História Madness Queen - Capítulo 16


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Categorias Batman, Esquadrão Suicida
Personagens Bruce Wayne (Batman), Coringa (Jack Napier), Personagens Originais
Tags Batman, Coringa, Esquadrão Suicida, Joker
Exibições 227
Palavras 3.776
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Josei, Luta, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Steampunk, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


LEIAM ISSO, POR FAVOR!

Bem galera, eu quero pedir desculpas pela demora dos capítulos. Na semana retrasada como eu disse, tive prova e não pude postar. Acontece que essa semana eu fui viajar e levei meu celular, eu já tinha 3 capítulos prontos, mas fui roubada e agora tenho que reescrever tudo de novo.

Me perdoem, mesmo. Eu já tinha até desistido de continuar, porque é foda você tentar adiantar as coisas e ter uns filhos da puta atrasando seu lado. Mas eu reli os comentários de cada um de você e isso me deu forças e muita vontade de continuar, então, obrigada, do fundo do meu coração.

Espero que gostem!!

Capítulo 16 - XVI. Questions


Fanfic / Fanfiction Madness Queen - Capítulo 16 - XVI. Questions

Ele não estava lá quando eu acordei, mas não me importei, pelo contrário, me enrolei no lençol e fui para o banheiro tomar um banho. Depois saí e cacei alguma coisa para vestir, minhas roupas estavam jogadas em algum canto da sala então peguei uma camisa social preta no closet do Coringa e coloquei, tive que dobrar as mangas por causa  do comprimento e ter certeza que não estava tão curta nas pernas antes de sair.

E aí eu me espantei comigo mesmo ao olhar minha figura no espelho, haviam marcas em meu pescoço que desciam para o “decote” da blusa. Jesus! Tinha um chupão na minha coxa e uma mordida no meu punho. Como eu tinha uma mordida no punho?

 

Meu estômago estava tentando devorar meu pâncreas e agora eu não queria pensar em marcas e mordidas, eu só queria um pedaço de bolo de laranja e suco de acerola, ou um café bem forte.

 

Não sei, mas as vozes lá fora me tiraram dos meus pensamentos e eu mandei um foda-se às lições da minha mãe sobre como uma garota deve se vestir na frente de outras pessoas! Caralho, eu estava transando com um criminoso-louco-maníaco-torturador-palhaço-fodidamente-quente então pouco me importava estar usando a porcaria de uma camiseta. Ah! Desculpem é Prada, não é porcaria não.

 

É… mas acho que ele se importou. Quando abri a porta e apareci na sala de jantar meu estômago quis voar naquela mesa cheia de comida e o Coringa quis voar em mim porque me encarou quase como se rogasse uma praga mortal sobre mim.

Albert estava com ele, ambos tomavam o café da manhã, apesar de eu achar que Coringa tomava whisky já que havia uma garrafa de Dalmore 50 anos do lado da sua xícara.

 

— Deixe-me adivinhar. Última moda em Paris? - sua pergunta saiu estranhamente séria.

— Diga-me você, a camisa é sua. - pisquei um olho antes de me sentar á mesa. — Bom dia Albert.

— Bom dia. - falou baixo. Pude ver suas bochechas coradas, ele estava envergonhado por minha causa? Que fofo.

— Não achei minhas roupas. - menti ao sentir que a paciência dele estava por um fio e não era exatamente pelos meus trajes. Ele segurava alguns papéis que com certeza já tinham sido amassados por ele.

— Não precisa achar, pedi que trouxessem algo para você, está na sala.

— Você está sério. - comentei cortando um pedaço de bolo.

— Agora Loreen! - controlou-se para não gritar.

 

Alguma coisa estava acontecendo para ele não fazer piadinhas ridículas, comentários constrangedores ou plantasse aquele sorriso na cara que era impossível de ser removido. Nunca o tinha visto daquele jeito, era frio, apático e me preocupou.

Está certo que ele não era a pessoa mais humanizada do mundo, mas nem ao menos havia a sombra de um riso sarcástico, nem mesmo sua voz era desdenhosa.

