História Marotos - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Lílian Evans, Pedro Pettigrew, Remo Lupin, Sirius Black, Tiago Potter
Tags Harry Potter, Lilían Evans, Marotos, Remo Lupim, Sirius Black, Tiago Potter
Visualizações 12
Palavras 4.329
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Uma recepção a lá marotos


Na cabine de alguns jovens, pequenos e indefesos calouros de Hogwarts, todos dormiam ao balanço do trem. O silêncio era pleno, exceto pelo ressonar suave do trio que já trajava o uniforme da escola. 
Eram três garotos de onze anos de idade, fazendo sua primeira viagem naquela charmosa locomotiva vermelha, que reluzia à luz da tímida claridade daquele entardecer.
Dois deles estavam estirados, adormecido sobre os bancos da cabine, enquanto o terceiro mantinha-se recostado no vidro da janela, sentando com a boca escancarada.

A noite estava caindo, lentamente jogando seu manto negro sobre o céu. Estrelas reluzentes já começavam a pontilhar a imensidão, enquanto o verde dos campos enfeitava as janelas do trem, como que pinturas impecavelmente molduradas.
Tudo estava serenamente calmo e parecia que nada poderia estragar aquela tranqüila viajem. Simplesmente nada, até que... 

-BAAAAMMM!!!

Bem, isso deu um grande trabalho aos monitores. A explosão produziu um barulho muito alto que assustou metade dos passageiros do trem. Veio da cabine daquele passivo trio de calouros, de onde uma fumaça fétida escapulia pela porta aberta.
Os garotos, que á um minuto atrás estavam a dormir tranqüilamente, saíram correndo do aposento, apavorados. 

A explosão que provocou um estardalhaço no trem aquela dia, sete de setembro, deixou os pequenos calouros com a aparência de verdadeiros sereianos.
Seus cabelos estavam longos e esverdeados, a pele viscosa contendo escamas e o mais inquietante: eles agora tinham [i]guelras[/i].

Alunos veteranos gargalhavam apontando para as crianças que choravam segurando seus cabelos verdes. Monitores tentavam desesperadamente acalmar a situação, utilizando-se de uma autoridade magistral que na realidade não possuíam. Um amontoado de passageiros se formava ao redor das três crianças, tentando passar informações uns aos outros sobre o ocorrido. Corujas piavam, sapos fugiam, gente correndo... Enfim. Tudo era babel.

Mas certa monitora chefe, ruiva dotada de olhos extremamente verdes, sabia exatamente o nome daquele estardalhaço todo. Ou melhor, sabia de cor o nome completo dos responsáveis. Se bem que não poderia levar muito crédito por isso, já que por todo aquele corredor apenas duas palavras corria de boca em boca: Potter e Black.

Imediatamente a garota dos olhos verdes e traje impecável abandonou aquela bagunça de vozes e risos. Lutando contra o mar de pessoas, saiu furiosa a procura da cabine dos colegas grifinórios. Olhava ansiosa pelas portas, mas a maioria das cabines parecia estar vazia. 
Porém, quando chegou ao fim do corredor, longe da movimentação causada pelo feitiço de explosão contra os calouros, Lílian pode entreouvir vozes masculinas em um tom que remetia ao escárnio. Escancarou a porta sem delicadeza alguma e fechou a cara ao encontrar a seguinte cena: Sirius Black e Tiago Potter gargalhavam compulsivamente, com as feições já escarlates, enquanto Pedro Pettigrew balbuciava alguma coisa, sorrindo empolgado com os lábios sujos de chocolate. 

- POTTER E BLACK! – a garota adentrou no recinto, cruzando os braços, zangada. 

Os três rapazes, ainda inevitavelmente risonhos, olharam para a porta. Cada um era um exemplo exclusivo da juventude da época. Um deles, sentado sozinho ao lado de uma pilha de doces, tinha cabelos claros e bochechas rechonchudas. Era o típico adolescente que tendia a obesidade e dentro de alguns anos seu porte grande viria a resultar em uma enorme pança nada atlética.
Seus dois acompanhantes sentavam-se lado a lado, de frente a ele. Um estava debruçado para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, mas ao ver a ruiva ali parada, endireitou-se no assento, jogando os cabelos para trás com um gesto charmoso de cabeça. Este era Sirius, que arqueou as sobrancelhas com pouco caso e displicente, roubou o sapo de chocolate que Pedro começava abrir.

