História Mais que amigos - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amigos, Namoro, Original, Romance, Teens, Tom, Young Adult
Visualizações 2
Palavras 4.647
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


A narrativa da história será alterada entre os personagens, então sempre vou indicar qual o capítulo e quem está narrando.

Capítulo 2 - Emily cap 2


Capitulo 2.

Emily

Meu sono foi tranquilo e sem sonhos, espertei com o celular tocando, era hora de me arrumar para o jantar, só de pensar em Peter meu estômago gelou. Eu nunca havia reparado em como desejava a companhia dele, o toque de sua mão na minha, é logico que tudo era apenas saudade, eu não podia gostar dele por que era o Pete, isso seria muito estranho.

Antes de me perder em pensamentos estranhos outra vez entrei no banho, lavei meus cabelos e escolhi um top rosa com uma calça jeans azul escuro, pendi meu cabelo em um rabo de cavalo, sapatilha preta simples, fiz uma maquiagem simples com um pouco de delineador que ajudava a ressaltar os meus olhos e passei meu perfume preferido.

Ao descer as escadas para esperar o Peter minha tia me chamou em seu escritório, era um lugar claro cheio de estantes com diversos livros, ela estava em sua mesa que tinha um computador enorme, minha tia tinha os óculos na ponta do nariz enquanto lia uma papelada que se espalhava por toda a mesa e chão ao redor.

_Emily querida eu preciso falar com você _ ela me olhou atentamente com seus olhos verdes esmeralda iguais o da minha mãe, era a única coisa que as duas tinham em comum por que o cabelo de tia Ann era castanho claro.

_Sim tia _ eu me aproximei de sua mesa e me sentei na cadeira de frente a ela, como filha mais velha ela sempre cuidou da minha mãe após a morte de seus pais apesar da diferença de idade ser de apenas cinco anos dava pra notar que minha mãe a respeitava muito.

_ A Ashley vai passar a semana da primavera aqui, como ela odeia vir ficar comigo será que você poderia passar um tempo com ela?

Minha tia sofria muito por sua filha ter escolhido morar com o pai em Miami quando houve o divorcio, minha prima era uma garota difícil de lidar, sempre foi muito mimada pelo pai e com seus 19 anos ela consegue ser uma criança chata quando quer.

_Sim tia, faz muito tempo que não conversamos _ por que ela era insuportável e fútil _ Será ótimo passar esses dias com ela _ o que eu não fazia para ajudar _ Meus pais estão?

_Sua mãe foi ao clube de campo rever algumas amigas e seu pai foi andar a cavalo, você jantara conosco? _ ela observou detalhadamente minha roupa, e ergueu a sobrancelha já adivinhando minha resposta _ Creio que não, sobre a Ashley eu sei que ela pode ser bem difícil às vezes e um pouco competitiva com você, tenha paciência Emmy, ela pode aprender algumas coisas com você querida.

_Eu sei disso, a senhora sabe que faço tudo por você.

Ela acariciava a minha mão com seus olhos tristes, não bastava ser sozinha por que o marido a trocou por uma modelo 10 anos mais nova, a única filha que ela tinha era uma vaca, coitada da minha tia.

_A outra coisa que eu quero conversar com você _ ela tirou os óculos e se sentou reta, seu rosto adquiriu a expressão de “mulher de negócios”, péssimo sinal essa expressão só era usada quando ela precisa ser séria e convencer alguém sobre suas ideias_ Hoje cedo eu observei o quanto você e o Peter ficaram próximos, e deve admitir que eu já esperasse por isso.

_Hamm próximos? Como assim? _ fiquei corada na hora, eu via meu reflexo no espelho atrás da mesa.

_Ele é um ótimo rapaz, tem um futuro brilhante pela frente, é dedicado e inteligente um ótimo namorado pra você.

_Credo _ agora sim eu fiquei mega vermelha_ Ele é apenas meu amigo, não existe a mínima possibilidade desse tipo de coisa acontecer, ele jogava minhocas em mim.

