História Malen - The Selection - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Descendentes
Personagens Carlos de Vil, Chad, Doug, Evie, Jane, Jay, Lorrie, Mal, Princesa Audrey, Príncipe Ben
Tags A Seleção, Cane, Devie, Jonnie, Malen
Visualizações 101
Palavras 6.512
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oláaaaa pessoas lindas da minha vida! Eu voltei! Uhuuuu
Estou postando esse capítulo assistindo DECENDENTES 2! Tem felicidade maior? Aaaaa ❤️
Então, na verdade eu não ia postar esse capítulo hoje, gostaria de dar mais um tempinho para deixá-los bem curiosos, mas não me aguentei!
E só digo uma coisa: ACHO QUE VÃO ME AMAR FORTE COM ESSE CAPÍTULO!
Tá, não vou exagerar, vocês vão gostar um pouquinho.
Enfim, aguardo as opiniões de vocês lá embaixo, Kisses!
E obrigada pelo apoio e por cada comentário e favorito, amo vocês! ❤️

Capítulo 7 - Chapter 7 - Unexpected Meeting.


Fanfic / Fanfiction Malen - The Selection - Capítulo 7 - Chapter 7 - Unexpected Meeting.

 

 

Local: Casta Um - Salão de Jantar, Auradon.
            20:28p.m., sexta-feira.

Mal Point Of View 

 

Mantive a cabeça baixa durante o jantar. O salão era imenso. Tinha uma mesa grande com trinta e cinco lugares, não contei, mas supus. Tinha uma outra mesa menor, mas tão bonita quanto a outra. Provavelmente era a mesa onde o rei Adam, rainha Bela e o príncipe fariam suas refeições. Seria estranho tê-los na mesma mesa que nós, dando preferência de lugares próximo a eles para umas enquanto outras estariam no fundo. Eles pensavam em tudo, para manter as coisas iguais para todas. 

As garotas conversavam alegremente dando-me um tipo de náusea. As risadinhas, os olhares maravilhados, tudo aquilo era pura baboseira. Audrey principalmente fazia questão de chamar a atenção de todas ali, e por um instante, juro que a vi trocar algumas palavras com Uma. 

Duas megeras juntas, quem é capaz de segurar? 

Não troquei palavras com ninguém, fora Evie, é claro, que me mostrava a todo instante a diversidade de copos, taças, talheres e pratos. Se me perguntassem eu jamais saberia responder o que diferenciava um do outro e para que serviam. No final agradeci por termos usado apenas o essencial. Formalidade não é o meu forte, e apesar de ficar admirada, confesso, com a beleza de cada coisa do castelo, ainda tinha certeza de que estava no lugar errado. E para piorar, minha amiga de minuto em minuto consertava minha coluna dizendo que eu precisava ter postura, fazendo-me ficar estressada e entediada. Só de pensar que nesse momento eu poderia estar em casa, com minha mãe e meus amigos, sentada na mesa jantando, me dava uma enorme angústia. 

Tá, Evie estava comigo, mas não no nosso verdadeiro lugar. 

Afastei o pensamento que não faria nada mudar e concentrei minhas forças no jantar. Eu estava ali apenas em corpo, porque minha mente só pedia uma cama confortável e eu sabia que ela já estava esperando por mim em algum lugar.

Olhei para o prato. A última vez que tinha visto um bife tão bonito como aquele fora no Natal, alguns anos antes. Minha mãe, Elinor e Célina haviam feito o melhor que podiam, mas não tinha chegado nem perto daquele bife. Era suculento, tenro e saboroso. Pelo menos alguma coisa tinha que ser boa ali. E sem sombra de dúvidas era a comida. 

- Ev, fui só eu que achei ou esse é o melhor bife que já comi na vida? - cutuquei Evie e perguntei. Eu precisava compartilhar com alguém. 

- Nunca comi nada melhor antes, está divino! - ela concordou e voltou a comer. Pela sua cara, notei que havia ficado surpresa pelo meu elogio repentino, visto que deixei exposto desde o primeiro minuto que cheguei que não gostei de nada daqui. - Quem dera que minha mãe soubesse fazer algo assim. Para ser sincera, ela é um desastre! - falou e eu ri. Era verdade. Talvez metade verdade, não era bem tão ruim assim.

A sobremesa consistia em frutas variadas e sorvete de baunilha. Nunca tinha comido coisa igual. Me perguntei que se isso era comida, o que era aquilo que eu tinha posto na boca durante toda minha vida até então? 

- Carlos e Jay adorariam isso. - Evie comentou, saboreando o sorvete e eu ri sem mostrar os dentes. 

- É, eles iriam enlouquecer. - falei e imaginei eles ali, brigando por causa da comida e disputando para ver quem comia mais. 

- Como acha que eles estão? - perguntou desfazendo o sorriso, reproduzindo em fala o meu pensamento. Eu me perguntava a mesma coisa. Mas deveriam estar bem.

- Brigando como os dois bocós que são. - brinquei e ela riu. 