- Evans! – Tiago, o rapaz de óculos ao lado de Sirius, exclamou sorrindo surpreso, passando a mão pelos cabelos revoltos. - Já estava sentindo falta de ouvi-la gritar meu nome. – virou-se para os amigos, ajeitando o casaco de modo convencido.

Pedro, o das bochechas rechonchudas, imediatamente soltou uma risada esganiçada, voltando a procurar uma caixa de feijõezinhos de todos os sabores dentro de sua mochila surrada. Quando finalmente a encontrou, tirou alguns doces e fechando-a novamente, atirou-a para Tiago que prontamente a apanhou no ar, exibindo com gosto suas habilidades como apanhador.

-Como foi seu verão, ‘Lírio’? O meu foi realmente incrível. – o garoto voltou a encará-la, servindo-se de um feijãozinho colorido.

- Não posso dizer o mesmo. – a jovem respondeu secamente. 

- Vai ficar aí parada como um dois de paus? – Pedro indagou com a boca cheia, provocando uma curta risada de Sirius.

Este, por sua vez, parecia muito concentrado em seu sapo de chocolate roubado. Analisava-o calmamente antes de cada mordida e essa demora para comer estava resultando no derretimento do chocolate, lambuzando seus dedos, mas ele não parecia incomodado com o fato.

Já Tiago, pelo contrario, não desviou seus olhos da menina recém chegada. Discretamente analisava-a de cima a baixo, procurando possíveis mudanças ocorridas durante as férias. Notou que ela estava um pouco diferente, mas não sabia exatamente no que. Talvez mais alta, talvez com os cabelos mais longos, mas isso de fato não importava. O interessante é que ainda estava linda e ele deu um largo sorriso ao chegar a esta conclusão. 

-Tratem de ir agora desfazer o feitiço que lançaram naqueles calouros ou pessoalmente cuidarei de certas detenções. – a ruiva disse ignorando a indelicadeza de Pettigrew. 

-Não me diga que... –Sirius balbuciou meio perplexo, lambendo os resquícios de chocolate em seus dedos. Deceu os olhos para o distintivo que reluzia nas vestes da garota e franziu o cenho. 

- Monitora chefe. A miss popular agora é monitora chefe. – Pedro bateu com a mão na própria testa.

- Exato, Pettigrew. Surpresa mesmo seria se você fosse escolhido para o cargo. – a garota descontou com pouco caso e virou-se novamente para os outros dois. - Se vocês não forem AGORA fazer o que eu mandei, já vão começar o ano com uma detenção. 

- Como se nós já não estivéssemos acostumados. - Sirius ironizou com uma careta. 

- Eu mencionei os pontos a menos para grifinória? – Lily coçou o queixo fingidamente.

- Nem pensar. – Tiago protestou indignado. -Isso é golpe baixo. - ergueu um dedo em direção a jovem. 

-Que seja. – ela deu de ombros parecendo não se importar. – Quero o feitiço desfeito ou seremos bons candidatos a perder o campeonato da taça das casas. – ela sorriu, sendo intencionalmente irritante.

Tiago se ergueu cerrando os punhos, com o semblante sério. Encarava a ruiva e ela a ele como em um duelo mudo, medindo forças. Sirius simplesmente deu de ombros (“Eles que se matem.”) e de novo roubou um sapo de chocolate que Pedro tencionava comer. 
Mas naquele instante, enquanto a tensão pairava entre os dois jovens de pé e Pedro reclamava indignado com Sirius, a porta da cabine se abriu, interrompendo a resposta petulante que Tiago pretendia dirigir à ruiva. Todos olharam para fora da cabine e assistiram um garoto de cabelos castanhos e aparência tímida adentrar na cabine. 
Ele fechou a porta e quando se virou, estancou bem em frente a ruivinha de olhar irritado.

- Hm, Lily? – indagou levemente surpreso. – O que faz aqui?

Antes que a bruxa tivesse a chance de responder, Tiago adiantou-se ficando á seu lado e passou um braço por seus ombros. A garota ficou rígida ante aquele contato repentino e o mirou desconfiada pelo canto dos olhos.

