História Lua de Sangue - Capítulo 34


Escrita por: ~

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Categorias Demi Lovato, Wilmer Valderrama
Tags Darissa, Dilmer, Lobos, Romance, Teen Wolf, Terror
Exibições 45
Palavras 3.460
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Terror e Horror
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 34 - Segundas Chances.


“Então o amor é isso, é perdoar o que não tem perdão, e não guardar rancor. É cuidar, dar carinho, proteger, mimar, mas também saber a hora de dizer não. É brigar, aconselhar, discordar. Mas é também respeitar, saber a hora de calar. Então o amor é assim, complexo, difícil de entender, e de explicar.”

 

— Parece que vai chover — comentou Wilmer.

A rua estava deserta e a Lua Cheia brilhava intensamente naquela noite. As folhas secas dançavam no chão formando pequenos redemoinhos que logo se desmanchavam e o clico se repetia.

— Ela está bonita, não está? — referi à lua, sem desviar o meu olhar dela.

Wilmer se sentou, ao meu lado, no assento de madeira e, em seguida, suspirou.

— Desculpe-me. Só é difícil ficar lá dentro com Chris e o Patrick. É bem estranho, na verdade.

— Eu compreendo — Um pequeno sorriso desenhou seus lábios, como se uma lembrança tivesse invadido sua mente.

A sua mão pousou sobre a mim e, então, o sorriso em seu rosto converteu-se para outro significado, ousaria dizer que mais profundo.

— Ainda parece que estou presa em um pesadelo — confesso quase em um sussurro.

— Em pesadelos você consegue acordar.

 

Eu abracei meus próprios joelhos, tentando entender o que acabou de acontecer. Ninguém digno de sanidade acharia saudável o ocorrido. Inúmeras questões passavam em minha mente: como eu teria que lidar com isso; por qual motivo aconteceu e como eu consegui.

Então, tudo isso evaporou quando meus olhos se ergueram diante sua imagem. Pela primeira vez, eu o vi com os ombros curvados, sua face cansada, a respiração ofegante, o desespero, em seus olhos, aos poucos, desaparecia e cedia espaço para o alivio, o seu peitoral lambuzado de sangue fresco. Wilmer estava fisicamente acabado e, em um sobressalto, eu corri até ele. 

Entretanto, ao invés de abraça-lo, eu o empurrei fazendo titubear e logo eu o esmurrava.

— Você não deveria estar aqui. Não deveria, seu idiota — repetia isso a cada soco que eu o dava. — Você só deixou tudo mais doloroso —As lágrimas escapavam e a minha voz saia com nítida dificuldade. Eu sentia como se minhas pregas vocais estivessem em fogo vivo. — Seu maldito!

Em nenhum momento, Wilmer revirou. Ele apenas segurou suas próprias mãos atrás da minha cintura enquanto eu o esmurrava e me debatia.

— Eu não poderia deixar você sozinha — murmurou ele, pressionando mais o meu corpo ao seu.

— Pensei que estivesse morto.

Eu acabei me rendendo, não aguentando mais toda a dor e o alivio que eu sentia. Ao invés de me debater, eu o abracei pelo pescoço permitindo que as lágrimas escorressem livremente.

— Pensei que tivesse perdido todos que amo — confessei entre lágrimas.

Wilmer me afastou sutilmente e me trouxe para o seu campo de visão. Sua mão segurou o meu rosto como se fosse algo precioso do qual tomaria cuidado e seus olhos focaram nos meus por intermináveis segundos.

— Está tudo bem — disse ele e reforçou: — Está tudo bem. Acabou.

Reparo, então, que minhas mãos agarravam fortemente o braço do Wilmer, como se assim eu o pudesse prender para mim. Assim, eu respiro fundo suavizando desprendendo-me dele e fazendo-o sorrir lateralmente.

— Na verdade, devo te dizer que ainda há esperança...

 

— É melhor entrarmos. Alan tem novas informações.

Wilmer levantou e eu o segurei pela mão.

— Obrigada.

Comprimo meus lábios ao me levantar e percebo que ele não entendeu a razão do meu agradecimento.

— Nada disso estaria acontecendo se não tivesse ajudado o Charles quando ele precisou ou, até mesmo, por ter falado com o Chris sobre isso. Talvez, todos teriam morrido de uma forma incrivelmente dolorosa.

Os meus dedos brincavam com os dele e isso lhe roubou uma risada nasal.

— Talvez você precise me agradecer mais do que com uma simples palavra — respondeu ele, com o seu sorriso típico.

