História Make You Proud - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias IKON
Personagens B.I, Bobby, Chanwoo, Donghyuk, Jinhwan, Junhoe, Personagens Originais, Yunhyeong
Tags Ikon, Romance, Team B
Exibições 64
Palavras 7.904
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Ecchi, Escolar, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


VOLTEI! *fugindo pra não apanhar*
IMPORTANTE:
1 - Temos flashback, então fiquem atentos, o final acontece ANTES das férias.
2 - Particularmente eu não gosto da maior parte desse capítulo, mas ele é necessário, é um capítulo de transição (estamos indo para o final, finally) e para amarrar algumas pontas que eu achei que estivessem soltas (ou não muito claras, não sei se ajudei ou atrapalhei)
3 - Proximo capitulo é um Especial, vai ser bem good vibes pra compensar esse
4 - Não me matem.

Capítulo 11 - Love Who Loves You Back


Fanfic / Fanfiction Make You Proud - Capítulo 11 - Love Who Loves You Back

LOVE WHO LOVES YOU BACK

Kim Haeun

“Noona, me desculpe, eu realmente sinto muito.”

Novamente li a mensagem que Chanwoo me mandara há alguns dias. A última vez que tínhamos nos falado – brigado, era a palavra certa – fora há mais ou menos um mês, após o teste final que me salvara da reprovação e garantira a presença de Junhoe nos jogos, não havia mencionado a discussão com ninguém, não valia a pena.

– Recebeu outra mensagem estranha? – June indagou me abraçando por trás, todos tinham saído para um luau aqui mesmo em Haeundae. Balancei negativamente a cabeça bloqueando a tela. Me senti culpada por um momento. Quando Chanwoo falara pra mim de seus sentimentos eu fiquei sem reação, me sentindo péssima por não ter prestado atenção nele ou nos sinais, depois disso cogitei terminar com Junhoe. Mas de que isso ajudaria? Não ajudaria a mim, a Chanwoo ou a Junhoe. Nada ia mudar e então, seríamos três infelizes. Com o tempo eu sabia que o Jung ia superar e achar outra pessoa. – Está tudo bem mesmo? Às vezes você parece tão distante.

– Desculpe por isso, é que estou realmente intrigada com as mensagens, principalmente depois que me disse que não eram suas. – Respondi fazendo carinho em seus cabelos de uma forma desajeitada. Não era de tudo mentira. As mensagens estavam começando a me assustar.

“Você ainda está feliz?”, “Espero que esteja aproveitando bem seus dias”, “Tenha cuidado enquanto se diverte”, era o tipo de mensagem que eu recebia quase todos os dias de um número bloqueado. Primeiro pensei que June finalmente achara seu lado romântico e estava tentando ser legal. Mas não era ele. Depois achei que fosse alguma brincadeira de alguém do Team B. Mas também não eram eles. Em seguida vieram as ligações onde ninguém falava nada desligando segundos depois. E então, as frases começaram a me parecer um pouco ameaçadoras.

– Ainda acho que é aquele idiota do Young K. – Junhoe chiou. – E se for, eu vou quebrar a cara dele.

– Devagar, valentão. – Ri me virando pra ele. – Nada de brigas sem necessidade. – O garoto revirou os olhos e eu o beijei antes que a discussão durasse mais tempo. Era divertido fazer aquilo e ver como June facilmente perdia o foco.

– Temos mesmo que sair, poderíamos simplesmente ficar aqui e aproveitar nosso tempo sozinhos. – Murmurou tentando controlar o bico infantil que se formara em seus lábios perfeitos.

– É praticamente nossa despedida das férias seria legal nos divertirmos todos juntos, mas tenho certeza que mais alguns minutos de atraso não farão diferença. – Sorri travessa abraçando seu pescoço. Junhoe entendeu o recado rapidinho. Suspendeu meu corpo e eu abracei sua cintura com as pernas enquanto sua boca devorava a minha. Rumou para meu quarto enquanto eu me ocupava em distribuir beijos e mordidas por seu pescoço, orelha e maxilar.

XXX

– Espera, espera. – Ri esticando o braço para alcançar o celular que chamava pela segunda vez, se eu ignorasse B.I de novo, ele voltaria achando que algo tinha acontecido.  June continuou beijando o vale dos meus seios e eu atendi automaticamente sentando em seu colo e tentando controlar a voz. –Yeoboseyo? Hanbin-ah? Yeoboseyo?

A resposta veio em forma de música, era aparentemente inofensiva, um coral de crianças cantarolando, um arrepio desceu pela espinha, eu tinha certeza que aquela era a trilha sonora de algum thriller e se antes eu estava medo, naquele momento, eu estava completamente aterrorizada.

– Noona? – Nem a voz preocupada de Junhoe conseguiu fazer com que eu saísse do transe. O garoto também sentou tirando o celular do meu ouvido e olhou o aparelho para ver com quem eu estava falando, mas a ligação já tinha sido encerada, o pavor que não deixara eu me mexer. – O que aconteceu, Haeun? Por que está assim? – Sua voz quebrou o silêncio novamente, mais sério dessa vez deslizando uma das mãos por meu rosto e só então percebi que algumas lágrimas escaparam de meus olhos. Meu celular vibrou, indicando que uma mensagem tinha chegado e ele tratou de lê-la. – I’ll be watching you. Be careful. O que quer dizer? – Abracei June com força, escondendo meu rosto na curva de seu pescoço, numa esperança vã de fazer com que aquele sentimento claustrofóbico e sufocante passasse. – O que quer dizer, Haeun? – Insistiu.

– Estarei observando você. Seja cuidadosa. – Sussurrei quase sem voz.

– Que tipo de idiota manda isso pra alguém? – Junhoe esbravejou me apertando contra ele. – Noona, não se preocupe, isso tem cara de ser brincadeira de mau-gosto de algum desocupado e mesmo se não fosse, estamos todos aqui por você.

Assenti. Eu não achava que as coisas eram daquela maneira, mas eu queria acreditar que sim e, mais ainda, não queria que ele visse o quão apavorada eu estava. Depois daquilo June ligou pra B.I, disse que eu não estava me sentindo muito bem pra ir ao luau e que ele ficaria de olho em mim, o que não era uma mentira. Minha vontade era de ficar deitada virada para a parede a noite inteira e era justamente o que planejava fazer. Assim que conseguiu tranquilizar Hanbin e garantir que ele não precisava voltar para casa, o garoto voltou a deitar, me abraçando por trás no processo.