- Veio me ver, Remo. Não está obvio? – Potter sorriu para o amigo enquanto Lílian se desvilhenciava do braço do rapaz, rolando os olhos para cima.

- Vim para que eles desfaçam aquele feitiço idiota que lançaram nos calouros. – ela corrigiu enfática.

-É, isso também. – Tiago deu de ombros enfiando as mãos nos bolsos da calça. 

Remo deu uma curta risada, balançando a cabeça negativamente. Fechou a porta atrás de si e passou pelo casal de pé, indo sentar-se ao lado da pilha de doces próxima a Pedro. Disse com serenidade, apanhando uma bala redonda de embalagem brilhante:

- Sem problemas, Lily. O feitiço já foi desfeito, os garotos estão bem.

-Não interessa, Remo. Temos que dar detenções a esses dois. – ela indicou Potter e Black com um gesto de cabeça. - Afinal, foram eles que provocaram todo aquele tumulto.

-Creio que não seja necessário. - Lupin argumentou timidamente, colocando a bala na boca para não ter de encarar a colega. - O mal já foi desfeito. E em todo caso, Sirius e Tiago não passam de suspeitos.

Sirius não pode deixar de lançar um largo sorriso a ruiva, exclamando cinicamente:

-Ouviu o que seu colega de monitoria disse, Evans?

A garota sabia que não adiantava discutir. Remo, o fiel escudeiro de Black e Potter, nunca os trairia e isso levava a crer que aquela discussão seria inútil e desnecessariamente cansativa. Portanto ela o encarou, decepcionada, e sem mais saiu ventando da cabine. Pode ouvir enquanto se afastava com os punhos cerrados:

-Até mais, ruivinha.

-É EVANS, POTTER. EVANS!- Ela gritou sem se virar e adentrou em outra cabine, sumindo de vista. 

- Como ela é estressada, não?- Tiago comentou com as sobrancelhas erguidas, ainda com a cabeça para fora de sua cabine. 

- Yep, essa garota me assusta. Horrível, não é, Pontas?- Pedro encarou o amigo em busca de aprovação.

- Eu adoro. – o outro sorriu em resposta, dando de ombros e fechou a porta atrás de si. 

Jogou-se no assento ao lado de Sirius, colocando os pés sobre o banco a sua frente. Ainda sorrindo empolgado, passou a mão pelos cabelos. Remo, em seu costumeiro tom de voz baixo, comentou casualmente:

- É, mas você não é exatamente uma pessoa normal, Pontas. Ficar assim, todo animadinho por causa de um grito. Imagine então se a garota te beijasse.

- Ele enfartaria. - Sirius debochou provocando risadas e recebendo um soco no ombro, proferido por Potter. – Mas ‘amassos’ a parte, tenho algo para contar a vocês.

-O que é dessa vez? – Remo perguntou pegando um dos muitos doces que estavam sobre o banco. 

-É ri eul borlei um parranum nerrar ferras!- o maroto respondeu com a boca cheia de sapo de chocolate. 

-Que? – Pedro perguntou franzindo o cenho. 

- Isso é o que? Javanês? Que tal traduzir para uma língua que possamos entender? – Tiago tirou sarro. 

-Muito engraçado. - Sirius sorriu sarcástico em resposta. - É que eu bolei um plano nessas férias. 

-Plano? –Pedro perguntou. 

-Não Rabicho. Uma foto que não se mexe. – Almofadinhas respondeu irônico e impaciente. - É claro que é um plano. Merlin, como sou incompreendido... 

-Sobre? – Pontas indagou procurando algum sapo de chocolate sobrevivente em meio a todos aqueles doces. 

-Adivinhem! – o maroto sorriu maliciosamente.

Os outros três se entreolharam e disseram uníssono:

-Ranhoso! 

-Exato. O Sebosinho e sua turma. Como vocês são inteligentes. – Sirius falou divertido. 

-Mas como assim? – Pedro indagou ainda confuso.

-Simples. Prestem atenção. 


****

Lily adentrou na cabine e bateu a porta atrás de si, assustando as duas garotas ali presentes. Mostrava frustração em cada traço de seu rosto e até mesmo suas sardas pareciam pálidas de fúria. A ruiva não disse uma palavra sequer ao dirigir-se para o banco, sentando-se ao lado de uma loirinha que levava os cabelos presos em um coque bem apertado e óculos discretos encima do nariz.

