História Mariana - Capítulo 1


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Categorias Originais
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Palavras 1.131
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sci-Fi, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Uma produção VilminhaCraft.

Capítulo 1 - Mariana


O DIA

 

Está chovendo e odeio isso. Não o fenômeno, são as consequências que ele traz. Mas isso não vai me impedir hoje. Se isso é um sinal de Deus para não continuar, Ele vai precisar se esforçar mais. Esperei muito por esse dia e acho que até agora tudo valendo o esforço. Estou usando meu melhor vestido e claro que ele vem acompanhado com enchimento suficiente para estofar um sofá inteiro, pode ser meio exagerado, porém, julguei necessário para a ocasião. Primeira impressão é tudo que fica, mesmo que eu já conheça todos eles.

O trânsito quase não anda, entretanto, parece bem organizado. As pessoas provavelmente já se acostumaram com essa rotina cansativa, mas fico feliz por esse atraso. Isso me deu tempo de observar a paisagem do lado de fora. A “selva de pedra”, como alguns chamam os centros das grandes cidades, realmente impressiona e faz jus ao nome, os poucos pontos onde existem árvores e outros vegetais de alguma forma não se parecem nem um pouco naturais. É visível que cada planta foi cuidadosamente escolhida para aquele lugar, deixando uma aura artificial bem clara. Não me lembro de que ano as plantas começaram a ser apenas decoração e não algo necessário para sobrevivência humana. As máquinas que filtram o ar são silenciosas, mesmo assim, se prestar bastante atenção nos pontos certos, pode conseguir enxergar os dutos espalhados pela cidade.

É isso que estava procurando quando o vejo. Não reconheço imediatamente. O tempo parece ter caído pesadamente sobre seus ombros, mas há mais que isso. Sua aparência mudou bastante e não só de uma forma natural. É evidente que ainda usa ou usava algum tipo de narcótico. As olheiras debaixo de seus olhos são tão escuras e marcadas que parecia ter passado um lápis de olho, em geral, todo seu rosto tem marcas escuras e contornos bem marcados. Não consigo ver seus dentes, porém, tenho quase certeza que eles seriam amarelos pelo uso excessivo de cigarro, julgando que agora mesmo está com um entre os dedos.

Essa mudança não acontece de uma hora para a outra. Existem sinais alertando isso aos outros, mesmo que seja subconsciente. E nós, o grupo, ignoramos qualquer um que ele possa ter nos dado. Talvez pensássemos que estávamos sendo paranoicos ou que fosse uma fase e logo passaria, mas tenho certeza que não é a verdade. Alguns podem discordar, entretanto, a verdade é bem mais simples que parece. Não vemos os sinais porque não queríamos ver. Amizade é como uma vizinhança. Os melhores vizinhos não são aqueles que tentam saber os problemas que acontecem na sua casa. Eles são aqueles que percebem que existem coisas erradas acontecendo e ignoram. Isso porque a maioria das pessoas confia apenas em si mesma e não querem contar coisas que possam ser usadas contra elas. É realmente a maneira mais simples para evitar ser magoado.

– Está tudo bem, querida? – o motorista deve ter reparado minha expressão, que por sinal está tão alarmada ao ponto de chamar atenção dele mesmo do banco da frente.

– Claro. Só pensei ter visto alguém que conhecia. – sei que não foi só um pensamento. É ele e não tenho dúvida quanto isso, mas um total desconhecido não precisa saber disso. A ignorância às vezes traz mais felicidade que o conhecimento.

Pensando melhor, ver ele é uma coisa boa. Significa que vai ao evento e tudo seguirá como planejado. Incluindo o outro encontro que terei lá. Eu sei que não é totalmente certo da minha parte, mas não estou infringindo nenhuma lei ao marcar outra coisa no mesmo dia, aliás, no mesmo local. O evento será longo o suficiente para conseguir fazer tudo que eu quero, garanto. Ainda aposto mais alto que isso. Provavelmente poderei ficar um bom tempo sem precisar fazer nada, enfim descansando.

– Se o trânsito colaborar, chegaremos logo no endereço. – o motorista sabe que provavelmente o trânsito não vai começar a se desfazer sem motivos, mas ele só diz isso para poder me olhar pelo espelho. Não exatamente para mim. Seus olhos descem meu pescoço e não é preciso ser vidente para imaginar onde ele está encarando.

Estamos quase chegando. Isso significa que também está quase na hora de fazer aquilo. Não é algo que me orgulhe e não é nem um pouco agradável. Os fins justificam os meios, muitos dizem isso. Espero que seja verdade ou perderei qualquer dignidade que ainda me resta sem ser recompensada. Não é difícil, é só imaginar que estou me observando como em um filme e que aquele corpo não me pertence. Talvez como um fantasma, isso sim faz mais sentido, por incrível que pareça. Quase não me dou conta, mas já comecei a primeira parte da minha atuação.

– Deve ser bem chato ficar dirigindo por essas ruas o dia inteiro. Sua mulher deve te recompensar bastante quando chega. – pelo jeito que ele olha para mim desde que entrei no táxi é claro que isso não acontece, entretanto, é preciso parecer inocente o suficiente para tudo seguir como planejado.

– Ela deveria fazer isso, mas só sabe reclamar e reclamar. Você não fez isso, você não comprou aquilo, você bláblá... – o trânsito está tão congestionado que ele passa o tempo todo me olhando pelo espelho e isso é exatamente do que preciso agora. – Às vezes eu só queria tomar uma cerveja e ter umas intimidades com ela, sabe...

Concordo com a cabeça a cada exemplo de como sua mulher é uma megera que ele dá, esperando a hora certa de atacar. Enquanto ele ainda fala, “procuro” desesperadamente dentro da minha bolsa em busca de absolutamente nada. Esse ogro é mais lerdo que eu esperava, preciso continuar nesse fingimento por um bom tempo até ver que tirou os olhos dos meus peitos e consegue ver minha expressão de desespero. Com isso, o primeiro passo já foi. A partir de agora é só começar a improvisar e tudo sairá bem. Inclino-me para procurar no chão do carro, passando a mão por tudo que vejo pela frente, mas acho que já é o suficiente.

– Não sei como isso foi acontecer, mas p-perdi o meu cartão. – talvez gaguejar tenha sido demais, porém, é bom correr riscos. Olho para o taxímetro com uma cara de horror antes de encarar os olhos dele, tendo o timing perfeito para meus olhos já estarem marejados. Inclino o corpo para frente, o suficiente para sentir a respiração dele se tornando mais forte de empolgação. – Tem certeza que não há nada que possa fazer como pagamento?

– Claro, querida. Vamos dar um jeito nisso com toda certeza. – o cavaleiro logo se foi para dar lugar ao porco nojento, que já está com uma das mãos na calça. O trânsito não parece andar e não parece que vai melhorar por muito tempo. Vai ser uma longa viagem. Muito longa.

 



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