 

Me levantei confusa com as suas atitudes e fui até a sala, me deparei com uma sacola da Fritsch Co. e uma menor da Victoria Secrets, na primeira havia um vestido casual justo no busto e rodado na cintura, ele era branco e fechava no pescoço, muito parecido com aquele vestido famoso da Marilyn Monroe só que mais curto.

 

— Satisfeito? - apareci de volta na sala de jantar com a camisa dele em mãos. — Você tem um Fashion Stylist ou algo do tipo? Ou você guarda as minhas medidas em algum canto? - me sentei antes de comer o pedaço de bolo que eu tinha cortado.

— Você tem um problema, pirralha. - desconversou sem me olhar. Coringa pegou o Tablet e estendeu para mim.

 

“Farmac International sofre tentativa de assalto e criminosos são mortos”. Era o que estava escrito numa reportagem do GN, o informativo da web de Gotham. Logo abaixo, na matéria, dizia que a morte dos homens ainda era um mistério e havia suposições sobre como tinham morrido e o que eles procuravam nos containers.

Merda, eu pensei que Grigory houvesse abafado o caso porque dias tinham se passado e nada tinha sido noticiado, então não era pra ter matéria alguma a ser exibida. Os homens do Coringa tinham limpado o lugar, eu tinha pago propina para a vigilância desligar as câmeras.

 

— É alguém de dentro. - constatei após analisar os fatos.

— O seu amiguinho Gordon é o responsável pelo caso. - Coringa comentou com amargor. — Esse não é o único problema. Está faltando uma grana e é uma das suas mulas que está se fartando com quarenta e oito mil dólares.

— Oi? Meus traficantes são confiáveis. - eu estava falando merda, mas não ia ficar lá aceitando sua acusação de graça. — Por que não poderia ser um dos seus?

— Por que esse desfalque é no laboratório dois, que por um acaso distribui a droga pros seus traficantes. - ele ainda não me olhava, isso me irritava.

— E o que você sugere que eu faça? - indaguei nervosa.

— Eu? - riu. — Seu laboratório, você que resolva. Não sou seu pai para te ensinar a trabalhar. Mas se você não resolver eu vou caçar um por um dos seus funcionários e eles vão me pagar em longas taxas de dor.

— Está me ameaçando? - larguei o garfo com brusquidão. Não senti medo, ao invés disso uma onda quente de raiva me invadiu. — Porque se está eu sugiro que você vá tomar no cú. As coisas não convergem para você! Você não é o centro do mundo! - respirei fundo.

— Loreen… - ele rosnou baixo na expectativa de que eu abaixasse a cabeça, eu não o fiz, estava em pé, com as duas mãos sobre a mesa encarando-o de cara fechada. - Se aproxime. - ordenou rouco. — Não me faça repetir.

 

Eu não seria louca de questionar. E apesar de fazer um esforço sobrenatural os meus passos foram de incertos à amedrontados e mesmo brava meu instinto gritava para que eu corresse.

Albert tinha o olhar atento sobre mim dando a volta na mesa enquanto Coringa parecia muito mais interessado em seu café. Até que eu parei ao seu lado, ele se levantou devagar, seus olhos finalmente voltando-se para mim.

 

— Faça isso outra vez… outra maldita vez… - meu coração parou uma batida quando em um movimento que eu não pude acompanhar a ponta afiada da faca foi pressionada a menos de um centímetro abaixo do meu olho direito. — Arranco seus olhos e os faço de chaveiro. Entendeu? - eu estava estática, não encontrava minha voz pra respondê-lo. — Eu disse: entendeu? - pressionou ainda mais a faca, desta vez doeu, pude sentir uma gota de sangue se formar ali.

— E-entendi.

 

Ele tirou a faca e se afastou de mim para o meu grande alívio.

Pensei que me sentiria quebrada com o seu comportamento, que o olhar gélido me machucaria mais que a faca. No entanto, eu apenas respirei aliviada e me afastei, não antes de pegar o guardanapo branco e bem dobrado dele e limpar meu rosto, fiz questão de deixar a parte manchada bem visível para ele quando coloquei o pano de volta à mesa.

