História Lúcifer - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjo, Drama, Horror, Lucifer, Mistério, Pecado, Romance, Terror, Violencia, Yaoi, Yuri
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Palavras 2.697
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Lemon, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo IX


Fanfic / Fanfiction Lúcifer - Capítulo 5 - Capítulo IX

Anael chegou à conclusão que o tempo afetava muito uma vida mortal. Lembrava exatamente do momento em que comprou alguns cintos de couro para amarrar as asas e conseguir se livrar do sobretudo. Nos primeiros dias, as asas doíam muito e chegaram a sangrar, mas depois de cerca de em mês estava acostumado a viver com as asas pressas. Em primeiro momento, haviam apenas meia dúzia de roupas e uma mochila em seu quarto. Depois de seis meses, estava com uma vida completa. Estava matriculado em um curso superior, seu quarto tinha até um computador e havia arrumado um emprego na biblioteca da Universidade. Por vezes parava para pensar em como iria escapar daquele inferno mortal.

O emprego na Universidade era estratégico. Pelo menos foi por um momento. Precisava de uma fonte mínima de dinheiro e estaria com o conhecimento mortal a sua disposição por horas. Depois de uma semana percebeu que os mortais eram máquinas de criar conhecimento. Eles contestavam toda a realidade e estavam sempre em busca de mais ferramentas para a rotina. Foi convencido por Samuel a comprar um computador e um celular. Erro atrás de erro. Os barulhinhos começaram de tempos em tempos, até se tornarem habituais. Sua popularidade aumentou muito rápido, principalmente entre as mulheres. Sou um anjo. Não suportava o excesso de pessoas perto e as vezes até Samuel lhe causava irritação. Preciso fugir daqui.

Teve suas esperanças mortas quando começou a estudar sobre a percepção dos humanos sobre Deus e os Sete. Encontrou apenas um livro onde os Sete eram citados, mas apenas seus nomes eram dados e seus papeis eram de Arcanjos e mais nada. Os mortais não tinham ciência de como o Paraíso funcionava. Ficou se perguntando o porquê de eles permitirem isso. Porém Lúcifer era retratado em várias partes. Ao menos essa parte está correta. Seus truques e crueldades eram retratados. Mas ele não é um monstro deformado. Não conseguia acreditar que os Sete não saberiam a verdadeira aparência daquele que foi o primeiro arcanjo.

Porém, o maior terror nascia de seu próprio corpo. Sua perfeição havia sido tirada com a Castitate. Bastava correr um pouco mais e um liquido fedido nascia de sua pele, fome recorrente, necessidade de descansar todas as noites e principalmente as necessidades fisiológicas. Observou enquanto sua aparência límpida mudava diante do espelho. Raspava a cabeça quase todos os dias e precisou aprender a fazer a manutenção rotineira de sua nova barba. Ele tem barba. Não podia acreditar que o Senhor do Inferno lidava com todas aquelas coisas.

Nada tirava da sua cabeça que Lúcifer mantinha os pedaços da Castitate em sua mansão. Em momentos mais desesperados, chegou a passar na frente da mansão e tentar encontrar um ponto fraco para entrar, mas era tudo muito cercado. Nos últimos tempos, Lúcifer estava recebendo muitas visitas e os demônios estavam agitados. Eles estão tramando alguma coisa. Não conseguiu ver o próprio Diabo, mas via Lilith o tempo todo. Eles são amantes. Se tivesse alguma ideia sobre a força do demônio, poderia sequestra-la para conseguir a Castitate. Reconhecia que isso era baixo e do nível de demônios, mas já faziam mais de seis meses que estava vivendo entre os mortais. A única coisa que o mantinha vivo era o seu novo objetivo de existência. Vou assistir você se afogando no próprio sangue. Infelizmente, sempre voltava para seu cubículo mortal.

Depois de todo esse tempo, Anael não conseguiu evitar certas manias. Desenvolveu uma mania por hambúrguer, fritas, sorvete e Coca-Cola. Todos os dias passava no Mc Donald com Samuel para se entupir dessa porcaria gordurosa. Ficavam conversando sobre assuntos inúteis. Samuel parecia gostar muito dele e por um momento pensou em dizer que era um anjo, mas isso seria um crime perante os Sete. Preciso me manter o mais puro possível nesse meio. O assédio dos mortais era algo insuportável. Para evitar que seu corpo se tornasse frágil, começou a treinar na academia da Universidade e sua vida piorou. As mulheres e alguns homens ficavam seguindo seus passos. Inferno!

