História Madness - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias The Seven Deadly Sins (Nanatsu no Taizai)
Personagens Arthur Pendragon, Ban, Diane, Elaine, Elizabeth Liones, Gilthunder, Griamor, Hauser, Jericho, King, Liz, Margaret, Meliodas, Merlin, Veronica
Tags Banlaine, Colegial, Festas, Hentai, Kiane, Liz, Melizabeth, Merthur, Romance, Violencia
Exibições 327
Palavras 4.599
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Famí­lia, Festa, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa noite pessoal :) Brotei!
O capítulo atrasou porque agora estou trabalhando, peço mil desculpas pelo atraso!
Espero que gostem, ignorem os erros e boa leitura.
p.s: LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Capítulo 22 - Conteúdo da carta


Fanfic / Fanfiction Madness - Capítulo 22 - Conteúdo da carta

 

– Eu vou matar aquela filha da puta! – Ban correu em direção à porta, mas antes que ele pudesse sair, Meliodas o alcançou e puxou-o para trás. Ban tropeçou nos próprios pés e caiu sentado no chão. – Como eu pude ser tão idiota?

– Você sempre teve essa mania de querer resolver as coisas estando com a cabeça quente. A melhor ideia no momento é esperar a poeira abaixar e conversar com a Jericho, não invente de matar a garota só porque ela te enganou.

– Mas você tem que concordar que seria maravilhoso matá-la. – Ban rosnou enquanto esfregava o queixo.

– Concordando ou não, isso não é uma opção e muito menos uma escolha. – Meliodas olhou para mim e eu me encolhi, sentindo aquela carta pesar no bolso da minha mochila. – Tudo bem, Ellie?

– Só estou aliviada. – argumentei com um sorriso falso. – Se Jericho estivesse realmente grávida, Elaine iria ficar extremamente destruída. – olhei para Ban, que se levantava do chão. – Pretende contar á ela?

– O quê? – Ban se virou para mim com uma careta.

– Pretende contar a Elaine sobre isso tudo? Diane quase contou.

– Diane não tem que se meter nisso tudo.

– Diane e Elaine são amigas, além de cunhadas. – relatou Meliodas com um sorriso. – Ela pode se meter, se quiser.

– Bando de intrometidos. – Ban respirou fundo e olhou de mim para Meliodas, até se render e jogar os braços para cima. – Ok, tudo bem, depois que eu falar com Jericho eu contarei tudo para Elaine, se é o que querem que eu faça. Mas aviso logo, se Elaine ficar puta comigo e querer terminar – ele olhou com os olhos estreitos na direção de Meliodas. – vou usar a cara de Meliodas como saco de pancadas.

– Você é muito delicado, sabia? – Meliodas riu. – Eu só não entendi como foi que a Jericho conseguiu um teste de gravidez positivo pra te enganar.

Eu pisquei os olhos, atônita.

– Merlin? – foi uma ideia que plantou em minha mente.

– Merlin? – repetiu Meliodas. – Quem é Merlin?

– É uma amiga de Arthur, ela está suspeitando que esteja grávida. Será que pode haver possibilidades desse teste ser dela?

– Merlin. – repetiu Ban, pensativo.

– Conhece? – perguntei a ele.

– Não. Onde essa Merlin mora?

– Ela mora em uma boate, e trabalha lá também. – respondi, recebendo um olhar desconfiado de Meliodas.

– O nome dessa boate é Mouth Goddess? – perguntou Ban com os olhos agora arregalados.

– Sim. – respondi.

– Puta que pariu. – ele passou as mãos no rosto com força. – Jericho trabalha lá.

– Então... – olhei para o teste de gravidez.

– O teste pode ser dessa Merlin.

– Então vamos lá.

– Quando você foi nessa tal boate, Ellie? – quis saber Meliodas, com o semblante nem um pouco convidativo.

– É uma história um pouco complicada.

– Quero ouvi-la depois.

– Agora não é hora, vamos para a boate.

Como eu imaginava, a boate estava fechada, mas isso não intimidou o Ban que estava pra lá de furioso enquanto dava a volta pela entrada da boate e marchava com os passos pesados em direção a entrada dos fundos, ele segurava o teste de gravidez como se quisesse quebrá-lo em pedacinhos. Eu estava um pouco assustada com a forma que ele estava agindo. Jericho queria enganá-lo se não fosse por Meliodas, estou realmente sentindo um pouco de pena dela. Ela só quer estar com ele porque ela o ama, por isso inventou que estava grávida, para que ele pudesse ficar com ela para sempre. Estou quase cometendo o mesmo erro, escondendo a carta de Meliodas, com medo de entregar e levar um pé na bunda depois.