– Não pense demais em coisas desnecessárias. – Mandou em tom de bronca enquanto beijava meu ombro. – Amanhã a gente vai em alguma loja de celular e pede pra bloquear esse tipo mensagem e chamada.

– Amanhã a gente vai à polícia. – Sussurrei. O que eu aprendera com Pretty Little Liars é que nunca acaba bem se você não pede a ajuda correta no tempo certo.

– O que você quiser, aegiyah¹. – Respondeu encaixando o rosto na curva de meu pescoço e estreitando o abraço. Involuntariamente sorri, eu sabia que ele estava tentando ser um pouco mais doce pra me animar. Acariciei seu braço envolta da minha cintura e suavemente rocei meu rosto no dele. – Noona, se você roncar hoje, eu te jogo na varanda, pra dormir lá. – Riu maldoso e eu puxei seu cabelo com força como vingança. – YAY, noona! Isso dói.

– Escuta aqui garoto, eu não ronco, se alguém tem algum hábito de sono estranho, esse alguém é você, que fica falando sozinho enquanto dorme. Sem contar que este é meu quarto, essa é minha cama e se alguém tem que ser expulso...

– Você fala de mais, noona. – Interrompeu com um sorriso travesso antes de me beijar. Era de conhecimento público, que Junhoe era muito mais barulhento e falante do que eu, mas naquele momento eu não estava com a menor vontade de contestá-lo.

Dormirmos juntos até por volta das 4hs30min, que foi a hora em que a maior parte da galera chegou do luau e June teve que ir pro próprio quarto já que Hanbin ainda estava em processo de aceitação, não dava pra forçar demais a barra. Eu mal consegui pregar o olho depois que Junhoe saiu, ansiosa para resolver logo esse problema, não que eu achasse que os policiais fossem fazer algum milagre, no entanto meu subconsciente estava convencido de que depois da queixa tudo voltaria aos eixos gradativamente. Mais tarde naquela manhã, quando já era aceitável sair de casa, June me guiou até o distrito de polícia de Busan.

Até que o investigador que nos ouviu foi gentil e condescendente, depois de me ouvir atentamente e fazer as anotações necessárias ele nos explicou que fariam o que era possível dentro da jurisdição deles, mas que eu tinha que apresentar uma queixa formal em uma delegacia em Seul também, já que as primeiras mensagens eu tinha recebido lá, só então ambos os distritos poderiam trabalhar em conjunto e com um campo de visão mais amplo e a maior parte da investigação ficaria na capital, que era o local de origem das possíveis ameaças. Em seguida tentou me tranquilizar dizendo que, como June, ele acreditava que era apenas uma brincadeira de mau-gosto.

 

– Olha, você pode não acreditar, mas eu tenho um fã-clube bem grande, já que tem tantos rumores sobre nós na escola, alguma das minhas fãs pode ter resolvido fazer isso pra você fugir de mim. – Junhoe brincou na volta.

– Ai, June, me poupe. – Revirei os olhos me fingindo de brava.

– O quê? É verdade! Elas fazem tudo pelo oppa aqui, quem pode culpá-las? Você mais que ninguém sabe o quanto é bom me ter todas as noites. – Continuou cheio de autoconfiança e presunção enquanto olhava seu reflexo no vidro do ônibus ajeitando a franja que lhe caia sobre os olhos.

– Sei, sei sim e já estou até te usando como garantia no poker online pra ver se alguém te leva. – Zombei em mesmo tom. – Não aguento mais você tagarelando, cantando alto demais, fazendo barulho ou dançando de formas estranhas.

Ele olhou perigosamente para mim, umedecendo os lábios de tal forma que faria até a mais pura das garotas ter pensamentos indecentes e eu tive que me segurar mais forte na barra de metal pra não cair.

– O B.I comentou ontem que ele vai sair hoje a noite e no momento em que ele sair, você vai pagar por esse comentário. – Sussurrou maliciosamente encostando a testa na minha.

– Vou? – Provoquei de volta e eu tinha certeza que as freirinhas e madres que me ensinaram desde pequena estariam com vergonha de mim se me vissem (ou talvez me entendessem se observassem meu namorado com calma).

– Sim. – Garantiu por fim passando o polegar sobre meus lábios.

XXX

Não demorou muito para chegarmos em casa e aparentemente todos haviam levantado cedo, já que da porta de entrada podíamos ouvir as vozes e risadas dos nossos amigos. Nos entreolhamos e franzimos o cenho. Não tínhamos dito nada pra ninguém, mais por minha causa do que pela vontade de June, eu não queria que Hanbin ou nossos amigos se preocupassem com o rumo que essas mensagens estavam tomando, já bastava eu estar um pouco perturbada com isso. Quando passamos pela sala travei. Em pé ao lado do minibar conversando animadamente com Bobby estava meu pai.

– Appa? – Sussurrei surpresa, eu realmente queria que meu pai conseguisse um folga do trabalho pra passar um tempo com a gente em Busan, mas o timing não poderia ser pior.

– Abeoji? – Junhoe disse em mesmo tom. Nos curvamos rapidamente, ainda um pouco estarrecidos.

– Onde vocês estavam? – Ele respondeu arqueando a sobrancelha.

– Saímos pra comer, acordamos mais cedo que o habitual e eu não queria cozinhar nem nada do gênero. – Menti com um sorriso afetado. Junhoe concordou com um aceno breve de cabeça. O rosto comprido e os olhos miúdos de meu pai amainaram e ele tinha uma expressão travessa.

– Hum, espero que tenha comido bem, porque hoje você vai precisar de muita energia. – Avisou sorrindo largamente. Os rostos de Bobby, Jinhwan e Yunhyeong se iluminaram e meu pai continuou: – Hanbin, traga a surpresa da sua noona. – Meu dongsaeng entrou na sala com uma menininha no colo e meu coração falhou uma batida. Resfoleguei ansiosa e lentamente me aproximei.

– É-é a Han...? Hanbyul? – Arrisquei perguntar tentando controlar minhas próprias emoções. Kim Hanbyul era a minha irmã mais nova, mas eu nunca a conhecera. Quando ela nasceu eu já estava no internato e depois que eu saí minha madrasta (que detinha a guarda da garota) proibiu terminantemente que meu pai trouxesse Hanbyul pra casa ou que me levasse para vê-la, ela não queria que tivéssemos qualquer laço relacional, o que me deixou magoada por muito tempo, mas agora appa parecia ter resolvido esse problema. – Annyeong, Hanbyul-ssi. – Sussurrei tentando pegar em sua mão. A garotinha arregalou os olhos pequenos pra mim e escondeu o rosto no pescoço de Hanbin, fugindo do meu toque. Confesso que aquilo partiu meu coração.