_Se você diz, apenas tome cuidado querida para não se machucar ou a ele, deixe claro os seus sentimentos.

Ela voltou a pegar os papéis e pôs os óculos um sinal claro de que nossa conversa havia acabado, deixei o escritório em direção ao jardim da porta de entrada principal, as palavras dela ficaram na minha cabeça girando e girando, como poderia me machucar ou o Pete? De onde ela tirou a ideia de que poderíamos ter algo além de amizade? Realmente o dia e hoje foi confuso e eu senti algumas coisas estranhas só que a culpa era das saudades que sentia por ele e dos malditos livros de romance que andava lendo.

_A maioria das garotas fica feliz por um cara ser pontual_ me assustei com sua chegada repentina, ele estava lindo com uma camisa branca com as mangas enroladas no braço e uma calça preta_ O gato comeu sua língua? Você tá bem? _ seu rosto ficou serio de preocupação

_Estou ótima _ minha voz me traiu que ótimo_ Então aonde vamos?

_Eu pensei no Sally’s, você adora o hambúrguer dela_ minha barriga roncou alto em concordância com o cardápio_ Viu eu conheço a sua pança.

Ele pegou minha mão e me ajudou a subir na caminhonete, ele dirigiu saindo da fazenda, no radio tocava Play It Again do Luke Bryan Peter começou a cantar fora do ritmo enquanto eu o filmava com meu celular.

_Eu juro que vou colocar isso no You Tube _ eu dava varias risadas, quando ele parou em um sinal vermelho.

_Nem pensar, se você fizer isso eu te processo_ ele me deu uma piscada e abriu um sorriso torto lindo.

_Minha mãe me defenderá_ Eu o encarei desafiando ele pra continuar a briga.

_Acho que ela não vai fazer isso, você será culpada_ Era irritante o quanto ele conhecia minha mãe, ele sabia que ela nunca passou a mão pela minha cabeça quando fazia algo errado.

_OK, minha vez de escolher a musica.

Eu mudei para a estação POP que tocava Shake It Off da Taylor Swift, comecei a cantar e fazer uma dancinha engraçada, Pete dava muitas risadas e o som da sua risada fazia o meu coração pular de alegria, o trajeto de 30 minutos que levamos para chegar no Sally’s passou muito rápido e eu estava muito ansiosa pra continuar nesse clima descontraído, doce ilusão da minha parte.

_Permita-me abrir a porta para a senhorita._ Pete desceu da caminhonete atravessou o estacionamento para o meu lado e abriu a minha porta fazendo uma reverência muito formal para a o local e ocasião_ Princesa chegamos ao seu destino, devo lembra-la que nesta eu a pagarei a conta desta agradável refeição então não peça nada muito caro!

Ele me olhou como se fosse me bater caso eu desobedecesse a seu aviso, fingi estar ultrajada e tentei voltar para o carro.

_Ei esse não foi o trato _ Pete puxou uma mecha do meu cabelo um pouco forte demais _ AI!

_Desculpa, to brincando com você sua boba, pode pedir o que você quiser.

_Acho bom.

Entrei pisando duro no restaurante, ele correu ao meu lado e pegou meu braço e me conduziu a uma mesa no canto e assim que terminamos de sentar uma jovem morena de cabelos cacheados trouxe o cardápio, era uma jovem muito bonita com seios grandes e um decote muito generoso que com certeza lhe garantia ótimas gorjetas.

_Pete, quem é essa?

A voz da garçonete me despertou a atenção do cardápio, ela estava muito zangada e me olhava como se quisesse me jogar fora do restaurante, o nome no crachá dela era Debbie. Só podia ser brincadeira, ele não faria isso comigo não havia passado nem 8 horas da nossa briga por causa dela.

_Debbie essa é a Emily, Emily te apresento Debbie.

