História Lucky Ones - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink
Personagens Jimin, Jisoo, Jungkook
Tags Anjo, Blackpink, Homofobia, Jikook, Jimin, Jisoo, Jungkook, Kookmin, Yaoi
Exibições 636
Palavras 3.213
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Com todo amor, essa OS vai para Demonha Aline, Bella, Kakau e Sue. <3

Escutem Lucky ones, da Lana Del Rey. Essa foi uma das músicas dela que mais me confortou em minha depressão.

É uma fanfic um pouco "corrida" porque detalhes demasiados e desnecessários não são interessantes, e para mim, OSs com estória em tempo longo devem ser assim para uma leitura mais agradavél.

Enfim, é uma fanfic pesada e que talvez você não goste, mas boa leitura.

Obs (para fulanos): Leiam antes julgar apenas por conter "estupro" nos avisos.

Para reflexão.

Capítulo 1 - Sortudos


Fanfic / Fanfiction Lucky Ones - Capítulo 1 - Sortudos

– Hyung... – Jungkook me ligara aos soluços, com a voz trêmula e pesada. 

No momento, não conseguia compreender seu desespero, mas sabia que era demasiado. 

– Tá doendo muito! – Exclamou aos prantos, me deixando ainda mais apavorado. 

Tentava pronunciar algumas palavras, embora estas se recusavam a sair. Minhas lágrimas escorriam intensamente enquanto apertava com força o telefone, ouvindo os choros doídos do meu amigo.

– Me tira dessa casa, hyung! Por favor, por favor, por favor, por favor... – Implorou diversas vezes, fazendo a amargura que sentia se multiplicar. 

– Desculpa... – Recitei cabisbaixo, chorando prepotente e desligando o telefone. 

Minha mente me castigava constantemente por cada segundo que renegava ajuda à ele. 

O moreno alto, de aparência doce e pele alva, era meu melhor amigo, o qual eu sempre nutri muito mais que sentimentos de amizade. 

Minha mãe descobriu meus reais sentimentos quando eu o beijava em meu quarto e, até então, as surras se tornaram constantes. Ela odiava o fato de eu ter assumido minha homossexualidade e não suportava olhar para Jungkook. Na época, eu não sabia que isso me traria tantas angústias porque, se eu soubesse, nunca teria sido tão descuidado. 

Jungkook morava comigo. Sempre fomos amigos e, por sermos tão próximos, sabíamos que garotas não eram nosso forte. Foi estranho quando nos tocávamos intimamente. Uma parte de mim recusava admitir que estava adorando, dizia que eram apenas hormônios, uma amizade colorida, mas a outra... A outra nutria desejos pelo mais novo. Amava sentir prazer através de suas mãos e necessitava a todo custo seu carinho.

Minha mãe nunca aceitou isso.

Cada dia passado eram novas marcas roxas, qualquer deslize era motivo para uma surra dolorida. 

Entretanto, o que mais doía não eram as surras, as marcas roxas ou os cortes em minha pele. O que mais doía era saber que Jungkook estava sendo violentado sexualmente quase todas as noites e eu não podia fazer nada. Não podia mais trazê-lo à minha casa, fazer carinho em sua pele ou dizer o quanto o amo, ou eu apanharia ainda mais. 

Mesmo que eu saísse de casa, mesmo que eu tentasse conversar, essas coisas não funcionam com minha mãe. Papai a traiu com um homem e levou todo o dinheiro de nossas economias consigo há alguns anos, e isso só contribuiu ainda mais em seu ódio contra os homossexuais.

Jungkook sempre foi um bom menino. Mesmo depois da morte de seu pai ele seguiu lutando com o coração ferido. Sua mãe, para sustentar a casa, passou a se prostituir às escondidas, levando diversos homens até lá, fazendo orgias repugnantes enquanto seu próprio filho era violentado em seu quarto.

Ela vendia seu filho, alegando que ele devia contribuir mais com as despesas.