 

— Albert. - ele pareceu tomar um golpe de realidade quando o chamei. Por incrível que pareça minha voz soou firme. — Você vem comigo? Preciso tratar sobre um assunto com você antes de investigar sobre esse rombo interno.

— Senhor C.? - perguntou tão submisso quanto um escravo.

— Divirtam-se crianças. - Coringa gesticulou com a mão que não segurava o celular; essa sua capacidade de mudar de humor em menos de um minuto era espantosa.

 

Dentro do meu carro ouvi Albert suspirar cansado, eu virei meu rosto em sua direção a tempo de vê-lo ajeitar os óculos.

 

— Pensei que ele fosse…

— Ele não ía. - sorri para tranquilizar o homem. Alguma coisa dentro de mim dizia que apesar de o Coringa ser quem era ele não iria arrancar meus olhos por impulso. Se existia uma coisa que ele não era, era impulsivo.

— Como você sabe? - me olhou claramente achando que eu tinha enlouquecido.

— Você deveria saber já que ele é o seu chefe. - falei com o mínimo de deboche. — Coringa está estressado e sabe que são poucas as pessoas que o aguentam assim. Hum… está tudo bem Albert, eu sei até onde posso ir.

— Mas não sabe até onde ele pode ir. - sua frase me calou, tive de concordar. — E me preocupa que quando você chegue ao limite ele não te permita parar.

— Você é um doce. - falei de forma afetada. — Mas mudando de assunto, o que você sabe sobre a gasolina e a dinamite que eu mandei para os confins de Gotham?

— Eu sei tão pouco quanto você. - pude sentir sinceridade. — Deixe como está, é o meu conselho.

— Não vai adiantar pedir pra você investigar, certo?

— Desculpe Senhorita Loreen.

— Relaxa. - abanei uma mão enquanto usava a outra para virar o volante e entrar com o carro numa ruazinha perto de onde eu comprava erva. — Isso vai parecer estranho, mas você pode ir para onde estava indo com o meu carro? Eu preciso resolver algumas coisas. Você pode deixar o carro com o Coringa ou o Um, ou qualquer outro número.

— Ah, tá. Eu peço para alguém levar até o seu endereço. - falou meio perdido, então eu saí do carro e desci a rua.

 

Fazia um tempo que eu não passava por aquele beco, uns dez meses, mas ele não tinha mudado nada. O cheiro de urina e podridão era o mesmo, as paredes úmidas e nojentas, as pessoas miseráveis e os jovens buscando uma fuga da realidade, tudo era igual.

Até Andrew, o traficante que eu sempre encontrava estava lá.

 

— Cara, você sumiu! - sorri com o comentário dele. Andrew tinha uma aparência acabada, seus dentes estavam amarelados por causa da nicotina do cigarro, seus cabelos loiros desgrenhados e sujos, entretanto parecia bem. — Brigou com um gato? - apontou para o pequeno corte em meu rosto.

— Algo um pouco mais arisco.

— Veio atrás de erva?

— Na verdade… - eu comecei com um sorriso confiante. — Você está afim de ganhar uma grana?

— Quem não está? - sacudiu os ombros de um jeito engraçado. — O que eu tenho que fazer?

— Ser o meu informante.

— Mano… você entrou pra polícia? - seus olhos tornaram-se temerosos ao passo em que sua voz soou desconfiada.

— Estou bem longe da polícia, quero tanta distância deles quanto você. - respondi séria e olhei ao nosso redor para verificar se ninguém estava nos ouvindo. — Eu preciso que você comece a pegar drogas nesse lugar. - estendi um papel com um endereço escrito. — Você vai falar com um cara chamado Doug, diz que o Chefe te trocou de endereço e dá isso pra ele. - entreguei a carta coringa que Albert havia me dado quando fechamos acordo.

— Cara…

— Quero que se infiltre e me diga tudo o que passa, faça com que confiem em você.