-Nossa, o que aconteceu?- a morena sentada de frente a Lílian questionou intrigada. –Ah, espere ai, me deixe adivinhar. Mas para isso nem terei de consultar meu lado vidente, é tão obvio quanto suco de abóbora no café da manhã. Teve mais uma briguinha com Potter, acertei? 

-Acertou. - Lily respondeu de cara fechada. 

-Hm, e ele te chamou de “ruivinha” ou “Lírio” dessa vez? 

-Muito engraçado, Carol. Hilariante mesmo. – a ruiva sorriu sarcástica. 

Caroline ria, enquanto Jessy, a loirinha de óculos, tentava conter o riso. Lílian rolou os olhos para cima, sabia o que estava por vir. Se bem conhecia a ambas estava em meio a um tiro ao alvo oportuno, onde ela própria serviria como alvo, um alvo de risos.

- Então, deixem-me tentar. – Jessy murmurou coçando o queixo. – Potter te chamou dos dois apelidos. Acertei? 

A ruiva a encarou, depois rolou os olhos outra vez e pôs-se a olhar pela janela. 

-Acertei! - Jessy comemorou. - Estão vendo? Carol não é a única vidente. - disse divertida dando uma piscadela á amiga. 

- Não comemore, minha querida. Isso qualquer um conseguiria sem nem ao menos precisar consultar viceras de cobra. – a morena fingiu-se de emburrada, mas completou sorrindo. – Todos sabem que não demora muito para que Lil’s seja encontrada em um corredor escuro aos amassos com nosso querido apanhador. 

-Pare Carol.- Jessy Prewett pediu tentando parar de rir, sem ser muito convincente por esse fato. – Deixe a Lily em paz. 

-Ok, rainhas do gelo. - Carol ergueu as mãos como uma prisioneira rendida. -Por que será que ninguém por aqui tem senso de humor? – perguntou mais para si do que para qualquer outro.

-Conte o que aconteceu, Lily. – Jessy pediu. 

A ruiva voltou-se para as duas e sem demoras contou tudo em detalhes, com direito a encenação de vozes e tudo mais. Sua tentativa de imitar a prepotência demonstrada por Tiago foi surpreendentemente bem sucedida e engrossando a voz, ela passou a mão pelos cabelos tal como o maroto costumava fazer. 
As outras duas ouviram pacientemente até o fim. É certo que Carol soltava algumas risadinhas abafadas às vezes, mas logo levava um discreto chute de Jessy e então se forçava a ficar séria novamente. 

- Do que você esta rindo? –Lily perguntou perdendo a paciência por fim. 

- Nada, nada. 

- Fale Carol.

- Não, é só que eu estava imaginando o dia do seu casamento com o Potter. Será realmente um marco na história bruxa. Talvez declarem feriado.

Lily pulou do banco e começou a dar tapas em Carol, meio de brincadeira, meio que de verdade. A outra por sua vez ria e ria, enquanto Jessy balançava a cabeça negativamente, de modo divertido. 

- Lílian! Como você é violenta, garota. - Carol falou brincalhona, segurando a ruiva pelos braços. -Sabia que existe uma ótima poção para TPM? –ela continuou rindo da amiga, que sorria divertida, mesmo vermelha de raiva. 

- Carol, chega. – Jessy pediu retirando os óculos e limpando suas lentes na blusa do uniforme. –Você adora provocar Lily quando o assunto é Tiago Potter, é inacreditável.

- E você nem acha engraçado. – a morena rebateu irônica. Depois, se virando para a outra amiga, acrescentou sorrindo. – Potter é um belo partido, Lil’s. Pense nas possibilidades.

- PARE DE FALAR NAQUELE IDIOTA, CAROL! Imagine. Eu prefiro morrer cem vezes a ter de me casar com alguém que se coroa o rei do universo. – a ruiva se afastou pondo as mãos na cintura e indagou indignada. – Por que diz essas coisas? Eu nunca dei motivos.

- Ah, claro. Você fica toda nervosinha quando o assunto é o Remo, né? – a morena rebateu irônica. – Certo, você se casará com o Lupin.