Jungkook nunca me relatou em detalhes essa fase triste, ele sempre chorava intensamente ao tocar no assunto. Doía demais não poder ajudá-lo. O moreno sempre me ligava depois dos atos, aos prantos, dizendo que ser machucado daquela forma doía demais e eu me sentia tão imundo, tão nojento por não ter tido coragem de levantar da cama e ter ido à sua casa, salvo meu amigo e dizer que o amo, que eu sempre estaria contigo, mas eu falhei, pequei quando ele precisava de mim, quando ele passava fome, quando eu não tinha coragem de desobedecer minha mãe e encontrá-lo para lhe dar comida e carinho, quando eu desligava o telefone após cada abuso, apenas pedindo desculpa por ser um fraco.

Foi então que o inevitável aconteceu.

Jungkook fugiu de sua mãe, indo morar nas ruas, mendigando dinheiro e sendo humilhado constantemente. Mas para ele qualquer coisa era melhor do que a casa de sua mãe. 

Eu me afastei de Jungkook, arranjei uma namorada boa e gentil, minha mãe parou um pouco com as surras e passou a me tratar como gente novamente. Tentei esquecer Jungkook, mas ele pesava na minha consciência com tanta intensidade que me tirava o sono. Já estava me acostumando com meu 'eu' interior me chamando de monstro constantemente.

Jungkook só tinha à mim.

Ele foi meu primeiro amor. Talvez o mais puro e verdadeiro amor que alguém já me deu. Mesmo com seu jeito tímido e triste, eu o amava. Amava acariciá-lo, amava arrancar sorrisos de seu rostinho triste, amava tocá-lo, amava beijá-lo. São coisas que o tempo não apaga e que se tornaram pesadas demais para mim.

Com o tempo, consegui uma casa e um emprego fixo, então, eu e minha namorada já nos virávamos sozinhos. Tínhamos planos de nos casar e construir uma família. Estava aprendendo a aceitar que Jungkook não fazia parte dos meus planos ou sequer da minha vida.

Até que eu o vejo em uma discussão na rua perto de minha casa enquanto voltava do trabalho à noite.

– Você vai me pagar agora! – Gritou o homem irritado, socando o rosto de Jungkook, logo o derrubando no chão e sacando um revólver. 

Me desesperei. Estava perto o suficiente da discussão para sair sem ser notado e estava chocado demais para ter alguma reação. Jungkook me olhou assim que virou o rosto, tentando desviar da arma, e noto seu desespero, mas parecia conformado com aquilo. Apenas fechou os olhos, enquanto o homem se preparava para matá-lo. Eu grito em seco, me aproximando ainda mais, tendo a arma apontada para mim agora.

– Eu pago tudo que ele deve! – Exclamei desesperado, arrancando minha carteira e tirando todo o dinheiro que havia juntado no dia. 

O homem robusto pega com certa rispidez o dinheiro de minha mão trêmula e resmunga inconformado.

– É o suficiente para te deixar vivo por mais alguns dias, seu merda! – Falou irritado, colocando o dinheiro no bolso e a arma no porta revólver, chutando as costelas de Jungkook, que se contorce de dor. 

– Jungkook... – Recitei chorando enquanto o homem robusto ia embora, logo me sentando ao lado do moreno. – Desculpa. – Implorei, limpando os resquícios de sangue em seu rosto. 

Queria dizer que ele estava lindo, forte e saudável, mas a realidade era a pior o possível. Jungkook fedia, seus dentes estavam sujos, a pele continha várias feridas, os cabelos imundos e seu corpo, completamente magro e deteriorado. Não estava acreditando que meu menino tinha se tornado isso.

– Hyung... – Recitou baixinho, se queixando de dor ao tentar se sentar, mas eu o impedi. – Vai embora, hyung. – Pediu calmo enquanto algumas lágrimas minhas caíam doloridas.

– Desculpa, Jungkook! – Implorei novamente.

