analisando sua reação de desgosto e estalo a língua no céu na boca, em seguida. — Enfim, ele deve ter te superado muito rápido porque apenas com essa noite, na próxima sua foto não se encontrava mais ao lado dele.

Em um movimento ágil sinto sua mão pesada contra meu rosto e por causa dos meus dentes o gosto do sangue logo se tornou perceptível.

— A maneira como você olha para ele é a mesma que ele olha para mim — cuspo as palavras com uma risada amarga. — Não deve ser fácil viver sabendo que foi facilmente substituída depois de anos ao lado dele. E, principalmente, viver com um coração partido.

— Você nem tem um para merecê-lo. — Suas veias pulsavam em seu pescoço exposto evidenciando sua raiva.

— Isso não é questão de quem tem coração. Por agora, sugiro que supere, ele já te superou.

Ela saiu pisando pesado e bufando, porém pôde ouvir o que ainda tinha a dizer:

— Espero que tenha passado no seu teste psicológico, só que eu não posso dizer o mesmo para você.

O que de fato era verdade, Virginia e um homem cuja face nunca fora vista por mim antes adentaram no ambiente, após trocas rápidas de palavras com a Shelby. O homem parecia aflito demais, a toda hora espalmava suas mãos e não conseguia manter o olhar fixo aos meus por meros segundos. A cadeira da qual estava sentada foi arrastada até a parede por um dos cinco soldados presentes.

— Eu não vou conseguir fazer isso — disse o homem nervoso.

Suas mãos estavam estremecidas, seu rosto era fino assim como o conjunto de seu corpo, seus olhos não mantinham um ponto fixo ficavam revezando constantemente pelo nervosismo.

— Já discutimos sobre isso antes, Tyler. Não há como você errar — reconfortou Virginia tocando em seu ombro. — Encare isso como um teste do qual você controla — Ela apertou o seu ombro e eu pude percebê-lo tencionado demais.

Ele esfregou, mais uma vez, suas mãos e hesitante se aproximou de mim. Percebi pelos seus olhos negros o seu receio, o seu nervosismo e a maneira intensa como respirava. Ele reclinou o corpo até mim, apoiando suas mãos em seu joelho e me avaliando minuciosamente.

— Por que está com tanto medo, Tyler? — pergunto tombando minha cabeça para o lado. — Estou de mãos e pés atados.

— Não a deixe que te desconcentre — interveio Virginia.

— Ele faz por si mesmo, Dra. Coady — respondo com um sorriso, não desviando meus olhos dos dele. — Pretendem entrar na minha cabeça? Desde quando lobisomens tem tal habilidade?

— Tyler é como você, não há muitos aqui, mas ele é o mais adequado para isso — Virginia respondeu movimentando seus dedos na falta do cigarro. — Só queremos saber como está ai dentro, não lhe faremos mal.

— Engraçado dizer isso quando, na verdade, você quase me matou naquela cadeira de choque — rosno.

Ela nada respondeu, porém o sorriso de canto disse por ela. De certa forma, Virginia gosta do que faz comigo, gosta de testar o meu limite.

Tyler, então, respirou profundamente e manteve seus olhos fixos aos meus. Não ousei desviar o olhar, permiti que ele prosseguisse. Algo dentro de mim queria que ele me visse, me conhecesse.

— Tente não abusar da época em que estava em Boston e NY, você não irá gostar — comento com um sorriso malicioso nos lábios.

Acontece, porém, que ele não se deixou ser levado pelo meu comentário e se manteve concentrado. Os seus olhos negros mudaram constantemente em cores não especificas e logo eu me senti um verdadeiro livro aberto e a minha cabeça pesar de maneira absurda e a dor se expandir, como se o livro estivesse sendo rasgado e este fosse o meu cérebro.

 

— Morta outra vez — Charles disse animado, girando o meu corpo em cima de seu ombro e, em seguida, jogando-me no extenso sofá cinzento da sala. — Da próxima você será executada.