- Lil’s não gosta dele, gosta? – Jessy perguntou rapidamente, arregalando os olhos por trás das lentes dos óculos que acabara de recolocar. - Ela jamais... Quero dizer, por que ela se casaria com o Remo? – a loira terminou inconformada, com a voz meio tremula.

As outras duas a encararam, em uma mistura de confusão e surpresa, mas não tiveram tempo de investigar sobre aquilo, pois alguém o fez antes. Alguém que adentrara sorrateiramente pela porta e abrira a boca para anunciar sua presença no exato momento das indagações de Jessy.

- Espere ai, quem vai se casar comigo? – o garoto recém chegado questionou curioso.

- Remo? –Lílian exclamou um pouco surpresa. – Invadir cabines se tornou um hobby para você?- sorriu divertida.

-Oi de novo. Na verdade você é que estava em minha cabine a alguns minutos. E bem, agora vim te chamar para fazermos a ronda, quando descubro que tenho uma noiva em potencial. – Lupin sorriu amistoso.

As garotas se entreolharam. Jessy parecia em pânico, mas conseguiu proferir algumas palavras em um murmúrio tímido, enquanto suas bochechas ficavam da cor dos cabelos de Lílian:

- Não é bem isso, Lupin. Carol estava implicando com Lily por causa de seu amigo Potter, é só.

- Tiago, é? Você poderia me contar essa história melhor, Lil...

-Vamos logo, Remo. – a ruiva o interrompeu, agarrando-o pelo braço e rolando os olhos para cima.


*****

O resto da viagem correu tranqüilamente. Bem, não tão tranqüilamente assim já que Sirius e Tiago resolveram ir dar as “boas vindas” antecipadas a Snape, provocando novo tumulto no corredor. Não resistiram e sem conseguir esperar para a realização do sigiloso plano de Black, saíram a procura do sonserino, deixando um rastro de estragos pelo caminho.

Quando finalmente chegaram a Hogwarts, à noite, Potter e Black simplesmente não entraram no salão principal. Foram passando direto pela porta, afastando-se da massa de alunos que por ali adentravam, até que alguém parou atrás deles, indagando:

-Onde vocês estão pensando em ir? 

- Estamos pensando não, Aluado. – Potter falou casualmente. – Nós vamos. 

- Certo, mas onde? –Lupin perguntou já sabendo que não poderia detê-los. 

- Cozinha. –Sirius sorriu colocando as mãos nos bolsos.

- Então também vou.

- Não vamos lá para comer, Rabicho. – Tiago falou impaciente, fazendo uma careta.

- Vão fazer o que então? – Pedro questionou, cruzando os braços como se duvidasse dos amigos.

- Já discutimos sobre isso, o plano. –Sirius rolou os olhos para cima. 

- A recepção dos Sonserinos, como eles bem merecem. – Tiago esclareceu dando uma piscadela marota.

Sem mais delongas, a dupla de marotos deu as costas, saindo em disparada pelo corredor. Antes mesmo que a professora McGonagall trouxesse os calouros para dentro do castelo, os dois já estavam longe. 


[...]

Dois rapazes corriam, olhando de quando em quando para trás, preocupados em estarem sendo seguidos. Talvez detenções não fosse um problema para ambos, mas definitivamente não queriam perder os pontos ainda nem ganhos da grifinória.
Um deles usava óculos de aros redondos e seus cabelos estavam mais atrapalhados do que nunca. O outro tinha a gravata do uniforme desatada e a camisa displicentemente para fora das calças.

- Sirius, acho que vem vindo alguém ai. – Tiago alertou em voz baixa, parando repentinamente de correr. 

- Que? – o outro perguntou estancando a seu lado. 

Sem tempo para explicar, Pontas puxou o garoto para trás da armadura mais próxima. Não demorou muito e Filch entrou no campo de visão dos rapazes, fazendo com que a compreensão se espalhasse pelo rosto de Sirius. 
A sorte dos dois marotos e azar do zelador, era que esse último parecia com pressa e não demorou a entrar por outro corredor, sumindo de vista em segundos.

- Essa foi por pouco - Potter falou aliviado, saindo de trás da armadura. – Não quero que Evans tenha o prazer de poder enfim nos ver sem aqueles pontos da grifinória.