– Você está nervosa. – observou Meliodas enquanto me seguia.

Ban começou a bater na porta dos fundos da boate e a gritar por “Jericho” como se o nome dela fosse um xingamento.

– Você não?

– Estou acostumado com coisas desse tipo, eu acho. – ele coçou o topo da cabeça e cruzou os braços. Paramos a três passos de Ban.

– Jericho sua desgraçada, abre essa porta! – vociferou Ban e começou a esmurrar a porta.

– Você não vai pedir para ele se acalmar? – sussurrei para Meliodas.

– Não vai adiantar. Ele quebrou o termômetro da paciência, se eu tentar pará-lo vou sair com hematomas disso tudo. – ele dou um sorriso e assobiou. – Vamos lá, Ban! Não desista. Tenho certeza que tem alguém aí! – ele me olhou de soslaio. – Talvez a amiguinha do seu amiguinho esteja.

O encarei com o cenho franzido.

– Eu não acredito que isso chateou você!

– O quê? Você frequentar uma boate dessas sem o seu namorado? Caramba Ellie, relaxa, eu tô de boa. – ele tremeu o nariz e abaixou as vistas, como se quisesse fugir do meu olhar.

– Eu não fiz nada demais. Você sempre vai desconfiar de mim dessa maneira?

– Não estou desconfiando de você. Eu acredito em você, só me sinto desconfortável por saber que você esteve aqui.

– Eu estava ajudando Merlin, foi Arthur quem me pediu e eu falei que ele podia contar comigo.

Meliodas levantou a cabeça de uma vez e me olhou como se quisesse voar em cima de mim e me estapear.

– Você veio aqui com o Arthur?

– Abre essa porta caralho! – esbravejou Ban, dando uma pesada na porta com tanta força que eu estava prestes a assistir aquelas dobradiças se romperem.

– Eu estava disposta a ajudá-lo com a amiga dele, por isso vim. – olhei para Meliodas assim que respondi.

– Você tem que parar de ser solidária. Tenho certeza que aquele cara só te chamou para ajudá-lo para usar isso de desculpa para te ter por perto, e você bancando a de lerda não está percebendo.

– Arthur é o meu amigo. – lembrei.

– Amigo que quer te pegar! – rebateu ele.

– Mas não pegou!

– Será que dá pro casal aí parar de discutir e prestar atenção no meu surto aqui? – reclamou Ban.

Eu estava prestes a respondê-lo, quando a porta se abriu. Do outro lado estava um homem alto, absurdamente musculoso de cabelo preto liso e comprido. Ele estava sério, a primeira coisa que ele olhou foi para as dobradiças da porta, em seguida olhou para Ban e semicerrou os olhos.

– Por que estava planejando levar essa porta ao chão? – ele perguntou com toda a delicadeza possível.

– Estou irritado. – respondeu Ban, respirando profundamente.

– Hm. – o cara bombado ergueu ambas as sobrancelhas. – E quando fica irritado, sai chutando as portas dos outros? Isso é vandalismo, sabia?

– Desculpa. – eu disse com a voz um pouco baixa. – É que queremos ver duas pessoas que trabalham aqui.

– A boate só abre a noite.

– Eu sei. – disse Ban. – Mas não vou esperar até lá. Quero ver Jericho.

– Jericho? Ela está nos fundos, arrumando alguns figurinos para hoje a noite, mas ela está acompanhada.

– Eu posso ir até lá?

– Se prometer não querer quebrar nada...

Ban cruzou os dedos disfarçadamente e disse:

– Claro, prometo isso aí.

– Entre. – o cara deu espaço para Ban passar, ele ultrapassou aquela porta na velocidade da luz e nem se deu ao trabalho de olhar para trás. Eu dei um passo para entrar, mas o cara me barrou e me segurou pelo ombro. – Pode ficar paradinha aí, moça. Você não vai entrar.

Meliodas se aproximou e esticou o braço, segurando o pulso do grandalhão.

– Ei! – o cara encarou Meliodas com a expressão máxima de surpresa, como se só tivesse notado a presença de Meliodas agora. – Tire a mão de mim.

