História Masquerade - Capítulo 1


Escrita por: ~

Exibições 178
Palavras 5.366
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Crossover, Festa, Fluffy, Lemon, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Finalmente uma versão adulta do meu OTP supremo Stony!

TW: descrição gráfica de sexo explícito no decorrer da estória. Cuidado com a sua idade!

Um presentinho oneshot meu para todos os shippers deste maravilhoso casal!

Tem um fundo meio poético. Espero que gostem!

Capítulo 1 - Máscaras (Capítulo único)


Fanfic / Fanfiction Masquerade - Capítulo 1 - Máscaras (Capítulo único)

MÁSCARAS

 

Dourada. Era assim que aquela noite deveria ficar na memória de todos. O salão social já se fantasiava da glamorosa cor porque era a festa mais aguardada do outono. Felicidade havia porque os dias e noites fascinantes o ano todo eram a sua própria alta temporada. A Noite Dourada de Outono na Noite do Baile de Máscaras. A noite de Carnaval. A noite da aura misteriosa, do prazer velado, a unidade. Quem quer que você decidisse ser naquele Baile especial, era certo de que o seria apenas até o final dele. A máscara brilhante e colorida no rosto de cada convidado era como seu castelo, seu resguardo e também, o seu próprio espetáculo.

− Valeu pela ignorada de hoje à tarde. – divertido e especialmente íntimo, o bartender quis jogar suas boas-vindas no ouvido de certo convidado. Aquele que, como todos os outros presentes, tinha parte do rosto coberto por uma luxuosa máscara. Aquele dos cabelos castanhos e porte refinado, que recebia com indiferença a sua taça de champanhe na mão. O mesmo que arrematou com um sorrisinho de pouco caso às palavras recém-sussurradas.

Steve, o humilde funcionário, parou no lugar. Entrecerrou os olhos e, por um instante, chegou a se iludir que ouviria alguma explicação pelo estranho comportamento do namorado.

Contudo, a única resposta não seria nada menos que o frio virar de costas daquele que já ia se afastando dali.

− Ei, Tony…! – o bartender avançou um passo em sua direção, mas foi interrompido pelo colega que chegava com uma nova bandeja.

− Steve, estes drinques são para o grupo ali do canto, por favor.

O louro não tirou os olhos do próprio namorado que o ignorara há meio minuto.

− Não pode fazer isso por mim, Sam? Acho que eu tenho um assunto urgente para resolver com certo gênio bilionário e mal educado aqui antes. – Steve elevou a voz para chamar a atenção de Stark, à meia distância deles. Este, por sua vez, apenas o olhou de relance e lançou o mesmo sorrisinho enviesado de há pouco. Com um movimento discretamente lascivo, ajustou sua gravata borboleta no colarinho e ousou afastar-se ainda mais para se juntar aos seus. Steve sofreu uma pontada aguda no peito, sem compreender o que se passava entre eles.

− Os convidados estão esperando, cara. Tenho que voltar ao bar para preparar outros drinques. O Nick está de olho na gente.

Steve pareceu não ouvir o colega que ainda insistia para que lhe ajudasse com o trabalho. Coisa, aliás, que ele jamais deixaria de fazer, pois era considerado um funcionário exemplar. Porém, agora estava absorto, sondando lembranças dos últimos momentos desde que estivera com Tony, lembrando claramente de que seu namorado não o havia ignorado apenas agora, mas o dia todo.

Então, a maior injustiça estava em não conseguir encontrar as reais razões para aquela súbita frieza. Por que Tony estava se comportando daquela maneira?

Ainda na tarde do dia anterior, ambos curtiam juntos a praia, assistiam enamorados o pôr-do-sol em Laguna Beach. Haviam desfrutado de uma de suas melhores noites de amor que, traduzindo a respeito daquele casal, era para ambos um ato único, acalorado e viciante. Ontem.

Ontem era quando Steve tivera o sabor daquele corpo pequeno no toque de sua língua e, agora, o observava ali, o belo rosto oculto sob a máscara vermelha e dourada, atravessando sua presença como a uma entidade invisível, a mera nulidade tão impossível de dar aos corações que ainda pulsam cálidos de amor.