Sirius o encarou torcendo o nariz ante aquele comentário. 

- Que foi? Que foi? – Pontas indagou sem entender, mas o outro já voltara a caminhar decidido rumo a cozinha.

-Você ficar sem falar na ruivinha gostosa por dez minutos é lucro, Pontas. – Black riu por cima do ombro, enquanto o amigo apertava o passo para alcançá-lo.


[...]

A seleção de calouros já havia começado e a diretora da grifinória, uma senhora de porte firme e autoritário, segurava um longo pergaminho, contendo a lista de nomes. Ela chamava um a um a frente, para que fossem selecionados pelo velho chapéu puído, o instrumento mágio que decidia o destino dos jovens bruxos de Hogwarts, classificando cada um deles para uma das quatro casas.

Na mesa da Grifinória, Remo Lupin estava sentado de frente a Pedro, e parecia muito nervoso, apertando as mãos compulsivamente.

- Eles estão demorando. – falou preocupado, consultando o relógio de pulso pela quinta vez. 

- Não esquenta, Aluado. Vai dar certo. Sempre dá certo. - Pedro tranqüilizou. – Bem, a não ser daquela vez em que você acabou com furúnculos por toda a cara, mas no geral... 

-“Nievylin, Amanda!” – chamou a professora Minerva. 

- Certo, Rabicho, obrigado. Já entendi. – o outro maroto fez uma careta. 


[...]

A cozinha estava muito movimentada aquela noite e todos os elfos domésticos pareciam incrivelmente atarefados. Contudo, isso não impediu que um dos serezinhos viesse prontamente recepcionar os costumeiros visitantes do lugar.
O elfo trajava o que parecia ter sido á muito tempo atrás, uma toalha de mesa branca. Agora o pano estava em farrapos e dotado de uma cor encardida, representando bem a escravidão servil de seu dono.

-Em que Dribol pode ajudar, meus senhores?- a criaturinha de orelhas de morcego esganiçou com um sorriso, em meio a uma profunda reverência.

O elfo realmente gostava de Tiago e Sirius. Não que os rapazes dessem muita atenção ao pequeno, mas ao menos não o maltratavam e eram bastante gentis com ele, na medida do possível. Assim, conseguiam grandes pedaços de bolo de chocolate sempre que queriam.

-Precisamos de um favor, Dribol.

-O que quiser, senhor Potter. – o elfo exclamou fazendo nova reverência.

- Na verdade viemos dar um recado. 

-Recado, senhor Black? Recado para Dribol? – os olhos do pequeno serviçal se esbugalharam.

- Exatamente, meu caro. – Tiago concordou sorrindo. 

-E que recado é esse, meus senhores? – Dribol uniu as mãos pelas pontas dos dedos, encarando os garotos com um olhar ansioso e ao mesmo tempo humilde.

-É que... -Sirius começou sorrindo marotamente. 

-... Os sonserinos estão pedindo um tipo de comida diferente hoje. –Tiago completou forçando uma expressão séria, mesmo estando morrendo de vontade de rir. 


[...]

-“Tenigan, Derick”. 

-Eles estão demorando muito. –Lupin sussurrou já alarmado, espalmando as mãos na mesa. – Alguma coisa deu errado, Merlin, tenho certeza. 

- Alguém já disse o quanto você fica chato quando está ansioso, Aluado? – Pedro murmurou aborrecido, com o queixo apoiado no punho e o cotovelo na mesa.

Remo tamborilava os dedos no tampo da mesa ouvindo por vezes os resmungos indignados do amigo, que reclamava do estomago vazio e da fome que sentia. Por sorte os outros dois marotos não demoraram muito mais a chegar e foram logo se sentando, discretamente, cada um de um lado de Pedro, que estava em frente à Lupin.

- Demoramos?- Tiago perguntou passando a mão pelos cabelos suados. 

- Não. A seleção dos calouros apenas já acabou. - Aluado respondeu sarcasticamente. 

- Ah, droga. Nunca me perdoarei por ter perdido essa empolgante parte da cerimônia. – Pontas fingiu-se de desapontando, fazendo caretas irônicas para o amigo monitor.

-Não tem problema. O jantar com certeza compensara essa perda. - Sirius deu uma piscadela travessa para os amigos. 