Como ele estava rente aos meus pés, posiciono-os próximo em seu peitoral jogando-o para longe. Aproveitando esses curtos segundos, saio correndo até o corredor lembrando qual era a porta certa do quarto, mas logo sinto seus braços fortes novamente em minha cintura, sem piedade, ele apertava contra o seu corpo.

— Como nos velhos tempos — sussurrou com uma explicita malicia em sua voz.

 

Nesse curto espaço de tempo em que minha concentração estava em me deliciar no café, sou interrompida por um banho quente deixando a bandeja de café cair enquanto aquele que eu bebia despejou-se sobre minha mim.

— Desculpe...

— Seu idiota não olha para onde anda — indago alterada jogando o outro copo de café no chão e reparando na minha blusa branca agora manchada com um enorme borrão de café.

Esfrego meu braço sobre minha boca suja de café, e logo ergo o olhar ao homem que esbarou-se em mim, tentando conter os inúmeros insultos que passavam sobre minha mente.

— Desculpe-me. Eu acabei me distraindo enquanto mandava mensagem — seu sotaque era carregado e ele demonstrava estar um pouco envergonhado.

 

“A ignorância é a pior parte do ser humano” sussurrou.

— Por que isso novamente? — Novamente minhas perguntas não são respondidas. — Vamos acabe logo com isso — Desisti facilmente, sentindo uma ardência enorme em meu peito.

Arrasto-me de forma desajustada esbarrando-me no tronco de uma árvore.
Não aguentava respirar. Não aguentava sustentar o meu corpo. Não aguentava mais seguir em frente. Não aguentava o desconhecido. Não aguentava me sustentar. Não aguentava.
Tudo parecia ficar denso e pesado. Eu estava perdendo o controle de mim mesma.

Minha respiração estava tão ofegante, na verdade, faltava oxigênio. Era como se nesse instante todo o ar do mundo fosse expelido da terra e apenas eu sentia sua falta. Sinto mãos apertarem meu pescoço fortemente. Eu estava sufocando. E com isso sou obrigada a fechar os olhos diante de tal fraqueza.

“Seja uma boa menina” O demônio gritou em minha mente.

 

— Você já a tem. O que quer mais? Isso é ciúme pelo Wilmer? Inveja?

Ele nada respondeu, apenas retornou sua postura anterior julgando minhas expressões.

— Sua raiva ainda não é o suficiente. — Ele fez questão de dar ênfase na palavra ainda. Sua expressão tornou-se seria e seu sorriso diminuiu.

— Caralho. Solte-me seu maluco. Eu não te fiz nada. — Eu já não aguentava aquela situação. — Onde está ela? Onde está Marissa?

— Sua ignorância é o seu maior defeito — cantarolou com paciência.

 

— Ei Marissa, fique comigo — implorei segurando em seu rosto.

Ela, em resposta, grunhiu baixinho, como se estivesse lutando. Meus olhos ficaram imersos pelas lágrimas de desespero e alivio.  

— Tudo vai ficar bem, eu prometo — murmuro.

Ela não chegou a abrir seus olhos azulados, mas eu conseguia perceber que ela lutava, ela lutava pelo veneno que corria em suas veias. Existia esperança.

 

— Eu o matei — repito.

Um tremor percorre meu corpo, com inúmeras ondas de horror e medo. Parecia que acabara de despertar dos mais profundos sonhos e estava plenamente desnorteada. Eu não compreendia, porém, diferentemente dos demais sonhos, eu lembro exatamente de minhas atitudes, dos meus sentimentos, da satisfação, do sangue. Não foi um sonho.

Eu já me encontro entre soluços, minhas mãos sujas de sangue fresco, porém eu não estava ajoelhada em frente à Marissa, estava de frente ao Batman.

 

Quando se tratava do meu passado era difícil não ficar assim e eu sentia a necessidade de compartilhar isso com Wilmer, por alguma razão.