– Ela só está um pouco tímida. – Aclarou Hanbin com um sorriso doce. – Hanbyul-ah, lembra que eu falei que você tinha uma unnie linda e boazinha que morava longe? Aquela das fotos, hum? Aqui está sua unnie e ela está ansiosa pra conhecer você, por que você não olha pra ela um pouquinho?

– Ha... Haeun unnie? – Murmurou desgrudando de B.I, olhando diretamente pra mim. Passou uma das mãozinhas pelos cabelos, tentando arrumá-los, me lançou um sorriso tímido antes de esticar a mão que eu quisera pegar mais cedo, num sinal silencioso que eu poderia tocá-la. Ela e meu irmão se pareciam bastante com nosso pai, os mesmo olhos, os mesmos traços do nariz, contorno dos lábios. Infelizmente eu puxara a minha mãe. As mãos de appa pousaram em meu ombro, como um incentivo e meu coração parecia querer sair pela boca porque mais do que nunca eu sentia que nossa família estava se encaminhando para união.

– Hanbyul, a unnie pode te segurar um pouquinho? – Perguntei nervosa. A pequena olhou pra Hanbin, como quem pede autorização e o garoto assentiu com um sorriso genuíno de satisfação. Depois disso ela esticou os dois bracinhos em minha direção e eu a peguei, já soluçando no processo. Aninhei-a contra meu peito, abraçando-a, olhei para Hanbin e esse tinha os olhos marejados, sussurrei um "obrigada" pra ele, apertando Hanbyul contra mim e meu irmão apenas assentiu fingindo-se de forte.

– Haeun unnie? – Ela chamou hesitante. Provavelmente confusa por culpa do meu choro velado.

– Desculpe por isso, Hanbyul, é que estou muito feliz em te conhecer.

– Também estou, unnie. – Ela respondeu desgrudando de mim, para me olhar. – Unnie... você quer brincar comigo? O oppa nunca brinca direito. – Completou um pouco insegura. Sorri balançando a cabeça.

– Claro, Hanbyul-ah, eu adoraria.

Passei o resto da manhã inteira brincando com minha irmãzinha, numa tentativa desesperada de recuperar e compensar todo o tempo perdido. No fundo eu sabia que não seria possível, no entanto, ainda sim, era maravilhoso criar laços e boas lembranças com a pequena.

XXX

Meu pai resolvera que faríamos um churrasco para comemorar, então ele e Bobby cuidavam da churrasqueira enquanto Yunhyeong, Sobin e Luna cuidavam dos acompanhamentos na cozinha. Hanbin e June brincavam com Hanbyul na parte rasa da piscina e eu resolvi tomar sol a alguns metros de distância. Sorri vendo-os jogar água uns nos outros, rindo indiscriminadamente. Eles estavam tão bem, se divertindo tanto que pareciam ter saído de uma cena de filme.

– Entre Hanbin, Junhoe e Hanbyul, eu não sei qual é mais criança. – Meu pai riu sentando-se numa espreguiçadeira ao lado da minha.

– Também tenho minhas dúvidas. – Também ri virando o rosto em sua direção. – Está tudo pronto?

– Deixei nas mãos de Yunhyeong. Preferi ficar um instante com minha filhinha. – Anunciou solene, voltando a olhar o trio risonho e barulhento.

– Agradecida. – Respondi seguindo sua ação, olhando longamente pra Junhoe, como eu amava aquela expressão despreocupada e divertida em seu rosto e sua risada gostosa e alta. Ele olhou em minha direção, como se tivesse percebido meu olhar sobre si, e sorriu acenando pra mim. Acenei de volta, momentaneamente presa em nossa pequena bolha de romance juvenil.

– Tínhamos mais ou menos a idade do Junhoe, quando sua mãe e eu começamos a namorar. A primeira vez, pelo menos. – Appa informou subitamente me fazendo olhá-lo com curiosidade. Ele nunca falava sobre minha mãe ou sobre qualquer parte do passado dos dois. – Nós gostávamos tanto um do outro. Tanto, Haeun. Sua mãe foi e sempre será o amor da minha vida. Sabe aquele tipo de sentimento que só se vê em filmes e livros?

– O que aconteceu, então? Se era algo tão arrebatador, não entendo por que acabou. – Rebati inevitavelmente entrando na defensiva. Tudo que envolvia minha mãe ou meu nascimento ainda era delicado demais para mim.

– Antes, eu acreditava que era porque tinha de ser, deixamos que coisas pequenas nos afetasse, que o ciúme nos consumisse, as palavras não ditas nos sufocavam, essas ações e omissões que achávamos insignificantes aos poucos minaram nosso relacionamento e por mais que ainda houvesse sentimento, se tornou insustentável e nós nos deixamos. Eu achei que era destino, mas era orgulho ferido, era teimosia, por isso que anos depois, quando nos reencontramos aqui, em Haeundae, nosso caso aconteceu. Mesmo que Kyung Mi tivesse seguido em frente e estivesse prestes a se casar, mesmo que eu já estivesse casado com a mãe da Hanbyul e naquela época planejássemos ter filhos, a faísca que ainda havia se transformou em um incêndio.

Fire meets gasoline.

– Algo do gênero. Aonde quero chegar é: eu olho pra vocês dois e vejo muito de nós. – Afirmou e eu sabia que ele falava sobre mim e Junhoe. – Não que a história seja a mesma, nem espero que seja, mas o sentimento de vocês é puro e vocês o construíram de uma forma memorável, então não deixe que coisas bobas fiquem entre vocês, que os separem, porque é um arrependimento amargo e doloroso. A vida é como um rio de fluxo contínuo que só para ao desembocar no oceano, quando o momento certo passa, é impossível nadar contra a correnteza para alcançá-lo novamente.

– Appa... Você entendeu mal, June e eu, somos amigos. – Sussurrei constrangida e minha voz falhou miseravelmente. A risada dele preencheu o ar.

– Tudo bem, minha querida, não se preocupe, eu sei que vocês dois estão juntos, na verdade, já percebi isso há algum tempo. – Garantiu chacoalhando meu ombro. Tentei formular alguma frase coerente para indagá-lo da descoberta, mas eu estava desconcertada demais por ter sido pega, ele percebeu e sorriu nostálgico olhando para Junhoe. – Ele olha pra você exatamente do mesmo jeito que eu olhava pra sua mãe ou o meu pai para a sua avó. Não foi muito difícil deduzir.

