História Mais uma noite - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Lendas Urbanas
Tags Drama, Maisumanoite, Tragedia
Exibições 3
Palavras 1.155
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 4 - Cest la vie


Naquele mesmo dia à tarde saiu de casa para pegar o metrô e ir ao médico, quando encontrou Madame Angelique, sua velha e falante vizinha.

    _ Boa tarde, rapaz. Como tem passado?

    _ Vou bem, obrigado. E a senhora?

    _ Perfeitamente. Você não fala muito, não é?

    _ Sou mais calado mesmo. Parece que essa vida aqui em Paris não tem me feito bem.

    _ Ah, você não é daqui? - Perguntou com ar interessado, para desespero de Phillipe.

    _ Não! Sou de Lyon. Minha família toda vive lá, sou o único que quis sair de casa.

    _ Deve ter sido difícil para você.

    _ Sim, foi bastante. Especialmente porque minha ex-namorada acabou se matando quando a abandonei para estudar em Montpellier. - Não conseguiu entender porque disse isso. Era como se algo o obrigasse a falar. Ele havia enterrado a memória de Constanine e não estava disposto a trazê-la de volta. Nunca iria se esquecer daqueles olhos azuis sem vida, olhando para ele.

    Pensar nisso foi como ter levado um soco no estômago. Como ele havia se esquecido disso? Como ele não fizera a ligação direta entre as coisas? Aqueles malditos olhos azuis que ele via todas as noites! Era ela! Tinha que ser! Não podia ser diferente. Resmungou uma despedida para Angelique e foi andando, absorto em pensamentos.

    Ela certamente não era loira, mas tinha aqueles olhos azuis. Era tão bonita quanto aquela visão. Também, não era possível comparar. Ele havia queimado todas as fotos! Destruído tudo o que pudesse lembrar dela. A única coisa que ainda mantinha era a culpa. Jamais se perdoara por ser o culpado da morte de alguém como ela. Boa, educada, inteligente, com um futuro maravilhoso pela frente. Acabara com tudo quando ele disse que iria para Montpellier e queria terminar o relacionamento de seis anos. Nunca mais namorou ninguém. Teve alguns “rolos”, mas nada que fizesse aplacar a culpa.

    Quando percebeu já estava no consultório do médico que era perto do escritório onde trabalhava. Foi andando até o consultório, ainda pensando sobre as coincidências. Pensar naquilo fazia sua cabeça doer e aumentava a confusão. Será que perguntava sobre aquilo ao médico? E se estivesse louco? Não sabia o que pensar.

    _ Boa tarde, Sr. Avril. - respondeu a secretária quando ele se identificou - Pode aguardar que já será chamado.

    Esperou por razoáveis 20 minutos. Esperar era algo que ele sempre detestou. Não importa o que, sempre foi um grande sacrifício.

    _ Boa tarde, Sr. Avril. - Disse o médico, um homem com seus 30 anos.

    _ Boa tarde, Dr. Avignon.

    _ Quais são os seus sintomas? - Indagou o médico sentando-se em sua cadeira e olhando-o atentamente

    _ Bom, ontem à noite, eu estava no banheiro, quando senti uma forte tontura e acabei desmaiando. Quando acordei, já eram 7:30 da manhã.

    _ Foi a primeira vez que isso aconteceu? Há casos de desmaios em sua família?

    _ Foi a segunda vez - Phillipe hesitou - que isso aconteceu - completou envergonhadamente.

    _ Em quais circunstâncias isso aconteceu? - quis saber o médico com ar preocupado

    _ Bom, eu tinha uma namorada e acabei por terminar o namoro. Ela ficou muito descontrolada e saiu correndo, quando veio um carro e a atropelou. Eu corri para ela, mas quando cheguei ela já estava me fitando sem vida. - disse descontroladamente e com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto - Eu a matei! Ou pior ela se matou por minha causa! Não sei o que é pior. Se é tê-la matado ou tê-la feito se matar. - Completou com a voz alterada e as veias saltando sob a têmpora.

    _ Você não a matou! Aconteceu uma fatalidade que poderia ter acontecido com qualquer um! Parece-me que você está num estágio depressivo sério. Terei que receitar um ansiolítico e um calmante. Fique atento à posologia.

    _ A matei sim - interpôs - eu tinha tudo o que precisava em Lyon, mas quis ir para Montpellier por capricho. Eu nunca enxerguei que a felicidade estava ao meu lado.

    _ Você pode ter cometido erros, mas não responde pelas atitudes das pessoas! Você não a coagiu a sair correndo e garanto que teria evitado a todo custo que acontecesse essa tragédia. Eu lamento muito pela sua perda, mas, infelizmente, a essa altura, não há mais nada que possamos fazer por ela. C’est la vie! Você, por outro lado, ainda está vivo e tem que cuidar de si e, pode reparar seu erro, encontrando outra pessoa e fazendo-a feliz.

Ouvir aquilo fez Phillipe refletir pela primeira vez em anos. Jamais tinha ido a um médico para se tratar depois do acontecido. Talvez precisasse seguir em frente, mas aquele apartamento o havia impelido de volta ao passado. Era como se ele revivesse aquela tragédia todos os dias. O médico esperou calmamente Phillipe se recuperar, até que fez uma pergunta.

_ Você disse que a primeira vez que desmaiou foi no dia em que essa fatalidade aconteceu. Ontem, aconteceu algo que possa ter disparado lembranças sobre o dia? Ou você estava sob muita pressão?

Phillipe não respondeu imediatamente. Sua mente estava sob uma tempestade de sensações. Ele poderia dizer a verdade. Ou poderia mentir. Não sabia qual seria reação do médico. Especialmente porque seu avô tivera esquizofrenia, vira seu querido avô ser consumido pelas alucinações da doença. Por outro lado se ele tivesse, poderia começar o tratamento o quanto antes. Resolveu engolir os medos e dizer para o médico a verdade.

_ Sinceramente, eu tenho tido alguns pesadelos à noite, com estranhos olhos azuis. Esses olhos me perseguem nas minhas noites de sono. Entretanto eu pensei ter visto, pelo espelho, uma mulher atrás de mim no banheiro e acabei desmaiando com o acontecido.

O médico o fitava atentamente. Ainda analisando as palavras que aquele rapaz lhe havia dito. Talvez fosse cedo para tomar decisões e tirar conclusões, mas certamente algo não estava correto. Receitou mais alguns remédios, a saúde mental daquele jovem o preocupava. Sugeriu que ele saísse mais de casa e que tivesse consultas periódicas todos os meses.

Ao ouvir as recomendações do médico, Phillipe despediu-se e foi em uma farmácia comprar remédios. Saindo da farmácia ouviu uma conhecida voz. Era Marie.

_ Phillipe! Oi! Como você está? Nunca mais me disse nada!

_ Oi, Marie! - ele percebeu a cara de espanto quando ele disse seu nome - Sim, eu me lembrei! - disse com ar divertido. Estava disposto a seguir as recomendações do médico. Não enlouqueceria. Iria se divertir e acabar de vez com aqueles problemas relacionados ao seu passado. - Gostaria de ir a um café? Há um muito bom, chama-se Brasília. O que acha?

_ Perfeito! - respondeu a garota visivelmente animada. Finalmente conseguiria se aproximar mais daquele estranho garoto do interior. Precisava de alguém para se divertir. Ambos saíram felizes, caminhando rumo à estação. Conversando animadamente, mas c’est la vie, e Phillipe sabia que a vida era assim mesmo.

 



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