- Eu sei que você não quer, mas tem uma mina do quinto semestre que quer falar com você. – Samuel claramente não entendia o jeito do amigo. – Não te entendo mesmo! Eu estou quase vendendo minha alma por uma mina mais ou menos e você esnobando gostosas. Essa mina do quinto semestre é um loira linda e dona de uma bunda perfeita.

- Já tivemos essa conversa. – Não é uma alma tão pura assim, Samuel. – Eu não quero me envolver com ninguém. - Anjos devem se mostrar puros, pois eram guardiões da fé. Seu corpo poderia ter necessidades mortais, mas se mantinha de um Guardião do Portão. – Se gosta tanto dela, fique. – Terminou o segundo hambúrguer e começou a batata. Isso não é comida de verdade, mas...

- Você só pode estar querendo me sacanear né? – Desistiu do seu hambúrguer vegetariano e tomou o suco. – Acha mesmo que ela vai trocar um negão “The Rock” para pegar um nerd? Não fode, Anael. – Olhou para a bandeja do amigo. – Como consegue ter esse corpo comendo tanto?   

- Exercícios físicos. – A recém descoberta vaidade lhe levou a um sorriso debochado. Ele usa esse mesmo sorriso. Sentiu nojo de si mesmo.

Soltou as asas no banheiro e derrubou metade dos francos da pia. Odiava aquele banheiro pequeno. Suas asas não cabiam na banheira e sempre ficava com as penas duras de frio. A calefação era pior que o tamanho da banheira e era obrigado a esquentar água para tomar banho. Haviam noites em que pensava em colocar uma fogueira sob a banheira. Essa agonia era recompensada pelo cheiro de limpo. Vestiu o sobretudo e colocou um cachecol grande.

- Eu vou sair. – Bateu na porta do quarto do Samuel. – Não trava o trinco. Apenas tranque. Eu não tenho asas para entrar pela janela!

- Você não vai na festa? – Ele saiu todo arrumado e embalado de forma desajeitada em uma jaqueta de couro. – As meninas convidaram você também.

- Não. Preciso andar. Tranque o apartamento. – Saiu.

A noite estava mais fria do que o normal. Uma fina neve parecia dar sinais de um fluxo mais forte. Continuou caminhando até se perder no meio da floresta. Entre as árvores, conseguia um pouco de paz. Não haviam necessidades, pecados e ameaças. Apenas um mar de neve e grande pinheiros. As vezes gostava de se sentar na neve e olhar para céu em uma esperança ridícula de ser visto. Em algum lugar o portão continuava sem um guardião. Preciso enfrentar o demônio. O frio começou a aumentar e precisou voltar pela estrada principal. Eram uma linha de mansões de luxo e viu por uma janela uma lareira. O sentimento da inveja era horrível, mas queria uma lareira. Eu ia acabar colocando fogo naquele apartamento. Pensou em passar em uma loja e comprar um pouco mais de hamburguês congelados.

Em um momento, teve sua atenção tomada por uma mansão especifica. Havia espécie de altar montado na calçada com a foto de uma criança. Tinham mensagens de carinho para e ela e muitas flores. Sentiu a alma da menina e percebeu que foi a mesma alma que sentiu na cabana. Sentia a dor de sua alma e conseguiu observar como ela morreu. Anael foi tomado por uma tristeza forte e procurou a alma do agressor. Ficou por alguns minutos perdido na neve atrás dessa alma. Onde ele foi? Tinha raiva em pensar que aquele monstro poderia estar como um demônio em algum lugar.

- Pode procurar o quanto quiser. – Usava roupas quentes de couro que tapavam parte do seu rosto. – Almas como a dele estão sendo camufladas por alguém mais forte. Eu cheguei a encontrar almas parecidas, mas não passavam de pistas falsas. – Os cabelos de Lúcifer eram guiados pelo vento.

