História Mahou Shoujo Madoka Magica - Connect to Magia - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Mahou Shoujo Madoka Magica
Personagens Charlotte, Elsa Maria, Gertrud, Hitomi Shizuki, Homura Akemi, Junko Kaname, Kazuko Saotome, Kriemhild Gretchen, Kristen (H.N Elly), Kyoko Sakura, Kyosuke Kamijo, Madoka Kaname, Mami Tomoe, Oktavia von Seckendorff, Patricia, Roberta, Sayaka Miki, Tatsuya Kaname, Tomohisa Kaname, Walpurgis
Tags Akemi Homura, Garotas Mágicas, Kaname Madoka, Kyubey, Miki Sayaka, Puella Magi Madoka Magica, Sakura Kyoko, Tomoe Mami
Exibições 60
Palavras 4.856
Terminada Não
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Yoo minna, Yatogami desu!!

Finalmente terminei de escrever esse capítulo! Tive uma longa luta contra minha criatividade, luta que durou quase uma semana (tai o motivo de não ter postado segunda) mas finalmente terminei. Eu espero que não tenha esquecido de explicar nada, mas caso tenha acontecido por favor me avisem ok?

O desfecho do passado de Walpurgis Natch finalmente revelado. O que acontecerá após as Garotas Mágicas descobrirem sobre o passado de Kyubey? Homura apenas observará tudo isso ou tentará impedi-las? Qual é a verdadeira intenção de Kyubey?

Isso você descobrirá (ou será que não) agora!
Espero que gostem do capítulo e até mais.

Capítulo 7 - Passado da Bruxa -PARTE 3-


─ Me explique como veio para cá, Fuyumi. ─ eu olhava incrédulo para a pequena garota de cabelos longos e brancos à minha frente ─ E é melhor me contar tudo direitinho.

                Já era noite quando eu e minha irmã deixamos aquela estranha cidade para trás e nos dirigimos a um dos vários cafés em Mitakihara. Entreguei-lhe a pelúcia que havia pegado para ela e assim como adivinhara, ela adorou, não largando mais aquele gato branco. Pedi algo para comermos e enquanto comiamos uma deliciosa pizza ela me contou o que aconteceu assim que saí de nosso planeta.

                ─ Assim que você saiu algo estranho aconteceu com a máquina. ─ ela comia vorazmente enquanto falava ─ Shawn disse que ela havia entrado em curto e que demoraria a arrumar, e enquanto isso Shirou voltou para sua biblioteca com uma expressão estranha no rosto.

                ─ Como assim estranha? ─ o fato de Shirou voltar à biblioteca sem ajudar seu irmão me surpreendeu.

                ─ Ele tinha um estranho sorriso. ─ ela se encolheu um pouco ─ E ele começou a falar sozinho também.

                Aquilo sim era algo estranho, pois Shirou não era o tipo de pessoa que falava sozinho.

                ─ Talvez ele só estivesse cansado Fuyumi. Mas de qualquer modo, nós saberemos mais sobre isso assim que voltarmos.

                ─ Mas este é o problema Onii-chan. Nós não poderemos voltar.

                Como assim não poderíamos voltar? O que foi que aconteceu afinal de contas e como que ela veio parar aqui? Mal sabia eu os reais planos por trás daquela missão entregue por Shirou...

                ─ Como disse, a máquina entrou em curto assim que você foi mandado para cá, e Shawn passou um bom tempo arrumando. Enquanto isso eu voltei para casa, já que você disse que iria demorar a voltar. Cinco dias depois eu voltei onde a máquina estava, e vi Shirou conversando sozinho novamente, mas dessa vez estava alto o suficiente para que eu ouvisse.

                ─ Espere um pouco... Como assim “cinco dias depois”? ─ gritei enquanto me levantava, e acabei assustando os outros clientes ─ Eu estou aqui a menos de quarenta e oito horas, não há cinco dias.

