História Marauders heir - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Tags Harry Potter, Marauders, Marotos, Sirius Black
Exibições 36
Palavras 2.357
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Magia, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Seis - a história por trás da estória


ELADORA

Já se passaram algumas semanas desde que eu, Sirius e Remus nos vimos pela última vez. Eu esperava que eles aparecessem e me levassem embora, mais a única notícia que eu tivera deles foi uma carta de desculpas. Querida Ella, dizia, a lua cheia se aproxima. Estaremos escondidos durante o ciclo, mas assim que der, vamos buscá-la. Sua paciência será recompensada.

Sirius O. Black III e Remus J. Lupin

Decidi que não era obrigada a esperá-los no porão dos Mirony. Eva e Michael estavam na fazenda de Martha, então era o momento perfeito para cair fora. Peguei meu malão e sai pela porta da frente. Estendi a mão da varinha, mas nada aconteceu. O Nôitibus devia estar muito longe para me dar uma carona. Meu adorável Padfoot também estava longe, sendo babá de um lobisomem. Precisava me esconder antes que os vizinhos me vissem. Estalei os dedos ritmicamente, tentando pensar.

Os Weasley moravam em Ottery St. Catchpole, bem longe da avenida Shaftsbury, onde eu estava. Fizera bem em escolher uma avenida movimentada, a multidão me disfarçava. Podia pegar um trem para qualquer lugar, mas como Sirius e Remus me encontrariam depois? Vi pelo canto do olho uma mulher ruiva sentada em um banco, bebendo café. Nunca a vira antes, mas senti que devia me aproximar. Ela moveu minimamente a cabeça quando me sentei ao seu lado.

-Eladora? - perguntou. Eu assenti. - Não nos conhecemos, mas você encontrou amigos meus há algumas semanas. Lily Potter.

-A senhora é a mãe do Harry? - ela assentiu. - Desculpe a intromissão, mas… em teoria, você e o senhor Potter morreram em 31 de outubro de 2001, há treze anos. E bem, eu conheci James Potter antes das férias e ele parecia muito vivo.

Lily Potter franziu a testa e jogou o copo vazio no lixo. Isso é história para depois. Agora… como sua madrinha, é meu dever perguntar o que faz aqui.

-Eu fugi. De novo.

-Pais trouxas? - ela ajeitou a bolsa no ombro e se levantou. - Pensei que Remus teria mais consideração ao… não importa, vamos.

Segui minha madrinha para a estação de metrô, tendo certeza que ela era a pessoa mais obtusa que eu já conhecera. Viajamos até a última estação de Londres e pegamos um táxi trouxa. Lily torcia os dedos, tensa. O carro parou em uma pacata rua do subúrbio. Antes que eu pudesse perguntar o que fazíamos lá, Lily tocou a campainha da casa número quatro. Uma mulher alta e magra atendeu. Tinha os cabelos loiros presos em um coque baixo e o rosto puxado, suas feições eram equinas.

-Lily – rosnou ela. - O que faz aqui?

-Quero ver meu filho – minha madrinha fez-se séria.

-Ele pensa que você está morta.

Meu cérebro começou a funcionar. Harry morava com os tios, então a mulher-cavalo devia ser Petúnia, a irmã de Lily.

-Então permita que ela – apontou-me – converse com ele. Os dois se conhecem da escola.

Petúnia me deu passagem e disse que o quarto de Harry era no fim do corredor. Bati à porta e Harry gritou: já vou, já vou, antes de abrir. Ella!, exclamou surpreso. O que faz aqui?

-Temos que conversar. Eu estava na Shaftsbury e encontrei minha madrinha…

-Sua madrinha?

-Que também é sua mãe.

Harry estagnou, e eu sabia muito bem porquê. Ella, minha mãe está morta. Você não pensou que poderia ser uma impostora tentando te fazer mal? Eu hesitei. Lily apresentara argumentos bem convincentes sobre ser quem dizia ser. Meu nome, Harry, quem me deu à adoção, as pessoas que eu conhecera antes do verão… eu não pensei que estivesse mentindo, embora Harry tivesse razão.

-Acredite garoto, eu sei que estou com minha irmã lá embaixo – Petúnia interveio. - Ela quer levá-los para casa. Os dois.

A frase de Petúnia aliviou um peso enorme em meu peito. Harry reencontraria a mãe – se o destino fosse benevolente, reveria o pai em breve também – e eu enfim poderia ficar com meu pai biológico – isso é, se ele lembrasse que tinha de cuidar do meu processo de guarda. Convencido, Harry puxou o malão para a sala, onde Lily torcia os dedos, sentada no sofá.

-Madrinha? - eu chamei, com medo. - Harry está aqui.

-Oi mãe – ele acenou para ela.

+++
-Sirius Orion Black! Quando foi a última vez que teve notícias de sua filha? Onde foi? - questionou Remus, batendo o pé.

-Hã… um mês atrás, Casa dos Gritos.