– Não precisa se desculpar, hyung. Eu teria feito o mesmo. – Afirmou virando o rosto, tentando esconder o choro.

– Perdão, perdão, perdão! – Repeti aos prantos.

– Tá tudo bem, Jimin. Não estou com raiva. Fiquei sabendo que você está namorando e que estão levando a vida. Sinto orgulho de você, hyung! – Mordi o lábio inferior tentando conter minha angústia. 

Jungkook se levanta, claramente com dor, e eu faço o mesmo, tendo o deslumbre do seu corpo quase morto à minha frente. 

– Tá devendo drogas, não é? – Perguntei com um nó imenso na garganta, mal conseguia pronunciar-me. 

Ele me olhava tão triste e eu entendia o porquê. Sabia que acabaria usando, sabia que esse seria o seu fim, mas me recusava a aceitar. Durante tanto tempo eu fugi desses pensamentos, agora eles vieram à tona, na pior das hipóteses.

– Eu precisava. Precisava esquecer essa dor, hyung. Mesmo que fosse por um momento. – Respondeu limpando os olhos com a manga da blusa de frio rasgada. 

– Jungkook... – Murmurei completamente sem falas, arrasado.

– Não se culpe, você não teve culpa de nada. – Disse forçando um sorriso. – O que me fazia feliz é saber que você está bem, sendo amado, com segurança. Você merece ser muito feliz, hyung! 

– Jungkook, para de ser assim! – Exclamei chorando ainda mais. – Diga que eu sou culpado, que eu sou um monstro, que sou um traidor, mas, por favor, não me trate com carinho porque eu não mereço! – Gritei caindo ao chão, de joelhos, com as mãos no rosto. Eu sentia vergonha de mim.

– Quando minha mãe me forçou a transar com seus clientes, ela me machucou. Quando eles me violavam, doía. Quando eu me apaixonei por você, te condenei a sofrer isso tudo comigo. Você apanhou, sofreu e foi tão violado quanto eu, mentalmente. Eu te fiz sofrer. Sou eu quem te provoca angústias. Não era para você ter me achado, nem ao menos me visto de longe. Quero que você me esqueça e seja feliz por nós dois.  

Sentia minha garganta queimar, queria chorar até meu remorso secar. Não estava aceitando a ideia de deixá-lo e voltar a fingir que está tudo bem, não ia suportar ser falso comigo mesmo mais uma vez.

– Vem comigo, Jungkook! Eu vou cuidar de você! – Exclamei meio desesperado, agarrando sua mão.

– Hyung, não vou, não posso ir. – Respondeu conformado.

– Por quê? Você pode sim! – Tentava puxá-lo para vir comigo, mas ele recuava.

– Porque eu já desisti de viver. 

Engoli seco, implorando mentalmente para que ele viesse comigo. 

– Por favor, Jungkook! Eu preciso de você! – Implorei.

– Solte a minha mão e vá ser feliz, hyung. Sua futura esposa tem um boa notícia para você. – Recitou sorrindo, não havia entendido essa informação.

Solto seu pulso e o vejo partir, completamente perplexo. A silhueta magra do moreno acena um 'tchau' e segue andando. Engulo seco sabendo que esta poderia ser a última vez em que o via.

Com passos pesados, sigo para casa. 

Sabia que não teria dinheiro para comprar comida, tampouco pagar algumas contas atrasadas. Suspiro cabisbaixo, seguindo meu caminho, destruído mentalmente.

A notícia boa que Jungkook se referia eu descobri dias depois, minha futura esposa estava grávida. Nem ela mesma sabia, então, como Jungkook sabia? Ficava martelando isso em minha cabeça constantemente. Estava feliz e preocupado ao mesmo tempo, precisava achar o moreno, necessitava de explicações, desejava vê-lo mais uma vez independente de tudo.