                ─ Pelo que ouvi Shirou dizer, o tempo aqui passa mais rápido que em nosso planeta. ─ ela diz enquanto me puxa novamente em direção ao banco ─ E pare de fazer tanto escândalo. Parece até que eu sou a mais velha aqui!

                Era ótimo ter minha irmã por perto para me fazer rir, mas logo em seguida lembrei-me da visão que tive com ela naquela cidade abandonada. Deixando aquilo de lado perguntei novamente como ela veio parar aqui e finalmente ela contou. Após os cinco dias ela retornou ao local onde ficava a máquina e ouviu Shirou falando sozinho. Ele falara como se realmente tivesse alguém com ele ali, mas não havia, e mesmo se tivesse ela não conseguia ver nem ouvir. Shirou havia dito que eu fui um grande idiota em ir a Terra e que isso era tudo parte do plano dele de trazer as bruxas de volta e controlar seu grande poder. O problema da máquina ocorreu por culpa dele, pois havia a sabotado sem que seu irmão soubesse só para que eu não soubesse de nada. Além disso, os problemas no planeta também eram culpa dele.

                ─ Assim que ouvi dizer isso, me assustei e tentei ir embora, mas ele descobriu que eu estava lá. ─ Fuyumi estava realmente assustada e começou a chorar ─ Ele impediu que fugisse e usou aquele poder estranho dele para ativar a máquina e me jogou nela. Antes de me fazer vir para cá ele disse “Espero que aproveite bem o último dia com seu irmão, sua pirralha idiota” e vim parar aqui. Tenho certeza que ele planeja algo realmente maligno e eu não gosto disso.

                ─ Aquele... Aquele verme me enganou! ─ fiquei irritado ao ouvir aquilo ─ Ele estava me usando para que eu conseguisse o poder necessário para invocar uma bruxa? Agora aquilo que li faz todo o sentido, assim como aquela visão...

                ─ Como assim? ─ ela pergunta ─ Ainda não sei o que “bruxa” quer dizer.

                ─ De acordo com o livro que estava lendo antes de você aparecer, existe uma antiga lenda que conta a história de criaturas negras que eram conhecidas como Bruxas, mas nenhum humano daquela época sabia como surgiam nem como matá-las. Até que um dia, uma deusa surgiu e derrotou as criaturas, trazendo paz ao povo. Tempos depois descobriram uma pedra vermelha que ficava escura ao chegar perto de um templo local.

                ─ Esta pedra vermelha da lenda não é a mesma que Shirou te entregou, Onii-chan?

                ─ Provavelmente. ─ eu coloco a pedra em cima da mesa e metade dela estava negra ─ Olhe, assim como na lenda esta também ficou negra. Talvez Shirou tenha descoberto um modo de trazer as bruxas e está usando o poder dessa pedra para isso...

                ─ Desculpe incomodar, mas vocês vão querer alguma sobremesa?

                Uma garsonete aparece misteriosamente do meu lado e eu acabo me assustando. Fuyumi decidiu que queria um parfait de morango enquanto eu optei por uma xícara de café. Minutos depois, ela volta trazendo nosso pedido e então desaparece novamente.

                ─ O que não faz muito sentido é o motivo de ele ter te mandado para cá. ─ dei um pequeno gole no meu café e o coloquei novamente na mesa ─ É estranho, pois como você ouviu seu plano não faz sentido te mandar para cá já que você poderia me avisar e eu poderia me livrar da pedra.

                ─ Onii-chan, o que você quis dizer quando disse “aquela visão”? ─ Fuyumi já havia acabado com todo seu parfait e olhava ao redor, provavelmente procurando uma garsonete para pedir outro ─ Viu alguma coisa antes de eu chegar?

                “Bingo” eu disse mentalmente, “E Fuyumi acerta mais uma”.