Eu quase reviro os olhos, porém acabo sorrindo também sentindo, ainda, minhas bochechas queimarem. É contagiante a forma como ele sorrir, indiferente se for apenas para se insinuar.

— Senti falta desse sorriso — confessou ele, erguendo o meu queixo.

Então, nossos lábios se tocaram. Talvez fosse toda angustia dos dias anteriores que me ofuscaram, porém, quando eu senti o seu gosto, uma sensação de alivio mista com uma agridoce formaram ondas e ondas em meu corpo. Foi como se nuvens carregadas nublassem a minha vida e com um ato tão simples, esse sentimento vago trouxe de volta raios solares que infligiram às nuvens.  Por mais clichê e surreal que fosse, foi exatamente isso que um simples beijo, nessa hora, me provocou.

 

— Então, Chris o levou e eu estou aqui — finalizou Wilmer.

Pressiono meus olhos tentando assimilar as palavras ditas. Eu suspirei pesadamente e, ao olhar por cima do ombro dele, encontro Patrick. Apenas pelo seu olhar eu sabia que ele se sentia responsável pelo que aconteceu, culpado para ser mais exata.

— Quer me dizer que há alguma chance do Charles estar vivo? — Volto o meu olhar para o Wilmer. — Eu o vi... Eu vi tudo é tecnicamente impossível ele sobreviver ainda mais se tratando do próprio Alpha.

— Não foi profundo, mas ele perdeu muito sangue e creio que quando eu tentei o curar pôde, sim, ter minimizado o efeito e não tornado a morte dele iminente.

— Além disso, Peter apenas queria lhe assustar. Talvez tudo tivesse acontecido rápido demais e te assustar e fazê-la pensar que o matou sugerisse o mesmo efeito — completou Patrick.

E de fato ele teve sucesso, porém todo o poder virou contra ele mesmo.

 

Pressiono meus olhos, permitindo que eles voltassem a coloração normal. Nesses dias estava sendo mais complicado controla-los, por mais que ele dissesse ser normal.

— É todo seu, não o tema — Wilmer acariciou com o polegar o meu rosto e sorriu depois.

— Quem disse que eu temo? — retruquei. — Acho que é você quem deveria começar a temer.

Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, o seu celular, do qual eu devolvi, tocou e pelo identificador de chamadas soube que era Helena. Eu estava perto quando Wilmer lhe contou partes do acontecido, apenas o principal, e o seu desespero se assemelhou a de um maternal.

— Eu preciso atender antes que ela pense estar acontecendo o pior — disse ele — Melhor você entrar.

Diante disso, retorno para dentro da clinica veterinária. Assim que adentrei encontrei Chris e Patrick à espera, assim como Dr. Deaton, o qual demorou alguns minutos antes de dizer as novidades. Todos estavam ansiosos após saber que teríamos noticia do Charles. Na verdade, o amigo que Chris mencionou era um veterinário do qual poderia ser bastante impressionante se souber os segredos que ele guarda, principalmente se tratando do mundo sobrenatural.

—Ele está melhor — anunciou Alan, o veterinário. — De fato, ele mesmo tentando se curar proporcionou uma melhora significativa e garantida para si mesmo. Essa semana que se passou foi revigorante para ele.

— Eu posso vê-lo agora? — questionei ansiosa.

Afinal eu passei boa parte dos dias ao seu lado, outras fui forçada pelo Wilmer a dormir em um lugar mais confortável e até me alimentar.

— Eu tomei a liberdade para elucidar algumas coisas visto que a memoria dele ainda está fraca. Porém, ele pediu para falar com Wilmer.

Franzo o cenho e percebo que ele já se encontrava na sala de espera. Os seus olhos encontraram os meus por alguns segundos e logo ele seguiu o Alan sem contestar. Então, o silencio caiu sobre os três. E eu não poderia ficar calada, naquele momento.

— Não quero soar rude — Um sorriso nervoso desenha meus lábios e eu continuo: -, mas eu só preciso ser franca. Estamos em uma situação estranha, bem estranha, aliais. — O meu nervosismo era evidente. — Três Lobos e dois caçadores. Eu só quero que me deixem claro quais são suas reais intensões, pois eu não passei por tudo aquilo para permitir que tirem de mim as pessoas que eu amo novamente. Chris praticamente me mantou e quanto a você — Olho para o Patrick. — nem vale a pena mencionar. Juro que se algum de vocês tocarem em um fio de cabelo seja do Wilmer ou do Charles, não irei medir esforços para matar. Não depois de tudo.

— Eu nunca quis machucar o Charles e fiquei grato ao Wilmer quando soube que poderia ajuda-lo — justificou o Chris. — Ele é meu sobrinho, conheço aquele garoto desde quando usava fraldas. Se eu quisesse mesmo te matar eu já teria feito isso, mas eu sei que teria perdido o Charles.

