História Make Me Love You - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtanboys, Bts, Oneside!taekook, Suga, Sugav, Taegi, Taehyung, Vsuga, Yoongi
Visualizações 89
Palavras 3.330
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Depois de anos... Aqui estou
Espero que gostem e obrigada pelos comentários e favoritos

Capítulo 4 - Verso três - A mão que foi cuidadosamente estendida...


Fanfic / Fanfiction Make Me Love You - Capítulo 4 - Verso três - A mão que foi cuidadosamente estendida...

 

 

Eu realmente nunca tive problema com mudanças.

Só que, geralmente, as transformações de uma coisa a outra eram graduais na minha vida – deixando algum tempo para me acostumar com um passado diferente do presente - como o outono dando lugar ao inverno ou então quando o ensino médio acabou e comecei a faculdade. Eu tive um tempo para me acostumar e para entender essas mudanças, basicamente.

Mas aquilo, não, aquilo era totalmente diferente.

Como isso mudou em uma noite?

— É melhor parar de encarar o nada, Tae — Jin sussurrou, na hora do almoço, inclinando-se um pouco na minha direção  — As pessoas vão começar a perguntar qual o seu problema.

Olhei para ele e sorri amigavelmente, assim como para o garoto a minha frente que contava alguma coisa que eu realmente não conseguia acompanhar – qual era o nome dele mesmo? Hose, Hosk, Hoseok!

— Então, eu disse que era provável que as cordas estivessem desafinadas — falava — E todos sabemos que o professor Lee não tem violões desafinados.

— Você está tão ferrado, Hoseok — Jeongguk comentou, entre risos, assim como todos na mesa.

Isso era tão estranho.

Ter tanta gente na mesa, quero dizer.

Geralmente eram Jeongguk, Seokjin e eu, conversando sobre coisas aleatórias. Mas, naquele dia, eram Jeongguk, eu, Seokjin e mais dois amigos que o Guk havia feito noite passada na festa dos músicos.

Estava um pouco assustado porque não sabia exatamente como agir perto de pessoas desconhecidas, embora Jeongguk e Seokjin concordassem que eu fosse bastante sociável. O que acontecia, na realidade, era que eu possuía reações muito imprevisíveis. Ás vezes, quando encontrava algum estranho, ficava falante; ás vezes dançava me esfregando para causar uma boa impressão – Seokjin pode contar um pouco melhor sobre o assunto – e, ainda, ás vezes, apenas ficava quieto.

Mesmo desconfortável por dividir a mesa com aqueles alunos de nomes meio complicados de gravar, me sentia orgulhoso por Jeongguk.

Quando ele entrou na faculdade estava tão assustado com a perspectiva de ser obrigado a conviver com pessoas que nunca viu na vida que só queria realmente que o primeiro dia no curso de música nunca chegasse. E lá estava ele, rindo da piada que contava um dos seus novos amigos apresentados por Jimin e Yoongi.

— Você vai ficar sendo o ajudante dele desse mês, certeza — o outro garoto avisou. Esse era o Nem... Namjoon! Estava indo bem até — E ele vai acabar com você.

— Ele vai tentar me fazer tocar violão até a morte, porque ele sabe que eu não gosto tanto assim — Hoseok corrigiu, sorrindo de lado — Mal ele sabe que é o instrumento que mais sei tocar.

— Você realmente vai fazer um inimigo agora, hein? — Jeongguk brincou — E ainda um professor!

— Não estou preocupado, por enquanto — deu de ombros — Mas não quero ficar tagarelando aqui para sempre, de qualquer jeito... — ele se virou bruscamente em nossa direção — Vocês são Taehyung e Seokjin, certo?

Hoseok olhou para nós com expectativa, como se estivesse realmente curioso sobre quem éramos, afinal de contas. Foi um pouco de repente e eu não estava esperando falar, por isso minha primeira reação foi ficar mudo.

Jin, no entanto, era bastante simpático e sorriu, concordando. Eu apenas o imitei.

— Vocês gostam de música, né?

Namjoon começou a rir assim como Jeongguk, parecendo compartilhar de uma piada interna. E eu apenas fiquei confuso, assim como Seokjin.

— Não ligue para ele — Namjoon esclareceu, depois de rir — A primeira coisa que ele gosta de saber é se a pessoa gosta de música, sempre.

— Mas é claro.

— Bem — Seokjin começou — Gosto muito de música; sei inclusive tocar violão. Aprendi com meu pai.

