História Lúcifer - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjo, Drama, Horror, Lucifer, Mistério, Pecado, Romance, Terror, Violencia, Yaoi, Yuri
Exibições 21
Palavras 4.711
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Lemon, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Eu voltei!!! Pisquei para dar atenção aos meus estudos... E ficou pouco mais de um mês sem postar... Me perdoa? <3

Capítulo 7 - Capítulo XI


Fanfic / Fanfiction Lúcifer - Capítulo 7 - Capítulo XI

Anael sentia uma mistura de sentimentos que chegava a lhe causar náuseas. Só conseguia pensar que se ele não tivesse aparecido o Samuel estaria vivendo sua vida mortal em paz. Fora criado como um anjo, aquele deve defender e trazer a graça e a justiça. Sua função estava corrompida e agora estava representando a desgraça de uma vida mortal. Estou sem minha Castitate. Nada em seu corpo ou mente estavam funcionando da maneira que deveria. Lúcifer. Observava os olhos do Diabo na sua frente e pensava apenas em destruí-lo.

Infelizmente não tinha força para enfrentar aquele ser. Apenas pensava em conseguir voltar para o Paraíso e retornar contra o Diabo com um exército. Afastava os pensamentos sobre aquela forma do Diabo e como os Sete o haviam dado uma missão no escuro. Não cabe a mim julgar o que os Sete dizem. Precisava recuperar seu título como Protetor do Portão. Fechou os olhos e buscou pela alma de Samuel e encontrou apenas um resquício. Empunhou sua arma e fechou o sobretudo.

- Não. – Lúcifer se colocou na sua frente de braços abertos. – Entendo que você queira salvar o mortal, mas sozinho não vai conseguir. Kumiko não se tornou uma de meus Senhores sem proposito. Ela é dona de uma força muito grande. Tem poderes mentais tão poderosos que chegam a carne de qualquer um.

- Quer que eu simplesmente deixe mortais serem sacrificados? – Guardou a arma e se desviou do Diabo. – Mesmo que você tenha arrancado minha Castitate, eu continuo um anjo. Sou o Protetor do Portão...

- E Senhor Protetor do Cadeado de Diamante. Foi o primeiro título criado para o Paraíso. Aquele que iria ser capaz de romper o cadeado de diamante e seria o primeiro na linha de frente da batalha. Escolhido pela sua honra, fé e principalmente força. Todos os Protetores do Cadeado foram mais velhos que você, mas não pela idade. O primeiro foi um anjo de mais de dois mil anos, Krolm Camus. Lembro-me exatamente de vê-lo derrubar uma muralha inteira com um golpe de sua espada. Ele foi um grande Protetor até morrer em um ataque contra os portões. Houveram Protetores ainda mais velhos e logo depois você foi nomeado. Sua fama se arrastou até os mais profundos do inferno.

- Fui nomeado logo após...

- A batalha do fogo. Você conseguiu derrubar mais de duzentos demônios sozinho. É dono de uma força física que normalmente só surge depois de muito mais séculos. Você me culpa por ter tirado sua coleira e ter te derrubado do seu título, mas eu não lhe tirei nada. Entenda uma coisa anjo, eu não arranquei suas asas, sua força ou seu cérebro. – Tirou o terno, jogou fora e arregaçou as mangas. – O que você tem agora é mais valioso que um cadeado. – O frio fazia com que a pele dele ficasse azulada e seus pelos ficassem ouriçados. – Sem a coleira você é capaz de sentir o que os mortais sentem. Não são pecados ou maldições, mas formas de aumentar a força e a empatia. Com a empatia você nunca iria se importar com o impacto de sua chegada na vida desse mortal. – Lúcifer tinha os olhos semicerrados pelo vento e os lábios mais rosados que o normal. – Venha comigo e meu exército. Se for sozinho antes poderá condenar esse mortal.

As palavras do Diabo ecoavam na mente de Anael e por um momento desejou a insanidade. O caminho para a mansão foi interminável e seu ódio apenas aumentava. Lembrou-se de suas primeiras batalhas e em como sua força era grande. Não importava quantos demônios chegassem, o Protetor do Portão era mais forte. Era capaz de abrir o cadeado com as mãos lisas e levantar até as mais pesadas armas. Esse era outro Anael. Seguiu em silêncio pela neve, implorando para que Samuel estivesse bem. Lúcifer seguia na sua frente recebendo boa parte do vento. Via como as torrentes mais fortes de frio paravam em sua pele e a deixava mais branca ainda. Ele sente como um mortal.

