História Mars - Capítulo 5


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Categorias Originais
Tags Comedia, Douglas Adams, Ficção Cientifica, Futurista, Marte, Mistério, Romance, Sagas, Sci-fi
Exibições 5
Palavras 1.459
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Esse capítulo vai bem com a música:
♫ Dabin & Koda - The Take Down

Boa leitura!

Capítulo 5 - Capítulo quatro: Give me a T.


Fanfic / Fanfiction Mars - Capítulo 5 - Capítulo quatro: Give me a T.

 

Faltavam apenas três horas intergalácticas¹ para a aterrissagem em Marte quando Ryan finalmente conseguiu programar os micros robôs para controlarem Lisa de forma apropriada. Ryan estava sempre mal-humorado, mas naquele dia em especial, ele estava furioso. Delfine o aportunara a noite inteira com mensagens perguntando o paradeiro da garota e, depois de dez respostas iguais dizendo "ela ainda está dormindo, Delfine", resolvera simplesmente ignora-la. O que foi uma péssima ideia, pois ela passou a vir pessoalmente no quarto.

- Você deve decidir a rota de fuga agora. - Ela disse enquanto roçava ansiosamente os dedos uns nos outros.

- Sabe, Delfine... - Ryan disse rispidamente sem olhar para ela, seus dentes rangiam e ele socava uma peça de roupa para dentro do cubo metálico a cada palavra. - Se chama rota de fuga por uma razão. Quando chegar a hora, eu vou decidir.

Delfine lançou um olhar severo para Ryan, abrindo a boca para repreendê-lo, mas ao olhar para Lisa ainda deitada na cama, desistiu, pisando firme para fora do quarto. Ele bufou. Depois de terminar de encher o cubo com as tralhas que Lisa guardara no quarto, Ryan o fechou e e digitou a senha de extração na lateral do cubo.

Zip.

A senha ativou uma entrada do exato tamanho do cubo na porta da cabine e o objeto metálico deslizou em sua direção, atropelando o pé de Ryan, que estava no caminho. A dor fez com que ele socasse a mesa, fazendo um grande estrondo e esmagando o dispositivo que estava sobre ela. O objeto apitou várias vezes e o vídeo do casal voltou a ser projetado no teto, como na noite anterior. Ryan agarrou o aparelho e com força, o jogou no chão. Ele se achatara e depois de mais alguns bips, a projeção desapareceu completamente do quarto.

O barulho acordara Lisa, que se sentou na cama. Os olhos ainda cinzentos observavam Ryan e ela quase sorria.

"Merda" Ele pensou.

- Olá - Disse de maneira automática, era inegável que os ajustes a deixaram mais humana, mas se antes a sua expressão era vaga e programada, agora era quase assustadora.

Ryan a ignorou.

- Não é educado ignorar as pessoas que você mantém em cativeiro. - Quase um minuto após terminar a frase, Lisa sacudiu o indicador em sua direção, como se estivesse o repreendendo. Ela o olhava sem piscar, o que deixava sua aparência quase perturbadora.

Ryan franziu o cenho. Ele acreditava ter concertado a atitude de Lisa, mas aquilo era bizarro.

"Ótimo. Tudo que eu precisava era andar por aí com isso..." Suspirou.

- Oi, criança. - Disse, derrotado.

∴ ∴ ∴

 

Ryan e Lisa saíram da cabine quarenta minutos antes da aterrissagem. O saguão da nave estava lotado. Centenas de pessoas se aglomeravam em várias filas e cubos metálicos, que saiam das cabines, transitavam entre elas. Ryan suspirou, ele odiava multidões.

- Espere aqui. - Disse para Lisa, enquanto tocava com as pontas dos dedos na grande tatuagem do seu braço direito.

A cada toque de Ryan a tatuagem, imagens apareciam na sua frente, mas só ele podia vê-las. Após percorrer as linhas com os dedos, as imagens se completaram formando um grande mapa. No mapa, várias linhas coloridas se alteravam a cada segundo de acordo com a porcentagem de fiscalização da área. Ryan observou atentamente, até que uma grande linha azul chamou sua atenção.

A linha levava para a cápsula com destino a cidade-cúpula de Kristan. Seria uma viagem longa até onde Delfine estaria esperando, mas era o local mais seguro e caso algo saísse do controle, conhecia alguém na cidade para ajudá-lo.

Ryan assentiu com a cabeça e as imagens desapareceram dos seus olhos em poucos segundos, voltando a mostrar o saguão da nave onde estava. Pensou em avisar Delfine sobre a decisão, mas a imagem dela aflita o divertia. Ele deu de ombros, olhando ao redor. Ele esperava encontrar Lisa ali, parada, mas ela já não estava por perto.