— Eu tinha lhe dito que o meu pai afastou-se emocionalmente e também fisicamente — inicio não conseguindo olhar em seus olhos, por isso opto por fitar um ponto fixo qualquer em minha frente. — Logo após a morte da minha mãe, cerca de dois dias depois, ele levou-me ao Internato Religioso. No primeiro mês eu pensei que assim fosse melhor, pois ele estaria lidando com o luto da maneira dele. Ele sempre me dizia que eu lembrava muito a mamãe e tudo o que menos queria era deixa-lo nervoso ou algo assim. Foi por isso que eu não o liguei, nem reclamei. No segundo mês, eu posso afirmar para você que eu vivi os piores momentos da minha vida.

 

Novamente na solitária e eu não conseguia mais gritar, implorar, pedir ajuda. Minha voz esvaiu junto as lágrimas secas em meu rosto.

A porta abriu-se deixando os pequenos feches de luzes tornarem-se maiores dificultando minha visão.

— Aqui temos pão e água — Ouço o som da bandeja contra o aço do chão — É bem simples Demetria. Conte-me sobre seus sonhos. Conte-me sobre o que te aflige. Conte-me, quem é ele.

Não ouso nem olhar em seus famosos olhos castanhos e, nem ao menos, responde-la.

— Aproveite essa refeição, não receberá mais nesses dois próximos dias para, assim, poder pensar melhor.

 

— Aceite quem você é — o sussurro obrigava-me a encolher. — Seja forte.

— Quem é você? O que está fazendo comigo? — Eram perguntas nunca respondidas. Apenas o silêncio predominava aquilo era tortura para meus ouvidos. — Isso é real? — perguntei olhando para as paredes desgastadas ao meu redor. 

— Tão real quanto os contos que o seu pai lia para você — respondeu misterioso. — Não se assuste, minha cara. Somos feitos do mesmo sangue.

 

— Quem vai vencer esse jogo?

Ela juntou todas suas forças e abriu o sorriso mais dócil que já vi em seus lábios. Seus olhos estavam imersos em lágrimas puras e ela sibilou a resposta:

— Isso irá depender de quem você será, qual lado seu irá dominar.

O folego escapou de seus lábios de uma forma súbita. Seus olhos fecharam rendendo-se a dor que sentia e os barulhos eletrônicos simbolizam o que era iminente.

— Não me deixe também, por favor, não me deixe. Não agora.

 

— Charles, por favor.

— Vai ficar tudo bem Devonne. — Eu conseguia reparar em sua voz forçada para que ele não desabasse. — Até mais.

 

Eu descarregava tudo aquilo que carreguei durante muito tempo, desde os meus primeiros surtos a morte de minha mãe. Tudo aquilo que ignorei, eu chorava agora. Tudo aquilo que neguei, eu passo a aceitar. Tudo aquilo que sempre quis perto de mim, eu tenho a ideia do quão longe está. Todos os contos dos quais meu pai me contava, eu passo a torna-los perto de mim. Passo a considerar todo o sofrimento de minha mãe em meu nome, em busca do meu bem estar. Digo, em voz alta, o quanto fraca sou em não admitir os meus erros. E abraço, com veemência, aquilo que me resta.

 

— São 100milvolts a cada dois segundos,  como você consegue suportar isso? — perguntou Virginia olhando em meus olhos, entusiasmada.

Eu não conseguia responder. A vibração percorria todo o meu corpo como ondas e ondas destruindo todos os meus tecidos e me levando a falência, aos poucos. Eu sentia o meu estômago revirando e a minha cabeça queimar sobre olho fervente. Eu estava literalmente morrendo, não aguentaria copiosa dor por tanto tempo, pois além dessa eu estava ignorando por completo a dor psicológica. Juntas me levariam a destruição.

— Você não sabe o quanto é intrigante!