Anael se perdeu por um momento pensando nas palavras do Diabo. Desde o primeiro momento sem a Castitate, os sentimentos e necessidades foram seu maior desafio. Perdeu muito tempo tentando sanar essas necessidades e se afastando do mal que vinha com elas. Entretanto, o Diabo parecia escolher sentir todos as coisas. Era uma criatura tão antiga quanto a criação e poderia se livrar desse mal, mas mantinha tudo. Sua boca está ainda mais vermelha.

A mansão estava bem diferente de sua primeira visita. Os poucos demônios presentes pareciam agitados. Ele manteve a traição em conhecimento de poucos. O servo ofereceu vestimentas mais quentes para o Diabo, mas ele recusou. Anel também recusou qualquer forma de hospitalidade. Sua atenção foi roubada por uma criatura inusitada. Um demônio de mais de dois metros de altura. Dono de grandes asas escuras e cheias de cicatrizes. Sua pele era uma mistura indescritível de pastel e cicatrizes âmbar. Vestia grandes e espeças roupas de lã e couro fervido. Segurava com orgulho um martelo de guerra cheio de espinhos e marcas de uso. No momento em que viu Lúcifer, seu rosto marcado tomou um ar de admiração.

- Soberano. – Caiu de forma desajeitada sobre um joelho e estendeu o martelo de guerra. – Sinto não ter conseguido chegar mais cedo. – Sua longa e grisalha barba escondia a maior parte de seus lábios finos. – Trouxe meu exército para combater a traição.

- Agradeço a lealdade. – Colocou a mão sobre o ombro dele. – Levantasse, por favor. Precisamos agir logo. Kumiko tem mais cartas na manga do que está mostrando. Tenho certeza de que está juntando rebeldes pelas minhas costas a muito tempo. – Sentou-se em sua cadeira e acendeu um cigarro.

- Eu lhe disse que aquela vadia era problema! – Lilith entrou a passos largos e vestindo armadura. – Disse que as ideias dela sobre a soberania eram perigosas. Todas aquelas conversas sobre invadir o mundo dos mortais e tomar as almas alimentou muitas mentes fracas. – Desviou o olhar para Anael. – Nunca imaginei que veria outro anjo aqui dentro. – Piscou em provocação.

- Estou aqui por não ter mais alternativas. – Mordeu o lábio e se virou contra Lúcifer. – Você me convenceu de minha desvantagem contra sua traidora, mas não pense que vou esperar a vida toda!

- Veja como fala. – O demônio se levantou e apontou o martelo contra o rosto de Anael. – Achei que os anjos tivessem mais educação. Adoram cagar regra, mas no fim não passam de uns merdas.

- Chega! – Lúcifer tinha uma ruga no meio da testa. – Este é Anael, Protetor do Portão e rastreador de almas. Mantenha seu foco na alma do mortal e deixe que os meus preparativos serão feitos a tempo. Klaus, seus exércitos deveram ser usados apenas como retaguarda a possíveis ataques contra mais mortais. Existe um mortal que está sendo mantido lá e meu plano é tira-lo de lá vivo. Controlem suas emoções. – Olhou para Lilith. – E provocações. – Respirou fundo. – Deixem-me com Anael.

- Como o senhor deseja. – Klaus saiu sem tirar os olhos de Anael. Lilith saiu em silêncio.

- A traição desperta os mais complexos sentimentos. Klaus Steinhammer passa essa imagem de completo idiota, mas é um excelente guerreiro. Quando mortal, foi membro de um povo classificado por bárbaro, mas era apena um líder querendo alimentar seu povo. A traição de Kumiko é especialmente dura para ele. Houve uma batalha a muito tempo em que ele salvou sua vida e chegou a considerar sentimentos mais carnais, mas tudo não passou de uma ilusão. – Terminou seu cigarro.

- Pouco me importa quem são seus nobres. – Sentia um grande peso sobre seus ombros. – Quero consertar o que eu fiz na vida de Samuel e voltar para o meu lugar.

