História Maçãs & Carmesim - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Bts, Caçadores, Romance, Sobrenatural, Vampiros, Vingança
Exibições 40
Palavras 2.520
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Harem, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Mais um capítulo!

Capítulo 3 - Medo


"O turbilhão de pensamentos inundava minha sanidade"

Aquilo era tão surreal, rápido demais para meu cérebro processar. Porém o homem a minha frente parecia não ter problemas em manter-se sóbrio.
— Sue — escutei papai me chamar, infelizmente sua voz não se sobressaiu pelo medo que deixava-me surda — Sue! — com maior pressa chamou-me, aos poucos sua calmaria ia esvaindo-se, era compreensível, nem mesmo ele poderia aguentar tamanha pressão — Filha, vá com JungKook e Hyeon para o porão, se escondam, e não saiam de lá até escutar o silêncio!
Ele olhava em meus olhos, consegui ver por uma fração de segundos um brilho de medo em suas pupilas. Seu temor não era de morrer, mas sim que eu ou sua amada esposa viessem a se ferir. Ele morreria por nós.
Os caçadores tinham um bordão: "O amor é uma fraqueza". Mas, por algum motivo, eu sentia que papai não o seguia.
Por isso nossa família tinha o próprio lema que era "O amor é a força".
— Papai — eu não podia segurá-lo por muito tempo, o desastre se alastrava, os caçadores tentavam unidos impedir que as bestas invadissem por completo o acampamento — Você vai pegar a mamãe e juntos vão para o porão também, não é?
Ele me olhou diferente, era como se quisesse pedir desculpa.
Papai não respondeu minha pergunta, simplesmente pegou meu rosto pequeno com suas duas mãos cobertas por uma luva de couro.
— Sue — Eu não tinha certeza se queria escutar o que ele tinha a dizer. Eu só queria que de seus lábios saísse um "Sim" para minha pergunta — Nós sempre nos encontraremos no final, eu prometo! — Mas ele não disse, até porque não poderia. Eu queria meu pai e minha mãe comigo, seguros e juntos, mas com essa vida de líderes que ambos levam eu já deveria saber que a segurança dos membros da Associação vinha antes da minha felicidade. Pai, porque não podemos ser só mais uma família da pequena vila de Lavos?
Eu só estava pesando mais em seu cálice já transbordante. Ele só queria lutar, porém não era o que eu desejava.
Desculpe-me, papai, mas não estou pronta para aceitar a chance de nunca mais vê-lo.
— Me prometa que você e a mamãe vão para o porão!
Meus olhos ardiam pelas lágrimas, meu coração queimava pelo desespero, minhas mãos só sabiam tremer pelo algoz.
Ele não prometeu, porque não prometia? Era tão difícil dar esperança a sua filha?
Só o via impaciente olhando de relance para os lados. Seus companheiros não estavam lidando muito bem com as coisas, mais vampiros surgiam das sombras ocultas da floresta, eles eram muitos.
— Nós sempre estaremos com você, Sue!
Papai colocou em mim um colar prateado, era seu medalhão da sorte, estava gravado nele o brasão da Associação — uma rosa sangrenta envolta por uma fita — Mas eu sabia que se abrisse aquele pingente em formato circular lá encontraria uma foto nossa. Nós éramos sua sorte. Eu sabia o quão especial aquele colar era para meu pai, sentia-me tão honrada por agora chama-lo de "meu" que não era possível sequer expressar.
Mas aquele colar ainda não era a vida de meus pais.
— Prometa que irão para o porão — disse agarrada ao pingente.
Ele suspirou, vi uma névoa sair de sua boca e se desfazer no espaço em milésimos.
— Eu prometo — disse por fim.
— Palavra de caçador? — Eu sabia que se ele jurasse pela Associação poderia confiar.
— Não — ele sorriu. O peso de um ponto de interrogação pairava sobre minha cabeça — Palavra de pai.
