História Manhã em Waterfall - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Undertale
Personagens Asgore Dreemurr, Asriel Dreemurr, Chara, Toriel
Tags Chariel
Visualizações 41
Palavras 1.400
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drabs, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Suicídio, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu amo esses dois juntos, então fiz uma one pra eles.

Boa leitura ^~^

Capítulo 1 - Capítulo Único


A claridade da manhã estava se revelando. Asriel me acordou me balançando, com seu entusiasmo matinal que nem mesmo entendia de onde vinha.

— Acorda, Chara — pediu enquanto me acordava. — Vamos para Waterfall!

— Hã? — bocejei. — Mas ainda não está muito cedo? — perguntei, mesmo sabendo que nada o impediria de me deixar em paz.

— São seis horas, vamos tomar nosso café e ir!

Eu não podia negar, apesar de não gostar de acordar cedo, era muito agradável ser acordada por ele, mesmo que Asriel seja um pouco impaciente. Após tomarmos nosso café com Asgore e Toriel partimos para Waterfall.

Waterfall era um local ameno, sua tranquilidade era prazerosa, raros os monstros que passavam pelo local. Era nosso lugar preferido, geralmente ficávamos conversando e brincando durante várias horas. O bosque portava de um azul de infinitas tonalidades. Estávamos nós dois sentados um do lado do outro, apoiados na ponta de uma ponte de madeira que rangia com quaisquer movimentos.

— Ei Chara, como são as estrelas na superfície? — perguntou o inocente monstrinho, enquanto observava atentamente para as pedras que ficavam no topo da caverna. — Aposto que são lindas — prosseguia com seu sorriso sereno e com risinhos.

As estrelas da superfície eram incomparáveis, eu ainda me lembro de como eram cintilantes, lindas, sempre destacavam minhas noites; sempre busquei as respostas nelas enquanto eu fugia dos tormentos. Parece que finalmente me responderam.

— Sim, são muito bonitas — respondi num tom surpreso, com um sorriso fraco e olhos entrecerrados.

— Um dia ainda as verei — disse apoiando os braços para trás para ter uma visão melhor das pedras. — Com mamãe, papai, e você — retribuiu, virando seu rosto para mim, isto apertou meu coração. Pobre monstrinho, não sabe o que o aguarda.

— Sim. Um dia veremos — respondi com um ar amargo e discreto, esperando que ele não percebesse. Mal sabia ele como eram os humanos: terríveis, gananciosos, maus. Ele não conseguiria sobreviver no meio de tantas atrocidades. Eles iriam tirar tudo dele, e eles iriam tira-lo de mim.

Nós ficamos ali sentados, conversando por um bom tempo, mas, durante esse meio tempo fiquei refletindo como isso tudo foi acontecer.

A verdade era que, mesmo as estrelas sendo mais belas do que as pedras cintilantes de Waterfall, eu sentia que o brilho dessas pedras me dava um conforto verídico.

Quando eu olhava para as estrelas, eram os únicos momentos em que eu sentia paz, mesmo sendo algo que no fundo sabia que nunca seria duradouro. Minha vida não tinha sentido algum, eu fugia; furtava; tentava sobreviver como podia. Todos em meu redor me queriam longe, temiam meus olhos escarlates, e eu nunca conseguia compreender.

Numa tarde árdua, fiquei emocionada sobre as lendas do Mount Ebott, sobre as histórias dos jovens que subiam a grande montanha e nunca mais voltavam, nem mesmo havia notícias deles. Era conhecido como o covil dos monstros, onde todos foram selados após a guerra entre humanos e monstros.

Determinada, decidi escalar. Hesitei ao chegar no penhasco; olhei para cratera, seu fundo era de um negro assustador. Naquele momento eu sabia o que tinha que fazer: Pular. Contudo eu ainda queria viver, mesmo que pouco. Meu coração latejava, eu lembrava o quanto sofri durante esses anos, o porquê de eu estar fazendo isto, e então pulei.

Durante a queda eu lacrimejei. A angústia tomou conta de minhas emoções, e como não havia mais uma luz no poço em que meu coração se encontrava, deixei que minhas lágrimas fizessem o trabalho. Já não havia por onde fugir, uma vez feito não seria possível retornar. Quando cheguei ao chão, eu senti uma dor percorrer pelo meu corpo; senti que arranhei minha perna e mal conseguia me mexer.

Eu havia caído ao lado de pilares em ruínas, e perto dali havia flores douradas – muito parecidas da vila que fugi –, temi pela morte mais uma vez, pois sabia que onde estava era o covil deles. Chorei novamente, mesmo que pouco, mas, logo não me importei muito, era pra isso mesmo que estava ali, para sumir.