– Desculpe por não ter dito nada, realmente, me perdoe, nós não sabíamos bem como contar, Hanbin só descobriu há poucos dias. – Falei completamente envergonhada, atropelando as palavras, meu cérebro não conseguia pensar em nada melhor para dizer.

– Haeun, eu sei que essas coisas não são fáceis pra você, que está aprendendo a viver agora, por isso não a confrontei sobre isso antes, só não podia deixar que os dois não aproveitassem seus últimos dias de férias como devia ser porque eu estou aqui.

– Obrigada, appa, muito obrigada. – Sorri como uma boba porque agora, oficialmente, June e eu éramos um casal e não precisaríamos nos esconder.

– Não agradeça, é o mínimo que posso fazer por você, uma decisão equivocada da minha parte te custou 10 anos. – Suspirou profundamente acariciando meus cabelos como se eu ainda fosse uma garotinha. Meu coração falhou uma batida.

– Isso não é culpa sua, appa, hoje eu entendo as circunstâncias que fizeram você me mandar pra longe, eu não estou mais magoada por isso, pelo menos... – Hesitei. – Pelo menos você não desistiu de mim como ela. Se Lee Kyung Mi não tivesse desistido de mim, nunca teríamos ficado naquela situação. – Completei rancorosa, sentando ereta, papai me acompanhou segurando minha mão.

– Sua mãe não desistiu de você, Haeun.

– Ela só achou que morrer era uma opção melhor do que me ter junto dela. – Rebati no mesmo tom amargo de antes, serrando os punhos, já sentindo meus olhos queimarem pela vontade de chorar. – Se era pra ser assim, por que ela simplesmente não me abortou como a família dela mandou? – Appa subitamente me abraçou preocupado. Um soluço escapou de meus lábios e as lágrimas que lutei pra segurar inevitavelmente escorreram por meu rosto e molharam minhas bochechas. Não era um choro raivoso, era de mágoa, aquilo sim me magoava e quão mais próximo Setembro ficava, mais esse sentimento me sufocava. – Por quê? – Minha última indagação era um murmúrio sem voz.

– Haeun, não diga mais isso, nunca mais. É injusto com sua mãe, ela escolheu você antes da família, do noivo, do emprego ou qualquer reputação, ela escolheu você. Eu sinto muito que pense assim, que se sinta assim, mas não é como as coisas aconteceram, o mundo não é preto e branco, há escalas de cinza. – Começou ainda me abraçando. – Me desculpe por não falar sobre essas coisas, eu fui negligente achando que suas idas ao psicólogo e os fim de semana com meus pais seriam suficientes, porque eu mesmo não queria ter que reviver a perda da sua mãe. Você é a cara dela, você sabe disso, não sabe? – Assenti. – Eu fico feliz que você se pareça tanto com ela, porque quando eu olho pra você, eu penso que, no fim, tudo o que Kyung Mi e eu passamos, tudo o que arriscamos, tudo que perdemos, valeu a pena, Haeun, porque eu tenho você. Porque tínhamos você. Eu sei que acha que ela não te amava, mas ela só fez isso por achar que era melhor pra você, que se ela sumisse e você ficasse comigo seria melhor para nós dois, o que sua mãe fez não foi leviano, foi um ato de amor distorcido e precipitado, ela amava você, Haeun, mais do que qualquer outra pessoa nesse mundo.

Permaneci calada, porque eu não achei as palavras certas ou o que falar, minha cabeça ainda estava confusa, meus sentimentos eram dúbios. Eu quase não me lembrava mais de como sua personalidade era, seu rosto era turvo e tudo o que eu sabia era o que meus avós tinham me contado, o que não era muito, porém o que eu não conseguia entender (ou perdoar) era o fato de ela ter escolhido aquele caminho. Com o que appa falara, eu tinha chegado a conclusão que eu não sabia quem minha mãe era e o medo de tê-la julgado injustamente me atingiu.

– Eu quero… Saber como as coisas aconteceram. – Sussurrei pigarreando. – Então, se você puder, appa.

– Tenho algo para você, não planejava te entregar agora, mas dada as circunstâncias... Venha comigo. – Disse levantando-se em um rompante. Tentei controlar o choro e o segui em silêncio. Caminhamos até o escritório dele e papai remexeu em uma das gavetas que tinha tranca, pegou uma agenda velha e me entregou. – O diário da sua mãe, um dos pedidos dela foi que ele fosse entregue a você quando fosse crescida o suficiente pra entender o ponto de vista dela, acredito que a hora chegou. – Completou abraçando meus ombros enquanto eu observava a capa de um marrom desgastado.

– Vou pro meu quarto. – Respondi nervosamente, correndo até o primeiro piso. Entrei no recinto ansiosa e hiperventilando. A porta se abriu novamente e por ela passou um Junhoe ensopado e com uma toalha felpuda pendurada no pescoço, sequei rapidamente os resquícios de lágrimas em meu rosto, mas eu sabia que a vermelhidão me denunciaria. Ele me encarou por um instante e suas sobrancelhas se crisparam levemente em um olhar preocupado, apertei o diário entre meus dedos.

– Junhoe, eu preciso de um momento, eu não quero conversar. – Quebrei o silêncio tentando ser o menos rude possível.

– Pode ter, eu não quero conversar, eu quero ficar do seu lado e segurar sua mão. – Respondeu calmamente, olhei-o confusa. – Eu vi que você saiu chorando do jardim, vim te procurar, encontrei o abeoji no corredor e ele disse que você precisava de mim e ele tem razão. Então, me desculpe se estou me metendo demais, cruzando alguma linha imaginária que eu não devia ainda, mas eu tenho bom-senso o suficiente para não te deixar sozinha nesse estado. Então, se não quiser conversar, tudo bem, mas eu não vou sair.

Mordi o lábio ponderando um pouco antes de assentir. Junhoe sentou no chão, do lado da minha cama, para não molhar meu colchão, sentei em posição de borboleta, com o diário sobre as pernas, June entrelaçou sua mão direita na minha esquerda e eu comecei a ler em silêncio. Eram anotações semanais, uma ou duas vezes na semana, às vezes mensais, eram um pequeno resumo das coisas importantes, sobre as idas ao médico, sobre os altos e baixos da gravidez, sobre o que ela pretendia fazer comigo quando eu nascesse, todas as brincadeiras e coisas divertidas que vinha planejando, como queria que eu me chamasse Haeun pelo significado do nome e por causa da praia, à medida que a coisas se tornaram mais sérias, como sua expulsão da família, a demissão do trabalho por ser mãe solteira, como suas preocupações com o bullying que eu sofrera na escola, sobre meu pai estar sobrecarregado tendo que sustentar duas casas e correndo o risco de ser descoberto e ter sua reputação jogada na lama, à medida que a depressão a consumia meus soluços se tornavam ainda mais altos e engasgados e só apertar a mão de Junhoe enquanto seus lábios pressionavam a pele do braço não era suficiente.