Terminamos de comer e a Fada Madrinha veio até nós, aproveitando que estávamos todas juntas para dar as boas vindas mais formalmente. O falatório de antes cessou, quando ela começou a falar:

- Boa noite, queridas filhas de Auradon! Em nome do rei Adam, rainha Bela e príncipe Benjamin, venho dizer que estamos muito felizes e lisonjeados de recebê-las aqui no castelo. - ela dizia com muita alegria fazendo gestos estranhos. - Sintam-se em casa aqui. - eu revirei os olhos assim que ela falou. Jamais me sentiria em casa em um lugar desses. - Aproveitem bastante cada minuto. Essa é uma oportunidade que muitas garotas gostariam de ter. - fez uma pausa dramática. - Confesso que estou encantada com a quantidade de rostos bonitos aqui. A começar pela minha filha, não é meu bem?

Só então percebi que ela estava ao lado de Jane. Todos os olhares se voltaram para ela. A garota arregalou os olhos azuis ao ouvi-la falar. 

- Meninas, creio que já tenham a conhecido. Essa é Jane. - colocou a mão sobre os ombros dela.

- Mãe... não! - ela sussurrou, repreendendo o ato da mãe e eu ri internamente. 

- Ela está concorrendo assim como vocês! - sorriu - Que bom que não ficou comigo na equipe de organização dessa vez, não é filha? - falou e pude ouvir o riso de algumas garotas. Senti pena da vergonha alheia da pobre garota. Vi ela encolher na cadeira e suas bochechas corarem.

- É... - respondeu sem graça. 

A Fada Madrinha deu alguns avisos nos quais não prestei atenção, e disse que ninguém tinha autorização para deixar a mesa até que todas tivessem terminado.

Mais uma regra ridícula, em um lugar ridículo repleto de pessoas ridículas. 

Depois disso, recebemos ordem de irmos para nossos quartos. Algumas moças vieram para nos ajudar a encontrá-los. 

- Não demorem muito para dormir, meninas! Afinal, vocês vão conhecer o príncipe Benjamin pela manhã e vão querer estar bem dispostas e apresentáveis. - explicou a mesma. - Ele é o futuro marido de alguém aqui nessa sala, afinal. E aqui para nós, ele é adorável! - frisou a última fala, como se contasse um segredo e riu. 

Algumas garotas suspiraram diante dessa perspectiva. Incluindo Evie.

- Ahhh, o príncipe! - riu sonhadora e eu negativei com a cena. 

O som de trinta e cinco pares de salto alto ao se levantarem das cadeiras era como a música de uma manada elegante. Eu mal podia esperar para tirar os meus. As moças disseram que nos mostrariam alguns lugares do castelo, enquanto nos conduzia até nossos quartos. 

- Acostumem-se a aquele salão. Vocês passarão boa parte do tempo lá. - disse quando passamos em frente ao salão de mais cedo. - Aqui no primeiro andar temos o Salão de Bailes, a Sala de Jantar, o Estúdio do Jornal Oficial e a Sala dos Tronos. - falou indicando a direção para cada canto dos corredores.

- O que tem na Sala dos Tronos? - perguntou uma garota de cabelos pretos, parecendo perdida.

- Tronos? - Audrey que estava na frente de todas respondeu sarcasticamente, arrancando risadas das outras. 

- Exatamente, Audrey. O trono do rei, da rainha e do príncipe. - a guia respondeu e sorriu. - Tudo bem, aquele lá em cima é o terceiro andar. Nele fica o escritório do rei, seus aposentos, e a grande sala do Parlamento. 

Fez uma pequena pausa, antes de continuar, como se tentasse lembrar de alguma coisa.

- Certo. O quarto de vocês fica no segundo andar, que também é onde fica a Sala de Música, a Biblioteca, a Sala de Treinamento dos príncipes, virando o corredor à direita, a Sala de Cinema e a Enfermaria. E aquele lá, - apontou para uma janela - É o campo. Não sei se já foram informadas, mas temos um time aqui em Auradon formado pelos próprios príncipes, mas isso deixaremos para saber mais tarde. Essas portas aqui são para o jardim dos fundos. E mais para dentro temos um lago excepcionalmente maravilhoso. Creio que ainda irão conhecê-lo.

Suspirei diante de tanta informação. Aquele castelo era como um labirinto opulento. Qualquer um se perderia fácil. 

Entramos em um corredor comprido e subimos as enormes escadas que davam para o segundo andar. Eu sentia tapetes tão espessos sob os meus pés que tinha a impressão de afundar um centímetro a cada passo. A luz atravessava as janelas no alto. Tudo cheirava a flores. As paredes estavam repletas de pinturas desenhadas dos reis e rainhas de Auradon. Aqueles dos famosos contos de fadas e tal. 

- As coisas de vocês já estão nos quartos. Se não gostarem da decoração, basta avisar as criadas. Amanhã mesmo elas já estão a suas disposições. Os quartos serão divididos entre duas de vocês e serão duas criadas. Uma para cada.

Eu e Evie nos entreolhamos. Nós tínhamos que ficar juntas. Em todas as hipóteses.

- Vocês terão o privilégio de verem com exclusividade em seus aposentos as fotos dos momentos registrados de suas viagens desde que saíram de suas casas e de como chegaram aqui. Semana que vem estarão ao vivo no programa! Será bem especial. Saibam que o príncipe não viu nada ainda. Ele verá o mesmo que Auradon dentro de poucos minutos. Amanhã vocês o conhecerão oficialmente. E por último, é importante lembrar que o toque de recolher é as vinte e duas horas em ponto. A partir de amanhã.