– Tire a mão dela.

Houve um minuto de silêncio, até que o bombado resolveu me soltar e Meliodas o soltou logo em seguida.

– Esperem aqui fora. – ordenou ele, sorriu fraco e bateu a porta na nossa cara.

Meliodas suspirou e se abaixou, eu o fitei enquanto ele procurava por alguma coisa na sua meia.

– O que está procurando? – tive que perguntar.

– O meu canivete.

Meliodas! – o puxei para cima. – Ficou maluco?

– O quê? – ele me olhou como se eu fosse a maluca. – Está achando que eu vou fazer o quê com o canivete? Sangrar aquele esquisito?

– Essa é uma das coisas que está se passando na minha cabeça, não vou mentir. – eu ri, nervosa.

– Eu só ia usar o canivete para tirar sujeira das minhas unhas. – ele mostrou as unhas, que estavam limpas.

– Você é um idiota.

20 minutos se passaram desde que Ban entrou na boate, eu coloquei minha mochila no chão e me sentei, perto de um punhado de sacos plásticos, Meliodas se escorou na parede e começou a bater os pés no chão freneticamente, demonstrando sua impaciência. Eu apurei meus ouvidos, imaginando que ouviria alguns gritos emanarem lá de dentro, mas a única coisa que fui capaz de ouvir foi os carros na rua, os pedestres, vozes aleatórias e Meliodas cantarolando uma canção que eu conhecia.

Inclinei a cabeça para cima e olhei para ele.

– Essa foi à primeira música que eu ouvi você cantar.

– É uma música bonita, por isso a cantei pra você naquela noite. Foi quando começamos a namorar. – eu olhei para o anel em meu dedo e sorri suavemente.

– Você lembra da promessa? – perguntei, com a cabeça agora apoiada nos joelhos. Meliodas não respondeu, então continuei. – Você prometeu que ia ficar comigo. E eu prometi a mesma coisa. Mas eu não quis apenas dizer da boca para fora, não vou fazer o mesmo que ela fez, eu não vou embora, ao menos que me mande ir.

Meliodas se sentou em meu lado no chão e pegou em minha mão onde continha o anel no dedo anular.

– Eu sei disso, Ellie. Você é diferente. – ele contornou as pontas dos dedos em meu anel e sorriu genuinamente. – Não importa o quanto você pire a minha cabeça, ou como deixa meus átomos tão aflitos. Num lugar onde seus cílios são furacões contra meu ombro. – ele beijou minha bochecha, foi um ato inesperado que me causou um arrepio bom. – Você é a agulha perdida no meu palheiro que eu injeto na veia... e me excito.

 – Preciso te contar uma coisa! – a frase saiu no automático. Meliodas se remexeu e tombou a cabeça para o lado.

– O quê?

– É aquilo que você queria saber no colégio, que eu não disse.

– De você fugindo de mim?

Pressionei os lábios

– Eu fugi de você, mas fiz isso porque eu não sabia como contar.

Os olhos verdes dele me encararam por um tempo.

– Contar o quê? – eu senti um nó no estômago e a resposta travou na garganta, incapaz de sair. – Não venha me dizer que... não sei nem como perguntar isso. – ele sacudiu a cabeça. – Você odiou?

– Odiei? – franzi o cenho. – Odiei o quê?

– A sua primeira vez. Você odiou. Eu te machuquei e agora você acha que eu sou um monstro? Como eu não seria? Uma pessoa que foi praticamente vendida pelos pais. Que anda por aí com um canivete enfiado na meia...

– Não! Ei, cala a boca! Eu não odiei, pare de se menosprezar. Eu amei cada segundo que passei com você, foi tudo especial e lindo. Apesar de romântico e encantador, valeu muito a pena a minha espera para me entregar para alguém, e eu tive muita sorte por esse alguém ter sido você. – as bochechas de Meliodas ficaram rubras, não imaginei que ele se sentiria envergonhado com isso. Eu fiquei envergonhada também e abaixei a cabeça. – Droga.

– Se não era isso... por que você fugiu de mim? Diga a verdade, por favor. Não minta.

– Se eu disser, você provavelmente vai surtar e com certeza vai me deixar. Por isso eu ainda não disse. – meu coração começou a acelerar.

– Eu prometi que ia ficar com você, não prometi? Estou pronto para ouvir você quando quiser contar. Está tão nervosa, Ellie, sua mão está gelada. É algo tão ruim assim?