                Eu conto para ela sobre a visão que tive enquanto estava naquela cidade abandonada e assim que termino, ela me encara com uma expressão realmente assustada nos olhos. Ela parecia não querer acrediar naquilo, afinal de contas, se fosse verdade isso queria dizer que ela se tornaria uma bruxa. Eu não iria deixar isso acontecer com minha irmã, e se eu tivesse que enfrentar Shirou para impedir que isso me acontecesse eu faria.

                Assim que ela comeu outro parfait nós fomos embora, pois já estava tarde e Fuyumi disse que estava com sono. Eu a carreguei em minhas costas enquanto seguimos em direção ao local que havia arrumado para descançar enquanto estivesse aqui, o qual ficava a alguns metros do café. Minutos depois nós já estavamos no quarto que eu havia alugado. Coloquei Fuyumi gentilmente em uma das camas, pois ela pegara no sono no meio do caminho e a observei dormindo por algum tempo.

                ─ Eu não deixarei que nada de mal aconteça com você Fuyumi. Eu prometo.

                Resolvi sair um pouco para tomar um ar já que estava muito quente dentro do quarto. Comprei uma bebida gelada e me dirigi ao último andar do local, de onde eu poderia ver o ceu. Chego lá alguns minutos depois e assim como havia pensado, uma densa nuvem negra pairava por sobre a cidade vizinha novamente. Com certeza alguma coisa estava para acontecer naquele lugar.

             ─ Shirou... ─ olhei para as estrelas a lembrar de meu velho amigo ─ Por que está querendo trazer as bruxas de volta? O que realmente quer?

                Eu retiro a pedra vermelha de meu bolso e a encaro. Ela estava quase completamente escura agora e provavelmente ela ficaria negra se retornasse aquela cidade. Eu teria que tomar uma decisão agora, e isso poderia decidir o que aconteceria com Fuyumi. Encarando a cidade que estava em meu campo de visão, eu solto um longo suspiro antes de me virar para ir embora, pois já decidira o que fazer.

Iria voltar à cidade e acabar com os planos de Shirou.

                Uma hora antes do amanhecer eu estava novamente naquela cidade abandonada. Não sabia ao certo o quê procurar, mas sabia que acharia algo se andasse um pouco pela cidade. Mesmo com vários prédios destruídos me atrapalhando e impedindo que tivesse progresso, eu comecei a cavar em alguns lugares dos quais achei que poderia encontrar alguma pista sobre aquela pedra. Tentei achar aquele mesmo lugar que estive antes, mas não obtive nenhum sucesso e, ao invez disso resolvi procurar mais ao sul da cidade. O motivo? Assim que dei alguns passos para o sul a pedra começou a esquentar em meu bolso, então provavelmente acharia alguma pista lá.

                O lado sul da cidade era como aquelas cidadezinhas do interior, com casas simples e pequenas afastadas umas das outras e sem nenhum prédio próximo. Ao caminhar por aquelas ruas destruídas eu comecei a pensar que tipos de pessoas viveram alí e o porquê não havia mais nenhuma. Vários minutos se passaram sem que nada fora do comum acontecesse ou que eu achasse algo que chamasse a minha atenção, então e eu comecei a achar que eu havia me enganado.

                ─ Estranho... A pedra estava bem estranha há pouco tempo, como pode ter voltado ao normal agora? ─ eu digo enquanto pego a pedra na mão e percebo que ela não está mais quente.

                Nesse momento um forte vento quase me joga no chão e faz com que a pedra caia de minha mão, parando a alguns metros de mim. Ao ir buscá-la, notei uma casa estranha a alguns metros, a qual era a maior de todas alí e era a única que não estava destruída. Pelo contrário, parecia até que alguém ainda morava nela.

                Decidi seguir até a casa e quando chego perto da porta eu paro e olho em sua direção, surpreso. A porta da casa estava coberta de escritos em o que parecia ser um idioma antigo, o que até ai estava normal, mas o que me deixou surpreso foi o fato de ter visto aquelas mesmas palavras escritas no livro sobre bruxas que achara há algum tempo.