Precisava de seus braços ao redor de mim, eu precisava do conforto. Eu estava feliz que o garoto estivesse insistido em ficar, que ele permanecesse quieto, respeitando meu silêncio, mesmo que aquilo requeresse um esforço sobre-humano dele. Desci, sentando em seu colo, abraçando-o com força, seu short molhado me causou um arrepio de desconforto, mas me ative a uma de suas mãos alisando minhas costas em sinal de consolo, enquanto a outra tirava o cabelo do meu pescoço e nuca, para que ele assoprasse o local. Um método muito eficaz para me acalmar e me fazer relaxar.

– Melhor? – Finalmente disse depois de um tempo imensurável. Balancei a cabeça em negação, eram muitas informações, nuances novas que me deixaram com uma mistura horrível de impotência, culpa e injustiça.

– Mas vou ficar. – Garanti com a voz entrecortada. O que eu menos queria era deixá-lo preocupado, então me obriguei a sorrir, eu sabia que aquilo não era algo que passasse com um piscar de olhos. – Obrigada.

– Que nada, preciso garantir meu prêmio de namorado do ano. – Ele brincou beijando a curvatura de meu pescoço. – Estou preocupado que o Bobby ganhe de mim, ele quase que pediu Yejin em casamento.

– Realmente, meu voto era para o Bobby. – Forcei uma risada. Junhoe beijou minha testa e me aninhou em seu peito como se eu fosse uma criança que precisasse ser protegida e de certa forma eu me sentia assim, vulnerável. Em momento algum eu planejava ter que lidar com o drama familiar, não nas férias, eu preferia fingir que ele não existia, era mais confortável, mas de qualquer forma, eu estava aliviada, agora que eu tinha acesso aos fatos, que eu podia (e queria) compreender tudo o que aconteceu eu sentia que a vida tomaria o devido curso e finalmente eu prestaria respeito a imagem da minha mãe.

– Que traidora. – Reclamou. Eu ri e ele me acompanhou. O silêncio se instalou de novo. Eu não sabia por onde começar a falar, eu queria ser sincera e dividir tudo com ele, só não era um assunto fácil de se abordar. Resfoleguei.

– Junhoe, você sabe o porquê de eu ter que ir para o internato? – Indaguei mordendo o lábio inferior.

– Sua mãe morreu e a mãe do Hanbin não gostava de você. – Prontamente respondeu, depois suas orelhas ficaram vermelhas. – Desculpe, eu não devia ter posto dessa forma.

– Está tudo bem. – Garanti roçando meu rosto em seu queixo. – Minha mãe não só morreu, ela cometeu suicídio. – Aclarei em um sussurro baixo e falho. June deixou escapar uma interjeição de surpresa. – Ironicamente, ela se matou no mês do combate ao suicídio, eu nunca consegui perdoá-la por isso, porque na minha concepção foi a forma mais cruel de abandono, mas isso. – Mostrei o diário surrado. – Isso mostra tudo o que ela passou, o que ela pensava, existem notas e textos escritos diretamente pra mim, pra me ajudar a lidar com as coisas da vida, isso me trouxe uma nova perspectiva de como tudo ocorreu, fora que cada mês mais perto de setembro, mais sensível eu fico. – Tentei explicar. – Desculpe por ser uma namorada problemática.

– Você não é problemática, só está sobrecarregada e teve que passar por muita coisa. Na verdade, acho que você é bem forte. – Consolou voltando a me abraçar e eu estava realmente me sentindo reconfortada por esse lado mais maduro que Junhoe demonstrara. – Isso faz com que eu goste mais de você. – Segredou em tom sufocado, perceptivelmente constrangido, já que não era algo que ele falaria normalmente. Ri.

– Você acabou de ser brega? – Indaguei entre uma gargalhada e outra. As orelhas de June eram carmim puro e ele assentiu rindo também.

– Namorado do ano. – Relembrou tentando parar de rir. – Agora, por favor, que tal comer? Se minha barriga roncar aqui vai estragar completamente a imagem legal que você tem de mim.

– Quem disse que eu tenho uma imagem legal de você? – Contestei tentando segurar o riso.

– YAY! Você é muito sem graça. – Bufou fingindo-se de ofendido me olhando levantar.

– Você que é convencido demais. – Rebati abraçando sua cintura assim que ele estava de pé. – E isso só faz com que eu goste mais de você. – O imitei e ele mordeu levemente minha bochecha em protesto.

 

– Noona... – Chamou quando já nos encaminhávamos para a escadaria.

– Sim?

– Em Setembro... Bem, eu sei que deve ser horrível pra você, mas esse ano vai ser diferente, sabe? É quando faremos 100 dias, então, de alguma forma, acho que pode ser um pouco melhor. – Sussurrou ruborizando. Sorri.

– Será muito melhor, June. – Garanti enlaçando nossos dedos.

XXX

[DUAS SEMANAS DEPOIS]

– Ainda não acredito que está me abandonando! – Reclamei fazendo bico quando Junhoe se despediu de mim. Nenhum deles fariam mais aulas comigo. Jinhwan e Yunhyeong conseguiram se graduar com as notas que tinham depois de um exame especial que contestavam que estavam aptos a receber o diploma do ensino médio, Bobby e Hanbin optaram por professores particulares, assim poderiam fazer os próprios horários na YG, Donghyuk e Junhoe decidiram largar a escola de vez e se dedicarem 100% aos treinos. Sendo assim só teria a companhia de Yejin já que Sobin, que entrara pra Starship, resolvera sair da escola também.

– Só estou fazendo o que prometi, estou me esforçando o máximo pra debutar logo. – Junhoe brincou com um sorriso confiante, o que mostrava que no fundo ele estava sendo sério. – Pode ir dormir na minha casa o quanto quiser, eu já te ensinei o novo trajeto. – Lembrou malicioso. Ele, Yejin e Bobby haviam se mudado para um apê maior, perto do prédio pra YGEnt.

– É muito longeeeee~. – Choraminguei e June riu beijando o bico que novamente se formou em meus lábios. – YAY, isso é golpe baixo, quando acabar a sessão de audições eu irei. – Garanti. – Tenho aula agora, até mais tarde no Facetime.