Afastado em companhia de seu grupo particular de amigos, Tony não era ele. Não era dele. O louro sempre gostou de pensar com orgulho no fato inusitado e delicioso de ter conquistado um hóspede tão popular, a quem todos lhe diziam não ter a mínima chance. Um turista dos raros, o rico Nova Iorquino que desejou não se separar do primeiro homem por quem se apaixonara numa viagem de férias. Tony fazia questão de participar de todas as boas festas que ocorriam naquele resort, mesmo agora fazendo a ponte aérea semanal e não sendo mais um hóspede. Sempre se fazia presente por Steve e este sabia bem disso.

Mas nem pela mágoa do momento aquele bartender deixaria de se maravilhar com a beleza de seu namorado num elegante e sofisticado fraque. O charmoso cavanhaque parecia mais aparado naquela noite e os fios castanhos do cabelo macio brilhavam à iluminação do grande lustre do salão. A cabeça se mantinha em pose altiva e o tórax empertigado, a mão sedutora erguia aos lábios a taça dourada de champanhe para que a boca a sorvesse com etiqueta. As íris ambarinas de Tony permaneciam semiocultas sob as pálpebras quando este ria de alguma piada lançada em sua roda. Parecia animado e à vontade, permanecendo alheio ao encaro obstinado do namorado mais adiante. Para a infelicidade de Steve, o moreno insistia em seu incoerente desprezo.  

A valsa tocava alta e cadenciosa, entrando em compasso agitado e nervoso com os batimentos cardíacos do louro. Ainda que não passasse de um mero funcionário ali, não esperava ver suas expectativas românticas devastadas em menos de um minuto. Nem mesmo mais cedo, quando fazia seu jogging na orla da praia e ali tinha encontrado Tony também exercitando-se à certa distância. Steve o havia chamado alegre e, como agora, não obtivera resposta.

Então, o melhor que lhe parecia fazer agora era resignar-se. Talvez Tony tivesse apenas fazendo mais um de seus charminhos, por isso decidiu voltar toda a sua atenção ao colega de trabalho:

− Desculpe, Sam.

− O que está acontecendo, Steve? − o colega segurou a bandeja com as duas mãos e a abaixou para demonstrar condescendência pela expressão angustiada do amigo.

− Não é nada. – o rapaz meneou de leve a cabeça. – Acho que eu gostaria de ficar no seu lugar hoje preparando os drinques. Será que você trocaria comigo para servi-los aos convidados?

− Ora, mas você adora passear pela festa, não adora?

− Dá essa mãozinha pra mim, parceiro. É uma coisa meio complicada... – Steve, instintivamente, acabou olhando de novo para o seu namorado apartado de si. Começava a se sentir realmente encucado. Sam seguiu o seu olhar e, ao visualizar o ex-hóspede interagindo naquela roda de grã-finos, pareceu compreender parte do que acontecia. Tornou-se a Steve, lançando o seu sorriso mais fraterno:

− Claro, parceiro. Fique lá no bar. Eu faço o delivery por aqui. – e, pousando brevemente uma mão ao ombro do louro, piscou. – Não fique preocupado. Talvez algumas pessoas apenas levem um Baile de Máscaras a sério demais.

No bar, lançando mão de suas habilidades em preparar os mais variados drinques, Steve acabou distraindo-se do comportamento incompatível de Tony naquela noite. Algumas garotas dispensavam o serviço de mesa e decidiam ir pessoalmente até o bar, descaradamente atraídas pela beleza do louro, alto e forte bartender. Elas faziam seus pedidos e ficavam dengosas para receber seus drinques prontinhos das mãos daquele homem encantador. Steve acabava se divertindo também, principalmente quando uma ou outra lhe fazia propostas indecentes, instigando-o para que revelasse a elas o rosto por detrás da máscara azul-prateada.

Com um sorriso claro e dentes alinhados como a uma balaustrada de mármore, o louro recusava educadamente. As garotas choramingavam manhosas esticando o beicinho, já altas pelo álcool, mas, para compensá-las de seu próprio mistério, Steve caprichava na preparação de seus coloridos coquetéis. Deixava os copos repletos e geladíssimos, então os oferecia com seu charme cerimonioso.

− Você por acaso tem olhos azuis? − indagou a voz pastosa de uma morena de cabelos chanel enquanto tentava adivinhar-lhe o rosto sob a máscara.

− Talvez. – Steve respondeu.

− Ora, vejam só, o gatão sabe fazer um mistério.

Ele não respondeu. Mas arriscou um sorriso simpático e uma piscadinha.

– Mas que peixão ousado é você! − deliciou-se a moça e, em seguida, tomou a sua taça de bebida na mão. Ficou ainda a observá-lo sem qualquer discrição, até que completou. – Vou ficar o resto da festa torcendo pra que essa máscara caia e resolva o meu enigma.