Eu estendi minha mão para cumprimenta-la como manda a boa educação, em troca recebi um olhar de morte ainda mais forte que o anterior e que deixava claro que se ela tocasse a minha mão ela a arrancaria fora.

_Você me disse que estava ocupado hoje, então eu troquei a minha folga e olha que lindo você está aqui com ela _ Ela apontou o dedo em minha direção como se eu fosse um inseto.

_Eu estou ocupado, a Emily é a minha melhor amiga e se você não se importar gostaríamos de jantar _ ele estava com a voz seca, mas era evidente que a raiva dele não teria controle_ Pare de ser criança e faça o seu serviço depois conversamos.

_Eu não sou criança _ ela gritou, por um momento pensei que ela ia bater nele ou em mim, mas ao invés disso ela se aproximou dele de uma forma sedutora, deixando à mostra a alça do sutiã de onça_ E você sabe muito bem disso, principalmente quando estacionamos semana passada.

Pete ficou vermelho e olhou em minha direção, como fui estupida em acreditar que essa vaca não significava nada pra ele, eles estavam transando e esse pensamento me fez ficar enjoada, o que ele viu nela, pior desde quando ele perderá a virgindade? Quantas vezes ele havia ficado com ela? Quantas passaram por sua caminhonete? Eu estava completamente sem ar eu tinha que sair da li.

Levantei-me da mesa com um salto e sai em direção ao ponto de ônibus, eu não conseguiria entrar naquela merda de caminhonete onde ele se pegou com aquela piranha, eu voltaria pra casa de qualquer forma menos com ele.

Escutei gritos atrás de mim e o vi saindo do restaurante e ele seguia em minha direção, comecei a correr pela rua e por sorte um ônibus encostou na hora que cheguei no ponto, subi nele e vi que Peter gritava no meio da rua correndo para alcançar o ônibus que havia saído do ponto, varias pessoas me encaravam dentro do ônibus e começaram a cochichar entre si.

_Mocinha, você quer que eu pare? _ o motorista que era um senhor de aparência latina com cabelos grisalhos me olhou com receio.

_Não eu só quero ir embora.

Percebi o motivo de todos me encarem, eu chorava compulsivamente e meu reflexo mostrava o quanto horrível me encontrava, olhos de panda devido o delineador borrado, cabelos bagunçados e eu tremia de raiva.

Paguei a passagem e me sentei no fundo do ônibus, liguei meu celular e a musica que começou a tocar parecia profetizar esse momento Love The Way You Lie. Passei a viagem inteira olhando pela janela e 20 minutos depois o ônibus me deixou na estrada de terra e grama que levava a fazenda da minha tia, por morar afastada da cidade e o único acesso a acesso a fazenda ser muito precário e longo todos andavam de carro a caminhada a pé além de me causar bolhas no pé levaria no mínimo uns 50 minutos, muito diferente dos 30 que fiz no trajeto de ida. Eu não me importava com o tempo, com o cansaço ou com as bolhas, a única coisa que eu queria era me deitar em minha cama em Nova York e esquecer essa maldita semana da primavera.

Escutei o barulho de um carro parando e quando me virei vi Pete descer da caminhonete e correr em minha direção.

_Emily, vamos conversar agora_ ele estava descontrolado e muito bravo comigo, mas eu não fiz nada de errado o mentiroso era ele, essa briga eu iria comprar.

_Eu não tenho nada a falar com você, eu não perderei o meu tempo com um mentiroso como você.

Eu peguei uma pedra no chão e joguei com toda a minha força na direção da caminhonete ele se distraiu com isso e eu pulei a cerca que separava a estrada do pasto, comecei a correr o mais rápido que podia sem olhar pra trás, quando achei que conseguiria fugir braços fortes me agarraram me derrubando no chão.

Peter estava em cima de mim me imobilizando na grama, eu gritava e o unhava com toda a minha força, consegui acertar uma joelha em sua virilha, ele gritou e dor, mas mesmo assim continuou me segurando, meus pulsos doíam terrivelmente onde ele apertava para conter as unhadas.

