História Maresia - Capítulo 21


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Personagens Anya, Bellamy Blake, Clarke Griffin, Costia, Dra. Abigail "Abby" Griffin, Echo, Emori, Indra, John Murphy, Lexa, Lincoln, Marcus Kane, Octavia Blake, Raven Reyes
Tags Becho, Clexa, Linctavia, Lostia, Memori, Ranya
Exibições 135
Palavras 3.476
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, FemmeSlash, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Título alternativo: Mesmo depois de tudo que aconteceu eu ainda te dedico capítulos, porque tu merece as palavras mais belas que eu sou capaz de colocar numa página do Word e, também, a maioria das músicas falam sobre ti.

Capítulo 21 - Por baixo da pele


Por baixo da pele

When the words weigh heavy on the heart/Quando as palavras pesam no coração
Human - Of Monsters and Men

As duas loiras se fitavam como se assim pudessem encontrar todas as repostas, como se os olhos azuis e castanhos dissessem mais que os lábios finos das duas mulheres que sentavam frente a frente, medindo-se enquanto todo o mundo parecia congelado do lado de fora daquela abafada sala.

O sol que entrava pela janela queimava a nuca de Echo, mas esta não se movia, ela estava muito ocupada analisando cada centímetro do rosto da capitã Clarke Griffin, recém chegada nas suas terras, e sem nem ao menos ser chamada.

- Você não é da Marinha. – Echo acusou, sem conseguir mais aguentar o silêncio da outra.

- Não, sou uma pirata. – Clarke sorriu sarcástica. – Isso te amedronta?

- Pedi a Chefe da Marinha e ganho uma pirata. – Echo sorriu tão ácida quanto Clarke. – Não espere que eu fique contente.

- Posso ajuda-la mais que a Marinha, acredite.

- Será que pode? – Echo finalmente levantou-se.

Clarke permaneceu sentada. Após descer do Karin com todas suas mulheres e Bellamy, a loira deixou-se levar para dentro de Azgeda, até aquela mansão de quatro andares, até o interior daquela sala. Clarke grudou os olhos em Echo, que postou-se ao lado da janela, com as costas apoiadas no vidro esquentado pelo sol. As duas loiras sabiam que toda a tripulação de Clarke esperava espalhada pela mansão e que a qualquer sinal de Clarke as mulheres mais próximas invadiriam a sala.

- Quem são suas fiéis escudeiras?

- Gosto mais de chama-las de amigas. – Clarke passou a língua nos lábios. – Raven, Octavia, Anya, Indra e Lexa se tornaram mais que tripulantes há muito tempo.

- E o único homem?

- Bellamy, irmão mais velho de Octavia.

- O que vieram fazer aqui, em Azgeda?

- Lendas correm junto com o vento, Echo. – Clarke colocou-se em pé. – Vim atrás das verdades, lendas não me contentam há muito tempo.

- Lhe dou as verdades, capitã, assim que você salvar meu povo.

As duas loiras de mediram novamente e Clarke sentiu o ar ficar pesado. Echo afastou-se da janela e voltou a ficar próxima de Clarke. A capitã finalmente percebeu uma longa e vertical cicatriz entre as clavículas de Echo.

- Fui torturada, capitã. – Echo anunciou, sem um pingo de emoção na voz. – Luna me salvou.

- Quem é Luna?

- A segunda comandante de Azgeda. Somos amigas de infância e quando nossos pais morreram tivemos que assumir seus lugares e comandar esse povo. Mandei Luna até Arkadia para buscar ajuda da Marinha e ela não voltou até agora.

- Já deve ter morrido. – cuspiu Clarke. – Arkadia não perdoa piratas.

- O mundo não perdoa piratas, capitã. O que você vai fazer em relação a isso?

Clarke riu sem vontade e Echo sentou-se novamente. A loira de olhos castanhos puxou um mapa de um dos bolsos do seu sobretudo e atirou-o na mesa. Clarke fitou o desenho e apertou os lábios, havia, ao lado de Azgeda, um gigantesco ponto de interrogação.

- Todos os exploradores que foram para esse lado simplesmente sumiram. – Echo fitou Clarke. – Desaparecerem sem deixar rastros, eles e seus navios.

- Quantos você já perdeu?

- Vinte, até que finalmente consegui convencer Luna que precisávamos de ajuda, mas desde que ela partiu perdi mais três.

- Precisaram perder vinte e três pessoas para parar de mandá-las para esses lados?

- Você tem família, capitã?

- Todo mundo tem família.

- Então você deve saber que por família as pessoas fazem coisas sem pensar. Pela família meu povo se atirou para o desconhecido e também não voltou.