– Pra mim, provavelmente.

– Então me diga, o que é?

– Eu estou com uma car...

A porta dos fundos da boate se abriu e Ban saiu, parecia mais aliviado, atrás dele vinha uma garota com o lábio inferior cortado e com vários arranhados na cara, ela estava chorando, descabelada e tentava alcançar o braço de Ban para puxá-lo. Eu e Meliodas nos levantamos do chão imediatamente, peguei minha mochila e olhei seriamente para a garota machucada.

– Já deu, Jericho! – berrou Ban, virando-se de uma vez para ela. – Você não vê que isso não tem mais sentido? O que mais falta pra você?

A garota – Jericho – parou de andar e soluçou, ela parecia muito desesperada.

– Eu amo você. – murmurou ela, derrotada. Aquilo doeu em mim de uma forma descomunal.

– Você machucou ela, Ban? – Meliodas perguntou, boquiaberto.

– Não. – Ban riu, como se estivesse se divertindo com a desgraça de Jericho. – Foi a garota de quem ela roubou o teste. Me... alguma coisa.

– Merlin?! – arregalei os olhos. – Merlin fez isso?

– Eu e Merlin éramos amigas, trabalhamos juntas aqui. – sussurrou Jericho, envergonhada com toda a situação. – Daí ela comentou pra mim que poderia estar grávida e que iria fazer o teste para esclarecer todas as duvidas dela. Aproveitei da situação e troquei os testes depois que ela fez. Não imaginei que Ban fosse desconfiar.

– E não desconfiou, na verdade quem descobriu que o teste era outro fui eu. – entregou-se Meliodas, sorrindo. – Sinto muito. – o sorriso dele desapareceu rapidamente.

– Eu vou embora. – Ban deu as costas para Jericho, mas ela o abraçou pelas costas e começou a chorar.

– Por favor... se você for embora, eu vou perder o sentido, vou perder a esperança, vou perder o amor que ainda resta em mim. Não faça como as outras pessoas, não vá embora sem se importar com o meu coração. – ela o apertou mais contra seu corpo. – Não me deixe para trás, eu depositei tudo que eu sou em você. Não me deixa, eu tô sofrendo, você não tem noção do quanto dói. Você me magoou como eu pensei que nunca magoaria.

– Eu magoei? – Ban se afastou e a encarou nos olhos. – Você mentiu dizendo que estava grávida, Jericho!

– Fiz isso porque te amo. – ela lambeu o canto do lábio, onde o sangue escorria. – Você me prometeu o mundo, você me prometeu as estrelas, a luz, você me prometeu todos os clichês.

– Eu estava bêbado. – Ban disse, indiferente.

– Não diga isso. – ela segurou nas mãos dele. – Se você for embora, nada vai valer à pena... Eu te amo como nunca amei alguém antes. Eu te amo, de uma tal forma que eu daria a minha vida por você, eu daria as estrelas, a lua, o mundo e ainda não seria o suficiente, porque você merece muito mais. Essas coisas que você me disse aqui e lá dentro, todas essas palavras doeu profundamente, doeu como um tiro bem no meu peito, direto no coração. E eu ainda sou capaz de te amar. Não vai, eu sou muito fraca sem você. Casa comigo, Ban!

– Uou! – Meliodas assobiou baixinho.

Ban arregalou os olhos e eu estava prestes a me desidratar com todas aquelas coisas que Jericho dizia ao Ban, de alguma forma, eu estou me imaginando dizendo aquilo para o Meliodas, e isso está doendo.

– Eu vou ser uma esposa perfeita. – continuou Jericho. – Eu largo o meu sonho pra viver do seu lado, eu largo o mundo pra ficar com você. Só não me deixa, por favor, não por ela, será a pior burrada da sua vida, não me deixa por ela, por favor... – ela se inclinou para beijá-lo, mas Ban virou o rosto. Jericho se afastou com uma tristeza incabível no olhar.

– Acabou com o discurso? – perguntou Ban, sério. Jericho apenas engoliu em seco, negando-se a responder. – Ótimo, porque eu tenho que ir ver a minha namorada, quem eu amo de verdade. – ele empurrou Jericho com brutalidade para longe.

– Ban! – eu o repreendi, assustada.

Jericho tropeçou em alguns sacos de lixo e caiu sentada em cima de um deles.