_ME SOLTA!_ eu consegui acertar um soco em seu queixo, ele apertou ainda mais o meu corpo contra a grama.

_Emily olha pra mim _ ele suava e dizer que ele estava com raiva era pouco, Peter era um vulcão em erupção_ nós vamos conversar quer você queira ou não.

_Eu vou gritar, eu não sou obrigada a te ouvir_ eu me debatia da melhor maneira possível, sem nenhuma eficiência para me soltar.

_Pode gritar não tem ninguém aqui.

Seu rosto se aproximou do meu de uma maneira sensual e eu percebi a situação que nos encontrávamos, após tanto me debater ele havia posto um a mão na minha cintura e a outra segurava meus braços acima da minha cabeça, nossas pernas se entrelaçaram, meus seios roçavam o peito dele e eu conseguia sentir o quanto forte seu coração batia e sua respiração irregular jogava o hálito de menta em direção a minha boca me fazendo arrepiar. Ele deslizou a mão pela minha barriga e a que segurava o meu braço foi em direção aos meus cabelos, em vez de voltar a bater nele como deveria ter feito senti a enorme necessidade de toca-lo e minha mão percorreu seu braço até chegar ao seu pescoço e quando minhas unhas encontraram a pele nua e o arranhou ele soltou um longo suspiro e me pressionou ainda mais contra o chão.

_Emily _ ele sussurrou no meu ouvido e sua boca me deu um beijo suave nele, eu soltei a respiração que nem percebi que estava prendendo_ Precisamos conversar Emmy, por favor, não fuja de mim eu preciso te soltar agora antes que faça alguma besteira.

Seus olhos azuis estavam intensos e eu poderia me afundar neles, eu não queria fugir dele, eu queria que ele continuasse a me prender ali, eu queria saber que besteira ele faria, eu queria, droga, eu queria ele. Antes de poder fazer qualquer coisa ele me soltou e rolou para a grama. A saída de seu corpo de cima do meu ao invés de alivio me trouxe angustia, eu não podia esquecer o que ele havia feito. Ordenei a mim mesma para me controlar, após alguns minutos com os olhos fechados eu consegui encontrar equilíbrio o suficiente para poder me levantar e voltar pra estrada.

Ele estava sentado e mordia o lábio inferior, algo que ele sempre fazia quando ficava nervoso e precisava se acalmar.

Eu me sentei no capo da caminhonete e comecei a tirar os pedaços de grama que grudaram em mim, mentalmente eu ensaiava a discussão que teríamos todas as coisas que jogaria em sua cara e o sarcasmo que ele ouviria de minha voz e a frieza que o trataria, claro que essa parte da frieza foi abalada alguns minutos atrás, mas eu não poderia me deixar levar. Essa briga é minha.

Ele finalmente vinha em minha direção, seu andar estava determinado e eu me senti encolher conforme reparava que uma parte da raiva retornara a seu rosto. Ele passou por mim e entrou na caminhonete, fez sinal para que eu entrasse e sim eu entrei correndo o seu autocontrole estava no limite e ainda não era hora de ataque.

Ele dirigiu em silêncio pela estrada, seus dedos apertavam o volante com força e seus olhos não desviaram uma vez, perto da casa abandonada ele tocou minha mão rapidamente.

Descemos do carro e eu entrei na frente pela janela, ele entrou com alguns sacos na mão e bebidas na outra e caminhou em direção à sala de jantar.

_Devido ao que houve vamos jantar mc donalds_ ele me deu um saco e se sentou _ Senta e come algo.

_Eu não quero.

_Emily _ ele respirou fundo e puxou uma cadeira ao lado da sua _ Senta agora.

Eu me sentei e observei enquanto ele comia algumas batatas e tomava um gole de coca.

_Você tem ideia do susto que me deu? _ele disse com a boca cheia de batata _ Do que você me fez pensar?

