História Ma Boy - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Seventeen
Personagens Jeon Wonwoo, Kim Mingyu
Tags Meanie, Seventeen
Exibições 143
Palavras 7.609
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Voltei até rápido (ou não).
Carats, tudo bem? Essa cap saiu beeeeeeeeeeeeeem maior que o planejado, mas está puro amor (eu acho)
Dedico esse cap ao meu stalker favorito. É provável que ele não saiba dessa fic ainda ou que eu tenho uma conta aqui (mano, se tu descobriu que essa sou eu, tu é bichão mesmo). Mas né, agradecer a ele, foi a única pessoa que me deu um pouco de ajuda ultimamente, sem eu precisar pedir, e que fica no Whats comigo até de madrugada, sendo que ele tem faculdade no outro dia de manhã. Ele é igual ao Minghao nessa cap :)
E tbm a minha unnie. Jéssica (se um dia tu ler isso), obrigada por aguentar meus surtos com Meanie, Verkwan e tudo mais. Seu presente de aniversário vai compensar tudo isso, prometo.
E dedico tbm aos meus filhos do SF9, principalmente ao meu mozão, Taeyang <3, que está afastado agora. Foi o único grupo que eu consegui acompanhar direito antes do debut, e eles de deram muita força. E as músicas são mara.
Vamos conversar lá embaixo?
As músicas desse cap são Shy Boy (Secret) e Pretty U (Seventeen). Eu coloquei Secret ali pra fazer uma gracinha com a diva da minha vida, Boo Seungkwan, nem é tão importante.
Ah, fiz uma referência ao MV de Rock Ur Body, do VIXX, espero que notem isso.
Boa leitura.

Capítulo 3 - Adore U


Wenhan mandou mensagem pedindo para o namorado que estava com Wonwoo o levasse pra passear, ou algo do tipo, e só irem para o apartamento do outro com o aviso de algum deles.

No apartamento de Seungcheol, todos almoçaram rapidamente e se prestaram a ajudar Mingyu com seu plano. Minki e Jeonghan haviam ido até a papelaria atrás de post-its de coração e coisinhas fofas. Wenhan e Jun correram até uma floricultura. Seungcheol colocava algumas almofadas no chão da varanda do apartamento e pisca-piscas no teto do lugar. Jihoon ajudava Mingyu a acabar o arranjo e a letra da música que havia feito especialmente para seu hyung. 

 

X-X-X

 

Depois de algumas horas, Wonwoo acordou com a barriga roncando. Abriu os olhos lentamente, tentando se acostumar com a luz que entrava no comodo. Percebeu que ainda estava deitado nas pernas do amigo e ele lhe oferecia um sorriso doce. 

- Dormiu bem, hyung?

- Ah Minghao, porque não me acordou?- disse, se levantando e sentando no sofá. Coçou os olhos e notou que estava sem óculos. - Deve estar com as pernas doendo agora.

- Que nada. - o chinês disse, rindo um pouco. - Aqui seus óculos, fiquei com medo que machucasse o rosto enquanto dormia, então eu tirei. 

Com certeza, Wonwoo havia entendido como Wenhan e Junhui haviam se apaixonado pelo mais novo. Minghao era umas das pessoas mais doces e gentis que já havia conhecido.

- Que horas são? - Jeon perguntou distraído, colocando os óculos no rosto.

- São quase 13 horas. Vamos comer? Wenhan preparou o almoço para nós antes de sair. Ele sabe que eu não sei fazer quase nada.

Wonwoo riu e se levantou do sofá, se espreguiçando e logo se dirigiu ao banheiro da casa, afim de lavar as mão. Minghao ouviu o celular vibrar. Era uma mensagem de Wenhan, pedindo para que não fosse para o apartamento de Seungcheol tão cedo com o outro garoto. Não perguntaria o motivo, só iria obedecer.

Foi lavar as mãos também e logo ambos estavam na mesa, mantendo uma conversa leve enquanto comia. Depois, o mais velho ajudou o outro com os pratos e voltaram para a sala. Jeon se lembrou que deveria ligar para a editora e pediu licença ao dono da casa, indo para o jardim da frente da casa falar ao telefone. 

Novamente, o chinês recebeu uma mensagem do namorado mais velho, pedindo para que ele saísse junto com Wonwoo, e só tomasse o caminho planejado pela manhã quando algum dos meninos o avisassem. Novamente, Minghao não perguntou nada. Ligou para Yixuan, perguntando se ele não gostaria de sair com ele também e levar Sungjoo junto. Combinou rapidamente de encontrar com o casal numa sorveteria ali perto. 

Logo Wonwoo voltou para dentro, parecia bem mais feliz.

- Ok, você está com cara de quem tem boas notícias. Conta agora, hyung! - o mais novo nem sabia de nada, mas estava animado também.

- Meu livro já foi revisado e já vão começar a produção. Mal consigo acreditar.

- Parabéns Wonwoo! - Minghao começou a pular e fazer uma dancinha estranha, Wonwoo ria pelo amigo e ria por estar feliz. Depois que o chinês parou de dançar, eles se abraçaram e começaram a pular.

Alguns minutos depois de toda essa festa, ambos se acalmaram. Mas Jeon ainda sentia o coração batendo rápido e a felicidade enchendo seu corpo com uma sensação muito boa. 

- Quando você saiu, eu liguei pro Yixuan hyung e marquei de irmos na sorveteria que tem na outra rua com ele e o Joo. Vamos aproveitar e comemorar. Eles já devem estar a caminho, vamos indo também.

- Mas eu ainda tenho que ajudar o Mingyu. - por alguns minutos, havia se esquecido do outro.

- Ah, nem vamos demorar tanto. E mesmo que se atrase, aposto que ele não vai se importar, tem um bom motivo pra isso. - dito isso, Minghao colocou o celular e a carteira no bolso, e saiu puxando o amigo.- Não se preocupe tanto hyung.

Wonwoo não teve tempo de pegar a bolsa,saiu apenas com o celular. Os dois andaram pela calçada, o mais novo contava piadas pelo caminho e fazia coisas para poder manter seu hyung com aquele bom humor e felicidade. Minutos depois, encontraram o casal de amigos próximo ao local. Se cumprimentaram e entraram no estabelecimento.