                ─ Acho que aquela deusa deve ter me ajudado agora... ─ dei um pequeno sorriso em direção a porta antes de entrar.

                O local era bem maior do que parecia por fora. Logo depois da porta um amplo salão se abria, tendo algumas janelas do lado esquerdo e do lado direito uma grande cortina branca que parecia estranhamente limpa. Alguns quadros estavam na parede, alguns mostravam uma pequena vila em volta de uma fogueira e outros mostravam retratos de algumas pessoas. A cinco metros de onde estava havia uma escadaria que levava ao segundo andar, o qual não parecia existir do lado de fora. Aquela casa tinha algo de estranho e eu comecei a ficar desconfiado.

                Indo até a escadaria eu percebo um quadro que não conseguia ver antes por conta da sombra da escada, e ao olhá-lo tomei um susto e acabei caindo no chão.

                ─ Não é possível... Como... ─ eu não conseguia falar direito e comecei a sentir muito frio, como se algo realmente ruim estivesse se aproximando ─ Por que esse quadro está aqui?

                O quadro mostrava uma grande sombra no céu, o que você poderia pensar ser algo normal se olhasse de longe, mas de perto poderia perceber que era a mesma imagem que vira naquela visão... Uma bruxa que ao que parecia era minha irmã. O que me fez cair realmente foi quando vi a imagem da minha irmã logo abaixo da sombra, e ela tinha uma Jóia da Alma nas mãos. A pedra vermelha que ela segurava parecia estar completamente negra e minha irmã estava com uma expressão de medo no rosto.

                ─ Como pode haver um quadro desses aqui? ─ senti um calafrio assim que levanto novamente ─ Como pode ser minha irmã? Quem pintou isso?

                Comecei a fazer várias peguntas a mim mesmo e nenhuma resposta se encaixava. Ainda estava perplexo com aquilo, mas decidi me afastar dali e procurar alguma outra pista. Seja o que estivesse escondido dentro desta casa tenho certeza que me ajudaria a descobrir a verdade por trás dessa maldita pedra.

                Andei em direção as escadas e procurei em todo osegundo andar, mas estranhamente tudo ali em cima era bem normal. Normal até demais, eu diria. Ao voltar para as escadas o frio retornou a ponto de me deixar tremendo. Comecei a pensar se ão deveria ter uma passagem secreta igual áquela da casa de Shirou e assim que penso isso corro até o quadro da bruxa novamente. Se eu estivesse certo, atrás do quadro haveria uma passagem.

                Estendo as mãos em direção ao quadro e o removo lentamente da parede, e ao fazer isso, uma porta aparece onde ele estava antes. “Sabia” eu pensei “E eu estou começando a achar esse lugar parecido demais com a casa de Shirou...”. Pensando nisso, eu pego a pedra vermelha em meu bolso e a uso para abrir a porta e então entro no local.

                ─ Mas o que é... ─ não chego a terminar a frase de tão surpreso com o que estava vendo.

                A minha frente estava um lugar identico à biblioteca secreta de Shirou e ao templo da bruxa que achei do outro lado dessa cidade. Comecei a pensar porque os três lugares eram parecidos, e porque em todos eles tinham que essa pedra para ter acesso à sala. Se os três fossem realemente parecidos, então aquele livro deveria ser...

                Corri em direção ao livro, desejando que estivesse errado, mas assim que eu chego perto o suficiente vejo novamente a imagem daquela bruxa que havia visto em minha visão.

                ─ Pelo que vejo você finalmente descobriu este lugar?

                Olho na direção da voz, a qual vinha de algum lugar a minha direita. Por estar nas sombras não pude ver quem era, mas só o fato de achar alguém em um lugar assim já era preocupante.

                ─ Quem está aí? Responda! ─ grito na direção das sombras.