Por várias noites eu o procurei, mas ele sabia se enconder muito bem. Em uma estação de metrô eu o achei, ele parecia relaxado. Apresso meus passos em direção ao moreno, fitando sua expressão prazerosa que me causava medo. Sabia que ele estava sob efeito de drogas.

– Jungkook, você vem comigo! – Afirmei convicto, puxando seu corpo mole. 

– Me deixe aqui. – Respondeu meio grogue.

– Não! – Gritei. – Eu vou cuidar de você! 

– Hyung, você sabe que eu te amo, não quero interferir em sua família. Me deixe. – Retrucou se soltando.

Engoli o choro que estava preso em mim, não aguentando mais essa situação. Estava farto disso tudo, cansado de viver uma mentira.

– Eu nunca deixei de te amar, seu idiota! – Gritei. – Vem comigo ou eu... – Recuei. – Ou eu te denuncio para a polícia. 

Eu fui meio bruto e radical, e talvez por estar alucinado ele tenha obedecido.

Trouxe-o para minha casa. Minha futura esposa sabia quem era Jeon Jungkook e, sinceramente, ela não gostou do novo morador, mas soube aceitar que eu não podia abandoná-lo novamente.

Como dito, cuidei do meu menino. Dei banho, cuidei da sua higiene bucal, penteei seus fios negros e lhe dei a minha porção de comida do dia seguinte. 

Ele ficou lindo, embora magro demais.

Jisoo disse que ele daria um ótimo modelo. Ela aprendeu a aceitá-lo e ele... Ele era um cavalheiro e amava cuidar da minha Jisoo. Fazia o possível para vê-la sorrir, assim como fazia comigo, embora o vício fosse extremo e, claro, tivesse diversas recaídas. Já não sentia mais pena dele, Jungkook estava lutando para sair desse caminho.

Com muito esforço, consegui um emprego noturno e coloquei o moreno em uma clínica de reabilitação.

E eu chorei quando ele chorou, dizendo que nunca esqueceria o que eu estava fazendo e, mesmo que tudo desse errado, ele ainda estaria comigo para me dar forças. 

Jungkook passou dois anos e meio na clínica. Quando meu filho nasceu, logo fomos visitá-lo e ele sorriu com tanta pureza. Estava mais cheinho, revigorado, e agora ainda mais lindo. 

Jisoo e eu fitávamos contentes o moreno brincando com nosso bebê. Ele seria um ótimo papai também.

Nunca desistiria do meu moreno, nunca pararia de chamá-lo de "meu". Jamais permitiria que ele voltasse a consumir drogas novamente.

Jungkook saiu da clínica revigorado, minhas mãos calejadas pelo trabalho árduo valeram a pena. Abraço apertado meu amigo, permitindo algumas lágrimas escaparem.

– Eu amo você, Jungkook! – Exclamei enquanto sentia o moreno me apertar forte.

– Eu também te amo, hyung! Obrigado por não desistir de mim. – Recitou com os olhos marejados, se desfazendo do abraço, e pegando em minhas mãos. – Hora de trabalhar para retribuir. – Brincou, dedilhando meus calos. – Promete que vai cuidar bem da Jisoo e do seu filhinho? – Perguntou de repente, me deixando confuso.

– Claro que sim, Jungkook! – Oras! Que pergunta! 

– Hyung... – Engoliu seco. – Jisoo não está bem. 

Pisquei diversas vezes, tentando entender como ele pôde me dizer uma coisa dessas.

– O quê? Como assim? O que você sabe? – Minha cabeça girava, estava incrivelmente confuso.

– Eu não sei, hyung. Apenas sinto isso. – Respondeu.

O meu telefone toca e era Jisoo, dizendo que não estava bem.

Corri para casa, praticamente arrastando o moreno comigo. Jisoo estava sentada no sofá, suando frio, estática. Ligo para emêrgencia enquanto o moreno tentava reanimá-la. Pedi para ele ficar com meu filho, entretanto, ele se negou, alegando que deveria ir com Jisoo, que ele me devia e devia muito a Jisoo. Eu insisti em ir, mas logo me rendi ao moreno que parecia decidido. Vejo-o subindo na ambulância junto aos paramédicos que tentavam a todo custo reanimar Jisoo. Ela sempre teve a saúde fraca, mas nunca imaginei que chegaria a esse ponto, estava arrasado! 