- O que está fazendo? – Pensou em atacar o seu pescoço, mas não tinha maneira disso funcionar. Seu desanimo piorava a medida que não conseguia mais manejar sua arma. – Vai querer me convencer que quer encontrar e punir essa alma? – Evitar olhar para o Diabo, pois seus olhos tinham um aspecto estranho.

- Acredite ou não. Como vai a vida de mortal? – O silêncio de Anael era rude. – Espero que esteja aprendendo mais sobre os mortais. – Abriu um sorriso. – Eu vou achar essa alma e ele será tratado por mim pessoalmente. – Se abaixou e colocou uma rosa próxima da foto. – Vai me dizer que não quer encontrar essa alma?

- Quero encontrar meu caminho de volta. – Não suportava estar na presença daquela criatura. Não entendia o efeito que aquele ser tinha sobre si e preferia se afastar.

Se arrependeu de sua caminhada. O frio parecia penetrar em seus ossos e a neve era jogada contra sua barba. Considerou seriamente a mudança para um local com um clima mais ameno. Preciso da Castitate. Esteve na frente de Lúcifer e seus músculos doeram e se lembrou da dor de apenas um golpe. Ele tinha aparência frágil e moldada ao luxo, mas o peso de sua mão era grande. Malditos sentimentos. Tinha a mente em chamas enquanto andava sozinho pela rua. No momento seguinte correu de uma rajada contra sua cabeça.

- Quem está aí? – Estava sobre uma fonte no meio da praça e procurou o vulto novamente. A neve dificultava sua visão. – Apareça. – Tirou a arma das costas e a segurou com a mão direita.

O vulto retornou e dessa vez, Anael o segurou com toda a força. Suas asas eram de morcego e grandes como o corpo. O vulto levantou voou e levou Anael para mais de cinquenta metros do chão. Tentou acertar o vulto, mas a arma se mostrou muito curta. Droga. Soltou o vulto e entrou em queda livre por cerca de cinco metros e abriu as asas. Perdeu o sobretudo na neve. Se voltou para o demônio que descia em sua direção. Investiu contra ele com a arma em punho, mas seu peso tornava seus movimentos mais lentos. O demônio era muito rápido e precisou soltar a arma e segura-lo com as mãos livres.

O frio retardou seus sentidos por alguns segundos e por isso demorou a notar o ferimento no peito. Empurrou o vulto para longe e se perdeu em alguns segundos na sua dor. Arrancou o punhal do meio do peito. Um pouco mais para a esquerda. O demônio se aproximava e Anael não teve muito tempo para pensar. Teve que reconhecer que não tinha mais habilidade com armas. Só tenho a força. Deu a volta no vulto negro e o segurou pelas asas. Forçou os pés contra as suas costas e voou na direção oposta. A criatura gritava ofensas irreconhecíveis enquanto suas asas eram arrancadas. O sangue escuro era levado pelo vento enquanto Anael aplicava toda a sua força até que as asas se soltaram. O demônio caiu livre e caiu sobre a praça. Se não fosse a forte nevasca, o barulho teria sido percebido por todos.

Anael encontrou o corpo deformado pela queda. O sangue já estava se misturando com a neve, formando um tapete de sangue. Sentiu seu coração muito rápido e estava muito satisfeito por ter vencido. Reconheceu que eram os restos de um demônio forte, mas era apenas um. Preciso treinar. Levantar peso não era mais suficiente. Buscou pelo sobretudo e pela sua arma. Vergonha. Não tinha força para levantar sua própria arma. Não sou mais o Guardião do Portão. Continuou vagando enquanto rezava por força.

Precisou de um banho quente para combater o frio em seus ossos. Seu peito ardia em contato com a água quente, mas a maior agonia veio com o álcool. O corpo era largo, mas felizmente não fundo. Bastaram agulha e linha para fecha-la. Lamentou todo esse trabalho para um simples machucado. Se tivessem sido dois. Passou horas olhando a Khopesh pousada sobre a cama. Havia recebido essa graça em nome de sua habilidade. Era capaz de derrubar muitos com a ajuda dela. Não mais. Deixou que o sono o tomasse por completo, e os pesadelos também.

