História Maré - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Gay, Homossexual, Original, Romance, Yaoi
Exibições 39
Palavras 3.807
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shounen, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


A continuação do Capítulo 8! Acho que o que muitos estavam esperando, hehe. Boa leitura!

Capítulo 10 - Capítulo 8 (Parte II) - Claridade


  [GUSTAVO POV] 

 

 Entrei no quarto de hotel.  

A primeira coisa que reparei foi o bar.  

Fui até o bar.

Era uma bancada preta com detalhes dourados que combinavam com o resto do quarto gigante. Na parte de trás tinha alguns copos de vidro, desses de servir whisky, e algumas taças. Um frigobar pequeno estava embutido no bar, na parte inferior. Abri e não tinha nada.  

Caminhei até a cama e sentei nela, sentindo aquele colchão macio no meu corpo, querendo cada vez mais me afundar ali. A colcha era espessa e parecia ser feita de nuvens. O travesseiro era tão grande que metade do meu corpo poderia facilmente cobrir ele. E olha que eu sou bem alto.  

Na cômoda, também preta, estava um telefone. Abri as gavetas e encontrei a lista de números de serviços do hotel. Uma mulher atendeu quando disquei para o restaurante. Pedi um vinho e duas caipirinhas bem fortes. Eu não estava contando que Louis fosse beber comigo.  

Era tudo para mim.  

Eu sabia que ele não poderia subir logo, tinha acabado de fazer o discurso e quase todas as pessoas estariam atacando Chermont, querendo lhe parabenizar, puxar assuntos, perguntar as novidades, tentar ganhar alguma parceria e etc. Por isso dei meia hora para ele.  

E também para mim. Preciso me preparar pra essa conversa.  

Não consigo negar que desde sempre tudo que eu fazia não tinha nenhum propósito. A faculdade, nada que eu realmente quisesse. Quando cheguei no ensino médio, eu já estava quebrado, por causa de Thomas e da separação, e ainda tinha meus pais colocando pressão em cima de mim — "Se vai terminar a escola cedo, vai começar a faculdade cedo!". No dia em que fiz o vestibular eu me senti perdido como nunca. Eu adoro ler, eu adoro tudo que envolva literatura. Mas eu não seria um professor. Não queria exercer nada que desse pra exercer com esse curso. Marquei mesmo assim, por que eu não tinha mais nada. Era a forma de rebater as ideias malucas da minha mãe de eu fazer direito, era a válvula de escape para minhas amarras do passado, sofrendo por um amor não correspondido; lendo eu posso sair de tudo que seja eu e entrar em tudo que seja o livro.  E não era novidade de que eu pretendia abandonar o curso. Acho que só ainda não tinha o feito por que ainda era uma forma de rebeldia com meus pais. Se eu saísse do curso precisava ter uma outra coisa concreta para dar início logo após. E tudo que eu tinha escorria pelos meus dedos.  

Os dias eram mais interessantes quando eu não fazia nada. Festejar e dormir. Às vezes ver alguma coisa no Netflix. Tanto faz. Uma eterna férias.  E não ter que lidar com a pressão da importância de um sobrenome (ao ver dos meus pais) e não ficar lembrando de oportunidades perdidas, pegar qualquer um sem compromisso algum. Na verdade compromisso é a palavra certa. Não tenho compromisso com nada.  

Eu conheci Louis Chermont e as coisas começaram a andar. Ele não escorreu por entre meus dedos e não parecia querer fazer isso.  

