História Maria Madalena - Capítulo 5


Escrita por: ~ e ~Arrriba

Postado
Categorias The Walking Dead
Personagens Aaron, Abraham Ford, Carl Grimes, Carol Peletier, Daryl Dixon, Enid, Eugene Porter, Glenn Rhee, Maggie Greene, Michonne, Morgan Jones, Negan, Paul "Jesus" Monroe, Personagens Originais, Rick Grimes, Rosita Espinosa, Sasha, Tara Chambler
Tags Paródia, The Walking Dead
Exibições 9
Palavras 7.225
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa noite, seus lindos

Bom, como vocês podem ver esse capítulo ficou enorme, então não vamos nos alongar aqui!

Espero que vocês gostem x)

Capítulo 5 - Todo Mundo Odeia o Negan...


Fanfic / Fanfiction Maria Madalena - Capítulo 5 - Todo Mundo Odeia o Negan...

Anteriormente, nesta porra:

“-Estamos cara-a-cara com o Negan, Jesus, não sei se é uma boa fazer um previously dessa vez...”

“-Com medo da Lucille, bonequinha?”

“-Ai, caralho, ele falou comigo! Pensei que só meu irmão e eu podíamos narrar essa merda! Jesus, me dá uma ajuda!”

“-Madalena, eu nem ‘tô conseguindo lembrar o que aconteceu de tanto que meu cu ‘tá na mão, quanto mais te ajudar com ele. Estamos fodidos, isso é tudo o que as pessoas precisam saber antes de começar a ler!”

“-Exatamente! Mas não se preocupem, eu faço o resumo então... – Negan sorriu – No capítulo anterior, o grupo de Rick Grimes finalmente se depara com seu pior pesadelo, e em toda sua arrogância e autoconfiança, estão prestes a descobrir o que significa um encontro com os Salvadores...”

“-Meio merda essa prévia, né, honestamente... A gente tem que falar de tudo o que aconteceu de uma forma geral, e de preferência sem tentar prever o que está por vir... O gostoso do Dixon, por exemplo, já está entrando na minha, e isso é muito relevante dizer... ”

“-Cala a boca, Madalena!”

“-Isso, Madalena. Cala a boca. E se ajoelhe!”

...

 

“-Ajoelhem-se, filhos da puta! – Negan ordenou, encarando todos aqueles rostos cheios de uma petulância que apenas tinha o poder de instigar ainda mais o líder dos Salvadores. Adorava ser ele o responsável por tirar aquele brilho de desafio dos olhos de quem se propunha a dominar. Quando os percebeu ainda eretos, sorriu, voltando a caminhar tranquilamente entre os adversários – Parece que vocês ainda não têm muita noção de quem eu sou... Do que eu faço...”

“-Eu! Eu sei, eu sei quem você é, me escolhe, moço! – Maria Madalena agitou um braço no ar, como uma aluna nerd que implora a ser escolhida pelo professor. Negan apenas a encarou de forma interrogativa, como se apenas aquele gesto fosse permissivo à continuidade de sua fala – Você é John Winchester, caçador de criaturas sobrenaturais! Aliás, preciso comentar, isso aqui está uma promiscuidade de séries... Primeiro as referências a Game of Thrones, depois o elenco inteiro de Todo Mundo Odeia O Chris, e agora gente de Supernatural também... E falando nisso, como vai aquele gostoso do Dean?”

“-Senhor, perdoai-lhe! Ela não sabe o que faz...” – Jesus rogou de braços voltados para o céu, meneando a cabeça de forma preocupada.

“-Mas Jesus, o Dean é gostoso mesmo, e como eu não ‘tô conseguindo avançar em nada com o tio da besta, tenho que tentar atirar ‘pra outros lados...”

“-Não se preocupe com isso, bonequinha, você já foi selecionada para o meu harém” – Negan afirmou, ampliando aquele mesmo sorriso doentio que lhe era tão característico.

“-Nunca se sabe, né, vai que você morre no meio do caminho e o Harvey Dent* aí pega seu lugar! Aliás, se eu fosse você dava uma de Glenn e abria o olho com esse cara... Certeza que ele quer se vingar por causa da mulher e dessa queimadura horrível, fica a dica...”

“-Eu conheço a fidelidade dos meus homens. – encarou Dwight com algum desafio, como se visasse desmentir as palavras que acabara de proferir numa clara provocação – O ‘D’ aqui foi um dos grandes responsáveis por nosso encontro de hoje, estou até pensando em recompensá-lo... deixar que ele passe uma noite com você-sabe-quem” – olhou de uma forma repleta de significado para Dwight, o sorriso amplo repleto de deboche.

“-Porra, cara, jura que você ‘tá propondo pra ele uma noite tórrida com Lord Voldemort? Não é à toa que ele ‘tá louco pra te trair! Que sacanagem!”

“-Você se acha muito esperta, não é, menina? Sabe, eu realmente valorizo muito isso... – o líder dos Salvadores caminhou em volta da mulher, analisando-a com interesse – A espontaneidade, a insolência... são características que eu admiro... mas a Lucille aqui não gosta. Ela acha que esse tipo de subversão deve ser imediatamente punida.”

“-Puxa, que sorte a minha que você que é o chefe!” – ela bateu alegremente no ombro esquerdo de Negan, o semblante de fato aliviado.

Negan deixou escapar um riso curto, caminhando por entre os integrantes do grupo oposto com fingida paciência. Sua atenção se focalizava por igual em cada um dos homens e mulheres, talvez vendo um instigante jogo em toda aquela situação.

“-Eu não costumo pedir a mesma coisa mais de uma vez, mas hoje estou disposto. Vocês não me conhecem, ainda acham que são capazes de medir forças. Ainda não se convenceram do poderio dos Salvadores, portanto serei generoso e darei mais uma chance... – Negan interrompeu seu discurso, os olhos finalmente exalando alguma confusão quando avistou junto ao grupo um homem de vestimenta atípica, trajando sobre a cabeça um capacete no qual dois cornos enormes e ligeiramente curvos se projetavam. Parecia extremamente entediado em sua postura elegante, à uma distância segura dos alexandrinos como se o enojasse ser relacionado àquele grupo – Mas que porra de galhada é essa...?”