– Okay, okay, até mais tarde, noona. – Suspirou fechando a porta seu (ex) armário, agora vazio. Me deu um beijo rápido e saímos em direções opostas.

– Haeun-ah! Haeun-ah! – Ouvi a voz feminina que de imediato não reconheci até sentir seus braços ao redor de meu pescoço.

– Min-Minsuh? – Murmurei confusa. Estávamos no meio do corredor lotado de alunos indo para as extracurriculares e algumas cabeças se viraram em nossa direção. Obviamente não era uma atitude do feitio da garota.

– Haeun-ah, por favor, só você pode me ajudar. – Informou com um tom de voz desanimado. Eu sabia que a afeição não era grátis. – Poderia conversar comigo um pouquinho?

– Minsuh, eu até queria, mas eu tenho aula agora. – Pigarreei desconfortável.

– É bem rápido. – Garantiu me arrastando para o jardim mesmo sob meus protestos. Àquela hora o lugar era vazio o que indicava que o assunto que ela queria tratar era sério.

– O que aconteceu?

– Bem, você deve ter ficado sabendo que o meu Dondongie terminou comigo, né? – Murmurou soltando um soluço.

– Ouvi algo sobre isso, eu sinto muito, Minsuh. – Respondi. – Mas sinceramente eu não entendi seu propósito.

– Você deve ter ouvido falar sobre minha personalidade, sobre ela não ser muito boa, em contrapartida só ouvi coisas boas sobre você, então quero contar algo pra você. – Começou. – Não sei como você é com seus namorados, mas no meu caso, eu sempre quero matar as vadias que dão em cima do meu. É natural, não? Mas a maioria não concorda. Então, me diga o que eu faço?

– Como assim? Minsuh, se acalme. – Pedi atordoada enquanto via a mais nova chorar. Fiquei com muita pena dela, a garota sempre tinha uma postura forte e decidida, nem cheguei a pensar que existissem lágrimas dentro dela.

– Meu Dondongie disse que queria terminar porque não aguentava mais minha personalidade, que não gostava mais de mim e que tinha se apaixonado por outra pessoa! Acredita nisso? Por alguém com a personalidade melhor, quase como uma santa. – Explicou e no mesmo instante eu me arrependi de tê-la acompanhado, eu estava me sentindo tão culpada. – Santa não, de uma freira, posso com isso? Isso tudo por alguém sem graça? Pior ainda é descobrir que essa mosca morta é só mais uma putinha fingindo ser inocente pra conseguir macho. Então me diz, Kim Haeun, o que eu faço com uma vagabunda dessas? O QUE EU FAÇO COM VOCÊ?

– Minsuh, você está um pouco equivocada sobre como as coisas aconteceram.

– Estou? Então vai negar que você seduziu o meu Dondongie quando eu tenho provas e testemunhas do que você fez? – Indagou irônica. – Isso é por dar em cima do meu namorado! – Minsuh gritou me dando um tapa forte demais. Senti o gosto ferroso de sangue e minha pena e compreensão foram substituídas por raiva.

– Você devia estar discutindo com Donghyuk, ele quem tinha um compromisso com você, não eu. Se ele não te respeitou porque eu deveria? – Rebati alisando minha bochecha, seria impossível tentar explicar qualquer coisa pra ela enquanto estivesse naquele ataque de histeria.

– Sua vadia fingida, eu vou fazer da sua vida um inferno. Vai desejar nunca ter posto os pés na Coréia de novo. – Intimou enfiando o dedo ossudo na minha clavícula. – Esteja avisada.

Bufei olhando-a ir embora, eu queria ter revidado devidamente, mas a única coisa que eu pensava era em como Minsuh tinha descoberto isso, infelizmente aquele dia eu teria muita coisa pra pensar, era o primeiro jantar em família entre os Kim e os Koo, ou seja, em breve eu estaria uma pilha de nervos. Resolvi deixar a Minsuh pra outra hora.

Enquanto seguia para a aula de fotografia percebi algumas pessoas me encarando e eu corei escondendo o vermelho em minha bochecha e pela primeira eu fiquei feliz em não ter que explicar isso pra nenhum dos meus amigos, nem Yejin estava no prédio aquele dia. A medida que eu me aproximava da sala os cochichos e os olhares aumentava e ao passar pela porta eu entendi porque. Colado em todas as paredes havia montagens ridículas minhas, meu rosto no corpo de Maria grávida e a frase: “A santa que fez 3 abortos”. Olhei pra Minsuh e ela riu sendo acompanhada do resto da sala. Comecei a arrancar os folhetos com raiva.

– Sente-se, Kim Haeun! – Meu professor repreendeu antes que eu terminasse.

– Mas...

– Está atrapalhando o início da aula, sente-se aqui ou na diretoria, a escolha é sua.

Bufei caminhando para meu lugar habitual, os lugares eram marcados. Minha cadeira não estava lá. Minsuh riu de novo.

– Professor Cha! – Reclamei.

– O que foi agora, Haeun?

– Tiraram minha cadeira e...

– Pois pegue outra na sala ao lado. – Suspirou apaticamente me fitando. Respirei fundo buscando calma e rumei para fora da sala, pelo jeito Minsuh não estava brincando.

XXX

[JUNHO – UM MÊS E MEIO ATRÁS]

Jung Chanwoo

Dohyun e Seoyeon tinham me chamado para ir ao shopping e eu sabia que não poderia vir algo bom daquelas duas. Provavelmente só queriam confirmar ou espalhar alguma fofoca, mas acabei aceitando ir, desde as provas finais eu vivia enfurnado dentro de casa e Haeun estava ocupada demais com June-ah e a tal coreografia pra sair comigo.

– Chanwoo-ah, você é o dongsaeng do Team B, certo? – Seoyeon indagou como quem não quer nada enquanto remexia uma arara de vestidos. Suspirei e assenti. – Como vocês se conheceram? – Completou. Dei de ombros também procurando algo pra mim.

– Por causa da noona,  eu acho. Quer dizer, antes eu fazia o trabalho de casa deles, mas nunca fomos próximos como agora. – Respondi sem muitos detalhes.

– Hummm, até as gincanas eu nem sabia que Haeun-ssi existia, quanto mais que ela era amiga deles. – Dohyun recomeçou. – Soube que ela namora o June-ah, é verdade?

– Que tipo de besteira sem sentido é essa que você está falando, noonim? – Rebati na defensiva.