Fizeram seus pedidos (Jeon pediu sorvete de chá verde) e se começaram a conversar. Yixuan e Minghao falavam em mandarim, era costume deles fazer isso. Sungjoo puxou conversa com o outro.

- Wonwoo, me conta. Como anda seu namorado?

O garoto de óculos parou e pensou um pouco. Ele deveria estar falando de Mingyu.

- Mingyu? - Sungjoo assentiu. - Ele não é meu namorado, hyung.

- Mas ele gosta tanto de você. - o mais novo corou. 

- É impressão sua.

- Estão falando sobre...? - Yixuan perguntou.

- Sobre o namorado do Wonwoo.- seu namorado respondeu, limpando o "bigode de sorvete" que havia se formado em seu rosto.

- Nós somos só amigos. - Jeon falava corado.

- Não dou 2 semanas para estarem juntos. - uma voz diferente foi ouvida. 

Todos olharam em direção a ela, encontrando dois garotos. 

 

Vernon e Seungkwan.

 

  Wonwoo se levantou rapidamente, junto com Minghao para abraçar os amigos. Não se viam faziam alguns meses, a mãe de Vernon havia decidido voltar para a América, junta com Sophia,  depois de se separar do pai de seus filhos. O casal havia ido junto a mulher e a criança, para ajuda-las e curtir um pouco. Haviam voltado a poucos dias e por acaso, encontraram os amigos ali.

Puxaram mais duas cadeiras pra mesa onde os outros estavam, logo cumprimentaram o casal mais velho. E colocaram a conversa em dia, enquanto saboreavam sorvetes. Alguns minutos depois, uma atendente do local subiu em um "palco" que havia no lugar (na verdade, parecia mais um degrau um pouco alto). Arrumou as caixas de som e pegou um microfone que estava em cima. Saudou a todos que estavam presentes e disse que cantaria uma música. Ligou a caixa de som e uma melodia bem anos 50 foi ouvida, junto com algumas palavras sem nexo, que faziam um som no ritmo da música. 

Para o desespero de Vernon, e diversão dos amigos, Seungkwan conhecia a música. O garoto correu para o palco, assustando a atendente, pegou um outro microfone que estava ali e começou a cantar com a garota.

 

"Deixe de ser tão convencido, leve as coisas um pouco mais a sério, você,você

Oooh oooh não consigo mais suportar mais. Pare!

Por favor, pare de tanto exibicionismo, não, não

Largue de tanta infantilidade, não, não

Oooh oooh não consigo mais suportar mais. Pare!"

 

Os outros clientes achavam graça, os amigos riam desesperadamente, o namorado queria se enfiar em baixo da mesa e Boo, bem, se divertia cantando. E é claro, a atendente não sabia se continuava ali ou deixando o palco apenas para o garoto bochechudo.

 

"Sem vergonha, sem vergonha conquistadores são sempre sem vergonha

Eles contam vantagens, falam demais

E possuem muitas garotas

Somente você,apenas vocês, você é o homem ideal para mim, embora pareça ingênuo, amarás apenas a mim."

 

Antes do refrão a garota deixou o palco, rindo, para que Seungkwan pudesse fazer seu "show" sozinho. Como se já não bastasse cantar, o bochechudo havia começado a apontar para o namorado, como se cantasse a música para ele.

 

"Você é meu garoto, garoto, garoto tímido

Oh, Oh, Oh, meu garoto!

Mesmo que não seja belo o importante é te um caloroso coração, oh.

Tchau, tchau, tchau garoto

Oh, oh, oh, garoto mau!

Mesmo que não sejas perfeito, garoto tímido, é o tipo de homem que mais aprecio."

 

Com toda certeza, Seungkwan não conhece a palavra 'limites', pensava Wonwoo. Nunca havia rido tanto em sua vida, claro, já havia visto o amigo fazer isso antes, mas foi em festas de família e amigos, não com vários desconhecidos em volta. Quando Vernon já estava com menos vergonha, viu Boo largar o microfone e começar a dançar também, logo pegando ele de volta.

 

"Largue de tanta indecisão, não,não

Aprecio a sinceridade, não, não,

Oooh oooh não consigo suportar, sinceramente!"

 

Todos no local riam do pequeno show. Uns de modo discreto, outros como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. E talvez fosse mesmo.

 

"Insuportáveis, insuportáveis, garotos belos são insuportáveis

Embora sejam engraçados são irritantes e imaturos

Somente você, sim você, você é o homem ideal para mim

Embora pareça ingênuo, amarás apenas a mim"

 

E então Boo desceu do palco e andou cantando e dançando pelo estabelecimento, até aonde o fio do microfone permitia. O grupo de amigos se acabava de rir, o namorado acabou se rendendo as risadas também. Sungjoo e Minghao tinham os celulares nas mãos, claro que estavam gravando.

 

"Você é meu garoto, garoto, garoto tímido

Oh, Oh, Oh, meu garoto!

Mesmo que não seja belo o importante é te um caloroso coração, oh

Tchau, tchau, tchau garoto

Oh, oh, oh, garoto mau!

Mesmo que não sejas perfeito, garoto tímido, é o tipo de homem que mais aprecio"

 

O clima era leve e divertido. Jeon quase poderia sentir sua felicidade transbordando do corpo. Não conseguia entender como os amigos lhe faziam tão bem com tão pouco. Aos poucos iria perceber que não precisava de coisas grandes para poder se sentir sempre assim.

 

"Sabe fazer bom uso das armas que possui, garoto mau!

És um jogador sem limite, descolado

Além de doces palavras, desejo um homem de coração fiel

Você é o meu garoto! Venha, venha, venha, venha até mim, garoto!

Te Amo, tímido garoto! Amo você

Não é preciso tanta timidez, aproxime-se um pouco mais"

 

Seungkwan perambulava entre as mesas, cantando para os clientes e interpretando a música com gestos engraçados e descoordenados. Voltou para o palco para cantar a parte final da música.

 

"Você é meu garoto, garoto, garoto tímido

Oh, Oh, Oh, meu garoto!

Mesmo que não seja belo o importante é te um caloroso coração, oh

Diga, diga, diga garoto

Diga, diga, diga meu garoto

1, 2, 3, 4 vezes que me ama! Apenas digas que me ama, garoto tímido"

 

Mais algumas sílabas foram repetidas em forma de som e logo a música acabou. 