– Você me dá nojo! – exclamou Ban para Jericho. – Fica aí, com o lixo, é o seu lugar! – ele nos deu as costas e foi embora.

– Nossa! – Meliodas estava pasmo, ele olhou para mim e revirou os olhos. – Nem adianta pedir para eu ir falar com ele, Ban precisa de um tempo sozinho.

Eu corri na direção de Jericho e estiquei o braço.

– Vem, eu te ajudo!

Ela olhou furiosamente para mim e deu uma lapada no meu braço.

– Eu não preciso da sua ajuda, posso muito bem me levantar sozinha. – ela se levantou meio cambaleante e limpou o canto do lábio, havia sangue seco ali. – O que foi? Está achando bonito tudo isso? Grava!

– Desculpa. – eu uni os lábios. – Eu sinto muito por tudo isso que aconteceu.

– Sente nada, você nem me conhece!

– Ei, um pouco de educação vem a calhar. – murmurou Meliodas com a voz áspera.

– Não Meliodas, está tudo bem, é melhor irmos embora. Não tem mais nada que a gente possa fazer aqui.

– Sim. – concordou Jericho, tentando ajeitar o cabelo bagunçado. – Sumam!

Meliodas me puxou pelo pulso.

– Vamos para o meu apartamento. E, se puder, não olhe para trás. Não quero assistir você olhando para o sofrimento alheio.

...

Eu estava no terceiro copo de água quando Meliodas se sentou em meu lado no sofá. Beber água estava sendo uma fuga para o assunto real, eu não sabia como terminar o que eu já tinha começado. Respirei fundo e coloquei o copo na mesinha de centro, ao lado do convite de Christine. Encarei aquele convite como se quisesse queimá-lo com os olhos.

– Vai aderir a ideia de ir na festa de Christine? – perguntei.

– Se você não quiser que eu vá, eu não vou.

– Eu não vou te privar de se divertir.

– Me divertir sem a minha namorada? – ele riu. – Que espécie de diversão é essa?

– Namorada. – murmurei.

– Sim, Ellie. – ele riu outra vez. – É o que você é pra mim. Namorada. Somos namorados.

– Será que vamos continuar sendo? – o meu botão de automático estava ligado e aquilo estava sendo uma catástrofe.

– Será que você pode parar de me cozinhar e dizer o que diabos está acontecendo?

Eu me levantei do sofá e peguei minha mochila, abri o zíper violentamente e puxei aquela maldita carta de dentro. Meliodas encarou tudo sem entender absolutamente nada.

– Eu estou com uma carta. Era isso que eu estava dizendo antes de Ban sair da boate.

– Todo esse suspense por conta de uma carta? – Meliodas se levantou do sofá. – Você deveria ser atriz, Ellie. Eu estava cogitando ideias absurdas aqui.

– Cogite a pior delas, se quiser. – eu comecei a tremer. – Ban quem me entregou essa carta.

– Ban escreveu pra você? Ele não é do tipo que costuma escrever para alguém. Fiquei surpreso agora, admito. 

– Não, não... – balancei a cabeça simultaneamente. – Ban me disse que quando você recebe alguma correspondência, todas elas são endereçadas para o seu bar.

– Sim, isso é verdade. Mas já faz um bom tempo que eu não recebo nada.

– Sim, ele disse isso também. – olhei para o envelope na minha mão. – Mas agora recebeu. – Meliodas fitou o envelope. – Ban disse que não sabia o que fazer, então pensou em me entregar, que eu ia saber o que fazer.

– Que tanto suspense envolvendo uma carta, caramba! – ele arrancou o envelope da minha mão. Ele leu quem era o remetente e seus olhos rapidamente perderam o foco. – Liz...? Espera aí... Liz?! Que brincadeira é essa aqui, Elizabeth? – ele agitou o envelope, furioso.

– Não é brincadeira. Liz mandou isso pra você. Eu não sabia se entregava ou se destruía, mas se eu fosse destruir, eu não iria conseguir ficar olhando para você e fingir que nada tinha acontecido.

– Liz. – a voz dele tremeu, ele caiu sentado no sofá e encarou o envelope, a raiva se esvaindo e dando espaço para a fraqueza. – Quem ela pensa que é pelo amor de Deus? Ela destrói o meu mundo e depois acha que vamos simplesmente apertar as mãos?

 Eu me sentei lentamente ao lado dele.

– Eu estou aqui com você, se quiser ler.