- Tudo bem. Imaginei que o tempo entre os mortais fosse suficiente para um anjo, mas estava muito errado quanto a isso. Dentre as inúmeras histórias que circulam sobre mim, uma das poucas verdadeiras é que cumpro minha palavra. Costumam chamar de contrato, mas funciona da mesma forma. – Se levantou e estendeu a mão. – Eu juro, que se me ajudar a encontrar Kumiko, eu devolvo sua Castitate.

- Não tenho outra alternativa. – Apertou a mão do Diabo e sentiu um calor diferente nela. – A alma dele está ficando mais fraca a cada momento. – Tocar a mão do Diabo era muito mais incomodo do que olhar sua expressão branca. – Quem é essa Kumiko? – Se forçou a sentar próximo da lareira. – Se vou ajudar você, preciso saber quem ela é.

- Meus nobres são escolhidos de maneira diferente. Dei fim a ideia de a força é a característica máxima. Proponho que cada círculo do inferno dê destaque a um líder. – Estendeu a mão e dela surgirão rosas vermelhas. – Ele me concedeu dons, mas nenhum deles foi a onipresença. O quinto círculo deu destaque a Kumiko. Tem habilidades psicológicas muito perigosas. – Suspirou e todas as rosas sumiram. – Capaz de entrar na mente dos mais fortes seres e plantar horrores, mentiras e desejos. É muito forte na confusão e doma almas pelos seus desejos. – Tirou o colete e a gravata. – Foi grande líder para o quinto círculo, mas suas ideias eram radicais demais. Os outros nobres vinham até mim dizendo sobre seus discursos fervorosos de dominação e poder. Lilith nutre mágoa contra mim, mas infelizmente não posso punir um crime antes do mesmo ser feito.

- E agora ela está dando as costas ao seu Senhor. Ela quer assumir o poder. – Desviou o olhar do Diabo e se concentrou no fogo. – Lembro-me de ouvir sobre anjos que tiveram suas mentes completamente destruídas. Pelo visto, o poder dela cresceu tanto que não quer mais se ajoelhar a você. – Não conseguiu evitar o tom de ironia.

- Está errado sobre quem sou. – Sentou-se na poltrona ao lado de Anael. – Eu não sou ninguém para quem se ajoelhar. Entretanto, meus nobres têm respeito por mim. Eles são gratos por minha chegada e eu por sua acolhida. As paredes do Inferno foram erguidas pelas minhas mãos, mas com o sangue deles. Sou chamado por eles de Majestade, Sua Graça, Senhor, etc. Você me chama de Diabo. – Chegou a centímetros de Anael. – Quem sou eu?

Anel sentiu um calor chegar a seu rosto e se afastou. Antes que qualquer palavra pudesse ser dita, deixou a sala. Desejava sua Castitate de volta para que seu coração nunca mais batesse dessa forma desesperada. Havia algo naquela mansão que o deixava muito nervoso. Esteticamente era muito bonita, mas o ar era diferente lá dentro. Encontrou Lilith e Klaus na sala de jantar com expressões pesadas. Kumiko deve ser um grande problema.

- Quão longe ela está anjo? – Klaus não se deu ao trabalho de olha-o diretamente. Permaneceu de costas limpando seu martelo de guerra.

- Perto. Nos limites da cidade. – Limpou a garganta e se encostou em uma parede. – Não sei exatamente o que o Diabo espera. Vamos perder ela de continuarmos aqui esperando. A alma do mortal está ficando cada vez mais fraca. – É apenas um mortal. Você é anjo, não um mortal.

- A vadia não vai longe. Ela tem um bom exército e acha que pode tudo. – Anael se perdeu observando aquele que o Diabo chamava de Rainha. Não pareciam um casal muito unido, mas ela sempre estava por perto. – Vou ter o prazer de enterrar a sua cabeça no chão. – Prendeu uma lâmina no cinto.

- Não entendo porque precisamos de um anjo. Rastreador ou não. – Levantou e apontou para Anael. – Onde estão os grandes defensores dos mortais? – Riu com os dentes cerrados. – Levam tanto tempo assim para lustrar suas asas de galinha? – Fechou a mão no martelo. – Ouvi falar que não consegue lutar sem a coleira.