Engoli em seco. Regras demais. Estruturas demais. Gente demais. Eu só queria ficar sozinha logo. 

- Na porta dos quartos estarão os nomes de vocês e suas acompanhantes. Tenham uma boa noite e descansem bastante. Amanhã será um dia longo. Logo logo os jogos começam! 

Assim que a guia saiu, começamos a percorrer o segundo andar à procura de nossos quartos. Os corredores eram todos em material amadeirado assim como as grandes portas dos quartos. Eu e Evie vibramos de alegria quando por nosso campo de visão passou nossos nomes gravados na porta de um dos quarto em letras brilhantes. “Srta. Evie Grimhilde e Srta. Mal Bertha”. Parecia até algo importante. Para nossa sorte estávamos juntas. Foram entregadas a nós minutos antes uma chave, com um chaveiro dourado em forma de fera. Disseram que eram de nossa responsabilidade agora. 

Abrimos a porta revelando um quarto enorme. Com duas camas gigantescas, ja devidamente arrumadas com cobertas dez vezes mais grossas do que as minhas e com banquinhos aos pés delas, armários embutidos nas paredes decoradas, dois grandes tapetes brancos espalhados, escrivaninhas com vasos de flores, mesinhas com cadeiras acolchoadas em azul e amarelo num canto, uma grande televisão numa parede, cortinas combinando nas janelas e lustres gigantes no teto. Estávamos boquiabertas. Nem mesmo a melhor casa na casta Cinco chegava a terça parte do que era aquele quarto. 
A primeira coisa de fiz foi jogar os saltos para longe. 

Nossas malas estavam intactas assim como chegaram, sobrepostas em cima da cama. E ao lado, uma caixinha embrulhada que eu não tinha noção do que era. 

- Ai. Meu. Deus! - Evie falou pausadamente e começou a gritar e pular como uma maluca. - Esse lugar é tão...

- Sem graça. - falei com a voz arrastada, acabando com a animação dela que me olhou com uma cara de tédio. No fundo eu estava impressionada, mas não perderia a oportunidade. Ri internamente. 

- Na verdade eu ia dizer incrível. - falou e correu, para logo se jogar na cama grande e macia que afundou a medida que recebeu seu peso. Ela ria e eu acompanhei. Fazendo o mesmo em seguida. O colchão era macio e me deixou com vontade de nunca mais sair de lá, encarando o teto. - Ahhh, não acredito! - mais um grito surtado de Evie e eu me posicionei levantando para ver o que era. - Uma máquina de costurar! Parece que eles levaram a sério quando preenchi costura como habilidade especial. 

- Uau. Agora não teremos problemas com as roupas sem graças daqui. 

- Ah, para Mal. Elas são lindas. - discordou sentando-se na cadeira próxima a máquina e eu fiz uma careta de desgosto.

- O que é isso? - apoiei meu cotovelo ainda deitada no colchão, virando-me para o pequeno embrulho. Evie interessou-se e levantou indo até o dela também. 

Havia um pequeno bilhete grudado ao papel e o arranquei, abrindo.

“Um pequeno presente de boas vindas a todas para que facilite o tempo de vocês aqui e as formas de comunicação. Espero que agrade e seja útil. Aproveitem! Príncipe Ben.”

- Não brinca! Um presente do príncipe? Mas já? - Evie animou-se, saltitando no colchão. 

- Com certeza não deve ter sido ele, Evie, não seja ingênua. O pessoal da organização deve ter mandado isso em nome de Benjamin. É diferente. 

- Estraga prazeres. - sibilou baixo e eu ri. Não demorou muito para que rasgássemos o papel todo. Relevando o que tinha ali dentro. - Um celular novo, ahhhh! 

- Ai Evie, não grite. - reclamei sentindo a cabeça começar a doer e olhei para a caixinha. 

O celular era com toda certeza um presente ótimo. Pelo menos não passaria mais vergonha com o aparelho velho que até então chamávamos de celular. 
Evie passou para a minha cama, já explorando o brinquedinho novo. 

- Esse lugar é um sonho! Mas espera! E se eu estiver mesmo sonhando? - de repente ficou séria, encarando o nada. - Mal me belisca para eu saber que não é um sonho.

Arqueei as sobrancelhas, impressionada com todo aquele drama e ri. Ela estendeu um pouco o braço e eu o belisquei, assim como foi ordenado. 

- Ai! - reclamou passando a mão no lugar que ficou vermelho.

- O que? Foi você que pediu. - dei de ombros. 

Ela levantou de imediato. Não parou por um segundo desde que chegamos ali, eu já estava tonta. 

- Como me esqueci? Nós vamos passar na televisão! - deu um pulinho de alegria e ligou a tv gigante, fazendo-me lembrar também, respirando fundo. 

Depois de algumas outras notícias, lá estava ele. Gavril fazendo uma enorme propaganda da Seleção. Poucos minutos depois as fotos começaram a ser passadas. Mulheres e mais mulheres aparecendo nas fotos. Após muitas delas, chegou a vez da nossa casta, e lá estávamos nós. Passando na grande tela. Tudo estava registrado. O momento da despedida, os abraços, quando entrando nas limousines, a multidão se despedindo com acenos, nossas caretas surpresas ao ver tudo, nós entrando no castelo e até mesmo eu... dormindo? 