— Você tá com o Coringa? - Andrew perguntou surpreso.

— E não chama ele pelo nome. Chame por Chefe ou Senhor C. - revirei os olhos. — Principalmente se o encontrar por aí. - o que eu duvidava muito já que o laboratório dois ficava sob minha jurisdição. — Se você não fizer nenhuma pergunta te pago sete mil por informação. - falei logo ao perceber que ele me encheria com um interrogatório.

— Que tipo de coisa eu devo ficar de olho?

— Complôs, desvio de dinheiro, caixa dois… essas coisas. - entreguei a ele meu cartão de visitas. — Se algum figurão aparecer por lá me avise, mesmo que seja alguém que você não conhece; se você achar que parece já sabe.

— Caralho! Desde quando você é criminosa?

— Eu nã… - fui obrigada a me interromper, porque era verdade, eu não tinha direito de me sentir ofendida. — Se você for pego nem pense em dizer meu nome, nenhuma informação. Eu realmente não quero ter que cuidar de você.

 

Terminei de acertar as coisas com o meu mais novo informante e saí daquele beco fétido. Minutos depois eu discava o número da Alison.

 

— Quem é vivo sempre aparece! - não havia ânimo em sua voz, mas sim um tom muito contrariado. — Eu te liguei a vida ontem e nada de você aparecer, onde você estava?

— Você não quer que eu responda isso, sério.

— Começa com C e termina com maníaco homicida?

— Eu preciso de um favor. - falei entre um riso cortando o seu futuro sermão.

— Deus queira que não seja nada ilícito.

— Hackear a minha empresa não deve ser ilícito já que sou eu quem está pedindo.

— Por que você mesma não faz isso?

— Digamos que existem pessoas que só estão esperando um pequeno deslize meu para atacar. - expliquei vagamente.

— Isso tem haver com Moscou? Quando você vai me contar o que houve lá?

— Hackeie a minha segurança e eu te conto o porquê de eu não poder fazer isso. - aí como essa insistência da Alison me irritava.

— O que você não me pede sorrindo que eu não faço chorando?

— Tem mais uma coisa. - ditei incerta.

— Cacete!

— Vai ter que hackear o Coringa também…

— Tá doida? - tive que afastar o celular da orelha por causa do grito agudo. — Se ele descobre e vem atrás de mim… eu morro de medo antes de ele me matar.

— Ele não vai descobrir, está ocupado com o próprio mau humor. - e com o que quer que estivesse aprontando.

— Tá, eu posso dar um jeito, mas coloca um segurança atrás de mim só por precaução.

— Beleza.

— Um segurança gato. - eu ri da sua exigência. — E já que estamos neste raro momento de comunicação, mate a minha curiosidade e me diga qual a cor do seu vestido.

— Vestido? - até parei de andar. — Que vestido, doida?

— Pra festa beneficente em nome do hospital que o Bruce te convidou…?

— Caralho!

— Você esqueceu? - senti que Alison pulou da cadeira. — Como alguém consegue esquecer que vai sair com aquele homem?

— Eu não posso sair com o Bruce. - me desesperei. Droga! Eu tinha mesmo esquecido dessa porcaria de festa.

— Como assim?

— Se eu chegar perto do Bruce o Coringa vai atrás dele. E não vai rolar cócegas ou conversa de bar.

— Loreen… mas vocês estão, sei lá, é… nossa, isso é tão bizarro… vocês dois estão em um tipo de relacionamento?

— O Coringa? Num relacionamento? - forcei uma gargalhada. — Não, nem em um milhão de anos. A gente fez um acordo, só isso.

— Não vou insistir nessa história porque não é saudável pra ninguém contrariar aquele palhaço maluco. - ouvi ela suspirar pesado. — Eu vou dizer ao Bruce que você está com alguém, que essa pessoa ainda não quer assumir a relação e que se sente incomodado com a suposta ida de vocês á festa.

— Obrigada, Alison.

— Não me agradeça. Você vai se arrepender muito por essas escolhas que está fazendo.

