História Maçãs & Carmesim - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Bts, Caçadores, Romance, Sobrenatural, Vampiros, Vingança
Exibições 39
Palavras 3.495
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Harem, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Mais um capítulo, por favor votem e comentem! Quero saber se estão gostando! Críticas e sugestões também são bem vindas, tá? Kkkk

Capítulo 5 - Caçadora


" O vento estava ainda mais frio naquela manhã, chegava a congelar os sentimentos, minhas lágrimas eram de gelo. "

Eu odiava o escuro, não, não me refiro a falta de luz física. Somente temia aquelas mãos negras que surgiam das trevas de incerteza, estas habitavam meu coração e provavelmente corromperiam meu anjo interior ao passar das decepções.
Era um fato, eu nunca fui uma criança pura, então uma adulta emanada de tristezas me aguardaria no futuro.
O porão era uma representação de nosso estado emocional, solitário e deprimente. Podia jurar que das paredes susurravam pedidos de socorro, provavelmente das almas que aqui morreram, ou somente minha imaginação conturbada.
Felizmente eu consegui dormir, e por mais que não tivesse uma ideia exata do tempo sentia o peso de prováveis olheiras.
— Sue — quem me chamava era JungKook, ele sacudia levemente meus ombros — Sue — ele insistia contra minha sonolência — Precisamos ir!
Aos poucos fui recobrando os sentidos e assim suas palavras foram fazendo sentido.
— Hã? — massageava as pálpebras em uma tentativa de espantar o cansaço.
A medida que tudo ficava mais claro fui recordando da lamentável situação em que estávamos.
Eu não escutava nada, mas infelizmente não podia dizer com certeza se isso era bom ou ruim. Evidentemente a guerra sob nossa cabeças havia chegado a um fim, porém o medo de não contemplar nossa vitória fazia meu coração bater em desespero.
Era egoísmo demais querer voltar a dormir? Naquele tempo —indeterminado — tive o que podemos denominar paz, ou pelo menos ausência de medo. Eu não queria acordar para esse realidade.
Era horrível demais pensar que agora eu estava sozinha no mundo, jogada em uma sociedade que sufocar-me-ia com seus costumes mórbidos e leis não escritas. Sim, eu podia estar sozinha, e ao invés de chorar pela perda de meus pais estava os culpando por me abandonaram... Eu tinha um mau gênio.
Jeon aparentemente cansou de trazer-me a razão e passou a acordar Hyeon, a pequena estava sonolenta, mas não desobedeceu aos pedidos do irmão para que se levantasse.
O mais velho tomou seu casaco e o vestiu, ele parecia ter pressa, eu igualmente ansiava por uma resposta por mais dolorosa que fosse a visão. Mentirosa. Eu preferiria mofar neste porão à nunca mais sentir os batimentos cardíacos de meus progenitores.
Eu não era corajosa o suficiente para encarar a crueldade desse mundo. Era errado desejar ser cega só para poupar meus sentimentos de imagens dolorosas? Provavelmente sim, mas eu não me importava de ansiar por tais coisas insanas.
Era assim que Park Sue agia, medrosa demais para se quer velar corpos de entes queridos.
Quando dei por mim estava sozinha naquilo que já não era tão escuro, JungKook e Hyeon haviam deixado o local que agora era iluminado pelos poucos raios de luz que entravam pela porta dupla aberta.
Eu era como o sol neste momento, ele estava envergonhado demais para sair detrás das nuvens escuras, e eu, igualmente acanhada para dar as caras a possibilidades desastrosas.
Mas era necessário.
Vamos lá, Sue, um pé atrás do outro, deixe esse porão.
Seria possível que eles ainda estivessem vivos? Eu poderia acreditar na habilidade deles e dos demais caçadores? Eu não sabia de nada, mas precisava segurar-me neste milagre caso quisesse mover minhas pernas. Não foi fácil, como previsto, pois minha marcante falta de otimismo mais uma vez atrapalhou meus passos.
Eu tentava idealizar o sorriso de minha mãe, o afago das mãos do papai em meu cabelo, o calor do abraço de ambos, o estalo que sempre se soltava toda vez que beijam minha bochecha. Só quando tudo isso foi real demais consegui correr, a menina pessimista conseguiu perseguir uma esperança.
Eu corria, como se minha vida dependesse disso, o que era uma verdade.