Os sonhos de Anael eram calmos e raros, mas aquele foi completamente diferentes dos outros. Se viu novamente ao lado do altar montado em nome da garotinha assassinada, mas dessa vez tudo estava escuro. Ouvia chamados de socorro dela e pedidos de misericórdia, mas não conseguia chegar até ela. Continuou a procurar pela neve e os gritos pareciam vir de todos os lugares. Parou diante de uma cena que lhe tirou o ar. Havia um homem sobre a menina, ele estava sem roupas e... Anael tentou chegar até lá, mas seu corpo estava travado.

- Anael. – Seu sono foi rompido pelos socos de Samuel. – Tá aí?

- Estou. – Não era dia de trabalhar ou estudar. Mesmo sem olhar para nada, sua rotina havia se acostumado com esse sistema. Cinco para dois. Vestiu o sobretudo e tentou limpar a areia dos olhos. – Espera. – Escondeu sua arma e abriu a porta. – O que?

- Graças a Deus. – Suspirou e a cor voltou aos poucos ao seu rosto. – Cara. Precisa parar de caminhar a noite. Descobriram uma coisa louca na praça. – Entrou falando sem parar. – Alguns malucos estão dizendo que haviam vultos dançando no meio da nevasca, mas foda-se. A verdade é que tinha um corpo na entrada da faculdade. – Samuel demonstrava seu medo livremente.

- Entrada da faculdade? – E a praça. Respirou fundo e tentou demonstrar uma falsa surpresa. – Vultos?

- Esqueça o papo de maluco. O real já é doente o suficiente. – Sentou na cama. – Encontraram uma mulher toda aberta. Sabe como abrem sapos na escola? Dizem que ela só saiu do dormitório para colocar lixo na rua e sumiu. Teve sangue por todo o lado. – Tirou o celular do bolso. – O jardineiro que encontrou e saiu correndo pela polícia. – Virou uma foto para o rosto de Anael. – Tiraram várias fotos antes que os legistas chegassem.

O corpo parecia ter sido de uma jovem pouco mais velha que Samuel. Suas características físicas eram difíceis de serem traçadas, pois o corpo estava amassado em enorme poça de sangue. Havia passado na frente da Universidade no começo de sua caminhada, mas graças ao ataque do demônio, foi obrigado a voltar por um outro caminho. Lúcifer. Era por isso que havia sido atacado, para ser distraído e permitir que o Diabo mantivesse o terror sobre os mortais. Já havia ouvido falar sobre o seu desejo desenfreado por poder e a vaidade que viu em sua mansão confirmava isso. Observou a raiva que aquele corpo mortal havia suportado. Chegou à conclusão de que a aparência amena do Diabo escondia algo muito pior, e que era sua obrigação como Guardião combater isso.

 

Mesmo que não fosse nenhum pouco agradável para os seus empregados e generais, Lúcifer mantinha o costume de ficar na sacada do seu quarto no segundo andar. As reclamações eram as mesmas sobre sua exposição e que deveria ir para seus cômodos no Inferno. Não conseguia negar a falta que seus reais aposentos faziam e as longas caminhadas pelos portais de vidro. Porém eu não sou um rei gordo e tão pouco um Arcanjo intocado. Tirou o casaco para que o frio tomasse a sua pele e os ossos. Lembre-se de quem foi, mas honre apenas quem é. Observou enquanto as novas almas caminhavam ao lado de seus guardas. O destino era longínquo, desconhecido e temido por eles. Vou visitar cada um de vocês. As almas do destinadas aos portais de vidro caminhavam juntas. Por motivos diferentes.

- Milorde. – A figura toda de negro entrou a passos lentos e silenciosos. – A transição da lua estará completa dentro de alguns minutos. – Fez uma pausa e abriu um pergaminho negro escrito com tinta branca. – “Magnânimo Senhor do Inferno, Lúcifer Morningstar, venho por meio desse pesado pergaminho, comunicar que suas duras suspeitas são verdadeiras. Manterei o pudor em minhas palavras, porém preciso reiterar que suas mais fiéis e comprometidas armas estão ao seu comando. Atenciosamente, Klaus Steinhammer – Quarto Nobre do Inferno.”. – Após alguns momentos de silêncio. – Devo mandar os mensageiros com uma resposta.

- Não. Mande que o mensageiro encontre Lilith. Essas palavras permanecessem mortas nessas paredes e queime o pergaminho. – Abriu uma caixa de prata sobre a mesa e tirou um punhal de lamina rubra e cabo de ouro. 



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