– Ler? – ele riu forçado. – Eu não vou ler essa porcaria. – ele jogou o envelope na mesinha. – Teria feito melhor se tivesse queimado.

– Você está nervoso. – observei. – Você quer ler, não quer? Só não quer fazer isso agora porque estou aqui, acertei?

– Eu sofri muito, Elizabeth. Sofri muito quando ela foi embora, foi uma dor imensurável. Nem se eu tivesse bebido barris da bebida mais forte ou se tivesse em abstinência da droga mais pesada possível. Nada, nada se compararia ao que tem sido minhas noites sem ela.

– Eu sei. – eu estava tentando ser forte e fingir que aquelas palavras não eram facas se fincando no meu coração. – Sinta-se livre para ler.

– Não vou ler.

– Meliodas.

– Não, caramba! Não vou ler.

– Você quer isso.

– Você não sabe o que eu quero. – pausa. – Desculpa, eu não quis dizer isso.

– Tudo bem. – passei a mão na cabeça dele, meus dedos adentrando seus fios dourados. – Está tudo bem. – não estava, mas eu precisava fingir que sim.

– Eu estava bem. Estava superando tudo isso e ela volta com essa, como um tornado. Daí muitas coisas passam pela minha cabeça desde que a conheci. Com ela eu tive vontade de me entregar, eu tive vontade até mesmo de mudar. Mudar para ser alguém que a faria feliz, alguém que ela pudesse se orgulhar em ter do lado, alguém que desse a ela cada dia mais e mais vontade de amar, alguém que transformasse o mundo dela em algo único e algo nunca vivido. Com ela eu tive vontade de me desfazer de tudo que eu havia aprendido para que eu aprendesse com ela tudo o que tinha para me ensinar. – ele mordeu o lábio inferior e eu encarei com o coração apertado, suas lágrimas. – Com ela eu aprendi que amar é coisa séria e que “eu te amo” não são palavras que devem ser ditas da boca pra fora; pra dizer tem que amar, e amar mesmo. Quem escuta um “eu te amo” se sente um felizardo, mas quando percebe que esse mesmo amor está indo embora ou que verdadeiramente nunca existiu, se sente sem chão. E foi assim que eu me senti e é assim que estou me sentindo de novo. Eu dei o mundo para a Liz, e ela me fez sentir como se isso fosse simplesmente nada.

– Vem cá. – sussurrei e puxei ele para perto.

Meliodas parecia ter levado um tiro no coração. E eu apenas o abracei.

– Posso te pedir uma coisa? – murmurei. Ele assentiu com a cabeça. – Leia a carta.

– Não.

– Quer que eu leia?

Meliodas se afastou, os olhos perdidos em lágrimas.

– Quer fazer isso?

– Faço por você.

Ele gesticulou para o envelope. Respirei fundo e peguei o envelope da mesa, rasguei rapidamente e peguei a carta de dentro. O papel estava frio, Meliodas me encarou, atento, o rosto manchado com as lágrimas que escorriam uma atrás da outra. Desdobrei o papel e olhei novamente para Meliodas, ele sacudiu a cabeça, dando consentimento para eu continuar, e foi o que eu fiz.

 

Meliodas.

Bem... Oi. Eu não quero te assustar com essa carta, eu nem sequer queria estar te escrevendo, você deve estar muito chateado comigo, não esqueci da forma como saiu do restaurante quando dei a notícia de que iria embora. Eu sinto muito mesmo. O tema dessa carta não é sobre desculpas, na verdade é sobre mim e minha saúde, achei que você precisava saber. Estou doente. Descobri que quando se tem câncer, tudo corre mais rápido. O tempo passa mais rápido como um cronômetro em contagem regressiva. Não terei nenhuma história como à de Hazel e Gus, ou não terei um livro escrito sobre minha vida jogada do lixo. Sabe uma duvida que sempre tive, Meliodas? Por que as pessoas nascem pra morrer? Eu tinha planos. Planos de um dia alcançar a felicidade com você ao meu lado. Já pensou em se exilar em algum país na África? Eu já. Sinto pena de mim mesma, mas você sabe: Eu sou fraca. A garota rebelde também tem coração. O câncer, bem, apesar de uma doença fodida pra caralho, veio com um presente. Não preciso mais tentar suicídio. Desculpa, Meliodas, mas desde que vim pra cá e fiquei longe de você isso foi o que mais tentei fazer. Me suicidar. É loucura, eu sei, não me xingue. Só que eu não esperava morrer tão cedo. Eu aguentaria mais alguns anos aqui na terra. Mas não. Essa coisinha que atacou meu sangue resolveu acelerar tudo. Estágio terminal é uma droga! Sou praticamente uma moribunda. Me promete uma coisa? Seja feliz. Corra atrás do seu sonho e se cuide. Nunca tenha câncer! Não seja infeliz, porque sua infelicidade é um câncer que corrói a sua alma. Você não ficará fraco fisicamente como eu, mas terá a mente muito pior. Não é o que eu quero para o garoto que eu amei. Se você fizer burradas irei puxar o seu pé enquanto você dorme. Ah, mais um lembrete: puxarei os pés de quem machucar o seu coração também. Estou nas últimas semanas de vida e estou comendo muitas porcarias, sim, aquelas que você sempre comia na minha frente e não me dava. Foda-se essa tal coisa de sangue ralo. Porra, me dá um pedaço de bolo que morrerei feliz!