                ─ Como você é apressado... ─ a voz respondeu e saiu sas sombras, revelando a pessoa que eu passara a odiar.

─ O que faz aqui? ─ olhei para o homem a minha frente ─ Responda Shirou!

                ─ Ora Kyubey, isso é jeito de falar com um velho amigo depois de tanto tempo sem vê-lo? ─ Ele dá um sorriso para mim, mas com uma expressão séria nos olhos ─ Pelo que vejo você veio até aqui para saber mais sobre a Semente do Rancor e a Jóia da Alma, ou estou enganado?

                ─ C-Como sabe disso?

                ─ Me responda uma coisa Kyubey. Por que acha que eu te mandei para cá?

                Comecei a pensar em algum motivo, mas não encontrei nenhum que realmente poderia ser o que ele queria. Shirou andou até onde o livro estava e o pegou.

                ─ Pelo jeito, você não sabe o motivo... Bem, de qualquer forma eu irei lhe contar.

                Shirou disse para que eu o seguisse até o lado de fora da casa, e eu o segui desconfiado. Provavelmente ele estava aprontando algo. Minutos depois estávamos do lado de fora e eu notei que havia escurecido o que era impossível, já que eu chegara à cidade quando o sol nasceu. Núvens negras estavam no ceu indicando que logo começaria a chover.

                ─ Provavelmente, você já descobriu o que são bruxas, certo. ─ Shirou me pergunta com um sorriso no rosto.

                ─ Sim. Achei um templo subterrâneo onde tinha um lugar parecido a sua biblioteca e tinha o mesmo livro que você tem nas mãos.

                ─ Bem, isso facilita as coisas...

                “Há cinco anos, Shawn começou a trabalhar com aquela máquina de teletransporte. No começo, a máquina deu vários problemas e no dia que resolvemos testá-la eu acabei parando aqui na terra. Fui o primeiro de nossa espécie a chegar aqui e como não poderia voltar até meu irmão arrumar a máquina comecei a andar pela cidade. Eu estava até aproveitando o passeio, até ouvir de um grupo de pessoas que acharam um templo que parecia muito antigo na cidade vizinha, o que me deixou curioso e vim aqui conferir.”

                “Aqui parecia uma cidade comum, só desabitada. Não existia essa núvem negra acima dela e a cidade não estava destruída. Fiquei horas procurando o tal templo até que acabei achando uma dessas pedras vermelhas no chão, e por achá-la bonita acabei pegando. Pouco antes de escurecer eu havia desistido de procurar o templo e comecei a ir embora, até que a pedra começou a esquentar em minha mão. Seguindo até o local onde a pedra ficava mais quente, eu finalmente achei aquele templo, assim como esse livro que está na minha mão”

                ─ Espere um pouco, você já veio a Terra antes? ─ pergunto curioso, pois ele nunca havia comentado nada comigo.

                ─ Sim. Mesmo com aquele acidente que houve com a máquina eu até me diverti emquanto estive aqui. ─ ele diz e solta um longo suspiro, e por um momento parecia até uma pessoa normal ─ Voltando à história, eu achei aquele templo que você visitou antes. Entrei nele e fui em direção ao livro, o qual li e acabei descobrindo sobre a existência das bruxas, não só descobri isso como também descobri como surgem e como acabar com elas.

                Shirou anda até onde estou e para ao meu lado. Um vento forte começou a soprar fazendo algumas folhas das árvores próximas voarem para longe de nós, e também algumas gotas de chuva começaram a cair.

                ─ Eu te agradeço por todo esse tempo que você me ajudou, Kyubey. ─ Shirou disse próximo do meu ouvido direito ─ Mas infelizmente, se deixá-lo ir agora você irá querer me atrapalhar. Então por favor, descançe um pouco.

                Assim que ele diz isso sinto algo me perfurando na barriga, e assim que eu olho para baixo vejo uma fina agulha nas mãos de Shirou. Meu corpo começou a ficar pesado até que eu caí no chão. A chuva começou a cair pesadamente sobre mim e mesmo perdendo a consciência eu tentei me levantar, mas fui impedido por um chute.

