História Lúcifer - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjo, Drama, Horror, Lucifer, Mistério, Pecado, Romance, Terror, Violencia, Yaoi, Yuri
Exibições 40
Palavras 2.308
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Lemon, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Capítulo III


Fanfic / Fanfiction Lúcifer - Capítulo 4 - Capítulo III

A realidade estava completamente diferente para Anael. Suas asas tinham um peso absurdo, sua pele ardia e seu tronco causava grande dor. Recuperou a consciência após um período de completo apagão em sua mente. Seus olhos pesavam muito e pareciam ter areia. Sentiu seco nos lábios e sua língua tinha um gosto forte. Seu coração acelerou quando colocou a mão no pescoço e não encontrou a Castitate. Estou sozinho. Sem a benção dos Sete estava perdido no mundo dos mortais sem nenhuma proteção para a alma. Seu corpo e mente estavam abertos para qualquer coisa do mundo pecaminoso dos mortais. A dor em seu tronco doía muito e precisou de esforço para se sentar. Onde estou?

Era um cômodo dormitório grande e em cores frias. Estava sentado em uma cama grande e coberto. Seu tronco estava enfaixado e suas roupas haviam sido mudadas. Estava totalmente de branco e viu que sua arma estava em uma mesa perto da janela. Levantou a passos lentos para a janela e observou o lado de fora. Viu que nevava lá fora e quando abriu a janela sentiu o vento frio contra o rosto. Estou exposto. Esticou as asas e por um momento cogitou voar para longe daquele lugar, mas a dor era tamanha que o impedia de andar ou voar.

Colocou a arma na cintura e percebeu que ela era muito pesada e pouco confortável de manejar. Sua preocupação aumentou com a ausência de barulhos e rastros. A falta da Castitate lhe causava medo, pois não conseguiria voltar para o Paraíso. Os Sete não poderiam o encontrar e a partir daquele momento estava completamente sozinho. Lúcifer. Não conseguia entender como o Diabo poderia ter aquela aparência e porque dos Sete não o avisaram sobre a aparência dele. Abriu a porta do cômodo e se viu em um corredor grande. As paredes eram feitas de madeira e haviam quadros nas paredes. Desceu uma grande escada de madeira negra com um tapete vinho.

- Sua força é admirável. Conseguir levantar e andar com quase todas as costelas quebradas. Peço desculpas pela minha brutalidade, mas eu não costumo ser sutil em combate. – A voz conhecida vinha de um cômodo a direita de uma grande sala com lareira. – Se junte a mim, por favor.

- O que você quer? – Passou por um arco dourado e viu uma grande mesa de jantar. Lúcifer estava sentado na ponta da mesa usando um suéter branco e com os cabelos soltos.

– Espero que meus médicos tenham sido eficientes em você, pois seria um desperdício um anjo belo como você, com cicatrizes. – Indicou as outras cadeiras. – Por favor, o jantar vai ser servido em breve.

- Sou seu prisioneiro. – Não tinha forças para fugir e tão pouco para lutar. Limitou-se a sentar-se em uma cadeira próxima ao grande arco dourado. – Porque não me destrói de uma vez? Foi isso que fez com os mortais?

- Não me surpreendo pela imagem que tem de mim, mas observa que não sou deformado. – O rosto de Lúcifer ganhou um sorriso melancólico. – Acha que fui eu que fiz aquilo com pobre garotinha? Vocês anjos insistem em me ver como um assassino cruel. Se eu matei os humanos adultos? Claro, mas tenho motivos para isso. – Parou repentinamente e bufou. – Não importa o que eu diga, sou um monstro para você.

- Reuniãozinha e a Vossa Graça não me chama! – Um demônio entrou pelo arco. Uma fêmea alta e atlética, de pele bronzeada, cabelo comprido e finos olhos negros. – Então é verdade? Você pegou um bichinho de estimação. Um passarinho machucado! – Ela se sentou ao lado de Anael. – Deu para caridade, Lúcifer.

- Tire as mãos de mim. – Pulou uma cadeira e desviou os olhos do demônio. – Se vai me matar, faça de uma vez!

- Se eu fosse fazer isso, teria sido na floresta! – Bateu na mesa com a mão aberta. – Lilith! Tenha dó. Pensei que estava por aí iludindo pobres infelizes. – A ironia tomou o rosto de Lúcifer. – Percebeu que aproveita mal a sua eternidade? – Se volta para Anael. – Ninguém vai ser morto hoje e você não é meu prisioneiro ou “bichinho de estimação”. – Bateu palmas. – Sou eterno, mas minha paciência não é. 

- Se está dizendo a verdade, eu vou embora. – Anael levantou e precisou de alguns segundos para ficar ereto. Percebeu que seu sobretudo estava em um cabide grande perto da porta. – Pode demorar milênios, mas eu juro pelos Sete que vou ver você se afogando no próprio sangue. – Experimentar a sensação do ódio era uma novidade incomoda. Fechou a porta atrás de si com força.