Quase tive um ataque quando vi aquela foto e Evie riu da minha cara. Como e em que momento aquelas fotos foram tiradas? Minha vontade foi de explodir e denunciar todo mundo por violação dos direitos autorais. Mas tecnicamente, eu agora sou propriedade de Auradon e eles fazem o que acharem melhor comigo. O que pra mim é um insulto. 

Olhei para aquelas fotos e lembrei no mesmo minuto. Pensei nela. Pensei em Margie. Como será que minha mãe estava reagindo a aquelas fotos agora? O que achou? Será que estava orgulhosa de mim? Porque pelo menos no momento da despedida não era o que parecia muito. Estar aqui, nesse castelo, talvez fosse a única maneira de deixá-la feliz comigo de verdade. Mesmo se quisesse, não podia vacilar.

Afastei os pensamentos quando as fotos terminaram e Gavril apenas continuou com seus discursos. Que já não eram tão interessantes. 

Esqueci de dizer que também havia uma suíte no quarto. Do tamanho de um quarto da nossa casta e não, não é exagero. Geralmente as partes pobres não tem tanta regalia, e ali, parecia que tudo era fácil até demais. Tinha um espelho grande. Uma poltroninha no canto, a pia, toalhas e roupões com nossos nomes bordados e uma grande banheira. 

Evie implicou de que seria a primeira a tomar banho e se trancou ali dentro antes que eu pudesse reivindicar. Abusada.

Depois de quase ter morado ali dentro e sair devidamente vestida com um roupão branco, foi a minha vez de entrar. Meu corpo necessitava daquilo. Precisava relaxar, precisava me acalmar do dia estressante. E a água morna junta a hidromassagem fizeram o trabalho muito, muito bem. 


(...)

 

Já era tarde, depois de eu e Evie termos desfeito as malas e explorado os armários e gavetas com roupas elegantes e jóias caríssimas, nos deitamos. Foi a melhor parte do dia depois de toda a agitação. Não me sentia em casa, mas com toda certeza o colchão dali fazia qualquer um perder os sentidos e esquecer qualquer que fosse o problema, e o meu, desgastado e com anos e anos de uso, nem se comparava a aquele no qual eu me deitava agora. Ele era macio e me dava um sentimento de paz e tranquilidade. Me envolvi sobre aqueles cobertores quentes e luxuosos. Nada e nem ninguém me faria sair dali agora. Agora sim, eu teria sossego e poderia descansar. Afastar os pensamentos. Esquecer de tudo por pelo menos umas horas. 

Foi o que eu pensei. 

Na verdade, tudo o que consegui foi virar de um lado a outro na cama por longos minutos, sem conseguir pregar o olho. Observei Evie, dormindo como um bebê, agarrada a uma almofada em forma de cone comprida, na cama ao lado da minha e me perguntei o que de fato acontecia comigo. Tudo o que eu queria desde o tumulto estava bem ali debaixo de mim, mas algo me impedia de me tranquilizar.

Minha cabeça ainda estava a mil, eu tinha que confessar. Tudo aconteceu tão rápido. 

Depois de muito relutar, admiti para mim mesma que não adiantaria de nada permanecer ali, e levantei cuidadosamente da cama, indo em direção à porta que dava na sacada. Enfiei lentamente minha cabeça pela porta e vi parte do jardim. Havia um labirinto de alamedas com bancos e fontes. As flores brotavam de toda parte, e cada uma delas estava perfeitamente podada. 

A imagem de todo o meu dia veio em minha mente de repente. A despedida, a partida, a viagem, a chegada no castelo e todos os preparativos exaustivos de mais cedo. Fora o quanto minha cabeça doeu durante todos esses acontecimentos. E tudo isso em menos de vinte e quatro horas. Parei para refletir. Em menos de um dia passei de uma simples garota que morava em uma casta absurdamente pobre para a garota que agora estava em um castelo, recebendo assistência sem fim, rodeada de pessoas que nunca tinha visto, cuidando de mim como se eu fosse uma criança indefesa de cinco anos. Era essa a vida que o destino tinha reservado para mim? Olhei para os muros do castelo, olhei para o quarto, para mim. Aquilo não era pra estar acontecendo. Aquela não era eu, não era a minha vida. Dentro de algumas horas eu conheceria o principal responsável por me fazer estar aqui e aí? E depois? O que seria e o que viria? Eu não sabia. Eu não queria saber. Não queria descobrir. Só queria fugir, fugir para longe e nunca mais dar as caras novamente. 

Pensei em tudo. 

Uma onda vasta de sentimentos me invadiu, pegando-me de surpresa. Minha visão embaçou de repente. Apenas notei que chorava quando uma lágrima quente e salgada percorreu um caminho até minha boca. E o pior era que eu raramente chorava.

O que eu tinha feito com minha vida? 

De repente o ar me faltou. Não conseguia respirar. Estava tremendo. Como tinha chegado a tal ponto? Rapidamente abri por completo a porta da sacada na esperança de que o ar fresco me fizesse bem, mas não fez. Minha respiração continuava curta e fria. 