- Klaus! – O Diabo tinha uma expressão rude no rosto. – Estou envolvendo o menor número possível nessa questão, pois não quero sacrificar muitas vidas. Aqueles que estão do outro lado são tão membros do Inferno quanto vocês. – Suspirou e fechou o último botão de sua camisa. – Não somos um grupo de extermínio e eu não sou um Senhor de Sangue. Farei a justiça como deve ser feita. – Lilith saiu da mansão. – Minha boa amiga... – Se voltou para Anael. – Vamos.

O exército encontrado a espera deles deixou Anael ainda mais nervoso. Com as palavras do Diabo, imaginou que fosse apenas alguns soldados, mas haviam centenas deles no extremo leste da cidade. A nevasca estava aumentando e o sol parecia abandonar a cidade mais cedo. Os soldados estavam fortemente armados e juntos como apenas um. Bateram continência quando viram Klaus, que os saldou com o martelo de guerra. Temem a força dele. Porém todos dobraram os joelhos quando viram o Diabo. Um sonoro “Meu Senhor”, este apenas acenou e sorriu pode ser ouvido ecoar pelas montanhas. Eles morreriam pelo Diabo.

Se aquela era apenas uma pequena porção do poder militar do Inferno... porque sempre enfrentamos exércitos tão contidos? Lembrava-se de que sua maior batalha, travada a pouco mais de sessenta anos, contava pouco mais do que o grupo presente. Temeu que o Diabo tivesse um exército suficiente para atacar os portões do Paraíso. Seria a primeira coisa que levaria até os Sete quando finalmente voltasse. Vou tirar alguma coisa de toda essa situação.

Os demônios olhavam com desconfiança para Anael. Muitos pareciam já tê-lo visto em batalhas passadas e sussurros sobre ele poderiam ser percebidos. Não tenho tempo para isso. Ficou o mais afastado possível do exército e principalmente do Diabo. Havia algo de muito errado em ficar próximo daquela criatura. O mal encarnado. Tem os traços finos, mas não deixa de ser quem é. Continuou a andar na frente e se perguntou por que os outros não avançavam mais rápido. Em determinada altura sentiu como se uma mão fria tocasse seu pescoço e caiu sobre seu joelho.

- Tenha cuidado com a proximidade. Ela sabe que estamos chegando. – Lúcifer tentou colocar a mão em seu ombro, mas Anael fugiu de seu toque. – Não pode com isso sozinho. Deixe que eu lhe ajude...

- Não me toque! – Levantou em rompante. – Não pense que sou um de seus soldados. – O gelo pareceu chegar a sua mente. – Estamos perto. – Jogou o sobretudo no chão e abriu as asas. – Eu sei onde ela está. – Voou antes que pudessem fazer qualquer coisa.

Sua cabeça doía muito e a neve lembrava lâminas contra suas asas. Ouvia sussurros de socorro e lamentos. Seguiu esses sons até a parte mais afastada da cidade. Duas grandes montanhas isolavam um local aberto e quase isolado do sol. A neve era mais forte ali e o chão afundou sobre seus pés quando desceu. Era difícil de respirar e levou muito tempo até que sua visão chegasse até mais que dois metros. Um rastreador cedo não vale de nada.

- Os anjos são criaturas previsíveis. – Sua voz era rouca e sua silhueta se formou pela nevasca. – Sempre seguindo seu sentido de justiça cegamente. Cães adestrados fieis, mesmo sem suas coleiras. – Seu corpo era uma mistura de branco da neve e a pele cor de mel. Kumiko era dona de longos cabelos dourados e sua vestimenta se resumia a um fino tecido amarelo. – O que Lúcifer estava pensando ao poupar sua vida? Essa é a prova do Senhor covarde que o Inferno possuí. 

Haviam outros com ela. Um grande número de soldados armados que surgiam na neve. O que o Diabo trouxe não será o suficiente. Sua atenção foi roubada por uma grande caixa feita de barras de ferro. Haviam mortais lá dentro, encolhidos pelo frio e boa parte desmaiada. Samuel estava entre eles, desacordado. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, sentiu uma pontada na cabeça. Kumiko parecia lhe falar sem mexer os lábios. Perdeu a visão por um momento e em outro estava jogado na neve lutando para se levantar. Sentiu o gosto de sangue na boca e as manchas que deixava na neve.

- Um anjo não passa de uma casta de podridão e egoísmo. Condenam, pois não sabem o que é a dor da vulnerabilidade. – Ela se aproximava a passos lentos. – Vejam, isso é um anjo. Lúcifer! – Sua voz ecoou pelas montanhas. – Você ensinou meus irmãos e irmãs a temer uma criatura como essa! A temer uma criatura como você!