— Ah, sim, gostaria de vê-lo tocar um dia — Hoseok sorriu amigavelmente com a resposta e virou-se para mim — E você, Taehyung? Sabe tocar algum instrumento também?

— Eu sei um pouco de piano, na verdade e...

— Saber um pouco de piano, Kim Taehyung, é muito para o que você realmente faz ali — Yoongi interrompeu, aparecendo perto de nossa mesa sem avisar, acompanhado de um Jimin sorridente — Mas finja que eu não disse nada, por agora.

Sorri sem humor e comi um pouco da carne no meu prato, desejando que ele dissesse ‘’oi, amigos’’ e fosse embora.

— Não fale assim, Yoon — Jimin empurrou seu ombro de leve, docemente, sentando-se ao lado de Seokjin — Taehyung tem muito potencial.

— Você é um professor melhor que eu, Jiminie — ele deu de ombros e se sentou do outro lado da mesa — Se você diz.

— Eu concordo com Jimin — Jeongguk continuou, apontando para mim — Taehyung tem talento na música. Ele estava aprendo saxofone um tempo desses e está ficando muito bom.

Que vontade de abraçar Jeon Jeongguk agora mesmo.

— Ah, saxofone — Yoongi levantou uma das sobrancelhas, parecendo desafiador e descrente — Interessante.

Que vontade de socar Min Yoongi agora mesmo.

— Eu tenho certeza... — Jeongguk não terminou sua frase, porque seu toque insuportável e irritante de telefone soou, assustando até mesmo ele — Ah, um minuto. É uma mensagem — nós estávamos muito perto um do outro então não foi realmente por querer que li o nome ‘’Ji Eun’’ no remetente, mas mesmo que não tivesse visto coisa alguma, o sorrisinho que Jeon deu assim que leu a mensagem o denunciou.

Mordi os lábios inconscientemente parecendo um pouco decepcionado. Quando lembrei que não havia apenas nós dois na mesa, olhei quase alarmado para o rosto de cada um, torcendo para que eles não tivessem percebido nada. E, felizmente, eles não pareciam ter o feito. Todos estavam concentrados demais ou em seu próprio celular ou em sua comida. Menos uma pessoa: Min Yoongi.

Yoongi me encarava como em nossa aula, no dia anterior. Ele observava meus movimentos com uma atenção exagerada, analisando-me, quase como se pudesse ler os meus pensamentos e minhas atitudes. Mesmo com certo incômodo, continuei o encarando de volta, tentando deixar claro que não havia nada demais acontecendo ali.

Ficamos assim por um tempo.

Olhos contra olhos. Pretos x castanhos. Kim x Min.

Só ele e eu em uma batalha muda.

Seu olhar analisava toda a minha feição e resolvi que não estava amedrontado o suficiente para não fazer o mesmo. Seu rosto era fofo, com contornos delicados e marcados, sendo cobertos por mechas do cabelo escuro que caiam sobre a testa. Era bonito, mas parecia intimidante. Continuamos assim, até ele sorrir de lado e abaixar a cabeça para seu prato. Embora eu quisesse comemorar como se tivesse vencido uma batalha, realmente não me sentia assim. Min Yoongi era tão estranho.

Só percebi que persistia em encara-lo, quando Jimin virou-se para mim, obrigando-me a encher minha boca com carne para disfarçar minha curiosidade sobre o garoto, um pouco.

— Pessoal, preciso ir agora — Jeongguk anunciou de repente, levando da mesa no mesmo instante — Tenho que organizar as últimas coisas para hoje a noite.

— Hoje a noite? — perguntei, mas meu amigo já estava longe demais para me ouvir.

Foi Jimin quem me respondeu.

— A faculdade de música ganhou algum prêmio em algum lugar que realmente ninguém prestou atenção. Soubemos hoje, na verdade. E, de última hora, decidimos fazer uma festa para comemorar. Jeongguk esta organizando tudo junto com um grupo da sala.

— Uma festa? Mas vocês já não organizaram uma ontem?

— Aquilo não foi uma festa — Hoseok corrigiu, parecendo quase ofendido por eu ter confundido — Foi um encontrinho, no máximo.

— Sim, ontem foi um encontro, hoje é uma festa — Jimin concordou imediatamente — Para você ver a diferença: ontem nós apenas bebemos em um bar; hoje nós beberemos em uma piscina.

— Ah sim, posso ver.

— Outra diferença — Jimin continuou, mais animado — Ontem era só o pessoal de música, hoje pessoas de outros cursos foram chamadas também... — ele mordeu os lábios, de repente sem graça — Ah, bem... Jeongguk não convidou você?