Não existia liberdade ali, as barras da sacada me mantinham presa, aumentando ainda mais meu pânico. Eu precisava sair. Precisava fugir, mas ninguém permitiria que isso acontecesse. Corri de volta para dentro e travei a porta da sacada. Olhei para Evie que se mexeu um pouco e parou. Estava um pouco insegura com aquelas lágrimas nos olhos, mas ainda assim consegui sair do quarto. 

Corri pelo único corredor que conhecia sem ver a arte, a tapeçaria ou os batentes dourados. Quase não percebi os guardas. Eu não conhecia muito bem o castelo, mas sabia que se descesse as escadas e virasse à direita ia encontrar enormes portas de vidro que davam para o jardim. Eu só queria chegar até essas portas.

Corri pela imponente escadaria, soluçando e sentindo cada vez mais o ar ir embora. Meus pés descalços soavam como tapinhas no chão. Havia um punhado de guardas noturnos trajados em uniformes azuis, mas nenhum deles me parou. Quer dizer, não até eu chegar no lugar que buscava.

Como antes, dois homens montavam guarda ao lado das portas, e quando tentei correr até elas, um dos homens se pôs à minha frente, e o bastão em forma de lança tragicamente impediu minha saída. 

- Perdoe-me, mas a senhorita deve voltar para o quarto. - ele ordenou com autoridade, fazendo-me parar, ofegando.


♔♔♔♔

 

Narrador Point Of View

 

Ben estava nervoso. Não gostava de admitir para si mesmo, mas estava. Saber que sua casa já estava cheia de moças loucas e histéricas, doidas para vê-lo era um pouco demais para sua mente.

Saber que seu provável futuro verdadeiro amor estava bem ali, abaixo de si, em algum daqueles quartos, era agonizante, mas estimulante. 

Amanhã seria o grande dia de conhecê-las. Enquanto elas se produziam e se preparavam para fazer sessões de fotos e entrevistas mais cedo, ele apenas ficava ali no escritório de seu pai com Doug. Apesar da ansiedade em acabar de uma vez com aquele suspense, ele apenas tinha permissão para vê-las no dia seguinte. 

Já havia visto algumas delas mais cedo, no Jornal Oficial. Mas nada se comparava ao cara a cara. Durante bom tempo permaneceu conversando no quarto que pertencia a Doug quando ele decidia ficar pelo castelo. E durante a temporada ele certamente ficaria ali, a pedido de Ben. Deixá-lo sozinho naquele momento difícil estava fora de cogitação. O mais novo havia lhe contado da experiência de mais cedo na banda. Doug era um deles também. Conselheiro real, e chefe da banda de Auradon. Havia visto tudo e todas que passavam por ali graças a seus instrumentos.

“Acredite, amigão, vai ser uma tarefa difícil.” - dizia toda vez que era mencionado algo em relação às garotas. 

- Vamos ter que escolher uma para você. Trinta e cinco garotas no meu castelo e querer todas só para mim é egoísmo, Doug. - o rapaz brincou, enquanto abria a porta do quarto.

- Estou fora, se vira você sozinho para lá com todas elas e seus trinta e cinco gritos estridentes. - Doug fez uma careta de desgosto e Ben riu. 

- Boa noite, Doug. O dia amanhã promete fortes emoções. - falou minuciosamente, batendo uma palma e ajeitando o traje. 

- Boa noite, e boa sorte. Vai precisar. - falou e riu. Ben parou por um minuto antes de se retirar.

- Não pense você que ficará alheio e fora disso, estará bem ao meu lado dando-me apoio moral e psicológico amanhã, senhor Sétimos.

O rapaz riu, negando com a cabeça e fechou a porta. Mas apesar disso, o príncipe sabia que poderia contar com ele.

Ben caminhou pelos longos e largos corredores. Não queria voltar logo para seu quarto, mas não havia muito o que se fazer a aquela hora. Decidiu que dormiria de uma vez por todas ainda que o sono lhe faltasse. Se sua mãe ou seu pai lhe vissem vagando pelo castelo a aquela altura reclamariam na certa. Por ele não estar dormindo e se preparando para o dia de amanhã. O jovem príncipe passava rente à escada que descia até o primeiro andar, quando uma pequena  e estranha movimentação e vozes vindas de baixo o deixou intrigado ao ponto de parar e descer de imediato pelos degraus de mármore. 

 

♔♔♔♔

 

Mal Point Of View

 

- Não... não... Eu preciso... sair - as palavras se misturavam ao serem pronunciadas, eu não conseguia respirar direito.

- Senhorita, vá para o seu quarto agora.

O segundo guarda caminhava na minha direção. 

- Por favor... - comecei a arfar. Pensei que ia desmaiar, sentia minha cabeça girando.

- Sinto muito, senhoria Mal, não é? - ele olhou o meu broche. - A senhorita deve voltar para seu quarto. 

- Eu... não consigo... respirar - gaguejei, antes de cair nos braços do guarda que se aproximava para me empurrar. 

O bastão dele caiu no chão. Agarrei-me a ele já sem forças. O esforço havia me deixado zonza. Não compreendia bem o que estava acontecendo, tudo o que precisava era de ar. 

 

- Deixem-na sair! 