Reconheço que fui egoísta ao falar o que falei para Thomas. Ao me sentir traído quando Vitória foi embora. Às vezes é preciso deixar as pessoas para trás. O problema é que sempre sou eu quem sou deixado para trás. O problema sou eu. E ele vai embora de novo, e isso está me machucando, por que eu tento agarrar e ele é água, gasosa ou líquida. Eu não poderia ter compromisso com algo não sólido. O que eu aprendi com anos tratando a depressão é que quanto mais você se apega às coisas, você não enxerga mais os estados em que elas se encontram ou os ignora, e eu precisei me evoluir para enxergar a diferença entre esses estados, e em apegar apenas ao sólido. Se não tudo iria ficar ruim de novo, e eu poderia tentar me matar. Eu não tinha vontade nenhuma durante a maior parte do tempo, mas se eu me envolvo com coisas líquidas eu quero virar líquido. Virar água do mar.  E aí entra ele: no meu primeiro dia de aula, um cara que eu nunca tinha visto antes na vida, preocupado com as lágrimas que caiam do meu rosto. Eu sentia que ele estava verdadeiramente preocupado. Nem sabia por que; um desconhecido você geralmente ignora. Mas nunca fiquei tão feliz por ele não ter ignorado. E começaram as aulas particulares. Ele é uma coisa completamente sólida. Não quer ir embora, não tem medo de mim, e entende meus sentimentos de perda. Também é quebrado por dentro como eu, mas tem um controle incrível que eu nunca tive e provavelmente nunca vou ter. As coisas ruins acontecem com ele e ele lida com elas de frente. Coisas que ele poderia me ensinar com o tempo.  A conversa com Gal Skofmann me abalou. Não sei se Chermont estava apaixonado por mim como ela falou. Ele claramente tem algum tipo de afeição comigo, assim como eu tenho com ele. Antes de qualquer coisa ele virou um dos meus melhores amigos. Mas eu não tinha lido o livro e ela sim. Eu não era um escritor e ela sim. Ela já era mais velha e já tinha passado por muitas experiências, e tudo que ela fala em entrevistas sobre seus livros e sua vida pessoal ficam evidentes nas páginas que ela escreve. Óbvio, nem todo escritor é assim. Mas Louis mesmo havia me dito que esse livro era uma representação da sua vida misturado com a inspiração que eu dei para ele. Ele fala disso abertamente, sem mencionar meu nome.  

Mas em que parte do livro eu estou? No personagem principal? Na garota Sol que Gal mencionou? Até onde sou eu e até onde é a mãe e a tia dele? Onde está ele?  Não tinha lido o livro ainda. Não poderia responder. Os trechos que conheci eram poucos e não respondiam essa perguntas.  Já tinham se passado uns quinze minutos desde que entrei no quarto. quando ouvi uma batida na porta.  

 [LOUIS POV] 

 Quase uma hora de atraso. Será que ele ainda estaria lá?

-   Louis, aonde você vai?

- Chagas me puxou com uma expressão preocupada.  

- Ah, eu esqueci uma coisa no quarto. Preciso...

 - Não, Katharina Guedes quer falar com você! Lembra que ela tinha uma queda por você e ela lançou um livro esses dias que tá vendendo tipo água, você poderia conseguir uma noite boa e uma parceria–  

- Chagas, eu preciso subir.  

O cara revirou os olhos, impaciente.  

- Essa é a sua noite. Investimos em tudo por você. Por favor me evite a dor de cabeça de nas próximas duas horas ter que ficar explicando para as pessoas por que você sumiu. Ainda tem a sessão de autógrafos e a entrevista coletiva. Fotos. Não se bagunce.  

- Me bagunçar?    

- Você não esqueceu nada. Não tem nada para esquecer. E eu vi umas gatas subindo o elevador olhando pra você.  

Ele chegou perto de mim, segurando meus ombros.  

- Vou encobrir pra você. Mas não demora. Só por que você já fez bastante coisa.  

Decidi não discutir e fingi alívio, dando uma piscadinha para ele e indo em direção ao elevador.  

- Você é o cara. 

Dentro do elevador, que era todo acolchoado exceto pelo grande espelho na parede contrária a porta, eu comecei a suar. O que será que ele queria conversar?  

O tempo acabou passando e mais e mais pessoas vinham até mim, tirando fotos e iniciando conversas. Algumas eu consegui encurtar, outras eu nem arriscaria. Encontrei alguns amigos antigos que decidiram relembrar toda nossa história. Até uma prima distante da França veio,  por que já estava por aqui, e começou a conversar comigo. Falou que nos visitaria depois.  