Eu corria até tropeçar em meus próprios pés, eu corria até meu abdômen clamar de dor, eu caia de medo, mas logo levantava pela fé. Não sabia se corria para ver se meus pais estavam bem, eu só seguia porque tinha medo de ceder a insanidade e enlouquecer para sempre, eu precisava encarar uma verdade que mudaria minha existência.
Meu coração covarde pedia para fugir dali, entrar na floresta, esquecer as instruções de meu pai e ali me perder.
Mas meu cérebro racional adivertia-me para seguir em direção as respostas, negar era pior que ver, eu desencadearia minha loucura de forma ou outra, então que seja pela realidade.
No fundo eu não sabia pelo que corria, meu instinto de sobrevivência era ridicularmente maior que o amor pelos meus pais, eu só queria me proteger de imagens amargas, uma vez vista jamais deletada, não bastaria JungKook dizer-me a situação? Eu não queria, não queria, não queria mesmo ver.
Socorro... Eu... Estou com medo... De novo.
Pai, você está bem, não é? Você prometeu que viria até mim, porque não foi? Se estivesse comigo eu não precisaria ser tão covarde! A culpa é sua por não viver!
Ele não me amava? Definitivamente não, se me amasse teria sobrevivido por mim.
Eu sabia que ele estava morto, não tinha dúvidas, mas aceitar isso era como aceitar que ele não me amou suficiente.
Eu era essa ridícula que precisava culpar os outros para apartar a dor, você pode me julgar? É tão mais fácil assim.
Eu só queria ser como esta neve a qual estou jogada como uma perdedora, pura, sem pensamentos imundos de vítima.
Por que a neve deixa o céu e vem para esta terra? Ela era idiota? Quem deixa um paraíso de nuvens para ser pisoteada por humanos de botas imundas? Ela não tinha escolha, era a ordem de uma natureza injusta. No final eu era esta neve, um simples floco dentre outros milhares, mas que igualmente não escapou de um destino tragicamente sujo. As coisas eram assim, os ventos cantavam, a chuva molhava e a neve caia em desespero, era pra ser assim, e não seria uma menina de dez anos que apontaria os erros.
Eu só sabia que o cheiro de sangue estava ficando forte, era o perfume da perda, um odor infernal que regia meu desespero. A dor só se aproximava, a medida que a essência ia preenchendo minhas narinas só tornava ainda mais real está fatídica realidade. E eu? Tranquei a respiração. Recusava-me a sentir, recusava-me a acreditar. Porém, depois de alguns segundos — prolongados ao máximo — foi impossível não embriagar-me com aquele maldito cheiro que misturava-se ao oxigênio e inundava meus pulmões. Aquilo era digno de ódio, a essência estava dentro de mim, deu-me vontade de arrancar os órgãos só para tornar tudo menos real.
Ao longe podia-se ouvir alguém aos prantos, era Hyeon.
Não havia como negar, era nítido demais para qualquer mentiroso. Isso era tão injusto que dava nojo! Hyeon não devia ser obrigada a passar por isso! Nenhum de nós devia! Éramos crianças, com armas, mas ainda assim crianças!
Eu nem pensei em segurar as lágrimas, por que deveria? Queria mais era chorar, me afogar em minhas próprias lamúrias e morrer sufocada pela tristeza. Só desejava encontrar meus pais em algum lugar celestial — se é que este existia — Ou pelo menos me juntar a terra com eles.
Eu queria fechar os olhos e nunca mais acordar, dormir para sempre... Isso parecia bom, soava bem aos meus ouvidos desesperados.
Não me pergunte porque eu tornei a caminhar, nem eu sei ao certo a razão, simplesmente movia este amontoado de carne e ossos para frente. Eu não era melhor do que qualquer revoada de pássaros que migram ao sul por instinto, talvez eu só quisesse chorar a morte de meus pais no peito de ambos, como todos que estão de luto fazem.
Tinha tanta vida quanto qualquer Bastardo.
Não podia dizer que meu peito doía, porque só sentia o peso de um vazio, um completo infinito de nada. Não que eu não estive triste, eu só estava... Oca.
Sentir o compasso de meu coração era tudo que evidenciava que em mim ainda estava armazenada uma alma — embora no momento eu não daria falta da mesma.
Meus passos eram lentos, não tinha força ou sequer ânimo para correr, eu chegaria lá de qualquer forma, certo? Não havia porque antecipar a dor, ela me esperava, eu sabia.