Foram horas de angústia, ligando sem retorno para o hospital, quando finalmente me atendem. 

– Senhor Park? 

– Sim! 

– Sua esposa, ela está bem agora. Ela teve uma parada cardíaca, mas, por sorte, o anjo da guarda dela estava de plantão. – Brincou. 

Neste momento, senti uma lágrima de agradecimento escorrendo pelo meu rosto. Queria gritar de felicidade, minha Jisoo estava bem.

– O menino de cabelos negros disse que vai levá-la para casa. Ele não saiu de perto dela em nenhum instante. – Continuou.

– Ele é o nosso amigo! – Exclamei contente. 

– Era apenas isso. Pode ficar tranquilo agora. – Disse calma, desligando telefone. 

Não conseguia acreditar que estava tudo bem. Foram tantas desgraças e finalmente tudo estava se ajeitando, nós finalmente seríamos uma família. 

Tinha que compensar Jungkook de alguma forma. Queria mostrar que ele era minha família assim como Jisoo e meu filho eram. Retirei meu pequeno cordão prateado e andei até sua mochila com poucas roupas, a abrindo, logo notando um caderninho azul com uma pequena caneta prateada ao lado.

Não resisti a curiosidade e acabei abrindo e lendo, e, alguns trechos, me fizeram derramar lágrimas.

"Hoje eu descobri que amo pintar o hyung. Quando ele não está aqui, eu o pinto para sempre tê-lo comigo."

"O Jimin hyung nunca desistiu de mim. Eu estava enganado, ele está me curando." 

"Eu amo vê-lo feliz, mesmo que não seja comigo."

E o que mais me chamou atenção foi um trecho que datava há poucos dias.

"Hoje, Deus me mandou estar com Jisoo, independente de tudo." 

– Como assim Deus mandou? – Estava tão confuso e apaixonado que não sabia o que pensar. 

Ele é um anjo? Por que ele consegue ver essas coisas? Como? 

– Hyung, chegamos! – Ouvi sua voz e logo fechei o caderno, o colocando de volta na mochila.

Fui até a sala e vi que Jisoo parecia bem melhor, embora um pouco debilitada.

– Chegaram rápido! – Exclamei.

– Viemos de carona com a enfermeira Rosé. – Sorriu o moreno, logo beijando a testa de Jisoo.

– Sã e salva! – Brincou, levando-a até mim. 

Eu apenas o olhava, ele não era um ser humano qualquer. Jisoo estava praticamente morta. 

– Eu vou arranjar um emprego e vou te ajudar nas despesas, hyung! – Exclamou sorrindo fofo. – Mas não vou morar aqui.

– O quê? – Eu e Jisoo perguntamos em coro. – Tá doido? Óbvio que vai! – Retruquei.

– Hyung, você já fez muito por mim e-

– Não tem desculpa, Jungkook! Vai morar aqui e acabou! – Exclamei me irritando. – Se você tiver uma recaída ou voltar a dever drogas eu não vou suportar! – Afirmei o abraçando com força. – Por favor, eu preciso de você, meu anjo! 

– Anjo? – Sorriu. – Estou mais para demônio. – Com essas palavras, eu tive certeza que ele não era comum.

– Meu anjo! – Recitei calmo afundando meu rosto em seu pescoço. 

É, não fomos a família mais rica do mundo, mas trabalhamos o suficiente para darmos conforto ao nosso filho. Nós quatro vivíamos juntos e isso nos rendiam risadas e felicidade.