                ─ O-O que você fará agora? ─ pergunto enquanto tentava novamente me levantar, mas meu corpo estava sem forças.

                ─ Acho que a resposta é bem óbvia não? ─ ele pega a pedra vermelha que estava comigo e então se vira para ir embora ─ Tem uma pequena garota intrometida que irá ser bem útil para mim a partir de hoje...

                Não escutei o resto do que ele disse, pois desmaiei.

 

            Assim que recobro a consciência percebo que estou em cima de um dos prédios abandonados da cidade, além de notar que havia sido amarrado junto a um pilar de pedra. Mal conseguia mover meus braços, mas comecei a tentar me soltar dali. A chuva continuava a cair na cidade e uma nuvem negra flutuava logo acima de onde eu estava.

            ─ É perda de tempo tentar se soltar Kyubey. ─ ouço a voz de Shirou vindo de algum lugar acima de mim, mas não consigo vê-lo por estar muito escuro ─ Essa corda é bem resistente, e o efeito daquela injeção que lhe apliquei ainda está em seu corpo.

            ─ O que você realmente planeja fazer?

            ─ Bem, nada de mais. ─ eu finalmente consigo enxergá-lo em um ponto a alguns metros acima de mim, e ao seu lado parecia ter alguém ─ Apenas irei fazer as bruxas retornarem a esse mundo. E essa garota será a primeira.

            Ele empurra uma garota pequena para frente e assim que a vejo eu começo a ficar desesperado. A garota era minha irmã. Ela estava amordaçada e ainda usava aquele vestido que lhe dera em seu aniversário, em suas mãos estava à pelúcia do gato branco que lhe dei.

            ─ Isso é algo que eu realmente não queria fazer, mas sei que se deixá-lo livre você fará de tudo para resgatá-la. ─ ele diz colocando uma das mãos no rosto dela ─ E isso eu não posso deixar que aconteça.

            ─ Seu verme! Deixe Fuyumi em paz! ─ eu grito para ele ─ Faça o que quiser comigo, mas solte-a.

            ─ Desculpe Kyubey, mas isso é algo que não poderei fazer. Não posso criar uma bruxa usando a alma de um homem.

            ─ O que quer dizer com “criar uma bruxa usando a alma”? ─ perguntei de modo desconfiado.

            ─ Isso mesmo que deve estar pensando. Irei usar a alma de sua irmã para criar uma nova bruxa. ─ ele pega a pedra vermelha e a levanta para que eu possa ver ─ E por sua causa, eu tenho poder suficiênte para criar uma bem forte.

            ─ Desgraçado! Vai me pagar caro assim que me soltar daqui!

            ─ Tente se soltar e veremos o que pode fazer. ─ ele diz rispidamente para mim ─ E mais, como sei que não poderá sair daí, irei lhe contar a verdade por trás dessa pedra vermelha.

“Nós demos o nome a essa pedra de Jóia da Alma, pois com ela conseguiamos usar magias. Elas surgiram pouco depois do desaparecimento das bruxas e, como ninguém desconfiou de nada na época, passamos a usá-la como amuleto. Mal sabiamos que aquela simples pedra absorvia toda a energia negativa de quem a possuía. E por não sabermos isso um grande desastre aconteceu dias depois.”

“A primeira vítima da pedra foi Ana, a filha mais nova do nosso lider. Após brigar com seu pai, a pedra que Ana usava no pescoço escuresceu completamente e ela caiu no chão, gritando. Seu pai tentou ajudá-la, mas acabou sendo empurrado para longe, e com o impacto que sua cabeça sofreu acabou morrendo. A garota acabou virando uma daquelas estranhas criaturas e começou a destruir a cidade, sendo impedida novamente por aquela deusa com longos cabelos rosa. A partir daquele dia, nunca mais usamos aquela pedra novamente, e as deixamos em um templo junto com um livro que continha essa história.”