- E você deixou?

- Nenhum comandante se mete na família, capitã.

Clarke apertou as costas da cadeira até os nós dos seus dedos ficarem branco, e Echo notou que havia encontrado o ponto fraco daquela loira de olhos azuis.

- Preciso de alguém que possua uma embarcação grande e vá para aqueles lados, preciso de alguém que possa me dizer onde meu povo está.

- Se eu fizer isso eu ganho a verdade?

- Temos um acordo.

Clarke fitou o mapa, Echo e a sala que rodeava as duas. Apertou os lábios e lembrou-se de cada rosto que a esperava do lado de fora.

- Farei uma expedição pequena antes. – declarou Clarke. – Mandarei apenas algumas das minhas mulheres e caso elas não voltem em uma semana, eu vou com o resto todo da tripulação e resolvo esse mistério.

- Faça como preferir, capitã, apenas descubra o que aconteceu com o meu povo.

XXX

De volta ao convés do Karin, a capitã fitava toda sua tripulação e encontrava os mais diversos sentimentos destruindo seu peito. Clarke havia feito um acordo com Echo sem questionar ninguém, havia sido a capitã autoritária que ela tentava a todo custo não ser. Havia se deixado levar por curiosidades pessoais sobre Azgeda e esquecido todas aquelas mulheres que lutavam ombro a ombro com ela há anos. Clarke fitou cada uma delas e sentiu-se miseravelmente culpada, mas agora era tarde, ela já havia firmado o acordo e agora teria que mandar um grupo das suas até o desconhecido, e caso elas não voltassem em uma semana, ela iria com todas as outras.

- Capitã, o que houve? – questionou Anya, cansando-se do silêncio da outra.

- Fiz um acordo com Echo, uma das comandantes de Azgeda.

Todas prenderam a respiração e Bellamy cerrou os punhos por um átimo de segundo. Raven deu um passo na direção da capitã e fitou-a com as sobrancelhas erguidas, Lexa, ao lado da outra morena, apenas fitou Clarke impassível, como se estivesse tentando ler os pensamentos da capitã.

- Echo precisa da Marinha, mas ela não está aqui. – a voz de Clarke quebrava as barreiras entre ela e as tripulantes. – Nós estamos aqui, e nós vamos ajuda-la e recuperar seu povo.

Indra sentiu seu coração dar um salto e apertou os lábios. Indra havia lutado pelo seu povo desde que se entendia por gente, fosse um povo em terra ou em água. A mulher olhou para Clarke e sentiu que a capitã estava disposta a tudo para ajudar Echo em algo tão complexo e ao mesmo tempo tão simplório como manter um povo sempre unido.

- Recuperar? – a voz de Octavia despontou. – Como assim, capitã?

Clarke passou a língua pelos lábios e contou tudo que a outra mulher havia lhe narrado. Cada pequeno detalhe da conversa chegou em toda sua tripulação, até mesmo o acordo que tinham feito.

- Motivos pessoais me instigam a querer a verdade sobre Azgeda, motivos pessoais me fizeram aceitar cada uma de vocês nessa tripulação e motivos plurais me fazem querer ajudar Echo onde a Marinha, mais uma vez, falhou.

Todas as cabeças acenaram em concordância e muitos olhos brilharam com a ferocidade já reconhecida e benquista que Clarke notava em suas tripulantes. Porém havia um detalhe que a loira hesitava em contar. Como ela escolheria as mulheres para lançar no desconhecido?

- Preciso conversar com Lexa, em particular. – decretou Clarke. – As outras, esperem aqui. – a capitã fitou a morena. – Lexa, comigo.

A morena saiu do grupo e seguiu a capitã para dentro da cabine da mesma, e mal havia fechado a porta e a loira já atirava seus lábios contra os delas, sugando as energias de Lexa e recuperando as suas. Deixando a angústia no ar e pegando um pouco da tranquilidade que a morena sempre carregava no peito.

- Capitã... – murmurou Lexa, após quebrar o beijo.

- Tenho que mandar um grupo para o desconhecido, Lexa. – a voz de Clarke era um sussurro cansado e sofrido. – Como vou escolher as mulheres que podem nunca mais voltar?

- Faça um sorteio. – os olhos verdes de Lexa carregavam toda a verdade que Clarke precisava naquele momento. – Escreva nossos nomes em pequenos pedaços de papel, coloque-os em um pote e retire quatro, os quatro nomes que saírem irão para o desconhecido.

- Nesse caso, eu vou incluir o meu.

- E quem ficará no seu lugar?

- Qualquer uma que seja merecedora.