“-Eu sou Loki, deus e futuro monarca de Asgard. Fui coagido a vir até aqui pela midgardiana que, ao que tudo indica, escreve ao meu respeito... Ela se alcunha como Arrriba, e quer que eu aprenda técnicas de dominação, já que não tive grandes progressos quando tentei me impor sobre esta raça inferior...”

“-Ora, ora! Aluno de intercâmbio! – Negan comentou alegremente, agora apoiando o peso de seu corpo em Lucille – Vamos ver o que você sabe fazer. Quero que essas pessoas se ajoelhem. Pode tentar primeiro com essa aqui...” – o líder dos Salvadores puxou Maria Madalena para perto do deus nórdico, afastando-se levemente para testemunhar a cena.

Loki fitou a jovem mulher com asco, a ojeriza estampada nos verdes olhos quando direcionou sua fala à moça de testa franzida.

“-A verdade não dita da humanidade é que ela anseia por submissão. O brilhante fascínio da liberdade diminui sua alegria de viver numa confusão louca por poder, por identidade. A humanidade foi feita para ser governada. No final, ela sempre se ajoelha, porque...”

“-Cara, você é parente do Rick? – Madalena o interrompeu com aquele questionamento, sem realmente ouvir uma única palavra do que disse o suposto deus. Incapaz de desviar o olhar dos cornos que se sobressaíam daquele estranho capacete dourado-envelhecido, completou: – Porque o gosto por chifres só pode ser genético...”

“-Ajoelhe-se, humana!” – Loki ordenou de forma mais sucinta, furioso.

“-Meu filho, não sou obrigada a nada...!”

“-Eu já entendi qual é o seu problema... – Negan interviu, sorrindo com a mesma pretensão – Para começar ninguém entende o que você fala, e mesmo que entenda, não dá ‘pra te levar a sério com todo o bom-tom dessas suas ameaças. Olhe e aprenda! – Negan voltou sua atenção para Maria Madalena, que lançava um olhar distraído na direção de Dwight – Ajoelhe-se!” – ordenou, da primeira vez sem usar de qualquer ameaça para convencê-la.

“-Não ‘tô a fim, senhor Winchester... Que fixação é essa em me ver de joelhos... Ainda se fosse o tio da besta que pedisse...”

Negan fez sinal para um de seus capangas, que de imediato prostrou-se ao seu lado, esperando pela ordem que se seguiria.

“-Traga o irmão dela...” – Negan ordenou, ainda sorrindo para Madalena que agora o encarava com espanto.

“-Como você sabe que ele é meu irmão?”

“-Você não é a única que tem o costume de ler o script... – avisou num tom vitorioso, fitando-a com ainda mais intensidade quando Paul Rovia se juntou a eles, enfadado – Ajoelhe-se. Não queremos correr o risco de irritar a Lucille...”

“-Meu bom homem, esse covarde sequer saiu do trailer ‘pra me ajudar quando eu te enfrentava sozinha, não vai ser agora que eu vou intervir por ele... Além do mais, essa foi uma péssima escolha de ameaça, reza a lenda que o cara ressuscita em três dias!”

“-De fato, muito eficaz seu método...” – Loki observou, sarcástico.

Negan pousou Lucille sobre o rosto da menina loira, o arame farpado encostando de forma incômoda em sua pele, ameaçando cortá-la ao menor aumento de pressão.

“-De joelhos.”

“-Mas por quê?”

“-Porque eu quero!”

“-Mas por que você quer?”

“-Porque senão terei de dar a palavra a Lucille, e ela não é muito adepta às diplomacias...”

“-Puxa, cara, você realmente tenta conversar com um bastão? Você por acaso tem aquela síndrome do náufrago, em que o cara fez amizade com uma bola? Deve ser, porque ele também a chamava por um nome e a tratava como se fosse algo vivo, sabe, meio preocupante esse tipo de comportamento...”

“-Assim não dá para trabalhar, ô, produção. – reclamou Negan amargamente ao olhar ao redor da estrada, à procura de alguém que pudesse ajudá-lo – Quem foi que contratou essa amadora?” – resmungou.

“-Outro que vai ficar Negando que gosta de mim – Maria lançou-lhe um sorriso maroto, antes de perceber um pontinho vermelho repousar bem no meio da testa do Salvador – Cara, você está com catapora? – a garota festiva agora carregava em si um cenho preocupado, ao que se aproximava mais de Negan – Me deixa tocar essa pereba aí?”

“-Do que está falando, garota?”

“-Desse pontinho vermelho aqui, ó! – Maria cutucou rudemente a testa de Negan, que se afastou no mesmo instante, desconfiado – Calma, tio do bastão, eu só queria te ajudar com essa... – a garota impressionou-se ao notar o deslocamento do rubro ponto na face do homem – Ah, que bacana, é uma luzinha! – afirmou, empolgada, acertando o rosto de Negan nas inúmeras vezes em que o ponto deslocava-se, como um gato que tenta pegar o alvo luminescente – Moço, não é por nada não, mas acho que estão tentando te matar, parece a mira daquelas armas snipers!"

Ao finalizar aqueles dizeres, tanto os parceiros de trailer quanto os cúmplices de Negan recusaram-se a acreditar que tal comentário havia sido feito.

“-Até eu, que não estou habituado às táticas de guerra do seu mundo, percebi que alguém não tão distante planejava abatê-lo – advertiu Loki em seu semblante de superioridade – Creio que até mesmo o tolo do meu irmão notaria tal estratégia e se aproveitaria das circunstâncias.” – finalizou ainda em pose arrogante.

“-Era a nossa chance de se livrar desse filho da puta manipulador.” – lamentou alto demais um dos Salvadores, que logo se escondeu entre os inúmeros homens que o acompanhavam ao perceber que seu pensamento fora acidentalmente verbalizado.

“-Quem disse isso?” – Perguntou Negan voltando-se aos comparsas que o acompanhavam.

“-Outro gato.” – gritou o homem com algum desespero, sendo empurrado para mais próximo de Negan sem qualquer misericórdia de seus companheiros.