– É o que todo mundo está comentando, Chanwoo-ah. Eles pareciam muito íntimos naquela coreografia e agora o Junhoe até está salvando ela da reprovação. – Seoyeon concordou fingindo inocência. Então era isso que elas queriam saber.

– Noonim, vocês tem idade para fofocar como essas ahjummas? Lee Hi-ssi se machucou e Haeun noona a substituiu, depois disso eles se tornaram amigos,  não distorçam o que aconteceu ou fiquem falando coisas desnecessárias. – Repreendi quase não escondendo o quão irritado e desconfortável eu estava.

– Esse moleque! Cuidado com a língua. – Seoyeon levantou o punho fechado ameaçando bater em mim.

– Eu soube que eles até dormiram sozinhos na praia em Jeju. – Dohyun comentou fazendo a amiga desistir de me disciplinar e focar no rumor. Aquela altura eu estava irritado e não queria ter que lembrar de Jeju, muito menos dos dois dormindo sozinhos, eu sabia que não era como elas estavam falando, não era algo malicioso, mas mesmo assim ainda me deixava deprimido.

– Ji Young noona, do último ano, disse que viu os dois se beijando escondido no ginásio, antes das finais. Ela disse que até tirou uma foto. – Seoyeon voltou ao tom de fofoca enquanto olhava-se no espelho, segurando um top (fora de moda, diga-se) em frente ao corpo. Bingo. Finalmente elas tinham me atingido.

– O-o quê? – Sussurrei surpreso com a voz tingida de uma tristeza comedida. Dohyun deu uma risada maldosa.

– Acho que me enganei. Você não tem nada a ver com o Team B, tem certeza que não estão andando com você porque todo grupo precisa de um mascote abobalhado?

Senti que ia chorar e eu não daria a elas outra oportunidade de me humilhar. Saí a passos rápidos e me tranquei no banheiro masculino, me xingando mentalmente por não ter visto que sair com elas era uma ideia ruim desde o início. Mas tudo que me importava naquele momento era a fofoca, que estava me envenenando aos poucos. Liguei pra Haeun.

– Yeoboseyo? – Ela atendeu na minha terceira tentativa. – Chanuya?

– Noona... – Chamei tentando controlar a voz. – Noona... – Você está namorando o June-ah? Meu cérebro completou a pergunta que ficara presa na minha garganta.

– Sou eu sim. Está tudo bem, Chanwoo? – Murmurou visivelmente preocupada.

– Está, Noona. Eu só... Eu só queria saber quando você vai dançar com o hyungnim, quero muito ver isso.

– Ah! Isso. Vamos dançar hoje. Na verdade já estamos na escola, eu tenho minha apresentação de canto em breve e estamos aquecendo. Mas não sei se quero que você venha.

– Por quê?

– Eu já estou me sentindo claustrofóbica com uma sala cheia de professores, acho que me sentiria mais pressionada. – Respondeu hesitante, certamente ela estava escondendo alguma coisa.

– Certo, Haeun Noona.  Nos falamos depois então.

Saí do banheiro quase que automaticamente, decidido que veria a tal apresentação e depois disso, daria um jeito de tirar tudo a limpo, sem pensar duas vezes peguei um táxi e rumei para a escola. Não foi difícil descobrir onde seria a apresentação e nem fui impedido de assisti-la, eu era o pequeno mascote de Haeun e o Team B afinal. Entrei discretamente no auditório A2, ele era de estrutura mediana, para apresentações mais reservadas ou intimistas, as luzes estavam focadas no palco, em Haeun, para ser exato e esse efeito deixava a sala mais elegante e a noona ainda mais bonita.

Alguns professores estavam sentados nas primeiras duas fileiras, provavelmente seriam os responsáveis pelos julgamentos, já que todos os presentes eram das áreas de canto, dança, Hangul e dicção, os dois professores de Educação Física e os monitores das respectivas matérias. Haeun noona terminava seus exercícios de aquecimento vocal caminhando impacientemente pelo palco. Olhou insegura em direção ao lado direito da plateia, buscando algum conforto e foi só aí que o vi em pé, balançando os braços nervoso, ele, Koo Junhoe. Normalmente, June-ah tem uma presença esmagadora e uma confiança invejável, mas aquele dia ele parecia inquieto e ansioso. Ao receber o olhar preocupado da noona ele sorriu doce e encorajador, como eu nunca tinha visto, Haeun sorriu de volta repentinamente curada do medo. Parecia que só haviam os dois ali, o nível de intimidade era inegável e constatar aquilo fazia meu coração doer.

– Você não pode ajudar, Junhoe-ssi. – A professora que reprovou Haeun advertiu quando o hyung pediu para ficar no palco com ela.

– Serei só um adereço cênico. – Garantiu se curvando honrosamente. Haeun sorriu animada abraçando a cintura dele e este beijou seus cabelos. Meu coração doeu de novo.

– Vamos logo, eu não tenho o dia todo. – Ouvi Brian Kang Younghyun bufar. Ele era o ex de Haeun, pelo que eu sabia.

June-ah revirou os olhos, enjoado e em seguida a noona começou a cantar, a música era Eyes, Nose, Lips, do Taeyang. Como prometido June-ah não ajudou, apenas sentou-se no centro do palco, uma espécie de apoio emocional para Haeun e que deu muito certo já que sua apresentação foi memorável, limpa e encantadora. Apesar baixa extensão vocal que a noona tinha, ela não fez feio e os professores pareciam concordar comigo. Ao fim da apresentação vieram os comentários, todos se mostraram satisfeitos tanto com a dicção de Haeun como com sua performance vocal. Ela se curvou agradecendo e lançou um sorriso de felicidade pra Junhoe, que prontamente retribuiu com sua melhor expressão de orgulho e eu não sabia se poderia continuar assistindo aquilo.

Cerca de dez minutos depois a apresentação de dança começou e só então eu entendi porque a noona não me queria por lá, era uma coreografia sexy de dança moderna. Junhoe-ah vestia uma calça preta e uma blusa social branca e larga, Haeun, por sua vez, usava um short preto, extremamente curto e colado, top preto e uma blusa social idêntica à do hyung, ambos estavam descalços, acho que para facilitar os movimentos e ao som de Close, do Nick Jonas, eles mostraram uma coreografia elaborada, cheia de skinship e insinuações de cunho erótico.

Uma parte de mim não aguentava mais e queria ir embora, mas outra, a parte dominante, mantinha-me em pé, olhando para aquela tortura, porque meu cérebro precisava da plena certeza de que eles estavam juntos. Antes do fim da apresentação Young K cochichou algo no ouvindo da professora de canto a qual ele era monitor e levantou a passos rápidos, indo em direção a saída, onde eu estava, ao me ver o loiro abriu um sorriso de escárnio.