— Vai para o inferno — gritei.

Provavelmente por ter gritado alto demais, Virginia, pela primeira vez, afastou-se e seus músculos enrijeceram e sua pupila contraiu, ela temeu. E por algum motivo, o seu monitor estourou indicando o fim da sua diversão.

 

Dor, desespero, desamparo, abstinência, insegurança, rancor — ele murmurou as palavras tremulo.

Eu sentia o cheiro de sangue e a minha cabeça doer como nunca. Os olhos de Tyler estavam perdidos nos meus, estes estavam avermelhados e lágrimas surgiam. O seu rosto não esboçava nada, nenhuma reação, na verdade, seu nariz sangrava e seus lábios estremeciam. Ele estava sentindo toda a minha dor. Afinal compartilhamos meus piores momentos.

Tyler perdeu o controle de escolher minhas memorias, ele amarrou a corda em seu pescoço, com a ajuda de Virginia, e meu outro lado tratou de enforca-lo, sem piedade. As minhas piores lembranças foram escolhidas, agora resta ele conviver com elas também.

— Tyler, como está se sentindo? — Virginia perguntou aproximando-se.

No entanto os músculos retorceram dentro do rapaz e uma face de desgosto e dor misturou em uma careta, suas lágrimas desceram sem nenhum impedimento e logo ele tratou de se retirar do local a passos tortos e desgovernados.

Virginia foi acompanha-lo, mas antes solicitou que um dos soldados me levasse de volta ao meu aposento. As minhas pernas falharam inúmeras vezes e o cheiro de sangue ficava frequente e insuportável. O homem tratou de retirar a única algema que faltava da qual envolvia meus pulsos e jogou-me na cela.

Passo minhas mãos em meu rosto e percebo que tanto minha orelha quanto o meu nariz sangravam. Eu sentia minha respiração pesada e a dificuldade em que meu pulmão tinha, naquele momento. As lágrimas desceram livremente e uma dor imensurável começou a me devastar.

— Você não conseguiria fazer isso, Demetria. Em primeiro lugar, sua cabeça está pior que um labirinto sem saída e, como disse, é necessário que o executor esteja em paz assim como o explorado. Em segundo lugar, existem dois tipos de conexão como essa a primeira é por um contato virtual e a segunda é uma ligação.

— Você pode entrar na minha cabeça agora?

— Entrar na mente de uma pessoa é uma missão suicida, ainda mais se tratando da sua cabeça.

Wilmer nunca disse quais seriam as consequências dessa missão suicida e eu estava as conhecendo agora. Eu perdi completamente o controle de mim mesma, se antes se quer eu tinha. Minhas emoções vieram à tona em forma de avalanche destruindo o que de menos resta em mim, destruindo violentamente e tornando-me um caos completo.

Todas as dores que eu ignorei e controlava saíram de antemão e voltaram contra mim, não havia mais paz, luz, felicidade. Eu não as conhecia mais. Quando dou por mim, percebo minhas mãos sangrando e a porta de aço da qual me aprisionava retorcida pelos socos que a depositei, o fino colchão arremessado e o meu corpo no chão.

E a única coisa que podia fazer era chorar e gritar.

 

— Ei, venha, precisamos sair daqui.

 Seus olhos castanhos e um dos meus favoritos no mundo estavam apavorados, talvez pelo meu estado. A minha cabeça demorou muito tempo para assimilar o seu rosto ao mundo real, ele estava realmente de volta, estava aqui ao meu lado. Sua mão tocou o meu rosto, limpando as lágrimas que escorriam copiosamente.

— Desde quando está aqui? — perguntei entre soluços.

Então, pela primeira vez, eu sinto o cheiro de fumaça, um cheiro intenso e gritante, ouço gritos desesperados e agonizantes.

Algo estava acontecendo.

— Não deixarei que nada mais te aconteça, me desculpe por tudo isso — murmurou ele.