Mas em todas as conversas minha mente estava no quarto 1838. No garoto ruivo que poderia não estar mais lá.  

Gal me puxou para um canto, completamente bêbada, mas ainda assim a pessoa com mais classe do lugar (não sei como consegue). Me falou umas coisas estranhas sobre Gustavo que não entendi muito bem. Exceto a parte em que ela tinha descoberto que ele era G. A. Ele que contou para ela? Não tinha problema algum, na verdade. Só ocultei seu nome para preservar sua identidade.  

O momento em que li aquele trecho para ele ficou ainda mais claro. Ele era minha inspiração para o livro. Eu era o garoto verde mas as palavras foram escritas para Gustavo. Gal era muito inteligente. Talvez tenha descoberto que ele era G. A. mesmo antes de conversar com ele. Sim, quando ele entrou no salão e eu não poderia tirar meus olhos dele.  

Eu acho que tinha começado a gostar dele. Pouco importa as circunstâncias eu só queria estar perto dele. Os dias em que eu teria que sair do trabalho de manhã e ir para a casa do Gustavo eram os melhores. E no dia em que escrevi O Garoto Verde, tudo veio do meu subconsciente. Tudo que estava guardado corria pelos meus dedos até a tela do computador. E desde então venho sentido como se resquícios do subconsciente começassem a tomar conta do consciente. Eu percebi que Gustavo era minha musa e que ele era a pessoa que faltava na minha vida.  

Era estranho a ideia de gostar de um homem. Nunca tinha acontecido antes. Claro que isso nunca importou para mim. As pessoas devem se sentir confortáveis com o amor, e direcionar esse amor aonde elas quiserem. Homem ou mulher, cis ou transgênero. Pessoas são pessoas. Só nunca tinha acontecido comigo.  Mas eu olho para o rosto dele e tudo muda. Meu próprio rosto relaxa. O mundo está em paz. Meus problemas parecem menores. Eu e Gustavo. A sós entre 7 bilhões de pessoas.  

O elevador parou no décimo oitavo andar. Sai dele, muito mais nervoso do que entrei.  

Bati na porta. Nada.  

E bati de novo.  

E de novo.  

Comecei a me preocupar. Se ele saiu, deve ter deixado o cartão por aqui para eu poder entrar. Ou talvez tivesse ficado com raiva e levado embora. Mas isso não parecia do feitio do Gustavo.  Na frente da porta do quarto tinha uma escultura bem alta. Procurei por ela, e nada. Ele pode ter colocado no chão, escondido.  

Me ajoelhei e inclinei meu corpo para baixo, tateando o local a procura do cartão.  

Click.  

- Mas que visão bonita.  

Me virei para trás e Gustavo estava em pé na porta, com um sorriso divertido no rosto. E seus olhos estavam baixos, sua face vermelha.  

Ele com certeza estava bêbado.  

- Pensei que tinha ido embora.  

- E decidiu ficar de quatro pra ver se eu voltava? Funcionou.  

Corei.  - Você poderia ter deixado o cartão aqui.  

Ele sorriu mais ainda e me mandou entrar.

Gustavo começou a andar pelo lugar. A cama estava bagunçada. Percebi que ele estava sem seu paletó azul, só com a blusa branca que usava por baixo, abotoada apenas até a metade, deixando seu peito a mostra.

- Sabe, se eu não tivesse bêbado eu não conseguir fazer isso. Mas eu to.  

-  Fazer o que?  

Ele chacoalhou a cabeça e foi para atrás do bar, tirando uma garrafa de vinho pela metade de trás do mesmo. Ele colocou uma taça bem cheia para mim e me entregou, bebendo o resto direto da garrafa.  

- Eu tava pensando no por que todos sempre me deixam. Se não vão embora, me decepcionam. Mudam comigo.  