Remo pareceu afundar alguns centímetros no banco em que estava sentado, mas Pedro riu animado e só faltou aplaudir a dupla. 

Dumbledore estava em meio a seu discurso quando os dois grifinórios adentraram sorrateiramente pelo salão. Assim que o diretor terminou sua fala, as mesas das casas se encheram de farta comida saborosa. Ou melhor, as mesas da Grifinória, Lufa-Lufa e Corvinal se encheram de farta comida quente e de ótima aparência. Já a mesa da Sonserina... Bem, não podemos dizer que estava com um cardápio muito apetitoso. Nem mesmo um pouco apetitoso, eu diria repugnante até.

- O que é isso? BOSTA DE DRAGÃO! – Lucio Malfoy esbravejou pegando uma colher cheia da horrível meleca. 

Todos no salão olhavam surpresos para a cena e por um momento uma nuvem de suspense pairou no lugar, mas não durou muito. Após prenderem a respiração arregalando os olhos, os alunos das outras casas explodiram em risadas e comentavam entre si a má sorte dos colegas sonserinos. Já os professores pareciam em choque.

-Não, não Malfoy. - Tiago o corrigiu gritando para se fazer ouvir, como se estivesse em um campo de quadribol. - Bosta de dragão não. Vomito de Hipogriffo. É bem mais... nutritivo. – debochou erguendo um cálice de suco na direção dos sonserinos e caindo na gargalhada logo em seguida, junto aos demais alunos. 

A explosão de risos ecoantes parecia eterna, simplesmente persistia. Muitos já tinham lágrimas nos olhos e outros nem conseguiam falar. Os sonserinos por sua vez pareciam furiosos e indignados, alguns até mesmo envergonhados.

Foi Dumbledore que rompeu o circulo de estupor que pairava sobre os professores. Ele calmamente pousou a mão no braço de McGonagall, que pareceu acordar de um transe e caminhou severamente até dois rapazes, que entre todos os alunos eram os que mais gargalhavam. 

- Potter e Black!

Sirius apoiou o braço na cabeça de Pedro, fazendo-o se baixar para que pudesse encarar Pontas.

- Poderíamos formar uma dupla, Tiago. O que acha? Potter e Black. Já está na boca do povo. – o maroto deu um soquinho no ar, rindo.

- Só se eu for o vocalista. – o outro respondeu ofegante, ajeitando o casaco de modo convencido.

- Estão me ouvindo?- a professora tocou seus ombros. - Detenção. Detenção com certeza. Para os dois. - esbravejou tentando chamar-lhes a atenção. 

Remo encolheu os ombros, parando de rir e olhou na outra direção. Pedro afundou o rosto no prato de carne assada, tencionando ocultar-se ante a severa professora. 
Os outros dois se entreolharam de sobrancelhas erguidas, por cima da cabeça de Pettigrew, e em seguida voltaram a gargalhar, deixando a professora indignada. 

- Evans. Lupin. Vocês vão cuidar desses dois. Quero que eles recebam pelo menos uma semana de detenções. E separadamente. – Minerva bradou ainda escandalizada pelo ocorrido.

Lílian ergueu a cabeça a menção de seu nome e concordou imediatamente, assentindo e tentando conter o riso. Lupin fez um breve gesto de cabeça, concordando com a professora e em seguida encarou os amigos, sem graça.

- Separados? - Tiago arregalou os olhos. - Mas professora... 

- Sem mais nem menos, senhor Potter. Vocês devem ter perdido o juízo, ultrapassaram todos os limites. Só não serão expulsos por não termos provas contra ambos. - Minerva respondeu antes de voltar para a mesa dos professores. 

Depois que a professora se retirou e o “menu” sonserino foi trocado, Sirius sibilou mal humorado para o amigo, cortando um pedaço de carne:

- ‘Ta vendo no que deu se tornar monitor chefe, Aluado? 

Remo encolheu os ombros e começou a mexer com o garfo na comida em seu prato. 


Notas Finais


N/A.: Primeiriiiiiiicimo capitulo!!! O que acharam?Ruim?Bom?Péssimo?Ta Valendo?Comentem ai gente!!!
Deem sugestões pelo amor de Merlin!!!!
Um Beijo para vocês e até o próximo capitulo!!!!


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