– Vai continuar aqui assistindo isso? – O hyungnim indagou tentando parecer descontraído, mas era um pouco óbvio pelo seu tom de voz que ele estava no mínimo se sentindo contrariado. Meneei a cabeça concordando. E ele debochadamente riu baixo.

– Nós dois perdemos. – Afirmei com o tom de voz gélido.

– Eu não sou do tipo que aceita uma derrota sem antes lutar e você? – Rebateu.

– Não me meto em lutas perdidas. – Contrapus ainda tentando me manter indiferente.

– Então foi você quem perdeu. – Provocou rindo. – Ela sequer percebeu e você vai deixar por isso mesmo? Eu não deixaria. – Não éramos amigos, pelo contrário, sempre estivemos em lados opostos, um tentando acabar com o outro, mas em parte, Brian tinha razão, até ele sabia.

– Eu não disse que deixaria. – Rebati serrando os punhos. Young K riu de novo agarrando meu queixo.

– Aí está o Satanwoo que eu conheço. – Deu um sorriso de satisfação. Bati em seu braço pra me soltar de seu aperto.

– Cuidado com a língua, hyung. – Adverti ainda mais irritado.

– Só estou sentindo pena da Haeun, ela realmente acha que você é alguma coisa. – Respondeu dando de ombros. Tentei ignorá-lo, voltando a assistir a performance, para que assim ele fosse embora logo, mas ao invés disso o Kang virou para assistir também. – Okay, isso é a gota d'água pra mim. – Bufou quando ao final da coreografia os dois se beijaram, depois saiu batendo a porta, chamando uma atenção desnecessária. Um dos monitores ligou as lâmpadas do auditório, me revelando ao lado da saída.

– Pra mim também. – Murmurei vendo a noona sorrir e acenar pra mim, ela estava visivelmente desconcertada, mas queria parecer legal. Não gesticulei de volta, apenas saí a passos rápidos, eu precisava reorganizar minha mente, eu estava tão magoado, Haeun sequer me contara, acho que a maior parte da minha irritação era seu descaso completo para comigo.

– Chanuya. – Haeun chamou vindo em minha direção. Continuei a caminhar rápido para longe dela, queria que a Kim desistisse e eu pudesse me acalmar em paz. Em vão. – Hey, Chanwoo. – Disse por fim me alcançando. Me virei para encara-la. Haeun conseguia ser ridiculamente bonita até molhada de suor. Uns fios de cabelo que escapavam do rabo de cavalo grudaram em seu rosto, a blusa se tornara mais transparente e colara em seu corpo, marcando os seios.

– Junhoe gostava dessa visão, não é? Ele tem cara de que gosta desse tipo de corpo ou tem esses fetiches. – Comecei sem conseguir controlar o tom de ironia. – A dúvida que tenho é se vocês ensaiavam mais tempo vestidos ou sem roupas.

– Do que você está falando? – Ela sussurrou extremamente corada.

– VOCÊS ESTÃO JUNTOS! – Gritei enojado, agora eu entendia porque estava sendo posto pra escanteio e Haeun ainda se dizia minha melhor amiga.

– Pode manter sua voz baixa, por favor Chanuya? – Murmurou de novo ainda muito vermelha enquanto olhava por cima do ombro para saber se alguém me escutada.

– Vocês estão? – Perguntei mais baixo dessa vez. A noona me lançou um sorriso amarelo, pendurando-se no meu braço.

– Sim, estamos, ai, Channie, estou tão aliviada em poder te contar isso, eu juro que não quis guardar segredo, mas tinha que ser assim, era arriscado demais. – Explicou-se sorrindo como uma idiota. Puxei meu braço de volta ainda mais ressentido. O pior de tudo é que eu realmente considerava ela, Haeun tinha sido legal desde o início, então eu nunca pensei que nossa relação pudesse ser tão unilateral.

– Como você pode fazer isso comigo? – Quase gritei.

– Chanwoo?

– Como você não percebeu, caralho, Haeun! – Esbravejei de novo perdendo o controle. – Como você pode fazer isso comigo? Como?

– Eu não... Chanwoo, eu sinto muito... Eu não sabia. – Começou atordoada tentando tocar no meu braço de novo. – De verdade, me desculpe, eu não percebi que você gostava de mim, você sempre lidou tão bem com meus outros rolos eu realmente nunca pensei, eu...

– Espera, você me conhece tão pouco assim? – Eu ri debochado, pra esconder meu desgosto. – Eu não gosto de você, sua idiota, eu gosto dele, ou você acha que eu fazia o dever de casa do Team B por amor no coração?

– Você o quê? – Seus olhos se arregalaram.

– Meu Deus, como você pode dizer que era minha amiga? Como eu pude pensar nessa possibilidade? Você nunca ligou pra mim, Haeun, você nunca quis saber de mim ou procurar me conhecer de verdade, tudo o que você queria era alguém pra você chorar a desgraça que é sua vidinha estúpida de bastarda sem nem se preocupar o que passo todos os dias na minha. Sinceramente, nem sei por que estou dizendo isso agora, nem vale mais a pena, eu quero ficar longe de você, quero ficar com quem realmente se importa comigo, que quer uma amizade de verdade. – Falei em um jato tudo o que eu sentia, ficando cada fez mais puto ao externar o que eu tinha constatado sobre nós. Haeun estava atordoada demais pra me responder. – Eu quero que você se foda. – Completei voltando a caminhar para longe do auditório e da Kim. Sinceramente eu estava tão puto, queria que ela morresse. Esse era o nível da minha raiva.

Eu queria que ela morresse.

E eu já tinha a ideia de vingança perfeita. Disquei o número que eu tinha por mera casualidade, nós nunca trocamos mais que 4 ou 5 palavras.

– Yeoboseyo? Minsuh-ah? Aqui é o Jung Chanwoo, eu tenho umas coisas pra contar que são do seu interesse.

 

 


Notas Finais


POSTEI E SAI CORRENDO! AHSUASHU
aegiyah¹ é como se fosse bebê/amor, um jeito fofo de tratar a namorada
Musica da ligação: https://www.youtube.com/watch?v=TiNTy3YqczM
Eyes, Nose, Lips: https://www.youtube.com/watch?v=nguzHM07gfE
Dança Moderna: https://www.youtube.com/watch?v=z85PpnhTcWs


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...