Ele me empurrou para eu sentar na cama e sentou-se do meu lado.  

- Thomas vai embora. Ele ia quinta feira, mas me ligou e disse que vai hoje. Problemas com a mãe, é, foda-se isso. Ele vai embora de novo. - Ele começou a chorar. - Eu sei que é muito filho da puta da minha parte achar que tudo é sobre mim. Que ele vai só pra me ver sofrer e não por que precisa ajudar a mãe. Que Vi foi embora por que cansou de mim e da vida que a gente levava e não por que ia ser melhor pra ela. Sabe, Chermont, faz tempo que ela não retorna minhas ligações e não responde minhas mensagens. Perguntei pra mãe dela se tinha acontecido alguma coisa e ela mandou eu ficar longe da filha dela.  

Ele jogou a garrafa vazia no chão, o que incrivelmente não a fez quebrar. Deitou na cama. Seu rosto estava tão vermelho que mesmo não estando tão perto, podia sentir o calor que exalava.

Ele desabotoo o resto da blusa e a tirou. Me olhou, ainda deitado.

 - Bebe.  

Olhei para a taça em minha mão. Talvez eu não deveria beber, não no meio de um evento importante, mas mais da metade das próprias pessoas no salão já estavam bêbadas. Por que não?  Virei a taça de uma vez. Comecei a tossir, por que mesmo não sendo tão forte assim, foi muito vinho de uma vez só.  

- Bom garoto.  

Ri e deitei ao seu lado.  

- Não se preocupe. Eu pago pelo vinho.  

- Provavelmente a editora vai bancar isso também.  

Ele se virou de lado, para me ver melhor.  

- Você é a melhor coisa que aconteceu comigo.  

- Ah, tá bom. - disse irônico.  

- Sério, Chermont. Você... - ele tocou meu rosto com os dedos e começou a acariciá-lo - Chegou e você é sólido. E bonito. Seus olhos parecem bolinhas de gude, já te falaram isso?  

- E você parece um bêbado. Você é um bêbado.  

Segurei sua mão e a tirei do meu rosto. Algo nisso não parecia certo, mesmo que grande parte de mim quisesse que ele continuasse com a mão ali. Ele girou o pulso e tomou a mão que antes segurava a dele e a pousou no seu peito nu.  Meu coração deixou de bater por um segundo inteiro.  

- Rápido... - ele sussurrou.  

- Rápido... - concordei com ele.  

Uma vontade de descer a minha mão por toda a extensão de seu peito e sua barriga cresceu em mim. Tirei-a de lá delicadamente.

 - Louis...  

- O que?

 - Por que eu?

 - Como assim?  

Ele se sentou, e eu segui seu movimento.

 - Eu sou péssimo. As pessoas sempre fogem de mim. Sou só mais um merda com problemas na cabeça, que não sabe ainda o que quer da vida, com pais loucos e controladores. Até você chegar tudo que eu tinha era sair pra beber e transar com qualquer um e esse era o ápice do meu dia. Thomas vai embora e todos os sentimentos estão voltando. Nós não estávamos namorando, eu sei, mas isso não apaga nossa história. Eu penso se eu deveria ter feito alguma coisa diferente. Mas eu tentei de tudo. Dediquei tanto de mim nessa relação estranha, e ele sempre longe. O que eu fiz? O que eu faço?  

Peguei seu rosto com as duas mãos.

 - Você é maravilhoso! Quando vai enxergar isso, Gustavo?  

Meus olhos devoravam todo o seu rosto, decorando cada detalhe e cada sarda que tinha nele.

- Você é tão leal. Você é divertido, engraçado. Tudo que você faz é por amor. Você aguentou tanta coisa e ainda está aqui.  

Ele abriu a boca para falar e eu o interrompi.  

- Não... Calma. Não negue. Você é tudo isso e muito mais. Sinceramente não consigo colocar em palavras o que você fa comigo. O que você significa. O que você é. Tudo isso está no meu livro, mas eu escrevi em êxtase. Se você ler você vai ver que muito dali é você. E eu. Juntos.