Você sempre faz péssimas escolhas — retruco-o. Eu não me referi a isso especificamente, eu me incluí.

Sem hesitar ele me pegou no colo, principalmente ao perceber minha fraqueza, e eu envolvi meus braços em seu pescoço aconchegando-me em seu peito. O seu cheiro reviveu ainda mais lembranças e eu não me contive em chorar, apenas fechei os olhos. Durante a trajetória, Wilmer sempre murmurava “vai ficar tudo bem”.  

— Você consegue se manter em pé? — perguntou ele olhando para mim com notória apreensão.

Apenas concordo com um movimento simples da cabeça e ele me apoia contra um veículo. Os seus olhos fitaram os meus e eu percebi o seu desespero. Então, ele se afastou e correu até um painel com inúmeras chaves, olho para trás e percebo que estávamos em um tipo de estacionamento, porém, antes que eu analisasse melhor, os gritos e o cheiro forte obrigam-me a fechar os olhos e trincar meus dentes. Quando os abro novamente, sou surpreendida por uma mão grosseira em meu pescoço apertando-o e fazendo com que o ar me falte.

— Você não quer fazer isso Tyler — disse Wilmer com as mãos para cima aproximando-se com passos curtos.

Sua mão funcionava como um registro do ar que respiro e a adaga em sua mão um alerta para qualquer ato heroico do Wilmer.

— Ah, eu quero sim Valderrama — indagou ele com um sorriso doentio e atirou o meu corpo contra o carro, mas antes a lamina rasgou superficialmente a pele de minha bochecha.

Eu senti meus músculos reclamarem e talvez algumas costelas quebrarem junto ao choque do meu corpo contra o capô do veículo. Nesse meio tempo, Wilmer já se encontrava lutando com o Tyler, porém ele não queria machuca-lo, não queria mata-lo se tivesse já teria feito.

— Tyler, apenas me ouça. Eu compreendo o que esteja sentido, mas ela não é culpada disso — Wilmer tentava fazer uma conexão com o Tyler — Não quero machucar você, hermano.

— Ela é a culpada. Ela é a culpada de tudo isso — bravejou feito um louco.

Tombo o meu corpo para o lado, de modo que eu caísse no solo arenoso e com o choque foi inevitável conter o meu gemido de dor.

— Ela me mandou queimar todos. Ela me mandou queimar todos — murmurou.

Ergo minha cabeça e percebo que Wilmer mantinha Tyler sobre o seu controle. Ele choramingava enquanto o mais velho apalpava suas costas, porém quando seus olhos encontraram os meus, seu olhar e seu jeito mudaram por completo. Em uma inversão, Tyler apanha a arma que Wilmer tinha na cintura e atirou duas vezes, sem piedade e logo o fez cair de joelhos chutando-o. Então, quando percebeu que o mais velho não reagiria, caminhou até mim jogando a arma no chão e chutando-a do lado oposto ao Wilmer.

— Você me mandou queimar todos! Eu apenas segui suas ordens, por que todos estão bravos comigo? — ele dizia as palavras com inocência, porém agia como um louco.

Ele aproximou-se de mim, forçando-me a ficar de pé novamente apertando o meu pescoço. Eu tentava me debater, mas ele era mais forte e eu estava tão fraca. Os olhos de Tyler oscilavam constantemente, ele tinha enlouquecido pegado o meu descontrole para ele.

— Tudo isso é culpa sua, sua culpa!

Então, ele arremessou o meu corpo na parede oposta e eu caí, sem qualquer preparo, sentindo meus ossos quebrarem e meus músculos gritarem e retorcerem dentro de mim. Antes que eu pudesse me recompor, ele me suspendeu agarrando o meu pescoço e apertando-o com ódio.

— Você me obrigou a incendiar o acampamento — gritou. — Eu vou te silenciar, assim não poderá mais me obrigar a fazer algo que eu não quero. Pare de me ordenar às coisas. Pare. 