Ele andou apressadamente, procurando por ela. De longe, avistou Lisa conversando com uma criança. O menino não deveria ter mais que sete anos, era pequeno e tinha cabelos esverdeados. Ela acenava excessivamente em sua direção, com o sorriso congelado no rosto. Ryan correu para tirar Lisa dali e levá-la em direção a capsula. Mas, antes que ele pudesse o fazer, uma mulher rechonchuda e baixa agarrou a criança pelo pulso, olhando para Lisa com um olhar de censura. Ela balançou o indicador para a mulher, que fez uma careta:

- Para uma pessoa bem alimentada, você deveria ser mais amigável. - Disse, mantendo o sorriso congelado no rosto.

Ryan revirou os olhos, puxando Lisa em direção e andando até a nave acoplada que levaria a Kristan.

- Para uma pessoa q...

- Tá, tá, agora cale a boca e entre. - Disse, a interrompendo. Ela fechou o rosto, como uma criança que acabou de derrubar o pirulito. Ryan olhou para ela decepcionado com sua criação. Ele esperava mais de sua engenhoca.

A cápsula para Kristan era a única que não tinha fila. Depois de andar alguns metros por uma ponte de vidro, entraram na nave que os levaria a Kristan. Ela não era grande e lembrava muito o interior de um avião terráqueo. A maioria dos acentos estavam vazios e as poucas pessoas que ocupavam a nave olhavam para Lisa com curiosidade. Ryan a empurrou para os fundos:

- Sente-se ali - Disse, apontando para o lugar que ficava perto da janela.

Os dois se acomodaram em seus lugares e depois de alguns minutos, uma voz estridente começara a anunciar a partida. Tudo que Ryan conseguiu escutar foi algo como:

".... Aproveitem a viagem e não alimentem os comissários de bordo."

Ele levantou a sobrancelha direita.

"Mas que p... Ah, dane-se" Pensou, encostando a cabeça no encosto do acento.

∴ ∴ ∴

 

A estação espacial de Kristan era diferente das demais. Enquanto as estações mais próximas de Eron² eram lotadas e visitadas por várias raças diferentes, a estação de Kristan era vazia e os poucos que estavam lá eram fazendeiros marcianos que esperavam familiares das viagens a capital. Várias telas eram projetadas em pequenos quadrados ao redor da estação, a maioria delas mostrando anúncios de produtos à base de Kristan, planta marciana que deu nome ao lugar.

Ryan andava a passos apressados para a saída da estação e Lisa tinha dificuldades de acompanhá-lo. Ele estava preocupado, pois ela chamara muita atenção ali. Ao contrário dos nativos que eram em sua maioria pálidos e com olhos cor de fogo, Lisa era morena e seus olhos estavam cinzentos, muito diferente de qualquer um ali. Por onde passavam, vários murmúrios se espalhavam pelo local. Ryan os encarava, mas poucos recuavam e em poucos minutos, todos estavam olhando para eles.

Ele pensou em enfrentá-los, mas resolveu apenas seguir em frente. Ele estava quase na saída, quando percebeu que Lisa não estava o seguindo mais. Ela estava parada, olhando para uma grande tela da estação. Ryan percebeu que todas as telas estavam transmitindo a mesma notícia.

"... Hoje é um dia especial para a Terra, após a morte do conselheiro Atsume, um novo conselheiro foi escolhido... Risja assumirá o cargo e se mudará para Baalmo com sua família.... Filho único, é um grande marco para história..."

Um garoto alto, moreno e roliço apareceu na tela, sorrindo ao lado dos pais igualmente morenos e ambos acenavam excessivamente, de um modo quase forçado. Lisa olhava atentamente para a tela e lágrimas inundavam seus olhos. Depois de alguns minutos, Ryan voltou para seu lado, chamando-a para partir. Mas ela não o obedeceu, virando-se para ele. Seus olhos não estavam mais cinzentos e o fitavam demonstrando profunda dor. Seu rosto ficou pálido e antes de conseguir falar qualquer coisa, ela desmaiou.

Seu corpo caiu em direção a Ryan e seu rosto encostou nos ombros dele, deixando amostra sua nuca. Ele olhou em direção a ela, notando um grande sinal de nascença em formato de T. Ele engoliu seco e depois, sorriu com o canto da boca, segurando os ombros dela e afastando-a de seu corpo. Um pequeno aglomerado de curiosos havia se formado ao redor dos dois, mas Ryan deu de ombros. Apoiou o corpo de Lisa com uma das mãos e depois virou de costas, puxando-a para cima.

"Delfine deveria estar mesmo preocupada que eu visse isso... afinal, ela tinha mesmo razão por não me querer trazendo ela." Pensou enquanto carregava Lisa em suas costas, indo em direção oposta ao metrô que os levaria a Eron.

∴ ∴ ∴

¹ Tempo utilizado em viagens espaciais, pois não há planeta para calcular a rotação quanto a estrela regente, tendo a definição de dia e noite de maneira artificial e programática.

² Capital do país de Nagan, ao norte de Marte.

 

Notas Finais


Espero que tenham gostado do capítulo, obrigada por lerem até aqui, vocês são demais!


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