-Essa foi a última vez que ela te disse algo? E a carta que mandou sobre a lua cheia?

-Quem mandou fui eu, ela não respondeu.

Remus bufou. Desde pouco antes da lua cheia, Sirius agia como se não tivesse acabado de reencontrar Eladora – às vezes, ele agia como se ela nem existisse -, e isso irritava o lobisomem profundamente.

-Não finja que ela não existe! Nós vamos buscá-la esta noite.

-Eladora fugiu, Lily acaba de contar. Encontrou Eladora em uma avenida trouxa e juntas, buscaram Harry.

-Onde estão agora? - questionou Remus, vestindo o casaco.

-No chalé em Godric’s Hollow. Por quê?

-Precisamos contar a ela algumas coisas, o quanto antes.

Juntos, os dois aparataram para a casa e James atendeu quando eles bateram. Lily! Sirius e Remus vieram jantar!, anunciou ele. A ruiva deslizou para fora da cozinha e abraçou os amigos.

-Oh rapazes, há quanto tempo… Remus, se esqueceu de envelhecer? Você continua igual, por Merlim!

-O mesmo sabe-tudo turrão de sempre – Sirius riu e estalou um beijo na bochecha de Remus, que apertou sua mão, corando.

-Eu sabia! - disse uma vozinha esganiçada atrás do estofado.

Com um feitiço convocatório, Lily moveu o sofá e encontraram uma Eladora sorridente, vestindo seu pijama branco. Sirius se abaixou para pegar a filha nos braços e disse:

-Hora de irmos, princesa.

Ele e Remus a levaram para casa com o malão da escola. Naquela noite, Eladora estava alegre e sorridente como uma menininha.

-Está feliz por ter finalmente descoberto? - questionou Remus, sorrindo. - Por que estava bem na cara…

-Na Casa dos Gritos não estava – objetou a menina. - Mudando de assunto, preciso de um mandado de segurança contra os Mirony.

-O que foi que você fez? - Sirius ergueu uma sobrancelha. - Queimou a casa ao sair?

-Arrombei uma ou duas portas, e eles sabem que fui eu.

-Como assim “eles sabem”?

-As fechaduras foram arrombadas por dentro, eu queria sair, não entrar. A única pessoa que estava na casa antes de eles saírem era eu.

-Desse jeito, eles é que vão arrumar um mandado contra você – Remus fez piada.

-Não que eu faça questão de voltar. Falando de algo mais importante… foi antes ou depois da Casa dos Gritos?

-Antes – respondeu Sirius, na lata, os ombros pesados. Um dia, ela ia perguntar isso. - Antes até de eu ser preso, na escola ainda. Tínhamos dezessete, e depois de uma brincadeira idiota de Severus Snape…

-Ele misturou poção fertilizante humana na minha Mata-cão por meses – explicou Remus, servindo o chá – por meses. Era questão de tempo até eu engravidar.

-Imagine o drama: dois garotos do último ano que descobrem um bebê a caminho – disse Sirius, arrancando um você está aumentando a história murmurado de Remus, e continuou. -Quando eu mesmo descobri, já faziam algumas semanas que Remus usava calças mais largas e camisas folgadas, e inclusive ficava apavorado a cada lua cheia, o que me deixou curioso. Desde que James, Peter e eu nos tornáramos animagos, ele não tinha medo de se transformar. O dia em que eu descobri não foi nada romântico.

“Foi a primeira vez que ele teve enjoo de gravidez. Acordou de madrugada e foi vomitar. Minha cama era a mais próxima do banheiro, a luz que saiu por baixo da porta me incomodou e eu fui vê-lo. Estava dobrado sobre o vaso, o rosto suado. Cogitei chamar madame Pomfrey, era óbvio que tinha algo errado, mas ele recusou e me pediu apenas um abraço. Me sente a seu lado e abracei seu pescoço. As lágrimas vieram, ele me garantiu que sabia o que tinha e que não era nada relacionado ao ciclo da lua. Deixou a camisa cair pelos braços e então eu vi.

“Na época, você era só uma bolinha aninhada no quadril dele. Tão pequena e tão complexa para entendermos… não sabíamos o que fazer, mas chegamos a um consenso: você não tinha culpa. Ficamos noivos no dia seguinte – eu pedi a mão dele aos berros, no salão principal, mas era isso ou coisa pior – e contamos tudo a Dumbledore. Ele mandou Remus de volta para casa com um diploma e seus infinitos N.I.E.Ms...”

-No fim das contas, essa ideia não foi tão boa – interrompeu Remus, piscando um olho. - Meu “querido” pai quase me espancou quando entreguei um boletim do diretor dizendo que eu me formei mais cedo por estar grávido. Ele e minha mãe brigaram feio. Quando ele ia me dar o primeiro tapa, ela me empurrou e entrou na frente, depois me mandou correr. Me recusei, no segundo em que ele desferiu a mão fechada na boca dela.