– Obrigado pela preferência... – Steve acenou amigavelmente. – Ao nosso resort.

Então viu quando a outra, de cabelos longos e castanhos, deu um tapinha de leve no braço da amiga:

− Ei, não se lembra desse bartender na festa de Saint Patrick? Ele estava sem camisa lá! − e riu, aproveitando para puxar a amiga pelo braço e saírem cambaleantes dali.

– Claro que lembro! Acha que eu fui falar com ele agora por quê? – e gargalhou, descontrolada. O louro mais uma vez balançou a cabeça, rindo de leve.

Logo um suspiro entrecortado cuidou para que o sorriso em seus lábios desvanecesse. Steve tentava procurar o seu namorado dentre os inúmeros convidados. O seu consolo poderia agora estar, ao menos, em observar Tony durante a festa. Ao final dela, poderia tentar uma conversa séria com ele, ou então, havia a segunda opção – não menos paciente – que era ficar quieto ali, todo esperançoso para que o próprio viesse falar antes disso.

 

No entanto, um longo tempo se passou, embora o baile ainda corresse animado. Para a decepção de Steve, Tony já parecia definitivamente ausente no salão.

Antes de ir trabalhar naquela festa, o louro tinha planejado ficar jogando sua sedução como se fossem pequenos confetes salpicados de hora em hora, pois sabia que o namorado sempre ficava louco com suas provocações sutis. Tony sempre destacava que as proibições por estarem em público tornava tudo mais excitante. Steve queria fazer isso para predispor o seu pequeno moreno a puni-lo da forma mais quente possível quando enfim estivessem na privacidade de uma cama. Ele era maior. Ele era o ativo...

Mas adorava ser dominado por Stark.

Por isso a ideia da provocação parecia deliciosa, por exemplo, por estarem em um Baile de Máscaras onde as intenções costumam ser dúbias, libidinosas e quase indecifráveis. Mas infelizmente, após o desprezo inexplicável de Tony, a animação de Steve minou-se totalmente.

Não entendia.

Se não fosse um funcionário agora, estando no meio de seu expediente, iria ter com ele, com certeza!

Eram um casal muito transparente, e apesar de discutirem com mais frequência do que a média dos outros casais, nada ficava sem ser dito, mesmo que isso significasse concluir o assunto numa grande briga.

Steve consultou sua memória sem cessar. Tentou lembrar-se de como havia sido a última vez em que deixou o apartamento do namorado, onde tudo parecia ter ocorrido como o de costume: ele acordara antes de Tony e checou com satisfação os hematomas em seu corpo deixados pelo prazer explosivo da última noite de amor. Então, quase aceso para um novo “round”, tinha ido para despertá-lo com beijos e apertões impudicos. Como sempre, Steve o havia chamado de “ursinho preguiçoso” ao pé do ouvido e distribuído mais beijos em cada centímetro macio e cheiroso do corpo amado, para depois puxá-lo sonolento pelas mãos esquias e acomodá-lo ao seu colo. Quando efetivamente começara a molestá-lo por sob a cueca, Tony decidiu, aos risos, enfim levantar-se. Logo mais estariam ambos sentados à bancada da cozinha, Steve a preparar as suas famosas panquecas com melado e, Tony, o seu indefectível cappuccino com chantili. Era uma adorável lembrança.

Naquela última vez haviam passado uma manhã comum em sua tranquilidade rotineira, estivera ali o tempero da paixão ainda recente, não mais que três meses de namoro. Agora o louro se via incapaz de compreender o comportamento adverso de agora. E resolveu que então não iria mais procurá-lo para pedir explicações. Talvez o receio, ou mais ainda que o receio, um pungente orgulho o impedisse de vez.

Findava-se a festa e ele sentia-se cada vez mais aborrecido.

O céu ainda estava escuro quando Steve foi dispensado de seu expediente. A sola dura de seus sapatos de couro fizeram os diminutos grãos de areia crepitar sobre o mármore liso das escadas. Ele saía daquele salão de festas mais do que perturbado: estava completamente arrasado.

Caminhou até o limite em direção ao Parque Aquático do resort, mas estacou quando algo vibrou no bolso de suas calças. Ansiosamente sacou o celular e conferiu o display com uma esperança premente que, por infelicidade, foi dissipada no mesmo instante: tratava-se apenas de uma notificação de operadora, nada de Tony.