Olhei para Jimin, pensando na resposta. Jeon me pegou em casa, conversou com a minha mãe, caminhou comigo até a universidade falando sobre um monte de jogos de vídeo game antigos, mas em nenhum momento ele sequer mencionou uma festa. Guk pode ter apenas esquecido.

— Não lembro — respondi.

— De qualquer jeito você pode ir — Jimin se inclinou sobre a mesa e sorriu  com a possibilidade — Quer dizer, vocês podem. Seokjin você também está convidado.

— Obrigado, Jimin, mas hoje é aniversário da minha mãe. Não vai dar.

— E você, Taehyung?

Todos os olhares se voltaram para mim, esperando a resposta. Eu não era muito bom com festas, na verdade ignorava a maior parte das que era convidado - inclusive, as do meu curso. Talvez Jeongguk não tivesse dito nada por saber isso.

— Ah, bem...

— Ah, vamos, Taehyung, vai ser legal.

— Eu não sei nem onde vai ser, Jimin.

— Vai ser na casa de uma veterana, não lembro direito o endereço agora...

— Jeon disse ontem que Yoongi morava perto do Taehyung — Namjoon interrompeu, pensativo — E ele sabe o endereço, então vocês podem ir juntos.

Cancela a festa.

— Ah, sabe o que é...

— Por mim, tudo bem — Yoongi falou antes, dando de ombros como se realmente não se importasse — Só tenho que saber onde você mora; não gosto de esperar por muito tempo.

— Errr... — comecei, tendo a impressão de que se dissesse ‘’não’’ estaria fazendo uma desfeita terrível — Sim, tudo bem, podemos ir.

Ele voltou sua atenção para a comida, como se sua parcela de participação na conversa já tivesse terminado.

— Sabe, gente, posso ir pegar o Tae no lugar do Yoon — Jimin se ofereceu, com um sorriso brilhante — Eu posso...

— Deixa disso, Jimin — Hoseok riu, balançando as mãos como se mandasse ele esquecer aquilo  — Você mora do outro lado da cidade.

— É, Jiminie — Yoongi concordou, olhando em sua direção, quase doce — Está tudo bem.

Falando assim até parece que sou um peso que alguém vai ter que carregar.

— Então é isso? — Hoseok abriu os braços, exageradamente animado — Kim Taehyung, hoje a noite você vai a uma festa!

 

[...]

Segurei firmemente minha sinopse - de um possível roteiro para nossa peça -, ainda decidindo se entregaria ou não para o professor Choi.

Eu escrevia algumas coisas desde o colegial, mas realmente minha confiança era zero sobre todas elas. Olhei para o título tentando entender o porquê escolhi aquele roteiro. A Rosa Negra. Era sobre um amor renegado, quase proibido, escrito em algumas madrugadas, nas férias escolares, quando ainda tinha minhas crises de identidade e não sabia ao certo sobre os meus sentimentos.

Deus, por que escolhi logo esse?

Depois de pensar por mais alguns minutos, decidi que não valia a pena entregar ao professor Choi. Era uma besteira qualquer que tinha escrito, não era bom o suficiente para ser aprovada. E, de qualquer jeito, ver alguém apresenta-la provavelmente seria mais doloroso do que escrevê-la. Aquilo eram palavras particulares. Não era uma boa ideia.

Suspirei e joguei as folhas em uma das cadeiras no auditório. O professor Choi já gritava para os alunos subirem no palco, então não teria como chegar até minha mochila, mesmo que tentasse. E, outra, o professor já havia recebido todos os possíveis roteiros também; não fazia mais sentido me preocupar com isso.

Satisfeito por ter realmente desistido, finalmente subi no palco.

— Eu já recebi os roteiros — o senhor Choi começou — E estou impressionado, porque parece que vocês gostam de escrever. Recebi um grande número e os lerei em breve. Mas, antes, precisamos decidir se apenas lerei e direi a vocês o que achei ou se terei que escolher um deles para que vocês apresentem no mês que vem.

Todos acenaram com a cabeça.

— Vamos começar a votação — continuou — Quem vota em apresentarmos um remake de alguma peça, conto ou história? — apenas duas pessoas levantaram a mão — Bom. E agora quem escolhe uma peça original? — o restante da sala votou nessa opção, soltando gritinhos excitados — Bem, vocês decidiram, será uma original. Agora...