Foi então que ele apareceu, escutei passos agitados, quando eu esperava que fosse meu último suspiro ele disse: “Você está bem?”. Era uma voz juvenil, estranhei, assim que pude virar meu rosto de lado, deparei-me com uma criança, mas ao mesmo tempo um cabrito.

Ele veio até mim e me ajudou a levantar dizendo coisas simpáticas como: “Não se preocupe, vamos cuidar de você...”, “Não tenhas medo, nós vamos curar seus machucados!”. Tudo o que eu pensava deles eram, em suma, contos falsos feitos por aqueles que eram cruéis. Pela primeira vez alguém perguntou como estou, depois de tanto tempo.

Desde aquele dia, eu aprendi o que era um lar; aprendi o que era uma família; aprendi o que era sorrir de verdade. Se não fosse por esse cabritinho bobo que está aqui no meu lado, eu nunca saberia o que é ser feliz.

Eu balançava as pernas assim como ele, só pra se entreter, então tive uma ideia:

— Olha! Um vagalume azul! — apontei com o indicador em direção ao lago que estava em baixo de nós.

— Onde? Onde? — Olhava ele para o lago mas não avistava nada. — Não estou vendo.

Quando ele menos esperava, joguei-o da ponte. Ele se molhou todo, seu casaco verde estufou, seus pelos ficaram todos lisos. O lago era raso, ele logo se virou para mim, ficou com os braços apoiados na cintura e fez uma careta muito fofa.

Senti muita graça naquilo, enquanto o observava fazendo alguns resmungos e me olhando com aquela careta boba continuei dando muitas risadas, tanto que saiu algumas lágrimas de meus olhos. Era tão bom estar ao lado dele, com seu jeitinho bobo de ser, bondoso, carinhoso...

— Ah é? — retrucou com um sorriso esperto e me puxou pela cintura, jogou-me no lago. Assim como ele fiquei ensopada, meu casaco também ficou estufado. — Bem merecido — brincou mostrando a língua.

Eu o olhei com os olhos afiados já planejando uma investida, coloquei as mãos no lago e comecei a jogar a água em sua cabeça.

— Tem troco! — retruquei.

— Vamos ver então — disse se preparando pra revidar.

Assim ficamos nós durante aquela manhã, jogamos água um no outro, corremos um do outro, brincamos, nos divertimos muito, eu me senti viva, algo que nunca pensei se realmente pudesse sentir.

Após tanta correria, risadas, travessuras, nós finalmente paramos, nós fomos nos deitar do lado de um canteiro de flores ecoantes que ficava no meio do gramado azulado.

— Nunca me diverti tanto na vida Chara — revelou enquanto olhava para cima, observava as pedras azuladas que ficavam em cima da caverna, cintilantes e belas como as estrelas. — Obrigado Chara... —  continuou ele. — Eu sempre me sentia sozinho, meus pais sempre estão tratando dos negócios do reino, eles quase não tem tempo para ficar comigo, e como eu sou um príncipe eles tem medo que eu vá longe.

Naquele momento senti empatia dele, eu também me sentia sozinha, em toda minha vida tentava fugir daquele pesadelo acordado que ficava ao meu redor, eu só queria ter alguém também...

Num movimento suave, levantei meu tronco com as mãos se apoiando no chão. Observei melhor Asriel e respondi: — Eu também — revelei com uma voz e um olhar compreensível, algo que também pensava igual.

Ele também se levantou e me encarou. Hesitante, ele queria dizer algo.

— Chara...

— Hm?

— Podemos ser amigos... para sempre? — perguntou com o olhar brilhando, como se fosse seu maior desejo, assim como o meu. Seu olhar esmeralda era tão belo quando as próprias estrelas.

— Claro que podemos! — ele me encarou feliz, lacrimejou um pouco, então se levantou. — Vem cá meu bebê chorão, me abraça! — pedi, e ele veio até mim.

Seu abraço era confortante, ambos estávamos molhados, ele tirou um peso de mim que havia tanto tempo, um peso que pensei que só eu sumindo poderia desaparecer.

— Aqui olha! — Apontei para flor ecoante. — Vamos deixar gravado nela que seremos eternos amigos! — Asriel balançou a cabeça positivamente.

Aproximamo-nos da flor e recitei alto e em bom tom: — Eu e esse bebê chorão seremos agora e para sempre melhores amigos! — as palavras saíram quase que automaticamente, foi minha alma que falou por mim.

Estava chegando a hora do almoço, disse para irmos logo se não Toriel ficaria zangada. Ele também falou para flor – de uma forma bem fofa – que seremos eternos amigos. Voltamos para casa de mãos dadas, sentíamos o calor do outro passando por esse toque.

Foi assim que aprendi o que significava viver.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, eu sempre imagino o quão angustiando é se afastar a vida toda e finalmente encontrar alguém que te entenda.

Foi nessa ideia que me inspirei para fazer a one :D


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