Mas jurar por nossos laços era um elo ainda maior. Nunca o vi quebrar uma promessa, então esta não seria a primeira. Se tinha uma coisa que ele era bom era em sobreviver.
— Agora vá! Corra! Estarei lá daqui a pouco!
Não fiz questão de um abraço final, sabia que não seria a última vez que nos veríamos. Nos segundos seguintes só fiz correr para atrás da casa, tínhamos um velho porão em baixo da morada.
No meio da rota encontrei JungKook e Hyeon, aparentemente estavam indo para o mesmo lugar. Conhecia JungKook muito bem para saber que estava procurando abrigo a contra gosto, ele adoraria participar da peleja — seria hora de provar o que aprendera na sala de treinamento com bonetos robóticos — Mas também o conhecia para saber que a segurança de sua frágil irmã estava em primeiro lugar, com certeza nem precisou de um pedido dos pais para escoltá-la, era o escudeiro de uma pequena princesa. Para JungKook a possibilidade de perder Hyeon era como se perder, se algo acontecesse com a morena com toda certeza se culparia até que a morte o levasse — se é que ele não a procuraria.
— Graças a Deus está bem, Sue — ele parecia aliviado, JungKook se preocupava comigo, embora em escala totalmente inferior a Hyeon — Vem, precisamos chegar a um lugar seguro.
Sua intenção era pegar minha mão, mas a pressa fez com que agarrasse meu pulso.
Os disparos de bala eram tão ensurdecedores e ocorriam tantas vezes que poderíamos supor que nada estava bem.
O medo subiu minha espinha e fez os pelos de minha nuca se arrepiarem. Tantas imagens tenebrosas do corpo dos meus pais jogados por sobre a neve ensanguentada. Cerrei os olhos em uma tentavia falha de conter minha imaginação que só doava-me cenas de terror.
Os "e se" negativos estrangulavam minha sanidade.
Não! Ele é um sobrevivente!
— Mais rápido, Sue! — alertou JungKook ao ver que gradualmente eu parava tanto no tempo quanto em meus passos.
Olhei para minha mão vazia e percebi algo errado.
— Espere! Eu perdi minha maçã, não posso ir embora sem ela!
Desvencilhei-me do menino e fui a busca, bom, eu iria se JungKook não tivesse tomado novamente meu pulso.
— Esquece isso, Sue, precisamos chegar no porão — ele tentava manter a voz calma, talvez para que Hyeon acreditasse que estava tudo bem.
Ah, JungKook... Hyeon é inocente, não cega. Você acha mesmo que ela pensou que aquelas pessoas caindo ao chão era só uma partida realista de morto e vivo?
— Mas eu preciso dela!
— NÃO VAI PRECISAR SE ESTIVER MORTA! — ele gritou, não para que sua voz se sobressaísse por sobre o barulho, mas sim porque já estava em sua cota de estresse.
Eu estava atrasando sua missão de colocar Hyeon em segurança. Por Deus, como eu era egoísta!
Aquela maçã não passaria de um símbolo quando mamãe e papai entrassem no porão. Achariamos outra juntos, aquela fruta era substituível, nossas vidas não. Eu estava tão preocupada em ter meus pais seguros no abrigo ao ponto de não associar que para que nosso reencontro acontecesse eu também deveria estar viva.
Tornei a meus passos rápidos e logo chegamos ao local. JungKook retirou a neve que cobria a porta dupla e a abriu. A primeira a entrar foi Hyeon, lógico, eu entrei em seguia, mas quando chegou a vez de JungKook algo o puxou para fora.
Era uma besta horrenda. Minha boca se abriu em um "O" perfeito, todavia Jeon era Jeon, ele no máximo preocupou-se com o que a irmã estava presenciando.
Se eu pudesse descrever a situação em apenas uma palavra esta certamente seria "terror". Sim, nunca duvidei da capacidade do garoto, mas não pude deixar de temer o pior, afinal, o vampiro parecia disposto a sugar todo o sangue até ver a alma sair do corpo. Eu temia, realmente temia.