“Parecia que não era a primeira vez, então enfrentei meu pai de homem para homem naquele dia. Minha mãe queria me fazer desistir. O bebê, ela disse, desesperada. Pense no bebê… Acho que pensar no bebê só fez Lyall ficar mais raivoso. Parecia que ele queria me provocar um aborto ou arrancar você da minha barriga com as unhas.

“Dei um último soco no rosto dele, beijei a testa da minha mãe e sai pela porta da frente, mancando até a casa dos Potter.”

-Quando eu abri a porta para ele, o embrulhei em meus braços – disse Sirius, retomando a história -, pode até não parecer, mas o Remus de quatorze anos atrás era bem frágil. Daquele dia em diante, não o deixei sozinho um instante que fosse, e modéstia à parte, fui a melhor babá do mundo.

“Alugamos um apartamento minúsculo depois que Lily e James casaram e Euphemia e Fleamont morreram. Minha mãe bateu à nossa porta, dizendo saber o que acontecera e exigindo que Remus abortasse. Segurei a mão dele na cara dela, deixando à mostra o anel de compromisso e falei que não. O bebê era nosso e cuidaríamos dele sem a intromissão dela. Isso foi o bastante para fazê-la dar as costas e nunca mais voltar.

“O resto da gestação foi tranquilo. Remus leu todos os livros possíveis sobre o assunto, como sempre – até descobriu que ele engravidara não somente graças à poção de Severus, mas também à predisposição de seus genes – , dizia poder sentir você crescendo com o tempo, e durante a lua cheia, ele ficara mais cansado e preferia se enrodilhar no tapete a qualquer outra coisa. A única preocupação era se você resolvesse nascer durante o ciclo.

-Por sorte, foi uma semana depois. As contrações me atingiam como se eu estivesse em um corredor polonês. Xinguei e amaldiçoei Sirius e Severus, se não fosse por eles, eu não estaria morrendo de dor. Quando finalmente pude segurá-la em meus braços, foi um alívio. Não sei se era porque me apaixonara pela coisinha adorável que você era, ou se porque estava fora do meu corpo antes da lua cheia. Entenda, eu tinha paúra da possibilidade de dar à luz em forma lupina, para mim, você nasceria loba, se isso acontecesse.

“Quando você agarrou meu dedo com sua mãozinha, eu disse o quanto você era linda e que tinha os olhos de seu pai e os meus cabelos. Desde aquele dia, eu duvidei que houvesse outra criança mais mimada que você. Neta de Hope, e ainda afilhada de James e Lily Potter. Mal suspirava e suas vontades eram atendidas.”

-Assim foi por um ano, até que Pettigrew matou os treze trouxas e me incriminou. Fui preso, e toda semana, Remus e você iam me visitar, mas eu não gostava que fosse exposta aos dementadores.

-Então eu cometi a maior idiotice da minha vida – Remus baixou a cabeça, triste. - Apareci sozinho em Azkaban, em um sábado, e quando Sirius perguntou de você, eu disse que tinha dado você para adoção. Ele não fez nada, mas eu queria que ele me batesse, dissesse o quanto me odiava por ter feito isso, que não queria me ver nunca mais, que fosse embora e não voltasse. Eu quis, do fundo do coração, ser rejeitado, porque era o que eu sentia ter feito a você. Tinha certeza que quando sua família adotiva te contasse sua história, você diria que seu pai havia te rejeitado.

-Esperei que Remus dissesse alguma coisa, explicasse porque tinha abandonado você, mas ele só chorou e disse como era incapaz de cuidar da própria filha, que agora outras pessoas o fariam, muito melhor do que ele poderia. Tentei acalmá-lo, mas meu coração também estava quebrado, como o dele. Ele ficou anos sem aparecer para me ver depois disso, achei que ficara deprimido e não aguentava me ver e lembrar de você, e graças ao meu excessivo tempo livre, pensei que ele podia ter se matado. Eu não sabia que o que realmente acontecia era que Remus estava cuidando de você, mesmo à distância.

-Não foi difícil conseguir o endereço dos Mirony e mandar um presente no seu aniversário. Sei que não é nem metade do que eu devia fazer e quando Dumbledore apareceu com a vaga, eu não hesitei um segundo antes de aceitar. Fiquei com tanto medo que você descobrisse a verdade antes da hora, tanto sobre mim quanto sobre Sirius por causa de...

-Snape -sibilou Eladora preocupada. - É claro que ele sabe, graças a ele, eu nasci, mas por quê ele me odeia?

-Eu não sei… as peças ainda não se encaixam – Remus tamborilou os dedos no queixo. - Nós nos odiávamos em Hogwarts, não vejo porque ele me ajudou a engravidar…

Sirius não queria que Remus falasse mais. Ele achava que as conjecturas estavam perturbando Eladora, então foi ao quarto dela, abriu a mala que dera a ela no último dia de aulas e pegou o envelope com os ingressos para a Copa Mundial de Quadribol. Jogou-o no colo da filha e disse:

-Saímos amanhã, às oito.



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