- Sua desgraçada! – Se levantou e foi contra Kumiko. Chegou a tocar seu pescoço, mas a força não lhe chegava como antes. Castitate. Sentiu suas unhas contra o abdômen, mas continuou com os dedos contra seu pescoço. As unhas penetraram e um risco rubro manchou suas roupas. – Ah!!!

- São apenas vermes. – Afastou a mão e deixou Anael contra a neve. – Corpos fracos que não conhecem a dor. – O pegou pela cabeça e olhou fundo em seus olhos. – Mentes fracas que não sabem o que é a agonia. – O negro de seus olhos se tornou vermelho. – Chega de temer tais criaturas.

Anael se viu em outra situação. Parecia perdido em outro mundo. Estava deitado sobre um chão de terra molhada. Estou em outro lugar. Observou que seu abdômen não sangrava mais e que usava roupas feitas de couro marrom. Carregava um punhal na cintura. Havia algo de agoniante nesse inocente cenário. Lágrimas ganharam seus olhos e sangue voltou a surgir de suas roupas. Quando voltou a abrir os olhos, tudo estava branco e havia sangue escorrendo por seu rosto. Levou alguns segundos para perceber que estava pendurado em uma barra de ferro de cabeça para baixo.

- Irmãos e irmãs. Eu lhes mostro que podemos ser mais que habitantes de um submundo criado por um deles! Somos dignos de habitam a superfície. Somos dignos de tomar a superfície. – Sua voz parecia entrar na mente de cada demônio. – Não temam nossa força...

- Eu fui complacente demais com sua loucura! – A voz de Lúcifer parecia carregada de um trovão. – Meu erro foi crer que o tempo lhe traria clareza. – O exército de Klaus estava a suas costas. – Vejam o que a loucura dessa mulher provocou. Sangue inocente derramado e nada mais do que dor.

- Eis o grande Senhor do Inferno. Criador de círculos fundos onde nos faz crer em uma existência melhor. Um covarde que não sabe o que é sentir a vulnerabilidade. Nascido Arcanjo, primeiro filho daquele que nos condenou a uma existência de miséria e nunca deixará de ser isso. Lúcifer Morningstar, criador de mentiras que mantenham seu poder. – Abriu os braços e todos se levantaram atrás dela. – Contemple o início do fim de seu reinado. O fim do medo e o começo da conquista, Arcanjo Lúcifer.

- Você corrompeu almas inocentes e soldados fieis para sua loucura de poder. – Klaus estava em chamas com seu martelo em punho. – Tolos idiotas! Estão traindo nosso Senhor e se voltando contra séculos de um reinado. Estão se comportando como aqueles que nos condenam querem. – Bateu contra o chão e a neve se espalhou. – Somos a força de um reino...

- Esse discurso tem fim hoje. Que hoje seja o dia em que deixemos de ser governados por anjo! Que nossos medos sumam e que o sangue seja derramado apenas em nossa glória. – Seu sorriso era largo quando apontou para Anael pendurado. – São a mesma coisa e o mesmo ser! E esse ser sangrará até deixar de existir. - Lilith desceu como um raio sobre a cabeça de Kumiko. O som do impacto reverberou pela montanha. Seu exército avançou alguns passos até que Lilith foi jogada do outro lado. Caiu de pé com os olhos semicerrados e a espada em mãos. – E essa é a nossa mais antiga e iludida irmã.

- Lúcifer. – A palavra saiu como um rosnado de seus lábios. – Avancem. – Ergueu o braço para o exército. – Avancem! – Antes que pudesse baixar o braço, foi segurada por Lúcifer.

- Isso é minha culpa. – Soltou Lilith e tomou a frente. – Cometi meu velho erro em crer na sabedoria. Me acusa, mas tudo o que deseja é meu lugar. – Tirou o casaco. – Errei duas vezes. A primeira em confiar e a segunda em ponderar demais. – A camisa. – Todos esqueceram quem eu sou e isso levantou nomes falsos. – Os sapatos. – Não procuro o poder, mas o ponderar. Isso a enlouquece não é, pois, seu desejo é o sangue. Me acusa de fraco por não sangrar o mundo dos mortais em nossa glória. – Correu em direção ao exército de Kumiko. – Pois que seja feita sua louca vontade.