Uma voz jovem, mas cheia de autoridade reverberou pelo local, aproximando-se rapidamente. Minha cabeça se voltou com dificuldade em sua direção, um pouco de propósito e um pouco sem querer. Fiquei completamente surpresa com a visão que tive.

Por algum motivo e de alguma forma, ali estava ele. Príncipe Benjamin em carne e osso. Ele parecia um tanto estranho graças ao ângulo em que minha cabeça pendia, mas reconheci o cabelo e o jeito travado. 

- Ela desmaiou, Alteza. Queria sair. 

O primeiro guarda parecia nervoso ao tentar se explicar. Com toda certeza ele se meteria em uma encrenca terrível se me machucasse. Eu era propriedade de Auradon, não era? 

- Então que abram as portas. - sua voz era estranhamente calma e serena.

- Mas... Alteza...

- Abram as portas e deixem-na sair. Agora! 

- Imediatamente, Alteza.

O primeiro guarda tratou de obedecer, sacando uma chave. Minha cabeça continuava em uma posição estranha enquanto eu ouvia o tilintar das chaves e o ruído que uma delas produziu ao encaixar na fechadura. O príncipe me olhava com atenção enquanto eu tentava ficar em pé, tombando para frente e para trás. A primeira pergunta que surgiu em minha mente foi: o que ele fazia ali? 

Foi quando o cheiro doce da liberdade e do ar fresco tomou conta de mim e me deu toda a motivação de que eu precisava. Soltei-me dos braços do guarda sem olhar para Benjamin, e corri como uma bêbada para o jardim.

Eu ainda tropeçava um pouco, mas não me importava de parecer nada graciosa, coisa que eu já não era mesmo por natureza. Só precisava ficar lá fora, nada mais. Fechei os olhos e deixei meu corpo sentir o ar morno na pele, a grama sob os pés. De algum modo, até a natureza parecia extravagante ali naquele lugar. Eu queria percorrer todo o caminho até as árvores e não mais voltar, mas minhas pernas só podiam me carregar até aquele ponto. Cambaleei diante de um pequeno banco e ali fiquei, com minha camisola verde e fina sobre a terra, e a cabeça apoiada no braço sobre o assento. 

Meu corpo não tinha mais forças para soluçar, eu nem mesmo entendia o motivo de tantas lágrimas descerem em silêncio. Ainda assim conseguiram tirar minha concentração. Como tinha chegado até ali? Como eu tinha deixado isso acontecer? O que seria de mim? Algum dia eu conseguiria pelo menos um pedaço da vida que tinha antes disso de volta? Eu simplesmente não sabia. E não havia nada que pudesse fazer quanto a isso. 

Estava tão perdida e atordoada nos pensamentos que me esqueci até mesmo de como havia chegado ali. E só percebi que tinha companhia quando o príncipe Benjamin começou a falar comigo.

- Está tudo bem, querida? - ele perguntou inclinando-se um pouco, já que eu estava literalmente no chão. 

Tomei um susto brevemente e levantei a cabeça para encará-lo. Pedi que aquela imagem fosse apenas uma visagem ou algo assim, mas não era. Ele estava ali. De repente, olhando-o, me veio em mente tudo que me foi dito quanto ao príncipe dias antes de vir para cá. Toda aquela descrição de como eu deveria ser devota e me submeter a tudo que ele quisesse. Respirei fundo, inflando as narinas, e respondi firme depois de alguns segundos:

- Eu não sou sua querida! 

Era impossível não notar o nojo no meu tom de voz e nos meus olhos. Ele parecia não esperar por aquilo e o vi franzir o cenho disfarçadamente.

- O que eu fiz para ofender a senhorita? Por acaso não acabei de lhe dar exatamente o que queria? 

Ele ficou confuso com a minha resposta, ou no caso, por eu não ter dado uma. Acho que esperava que o adorássemos e agradecêssemos aos astros por sua existência. 

Encarei-o novamente, sem medo, embora não tivesse dúvida de que o efeito fora diluído pelas lágrimas nas minhas bochechas. 

- Ei, querida, o que aconteceu de tão grave pra continuar chorando? - ele perguntou parecendo muito incomodado com as minhas lágrimas.

- Não me chame assim! Não sou mais querida para você do que as outras trinta e quatro garotas que você mantém aqui nessa jaula.  

Ele se aproximou, sem parecer minimamente ofendido pelas minhas palavras vis. Só parecia... pensativo. Havia uma expressão interessante no seu rosto. Não podia ver bem a cor de seus olhos, mas sabia que estavam brilhantes.

O príncipe tinha um andar gracioso para um rapaz e parecia incrivelmente confortável dando voltas ao meu redor. Minha coragem se desmanchou um pouco diante da estranheza da situação. Ele estava completamente vestido, com seu terno azul ajustado, e eu estava encolhida e para minha vergonha, seminua. Ele deveria estar me achando uma coitada e parecia ter vasta experiência em lidar com pessoas infelizes, suas respostas eram excepcionalmente calmas. 

- Perdão, mas sua afirmação é falsa. Todas vocês são queridas por mim. Trata-se apenas de descobrir quem há de ser mais querida. 

Eu ri, debochada.

- Você disse mesmo “há de ser”?

Ele segurou uma risada. 

- Receio que sim. Perdoe-me. É fruto da minha educação. 