“-A gente vai ficar de figurante nesse capítulo, é isso mesmo?” – resmungou Michonne com a aprovação de todos os que ainda não tinham tido uma fala.

“-Deixa de ser burra... – repreendeu Carl ao sussurrar para a parceira – Quando o foco voltar para a gente, começa o uni-duni-tê.”

“-Que se dane, não sou eu a escolhida mesmo...” – replicou Michonne, dando de ombros.

“-Quem diria... um traidor no meu time... – Negan aproximou-se inabalável do homem que, obrigado, permanecia ajoelhado à sua frente – De certa forma, fico feliz que tenha declarado essa insatisfação neste momento. Agora posso demonstrar a esses filhos da puta como a minha Lucille tem sede.”

“-Não me conformo com isso, o cara dialoga com o bastão, batiza de Lucille e ainda acha que o taco tem necessidades, mas no fim do capítulo todo mundo só lembra as babaquices que eu falo... Porque a Maria Madalena é retardada, porque a Maria Madalena só fode com tudo, porque a Maria Madalena passou a fanfic toda dando em cima do tio da besta, porque a Maria...”

“-Alguém coloca uma meia na boca dessa garota...” – pediu Daryl, sisudo.

“-Vem me calar com os seus beijos, seu gostoso!”

“-Prefiro a Lucille.”

“-Acho que me trocar pelo bastão mostra muito a respeito das suas preferências sexuais, e do porquê de ter me ignorado durante toda a narrativa... – Maria dedicou-se a encarar o arqueiro com o olhar cerrado que logo despediu-se de seu cenho – Se eu me fantasiar de homem, será que você me dá uma chance?” – perguntou Maria antes de sentir Lucille pressionar-se em um de seus ombros.

“-Agora sou eu que falo, entendido?”

“-Mas por quê?”

“-Para o capítulo não precisar ser dividido em dois novamente, acabei de receber esse recado das autoras.”

“-Se a ordem veio da chefia, quem sou eu para questionar... – calou-se por alguns irrisórios instantes antes de retomar a palavra – ...porque a gente não pode contrariar os patrões sabe, a situação está difícil para todo mundo e não dá para ficar contestando as ordens desse jeito, nem se eu fosse completamente louca ia querer me alongar muito por aqui, porque eu prezo pelas minhas obrigações e deveres cívicos, e de maneira alguma eu contrariaria as minhas chefas que tanto amo, apesar de não receber o suficiente para aguentar todos vocês juntos, principalmente o tio da besta que não para de dar em cima de mim desde que me viu e começou a fantasiar meu corpo nu... Sabe, esse tipo de atitude se enquadra em assédio sexual e eu não quero ter de procurar um advogado para...”

“-Cale-se, cale-se, cale-se, você nos deixa loucos! – um menino de roupinha de marinheiro surgiu de repente, suas bochechas protuberantes chamando a atenção de todos conforme dava seu chilique repentino – Me mandaram trazer esse recado, vim da Televisa até aqui só ‘pra dizer isso mesmo!” – concluiu, partindo do mesmo modo inesperado com que entrara.

“-Negan, me escolhe! – Rick aproximou-se do líder dos Salvadores, pronto para ajoelhar-se na frente do oponente – Por favor, eu não aguento mais toda essa ladainha, estou enlouquecendo! Até comecei a sentir a presença da Lori de novo...”

“-Eu ‘tô bem atrás de você, seu corno... – a antiga esposa do xerife disse – Não podia perder esse espetáculo! – piscou um dos olhos no sentido de Negan – Me liga, quando quiser, quem sabe a gente não faz uma Judith 2.0 e deixa para esse trouxa criar...”

“-Vamos fazer o seguinte, Rick – Negan olhou para o homem com um sorriso zombeteiro no rosto –, já que você parece tão desgostoso da vida, tenho uma proposta antes que eu deixe minha marca no seu grupo. Uma troca de esposas. A Lori vem comigo e você fica com essa loira, que me pareceu um mau negócio, e em troca eu deixo todos em paz...”

“-NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!” – o xerife berrou em ênfase enquanto os olhos marejados miravam o céu, os braços erguidos na esperança de que tudo não passasse de uma brincadeira maldosa do Salvador. A morte de Glenn Rhee na série, naquele instante, pareceu bem menos traumática a Grimes diante daquela proposta.

“-Não se preocupe, Rick, não foi uma proposta séria. Mas se me interromper de novo eu vou ser obrigado a pensar na possibilidade da troca. Até porque, começo a me arrepender da ideia de levá-la comigo, bonequinha...” – segurou Madalena pelo queixo brevemente, saboreando o olhar irritado da jovem loira, que resmungava de forma ininteligível.

Negan ergueu Lucille e a repousou em seu ombro, ao mesmo tempo em que rondava lentamente o traidor à sua frente – que ainda aguardava sua punição –, aumentando o suspense entre ele e o Salvador, que já sabia qual destino teria ao final daquela análise minuciosa de seu líder. Contudo, antes que pudesse sentir os golpes de Lucille recaírem em si, decidiu declarar as suas últimas palavras.

“-Primeiramente vá se foder, segundamente meu nome é Eisenbahn Furtwängler Kügelgen, e não Negan! – riu o homem mergulhado em nervosismo, sequer chegando a ouvir o baixo comentário de Maria Madalena de ‘Agora eu entendi porque ele chama geral de Negan...’— E sabe ontem quando eu levei o jantar ‘pra você? Eu cuspi na comida, e mais tarde flertei com a Lucille no seu quarto, segura essa, mermão!”

“-E como se não bastasse esse outro se sente atraído pelo bastão... – Maria riu baixinho ao perceber Negan a encarando com algum traço de fúria – Isso é uma paródia, cara, zoar vocês é o meu dever.”

O líder dos Salvadores sequer fez questão de responder o traidor que se ajoelhara diante dele, não tardando a acertar-lhe um golpe bruto na nuca, que de tão forte impediu que houvesse quaisquer defesas por parte da vítima. Bastou aquele único baque para que o desleal capanga caísse sobre sua própria poça de sangue, já sem sinal de vida.