 - Gal disse que eu sou a garota Sol.  

Não tem como negar. Não tem como argumentar.

 - Você está em todos os personagens, Gustavo. Você está em todo lugar.  

- Eu sou a garota Sol ou não, Chermont?  

Assenti de leve.  

Gustavo me puxou para perto, encostando nossas testas, e isso me fez perceber o quanto estávamos suando de nervosismo.  

Sua expressão parecia dolorida, como quem não aguentasse mais sofrer por alguma coisa. Ou como quem desejasse muito algo e estivesse no limite para obter. Eu provavelmente estava do mesmo jeito.  Nossas respirações se embaralhavam, nossas bocas a meros dez centímetros de distância uma da outra. Seus olhos estavam fechados e eu tentava ver seu rosto, mesmo isso sendo difícil de tão perto. Agarrei seus ombros e aproximei meu corpo.  

- Me fala que você também quer isso. Que você sente o que eu sinto. O que to sentindo agora e venho sentindo ultimamente.  

Ele abriu os olhos e lágrimas começaram a descer em seu rosto. Com uma das mãos comecei a limpá-las, mesmo que novas começassem a surgir de novo.  

- Eu quero, Gustavo. Acho que... sempre quis.

- Você precisa ser sólido antes de tudo. Você não pode ir embora.

Ele nos afastou um pouco para ver o meu rosto por completo enquanto falava comigo.  

- Você não pode ir embora! Se não... Tudo isso, eu vou... Eu não vou conseguir aguentar se você for embora, Chermont. Não você. Também não, me prometa.  

Eu encarei seus olhos tristes.

Minha bochechas estavam molhadas também apesar de eu não estar chorando nem metade do que Abreu estava. Eu não deixaria ele nunca. Eu não iria embora.  Eu não poderia deixar para trás a pessoa por quem eu estava apaixonado.  

- Nunca...  

Cheguei mais perto de seu rosto, recuperando a distancia curta de antes.  

- Deixaria você.  

- Certeza?  

- Uma certeza sólida.  

E nossos lábios se encontraram.  

A princípio só queriam ficar assim. Como se fossem velhos amigos demorando em um abraço, que sem precisar de qualquer palavra, ali estava e significava tudo que não poderia ser dito. Não naquele momento. Gustavo pediu passagem pela minha boca e o deixei explorar tudo que quisesse.  

Seu gosto era de álcool, a princípio. Vinho e mais alguma coisa. Mas por trás disso, era o gosto de Gustavo. Algo que eu simplesmente sabia que era, mesmo sem nunca antes ter provado.  E um beijo que durou muito tempo.  Leve, carinhoso e ansiado.  Quando eu percebi que queria mais. Que aquilo era errado, por que ele era meu aluno e eu era seu professor. Se os pais dele descobrissem, poderia dar muito ruim para mim. Não sei o que fariam mas com certeza não seria algo bom. A faculdade então, eu com certeza seria demitido. Meus colegas não olhariam mais na minha cara. Talvez prejudicasse o livro, e saíssem matérias falando sobre isso.  

Mas nada disso importava nesse momento. O melhor beijo que já dei em minha vida.  

Gustavo agarrava minha cintura e eu agarrava seu pescoço. Não queria soltar nunca mais.  

Ele começou a tirar o meu terno. Primeiro foi o paletó e a blusa, me deixando exatamente como ele. Depois ele começou a desabotoar minha calça, sem parar o beijo por um só instante.  Ele se ajoelhou na minha frente e começou a acariciar meu membro por cima da cueca box branca que eu usava, com a calça do terno levemente abaixada.  

Arfei, o que o fez separar o nosso beijo, que nos últimos minutos estavam muito mais intensos do que tinha começado. Ele me olhou com expectativa e mordeu seu lábio inferior com vontade, deixando-o vermelho.  

Então começou uma trilha de beijos no meu pescoço.  