            “Muito tempo se passou sem que as criaturas voltassem, até que um dia uma pessoa que estava perdida acaba achando um templo subterrâneo nesta cidade e junto dele estava o livro. Assim que ele abre o livro acaba descobrindo essa história, assim como o potencial da Jóia da Alma, e resolve tentar trazer as bruxas novamente.”

            ─ Acho que já sabe quem foi à pessoa que descobriu o templo não? ─ ele da uma gargalhada e um raio cai próximo de onde eu estava ─ Sim, fui eu que achei o livro, e depois de achá-lo passei anos pesquisando sobre o seu conteúdo. Descobri também sobre as Sementes do Rancor e sobre como usá-las.

            ─ E o que são Sementes do Rancor? ─ eu ainda tentava me soltar, mas estava complicado.

            ─ Assim que uma bruxa é morta, surge uma Semente do Rancor. Se alguém plantá-la e ela começar a germinar, surgirá um labirinto dimensional onde a bruxa vive. ─ ele explica, mas ainda estava confuso com aquilo ─ Para exemplificar, a Semente do Rancor é usada para neutralizar a impureza da Jóia da Alma. E quando uma Jóia da Alma escurece completamente seu portador se torna uma bruxa. E é nessa hora que essa pequena aqui entra.

            Shirou retira o pano que cobria a boca de Fuyumi e ao fazer isso ela começa a gritar por ajuda. Olhei para ela e vi que não poderia ajudá-la. Shirou retira outra Jóia da Alma de seu bolso e coloca as duas no pescoço dela, em seguida começa a pronunciar palavras em uma lingua que não reconheci. A chuva parecia ter aumentado e vários raios começaram a cair. Assim que Shirou termina de pronunciar as palavras ele diz algo para minha irmã, mas eu não consegui ouvir. Ela começa a gritar de dor e Shirou se afasta um pouco, observando atentamente o que acontecia com um grande sorriso no rosto. Seja lá o que ele tenha falado parece que tinha deixado Fuyumi irritada.

            ─ Veja Kyubey. Graças a você eu poderei criar uma nova era, uma era em que eu comandarei acima de tudo!

            ─ P-Por... Por que... ─ minha irmã gritava de dor enquanto pronunciava essas palavras ─ Por que você fez isso comigo, Onii-chan?

            ─ O que disse a ela Shirou? Responda!

            ─ Eu não disse nada demais... ─ ele diz desviando os olhos de mim ─ Eu só disse que era por sua culpa que isso estava acontecendo com ela. O que se formos comparar é verdade.

            ─ É MENTIRA! ─ eu grito para ele ─ Eu não sabia que estava te ajudando a fazer isso. Você me enganou!

            ─ Agora é tarde para reclamar meu caro. Veja, ela está se transformando.

            Ao ver o que estava acontecendo com minha irmã comecei a gritar. Ela lentamente foi mudando da forma humana para aquela coisa que eu vira em minha visão. Tudo o que consegui fazer ao ver aqui foi chorar e gritar seu nome. Shirou pulava de felicidade enquanto encarava aquela criatura disforme e gigante, e esta parecia estar perdendo o controle.

            ─ Finalmente! Finalmente! ─ ele gritava enquanto olhava para a bruxa que estava flutuanto acima de nós ─ Finalmente consegui criar uma bruxa perfeita. E por ter usado duas Jóias da Alma seu poder é ilimitado!

            A bruxa finalmente perde o controle e começa a destruir a cidade. Eu desisti de fazer tudo e não ligava se fosse morrer, minha irmã se transformara naquela criatura e eu estava preso. Não havia nada que eu pudesse fazer além de esperar que ela me matasse. Mas o que aconteceu foi que a bruxa atacou o lugar onde Shirou estava.