Lúcifer bufou e prendeu os cabelos. Ficou em silêncio enquanto o jantar era servido. Tinha um claro gosto por jantares completos e refinados, era um momento em que se permitia alguns minutos de paz. Porém seus problemas ganhavam sua mente entre uma garfada e outra, mas mantinha o costume. Dado esse costumo, sempre optava pelo melhor demônio cozinheiro possível e o mais concentrado dos mordomos para lhe servir.

- Você realmente vai ficar comendo esse consomê de aspargos como se nada tivesse acontecido? – A face de Lilith ficou mais séria e jogou o casaco na mesa. – O que vem depois? Uma saladinha com molho? Você arrancou a Castitate de um anjo e largou ele no mundo!

- Não sou tão desnaturado quando você pensado. E tenha em mente que eu não gosto de pré-entrada e entrada rudes, pois o prato principal deve brilhar. – Lúcifer era conhecido entre os demônios por sua ironia, porém a preocupação em seu rosto transpassava essa característica. – Eu dei uma base de início, mas eu sou o Diabo. Você ouviu o juramento sobre o sangue. Tão clichê.

- Então não vai contar nem a verdade para ele? – Largou o garfo. – Poderia pelos menos pedir algo melhor que aspargos.

- Não. Infelizmente ele vai continuar acreditando que veio até aqui para me matar. – Empurrou o prato. – Eu sou o Diabo, ou seja, tudo o que eu disser vai ser mentira no mesmo momento que as palavras saírem da minha boca. – Levou a taça de vinho aos lábios rosados. – Infelizmente, ele terá que descobrir sozinho. Talvez ele consiga descobrir ou eu me afogue no meu próprio sangue.

O pior sentimento era a vergonha de ter fome. Já havia ouvido relatos sobre essa sensação e nenhuma chegava ao nível da realidade. O “torcer” do seu estomago doía mais que sua costela e tapava seus pensamentos. Preciso comer. Seu ódio aumentou quando lembrou das palavras de Lúcifer. Jamais comeria algo sob o teto daquela criatura e tinha certeza que o mesmo só o tinha deixado vivo para aproveitar a vista de vê-lo morrer aos poucos. Preciso sobreviver.

O peso absurdo de sua arma fazia com que as costas doessem. Precisou se concentrar para se manter ereto e não atrair a atenção dos mortais. Conheceu a sensação do medo quando se deu em um mundo desconhecido e completamente sozinho. Nenhum anjo descia sem permissão e se a Castitate não poderia pedir ajuda de ninguém. Preciso dela. Talvez o Diabo a tivesse, mas não tinha forças para nada.

Por um momento Anael se distraiu e caiu de cara no chão. Seu rosto não sofreu mais do que o frio do chão. Ainda tenho alguma força. Bateu a mão em um bolso menor do sobretudo e percebeu que havia algo ali. Era uma pastinha de couro fechada com um zíper. Ficou surpreso que dentro haviam vários cartões plastificados com sua foto e nome, além de unidades monetárias. Diabo. Pouco entendia sobre os costumes de sociedade humanos, mas percebeu que aquilo lhe dava uma existência sobre eles. Ele quer que eu viva entre os humanos. Experimentou o conceito de orgulho machucado quando aceitou usar as coisas do Diabo para conseguir comida.

 Entrou em restaurante do tipo simples. Nunca havia estado tão próximo de uma necessidade mortal. Haviam pessoas sentadas em mesas em meio a risos e comidas gordurosas. Aquelas comidas não eram parecidas com coisas naturais. Não entendia porque os mortais pegavam comida real e transformavam em versões cheias de açúcar, gordura e potencial de mata-los. Pediu quando comida superficial embalada em papelão colorido. Ao menos me custou pouco.

A comida aliviou seus pensamentos e começou a pensar em como escapar daquele purgatório. Não achava uma solução. De um momento para o outro os mortais começaram a ficar agitados. Um grupo começou a empurrar um sozinho. Anael se perdeu observando aquela situação agressiva.

- Acha mesmo que a Malu ia dar mole para um merda como você? – Parecia estar muito bravo com o segundo e seus amigos ficavam atrás dele. – Se chegar perto dela novamente...

- Você não manda em ninguém seu merda! – O cara sozinho era menor e quase não tinha músculos. – Ela até pode não me querer, mas não a vejo andando com você. – Em um segundo precisou abaixar para tentar desviar do soco.

Anael não entendeu porque fez aquilo. Nunca havia agido por impulso e não tinha motivos para se meter com aquilo. Talvez fosse seu senso de justiça sem controle. Segurou a mão do maior do ar e o jogou contra a mesa ao lado. Realmente, eu ainda sou forte. Não conseguiu conter o sorriso e pareceu que essa felicidade se espalhou por todos. Outros riram da situação e pareciam excitados com aquilo. O mortal levantou xingando e foi para cima de Anael. Não precisou de muita força para erguer o homem com uma mão e o jogar ainda mais longe.