E ele dizia a verdade.

— Eu estou do seu lado, Demetria. Nunca fui o inimigo aqui. — completou e suspirou, em seguida. — Vou esperar lá fora.

Então, ele simplesmente saiu.

— Quando você irá me perdoar? — questionou Patrick dando um passo para frente, meros minutos após a saída do Chris.

Suspiro pesadamente, colocando minhas mãos no bolso traseiro da calça e inclinando o meu corpo para frente.

— Por mais estranho que possa parecer e por mais raiva que eu tinha de você, eu compreendi o motivo, de certa forma. Desde que você saiu da casa do Charles e disse que eu não era sua filha. — Foi como se um filme estivesse passando perante meus olhos. — Eu estava disposta a te dar uma segunda chance. Só que, depois do aconteceu e das coisas que eu descobri... Eu só não quero perder mais ninguém, estou cansada disso, por favor — confesso quase em um fio de voz.

Patrick dá um passo para frente e seus olhos negros procuram os meus.

— Eu errei muito. — Ele reconhecia o seu erro. Primeiro passo, não é mesmo? — Admito que boa parte de minhas escolhas te levaram onde está agora. E eu sinto muito orgulho de você, Demetria. Você não é uma pessoa que se dá pela metade; você se doa por inteira por aqueles que ama. Se eu fiz alguma coisa boa na minha vida, com certeza foi em ter te criado, de ser o seu pai. Eu sei que eu te machuquei e eu sinto muito.

Ele esboçou um sorriso, fechando sua mão em punho e tocando, com delicadeza, o meu maxilar, igual quando eu era criança. Aquilo me roubou um sorriso tremulo, pois por dentro eu estava cheia de angustia. Afinal restava, de certa forma, apenas ele para liquidar os desentendimentos de minha vida.

— Eu sou o monstro que você sempre detestou. Acabei me tornando em um Alpha e eu simplesmente não consigo pensar a respeito ou nas consequências que irá acarretar na minha vida — desabafo, com os olhos lagrimejados.

— Você sempre será a minha pequena que sempre irei amar. Eu não irei lhe das costas agora. Eu nunca dei, na realidade. Sempre achei que esse era o certo a fazer, que aquilo era o certo — sua voz evidenciava emoção. — Eu nunca machucaria Charles ou Wilmer, não sabendo como você os ama. Tudo o que menos quero é sua infelicidade.

— Eu sou um monstro, como pode me amar? — as lágrimas já deslizavam pelo meu rosto e o começava a faltar em meu peito.

— Eu sei que você não é o monstro, nunca foi.

Delicadamente, ele me abraçou e como isso me trouxe paz. Em seus braços, eu voltei a ser aquela menininha do papai. Ele sempre será o meu pai. Todas as pessoas ao meu redor mentiram para mim e mesmo assim eu lutei por todos. Por que deveria não o dar uma segunda chance? Afinal sempre foi o que o Charles quis. E o que, no fundo, eu também sempre desejei.

— Eu faria qualquer coisa por você, minha filha. Qualquer coisa.

 

Quatro dias depois, Charles apresentou significativos de sua recuperação. Foi incrível a forma como ele reagiu bem a todo processo. Entretanto, algo que nunca será apagado é a cicatriz em seu pescoço, do qual ele carregará pelo resto de sua vida.

— Está na hora de voltar para Bridgewater — indagou ele entremeio um suspiro. — Parece que nunca irei conseguir ficar bonito como antes — referiu-se a cicatriz.

— Pare com isso, seu idiota — Aproximo-me, bagunçando seu cabelo. — Você continua atraente, sabe disso! Qualquer garota que estiver com você terá sorte.

Charles abriu um sorriso sorrateiro, envolvendo seu braço em minha cintura, aproximando, assim, nossos corpos e, em seguida, colocando uma mecha de cabelo atrás de minha orelha. Ele esboçava um sorriso sorrateiro e seus olhos esverdeados mantinham-se fixo nos meus.

— Obrigada, eu precisava de alguém para aumentar o meu ego — disse por fim, intensificando o seu sorriso.

— Eu deveria sentir ciúmes disso? — questionou Wilmer, após retornar para o rol de entrada do hotel o qual ficamos hospedados durante a melhora do Charles.

— Como se você sentisse, Valderrama — replico, umedecendo meus lábios e arqueando uma de minhas sobrancelhas. Eu esperava que ele respondesse, de fato.