— Eu vou, mas ainda não é a hora certa. Diz pro Bruce que eu sinto muito. - e eu sentia mesmo, e sabia que estava jogando um homem bom de escanteio pra ficar com um cara que deveria morar no manicômio, uma prisão de segurança máxima, amarrado com pelo menos três camisas de força.

— Você vai para a festa?

— Eu preciso doar um cheque para alguma ala do hospital. - enquanto falava gesticulei para um táxi, ele parou e eu entrei. — Gotham Palace.

— Para qual? - curiosa.

— Acho que psiquiatria, vai que um dia eu precise. - brinquei recebendo um resmungo da Alison. — Não sei, depois eu vejo.

— E quanto aos seus pais? Eles estão loucos com as festa, bom pelo menos a sua mãe.

— A festa do hospital? - perguntei confusa.

— Não Loreen, a do seu aniversário!

— Aniversário? Mas… que dia é hoje? - gente, minha cabeça anda tão cheia que eu nem percebi o tempo passar.

— Dia quatro, faltam duas semanas pro seu aniversário. - ela falou como se quisesse que eu acordasse de um transe. — Seus pais estão programando uma festa na mansão, acho que querem pedir desculpa ou coisa assim.

— Eles estão fazendo uma festa pra mim e não me convidaram? - questionei indignada. — Esse imbecis não fazem nada direito?!

— Loreen eu preciso ir, tenho que me preparar psicologicamente para a cara de decepção do meu chefe e ajudar a sua mão com as flores. Sim, vai ter flores, nas mesas e nas colunas e na puta que pariu. E eu disse pra ela que você odeia margaridas, mas ela não sabia onde comprar rosas azuis. - respirou fundo. — E acho que não vou perguntar pro seu Romeu. Beijo e fica viva.

 

Desligou apressada; eu saltei do carro - não literalmente - para entrar no prédio. Cacete, como eu queria me jogar no sofá e assistir alguma série na Netflix, nada que envolvesse heróis e criminosos, não. Eu precisava de uma coisa que fugisse da minha realidade - sem usar drogas - talvez um episódio de House acompanhado por um bom bourbon. Eu sei, eu tinha parado de beber, mas olhe: hoje eu quase perdi um olho, cancelei um encontro com o cara dos sonhos, fui ameaçada pelo cara que eu amo, meus pais estão comemorando meu aniversário e eu nem sei se amanhã ainda vou estar viva… eu necessito de um bourbon.

 

Pode parecer uma coisa estranha pesar sobre isso desse jeito, mas eu meio que estou gostando disso, comandar e ter uma vida agitada. É uma vida que pode me render uns bons anos de prisão? É; formação de quadrilha, tráfico de drogas, tráfico de armas, cumplicidade.

Mas eu era boa nisso, não é como quando eu tentei o ballet ou a faculdade ou as aulas chatas de piano. Eu gostava dos negócios, da adrenalina dos encontros a espreita. Deus! Eu amo tudo isso.

 

Menos quando eu penso que vou morrer, que é quase sempre, na verdade, sempre que estou perto do Coringa.

Mesmo assim, existe a parte boa, o sexo é uma delas.

 

Depois de um banho e um bourbon pedi comida tailandesa, sentei naquele sofá com o meu pijama de flanela confortável e liguei a TV.

 

— Que rápido. - pensei alto quando a campainha tocou.

 

Me levantei animada e faminta, praticamente corri para a porta e quase tive uma parada cardíaca quando a abri. A minha frente estava Bruce Wayne, vestido elegantemente num terno slim cinza, com camisa branca e gravata com listras de vários tons de azul meio desajustada, ele tinha aquele ar de quem passou o dia inteiro enfurnado num escritório e mesmo assim continuava lindo.

Só não gostei do seu semblante apreensivo.

— Você não é o entregador. - acusei num sussurro surpreso.

— O que aconteceu com você? - ele tocou meu rosto, seu polegar roçou o pequeno corte abaixo do meu olho.

— Nada. - me afastei. — Entra, você parece exausto. Precisa de um borbon. - sorri sentindo a coragem de encará-lo esvair aos poucos de mim.