- Obrigado, eu amo todos vocês. - sorria e acenava enquanto saia do palco, mandou beijos para a mesa dos amigos e todos aplaudiram.

Já recuperados da crise de risos, continuaram a conversar. Dessa vez sobre todo o talento e expressividade de Boo. Não era a toa que o garoto fazia teatro. Wonwoo não estava surpreso, afinal, se conheciam desde a adolescência e desde sempre o bochechudo era o dramático do grupo. Vernon era o popular, e Jeon, bem, era a pessoa normal e centrada.

Acabara de se lembrar que ainda não havia contado ao casal recém-chegado sobre as novidades de seu livro. Ambos lhe parabenizaram, sabiam o quão importante era aquilo para o amigo. Sabiam o tanto que Wonwoo lutou pela futura publicação.

Após pagarem a conta, o grupo decidiu dar uma volta pelo quarteirão. Já passava um pouco das 15 horas, o sol dominava toda a cidade, estava bastante quente. Não tinham muito o que fazer, tomaram rumo em direção a um parque que havia a alguns minutos daqui. Jeon estava preocupado, precisava ajudar Mingyu, mas o garoto nem sequer havia ligado para si. Conferia o telefone a cada 5 minutos. E aquilo não passou despercebido para Sungjoo. 

O grupo sentou embaixo de uma grande árvore no parque. Um senhor vendia alguns balões e bolas comuns perto daqui. O garoto americano foi até ele e comprou uma bola, chamando os amigos para jogar perto dali. Minghao e Yixuan aceitaram, deixando os três coreanos sozinhos na árvore. 

Sungjoo resolveu fazer algo por Wonwoo, vendo que ele havia começado a ficar cabisbaixo novamente. Se levantou e foi até o "senhor dos balões" voltando com alguns balões coloridos. Os dois amigos achavam graça, uma pessoa daquele tamanho comprando balões. Voltou a sentar, apoiado no tronco, do lado de Wonwoo e estendeu os cordões que estavam em sua mão para o garoto, que ficou sem entender.

- Yah, eu sei que você gosta de balões. E antes que diga algo, não, ninguém é velho demais para isso. Ok? - Kim insistiu, e finalmente o outro aceitou.

- Não precisava fazer isso. Mas obrigado, hyung. - Jeon voltara a sorrir novamente.

- Hyung, você deveria sorrir mais. - Seungkwan olhava a cena maravilhado, primeiro pela gentileza de Sungjoo e depois pela felicidade em ver o sorriso no rosto do amigo. - Você é tão lindo sorrindo.

Mesmo já acostumado aos elogios que recebia dos amigos, nunca ia deixar de corar por eles. E Seungkwan já conhecia Wonwoo bem o suficiente para saber que ele ficava desse jeito, mas por dentro estava feliz de receber algum elogio. Desde aquela garota, Jeon não era mais o mesmo, e precisava fazer ele acreditar mesmo que ele era bonito do jeito que era. 

 

Pois não há um jeito "certo" para ser bonito.

Cada pessoa é bonita do seu próprio modo.

 

- Ah, eu lembrei agora. Quando eu e o Vernon chegamos na sorveteria, vocês estavam conversando sobre o Mingyu. Wonwoo hyung, como assim vocês ainda  não estão namorando? - Seungkwan era um bocudo.

- Por que todo mundo pergunta essas coisas? - Jeon sempre ficava sem jeito quando os amigos tocavam naquele assunto.

- Você gosta dele, ele gosta de você. Simples assim. - Sungjoo respondeu, brincando com uma galhinho que estava pelo chão. - Não precisa sentir vergonha disso, ou ter medo de falar com a gente. Wonwoo, estamos aqui pra isso.

- Olha hyung, eu vou te contar uma história. - Boo começou, se levantando para se sentar em frente ao amigo e a Sungjoo. - Quando eu estava no 4º ano, entrou um garoto muito bonito na escola. Era o Vernon. E eu lembro que ele estudava na sua sala. Eu gostava muito dele, mas sempre ficava com medo de falar com ele, sempre vivia cercado de gente, principalmente meninas. - fez uma pausa, com um suspiro. - E eu lembro que durante as férias de verão, a família dele se mudou para a casa em frente a minha. Minha mãe sugeriu que eu chamasse ele para brincar lá em casa, na piscina junto comigo. Naquele dia, nós ficamos amigos. 

- Ah sim, eu me lembro disso. Depois das férias, vocês começaram a andar juntos. Eu lembro também que ele chegava um pouco atrasado na sala, porque sempre ia com você até a sua. - Wonwoo não era próximo a nenhum dos dois na época, só era observador.

- Sim, e continuamos assim. Até as férias de verão do 5º ano. Eu não aguentava mais guardar tudo aquilo dentro de mim. De novo, minha mãe falou pra eu chamar ele pra brincar na piscina lá em casa. Quando ele chegou, eu tava bem nervoso e perguntou qual era o problema, dizendo que eu poderia contar qualquer coisa a ele. Eu falei que gostava dele, e o Vernon ficou parado. - Kwan riu um pouco. - Então ele pediu pra eu fechar os olhos, achei que ele ia sair correndo, mas ele me deu um beijo. E começamos a namorar escondidos, e ficamos assim até o 6º ano. 

Sungjoo riu um pouco da história, e Wonwoo também. Conhecia os amigos a tanto tempo e nem mesmo sabia como o relacionamento havia começado.

- O que eu estou tentando dizer é, você e o Mingyu são amigos. Você não precisa ter medo de falar com ele sobre isso, se ele for seu amigo de verdade e não puder aceitar seus sentimentos, ele não vai se afastar, a menos que você peça. - Boo era realmente bom para dar concelhos. - Mas, eu duvido que ele não aceite, dá pra notar que ele gosta de você. E olha que eu convivi pouco tempo observando vocês dois juntos. - terminou de falar, tocando suavemente a ponta do nariz de Jeon com o indicador.

- Woo, eu sei que ele deve estar pensando as mesmas coisas que você. - Sungjoo disse, olhando para o namorado e os outros dois estrangeiros que estavam jogando ali perto. - Tenta falar com ele, tipo hoje. Eu vi que você não tirava os olhos do celular no caminho. Mas, se achar melhor, só faça isso quando se sentir seguro o suficiente.