Era brincadeira, ele iria mesmo virar o jogo contra mim? Eu não havia feito nada de errado e nada teria acontecido se não fossem suas mentiras, se eu tive um pouco de medo da sua ira isso sumiu no momento em que ele me acusou de ser a causa de seus problemas.

_Você não pode me acusar de nada_ eu levantei o tom de voz e seus olhos se arregalaram_ Vamos fazer uma lista das coisas que aconteceram hoje, você mentiu _ dei uma pausa para enfatizar o peso do meu argumento, como minha mão me ensinou para os debates da escola _ Me levou ao trabalho da sua namorada.

_Ela não é minha namorada

_Eu ainda não terminei, continuando sua querida “amiga” _ fiz sinal de aspas com os dedos _ Me humilhou publicamente e me contou suas historias sexuais, bom dito tudo isso eu te fiz algo? Por favor, não seja hipócrita.

Ele pareceu magoado quando eu terminei de falar, ponto pra mim. Por um momento eu pensei que ele se levantaria e me deixaria ali sozinha, ele estava muito pálido e não conseguia comer mais nada, ele passou a mão no rosto e em seu cabelo o que significava que ele estava cansado, eu também queria um tempo, mas não podia deixar isso passar.

_Peter você me chama pra conversar e fica mudo, é ridículo se você não for falar nada eu vou embora.

Afastei minha cadeira e quando ia me levantar, sua mão segurou meu pulso. Ele me ofereceu sua batata e eu peguei uma e comecei a mordiscar.

_Eu não menti para você. Ela não é nada pra mim _ Eu ia começar a retrucar quando ele pediu com um aceno para que eu esperasse _ Ela não é minha namorada, eu a levei ao meu baile de formatura por que ela me perseguiu o ano inteiro e eu pensei por que não?

Ele começou a abrir o jogo, algo o incomodava, e eu tinha que descobrir o que era. Segurei sua mão e abri um leve sorriso o encorajando a continuar falando. Ele respirou fundo algumas vezes e seu polegar fazia círculos nas costas da minha mão.

_Após o baile nós ficamos juntos e isso se repetiu algumas vezes. Eu sou um homem e tenho minhas necessidades _ Meu rosto começou a esquentar e me lembrei do que aconteceu no pasto _ Eu sempre deixei claro pra ela que não queria nada serio que era apenas atração.

_Então por que ela fez aquela cena? Por que você não me contou que havia perdido a virgindade? Por que você não confia em mim?

A última frase pareceu ter dado um murro em seu estomago, pois ele soltou o ar e se afundou ainda mais em tristeza, eu queria desesperadamente conforta-lo, a luta interna em mim me deixava louca, um lado queria abraça-lo e dizer que tudo vai ficar bem que estou aqui o outro quer que ele sofra, eu precisava de respostas, porém, existia essa outra parte a que não queria nada disso somente sua boca em meus lábios e que continuássemos de onde paramos antes.

_A Debbie é dramática, ela sempre apronta alguma coisa e ficou com ciúmes de você.

Não consegui segurar a risada que escapou dos meus lábios, ele ergueu suas sobrancelhas me questionando, peguei o lanche dei uma mordida para desviar o foco da conversa para ele.

_Eu não te contei sobre a virgindade porque isso é constrangedor _ ele deu uma risada nervosa e passou a mão pelo cabelo_ É algo que eu queria guardar apenas para mim, não significa que eu não confio em você é que eu preciso dos meus segredos e você dos seus é natural não se abrir totalmente.

Ele começou a comer seu lanche junto comigo e ficamos em um silêncio constrangedor, ele me encarava com um ar de insegurança, isso ainda não tinha terminado era a vez dele de me jogar na berlinda e eu ainda não tinha terminado a minha guerra privada para me sentir forte e segura em que caminho trilhar, na verdade nem caminho existia. Após terminarmos de comer ele suspirou e colocou seus dedos em suas têmporas massageando levemente, ele devia estar com uma baita dor de cabeça.