Era engraçado ver Jungkook brincando com o pequeno enquanto ele crescia. Se machucava e, do nada, seus machucados sumiam. Como na vez em que o menor caiu do balanço e ralou a perna, ele veio até a Jisoo e mostrou a ferida sangrando. Jungkook apareceu, pedindo para Jisoo ir buscar curativos e, quando ela voltou, já não havia mais ferida, apenas uma criança feliz e um Jungkook sorridente.

Acompanhamos nosso filho na escola, no seu primeiro dia de aula, enquanto chorava no caminho. Vimos seus primeiros passos e falas, até sua primeira namoradinha. Posso dizer que sou um pai sortudo.

Quanto ao meu anjo, ele sabia que eu o amava e sabia que a cada dia que se passava, mais puro ele ficava. 

Quando invadi seu caderno de anotações de madrugada assim que cheguei do trabalho, já não haviam mais notas, apenas uma indicação de tempo descrita por anos.

"Doze anos."

Engoli seco, com a mão entre os lábios, tentando segurar o choro. Eu entendi o que estava acontecendo.

Jungkook nunca foi destinado à mim, ele é o anjo da guarda da minha família.

Não consigo conter meus choros quando olho para frente e o vejo ali sentado, bem próximo à mim, sorrindo como um verdadeiro anjo.

– Quando ele fizer doze anos, você vai me deixar, Jungkook? É isso? – Perguntei com a voz fraca. 

– Hyung, eu vou sempre estar contigo. – Recitou calmo, acariciando minha mão.

– Me explica, Jungkook, por favor! – Implorei. 

Ele sabia que eu já havia descoberto.

– Eu também não sei, hyung. Deus apenas me encaminhou uma missão, Ele disse que eu devo proteger vocês. 

– Quando ele disse isso? Como? – Me exaltei.

– Desde que eu tinha dez anos. – Recitou baixo.

– Dez anos? 

– Eu me apaixonei por você, hyung... A morte do meu pai, a prostituição da minha mãe, as drogas, foram uma penitência. Você me salvou quando engravidou a Jisoo, me salvou quando resolveu ser feliz com ela. Eu estava falhando, mas você consertou tudo.

– Está me dizendo que eu... Eu te salvei? Por ter te deixado? 

– Sim e eu continuava sofrendo porque você estava sofrendo. Naquela noite, no metrô, quando você me arrastou para sua casa e me consertou, nossos sofrimentos cessaram.

– Eu quase transei com um anjo! – Exclamei surpreso, olhando para as bochechas rosadas do moreno.

– E eu me apaixonei por um homem. – Brincou.

– E quando eu morrer? Te verei de asas brancas? 

– Olha, acho que não! – Sorriu. – Eu era jovem e você também, acho que éramos sortudos por termos um ao outro e azarados por Deus ter me escolhido para ser seu anjo.

– Então você ainda me ama? – Perguntei esperançoso porque eu o amava. 

Mesmo depois de tudo, eu nunca escondi isso. Por mais que nos tratássemos como amigos.

– Eu sou um anjo pecador. – Brincou, o que valeu como "sim".

– E tem como você reivindicar seu cargo de anjo? 

– Não! – Exclamou divertido! – Acho que, quando seu filho completar doze anos, eu vou acabar indo para o inferno. 

– E no inferno, tem vaga pra dois? 


Notas Finais


Jimin nunca traiu Jisoo, só para constar.
Na estória, Jungkook estava prometido ao reino de Deus, e essa punição se deve porque ele como anjo, não devia se apaixonar por Jimin, e sim protegê-lo, e sua futura família também. Jungkook ser estuprado foi uma consequência, não estava entre a punição em si.
Não citei mais sobre a mãe de Jungkook e Jimin porque eu, sinceramente, acabaria matando elas na estória, de tanto nojo, mas preferi amenizar o clima pesado que a fic possui retirando essa parte.
Muito obrigada por ter lido.

Quero agradecer a Aline diva por ter feito a capa e o banner lacradoramente. <3
E quero agradecer também a Kakau por ter betado a estória. <3


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