Wonwoo olhava para os balões que ultrapassavam sua cabeça. Talvez Mingyu fosse como um balão, se ele não tomasse cuidado, ele iria embora. Talvez ele mesmo fosse como um balão, podendo estourar com qualquer coisa que o machucasse. Era algo que ele deveria pensar direito, não poderia arriscar tanto assim.

- Eu preciso pensar direito sobre isso ainda, mas obrigado. Vocês me ajudaram bastante. - e ele finalmente estava mais tranquilo com aquilo.

Agora os três coreanos observavam os outros garotos jogarem. Minghao parou e se afastou do jogo para conferir o celular no bolso. Logo chamou os outros dois e voltaram pra debaixo da árvore.

- Wonwoo hyung, precisamos ir agora. - Minghao disse. - Nossa, que balões legais.

- Sungjoo hyung comprou para mim. - respondeu, se levantando e passando a mão na bermuda, para tiras alguns pedaços de grama.- Vamos sim. Vocês vão ficar por aqui? - perguntou aos dois casais.

- Eu preciso fazer as compras ainda hoje. Vamos Joo. - Yixuan puxou o namorado pelo braço, enquanto acenava com a mão livre. - Até pessoal. Não chegue em casa tarde, Wonwoo.

- Ok.

- Eu e o Vernon vamos visitar minha mãe, ela disse que estava com saudades de cozinhar para nós. Caso a gente não saia de lá rolando, eu tento passar na sua casa depois. Faz tempo que eu não falo com o Jeonghan também. - disse Boo, enquanto tentava desviar do namorado que tentava o abraçar, todo suado. - Tchau meninos.

E dessa forma, os quatro foram embora. Já eram quase 16 horas quando os dois se colocaram a andar. Wonwoo ainda segurava os balões e Minghao a bola. Conversavam sobre como aquele dia havia sido legal, encontrar os amigos que estavam fora, ver o show de Seungkwan e poder jogarem um pouco no parque. Estavam tão distraídos, que o chinês não viu um homem que estava parado na calçada e acabou esbarrando no mesmo, quase caindo e sendo segurado por Jeon.

- Me desculpe. - disse meio sem graça. Wonwoo ria, observando. - Eu... - e a fala do garoto morreu ali. 

 

Aquele homem era bonito.

 

- Ah, não se preocupe - o estranho disse balançando as mãos. - Eu que estava parado aqui no caminho. 

Minghao se curvou rapidamente e voltaram a andar.

- Ei garoto. - o estranho chamou. - Deixou cair isso. - estendeu um pedaço de papel para o chinês.

- Ah, como eu sou distraído. Obrigado. - agradeceu pegando o pedaço branco de papel entre os dedos.

O homem acenou e saíram caminhando. Minghao estava prestes a colocar o papel no bolso. Mas não se lembrava se realmente havia colocado aquilo ali. Abriu o papel, para ver o que era e corou até a ponta das orelhas. Com certeza, aquilo não era seu.

- Hao, que papel é esse? - o coreano perguntou, vendo a reação do amigo. - Deixa eu ver. 

Tirou o papel da mão de Minghao e quase riu com aquilo.

 

"Me liga ;) XXXX-XXXX 

- ZhouMi"

 

Ambos olharam para trás, e o homem ainda estava lá. Assim que notou que os garotos o observavam, lhes deu um sorriso e acenou, piscando em seguida para o chinês. Viraram para a frente e continuaram andando. Wonwoo ria, enquanto Minghao resmungava coisas que não era possível entender e apertava o papel na mão.

 

X-X-X

 

Vários minutos depois, Jeon havia chegado na rua de Mingyu sozinho. Junhui e Wenhan estavam na esquina esperando o namorado, depois de terem voltado a casa de Minghao para poder pegar seus pertences. Contou a eles sobre o cara que havia dado o número de telefone. Como se aquilo não fosse estranho o suficiente, eles decidiram ligar para ele mesmo. São uns malucos mesmo, pensou Wonwoo.

Ainda segurava os balões dados por Sungjoo. Havia parado no caminho e oferecido um balão para uma menininha que olhava maravilhada para eles. A mãe da criança o agradeceu, e ambas seguiram felizes. Todo mundo é feliz com um balão.

Jeon já estava na porta do prédio, perguntou ao porteiro se poderia subir mesmo com aquele monte de balões coloridos, o senhor apenas assentiu. Seguiu pela escada, era um prédio pequeno e não havia necessidade de colocarem um elevador ali. Depois de dois lances de escada, chegou a porta do apartamento dos amigos. Estranhou.

 

Tudo estava quieto demais.

 

Considerando que Jihoon e Seungcheol sempre ficavam ali nos sábados, fazendo bagunça com Mingyu e Jun até os vizinhos reclamarem do barulho, estava sim bastante quieto. Ia bater na porta, quando notou um post-it de coração colado na altura dos olhos. Se aproximou o suficiente para ler as letras pequenas que haviam ali.

 

"Wonwoo, não precisa bater na porta, só entrar."

 

Pela letra, sabia que era de Mingyu. Abriu um pouco a porta, espiando o apartamento por dentro. Nada fora do normal, pensou. Entrou, se atrapalhando um pouco com os balões, logo encostando a porta de novo. Resolveu chamar por pelo amigo.

- Mingyu?

Não houve resposta. Deixou a bolsa perto da porta e olhou em volta, vendo um buquê de flores em cima de uma mesa de canto, perto dali. Eram as mesma flores que Mingyu sempre comprava para si, desde que foram a cafeteria. Se aproximou, vendo outro post-it de coração colado nas flores. Ao lado delas, havia um copo, que parecia ter chá gelado.

 

"São pra você. Eu sei que gosta delas."

 

Ainda não havia entendido o que estava acontecendo ali. Assim que pegou o buquê, notou outro papelzinho. Descolou ele da mesa ver o que estava escrito.

 

"Beba o chá, foi o Jihoon hyung que fez."

 

Levou o copo aos lábios, segurando as flores e o cordão dos balões na mesma mão. Aquele baixinho sabia mesmo fazer um bom chá, mesmo sendo gelado. Embaixo do copo, outro papel um pouco molhado. Se forçou a entender o que havia ali.