— Só de um bourbon? - Bruce arqueou uma das suas sobrancelhas grossas. Seus passos para dentro do meu apartamento foram pesados. — Que tal explicações?

— Eu sei que te devo mil desculpas. - falei já enchendo dois copos com a bebida do meu bar. Qualquer coisa para não olhar em seus olhos castanhos cheios de melancolia. — Você é incrível. Sua história é incrível! Você é um bom homem Bruce e acho que você merece alguém melhor...

— Eu sou adulto, Loreen, sei o que é melhor para mim. - me repreendeu aceitando o copo que lhe estendi. — E ter a minha assistente pessoal dizendo que não posso sair com a mulher mais atraente de Gotham porque ela tem um pseudo-namorado não é o melhor para mim.

— Não é um pseudo-namorado. - respondi baixo apertando meu copo com as duas mãos em sinal de nervosismo. — É um, é… é… - é um nada, era o que eu queria responder ao invés de mentir. E até doeu pensar nisso, eu ainda não tinha cogitado a ideia de sermos algo, Coringa e eu éramos, acima de tudo, parceiros nos negócios. Ele sabia que eu o amava, mas não passava de prazer e um acordo sobre não se aproximar de outras pessoas. — É complicado.

— Ele é de fora? - perguntou entre a curiosidade e a tensão.

— Não. - só se for fora da caixinha.

— É famoso? Por isso não quer se expor? - Bruce se afastou de mim andando de um lado ao outro com uma mão pressionando a testa. — Ele deve ser um babaca. Que homem não gostaria de estar ao seu lado?!

— Bruce… - não consegui conter um pequeno sorriso com as suas palavras. — Ele é uma pessoa difícil.

— Foi ele?

— Hãm? - indaguei sem entender ao que ele se referia.

— Esse corte. Foi ele? - de repente Bruce parecia nervoso e pronto para voar em um.

— Não. - me certifiquei de olhar em seus olhos desta vez. Ele precisava acreditar em mim, tinha que perder suas esperanças. — Não foi ele.

— Está mentindo. - sua voz era carregada de pesar e me feria junto ao seu olhar acusador. Eu me amaldiçoava numa culpa que não poderia exteriorizar. — Loreen me diz o que aconteceu então. - pediu voltando a se aproximar de mim. Bruce colocou seu copo em cima da mesinha de centro e tirou o meu das minhas mãos para tomá-las entre as suas. — Eu posso ajudar. - ele era tão bom, era clara a sua vontade de me desvendar para me acalentar.

— Estou bem. - me limitei a dizer. Tentei fugir das suas mãos fortes e gentis, aquilo mexia comigo e eu não poderia me permitir colocar Bruce em perigo. — Por favor… não quero te arrastar para esta coisa.

— Você gosta mesmo dele? - pareceu um menino triste vendo o melhor amigo partir.

Me virei, saí do seu toque e andei alguns passos até o quadro de Henry Holiday, uma representação de Dante e Beatriz que eu havia feito questão de pendurar na minha parede da sala. Observei um pouco antes de responder.

— As vezes eu o odeio e as vezes eu acordo e penso que só queria poder, um único dia, acordar do lado dele e agir normalmente. Dizer bom dia, sorrir, dar um beijo… nem precisa ser nessa ordem, só precisava ser normal. - eu ainda estava virada sem poder encará-lo. — Ele me deu vida. Me ensinou a me recompor, a não deixar que uma derrota me deixasse mais fraca, que palavras me fizessem sentir-me inútil; ele me fez e desfez em suas mãos. - abracei meu corpo e virei-me para encarar seus olhos tristes. — Até a sua confusão me fascina… até mesmo quando penso que vou explodir.

 

Me poupei de continuar. Bruce se poupou de dizer qualquer coisa contra mim.

 

— Ele tem sorte. - foi a única coisa que falou, em um sussurro brando antes de beijar minha testa e sair de cabeça baixa.

 


Notas Finais


Beijão amores :))


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