“-Cara, isso é uma paródia, ninguém morre em paródias.” – asseverou Jesus, que olhava impressionado para o corpo inerte do Salvador.

“-Foda-se se isso é uma paródia, vocês não estão em posição de exigir merda nenhuma! Eu vou matar quantos for necessário nessa porra toda, seus bando de filhos da puta do caralho.”

“-Tudo bem então, só pega leve que a faixa etária da fanfic está nos 16 anos.” – Paul Rovia avisou, indiferente.

“-E eu tenho culpa se as autoras não sabem distinguir certo a porra da faixa etária... – reclamou Negan, pela primeira vez notando-se exaltar, e no mesmo instante sentiu uma forte corrente elétrica percorrer a extensão de seu corpo – Mas que porra é...” – sentiu novamente o incômodo, olhando ao redor como se procurasse pelo responsável daquilo.

“-As autoras me pediram para informar que, se você falar mal delas novamente, vai ter que ficar num quarto ouvindo Maria Madalena tagarelar por uma semana, e que o choque foi só um aviso bem breve e amigável. Obrigada, de nada.” – notificou Tara cordialmente, de leve emocionada por ser a porta voz daquelas figuras tão bem quistas por todos ali.

“-Me parece que vocês não têm a mínima noção de com quem estão lidando... com todo o meu respeito às autoras, claro! – acrescentou, olhando de forma firme para cada um que ainda o desafiava com a expressão de todo intransigente – Salvadores, venham aqui... – Negan ordenou, vendo-os obedecerem prontamente. Apontou para um de seus capangas, embora seu olhar ainda se mantivesse fixo ao grupo de Rick Grimes – Você. Qual o seu nome?”

“-Negan!” – o Salvador respondeu de pronto, sem sequer hesitar.

Negan repetiu a pergunta para todos os capangas à volta, sempre recebendo a mesma resposta instantânea e firme de todos eles. Todos, sem qualquer exceção, denominaram a si mesmos de Negan.

 “-Como vocês podem ver, eu estou por toda parte. Se ainda dispuséssemos de artifícios como Facebook e Twitter, poderíamos nos identificar com a hashtag #SomosTodosNegan. – sorriu, debochado – É a última vez que pedirei que se ajoelhem. Lucille já está perigosamente sedenta, e na próxima insubordinação, deixarei que ela tome a frente da nossa conversa!”

Uma proporção de três Salvadores para cada integrante do grupo de Grimes se juntou aos alexandrinos, encostando os canos de suas armas e os cutucando com o metal até que todos finalmente acatassem a ordem dada.

“-Vejo que começamos a nos entender...”

“-Rapaz, sempre fiquei chocada com essa coincidência! – Madalena afirmou enquanto também se ajoelhava sob a mira de três armas – Todo mundo se chama Negan... – disse com uma nota evidente de deslumbre – Mas vem cá, me explica uma coisa... como é que você faz quando precisa chamar um capanga em específico? – perguntou a garota, curiosa – Vai gritando ‘Negan’ aleatoriamente até a pessoa certa aparecer?”

“-Bonequinha, fica quietinha vai.”

“-Mas que grosseria, senhor Winchester... Minha felicidade é saber que você não tem a menor chance contra esses caras. Eu mesma já me enganei com o jeito meio tonto deles, mas é só fachada. ‘Tá vendo esse aqui? – a garota apontou para Daryl Dixon, um sorriso desafiador brincando em seus lábios mesmo naquela postura submissa em que se prostrava de joelhos – Ele, sozinho, explodiu uma caralhada de homem seu com uma bazooca. Aposto que você nem sabia que tinha sido ele, né? – palpitou, as íris azuis transbordando orgulho ao fitar o arqueiro que apenas a encarou com ódio por aquela revelação. Maria Madalena mudou o foco para o xerife – Esse outro às vezes é meio burrinho, mas também deu muito orgulho na sexta temporada! E ‘tá vendo esse brutamontes ruivo que é o focinho do Caruso? Vai morrer mandando você chupar as bolas dele, e de quebra ainda te chama de vadia...” – a irmã de Jesus abriu um sorriso aprovador para Abraham, lançando ao soldado um ‘joinha’ entusiasmado.

Jesus bateu na própria testa como se protestasse diante do atrevimento de sua irmã, e resmungou baixinho algo que poucos puderam ouvir:

“-Mil cairão ao teu lado, dez mil à tua direita. Mas tu, protegida das autoras, não serás atingida. – Paul Rovia disse, de leve irritadiço com a situação adversa – Mas a porra do irmão provavelmente ainda vai pagar por essa língua solta...”

“-Mas vou te dar uma dica, Morcego-pai**, faz logo essa maldita escolha, que ninguém aguenta mais esse suspense de ficar ameaçando as pessoas e só sete meses depois mostrar quem você matou, apesar de que as autoras nunca seriam capazes de fazer os leitores esperar por tanto tempo, mas é melhor prevenir do que remediar, e eu vou parar por aqui, antes que eu acabe levando um choque do trovão também.” – finalizou Maria, afoita pela vontade de concluir a sua prosa com o Salvador.

Negan foi rodeando o grupo, arrastando Lucille ao seu lado de modo a deixar que o taco desenhasse um rastro do caminho que fazia. Seus passos cessaram quando se viu defronte a Rick.

“-Vejo rostos tão promissores aqui... – o líder disse, seus lábios se contraindo numa linha reta como se refletisse – Não consigo me decidir, e Lucille parece ainda mais indecisa do que eu... – Negan apontou o taco em riste na direção do líder inimigo – Já sei... vamos deixar ao acaso, como na série! Uni... – o líder dos Salvadores avançou para o lado, apontando agora para Carl – ...Duni... – Lucille continuou avançando, impassível, a cada nova palavra proferida – ...Tê... Salamê... Minguê... Um sorvete... colorê... o escolhido... foi você... – Negan parou por um instante à frente de Rosita, logo retomando sua caminhada por entre o grupo de Grimes, Lucille ainda apontando para cada rosto, em ordem – Minha mãe... mandou... escolher... este daqui. Mas como sou teimoso... escolhi... este aqui! – Lucille parou em Glenn, o sorriso de Negan um pouco mais evidente quando se dirigiu especificamente ao jovem de traços orientais – Parece que você foi, de novo, o azarado da vez. Se alguém se mexer, se falarem alguma coisa, arranquem o outro olho do garoto e deem ‘pro pai comer. Você pode respirar, pode piscar, pode chorar, pode gritar. Caralho, todos vocês vão fazer isso!” – alertou, erguendo Lucille o mais alto que seus braços permitiam, já pronto para descer o primeiro golpe em Glenn quando duas vozes estridentes o interromperam, freando seu movimento quase completo.