 

"Vá para o sofá."

 

Caminhou para o local indicado, deixando o copo sobre a mesa novamente. Lá estava o caderno de Mingyu. Por dentro, era cheio de post-its com anotações e correções feitas pelo próprio Wonwoo. Logo na capa, tinha uma anotação.

 

"Se o Sungjoo te comprou balões, pode amarrar eles no pé da mesa"

 

Jeon parou. Como o garoto sabia daquilo? Resolveu ignorar. Deixou o buquê sobre o assento e abaixou para amarrar os balões na mesa. Havia outro post-it ali.

 

"Volta pro sofá e abra o caderno. Passe por todas as anotações que você fez, até chegar na última folha."

 

Fez isso. Abriu o caderno, começando a procurar tudo o que havia escrito para Mingyu. Os pequenos corações cor de rosa tinham avisos sobre erros frequentes, alguns livros de apoio, datas de algumas provas e trabalhos e alguns eram apenas frases de incentivo e coisas bobinhas. Talvez fosse essa a forma de demonstrar que gostava do mais novo.

Sorriu passando por todas as folhas, até chegar no final do caderno. Uma folha de caderno dobrada, pregada com fita adesiva colorida estava na contra capa. Não sabia se era pra abrir ou não, mas decidiu arriscar. Descolou a folha e abriu. Várias estrelinhas douradas minúsculas caíram em seu colo. Olhou para aquilo sem saber muito o que fazer, e se pôs a ler o que estava escrito ali.

 

" Se você chegou até aqui, você é um hyung muito obediente. Parabéns! Merece muitas estrelinhas de "bom hyung".

Haha.

Wonwoo, você sabe o quanto eu sou ruim em escrever qualquer coisa, mas vou fazer um esforcinho por você.

É muito difícil saber onde isso começou. Se bem que nos conhecemos na biblioteca, então não é tão difícil. Acho que foi naquele dia que eu percebi que faltava alguma coisa na minha vida. Tipo, um dicionário ou algo assim, mas, felizmente, eu encontrei você. Na verdade, foi você que me encontrou.

Eu era só um menino meio burro e metido a engraçadão. E você era bem sério. Mas eu só precisei ser eu mesmo pra te fazer sorrir. De verdade, eu nunca me senti tão feliz por receber ajuda e depois um sorriso tão bonito. Naquele dia, você deixou eu pagar a conta no café, mas me pagou com muitos sorrisos e histórias boas.

Me senti feliz por saber que você compartilhou detalhes da sua vida com um completo desconhecido. Mesmo rindo de vez em quando, você ainda era sério com o passar dos meses. Eu lembro que no meu aniversário, eu deixei você me sujar com um pouco do chantili do bolo que o Jihoon tinha feito. É, eu não virei sem querer e você me surpreendeu com chantili na minha cara.

Lide com isso.

O Coups disse que você estava atrás de mim, pronto pra me sujar, mas mesmo assim eu deixei. Sua risada depois de ver minha cara toda suja foi impagável. Lembra do dia que a gente foi no fliperama com os meninos e te dei minha última ficha pra você poder jogar aquele jogo do VIXX? Tá bom que nem foi tão importante assim, já que era só eu ir comprar mais fichas depois. Mas você pareceu tão animado com aquilo (e pra falar a verdade, eu não entendi nada sobre aquele jogo) e eu me senti feliz em te ver feliz. Lembra que naquele dia eu também deixei você ganhar de mim no Mortal Kombat? Eu gostei de ver você pulando, todo fofinho, por ter ganhado de mim uma vez. Mesmo sabendo que eu havia deixado você ganhar. 

Você parece muito contente com essas coisas que são tão simples. Mas tem horas que eu acho que você também se preocupa demais com tudo. 

Mas sabe o que eu sinto? Você é feliz com pequenas coisas, mas ainda não confia plenamente em mim. Eu não sei o que você não quer me dizer, mas eu sempre vou estar aqui pra ouvir você. Hyung, eu nunca vou te julgar, nem nada. Eu posso até não saber ajudar, mas sempre vou te ouvir e te entender.

Você pode confiar em mim?  Se sim, venha até a varanda. Estou esperando.

 

Mingyu "

Jeon Wonwoo era uma confusão de sentimentos positivos agora. Sentia que poderia transbordar a qualquer segundo. Tirou a maioria das estrelinhas de sua camiseta, colocando elas sobre a carta de Mingyu. Pegou as flores e se dirigiu a pequena varanda do apartamento. Antes de empurrar as cortinas e passar pelas portas, notou que as cadeiras da varanda estavam encostadas ali perto. O que será que o mais novo poderia ter aprontado?

Assim que abriu a porta, sentiu que seu coração iria explodir. Haviam algumas almofadas coloridas no chão, pisca-piscas pendurados pelo teto, algumas estrelinhas douradas em cima de uma mesinha que tinha ali, junto com uma xícara de café e um Mingyu, usando uma camiseta azul escura e uma calça jeans dobrada até o meio da perna, distraído com um violão. Só recebeu a atenção do mais novo quando a porta fez barulho ao ser encostada. 

 

Ambos sorriram.

 

Mingyu se levantou e foi em direção ao outro. Ficou feliz em ver que o hyung foi corajoso o suficiente para confiar em si. E agora ele receberia seu prêmio. Abraçou cuidadosamente Wonwoo, para que não amassasse as flores. E, no fundo, também era porque tinha medo de quebra-lo com o mínimo toque.

Jeon começou a rir ainda dentro dos braços do mais novo. Se soltaram e Mingyu deixou um beijo na testa do outro. Já tinha esse hábito fazia alguns meses, mas o mais velho sempre ficava sem graça. Era um gesto protetor, o mais alto o praticava por instinto. Olharam nos olhos um do outro, muita coisa poderia ser entendida apenas com aquilo. 

- Obrigado por confiar me mim, hyung. 

- Eu ainda não estou entendendo nada...

- Vamos sentar primeiro e aí eu conto tudo. - Mingyu disse, conduzindo o outro para as almofadas no chão. Ficaram um de frente para o outro, o mais alto próximo a mesa e Wonwoo com as costas apoiadas na grade da varanda. - Quer mais chá? Jihoon fez bastante. - o mais velho aceitou e Mingyu levantou para buscar.