Lexa teve audácia o suficiente para puxar uma mecha do cabelo de Clarke e levá-la para trás da orelha da loira, que sorriu fraco e depois encostou sua testa na da morena. O silêncio foi o consolo que a capitã precisava, foi o perdão por suas escolhas erradas e pelo que poderia acontecer no futuro.

- Nós vamos ficar bem, Clarke.

- Todas nós?

- Sim, todas. – Lexa afastou-se da loira. – Iremos dar um jeito, sempre damos.

Antes que Clarke pudesse responder um forte estrondo chegou do lado de fora e Lexa, de um salto, escancarou a porta e correu para o convés. Todas as mulheres estavam alertas e com as mãos nos cabos das espadas e das facas, outro barco aportava a pouquíssimos metros do Karin.

- Capitã? – gritou Raven.

Lexa sentiu a chave dourada queimar sua pele e seu coração parar dentro do peito. Clarke sentiu sua concha fria ficar gelada e seu peito quase explodiu pela ansiedade. As duas reconheciam aquele galeão melhor do que qualquer pessoa, as duas já haviam vivido naquele barco, pisado naquele convés e obedecido ao capitão que segurava o timão.

- Jaha. – murmurou Clarke, tão rouca que parecia que havia engolido um punhado de areia.

- Sim. – concordou Lexa. – Jaha e todos os meus segredos.

XXX

Emori foi a primeira e pisar no porto e a primeira a ver Lexa descendo do outro galeão. Murphy, que vinha logo atrás, foi o primeiro a soltar a espada e deixar que o metal encontrasse a madeira do chão com um baque surdo. Lincoln parou ao lado do outro moreno e cravou os olhos em Octavia, sentindo o coração quebrar-se em um milhão de pedaços e a mente ser tomada por lembranças de sua infância. Monty apertou a luneta e cravou os olhos em Lexa, que agora tinha os cabelos bem mais compridos e parecia, apenas com a camisa branca, de fato uma mulher. Jaha parou e fitou Clarke, sua garganta fechou-se e o ar pareceu sólido demais para entrar em seus pulmões. A tripulação feminina fitou a mista e todos os piratas ignoraram Echo, que aproximava-se com cinco dos seus homens.

- Jaha. – Clarke parecia rugir. – Quanto tempo.

- Acho que precisamos ter uma conversa, capitã. – o homem fitava a loira com desdém.

- Não. – a voz de Lexa elevou-se. – Eu e você temos que conversar, capitão.

- Lexa, Lexa... – os olhos de Jaha brilharam. – Senti falta do meu homem de confiança.

O tempo parecia ter parado. Raven voltou-se para Lexa com o cenho franzido, Anya tinha os olhos postos em Clarke, Octavia fitava Lincoln e Indra estudava cada tripulante que estava atrás de Jaha.

- Ele perdoou você. – Emori deu um passo na direção de Lexa. – Eu contei tudo e ele perdoou você, Lexa.

- Emori, cale-se. – Jaha gritou. – Eu tenho que falar com as duas, mas antes... – virou-se para Echo. – Sou o capitão Jaha e estou falando com quem?

- Echo, comandante de Azgeda.

O capitão hesitou e olhou novamente para Lexa, que acenou positivamente com a cabeça e depois sentiu Clarke apertando seu pulso com força. Toda a tripulação do Karin ainda estava extremamente confusa e Emori ainda parecia suplicar com os olhos para que Lexa lhe desse atenção, mas a morena estava com os olhos fixos em Jaha.

- Azgeda. – o capitão parecia saborear as palavras. – Finalmente encontrei você.

- Você não encontrou nada, Jaha. – novamente Clarke parecia atacar o homem com palavras. – Azgeda sempre esteve aqui, sempre existiu e pertence a Echo.

- Não quero a terra, Clarke, quero as histórias dela.

- Já são minhas. – Clarke soltou o pulso de Lexa e andou na direção de Jaha. – Tarde demais, capitão.

- Tenho certeza que todos podemos entrar em um acordo. – a voz de Echo tomou o porto e, por primeira vez, todos os olhos fitavam a comandante de Azgeda.

XXX

Clarke andava de um lado para o outro dentro da cabine. Bellamy, sentado na cama da loira, a acompanhava com os olhos. Octavia, Raven, Indra e Anya, paradas lado a lado, faziam o mesmo. Lexa, com as costas encostadas na porta e os braços cruzados sobre o peito, mirava os próprios pés e apertava os lábios vez ou outra.

- Filho da puta. – Clarke bufou e virou-se para o grupo que aguardava alguma palavra sua. – Grandiosíssimo filho da puta.