Ele não queria, mas se desanimou de vez. Retrocedeu nos passos até os degraus da escadaria e sentou-se na altura do último piso. Estava começando a cultivar certa raiva daquela situação. Dali ficou analisando o aparelho retangular e negro que trazia na mão. Pensou mil vezes em ligar e, outras tantas, em deixar que o próprio Tony o fizesse.

Parecia absolutamente injusto não ter o direito de saber o que andava errado no relacionamento de ambos. Injusto não poder ouvir o porquê de ter sido ignorado com sorrisos de ironia na frente de um grupo de desconhecidos. Steve não era homem de ser humilhado desta maneira e Tony sabia bem disso. Afinal, havia sido sua personalidade obstinada que, dentro de uma única semana na última temporada de verão, que o fizera se apaixonar.

Verdades refletidas, enfim, o fizeram decidir lançar mão de enviar uma mensagem curta, apenas para não ficar na total passividade. Algo para o outro apenas “se tocar”.

Se não estava satisfeito, Deus, que ele procurasse outro!

Mas o caso foi que Steve se arrependeu logo no instante de tê-lo feito. A turbulência de pensamentos acabou agitando a fluidez do sangue que esquentava as suas faces. A raiva já havia se sobreposto à mágoa, mas tentava agora bravamente impedir que impulsos não pensados tomassem conta de si.

Steve queria socar alguma coisa.

Essa merda não poderia estar acontecendo com ele. Levou o punho da camisa para enxugar o suor do rosto e, no ato, percebeu que ainda vestia a máscara do baile. No intervalo entre pensar em livrar-se dela e fazê-lo, Steve sentiu algo quente e ligeiramente felpudo roçar a pele de seu pescoço.

Sobressaltado, virou-se sem nem ver quem era e empurrou-o para longe, em autodefesa. Antes que pudesse piscar, o recém-chegado avançou rápido e capturou o rosto de Steve entre suas duas mãos macias. A voz exalou sensualidade nas palavras seguintes:

− Eu tive de voltar para dizer o quanto esta máscara azul fica perfeita em você.   

O brilho de topázio naqueles olhos fez o corpo todo de Steve estremecer, contudo ele cerrou os seus para controlar-se. Lábios audaciosos subiram para um beijo que não chegaram a tocá-lo porque Steve, num arroubo, o afastou de si novamente:

− Qual é o seu problema? − ofegou.  

− Steve, eu tenho algo muito sério pra dizer a você.

− Ah, não tem não. Talvez tivesse, Tony, antes. Agora não estou mais disposto a ouvi-lo. – e quando fez menção de sair dali, Tony tentou alcançar a sua mão para segurá-lo. Steve rosnou entre dentes. – Pare já.

Tony olhou afetadamente em volta, o orgulho queimando. Ele sorriu de viés:

– Ora, e quem disse que vale mesmo a pena, não é? − e dando novamente suas costas a Steve, despediu-se.

O louro ouviu embasbacado aquela abordagem totalmente sem sentido. Não vale a pena? O que ele queria dizer com aquilo? Cadê a maldita explicação que ele lhe devia por fazê-lo se sentir humilhado a noite toda?

Tony caminhou pelas lajotas em direção às piscinas e não olhou para trás. Steve lembrou-se de que não era homem para ser feito de idiota. Seguiu-o para alcançá-lo na altura da vegetação mais fechada. Num arroubo, puxou o cotovelo do menor fazendo-o voltar-se para si.  

− Quer jogar? Então vamos logo com isso. − nervoso, ele ainda arfava. O moreno sorriu, examinando-o de cima a baixo:

− Parabéns, Loirão, você passou no segundo teste.

Steve fechou o cenho, sem responder.

− Não posso culpá-lo porque também não resisto. – Tony enlaçou-se ao pescoço do bartender e jogou sua cintura contra a pélvis dele. – Um sufoco. Digamos que, assim como pra você, foi pra mim também neste último, então...

– Sou todo ouvidos. – o louro resistiu sério, mostrando que poderia muito bem não estar mais interessado nessa brincadeira sem graça.

Ambos vestiam suas máscaras de baile, lindas e luxuosas. De repente, a vermelha-dourada de Tony e a azul-prateada de Steve aproximaram-se perigosamente.

Era demais para Steve. Isto marcava o momento em que seu orgulho fraquejava e jogava a toalha no meio do ringue.