P.S: pedi para a minha mãe só lhe enviar essa carta se eu desse entrada na UTI. Então, se está lendo isso... sinto muito.

Liz.

 

A carta caiu no chão quando li a última palavra, Meliodas estava pálido em meu lado, seus olhos estavam vermelhos e as bochechas mais molhadas que antes. Eu sou tão egoísta. Devia ter entregado essa carta para ele assim que recebi. Meus lábios tremeram, eu não sabia o que dizer.

Liz estava morrendo.

– Meliodas... – olhei para ele. – Você...

Ele escondeu o rosto nas mãos e começou a chorar. Chorava como um garotinho. Eu o puxei para cima de mim e o abracei com força, queria amenizar a sua dor, mas não sabia como. O choro de Meliodas ecoava por todo o apartamento, seu corpo estava gelado e eu conseguia sentir seu coração bater acelerado.

– Não... não... não... – ele murmurava com a voz grogue.

– Sinto muito. – repeti as mesmas palavras de Liz. – Sinto mesmo.

– Eu não quero! Não! – ele se levantou e começou a andar em círculos com as mãos pressionando a cabeça. – Não! Ela não! Por favor, não!

Eu me levantei, tentando pensar em alguma coisa para acalmá-lo, mas não sabia ao certo o quê.

– Meliodas. – murmurei.

– Você não está entendendo. A Liz... ela... não... eu tinha tanta coisa para dizer para ela. Tanta coisa.

– E você pode dizer. – adverti.

– Não, eu não posso!

– Pode Meliodas! – me aproximei dele e tomei seu rosto com as mãos. – Vá para Londres, vá para onde ela está, vá para Liz.

– O quê? – ele estreitou os olhos.

– Estou pedindo que vá, diga a ela tudo o que quer dizer, antes que seja tarde demais. Fique com ela, ela precisa de você. Eu estarei aqui, vou te esperar.

– Ellie...

– Vá fazer sua mala. – segurei o choro. – Por favor, eu não quero que fique por minha causa. Sei que quer ir. Do mesmo jeito que eu sei que vai voltar. – eu dei uma risada forçada. – Sei que eu não sou ela, portanto vá. – peguei minha mochila do sofá e saí do apartamento de Meliodas, sorri para algumas pessoas no corredor e fui embora com um grito esganiçado preso na garganta.

– Elizabeth! – esbarrei com Arthur na calçada e acabei levando um susto. – Oi! Não pensei que a encontraria, você está bem?

– Claro. – menti. – E você?

– Um pouco. Encontrei com Merlin, ela me disse que o teste dela foi roubado.

– Sim. Eu estou sabendo disso. Foi à maior confusão.

– Então você está sabendo que ela está realmente grávida?

– Sim. – suspirei. – Sinto muito.

– O quê? Por que sente muito?

– Você queria que esse filho fosse seu, não é?

– Eu... pare de fazer esse tipo de pergunta. Você está estranha, o que aconteceu com você?

– Eu estou fisicamente desanimada, psicologicamente cansada, espiritualmente acabada e emocionalmente destruída.

 


Notas Finais


Então pessoas, eu estava pensando em criar um grupo no whatsapp para poder nos enturmarmos! Se quiserem participar me passem o número de vocês, pode ser por mensagem privada <3 espero que topem!
Até o próximo cap, beijos s2


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