O outro ficou ali pensando, enquanto, ainda sentado de pernas cruzadas, tentava tocar com a ponta dos dedos uma luzinha que estava mais baixa. Kim estava prestes a passar pela porta quando presenciou a cena. O sol estava perto de se por, a luz batendo contra o corpo de Jeon, que tinha um sorriso nos lábios e as flores no colo enquanto esticava os dedos para tocar a pequena lampada. 

 

Ele era precioso demais para esse mundo sujo.

 

Não soube quanto tempo ficou ali observando, mas gostaria de ficar para sempre. Tentava deixar registrado em sua memória aquele pequeno momento de descontração do outro, era bonito demais para não ser lembrado todos os dias. Foi tirado de seus pensamentos quando ouviu a risada de Wonwoo.

- Tá rindo do que? - perguntou.

- De você. - Mingyu estendeu o copo de chá e ele aceitou. 

Mingyu voltou a se sentar, ao lado da mesa. Pegou sua xícara e bebeu um pouco de seu café, ainda quente. Pensava em como tocar naquele assunto, sem ser de forma muito brusca.

- Olha hyung, - começou, recebendo a atenção do amigo, que bebia o chá. - eu não sei muito bem como dizer isso, mas vou tentar ser direto. Os meninos vieram aqui hoje, e Wenhan disse que você não estava bem. - Mingyu tentava falar calmamente, mas mesmo assim o corpo de Wonwoo começava a tremer. - Ele não me contou direito o que aconteceu, porque ele também não sabia direito. Eu não quero que você se sinta forçado a falar ou a me explicar qualquer coisa. Mas eu quero muito que confie em mim. Que me conte tudo o que te assusta, tudo o que você gostaria de fazer, tudo o que você já fez. Faça isso sem medo, eu quero ser seu porto seguro. Você é especial demais para mim, se não percebeu ainda.

Wonwoo já sentia as lágrimas quentes rolando pelo rosto. Ele não sabia o que dizer, nem saberia como agradecer ao outro por aquilo. Às vezes, precisava sentir que era importante pra alguém. Deixou o copo no chão e as flores de lado, se arrastou entre as almofadas até alcançar o corpo forte de Mingyu. O mais novo apenas envolveu o outro com os braços, deixando que ele ficasse em seu colo, com a cabeça em seu peito, molhando a camiseta com as lágrimas grossas.

- G-Gyu... eu-u... - tentava dizer, mas não conseguia formar uma frase concreta.

- Calma hyung, não precisa falar nada agora. - Mingyu disse levantando o rosto dele. Limpou as lágrimas e sorriu. Ajeitou Wonwoo sobre seu colo de maneira confortável, o deixando sentando de lado sobre suas pernas, com a cabeça apoiada em seu ombro.

Jeon estava um pouco envergonhado pela situação que se encontrava com Mingyu, sentindo os braços dele envolverem sua cintura. Nunca haviam ficado tão próximos daquela forma, mas algo dentro deles fazia parecer natural, assim como no dia em que se conheceram. Depois de alguns minutos, já havia parado de chorar e resolver falar algumas coisas para o outro.

- Quando eu era criança - riu um pouco. - eu costumava comer terra. E uma vez eu engoli uma minhoca, minha mãe quase morreu do coração. Eu também já colei chiclete no cabelo cabelo de um menino que ficava zombando de mim na escola. E prendi a fita do vestido de uma moça da igreja no banco. - Wonwoo já não se aguentava e ria até pequenas lágrimas se formarem em seus olhos.

O mais novo ria também, nunca iria imaginar que o hyung fosse tão pestinha. 

- Ah, eu já participei de um coral quando era criança. Eu queria ser escoteiro também. - Wonwoo continuava contando coisas aleatórias que se lembrava. - E minha mãe havia me colocado numa escola de música perto de casa, eu aprendi a tocar bateria, mas meu sonho sempre foi tocar violão.

- Nossa hyung, que legal. - Mingyu estava impressionado com aquilo, o outro estava se abrindo com ele. - Quando eu era criança, eu ficava tentando subir em árvores, tanto que eu quebrei  braço umas duas vezes por causa disso. - coçou a cabeça, pensando em como era uma criança doidinha. - Ah, eu também ficava pegando insetos na rua pra assustar as meninas da minha sala, elas eram muito frescas. Eu sempre quis tocar violoncelo, mas não consegui nem aprender a tocar flauta.

 

E os dois gargalharam.

 

Mingyu se perdeu em memórias. Contou tudo o que se lembrava, assim como Wonwoo. Contavam coisas engraçadas e outras bem bizarras, e antes que pudessem notar, o sol estava se pondo no horizonte.

- ... então a gente saiu correndo, e o cara saiu atrás da gente. E o pior é que o Jun virava às vezes pra tacar mais balões d'água no cara e acertava as pessoas que passavam na rua. Aí a gente correu até um prédio abandonado e ficamos escondidos lá umas duas horas até ter certeza que não tinha mais ninguém procurando por nós.  - o mais novo contava como havia conhecido Seungcheol e Junhui. O menor não aguentava mais, estava com os músculos do abdômen doloridos de tanto rir.

- Ai meu Deus - se abanava com as mãos, já estava sem ar e continuava rindo.

- E teve uma vez q- Ai - Mingyu havia começado a falar e acidentalmente tocou o violão que estava ao lado, fazendo ele cair e o braço bater em sua cabeça. Se lembou que ainda não havia feito a surpresa de verdade para Wonwoo. - Ah é, hyung, esqueci da sua surpresa especial por ter confiado em mim.

- Surpresa? -questionou enquanto via o mais novo acariciar onde o instrumento havia acertado.

Saiu do colo de Mingyu para que ele pudesse pegar o violão, voltou a sua almofada, que estava ao lado do copo de chá, agora já não tão gelado. Viu o outro posicionar o violão perto do corpo, arranhando um pouco a garganta, antes de começar a falar.