Todos os soldados de Kumiko caíram sobre Lúcifer ao mesmo tempo. Anael assistiu enquanto a pilha de soldados se formava e um estranho aperto no peito fez seus olhos arderem. Não se podia ouvir ou ver do Diabo e os outros pareciam não se importar. Porque não se movem? Até que teve sua atenção roubada por um barulho de ossos quebrando e a montanha de soldados ruiu ao meio. Lúcifer se desvencilhou dos soldados e levantou voou. Suas asas eram as maiores que Anael já havia visto em sua existência. Estipulou que sua envergadura fosse de mais de 10 metros. Eram de um branco luminoso e bloqueavam parte da nevasca.

- Foi minha culpa que vocês esqueceram que sou. – O simples bater de suas asas levantava a neve. – Não passam que cruéis criaturas sedentas de sangue. – Mergulhou contra o exército de Kumiko e tudo se confundiu no meio da nevasca. Lúcifer não precisou mais do que as mãos para deixar um rastro de sangue na neve. – Eis o sangue.

- Lúcifer. – Os gritos de Kumiko ecoavam enquanto corria de encontro a Lúcifer.

O som do impacto entre os dois fez as montanhas tremerem. As unhas de Kumiko penetraram as mãos nuas de Lúcifer, mas a dor não o atingia. Puxou Kumiko para cada vez mais alto e bloqueou sua visão com as asas. Ela se debatia e tentava se concentrar nos olhos dele, mas era incapaz. Forçava sua liberdade, mas suas unhas continuavam pressas contra as mãos do Lúcifer. O sangue dele pingava e em seu rosto, o ódio se mantinha intocado. Antes que atingissem a primeira montanha, Lúcifer abriu as asas e se livrou das unhas dela.

- Você questiona minha força. – Segurou as asas delas bloqueando qualquer chance de fuga. – Sacrificou almas confusas em seu nome. – O som das asas quebrando se seguiu de um grito. – Onde estão suas palavras de força? Não pode entrar na minha mente.

- Meu legado. – A voz de Kumiko era longínqua e apagada pela dor. – Meu legado vai atingir uma parte de sua hipocrisia. – Apontou para Anael pendurado e desacordado com um caminho de sangue por todo o corpo. – Eu vi, Lúcifer. – Sua risada era rouca. – Pensa que pode controlar isso? Não, isso não pode controlar. A existência e o desprezo sempre serão seus companheiros.

- No fim das contas. – Respirou fundo e soltou Kumiko que caiu livre. – É o que me resta. – Assistiu enquanto Lilith a pegava. – Não morra. – Chegou o mais rápido que pode em Anael, que estava desmaiado. – Não morra por minha culpa. – Pegou-o nos braços e se virou para o exército. – Prendam os sobreviventes, cuidem das vítimas e libertem as almas!

 

Anael conhecia a dor de acordar com um ferimento, mas a dor do orgulho era nova. Foi obrigado a observar enquanto acontecia, sem poder fazer nada. Sua mente e corpo eram fracos demais para combater qualquer mal. Limitou-se a olhar para o teto. Não estou na mansão. A última coisa que se lembrava...  Suas asas. As lendas antigas contavam que o Primeiro Arcanjo tinha asas maiores do que as de qualquer um e que sua força era digna. Entretanto a lenda continuava dizendo que tais benções haviam sido perdidas no momento em que deixou de seguir as palavras de Deus. Eu vi.

- São poucos os que sobrevivem a um ferimento desse tamanho. – Um homem jovem se aproximou usando uma grande roupa negra. – Quando Lúcifer me disse, não acreditei que havia outro anjo ali. – Seu rosto era gentil, olhos cansados e uma leve barba. – É a primeira vez que faço uma intervenção dessa natureza. Espero não ter lhe dado uma cicatriz muito ruim.

- Você é mortal. – Tomou conhecimento de um pequeno adereço branco no colarinho do mortal. – O Diabo manipula mortais representantes da Igreja? – Lutou para ficar sentado. Seu abdômen estava completamente enfaixado.