Em instantes Tony sentiu uma calidez sedosa tomando seus lábios. Ele lutou para não sorrir da própria vitória, porém a avidez do louro o dominava e não deixava que suas bocas sequer se desgrudassem. O perfume único de Steve atingiu suas narinas e ele não pôde fazer nada senão gemer de prazer dentro de sua boca.

O jogo havia acabado de virar.

Steve não queria mais saber qual era a da ignorada. Desprezado a noite toda ou não, ele sempre teria o que queria.

E o que ele queria agora era ter Tony em seus braços, não importasse as circunstâncias. Para o inferno toda a mágoa! O sabor daqueles lábios compensava qualquer afronta.

Mas Tony não gostava de ser dominado, era sempre o contrário, então começou a tentar se afastar. Steve, por sua vez, já adorava quando Tony contrapunha-se aos seus atos, pois dava liberdade a si mesmo de apertar a cintura delgada do parceiro e puxar-lhe os cabelos com paixão desmedida. O beijo selvagem acariciou o desejo de ambos por bons longos minutos.

Enfim, desuniram-se do beijo como duas crianças perdidas. Os olhos acastanhados se abriram ao mesmo tempo em que os orbes de safira azul também o fizeram. A respiração alterada deixava as faces de ambos em brasas.

Steve engoliu em seco e sussurrou:

− Feliz por me deixar tão nervoso?

− Felicidade é um eufemismo neste caso, Steve. − e esticou a mão para puxá-lo de volta para si, agarrando os cabelos louros da nuca.

Tony plantou um beijo estalado nos lábios do namorado, soltou-lhe finalmente e pegou em uma de suas mãos.

Tony guiou um Steve bastante conturbado para jardim adentro. Quando ficou certo de que encontravam-se longe de qualquer possibilidade de observação alheia, jogou-se com descuido premeditado sobre a grama macia.

Steve olhou para o parceiro deitado de fraque e tudo sobre a grama úmida do jardim e suspirou.

– Você me cansa tanto.

– Errado. – Tony apontou-lhe um indicador. – Você me cansa muito mais.

 Steve, que já tinha desistido de lutar no primeiro beijo que ele mesmo roubou, sentiu um súbito e esquisito injetar de adrenalina em seu corpo. Não entendia o que estava acontecendo, mas sabia muito bem que não queria que aquela noite acabasse tão cedo.

Aí não deu mais. Steve foi tomado pelo desejo indomável, aquele rosto cínico que o observava com tanto empenho e devoção... Ele se inclinou até o chão (onde estava Tony) e cobriu imediatamente o corpo dele com o seu, fazendo-lhe sentir a rigidez de seus músculos sob o fraque negro. Segurou com firmeza o pescoço tenro do amante e passou a roçar seus lábios ali, mordendo-o e chupando-o e lentamente subindo para a mandíbula e o cavanhaque desenhado de Tony até tomar-lhe mais uma vez os lábios.

As mãos de Tony imediatamente agarraram a nuca loura. O perfume de âmbar e patchouli do bartender dissipou qualquer vontade de negá-lo, fazendo-lhe, assim, corresponder mais uma vez ao beijo selvagem. Abandonado por seu próprio autocontrole, Tony começou a estremecer de prazer quando sentiu a massagem erótica da mão de Steve em seu pomo-de-adão ao mesmo tempo em que a ereção do maior já era esfregada com vontade contra seu baixo-ventre. Os carinhos voluptuosos duraram mais alguns instantes até que as bocas se apartaram num estalar de línguas. Steve ainda arrematou-o com duas bitocas e deslizou delicadamente seu polegar sobre os lábios macios do moreno. Eram tão corados e bem desenhados que mal pareciam pertencer a um homem não fosse a barba que confirmasse o seu gênero viril. Steve notara a leve aspereza em sua mandíbula e passou a contemplar sem pressa aqueles olhos brilhantes, emoldurados pela máscara dourada. Foi quando Tony viu-o fazer menção de retirá-la e impediu-o com a ponta de dois dedos:

− Eu fico com ela. – disse o moreno. – E você fica com a sua. Hoje é o dia perfeito para usarmos.

Então os dedos grossos que tentaram retirar a máscara de Tony escorregaram para a sua têmpora e, dali, para os fios de cabelo castanho, acariciando-os e depois agarrando com firmeza, fazendo doer. Steve não havia tirado a outra mão do pescoço de Tony e nem abandonado a felação de ereções.