“-CORTA!” – duas novas mulheres invadiram a cena aturdindo a todos com a repentina aparição, em especial o líder dos Salvadores, que ainda mantinha Lucille erguida a menos de meio caminho do alvo.

Arrriba, que notoriamente se evidenciava pelos atributos ciganos que a vestiam— um lenço de um vermelho vívido acobertando o longo cabelo, assim como o enorme brinco dourado que se destacava na orelha esquerda, acompanhava aquela que todos reconheceram como Beatrice, caminhando em ré ao lado da amiga, sendo possível vislumbrar apenas a tatuagem de asas que cobria boa parte de suas costas.

“-Para tudo! – Beatrice pôs as mãos na cintura, seu tom de voz denunciando a raiva que não era possível ver em seu rosto, já que se apresentava de costas para o público – Tudo errado! Essa era sua deixa, Maria Madalena, presta atenção!”

“-Exatamente. Você aí, toda avoada, quase deixa o coitado do Glenn morrer de novo!” – Arrriba ralhou, percebendo a irmã de Jesus encarar ambas as autoras com um ar perdido, de todo distraído.

“-Acho que acabei esquecendo minha fala... – a jovem loira se desculpou com um sorriso arteiro, revezando o olhar azul entre suas duas criadoras – O que vinha agora mesmo?”

“-Você tinha que falar da cura, menina... De preferência antes que o complexado aí mate alguém importante...” – foi Beatrice quem respondeu, no limite de sua paciência.

“-Usar a cura como moeda de troca com o Negan, lembra? – Arrriba complementou, o entendimento iluminando os traços da jovem loira – Porra, Madalena, presta atenção! A gente rala ‘pra escrever essa história do jeitinho certo e você quase fode com tudo porque se distrai do roteiro?”

“-Não vai se repetir, meninas, prometo!” – Maria garantiu, parecendo retomar o foco.

“-Moeda de troca? – Negan questionou, incrédulo – Sinto muito, mas isso não vai acontecer. Eu vou deixar minha marca no grupo do Rick, vocês querendo ou não. Já perdi mais homens do que posso aturar por causa desses filhos da puta...”

“-Você acha que manda alguma coisa aqui, né? – Beatrice soltou um riso agradado – Arrriba, repete aquela ordem ‘pro Negan que você, para variar, disse alto ‘pra cacete na praça de alimentação, conseguindo espantar a senhora que almoçava com seu filhinho pequeno...”

“-Com muito gosto, sócia! – a outra autora concordou, um sorriso faceiro elevando as maçãs do rosto cigano – Faz um strip-tease aí, seu puto. Quero ver você levantando a blusa bem devagar com o cabo da Lucille enquanto dá uma boa rebolada! E não esquece de sensualizar bastante.” – ordenou, e para o enorme desgosto de Negan, se viu obrigado a acatar aquele comando sem conseguir controlar os próprios movimentos, sequer conseguindo contestar. A extremidade sem o arame do bastão se fincou na barra da camisa, fazendo com que ela se erguesse em movimentos lascivos, expondo boa parte de seu abdômen enquanto o quadril desenhava movimentos giratórios num rebolar sensual.

“-Já deu, cara, já deu. A faixa etária, lembra? – recordou, e no mesmo instante Negan parou com aquela exibição de seu corpo, pela primeira vez furioso – Bom menino! Pena que estou de costas e não vi nada...” – reclamou Beatrice, honesta naquela frustração.

“-Culpa sua que escolheu essa foto de perfil... – Arrriba disse distraidamente, já pronta para deixar a cena – Mas não se preocupa, colega, eu gravei tudo e já mandei ‘pro grupo de whatsapp da fanfic...” – a autora sorriu, sustentando bem o ódio no olhar de Negan.

“-Boa, sócia! É isso aí, galera, estão indo bem! Se posicionem mais uma vez nos seus lugares e vamos retomar a cena com a Maria Madalena interrompendo a morte do pouco-olho! – a autora ergueu o polegar na direção de Rhee, empolgada – Claquete...” – Beatrice já ia começar a retomar a cena, porém Arrriba a interrompeu.

“-Só mais uma coisinha, minha cara! – avisou a companheira de escrita, que logo se pôs à frente de Negan e o esbofeteou com força, o longo brinco dourado tilintando com o movimento – Isso é por você ser tão idiota o tempo todo!” – esclareceu, saindo do meio da cena.

“-Eu bem que queria dar uma dessas também, mas de costas fica complicado... Bom, já que estamos pondo as cartas na mesa... Daryl, tá muito feio isso. Nós duas te demos um crush de mão beijada, você nem precisa se esforçar em nada que a Madalena já toma todas as iniciativas sozinha, então não tem desculpa! Arrriba e eu conversamos bastante sobre isso e chegamos à conclusão que, se você não começar a se ajudar na vida amorosa, a gente vai divulgar ‘pra todo mundo aqui aquela merda de filme que você estrelou em 2008, o Red Canyon... – deu o ultimato, o caipira empalidecendo e estancando no mesmo segundo em que se fez a menção daquele roteiro trágico que ele protagonizara e que, todos ali sabiam, daria de tudo para apagar de seu currículo. As duas por fim saíram de cena, porém Beatrice ainda foi capaz de dar seu último recado: – Presta atenção agora, Madalena!”

“-Fiquem tranquilas, chefas, dessa vez não tem erro! E valeu pela ajuda com o tio da besta, acho que ele ‘tava mesmo precisando de um empurrãozinho extra – a loira piscou, esperando que a atuação retornasse à normalidade. Quando Negan mais uma vez ergueu Lucille contra Glenn já retomando a cena, a garota se manifestou como já era o aguardado – ESPERA!”