- Padre Connor. – Tinha um sorriso nos lábios. – Acredite, nem todos os mortais desconhecem a verdade. – Entregou uma garrafa de água. – Lúcifer não manipula nada, tampouco mortais. – Passou os dedos pele tecido da atadura. – Deveria começar a pensar de forma mais crítica. Contam que ganhou esse ferimento por ser rude com Lúcifer.

- O que houve com os outros? – Sua cabeça doía e ficou grato pela água. – Seu líder tinha um exército e preferiu resolver tudo sozinho. – Sentiu tudo girar quando ficou de pé. – Ele não precisava de um exército. Derramou o sangue sozinho.

- Viu a batalha de uma maneira errada. – Connor parecia se divertir com isso. – Sou apenas um mortal, mas pareço ser o único a perceber que Lúcifer não suporta violência. – Pegou uma caixa e colocou sobre a mesa. – As almas estão salvas, os mortais vivos e os culpados serão punidos. Pensa que isso o deixa feliz? Não, a traição é um dos piores crimes, pois nasce de onde menos esperamos. Isso é para você.

- Isso é o combinado. – Sua Castitate brilhava dentro da caixa. – Nunca imaginei que ele fosse cumprir o prometido. Está inteira. – Foi a primeira vez que sorriu em muito tempo. – Vou para casa...

- Das mentiras. – A expressão de Connor ficou séria. – Ele cumpriu sua palavra e agora entendo porque estava tão aborrecido com isso. Diferente dos outros de coleira, você viveu e viu como nos mortais somos de verdade. Ainda acredita que possamos viver em suas regras absurdas de pureza? Viu como os demônios são realmente e conheceu a verdadeira face de seu líder. – Deu um tapa na mesa. – Não é possível que mesmo depois de tudo isso as dúvidas não tenham nascido em seu coração.

- Meu lugar é no meu portão. – Abriu a Castitate. – Não existem dúvidas sobre isso. – Sentiu sua mão tremer. O que há de errado comigo? Era apenas fechar a Castitate em seu pescoço e seria o Protetor do Portão novamente. Voltaria para seu lugar ao lado do certo. Não teria mais frio, dor ou qualquer necessidade impura e jamais voltaria a ver aquele ser. Senhor, dê-me a clareza! Apenas recebeu mais pensamentos duvidosos.

 

O dia estava nascendo e Lúcifer permanecia sentado em frente a lareira. Observava a envergadura de suas asas e como pareciam grosseiras em um ambiente fechado. Fazia tanto tempo desde a última vez que havia visto o peso de seu orgulho. Lembrou-se de quantos vezes trouxe o amanhecer com elas e o orgulho que sentia com isso. Morningstar. Ouviu vozes de seus aliados rindo no andar de baixo. Não proibia comemorações, mas não as entendia. Pelo menos minha força deixa-os felizes.

Não gostava desse efeito. A força pura pode ser corrompida. Aqueles que viraram as costas para mim, desejavam o conforto da força de Kumiko. Os que ficaram queriam a minha. Seu dilema aumentava quando pensava em Anael. Não entendia porque ainda não havia deixado o mundo mortal. Vá e espero que nada lhe aconteça de mal. Nem mesmo os Sete são tão inconsequentes. Recebam-no como um sobrevivente de uma batalha corpo a corpo com o mal encarnado. Levou o vinho aos lábios e não havia doce nele. Fechou as asas e sentiu alivio em não sentir mais o peso de seu orgulho.

- Eles chamam seu nome. – Lilith trazia uma taça cheia. – Mesmo que você não goste, eles o amam pelo que fez. – Sentou-se ao lado de Lúcifer. – O anjo não subiu. – Viu a surpresa no rosto de Lúcifer. – Nunca pensei que até a mais antiga das criaturas pudesse ficar surpreso. Pelo visto o convívio com os mortais mudou alguma coisa nele. Ou terá sido certo diabinho?

- Não diga bobagens. – Levantou mais ameno. – Já lhe disse que isso não tem a ver comigo. Não fui eu que o escolhi para tentar me matar. Fiquei tão surpreso quando senti sua alma. E sabe que não lhe fiz mal porque no fim ele é inocente. – Vestiu uma camisa. – Se trata apenas uma coincidência, seu demônio inquieto. – Pegou a taça. – Vamos. – No fim, eu aceito o amor deles por mim.

- Coincidência? – Deu um tapa nas costas de Lúcifer. – Você esquece que não pode desafiar o seu pai!  



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