- Para fora! – Um mortal uniformizado parecia ter autoridade sobre todos. A excitação da plateia terminou e foi obrigado a sair. – Não quero saber de arruaceiros aqui!

- Cara. Obrigada. – O mortal estava com a mão estendida. – Meu nome é Samuel. – Ele ria. – Nunca vi alguém batendo em um jogador de futebol americano assim. Você é um Hulk negro! – Ele era baixinho, magro e com cabelos encaracolados e ruivos.

- Tudo bem. Não era justo brigar com um homem com o dobro do seu tamanho. – Pegou na mão do Samuel de forma desajeitada. É uma boa alma. – Sou Anael. Novo na cidade. Cheguei hoje.

- Sério? É um novo estudante então? Já fez a matricula? Tem um apartamento? – Samuel sentou em um banco. – Desculpe as perguntas, mas é que eu vi você comendo no canto sozinho.

- Sou um novo estudante sim. Ainda não fiz matricula. – Lamentou seus curtos conhecimentos sobre o aprendizado humano. – Eu ainda não tenho um lugar para ficar, mas tenho dinheiro. Onde eu posso conseguir um lugar. – Sobreviver primeiro.

- Comigo! Você caiu do céu. Eu aluguei um apartamento para não ter que dividir dormitório com os outros. Só que o dinheiro está curto e não posso manter ele sozinho e nem fudendo vou pedir dinheiro por meu pai. – Apontou para um prédio do outro lado da rua. Era mediano, cinza e com algumas marcas de rachadura na pintura. – É uma espelunca, eu sei. Mas estudantes não costumam ter muita grana. A não ser que você seja o filho de algum milionário.

- Eu aceito dividir apartamento com você. – Obrigado. Precisava sobreviver e ter suas novas e complexas necessidades atendidas, para depois pensar em como fugir. Lúcifer! – Podemos ir.

- Claro.

O prédio era muito simples por dentro e não chegava perto da sofisticação da construção de Lúcifer. Eu juro que vou assistir você se afogando no próprio sangue. Não conseguia evitar os sentimentos ruins. O apartamento tinha cômodos moderados, mas pelo menos tinha móveis. Samuel parecia feliz em ter encontrado um companheiro de apartamento e mostrou cada detalhe do lugar. Anael não conseguiu de deixar de notar que a alma pura a sua frente. Imaginou que ele deve ter sofrido muito com tamanha inocência.

- Esse é o seu quarto. – Uma cama de solteiro de madeira, um guarda-roupa pequeno e uma mesa próxima a uma janela com marcas de caneta e rachaduras na madeira. – Não são muito bons, mas há quem diga que depois de um tempo, se tornam um santuário. Vamos ter que usar a lavanderia do prédio. Bem, é isso.

- É isso. – Olhou as marcas deixadas pelo último morador. Conseguiu sentir o passado daquele lugar. Almas jovens e cheias de esperança. Respirou fundo e se forçou a aceitar. – Gostei daqui. Você está certo sobre o tempo. – Sentiu o próprio cheiro por um momento. Isso vem de mim? – Preciso comprar algumas coisas, meu amigo. – Estou preso na sobrevivência humana. – E espero que tenhamos água quente. – Lúcifer, vou ter o prazer de assistir você se afogando no próprio sangue!

A lareira ornamentada de dourado queimava a algumas horas. As chamas dançavam de forma desordenada, assim como os pensamentos de Lúcifer. Segurava o mesmo copo de whisky a cerca de meia hora. Lembrou do dia em que aquele whisky havia sido fabricado. Faziam 76 anos, mas a eternidade não lhe permitia esquecer de nada. Tinha acabado de ordenar a construção de sua mansão nessa cidade fria. Seria o mais logicou refúgio de seus problemas. O frio mantinha o barulho do inferno quieto. Estou ficando muito cansado. Porém, como todas as outras construções de refúgio que já havia tido, os problemas destruíram.

- Milorde. – Seu mordomo datava da idade média e os costumes continuavam entranhados no velho demônio. – Sinto atrapalha sua paz.

- Não sinta. Apenas fale. – Continuou a observar o descontrole sutil das chamas. Minha alma ainda existe e está agitada.

- Foram encontrados outros corpos sacrificados. Seus generais pedem uma reunião com o senhor. Os métodos se mantem o mesmo. – Fez uma pausa e respirou fundo antes de continuar. – E.… existem demônios agitados com a presença de um anjo pelas mediações. Pedem uma reunião com o senhor no Inferno. O que respondo para eles?

- O de sempre... – As chamas pararam por um momento. “Eu juro que vou ver você se afogar no próprio sangue. ” – Que terão suas reuniões com o Lúcifer. – Virou o whisky e abandonou o copo.  


Notas Finais


Obrigada por estar lendo a minha história e espero que esteja gostando... Espero sua opinião e nota <3


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