_Emily por que você se incomoda tanto com isso?

_Eu já te disse eu não gosto que me escondam nada! _ eu acabei falando alto de mais e isso atraiu ainda mais sua atenção.

_Por que você foi embora correndo? Por que você não sustenta o meu olhar? _ automaticamente abaixei a cabeça, como explicar algo que nem você entende? Esse dia foi muito louco e a minha desordem interna aumentava a cada segundo.

_Eu já disse me senti ofendida e enganada _ eu gaguejei um pouco _ Eu sempre te contei tudo, até as coisas sem nenhuma importância e quando percebi que havia esse espaço entre nós eu simplesmente não sabia como reagir, você é diferente dos meus outros amigos, você é único e são 10 anos e sei lá _ eu consegui olhar em seus olhos a confusão dos meus refletiam neles_ É estranho e ela me irritou muito eu não conseguia respirar eu não conseguia aguentar eu não posso.

Ele se levantou da cadeira e me puxou pela escada até chegarmos ao quarto, suavemente ele me fez deitar na cama e depois ele me abraçou e passava o dedo pelos meus cabelos, à sensação era maravilhosa e reconfortante eu o desejava assim para sempre, tudo foi varrido para longe e só havia nós dois e esse momento de conforto. Virei-me de lado e repousei minha cabeça em seu peito escutando as batidas de seu coração disparado, quase tanto como o meu. Havia sido aberto um espaço enorme entre nós e eu não sabia como fecha-lo, depois de hoje nada seria como antes e por mais que eu tentasse esquecer nada me deixaria afastar essas lembranças. Eu ainda não fazia ideia que teria muitos outros monstros para enfrentar.

_Foi no natal _ ele disse vacilante enquanto sua mão travou em meu ombro _ Você viajou com seus pais para visitar seus tios de Washington_ ele fechou os olhos e eu percebi que ele estava revivendo cada detalhe enquanto me contava _Eu tinha que dar uma carona a essa garota, ela bebeu demais e o carro dela quebrou e fomos embora da festa juntos, ela pediu para que eu parasse o carro um pouco, eu fiz sem questionar e quando dei por mim ela havia me beijado.

Eu senti o ciúme me invadir novamente, essa garota o seduziu e sua expressão indicava que ele tinha gostado muito desse joguinho.

_ Então ela te beijou e você simplesmente decidiu fazer? _ eu tentei esconder a irritação em minha voz mais foi difícil.

_ É complicado, ela era mais velha e tinha pratica, foi algo que eu não esperava e eu me envolvi nessa coisa louca e foi ótimo. Ela foi embora e acabou.

Eu o observava atentamente, ele parecia ter se apaixonado por ela, e em troca ganhou um coração partido. Eu podia imaginar ele pensando nela, os lugares que eles visitaram e se ele ainda pensava nela, se esperava encontrar com ela essa semana. Meu estomago revirou ao imaginar que eles ficariam juntos e eu apenas observaria o casal feliz e louco. Decidi não perguntar o nome dela para evitar forçar a barra e me proteger, eu não queria viver outra cena igual a do restaurante.

_Com quantas você ficou?

Eu realmente estava curiosa sobre isso, sabia de 2 quantas outras passaram por sua caminhonete.

_ 5. Você quer saber mais alguma coisa? _ fiz que não com a cabeça, ele olhou meu corpo atentamente o que me fez tremer_ Você esta tremendo de frio, vamos embora?

_ Sim, me desculpa por tudo por ser assim.

Ele apenas me abraçou mais forte e ficamos assim e eu perdi a noção do tempo, quando nos levantamos para ir embora ele beijou minha testa e terminamos o caminho de volta a casa de tia Ann de mãos dadas, ele me beijou no rosto e voltou em direção à casa abandonada onde a caminhonete ficou estacionada.