- Educação - resmunguei rolando os os olhos - Ridículo.

- Perdão? 

- É ridículo! - gritei, recuperando um pouco de coragem. 

- O que é ridículo?

- Você! O concurso! Tudo! Você nunca amou ninguém na vida, não? É assim que quer escolher sua mulher? Você é tão baixo a esse ponto? 

Ajeitei-me um pouco no chão, alterada. Para facilitar minha vida, ele se sentou no banco, de modo que eu não precisava me contorcer para olhá-lo. Eu estava muito brava para agradecer, e também não o faria em outras circunstâncias. Ele mantinha o olhar fixo em mim, o que me de certa forma irritada e constrangida.

- Ham... Eu entendo que possa dar essa impressão, que tudo possa ser visto como entretenimento barato. Mas meu mundo é muito fechado. Não conheci muitas garotas. E digamos que o futuro de Auradon depende desse concurso. As poucas que já conheci eram sempre egocêntricas, mimadas, mas bem falantes, só que em compensação, não tinham... assuntos em comum. Pode-se dizer que não falávamos a mesma língua, entende? 

Benjamin não se importava em estar se abrindo para uma estranha, talvez fosse apenas para tentar me envolver na conversa. Ele achava aquilo engraçado, pois deu uma risadinha. Não fiquei impressionada. Ele limpou a garganta:

- Sendo essas circunstâncias, nunca tive a oportunidade de me apaixonar. E você? 

- Não. - respondi na lata, ríspida, sem dar continuidade ao assunto. Ainda que não fosse verdade, eu não o diria.

- Então não somos muito diferentes um do outro. 

- Ao contrário de você, eu não queria um concurso idiota.

Ele observou atencioso enquanto eu falava, e parou por um momento, pensando nas palavras seguintes. 

- Meu pai e minha mãe se casaram há vinte anos atrás e me mostraram que tudo é possível. Digo, ele era uma fera, mas mesmo assim deu tudo certo. Nunca acreditei que esse concurso daria certo. Que eu poderia encontrar o amor da minha vida e coisas assim, mas eles despertaram isso em mim. Apenas gostaria que desse certo para mim também. Que alguém fosse capaz de me mostrar o contrário do meu pensamento sobre amar e me fizesse feliz. Como eles são. Como todos os outros são. E ter a oportunidade de encontrar alguém um dia. Alguém que seja amiga dos meus amigos e minha confidente. Gosto de acreditar que estou pronto para encontrar minha futura esposa. No fim, só quero o melhor para mim e para Auradon. Ser um bom rei e governar ao lado de alguém que me ajude. Afinal, o país encontra-se em um verdadeiro caos...

Gostaria de dizer que aquilo não mudaria meu pensamento. E que eu não era a pessoa mais indicada para ouvir seu discurso, nem tampouco estava interessada em escutar ou ter sua companhia. Mas algo em sua voz me abalou. Não havia nenhum traço de sarcasmo. Aquilo que para mim parecia pouco mais que um programa de tv era talvez a única chance do príncipe de ser feliz e fazer o melhor pelo nosso país. Senti minha raiva diminuir. Só um pouco. 

- Você realmente acha que aqui é uma jaula? - os olhos dele estavam cheios de compaixão. E me encarou por uns segundos. 

- Sim, eu acho - minha voz saiu mais calma do que previa. Rapidamente acrescentei: - Majestade. 

Ele riu e balançou a cabeça. 

- Eu mesmo já pensei nisso uma vez. Mas você deve admitir que é uma jaula muito bonita. 

- Para você! Encha sua jaula com  mulheres brigando pela mesma coisa e veja que legal que isso é!

Ele levantou as sobrancelhas diante da minha colocação.

- Mas já estão brigando por minha causa? Será que vocês não perceberam que sou eu quem faço a escolha? - ele disse rindo e eu revirei os olhos. Ele notou minha repreensão e então concertou-se: - Estou apenas brincando, senhorita. 

- Na se encha tanto porque não é bem assim. Elas brigam por duas coisas. Algumas por você e outras pela coroa. E é tão patético que todas pensam saber já o que falar e o que fazer para que sua escolha seja óbvia. 

- Ah, sim. Está certa. O príncipe ou a coroa. Receio que algumas não saibam ver a diferença... - afirmou, balançando a cabeça. 

- Boa sorte com isso, mestre do amor. - comentei, seca.

Tudo ficou calmo depois dessa demonstração de sarcasmo. Um silêncio estranho. Pensei no quanto eu seria odiada caso alguma daquelas loucas lá dentro soubesse que estive com Ben. Grande coisa.
Olhei para ele com o canto dos olhos, desejando que se não fosse embora, pelo menos dissesse algo. O príncipe fitava a grama com o rosto cheio de preocupação. Parecia que essa ideia estava o infernizando a um bom tempo. Ele respirou fundo e se voltou para mim, sorrindo.

- E você, pelo que luta? 

- Por nada! Infelizmente eu estou aqui. E por engano. - falei ríspida, arrancando algumas gramas com a mão. 

- Engano?

- É.

Ele me olhou com expectativa como se esperasse que eu continuasse.

- É uma longa história e isso não importa. Estou aqui. E não estou lutando. Se quer saber meu plano é aproveitar toda a aquela comida maravilhosa e farta até você me chutar. - falei com desdém.