Vi JungKook tirar do bolso uma faca, ele tinha certa agilidade com lâminas, isso acrescentou em minha fé.
— O que faz aí, idiota? Entre logo! — gritou sem desviar sua atenção do mostro, pergunto-me se alguma vez já observei um JungKook tão centrado — Proteja Hyeon!
Minha ficha caiu. Todo seu esforço seria em vão caso por minha culpa Hyeon se machucasse. Eu faria o que estivesse a meu alcance, e o que podia fazer era só fechar o porão e a abraçar enquanto ela molhasse meu casaco com suas lágrimas de desespero.
Foi o que fiz. Levei Hyeon para um canto qualquer do cômodo, a acolhi em meus braços, ela enterrou sua cabeça em meu peito. Ela não chorou, nem uma lágrima sequer, mas pude sentir sua respiração pesada.
— Pode chorar se quiser, alivia a alma — eu nunca fui boa em conselhos ou consolações, o que faria se tivesse que explicar que JungKook foi devorado por uma besta sanguessuga? Eu não poderia com o peso de minhas palavra, tão pouco Hyeon.
Por Deus, Sue, o que você está pensando? Jeon vai aparecer vivo, seguro e se gabando até não poder mais!
Ele tem que voltar...
— Não — respondeu afastando-se um pouco, eram centímetros que no momento mais parecia um abismo. Não é como se ela desejasse me repelir, mas tampouco entendi porque deixou meu afago — JungKook disse que garotas ficam feias chorando  — Por que me surpreendi? Essa frase é muito a cara dele... Era como se pudesse escutá-lo a proferindo. Acho que deixei um sorriso novo escapar, e tenho que confessar que nem pensei em o conter — Como vou achar um marido se for feia?
Não explodi em gargalhadas, mas foi impossível manter oculta uma risada tímida. Era de certa forma cômico, uma menina de cinco anos já preocupada com casamento — "Mas quem é você para julgar, Sue? Não é como se fosse uma mulher madura que nunca imaginou-se em um vestido branco.", a voz da consciência era atormentante.
Hyeon provavelmente era a única nascida em berço caçador que possuía meu maior anseio: escolha.
O senhor e a senhora Jeon não deram isso ao JungKook, todavia não o imagino cumprindo outro destino, ele nasceu para ser um membro ativo da Associação. Porém, com Hyeon não foi assim — os pais caçadores não podem desenvolver apego a nada já que a qualquer momento podem perder tudo que amam — O senhor Jeon recusou-se a perder ambos os filhos, queria manter segura pelo menos Hyeon, então deu a oportunidade da pequena recusar sua predestinação.
Quão boa era sua vida? Ter liberdade para decidir o que quer, onde ir, o que fazer. Isso era algo que eu — ou qualquer outro na mesma situação — jamais teria o prazer de provar, mas por algum motivo sinto como se só eu me importasse com isso, os demais pareciam no mínimo conformados com a falta de possibilidades.
Livre arbítrio? Isso é uma piada que perfura todos os corações de vida traçada.
Hyeon, no futuro, viveria meu sonho: Se mudar aos dezoito anos para a cidade vizinha, Seguon, onde as quatro estações eram muito bem situadas ao decorrer dos meses. Casaria com um comerciante que teria uma pequena loja de sapatos no centro na cidade e ajudaria como consultora das clientes e por vezes organizaria o estoque, pois provavelmente o marido não seria lá muito apto para tal questão. Teria dois filhos, Mi Cha e Jiwoo, que frequentariam a escola arduamente para assim terem a opção de um futuro ainda mais seguro que de seus progenitores.
Claro, não poderia faltar o mascote da família, Lenny, a poodle.
Todo feriado iríam juntos ao parque Central fazer piquenique acompanhados das demais famílias, e aos finais de semana os homens da cuidariam da horta enquanto as mulheres ficariam com o canteiro de rosas cituado bem a frente de sua modesta casa branca.