Ao invés de entrar na casa, resolvi dar a volta pelo pátio e andar até a piscina coberta que ficava a alguns metros da casa principal, a piscina coberta foi um presente da minha tia para Ashley em seu aniversário de 12 anos por que a fofinha pediu e nunca entrou nela. Outra prova dos caprichos loucos de minha priminha.

Eu estava cansada mais decidi nadar um pouco como justificativa da maquiagem borrada e poder esconder as minhas roupas sujas de grama e terra, eu já havia passado por muita coisa para o poder lidar com uma crise de ciúmes do meu pai, ter que falar dos meus sentimentos com minha mãe e validar as coisas que a tia Ann me falou antes de sair.

Liguei o som baixinho, tirei a minha calça e o top para entrar na piscina, quando soltei o rabo de cavalo que já estava todo desajeitado pensei ter visto algo se mexendo na porta, meu coração quase saiu pela boca quando o gato da Nanã entrou. Eu mergulhei algumas vezes para me acostumar com a água e nadei até me sentir totalmente esgotada e comecei a boiar ate meu celular tocar.

_ Emily você ainda tem toque de recolher _meu pai estava um pouco aborrecido_ E falta exatamente 3 minutos para você estourar o seu.

_ Eu já estou em casa há algum tempo, to na piscina coberta _ Acendi as luzes e apaguei algumas vezes para confirmar o meu argumento.

_ Você está com o Peter?

A irritação não havia diminuído nada e eu escutei ao fundo minha mãe dar risada e minha tia falar pra ela ficar quieta.

_ Não eu estou sozinha, já vou entrar.

Ele resmungou um Ok e desligou o telefone, peguei uma toalha e minhas roupas e sai correndo contra a noite para entrar na casa e subi direto para o meu quarto, após tomar um banho longo e colocar minha camisola preferida me deitei na cama e fui checar meu celular. Havia algumas notificações dos meus amigos no FACEBOOK, 5 chamadas não atendidas do meu pai e 10 do Peter na hora que sai do restaurante.

Meu pai me mandara quatro mensagens perguntando onde estava e que horas voltaria, sério ele se tornou um pai muito possesivo e desde que fiz 17 anos e a coisa vinha piorando conforme me aproximava dos 18, o Peter também havia me mandado mensagens  eu abri a conversa:

Peter: onde você está?

Peter: oq houve??? 

Peter: to indo atrás de vc!!!!!

Peter: me responde. 

Após ele me deixar em casa ele me mandou outras mensagens:

Peter: vc dv t dormindo, boa noite 

Peter: Emmy me desculpa, mas preciso te perguntar uma coisa...

Emily: oi Pete, to acordada pode perguntar.

Peter: eu não tenho esse direito, mas queria saber se você já fez 

Emily: Fiz oq?

Peter: sexo 

Por essa eu não esperava, ele nunca havia demonstrado interesse na minha vida amorosa, ate quando eu tentava falar com ele a sua resposta padrão era me ignorar até que eu mudasse de assunto.

Peter: ñ precisa responder.

Emily: ñ

Peter: ñ oq?

Emily: eu nunca fiz.

É claro que eu não era santa, já namorei alguns caras só nunca me senti com vontade de ter algo mais.

Peter: pq nunca?

Emily: pq tem que ser especial p mim, e nunca conheci esse cara.

Peter: entendi vc ta certa 

Emily: rsrs eu sou careta 

Peter: haha totalmente 

Emily: besta! Ah esqueci te falar a Ashley vem pra cá 

Peter: sua prima?

Emily: d q outra Ashley eu falaria?

Peter: Hummm tenho q ir dormir, trabalho amanhã cedo;

Emily: nossaaaaaa, falou o senhor trabalhador

Peter: alguém tem que ser

Emily: ate amanhã, durma bem.

Peter: vc tbm linda.


Notas Finais


O ciúme é um sentimento como uma gota d'água e termina do tamanho do oceano afogando a todos que resolverem mergulhar...
Emily não consegue entender isso ainda, espero que ela não aprenda a lição tarde demais.


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