O líder dos Salvadores fechou os olhos com força, deixando que o bastão caísse ao seu lado antes de encará-la com os olhos infestados de aborrecimento.

“-Pensei que tinha sido bem claro sobre o que faria caso houvesse alguma interrupção...”

“-Bom, ninguém se importa com o outro olho do Carl, verdade seja dita, mas com o Glenn, aí a coisa muda de figura. Por isso que eu tenho uma proposta irrecusável. Mas antes, preciso dizer, que beleza de strip-tease, hein! Se você não fosse tão repulsivo nesse papel, eu pegava! Moço bonito... Moço formoso... Moço bem feito! – provocou, ciente de que possuía o salvo conduto de suas criadoras tão gente boa – A questão é... Eu criei uma cura à infecção zumbi, e eu estou disposta a dividi-la com você se deixar que o grupo siga seu rumo em paz. Posso até considerar conversar com seu médico e dar as diretrizes básicas do projeto, se permitir que esses tontos passem ilesos.”

“-Você criou uma cura?” – Negan questionou, a descrença fazendo com que seu sorriso mais uma vez se erguesse, dessa vez um tanto cético.

“-A gente até pode voltar ‘pro estágio de negação, mas eu particularmente já me cansei dessa fase... Aliás, pensei que você tinha dito que lê o roteiro...”

“-Li, de fato. Mas ainda assim é difícil acreditar, pensei que fosse erro de digitação... – argumentou, debochado – O que te faz pensar que eu não posso roubar essa cura e matar todos vocês em seguida?”

“-NÃO VAI TER GOLPE!” – Madalena gritou, descompensada. Paul Rovia encarou a irmã com certa surpresa antes de se manifestar:

“-País errado, Maria... Até porque, já teve golpe faz tempo...”

“-Tem razão, Jesus, me empolguei aqui... A questão, senhor Winchester, é que nós dois sabemos que isso não vai acontecer. Minha cura tem todo um processo complexo de aplicação, você nem saberia por onde começar a usar sem minha ajuda, e eu só contribuo se ninguém perder a cabeça hoje. – Maria Madalena se levantou, agora a única na conformação do grupo de Rick Grimes que não se ajoelhava perante o líder dos Salvadores – E convenhamos, as autoras jamais deixariam você me Lucillizar...” – sorriu, convencida.

“-Cuidado, Madalena!” – Jesus alertou, descontente por vê-la se aproximar do líder dos Salvadores naquela postura ousada.

“-Não se preocupe, Jesus! Nesses tempos sombrios, podemos tudo, fora temer*** – continuou caminhando até Negan, sem desviar o contato visual de seus orbes perigosos – O que me diz, senhor Winchester? É o melhor acordo que você vai conseguir nessa fanfic, 'cê sabe bem que as autoras não vão muito com a tua fuça.”

A jovem loira estendeu a mão direita, tentando selar o pacto com o diabo num aperto formal. Negan lhe dispensou um sorriso fechado, tornando suas covinhas ainda mais pronunciadas quando umedeceu os lábios com a língua.

“-Ainda é cedo para dizer, bonequinha. Primeiro, preciso saber se essa droga realmente funciona... – o líder fez sinal para que um de seus capangas trouxesse até eles um errante – Vou deixar que você escolha qual dos seus vai infectar, e só se conseguir reverter os efeitos da mordida posso cogitar conversar sobre sua oferta...”

“-Acho justo, John! Posso te chamar de John? – olhou-o com dúvida, não esperando pela resposta – Claro que posso... Deixa eu ver quem eu escolho...” – Maria Madalena andou por entre o grupo, parando pensativa na frente de Jesus, como se cogitasse seriamente aquela opção.

“-Sério, Madalena?” – Paul reclamou, indignado.

Ela se afastou, voltando a encarar Negan depois que completou a caminhada por todos os moradores de Alexandria.

“-Eu não consigo me decidir... – anunciou, fitando o bastão que descansava sobre o ombro do homem – Me empresta esse taco aí, tio! ‘Tô a fim de fazer um uni-duni-tê com esses babacas também...”

Negan sorriu largamente, passando Lucille para a garota quando a alcançou com suas passadas lentas. Um zumbi, já contido pelos Salvadores, rugia numa reclamação esfomeada, tentando lançar mordidas em cima dos vivos de sua bocarra decomposta.

“-Nossa, eu tenho que admitir, a Lucille tem uma pegada interessante... – Madalena agitou-a no ar, quase acertando a cabeça de Daryl, que apenas a fitou com irritação. A mulher se colocou ao lado de Negan, segurando o bastão na altura da pélvis masculina e prestando atenção no líder dos Salvadores – Deixa eu aproveitar o momento ‘pra tirar uma dúvida antiga a limpo... Você ‘tá tentando compensar alguma coisa com esse taco? – Negan apenas a fitou com impaciência, e logo a loira apontou com o bastão para Eugene, seus traços parecendo reflexivos – Você que é esperto, explica aí essa fissura que o senhor Winchester tem por objetos fálicos espinhosos...”

Porter se empertigou, logo elaborando uma explicação àquele questionamento.

“-Existe algo de similar na natureza. Felinos possuem espículas no órgão sexual para que, no momento do acasalamento, a fêmea tenha o estímulo mecânico de ovular. – iniciou, olhando com algum receio para o líder dos Salvadores antes de retomar o discurso – Essa obsessão pela Lucille pode indicar uma necessidade óbvia de se sentir o alfa dominador. As fêmeas felinas sempre tentam escapar da cópula pela dor que o ato proporciona, contudo os machos as mantêm contidas e as estupram****, algo que Negan compreende bem.”

“-Isso explica essa síndrome de Rei da Selva do cara... – Madalena voltou sua atenção ao grupo ajoelhado, dando início à sua escolha. – Vamos começar logo essa porra que já tem palavra ‘pra cacete aqui!” – respirou fundo, começando a apontar Lucille para Carl, e imitando Negan ao recitar o uni-duni-tê como uma forma de definir quem seria o escolhido para comprovar a eficácia de sua cura.