— Você sabe, Demetria. Ele nunca gostou de nos dois juntos — Charles comentou sem retirar seus olhos do Wilmer. — Você mesma me disse isso.

Wilmer apenas esboçou um sorriso, mantendo seus olhos fixos com os de Charles. Essa foi sua resposta.

— Então, quer dizer que você é o meu Alpha agora? — indagou Charles com um tom divertido, virando-se para mim.

— Sim, agora você é forçado a fazer comida para mim, não somente porque é meu amigo, nem pelo fato de ter lhe salvado. É sua natureza me servir.

Charles balançou sua cabeça, seu sorriso com covinhas surgiu e foi inevitável não sorrir com ele.

— Charles, o seu tio está lá fora e quer falar com você — disse Wilmer quase dando de ombros. Ele estava mentindo. — Se o taxista chegar, coloque as malas no carro. Sabe, você vai estar lá. Assim não iremos precisar gastar mais tempo do que gastamos.

O mais novo demonstrou desprezo e eu não contive a minha risada, porém seguiu em direção a saída do hotel onde estávamos hospedados.

— Você sempre espera um banho de sangue entre Charles e eu — Wilmer disse, envolvendo suas mãos em minha cintura e juntando nossos corpos.

— É quase inevitável que algum de vocês morra — repliquei com um sorriso.

Wilmer esboçou apenas um sorriso de canto e acariciou minha bochecha com o polegar. Os seus olhos analisaram delicadamente o meu rosto e ele estava pensativo demais.

— O que foi?

— Não tínhamos solução até mais de uma semana atrás e como vamos ser daqui por diante?

— Como você acha que deveria ser? — questionei, brincando com o zíper de sua jaqueta. — Acha que realmente não temos uma solução, nem mesmo se tentarmos? Logo agora que não temos nenhum empecilho.

— Então, você quer?

— Eu nunca menti sobre os meus sentimentos, Valderrama. Acontece que eu odeio a forma como gosta de retrucar minhas perguntas, forçando-me a respondê-las antes de você.

Ambos riram. Percebi que os olhos castanhos do Wilmer brilhavam, era algo intenso e eu fiquei ainda mais encantada.

— Aquilo que me contou é verdade? Sobre nós dois juntos e um filho?

— É estupido, eu sei. Precipitado demais? Eu também sei. Eu só não consigo ver um futuro sem você, não somente pelo fato de eu te amar, mas porque... Eu não sei!

Wilmer selou calmamente nossos lábios. Eu não poderia me sentir mais completa ao seu lado. Eu literalmente tinha tudo naquele momento e agradecia muito por isso.

— Tem pessoas aqui, Will — comento com um sorriso nos lábios. — Daqui a pouco irão nos expulsar!

Ele sorriu, dando de ombros e selou nossos lábios novamente mostrando que não se importava com a situação.

— Estamos indo embora de qualquer jeito, o que custa ir em grande estilo? — indagou com o seu típico sorriso no rosto. — Podemos ir devagar, como quiser. Podemos começar do zero ou retomar de onde paramos.

— Não vale a pena começarmos do zero. Devagar, seria uma boa opção.

— Até parece que estão escolhendo um prato para jantar em um restaurante — comentou Charles com uma careta desgostosa, adentrando com passos largos no rol— Você — Apontou para Wilmer — não vale nem um centavo.  

— Irei considerar isso como um elogio vindo de você — provocou o outro.

—Não querendo me intrometer, mas já intrometendo. — disse Charles gesticulando com as mãos. — Vocês se perguntaram como é a relação entre dois Alpha? É uma questão importante.

 

 

Todas as folhas das árvores ao redor do lago já se encontravam no chão. Estávamos no fim do outono e um pé para o início do inverno rigoroso em Bridgewater. Para mim, contudo, o tempo estava delicioso com uma brisa gélida contra o meu rosto descoberto, que, ainda, fazia os galhos dançarem em sua direção e o sol desaparecido deixava apenas mínimos raios clareando o horizonte.  O lago, em frente, estava com neblinas dançando uma música lenta sobre a água álgida. Isso tudo era um contraponto com o meu interior. A imagem inerte, vista por mim, e gélida posta com um eu conturbado e prestes a desnortear dos trilhos.

Sou pega de surpresa quando vejo as mãos do Wilmer tocarem as minhas e dou um salto para o lado e o ar escapa subitamente de meus lábios.

— Eu não quis assustá-la — disse ele tranquilo, estendo a mão para que eu possa pegá-la novamente e, assim, nos aproximar. — No que está pensando?

Ele passou seu braço por cima de meu ombro, ajudando o meu corpo, com um simples toque, a manter a temperatura corporal.