- Eu pedi pro Jihoon me ensinar a tocar faz alguns meses. Eu queria tocar algo especial pra você, mas não achei nenhuma música que fosse boa o suficiente. - dizia, dedilhando o vilão levemente e ajustando as cordas. - Espero que não ria disso, mas fui eu mesmo que compus e o Jihoon me ajudou. E é tudo o que eu sinto sobre você.

- Você fez uma música...pra mim? - Jeon sorria maravilhado.

Mingyu sorriu, sentindo a ponta dos dedos formigarem pelo nervosismo. Suspirou algumas vezes, até tomar coragem suficiente pra começar a tocar uma batida leve e cantar.

 

"Tenho muita coisa para dizer

Mas eu não consigo dizer

Me ajude, socorro

Um, dois, três, quatro"

 

Mal havia começado e Wonwoo já sentia o coração bater na garganta, em expectativa. O ritmo divertido que o outro tocava e cantava fazia um belo sorriso brilhar em seu rosto.

 

"O que eu posso dizer

Para você saber como me sinto?

Eu deveria tirar meu coração

E copiar e colá-lo?

Um belo dia qualquer

Você veio até mim de algum lugar

Você fez meu coração se embriagar de você e me fez olhar

Você é tão orgulhoso

O que eu quero dizer é:"

 

E a cada palavra cantada, era um pequeno peso tirado do coração de ambos. Mingyu, por finalmente poder estar podendo se confessar, mesmo que por uma música. Wonwoo, por finalmente saber que não era um nada para o outro. Que tinha uma importância em sua vida.

 

"Não entenda errado

Mas não posso ver ninguém além de você

Você é tão frio, frio, baby

Ao mesmo tempo você me faz derreter

Apenas consigo suficiente

Eu quero te mostrar tudo

Sobre mim mesmo"

 

Aos poucos, a ficha de Wonwoo ia caindo. Aquela música parecia mesmo ter sido feita baseada nos poucos meses que haviam vividos juntos. Olhava para o outro sem saber direito o que estava sentindo naquele momento.

 

"Nós escolhemos um ao outro

E focamos em nossa nano-medida

Eu fico sem fôlego sempre que te vejo

Eu normalmente não sou assim"

 

Mingyu ainda não consegui acreditar que havia feito aquilo, que estava fazendo aquilo! Não conseguia desviar os olhos do violão por medo de errar alguma nota, mas sabia que estava sendo observado pelo mais velho. E sentia o rosto queimar em brasas por conta disso.

 

"Eu quero juntar todas as palavras bonitas

E dizer elas para você

Mas quando estou na sua frente, não parece que eu posso dizê-las

Eu poderia tomar água no meio da noite

Enquanto prometo a mim mesmo isso

Eu queria dizer as palavras que estão na ponta da minha língua

Eu vou dizê-las certamente amanhã:

Você é bonito!"

 

Esses versos definiam tudo o que Mingyu havia prendido dentro de si, desde que percebeu que havia algo diferente na forma que olhava para Wonwoo. Era um sentimento que fazia seu interior borbulhar de ansiedade, mas ao mesmo tempo de medo por não saber como ele se sentiria com aquilo.

 

"Remédio para a gripe

Comida para a fome

Você para mim

É isso que deveria ter no dicionário

Eu deveria ser o que define você

Mas o que é isso que posso fazer hoje?

Eu deveria pesquisar na Internet

Quais roupas vestir e onde nós devíamos ir?

Eu deveria ter estudado mais"

 

Jeon riu um pouco com a nova parte cantada na música. O coração estava aquecido com todos aqueles versos direcionados unicamente para si. Cada detalhe da música o fazia pensar nas coisas que já haviam feito. Mingyu se esforçava tanto assim para saber aonde leva-lo a cada passeio?

 

"Nós escolhemos um ao outro

E focamos em nossa nano-medida

Eu fico sem fôlego sempre que te vejo

Eu normalmente não sou assim"

 

Os segundos se passavam e Mingyu se sentia mais relaxado. Estava confiante, olhou rapidamente para o amigo, e viu seus olhos brilhando, junto com o sorriso mais fofo que já havia visto.

 

"Eu quero juntar todas as palavras bonitas

E dizer elas para você

Mas quando estou na sua frente, não parece que eu posso dizê-las

Eu poderia tomar água no meio da noite

Enquanto prometo a mim mesmo isso

Eu queria dizer as palavras que estão na ponta da minha língua

Eu vou dizê-las certamente amanhã:

Você é bonito!"

 

Não havia mais o que temer. Tudo estava claro, na verdade, sempre esteve. Mas os dois estavam agarrados aos seus próprios medos para notar.

 

"Eu não posso aguentar mais

Tem algo que quero dizer

Eu não posso aguentar mais

Eu estou tentando dizer agora

Eu não posso aguentar mais

Eu tentei escrever numa carta

Eu não posso aguentar mais

Não posso esconder"

 

Respirou fundo, pronto para cantar as últimas partes da música. Jeon estava admirado com toda aquela dedicação. Todas as coisas que não foram ditas em sua carta, estavam sendo cantadas agora.

 

"Baby, você é meu garoto

Eu estava correndo para seu coração

Baby, eu estou quase lá

Ha ha"

 

Era possível ouvir alguns passos pelo apartamento, mas os dois estavam tão perdidos ali. Nenhum dos dois viu que agora eram observados pelo casal de amigos, que estavam com a cara quase colada na porta de vidro. Seungcheol segurava a cortinha, de modo que não ficasse tão óbvio que Jihoon estava com uma câmera, filmando o que ocorria.

 

"Eu poderia tomar água no meio da noite

Enquanto prometo a mim mesmo isso

Eu queria dizer aquelas palavras que são doces e bonitas como um roteiro de filme

Aquelas são palavras que eu queria praticar por dias e noites

Eu irei fechar meus punhos

E dizer para você amanhã que

Você é bonito!"

 

Já estava começando a escurecer. Apenas os pisca-piscas e o pouca luz dos postes da rua que alcançavam, iluminando um pouco o local. Mingyu não conseguia enxergar direito, mas o rosto de Wonwoo estava bem rosado, e nos cantos dos olhos era possível ver algumas lágrimas, de felicidade,  brilhando. 

 

"Será que ele me ama? Será que ele não me ama?

Todo dia estou contando as pétalas das flores

Será que ele me ama? Será que ele não me ama?