— Ah, me desculpe pelo atraso, professor — Sun Hee entrou na sala, ofegante e assustada. O professor apenas acenou para que ela se aproximasse. De forma confusa, a garota irritante deu a volta no auditório procurando por uma boa cadeira para deixar a sua mochila extravagante, invés de apenas jogar em algum canto — Eu realmente estava com problemas e... O que é isso? — sem dizer mais nada, abaixou-se entre as cadeiras apenas por um segundo, ganhando a atenção de todos — É um roteiro! Ou talvez seja uma sinopse, porque é tão pequeno – ela o levantou bem alto e eu gelei — O nome é... Um segundo...  A Rosa Negra?

— De quem é isso, Sun Hee? — o professor perguntou, olhando para o papel em sua mão.

— É do Kim Taehyung.

O senhor Choi me olhou na mesma hora que Seokjin - um irritado pela minha irresponsabilidade e o outro com os olhos cerrados entendendo o que eu havia feito. Eu, por outro lado, estava quieto, mesmo querendo falar.

— Me dê isso de uma vez, Sun Hee — o professor finalmente falou, a contragosto, e estendeu sua mão para pegar o papel que ela o entregou — E dá próxima vez, Kim Taehyung, preste atenção nas suas coisas.

— Sabe o que é, professor? — sorri sem jeito, coçando o pescoço — É que eu não ia entregar, está meio mal formatado...

O senhor Choi folheou as páginas rapidamente.

— Parece bom para mim.

— Mas é que não está bem escrito também.

— Não vale ponto algum, Taehyung, então não se preocupe.

— Mas tem mais uma coisinha...

— Se me interromper mais uma vez só o seu vai ser pontuado.

Engoli em seco.

— Tudo bem.

— Assim está melhor.

Argh.

— Agora vamos falar das audições... Pessoas que estiverem interessadas na parte técnica da peça, podem se inscrever com Sung Ra — ele apontou para uma das alunas na ponta do palco — Ela está encarregada dessa parte — depois apontou para um garoto — Park Min Ho está com a lista do pessoal da decoração e — então apontou para o garoto ao meu lado, sem pensar muito mais — Kim Seokjin vai anotar o nome dos que pretendem atuar... Não esqueçam, alunos, todas as posições são necessárias. Pesem na peça, pensem que temos que prepara-la como um grupo.

Todos concordaram começando a falar uns com os outros sobre as posições que desejavam.

— Os roteiros serão analisados esse final de semana — o professor Choi anunciou, mas ninguém realmente prestou atenção, exceto eu — Segunda terão o resultado.

Parecendo quase desanimado, fiquei olhando para A Rosa Negra enquanto ela era guardada em uma das milhares pastas do senhor Choi.

Tudo bem, Kim Taehyung, é só um texto, no final das contas. Ele não vai te matar nem nada, não é?

.

[...]

Eu não lembrava a última vez que havia ido a uma festa.

Na verdade, até lembrava, mas, inconscientemente, tinha certeza que a festa de um ano de uma prima distante não seria realmente parecida com a dos músicos.

Jeongguk não respondeu nenhuma das minhas mensagens, provavelmente ocupado demais com a organização toda e Seokjin estava divido entre comer e ser simpático com sua família, sem tempo para responder as minhas dúvidas também.

E lá estava eu, seriamente confuso se deveria ir de calça jeans ou bermuda. E também será que aquela blusa era legal o suficiente? Quer dizer, todo mundo amava Senhor dos Anéis, certo? E sobre os sapatos... Argh, iria enlouquecer!

— Por que parece que está realmente pensando sobre uma roupa quando apenas vai passar a noite com o Jeongguk? — mamãe perguntou de repente, entrando no quarto sem bater. O que não era realmente um incômodo para mim. Meu pai e minha mãe eram as pessoas que me apoiavam com todo o amor, eram os únicos que sabiam sobre minha sexualidade mesmo que não tivessem certeza sobre Jeongguk, então ficar com raiva deles era bem difícil. Eu contava tudo a eles, porque sempre tivemos essa relação, menos uma coisa: a festa daquela noite. Embora mamãe fosse maravilhosa, ás vezes era superprotetora e se eu realmente comentasse sobre as bebidas e a piscina, ela não iria deixar eu nem passar pela porta. Além do mais ainda era quinta-feira, tinha que ir para a faculdade no dia seguinte.

— Ah, sim — sorri um pouco, passando a mão pelo meu cabelo, sempre com a mesma dificuldade para mentir — Sabe aqueles dias que você acorda e odeia tudo no seu guarda-roupa? Estou meio assim hoje.