— Acho que você já sabe a resposta — murmuro comprimindo meus lábios, em seguida. — Você já sabia, não é?

Ergo meus olhos até ele e percebo o pequeno sorriso de lado em seu rosto.

Sim, ele sempre soube.

— Você me pediu em casamento por causa disso? Você me pediu porque eu simplesmente estou gravida e isso já representa a necessidade de um casamento? Logo você que nunca gostou de rotular as coisas, nos conhecendo há praticamente um ano, Valderrama— As palavras escapavam de meus lábios com tamanha rapidez que eu não era capaz de raciocinar ou medi-las. — Supostamente, não era para irmos devagar?

— Irei considerar sua alteração hormonal, o que é o mais ideal a se fazer — ponderou ele. — Se estiver reconsiderando sua resposta, fale de uma vez. — Ele deu um passo para frente, olhando em meus olhos. — Só quero te lembrar que eu não sou homem de pedir em casamento uma mulher apenas por ela estar gravida. Estamos no século XXI. Eu te pedi ontem porque eu tenho plena convicção de meus sentimentos e o bebê é apenas uma consequência disso. Em todo caso, se você quiser reconsiderar sua resposta estarei sempre a ouvidos, pois a última coisa que eu quero é te forçar a algo.

Respiro pesadamente e murmuro um palavrão. Dou um largo passo para frente e envolvo meus braços em seu pescoço, sendo reciprocamente envolvida pelos do Wilmer.

— Eu odeio o fato de te amar. —Ouço uma risada amena dele ao pé do meu ouvido.

Novamente eu respiro fundo, sentindo o seu cheiro do qual eu sempre adorei e sempre será um dos meus favoritos. Afasto-me, minimamente, apenas para tê-lo em meu campo de visão. A escuridão já avançava com as neblinas, assim, eliminando todos os indícios de lampejo pela frente, porém, mesmo assim, eu conseguia ver o rosto do Wilmer e o mero sorriso que se formava em seus lábios. Toco os seus com os meus em um gesto calmo e lento, de forma a afugentar o frio que nos cerca.

— Desculpe-me — disse contra seus lábios, dando um passo para trás. — E me desculpe também por não ter te contado antes. Eu fiquei com medo. Talvez, não acreditando e nem falando poderiam significar não ser verdade. Caralho, eu tenho 21 anos, sou uma pessoa claramente conturbada e vou ser mãe.

Wilmer contorceu o seu lábio e arrumou uma mecha de meu cabelo, evitando olhar em meus olhos.

— Você não está sozinha, sabe muito bem disso. Eu nunca deixaria que todo o peso viesse a te sobrecarregar. Somos uma equipe, não é mesmo? — Sorriu de lado. — Além disso, sua mãe ficou grávida quando era mais jovem e mesmo assim conseguiu criar uma filha maravilhosa. Não há motivos para temer.

Prendo por alguns segundos minha respiração e estalo a língua no céu da boca, em seguida.

— Na verdade, há todos os motivos, Will — indago com a voz levemente embargada. O choro estava rente a minha garganta dificultando que a minha voz permaneça estável — Eu tenho medo de ser como eu. A minha mãe teve medo disso e, claramente, está se repetindo. Você sabe exatamente o que ela fez para conter esse mundo do qual eu estou mais inserida do que nunca. — As lágrimas escorriam e eu não conseguia contê-las. — Eu daria absolutamente tudo para que ela ou ele fosse normal e não o monstro que somos. Há apenas um quarto de chance de ser normal e eu daria tudo por isso. Absolutamente tudo. Você sabe que não é assim que funciona, infelizmente não é assim. — Respiro fundo, passando minhas mãos nas lágrimas que escapavam — Como você quer que eu seja mãe quando a cada dia eu estou perdendo o controle? Como você quer se casar com uma pessoa que está instável emocionalmente e fisicamente? Eu quem te sobrecarregaria, no final, e você sabe disso. 


Notas Finais


olá amoras!
bom, eu ia postar só depois que eu entrasse de férias, porém como sou uma pessoa indecisa resolvi postar de uma vez, pois, caso contrario, eu nem iria postar uma continuação! De toda maneira, eu estou muito feliz com o resultado desse capitulo fiquei muitos dias fazendo ele e não sei mas eu gostei dele, espero que vocês também!
Para qualquer duvida, a historia ainda continua, porém serei obrigada a dar um salto no tempo.... Nessa nova parte, apenas para frisar, irei abordar um pouco mais o mundo sobrenatural e principalmente o casal(será o ponto principal, o que não foi antes) será explorado mais...enfim, apenas isso
beijocas amoras e não deixem de comentar


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