O que as pétalas das flores irão dizer para mim?"

 

E os acordes pararam de ser ouvidos, o violão foi deixado de lado. Mingyu ofegava um pouco, havia sido difícil tocar, cantar e prestar atenção em Jeon. Mas achou que falhou um pouco na última tarefa, pois só notou que o outro estava chorando quando o ouviu fungar. Entrou em desespero, será que Wonwoo não havia gostado de tudo aquilo?

- Ai meus Deus. Hyung, você não gostou? - estava desesperado de verdade, sentia o coração pulsar nos ouvidos, até ouvir uma risada do outro, acabando de ficar sem entender nada. - Meu Deus, você deve estar achando que eu sou um trouxa. - e Wonwoo ria mais.

- Gyu, cala a boca. 

- Como eu fui trouxa... nossa, você nunca mais vai olhar na minha cara. - não aguentou e começou com o drama. - Eu vou viver sozinho, sem amigos, e com 27 gatos. 

- Gyu, eu adorei. Cala a boca. - o mais velho já estava recuperado da crise de risos. 

- Você riu, não precisa me enganar não. Eu sei que vou ser um cara de 70 anos que nunca teve um namorado e que vai morrer sozinho. - já estava começando a se conformar com a ideia, e pensava  nos nomes que poderia colocar nos gatos, com a cabeça apoiada na mão direita, amassando a bochecha, enquanto olhava para o nada.

- Kim Mingyu, olha pra mim. - Jeon se aproximou, engatinhando pelas almofadas, parando em frente ao outro. - Olha pra mim. - fez manha e levantou o rosto do outro com as mãos, olhando em seus olhos. - Nunca ninguém fez algo tão bonito pra mim ou por mim, eu estava chorando de felicidade e rindo de alegria. Pare de ser dramático, tá parecendo o Kwan.

 

Os dois riram.

 

Estavam tão próximos.

 

Mingyu olhava a beleza daquele ser de perto, enquanto ele ria com os olhos estreitos. Wonwoo era diferente, de um jeito maravilhoso, em todos os sentidos. Talvez fosse isso que o atraia tanto. Seu hyung abriu os olhos, e ambos se encararam enquanto sorriam. 

- Hyung, eu adoro você e quero muito te beijar agora...- saiu em forma de sussurou de seus lábios.

- Gyu, o q-... - não consegui terminar a frase, Wonwoo sentiu os lábios do amigo sobre os seus.

O contato durou poucos segundos, e foi rompido quando ambos se assustaram com gritos. Se afastaram bruscamente, olhando na direção do casal de amigos, que gritava e pulava, enquanto Jihoon desligava a câmera. Mingyu parou e pensou: A quanto tempo estavam sendo observados? E antes que pudesse expressar o pensamento em palavras, foi cortado por Seungcheol.

- Não acredito que conseguiu. - o mais velho falava alto, seu namorado já havia parado de pular e foi apertar as bochechas de Jeon, o parabenizando. - Vem cá cara, to orgulhoso de você. Jihoon, criamos um filho incrível - dizia ao namorado, fingindo que chorava de emoção.

- Meu Deus, para de falar que o Mingyu é nosso filho. - Jihoon se levantou e foi em direção a porta. - Eu moro com duas pessoas que só sabem fazer drama. Três, se contar com o Jun quando um dos meninos não faz o que ele quer. - puxou Cheol pela mão, enquanto ele ainda fingia que chorava. - Vamos amor. Deixa eles aproveitarem agora.

O casal mais velho saiu, deixando os dois sozinhos novamente. Mingyu estendeu os braços, puxando o corpo do outro pra perto de si novamente e tombou para a sua direita, fazendo ambos caírem por cima das almofadas no chão. Ajeitou o corpo do outro colado ao seu, vendo as bochechas ficarem mais vivas. Achava graça, Wonwoo ficava sem graça com qualquer coisa.

- Hyung, não precisa ter vergonha de mim. Eu gosto de você, você de mim, eu acho. Tem que se acostumar com isso, vou ficar ainda mais pegajoso agora. - fez um carinho leve na bochecha do mais velho.

- Gyu, pode fechar os olhos?

- Claro que posso.

Wonwoo viu o outro fechar os olhos e sorrir. Mingyu era bem mais do que ele poderia esperar de qualquer pessoa. Sentia que poderia passar o resto da vida apenas ali, observando aquele sorriso bobo, sem pretensão. Mas tinha que agir rápido, o mais novo já havia feito a parte dele, era hora de fazer a sua.

- Gyu, eu também gosto de você. - antes de qualquer reação, Wonwoo já havia selado os lábios de Mingyu com os seus. Passou a mão direita pelo pescoço dele, sentido sua mão parar em sua cintura. Sentiu também o aperto que o outro deu ali, o fazendo arfar e dando espaço pro mais novo aprofundar o beijo. 

E passaram o resto da noite ali. Deitados no chão, enquanto divagavam sobre qualquer coisa, entre um beijo e outro. Enquanto observavam as luzinhas acesas, sentindo os próprios coração acesos com os sentimentos  correspondidos, com os carinhos trocados e as risadas leves que saim por qualquer coisa boba.

Se naquela tarde Wonwoo se sentia completo de felicidade, a noite já sentia que aquela alegria havia transbordado.

 

Mingyu o fazia transbordar.


Notas Finais


Saiu MUITO grande. Perdoem.
Eu me desanimei com muita coisa esses dias, então quando a inspiração chegava, eu escrevia até dizer chega. Mas acho que esse final tá bem bosta.
Eu ainda to meio na bad, não to muito bem sabendo que o Taeyang não vai poder promover com os outros meninos. Meu babyboy </3 espero que o solzinho melhore logo. E, sendo YG Stan, no meio na bad por conta do Taehyun tbm.
É sofrido esses negócios de problema psicológico e essas coisas. Viram o sofrimento do Wonu na fic, né? Pois é.
Enfim, até logo. Revisei por cima, depois eu volto pra arrumar os erros.
E SIM, VAI TER O ZHOUMI SIM. Depois que eu vi a foto dele no carro com o Hao, eu tive muitas ideias :v

P.S: EU ESCOLHO AS MÚSICAS NA CAGADA, E PRETTY U COMBINOU POR ACIDENTE.


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