Lucille apontou por último para o soldado ruivo, que sequer alterou sua expressão ao perceber que fora o indicado a servir de cobaia da garota louca, seus traços bem angulosos agora incisivos, assim como os olhos que tinham a loira por alvo.

“-Pode confiar em mim, Caruso! Minha cura funciona que é uma beleza, você vai ver! Olha aqui – ela apontou para a própria cicatriz naquele formato típico de mordida –, eu fui salva pela minha própria cura e estou absolutamente normal, vê?”

Abraham levantou-se, bufando de forma escandalosa.

“-Estou fodido... – olhou para Sasha, como se implorasse – Se eu começar a ficar assim, enfia logo uma bala bem no meio da minha cara – pediu, voltando o olhar corajoso para Madalena – Vamos acabar logo com essa porra!”

“-Tragam o defunto... – a garota demandou, abrindo espaço para os Salvadores que vinham guiando o passo trôpego do errante, este se lançando com avidez em direção às carnes saudáveis que o rodeavam. Madalena franziu o cenho, apenas agora percebendo a presença de dois adolescentes sentados à margem da estrada e dividindo um petisco que lhe pareceu pipoca – Chris e Greg? Não é por nada não, mas acho que vocês vieram parar no seriado errado...”

O rapaz negro parou a mão cheia de pipoca a meio caminho da boca, parecendo constrangido ao se ver como o centro das atenções.

“-Na época em que estudávamos na Corleone, ele fazia bullying pesado com a gente... – Chris Rock avisou, encarando a versão adulta do Caruso – Não dava ‘pra perder essa visão, podem continuar!” – pediu, com a aprovação entusiasmada de Greg.

“-Sim, continuem! Essa foi a melhor coisa que fizeram por mim depois que minha mãe se recusou a me dar ‘pra doação.” – Greg complementou, ansioso pelo revide que em breve presenciaria.

“-Então ‘tá... – Madalena voltou sua atenção a Abraham, erguendo o braço esquerdo do soldado de modo a aproximá-lo do morto faminto – Isso vai doer ‘pra caralho, mas vai ser bem melhor do que a Lucille no meio da sua cara, pode me agradecer depois!”

O braço do soldado ficou bem à frente dos dentes podres do caminhante, que sôfrego se lançou para o ruivo, o terrível hálito se disseminando pelo ambiente como um alerta de sua fome insaciável. Munido de uma resistência incrível, o homem apenas estremeceu de leve quando foi atingido pela mordida faminta, que facilmente arrancaria um naco de sua pele e músculo caso se prolongasse.

O zumbi foi abatido por Madalena com a própria Lucille, antes que o estrago em Abraham fosse muito grande. A pele pendia um pouco do bíceps do soldado, semi-arrancada, quando o corpo podre despencou, o crânio macerado pela violência do golpe.

Abraham passou a segurar a ferida, sentindo o próprio sangue verter por entre os grossos dedos.

“-Viram? Mordido! – Madalena ilustrou, sua voz agora cheia de pressa – Jesus, pega minha mochila no trailer!” – pediu, já afobada com o suor abundante que via se formar sobre a testa do ruivo.

“-Ninguém sai daqui” – Negan avisou de forma irredutível.

“-Então temos um problema, senhor Winchester, porque todas as etapas da cura estão lá!”

“-Simon, vá buscar essa mochila... – o líder dos Salvadores sorriu, averiguando a feia ferida no braço de Abraham como se quisesse se certificar de sua idoneidade – Embora eu ache que isso vai ser um puta desperdício de tempo.”

Simon, o Salvador de bigode farto, acatou a ordem de imediato, entrando no veículo em busca do objeto. Jogou três mochilas pela porta amassada do trailer, sem saber qual era a certa. Madalena logo foi em direção a uma preta com acolchoado nas alças, levando-a com rapidez até o soldado que arfava de dor. A jovem fez menção de abri-la, porém Negan afastou a mochila, ele mesmo deslizando o zíper e olhando o conteúdo todo abarrotado lá dentro.

“-Eu faço isso, bonequinha! – sorriu, esperando pelas instruções – Do que você precisa?”

“-No bolso de fora tem uns saquinhos com sal dentro. Passa um deles ‘pra cá, John!”

Assoviando, o líder dos Salvadores trabalhava devagar, para a profunda irritação de Madalena parecendo pouco disposto a acelerar aquele serviço, querendo deixar que o soldado fosse exposto ao máximo à infecção. Ele abriu um dos diminutos pacotes, se certificando de seu conteúdo ao prová-lo e analisar sua textura, de leve decepcionado quando aferiu tratar-se mesmo de sal de cozinha. Em seguida jogou outro saco fechado para a garota, que não tardou a abri-lo e despejar boa parte de seu conteúdo dentro da boca de Abraham, que imediatamente esboçou uma leve careta descontente.

“-Sonífero. Tem uns potes estilo Hidrocodona-do-Gregory-House aí dentro, e se não for pedir muito, tenta agilizar isso aí, colega! Aproveita também e já vai pegando minha arma de choque, vou precisar dela o mais rápido possível!”

Com um sorriso indisciplinado, Negan deu o sonífero que a garota pedira, sem se incomodar em momento algum com a visível pressa da jovem. Segurou a arma com firmeza, estudando-a sem muito interesse enquanto Madalena punha logo dois comprimidos dentro da boca do soldado.

“-Mastiga – ela ordenou ao ruivo –, o efeito é mais rápido! – a loira avisou, já preparada para usar o taser, apenas aguardando que o robusto homem fosse levado pelo torpor do medicamento. Em alguns minutos de espera, Abraham já titubeava o corpo, cambaleante até que perdesse o controle dos movimentos mais refinados. Ele caiu sentado, o olhar perdendo o foco antes que adormecesse. Madalena tratou de atingi-lo com choques, freando Rosita quando ela veio na direção do ruivo, tentando intervir – Sossega aí, chica. Ele vai ficar bem. – ela voltou a encarar Negan, já estendendo a mão em sua direção – Me passa uma das seringas, e tenta lesmar menos.”