"Você ainda pode fugir" dizia a Sue covarde.
"Você precisa vê-los, pelo menos" repetia a Sue digna.
"Só siga em frente" falou pausamente outra eu, e foi esta última que resolvi atender.
Não havia cheiro de sangue, nem lágrimas, muito menos vida. Não tinha nada.
Aquele era um velório preparado pela natureza, a neve era o túmulo e os ventos uivantes eram como o padre a reger belas palavras de consolo — que eram mais decoradas do que o hino da Associação.
Eu não sabia o que fazer ou como agir, deveria ser forte ou chorar como uma condenada?
Em meio a tantos cadáveres, sangue, órgãos espalhados e cabeças decepadas consegui identificar um corpo — infelizmente tão inerte quanto os demais.
Seus cabelos negros se destacavam no chão branco, era triste ver sua pele tão pálida, seus lábios que sempre continham um sorriso acolhedor agora estavam rachados e com uma mancha de sangue.
Era tão terrível que meu cérebro não conseguia associar. A aparência de morte estava nítida demais para negar, eu a perdi.
Agora estava ajoelhada ao seu lado, distraia-me ao mexer em sua castaca negra de fios. Ela era tão bela, até mesmo assim, realmente muito linda para qualquer um deste mundo admirar. Tínhamos os mesmo traços, sentia-me orgullhosa disso — embora eu não visse a mesma beleza em nossas semelhanças.
— Hey — chamei-a — Vamos lá, acorde — tentava chacoalha-lá, mexia em seus ombros, fazia de tudo para que abrisse os olhos — Já está tarde, pare de dormir — a motivei — Esta na hora do seu treinamento, sei que não gosta de se atrasar — não pude evitar de sorrir fraco com as vagas  lembranças da mamãe desesperada por perder o horário — Venha, eu te ajudo a levantar! — comecei a fazer círculos na palma de sua mão, ela fazia aquilo para me fazer dormir, sempre funcionava — Hey, acorde — incentivei — Vamos lá, acorde, mamãe — ela não movia um músculo, nem mesmo apertava minha mão. Minha respiração começou a ficar acelerada, podia até mesmo sentir os batimentos descompassados. Estava acontecendo, eu estava caindo, a loucura estava de portas abertas... Você me julga por tocar a campainha? Por favor, compreenda, a insanidade era tão aconchegante — Levanta, acorda, por favor, acorda, acorda, ACORDA! — No fundo eu sabia que ela não me escutava, ao inconcientemente medir seu pulso constantei um óbvio que demoraria a aceitar, talvez nunca acreditasse, aceitar o fardo só o tornava mais pesado, e eu era ótima em fugir — EU PRECISO DE VOCÊ! VOCÊ NÃO PODE ME ABANDONAR, MÃE! MAMÃE! — doía demais, o algoz era meu tsunami particular que arrastava qualquer resquício de felicidade. Vida, porque fazer isso comigo? Eu já não tinha nada, precisava tirar até as únicas pessoas que amo? — Mamãe... Você e o papai são tudo que tenho... Por favor, não quero ficar sozinha!
Eu não sabia se era certo chorar, mas não me importei em lançar-me a seu peito e molhar sua camisa ensanguentada com minha infelicidade. Aquilo doía, doía tanto que achei que fosse morrer, e no fundo era isso que almejava.
— Eu só queria que você vivesse para ver a mulher que irei me tornar — suspirei em meio aos soluços, minha própria voz embargada enojava-me — Embora duvide que você teria orgulho, até porque nem eu orgulho-me do que planejo ser. Eu só queria — engoli em seco — terminar meu aniversário com você.
Ao reerguer meu rosto senti minha bochecha manchada de sangue, mas tão pouco dei-me ao trabalho de limpar, não era relevante.
Peguei ambas suas mãos e as repousei sobre seu colo, agora sim, uma bela adormecida completa.
Antes de levantar depositei um selar em sua testa, era um beijo de despedidia, tinha de admitir.
Mas, para ser bem sincera, no fundo  continha a esperança de que meu beijo de amor verdadeiro a iria despertar.