- Clarke... – Bellamy tentou começar, mas Octavia fuzilou-o com os olhos. – Capitã, Echo precisa de ajuda, não importa de quem venha, é o povo dela.

- Mas Jaha não tinha o direito de usar o desespero dela para me provocar.

- Capitã, talvez ele só queira ajudar também.

- Não, Bellamy. – Clarke gritou. – Não defenda Jaha, não quando eu estiver por perto.

- Ele formou você, capitã. – a voz de Lexa bateu no rosto da loira. – Ele transformou você no que você é, queira a senhora ou não. – os olhos de Lexa brilharam com violência. – Ele me formou, capitã. Jaha formou Cóstia, Emori, Murphy, Monty e Lincoln, Jaha é um bom capitão e pode sim querer apenas ajudar Echo.

Tudo parou e os olhos de Clarke perfuraram Lexa com uma força incalculável, mas a morena manteve a pose e segurou o olhar da outra.

- Não vou mandar nenhuma mulher junto com gente dele. – cuspiu Clarke.

- Terá que fazê-lo. – Indra disparou. – Ele confiará um dos seus a você e a senhora terá que fazer o mesmo, afinal, foi isso que combinaram diante de Echo, a comandante das terras em que estamos agora, capitã. – a voz de Indra pairou sobre todos e a mulher voltou-se para Clarke. – Uma mulher sua e um homem de Jaha irão embora hoje de noite e caso não voltem em uma semana, todos nós iremos atrás.

Clarke apertou os lábios, sentindo os olhos de todos fixos nela. Lexa sentia seu coração romper-se contra o peito, dizer o nome de Cóstia na frente de Clarke havia destruído o pouco de paz que a morena havia conseguido naqueles últimos dias. Já a loira ainda sentia o maldito nome ecoando dentro do seu crânio. As duas voltaram a trocar olhares, ignorando todos que estavam na cabine junto com elas.

- Farei o sorteio. – disse a loira, sem saber se era apenas para Lexa ou para todos. – Colocarei o meu nome e o de Bellamy também, afinal, nós dois também estamos no Karin.

O moreno concordou com a cabeça e Clarke começou a escrever em um pedaço de papel, enquanto Raven e Octavia, às vezes, ajudavam a loira a lembrar de todos os nomes. Por fim, o grupo deixou a cabine e Clarke explicou para o resto da tripulação a decisão que haviam tomado. Após receber anuência de todas as mulheres, a loira espalmou a mão sobre a taça e sacudiu-a verticalmente quatro vezes. A loira puxou um pedaço de papel e leu o nome com os olhos. Sua garganta fechou-se, seu coração deu um salto e lágrimas queimaram seus olhos.

- A escolhida foi você. – a loira cravou os olhos na morena. – Raven, você vai ir para o desconhecido hoje à noite.

Anya segurou a mão da namorada com força e fitou Clarke, como se esperasse que a loira risse e dissesse que estava brincando, mas a capitã não o fez. Seus olhos pediam perdão e seu silêncio confirmava que, de fato, Raven havia sido a escolhida.

- Será uma honra, senhora. – a voz de Raven apareceu dura e fria como aço.

Clarke acenou com a cabeça, fitou Lexa e Bellamy e encontrou o mesmo apoio nos olhos dos dois morenos. “A culpa não é sua, foi um sorteio”, era o que eles diziam, agora faltava Clarke acreditar.

- Eu vou avisar a outra tripulação. – ofereceu-se Lexa. – Volto em um instante.

A morena deixou todo o pesar para trás e dirigiu-se para o outro galeão que ocupava o porto de Azgeda. Emori a esperava, sentada perto da escada de acesso para o convés. As duas morenas se fitaram longamente e Emori apertou os lábios, hesitando.

- Você fez falta, Lexa.

- As coisas estão diferentes agora, Emori.

- Eu sei, você está apaixonada pela loirinha. – Emori sorriu ao ver a surpresa tomar os olhos da outra. – Não é difícil notar o jeito que vocês se olham. – a mulher deu de ombros. – Está tudo bem, Lexa, você está viva e isso é o mais importante.

A morena acenou com a cabeça e deixou que Emori se aproximasse e tocasse em sua mão rápida e discretamente.

- Já sorteamos a nossa mulher.

- Vamos sortear o nosso agora. – Emori apertou os lábios. – Quer vir?

- Tudo bem.

As duas subiram e todos os olhos fixaram-se em Lexa, que tinha apenas olhos para Murphy. O moreno sorriu para ela e seus olhos emanavam compreensão. Lincoln e Monty acenaram com as cabeças e Jaha pigarreou, parecendo incômodo.