            ─ Mas o que pensa que está... ─ ele não chegou a teminar a frase, pois a bruxa destruiu o prédio onde Shirou estava o que acabou matando-o.

            Ela começou a me encarar e achei que meu fim havia finalmente chegado. Não tentei resistir não tinha mais forças nem para chorar. A bruxa se aproximou de mim e estendeu o que parecia ser um braço na minha direção e tocou meu rosto de forma gentil e assim que ela toca em mim meu corpo começa a esquentar. Uma pequena lágrima sai de onde deveria ser o olho da bruxa enquanto ela se afasta de mim e desaparece, e quando eu percebo estava com a mesma aparência daquela pelúcia que entregara para ela. De algum modo, ela me deixara daquela maneira.

            ─ Fuyumi. ─ pronunciei seu nome, mas estranhei por não ter nenhuma emoção naquelas palavras ─ Um dia irei fazer você voltar ao normal. Eu prometo.

 

~ FLASHBACK OFF ~

 

─ E essa é toda a minha história. ─ Kyubey diz finalmente ─ Shirou fez aquilo porque aquele que tiver um grande poder poderá mudar a Lei do Ciclo, e era esse o objetivo dele. Mas ele não conseguiu controlar o poder de Fuyumi e acabou pagando por isso.

            ─ Eu não sabia que você tinha uma história dessas, Kyubey. ─ Sayaka diz enxugando uma lágrima dos olhos ─ Por que não nos disse nada antes?

            ─ Isso era algo que eu preferiria não ter contado. ─ ele diz após se levantar do colo de Madoka ─ Mesmo se soubessem disso antes, nada teria mudado. Não muda o fato de que ainda estou usando vocês para meu próprio objetivo.

            ─ Isso até pode ser verdade ─ Madoka diz o encarando ─, mas mesmo assim deveria ter contado. A gente poderia te ajudar Kyubey.

            ─ E por que vocês me ajudariam depois de saber disso? ─ ele pergunta olhando para Madoka ─ Depois de ter colocado suas almas nas Jóias e vocês terem o risco de se tornarem nessas criaturas, você ainda diz que me ajudaria a salvar minha irmã?

            Nesse momento, todas nós o olhamos e damos um sorriso em sua direção. Ele parecia não entender nada daquilo.

            ─ Sim. Nós ajudaremos a trazer sua irmã de volta. ─ Madoka diz finalmente ─ Tudo o que temos que fazer é mudar a Lei do Ciclo, certo?

            ─ Acho que isso deve ser suficiente. ─ ele diz finalmente.

 

            Minutos depois...

            Dizendo isso, nós nos preparamos para ir embora, já que estava anoitecendo. Resolvemos passar em um restaurante em que Kyoko costumava ir com Sayaka, mas antes disso eu olhei em direção àquela cidade que antes era abandonada. Kyubey veio até meu lado e olhou fixamente para lá.

            ─ Vai realmente me ajudar, Madoka?

            ─ Sim. Eu irei. ─ digo simplesmente.

            ─ E por que faria isso? ─ ele pergunta ─ Por que ajudaria alguém que só te usou esse tempo todo?

            ─ Não sei ao certo, mas tenho a impressão que isso é algo que eu tenho que fazer. ─ eu digo enquanto me viro para ir embora ─ E se eu puder te ajudar eu irei.

            ─ Vocês humanos são tão interessantes... ─ Kyubey comenta enquanto me segue.

            Derrotar todas as bruxas e enfrentar Walpurgis Natch para mudar a Lei do Ciclo... Isso parecia algo impossível antes, mas agora nós acreditávamos que poderiamos fazer. Ainda não sabíamos ao certo o que teriamos que fazer para derrotá-la, e nem o verdadeiro motivo de Homura tentar nos atrapalhar, mas isso iriamos descobrir mais cedo ou mais tarde.

           

            Mas ao que parece, a verdade sempre chega mais cedo do que você espera...



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