Ela gargalhou.

— Entendo — apontou para a calça jeans e um tênis branco jogadas na minha cama — Vai com esses aqui. Eles ficam muito bonitos acompanhados com sua camisa do Senhor dos Anéis.

— Obrigado, mãe — a abracei e peguei as roupas.

— Mas você não precisa levar outras roupas já que vai dormir na casa do Jeongguk?

— Ele me empresta.

— Okay — sorriu — Vou terminar de fazer o jantar para o seu pai.

— Você está cozinhando, mamãe?

— Seu pai vai chegar tarde do trabalho hoje e resolvi que deveria fazer a comida. Ele sempre cozinha tão bem para nós que essa também é uma forma de agradecê-lo.

— Papai vai adorar.

Ela pareceu satisfeita com meu comentário enquanto voltava para as panelas, me deixando realmente começar a me vestir.

 

[...]

A campainha tocou antes que eu tivesse terminado de pentear meus cabelos, mas realmente não havia prestado atenção até minha mãe gritar da sala.

— Taehyung, é para você.

Arregalei os olhos para o eu do espelho, esquecendo completamente que Min Yoongi iria me levar a tal festa. Mamãe não sabia sobre ele porque eu não havia inventando nada, então esse era um problema que precisava ser resolvido. Respirando fundo, caminhei até a sala, pegando tudo o que precisava para sair de casa no caminho.

Pensei que entraria na sala quebrando o silêncio e já tinha frases maravilhosas prontas na minha cabeça para esse momento, mas não as usei. Quando cheguei finalmente no cômodo, os dois estavam sentados no sofá parecendo animados em uma conversa.

— Ah, TaeTae — mamãe veio em minha direção assim que me notou — Por que não me disse que seu novo amigo Min Yoongi ia estudar com vocês hoje também?

— Esqueci, desculpe.

Yoongi alargou ainda mais o sorriso, quase caçoando de mim.

— Taehyung é sempre tão esquecido – comentou, negando com a cabeça.

— Isso é verdade — mamãe acenou concordando e eu apenas olhei em sua direção confuso — De qualquer jeito, o que exatamente vão estudar? Porque Taehyung faz teatro e vocês música...

— História da... — comecei meio sem saber o que dizer — História das Artes Cênicas Musicais?

Yoongi me olhou como se eu fosse o maior idiota que havia no mundo todo, mas disse:

— É, exato, isso mesmo. Temos essa matéria em comum no semestre.

— Parece interessante — mamãe acenou, sem desconfiar — Bem, bons estudos.

Sorri para ela antes de finalmente sair de casa, acompanhado do meu novo professor de piano. Não trocamos uma palavra sequer até o elevador.

— Sinceramente História das Artes Cênicas Musicais? — ele resmungou, já no saguão do meu prédio — Não havia nada melhor?

— Eu não funciono sob pressão.

— Percebi — riu ironicamente — Na verdade, você deveria ter dito que estava indo sem seus pais saberem, porque quase entreguei todas as suas mentiras mais cedo, enquanto conversava com sua mãe.

Acenei para o porteiro e olhei em sua direção mais uma vez.

— O que tanto você falava com a minha mãe, hein?

— Nada demais.

Quando alcançamos a rua, uma garoa fina ainda caia sobre a cidade. Havia chovido muito a tarde e, pelo visto, as consequências estavam aparecendo naquele momento. Em vários pontos da rua havia poças de lama, inclusive bem em frente ao meu prédio, forçando os moradores – incluindo eu – a pularem sobre ela se quisessem passar.

Yoongi nem pensou duas vezes antes de fazê-lo. Ele pulou um pouco desengonçado, mas caiu do outro lado com certa graça, sorrindo satisfeito.

Olhei para os meus tênis brancos, não querendo realmente pular.

— Vem — Yoongi me chamou, enquanto esticava sua mão — Eu te ajudo.

— Tem certeza que...

— Confie em mim, Taehyung, e segure a minha mão, não é tão complicado.

E foi o que fiz.

Segurei em sua mão e pulei para o outro lado, sendo aparado por ele. Meus tênis continuaram intactos e sem perceber, Yoongi manteve sua mão na minha um pouco mais de tempo do que o necessário. Até, é claro, finalmente perceber e retirá-la rapidamente, apontando para um lado da rua enquanto resmungava sobre como deveríamos nos apressar.

Mesmo que estivéssemos visivelmente adiantados.

 


Notas Finais


Gente, que formatação estranha é essa?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...