Não muito longe pude ouvir um choro agudo, era Hyeon quem estava entregue aos prantos. A menina era inundada pelo desespero, eu não queria que ela precisasse sofrer por isso, e por mais que minha angústia estive esmagando-me eu carregaria seu pesar caso pudesse. Mas ver JungKook a amparando deu-me a certeza de que ela ficaria bem — pelo menos melhor que eu — E devo admitir, sentia inveja. Gostaria de alguém me confortando em seus braços, dizendo repetidas vezes que tudo ficaria bem — embora eu provavelmente não acreditaria — Sim, eu precisava disso, mas não havia ninguém para me acolher.
O vento estava ainda mais frio naquela manhã, chegava a congelar os sentimentos, minhas lágrimas eram de gelo.
Olhei de relance para o casal de irmãos mais uma vez, era impressionante como Jeon se mantinha forte, ou aparentemente se fazia parecer. Ele olhou para mim e fixou seu olhar por instantes, então percebi que ele estava desmoronando, seus olhos continham uma angústia tão nítida que pude perceber mesmo a essa distância. Ele precisava de mim, eu sabia, mas nada poderia ser feito, afinal, JungKook tinha de manter a pose de irmão protetor até o final — papel que levaria uma vida a fazer, ele sabia, mas aceitava de prontidão — Não, não era por ser corajoso que JungKook era meu ídolo, era seu medo que me fez amá-lo. Ele temia — Ah, só Deus sabia como temia — mas sempre esteve ali, firme, quase caindo, mas de pé. JungKook se reerguia tão rapidamente que mal percebia-se seu declínio.
Quem olhasse de fora pensaria que o garoto estava alheio a morte dos pais — e era como ele gostaria de estar — Porém o moreno possui sentimentos muito fortes para não se abalar com tal tragédia, felizmente o treino puxado também o tornou um excelente ator, o moreno conseguia mascarar sua dor tão bem que quase não a sentia. Infelizmente existia esse "quase".
Ele vivenciava muito melhor do que eu, suas dores eram mais vívidas, e não chorar só mostrava sua bravura. Como não admirar Jeon JungKook? No final eu não precisava tomar as dores de Hyeon, seu irmão já as tinha assumido o máximo possível. Foi vendo o cuidado a qual JungKook acalmava sua irmã que percebi: o garoto também não queria que a menina se tornasse uma Caçadora.
Eu desviava o olhar, mas ele não parava de fitar-me, era como se me ter como ponto fixo distraisse sua mente da tristeza. Ele permanecia sério, de olhos opacos, mas eu jurava poder sentir seu coração acelerado.
Nunca pensei que sentiria pena de JungKook, mas foi nesta manhã tristonha que este sentimento nasceu, o garoto não estava livre nem parar chorar a perda dos pais. Aquilo não era um funeral, era seu posto na Associação, ele não tinha o direito de assumir seu papel de filho nem mesmo ali, afinal, um Caçador é um Caçador independente do ambiente, e Caçadores não choram.
Ele estava acostumado a consolar famílias desamparadas, no momento Hyeon era como uma de muitas pessoas a qual ele já consolou, não havia diferença no tratamento — e eu me perguntei se ele estava usando o mesmo discurso fúnebre de aceitação.
Todavia eu podia o ver, sua alma estava exposta, suas feridas abertas e seu coração dilacerado podia ser notado por qualquer ser sensível. Ele ainda era apenas um garoto de treze anos no final.
Foi então que eu ouvi, a esperança ecoava baixo, mas chegou aos meus ouvidos.
No segundo seguinte eu já tirava sem nenhum cuidado os cadáveres de cima de seu corpo. Ele ainda estava vivo.
— Papai! — eu não podia acreditar, era o primeiro raio de sol do dia, o único que poderia aquecer minha alma desamparada — Eu estou aqui!  Aguente firme!
— Sue...
Ele estava totalmente sem forças, mas minha felicidade por ainda habitar vida nele só rendia-me encorajamento.
Eu não estava sozinha, afinal.
— Papai — lágrimas da mais pura felicidade jorravam como cascatas de meus olhos — Vai ficar tudo bem! Você vai viver, vamos ficar juntos!
— Sue...
Tirei meu casaco e depositei sobre ele, devia estar com muito frio. Sua ferida no estômago era muito feia, chamaria um médico logo, mas eu conseguiria fazer algo para estancar o sangue com os matérias necessários.
— Vou leva-lo para dentro de casa e tratar de seus ferimentos, eu vou cuidar de você, papai, não se preocupe.
— Sue...