Ele repetia as mesmas coisas. Isso foi o mais perto que eu cheguei da insanidade.

Tyler não se conteve e apertou meu pescoço, minhas mãos tentavam impedi-lo, mas era falho. Eu ouvia os gritos do Wilmer vagos em minha cabeça até que o ar me faltou. Desliguei todos os meus sentidos e pude comparar a situação como se eu estivesse me afogando em alto mar. Eu me afundava cada vez mais e o oxigênio me faltava. Aos poucos, meus olhos rendiam-se a agonia e tudo se tornava em vão.

— O que eu quero para o meu futuro? — repeti sua pergunta, olhando para um ponto fixo no bar pensando em uma resposta, ao imagina-la volto a olhar seus grandes olhos. — Um emprego que eu goste, uma casa pequena, sem muito luxo, e muito, muito sexo. Não quero que a minha vida seja um ciclo como de tantas outras pessoas, Charles. Eu quero aproveitar, mesmo quando eu estiver velha.

— Está soando igual uma ninfomaníaca — disse ele com um sorriso, tomando um gole de cerveja.

— Isso porque você nunca transou comigo, idiota — Mordo levemente o seu ombro, olhando-o maliciosamente, porém logo retomo para a minha postura inicial e acrescento: — Eu só não quero ter a mesma vida que todos têm: crescer, trabalhar, reproduzir e morrer. Deus, como isso soa chato.

— Por isso eu te amo — indagou Charles passando seu braço por cima do ombro e aproximando-me.

— Não venha com sentimentalismo barato em troca de sexo Charles Müller.

Então, o oxigênio voltou a circular em meu cérebro e artérias. Eu voltei para superfície, porém fui arrastada novamente para a o fundo.

— Você o ama? — perguntou Charles após eu fechar a porta e me deparar com ele sentado no sofá.

— O seu tio foi embora? — questiono, retirando meus sapatos.

— Eu te fiz uma pergunta, Demetria — sua voz enrijeceu e seus olhos esverdeados tentavam me intimidar.

— Por que está perguntando isso? — Bufo, revirando meus olhos.

— Apenas responda.

Dizer que acabei de transar com Wilmer no carro e que me declarei para ele resultaria em problemas com o Charles. Acontece, porém, que eu não queria mentir, pela primeira vez desde muito tempo, eu estou me apaixonando e como Charles é meu irmão terá que compreender isso e passar por cima de todos os seus problemas com Valderrama.

— Mentiria se dissesse que não sinto nada por ele. 

Novamente o ar voltou a preencher meus pulmões de maneira urgente e antes que eu pudesse voltar para baixo, algo novo percorre minhas veias. Eu nunca me senti tão forte e revigorada como agora. Era como se alguma coisa tivesse me reabastecido e todas minhas dores se tornaram insignificantes. Eu tive a noção do meu poder, e quando percebi minhas mãos estavam no pescoço do Tyler, seus olhos estavam apavorados, porém ele não suplicava pela vida.

Eu tive opções, mas ele ficaria com o meu carma, teria que suportar a minha dor e isso eu não desejo nem mesmo para o Peter. Então, por um ato de clemência – se assim pode-se denominar -, eu o mato, retorcendo seu pescoço e em seguida batendo o canto inferior de sua cabeça contra a quina do mármore ao lado.

Em nenhum momento eu perdi o controle e muito menos me repreendi pelo que fiz. 


Notas Finais


olá amoras!
bom, inicialmente quero me desculpar pela demora sei que disse que iria postar com frequencia, mas eu andei pensando seriamente em excluir essa fic e assim fiquei entre "escrevo ou não", no final eu acabei por escolher em continuar, pois de certo modo me identifico com essa fic. Além disso, falta bem pouquinho para a fic acabar, enfim desculpem pelo desabafo!!
espero que não tenha ficado confuso e que tenham gostado
beijocas


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