- Theros nunca existiu, era Lexa fingindo ser homem, e ela está totalmente perdoada por isso, entenderam?

Todos concordaram e Jaha sacudiu sua taça, com os nomes dos homens postos lá. Ele puxou um e Emori ficou tensa, e Lexa sabia o motivo. Anya e Emori, mesmo sem saber, haviam compartilhado da mesma aflição e da mesma tensão. As pessoas que elas amavam estavam sujeitas a serem escolhidas, Anya havia sentido a dor do nome de Raven ser retirado e Lexa esperava, no fundo do peito, que Emori não passasse pelo mesmo.

- Você vai... – Jaha abriu o papel e passou a língua pelos lábios. – John Murphy.

Emori vacilou e Lexa segurou-a pelo braço. A morena de olhos castanhos apertou os lábios e fitou o namorado, a de olhos verdes sentiu o gosto amargo da desesperança tomar sua boca.

- Lexa, comigo. – chamou Jaha. – Agora, por favor.

Lexa não soube exatamente o que estava agindo sobre ela, mas ela soltou Emori e seguiu Jaha até a cabine do homem. Seguiu ele mesmo que agora respondesse apenas às ordens de Clarke, seguiu ele mesmo que soubesse que não havia mais o que ser conversando e que os erros do passado já haviam sido cometidos e nada mudaria aquilo.

- Eu conheci Teresa. – o homem disse sem rodeios. – Conheci sua mãe, Lexa.

- O... O... Do que você está falando, Jaha?

- Conheci sua mãe poucos minutos antes dela ter você. – o homem fitava a morena com certa dor nos olhos. – Entrei no bar dela para comprar suprimentos enquanto meus homens andavam pela cidade recrutando novas pessoas. Conversei com ela por alguns minutos e quando ela se virou para sair de trás do balcão e ir pegar o que estava lhe pedindo... O grito dela ainda ecoa na minha mente, Lexa. Teresa caiu no chão aos berros e eu notei que ela estava tendo o filho. Saí correndo e gritando de dentro do bar, encontrei Dona Crema no caminho.

- Dona Crema... – Lexa entendeu tudo com a dor de um soco. – Você sabia que era eu desde o começo.

- Sim, Lexa, eu sabia. – o homem sorriu. – Quando Theros apareceu eu reconheci o brilho no olhar, reconheci os olhos verdes apavorados, porém determinados. E quando eu estava ferido e lhe pedi o mar, eu estava apenas confirmando que você era mesmo você. Dona Crema me pediu o mar enquanto ajudava sua mãe, e eu fui buscá-lo, e aqui estamos nós agora, Lexa, você e sua mãe sobrevieram ao parto e eu ganhei uma amiga.

- Amiga?

- Eu fui visitar sua mãe mais algumas vezes depois disso. Vi você pela última vez quando você tinha cinco anos. – Jaha apertou os lábios. – Mas mesmo assim nunca soube quem era seu pai, Lexa, sua mãe nunca me disse o nome do homem, apenas me disse que o mar o havia levado meses antes de você nascer. – o capitão olhou Lexa com pesar. – Espero que saiba o significado disso.

- Ele morreu afogado. – a voz da mulher era um sussurro. – Ele tentou ir embora para voltar a ser um pirata e morreu afogado.

Jaha confirmou com a cabeça e Lexa sentiu as lágrimas tomando seus olhos. O capitão não moveu um músculo na direção da morena, ele ficou onde estava e apertou os lábios.

- Você sabe o que tem por baixo da pele, Lexa? Sangue, ossos e músculos. Mas será que você sabe o que tem por baixo disso? Mais pele, a segunda, a mais fraca, a que quebra sem que a gente perceba, a que demora para voltar ao normal, a pele que é coberta por essa aqui, que você está vendo agora. E sabe o que tem por baixo da segunda pele, Lexa? Medo, angústia e saudade. E essas três coisas têm que ficar na terceira camada, senão você se afoga nelas mais do que no mar. E sabe o que eu senti quando você foi levada? Eu quase me afoguei com o ar, Lexa, quase.


Notas Finais


Gente, por motivos de ENEM e tendinite eu dei essa sumida gigante, me desculpem, mas precisava focar nos estudos e me curar da tendinite. Mas agora voltei e é pra ficar, então desculpem novamente o sumiço e obrigada por terem me esperado até agora <3 PS: E aí, teorias sobre Lincoln e Octavia? E sobre Raven e Murphy juntos num barco rumo ao desconhecido? E Anya e Emori? E Abby, Kane e Luna, onde estão? Teorias, teorias, quem tem alguma? hahah


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