— Não se esforce para falar, papai, poupe suas forças — peguei sua mão e apertei com cuidado — Me descupe por não confiar, você é realmente um ótimo sobrevivente — acariciei seu rosto, estava tão feliz que não contive um sorriso mínimo — Obrigada por não me abandonar, papai, obrigada — eu queria abraça-lo, tinha medo que minhas palavras não soassem verdadeiras o suficiente — Eu te amo.
Uma única lágrimas escapou de seu olho direito, aquilo dilacerou meu coração já em frangalhos. Eu não aguentaria até o final do dia naquele ritmo.
— Filha...
— Eu já disse, não se esforce — claro que gostaria de ouvir um "eu te amo" de volta, mas sua saúde ainda era prioridade.
Ele tocou com a ponta dos dedos meu rosto e eu não entendi sua expressão.
Por que ele estava ficando sério? Por que seus olhos estavam perdendo o brilho? O que estava acontecendo?
— Sue — meus ouvidos estavam apurados, escutava com total atenção
— Nos... vingue.
Foi quando sua mão caiu que meu mundo despencou.
— Pai? Pai! PAI!
Eu o mexia, batia em seu rosto com leves tapas, sacudia seus ombros. Ele estava tão morto quanto a esposa.
Eu não aceitava, não, eu não estava sozinha. Ele só tinha desmaiado, lógico, ainda estava vivo, só inconsciente.
— Pai! Acorde! Eu sei que você está vivo — ri sem nenhuma graça — Para de brincar, pai, não é engraçado — ele sempre foi bom com piadas, embora sério era um palhaço nas horas vagas, com certeza ele não perderia a oportunidade de me assustar — Pai, é sério, pode parar, tá?
Mas infelizmente não era só mais uma brincadeira.
— Pai... Eu já perdi a mamãe, você é tudo que eu tenho pra amar — Eu já estava passando para a fase da aceitação, só faltava aceitar — Por favor... Eu não quero ficar sozinha.
Aquilo não podia estar acontecendo. O destino me permitiu falar com meu pai uma última vez só para ter o prazer de tirá-lo de meus braços? Maldita vida.
Eu estava tão triste que cheguei a ser tomada pela raiva. "Nos vingue"? Essas eram mesmo as suas últimas palavras para sua filha? Que tipo de pai era você? Eu só queria palavras de amparo, carinho, amor.
Todavia, por mais furiosa que eu estivesse não deixava de entender seu desejo, ele preferia garantir meu futuro a me confortar no presente.
Ele gostaria de dizer tais palavras amorosas, eu sabia, mas papai preferiu gastar seu último fôlego com minha segurança.
Me desculpe, só percebi agora seu modo de amar.
— Eu acho que posso fazer isso, papai. Eu sou a filha do casal Park, afinal, não é? Serei digna de carregar esse sobrenome e toda sua tradição cheia de significado — buscava em sua face mórbida palavras para continuar — Eu sou sua filha, a qual lhe enche de orgulho. Não se preocupe, nosso nome será lembrado por todas as próximas gerações, a morte de vocês será honrada com a minha vida — fechei suas pálpebras e em seguida finalizei batendo em meu peito — Eu juro pela Associação de Caçadores.
E foi assim nossa despedida, parecia muito mais o discurso de um soldado ao gerenal do que um adeus de filha para pai, mas eu não tive arrependimentos. Era o regulamento de uma nova vida.
— Sue — senti mãos em meus ombros — Precisamos ir, aqui não é seguro.
Assenti e segui os irmãos que andavam de mãos dadas, era um amor que eu jamais sentiria novamente.
Eu já trassava minha rota de vida.
Armas, sangue, vampiros. Era tudo que eu teria, e de forma interessante me sentia segura.

Agora você é oficialmente uma Caçadora.

De onde tinha vindo aquela voz? Não era JungKook quem falou, nem ao menos parecia sua voz.
E ali estava, um par de olhos vermelhos como rubis envoltos pelas trevas da floresta. O brilho era sedutoramente perigoso, mas não foi contemplado por muito tempo já que foi embora tão repentinamente quanto surgiu.
Aquele brilho ficou cravado em minha memória, era inesquecível, possuia a mesma cor carmesim da maçã a qual estava jogada na neve. Eu lembrava daquela fruta vermelha, mas não fiz questão de a colher, era um marco desse dia doloroso.
De hoje em diante tudo de vermelho que teria em minha vida seria sangue, nada mais.


Notas Finais


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