Ele começou a rir. Riu tanto que se inclinou para trás e deu um tapa no joelho. Uma mistura bizarra de rigidez e calma. Era estranho.

- O que você é?

- Como?

- Três? Dois? 

Será que ele não prestava atenção? 

- Sou Cinco. 

- Ah sim, então a comida deve ser um bom motivo para ficar. 

Ele riu de novo e continuou: 

- Sinto muito, não consigo ler seu broche no escuro. 

- Agradeça por eu estar calma o suficiente. Senão eu diria que meu nome não interessa a você. Mas, me chamo Mal. 

Ele riu.

- Muito bem, perfeito. Então obrigada, Mal. 

Os olhos de Benjamin se perderam na noite e ele sorriu sem motivo aparente. Algo nisso tudo o impressionava. 

- Então, minha querida, espero muito que encontre algo nesta jaula para que valha a pena lutar. Depois disso tudo, confesso que não posso deixar de imaginar como seriam as coisas se você realmente se esforçasse.

Ele havia mesmo dito isso? Quem pensa que é? Bufei, voltando a ficar levemente irritada. 

Ele desceu do banco e se agachou ao meu lado. Inclinei um pouco para trás. Estava perto demais. Eu não conseguia pensar direito. Talvez estivesse um pouco ofuscada pela fama dele. Ou ainda um pouco abalada pelo choro. Em todo caso, eu estava chocada demais para reclamar quando ele pegou na minha mão. 

- Sei que o horário de recolher é às dez, mas se isso te deixa feliz e mais confortável, posso informar aos funcionários que você prefere ficar no jardim. Assim pode vir aqui a noite sem ser incomodada pelos guardas. No entanto, acho que seria bom se tivesse sempre um deles por perto. Nunca se sabe que imprevistos possam acontecer. 

Balancei a cabeça freneticamente, de imediato. 

- Não... não sei se quero algo que venha de você, príncipe. - eu disse, puxando meus dedos daquelas mãos que me segurava de leve.

Ele pareceu um pouco surpreso e magoado.

- Como quiser. 

Me perguntei o que aconteceu para eu ficar sentimental daquele jeito. Senti um tiquinho de arrependimento quanto voltei o olhar para ele. Tudo bem, eu nunca me importo com essas coisas.
Mas não gostar do cara e do que estava acontecendo não significava que eu tinha que magoar ninguém, no fim.

- Você vai voltar para dentro daqui a pouco? - ele perguntou.

Não tinha outro jeito, o que eu ia fazer?

- Sim. - respondi com um suspiro, olhando para o chão. 

- Então vou deixá-la com seus pensamentos. Deixarei um guarda perto da porta te esperando. - apontou para trás, para a entrada. 

- Certo, obrigada, errr... Alteza. 

Me esforcei para ser um pouco menos grosseira. 

- Certo. Ham... Querida Mal, poderia me fazer um favor? - ele pegou minha mão novamente e me olhou nos olhos. Parecia muito persistente. Olhei-o com o canto dos olhos, sem saber direito o que dizer. Pisquei algumas vezes antes de responder: 

- Talvez. - repliquei. 

Seu sorriso voltou. 

- Não conte isso às outras. Tecnicamente, não devo conhecê-las até amanhã. Não quero irritar ninguém, sabe? Embora não possa dizer que seus gritos tenham qualquer semelhança com um encontro romântico, não acha? 

Devo confessar que ele estava certo. 
Foi minha vez de deixar escapar um sorriso diante de sua menção. Para falar a verdade eu tinha sido bem escandalosa mesmo. Mas tudo efeito do desespero. 

- Não... nem de longe! - respirei fundo e acrescentei: - Não se preocupe, não contarei. 

E não iria mesmo. Jamais me submeteria a ser odiada e receber olhares tortos e reprovados apenas pela idiotice de ter conhecido o príncipe. Coisa que jamais faria questão de ter acontecido. Pra mim não era grande coisa, mas para as outras seria, com toda certeza.

- Obrigado. 

Falou agradecido e encostou os lábios delicadamente na minha mão. Estranhamente nos encaramos pelo tempo que suponho ter sido uns cinco segundos. Antes de se afastar, pousou minha mão delicadamente sobre minhas pernas e se levantou, acabando com minha tensão e o sentimento desconfortável de tê-lo tão perto. 

- Boa noite, Mal. - concluiu. 

Olhei para o local do beijo na minha mão, ficando totalmente atônita por uns segundos. Então voltei o rosto para vê-lo sair e finalmente, ver ele, príncipe Benjamin, a pessoa que eu menos imaginava que poderia fazer no mundo, me dar a privacidade que eu sem dúvidas passara o dia inteiro querendo.

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Mesa/ Salão de Jantar - https://www.royal.uk/sites/default/files/images/feature/banquet.jpg ( Ignorem a decoração vermelha e finjam que é azul e amarelo kkkk)

Quarto de Mal e Evie - https://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/0c/7e/a1/ee/royal-suite-bed-room.jpg
O quarto é mais ou menos assim, mas lembrando que tem a cama da Evie, e ignorem também os tapetes e esse piso! Pelo amor!
Enfim, é isso!
Espero que tenham gostado! ❤️


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