Tudo bem, tudo bem. Talvez eu esteja... Exagerando.
Tudo isso programei aos oito anos quando minha tia voltou de Seguon contando maravilhas do lugar. Apartir daí decidi que teria essa vida, só não esperava que minhas aspirações seriam destruídas tão bruscamente quando meu pai — como presente de aniversário de nove anos — levaria-me a sede da Associação para testar meu arco e flecha. O que fiz? Forcei um sorriso e comecei meu projeto "Aceita que dói menos".
— Verdade — percebi que já estava a muito tempo presa em minhas lamentações — Esqueci que você quer casar logo.
Ela assentiu com um sorriso estonteante. Gostaria de ter a capacidade de sorrir verdadeiramente, mas lembrar que lá fora estão correndo perigo tanto meus pais como meu melhor amigo... É impossível.
Quão inútil eu podia ser? Eles estão me protegendo, pondo suas vidas em risco, e eu o melhor que posso fazer é entreter uma menina de cinco anos.
O ódio que sinto pela situação se tornou nulo quando tomei consciência da raiva que possuía por Park Sue.
— Por que está chorando, Sae? — Hyeon nunca pronunciou meu nome certo, todavia aquilo nunca me importou — Eu já disse, garotas que choram são feias, acha que o JungKook vai se casar com uma menina feia?
Meu rosto ficou vermelho, meu rosto estava queimando. Eu corei tão fortemente que nem precisava de um reflexo perfeito em um espelho polido para ter essa certeza.
— E-Eu não-o — o nervosismo tomava conta até de minha voz. Respira, calma, Sue, ela é só uma pirralha de cinco anos que nem sabe o que fala.
— Eu sabia! — comemorou levantando-se e fazendo algo que seria uma dancinha da vitória — Você gosta mesmo do meu irmão! — a medida que ela ria mais minha face se avermelhava. Droga, poderia fritar um ovo no meu rosto — JungKook e Sae vão se casar! JungKook e Sae vão se casar! — cantarolava tão nitidamente feliz que mal pude pedir que parasse, assim as bestas descobririam nosso esconderijo. Mentira. Eu só não aguentava mais aquela situação embaraçosa — Posso te chamar de cunhada?
Eu assenti.
Eu.
Assenti.
Eu... Assenti?
POR QUE DIABOS EU ASSENTI?! SUE, O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA, IDIOTA?
— Fico feliz — hã? — Proteja meu irmão, ponha juízo naquela cabeça dura dele, ele precisa pensar em algo que não seja vampiros. Promete que o fará feliz?
Quantas promessas faria hoje, Deus?
Os olhos azuis extremamente claros de Hyeon brilhavam em ansiedade.
Tudo aconteceu muito rápido dali em diante. A porta foi aberta, revelando uma silhueta que não pude identificar, meu coração batia tão rapidamente ao ponto de pensar que este pararia.
Não sabia ao certo se sentia medo ou curiosidade daquele ser — talvez os dois — Hyeon já se encontrava em meus braços mais uma vez, ela tremia, e eu sabia que não era de frio.
A pessoa ou criatura vinha em nossa direção. Haviam três opções para sua identidade: Papai, JungKook ou um vampiro. Ao pensar na última alternativa uma arrepio subiu-me a espinha e me fez apertar ainda mais Hyeon contra meu peito — no fundo eu queria mais me sentir protegida do que acolhe-la.
Dizem que quando estamos prestes a morrer vemos uma sequência de cenas da nossa vida. Bom, ou isso era uma mentira — já que a única coisa a qual via eram possibilidades de morte — ou de fato essa não seria minha hora de partir.
Minha mente enlouquecia, meu coração descompassado estava, o turbilhão de pensamentos inundava minha sanidade.
Simplesmente fechei os olhos e torci para o melhor.
Eu era patética.


Notas Finais


Espero que tenha ficado legal :3


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