- Só não vou deixar nenhum chupão por que você precisa sair daqui apresentável.  

E começou a beijar meu peito, indo para o mamilo direito, demorando ali e dando várias mordiscadas. Deixei a cabeça pender para trás, enquanto ele fazia sua mágica. Nunca tinha pensado que meu mamilo poderia me deixar desse jeito.  Também nunca tinha pensado que Gustavo era quem faria eu descobrir isso.  Abreu passou sua mão pelas minhas coxas e pelo meu membro, ainda coberto. A medida que seus beijos desciam, ele ia aprofundando os carinhos que fazia.  

Depositou um último beijo abaixo do meu umbigo e olhou pra mim antes de abaixar minha cueca.  Quando sua boca encontrou a cabeça do meu membro não consegui controlar um gemido sôfrego. Fazia um tempo desde que alguém tinha feito isso comigo.  Gustavo estava me encarando o tempo todo. Sua expressão era uma que nunca tinha visto antes; uma coisa que demonstrava desejo e sensualidade. Começou a passar a língua por toda a minha extensão e depois o colocou todo dentro da boca. Repetia esse processo algumas vezes, e depois usava a mão como auxílio, me tocando e se movendo, para cima e para baixo, em sincronia.

- Ah, Gustavo...

Segurei seu cabelo ruivo com as duas mãos. Não queria forçá-lo nem nada, mas era uma tortura, eu precisa que ele fosse mais rápido. Ele não pareceu se incomodar e começou a acelerar o ritmo, me fazendo agarrar ainda mais seus cabelos. Fiquei com receio, não sabia o que ele gostava ou não gostava, não conversávamos muito sobre isso. Era uma conversa evitada por que com certeza ficaríamos constrangidos. Agora não mais.  

- G-Gustavo, eu vou gozar!

Como ele não saiu dali, entendi que não se importava se eu gozasse na sua boca. Meus dedos relaxaram na cabeça de Gustavo, e a medida que eu fosse chegando no meu ápice movimentava o quadril em direção a ele, que segurava minha bunda ajudando com os movimentos. Quando finalmente gozei, um gemido alto escapou de mim.

Gustavo levantou a cabeça e lambeu os lábios, me deixando ver que ele tinha engolido. A mesma expressão séria e sexy de antes.  

Ele se aproximou e tentou tirar o resto das minhas roupas.  

- Gustavo, eu não acho que devíamos fazer isso. S-Se quiser eu posso... Mas não tudo, ainda não. E você está bêbado.  

Ele pareceu um pouco incomodado, mas deitou na cama e começou a dormir.  

- Gustavo?  

Suspirei e me levantei, tornando a vestir as minhas roupas. Dei uma checada no espelho, ajeitando o meu cabelo. Eu estava com uma cara pós-acabei-de-receber-um-boquete mas as pessoas estariam bêbadas demais para notar e Chagas já estava esperando algo assim.  

Gustavo estava com a cabeça virada para baixo, então o desvirei com alguma dificuldade por ser menor que ele e o cobri.  Eu não sabia como as coisas se desenrolariam dali. Pra falar a verdade fiquei aliviado. Ainda não estava preparado para transar com ele. Ainda não.  Tínhamos que conversar sobre como isso poderia funcionar. Se ele não estava só um bêbado carente. Tenho quase 100% de certeza que esse não era o caso. Mas parte de mim queria que fosse, por que seria bem mais fácil de lidar; aconteceu, seguimos em frente. Mas eu sei que não é bem assim. 

Eu realmente não sabia o que esperar do futuro. 

O que eu sabia é que teria de passar mais duas horas falando com mais gente, respondendo perguntas e autografando livros com toda minha mente, corpo e coração focados em Gustavo.


Notas Finais


Desculpem qualquer erro ortográfico, como sempre, escrevo pelo celular e às vezes passa despercebido! Espero que tenham gostado. Agora começa uma fase completamente nova da história! Beijos <3


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