“-A palavra mágica?” – Negan troçou, já segurando uma das seringas repleta de um líquido desconhecido, feliz em proporcionar o desagrado à menina insolente.

“-Accio? Olha, cara, esse lance de palavra mágica não funcionou muito bem comigo, não lembra que no capítulo passado tentei usar minha varinha e nada...? Agora me dá isso aqui!” – Madalena pegou por si mesma a seringa, aplicando o misterioso conteúdo nas proximidades da mordida, respeitando as camadas afetadas, em seguida limpando a ferida e passando uma bandagem sobre ela para isolar o ferimento de outras infecções.

“-O que tem aí?” – o líder dos Salvadores questionou, mostrando um interesse inconveniente a respeito do procedimento.

“-O Elemento X das meninas superpoderosas...” – Madalena debochou, em nada disposta a responder aquela pergunta que daria ao homem o único ingrediente que poderia manter-se secreto.

“-Como esses procedimentos funcionam?” – Eugene inquiriu, curioso.

“-Meu filho, essa cura é um spin-off da fanfic da Beatrice, lê lá que já ‘tá tudo explicadinho!” – Madalena pousou Lucille no ombro esquerdo, já totalmente familiarizada com aquele peso.

“-E se for uma mordida fatal?” – Dwight indagou, assim como todos, impressionado por imaginar que não precisariam mais perder quem amavam para aquela infecção maldita. Que podiam, com isso, até mesmo almejar erradicar a doença algum dia.

“-Isso aqui é um antídoto, meu filho, não uma poção milagrosa do Wolverine...” – Madalena virou com tudo na direção do Salvador, usando os pés como eixo para girar o corpo e encarar Dwight. Durante a execução daquele movimento, contudo, percebeu que a extremidade farpada do bastão se chocara com algo extremamente duro, e quando voltou o rosto para o local em que sentira o choque, percebeu que o líder dos Salvadores fora atingido pela brusquidão de seu movimento, o homem agora caído, parecendo desfalecido em meio ao sangue que começava a se espalhar ao redor de sua cabeça – Ih, gente, matei Negan... – olhou surpresa para o corpo desfalecido ao seu lado, segurando Lucille com mais força enquanto estudava a expressão inconsciente do homem – Acho que morreu, mas, de qualquer forma, é sempre melhor garantir, né...” – refletiu, golpeando o líder dos Salvadores mais algumas vezes, agora acertando a têmpora que não tardou a se ensanguentar.

Os Salvadores se recuperaram do momentâneo choque de ver seu líder ser abatido daquela forma tão estúpida, quase cômica, já apontando suas armas em direção ao grupo de Grimes, afoitos por matar todos. Sasha e Rosita imediatamente conduziram Abraham – ainda sob o efeito do sonífero – para trás do trailer, onde todos do grupo passaram a se abrigar. Madalena, antes de se proteger com os outros, ainda conseguiu arrastar duas das mochilas jogadas no chão, distribuindo armas aos companheiros.

“-Humanos tolos... – Loki reclamou, saindo de sua pose de observador – Jamais deveria ter abandonado meu posto privilegiado em Orlög por esta lamentável demonstração de amadorismo” – o deus nórdico saiu de cena, elegante mesmo com o súbito conflito instaurado.

“-Eles são muitos!” – Glenn atestou, pegando às pressas o revólver oferecido pela loira e já se preparando para revidar os tiros cada vez mais próximos, atingindo a lataria como uma promessa de vingança.

“-Podem ser, mas sem o líder ficam desestabilizados!” – o xerife disse, também parecendo a mil com aquele embate não programado.

“-Esses putos vão começar a nos cercar... – Daryl avisou, percebendo o padrão de como os oponentes se organizavam – Temos que agir, ou ficamos encurralados.”

“-O tio da besta tem razão! Não podemos marcar bobeira aqui, estamos numa emboscada. Eu só vejo um jeito de sairmos vivos disso... – ela novamente ergueu a varinha, apontando para os inimigos – BOMBARDA! – Madalena gritou, no mesmo instante presenciando uma estrondosa explosão atingir os Salvadores, calando de imediato os tiros dos oponentes – Ah, finalmente funcionou! – a irmã de Jesus olhou para a varinha com orgulho – Ninguém aqui dava porra nenhuma por mim, e olha só... Matei o Negan e de quebra ainda explodi a porra toda...”

“-Não exatamente...” – Carol Peletier disse, surgindo entre eles de forma um tanto soturna.

“-Carol!” – Grimes a cumprimentou com evidente alívio, grato por aquela presença.

“-Bem que eu disse que ela sempre salva nossa pele quando tudo parece perdido!” – Glenn Rhee sorriu em agradecimento para a amiga, permitindo-se relaxar com aquele acolhedor sentimento de se perceber a salvo.

“-Era para eu ter matado o Negan há algum tempo, mas algum imbecil ficou se colocando na frente dele e eu não pude atirar...” – Carol divulgou, e todos olharam de forma repreensora para Maria Madalena, a responsável por alertar Negan da mira do sniper.

“-Ah, gente, sem ressentimentos, né... Já passou, e no fim levamos a melhor!” – a irmã de Jesus argumentou, feliz por estarem todos bem.

“-É... – Rick Grimes foi obrigado a concordar – Querendo ou não, foi nosso dia de sorte!” – comentou, ganhando olhares de censura do arqueiro, que já provara o quanto aquele comentário poderia ser enganoso.


Notas Finais


*Harvey Dent e Dwight são muito duas-caras ;D
**Jeffrey Dean Morgan interpretou Thomas Wayne em Batman vs Superman
***HÁ! Sacaram? "fora temer"? =P
****Verdade, gente, muito triste isso :( Pobres gatinhas!

As propagandas aí foram necessárias, haushaush! Caso queiram conhecer a teoria da cura que foi mostrada aqui, recomendamos que leiam a fanfic (A Cura), que tem uma teoria fantástica para explicar todos os procedimentos descritos, inclusive especifica o que é o tal do "Elemento X" que a Madalena não quis contar xD

https:// spiritfanfics.com/historia/a-cura-5285547

Beijos, suas lindas! Esperamos de verdade que tenham gostado! ;*


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