− Você está me enlouquecendo, Steve… − o moreno choramingou, revirando os olhos e cerrando-os suavemente. Pouco depois, um suspiro entrecortado de prazer atravessou a sua garganta: pelo tecido da camisa, sentiu o dedo de seu namorado arranhando um dos seus mamilos com a ponta da unha. Pela sensação estimulante e gostosa, sentiu-se impelido a rebolar sob aquele corpo delicioso que o excitava. A resposta sensual de Tony trouxe urgência para o louro que, rápida e desajeitadamente, começou desabotoando a sua camisa.

Ao revelar o peitoral viril do moreno, suspirou.

– Céus… – sua língua decidiu tocar aquela tez que parecia ainda mais aveludada sob o lusco-fusco do finzinho da madrugada. O caminho quente e molhado de saliva (que logo dava a sensação de resfriar a pele ao secar) tirava de Tony mais dos seus gemidos libidinosos. Seu desejo pelo corpo robusto de Steve começou a ebulir de tal forma que ele perdeu o prumo. A língua do louro brincava inclemente em torno de seu umbigo, mas, com uma mão urgente, o moreno pediu licença para abrir os botões da própria calça. Steve ajudou-lhe e, assim que o elástico da cueca foi puxado para baixo, uma ereção grossa e animada pulou para o seu deleite. Ele sorriu maravilhado ao medir o grau de excitação de seu parceiro.

Uma contorção repentina tirou o quadril de Tony do lugar: Steve abocanhara seu membro com toda a vontade. Sentiu-se deliciosamente mordido e chupado, havia uma força irreal naquela sucção, seu fôlego foi roubado por um instante. Sua glande foi beijada, lambida e mordiscada, o órgão oblongo espremido entre os dedos poderosos que começaram a masturbá-lo com vigor. Era a mão maciça daquele bartender habilidoso, chacoalhando o seu membro enquanto a boca cálida do mesmo sugava a esfera doce e lustrosa.

Debruçado entre as pernas de Tony, Steve trabalhava na ereção, as gotículas de pré-gozo vazando do minúsculo orifício. Com fome, ele voltou sua boca ali e recomeçou a chupá-lo de baixo para cima, mordendo-o novamente e esmagando sem dó. Ouviu o moreno sussurrar um “ai” de puro prazer e sentiu a mão do mesmo pressionando sua cabeça para baixo, impelindo maior contato da pele sensível com a sua boca cálida.

Tony pulsava.

Foi quando Steve decidiu parar.

Ele soltou a ereção bombeada no limite, que caiu lustrosa e ébria sobre a coxa de Tony. Este ergueu-se ligeiramente e ficou escorado nos cotovelos sobre a grama. O olhar mascarado transpareceu a sua perplexidade:

– Ah... Maldade não combina com você.

O louro acenou com a cabeça e, sem cautela porque tinha urgência, fez com que Tony ficasse de quatro para si. Retirou uma camisinha do bolso, abriu a embalagem com os dentes e em seguida vestiu-a devidamente em sua própria ereção. Esta também gritava por alívio urgente.

Tony sentiu-se calorosamente abraçado por trás e deduziu que a demora da penetração era devido ao trabalho que Steve tinha em besuntar seu membro com lubrificante. Logo o bastão macio veio desembestado pedir passagem e a dor no primeiro tranco fê-lo gemer e ofegar. Doía, mas era um prazer imenso, a sensação mista mais familiar, seu bittersweet viciante.

Uma onda de ternura abateu Steve e mais nada das atribulações de mais cedo pareciam fazer parte de seus pensamentos. Eram eles de novo? Steve Rogers e Tony Stark protagonistas daquela paixão brutal, tão deles.

O movimento de entra-e-sai arremetia luxuriante. O ritmo crescia conforme a intensidade do prazer de ambos. Steve era grande em tudo e machucava a intimidade de Tony, mas era assim que sempre foi. Os gemidos sussurrados do moreno levavam o louro ao delírio, seu tronco colado às costas do menor, uma mão segurando-lhe o pescoço suado, cuidando para não apertar demais e sufocá-lo, e a outra masturbando-lhe como na tácita promessa, quase faziam-no vacilar nos joelhos. Tony não era capaz de nada além de se entregar a todo aquele desejo… que era seu deleite… O que afirmava o seu amor por seu “loirão” irresistível.

     A certa altura, Steve desistiu da piedade (que piedade!) e deixou que as estocadas se tornassem mais violentas, quase insanas ao castigar o interior macio de seu namorado. O corpo atlético de Tony, já anestesiado pela excitação, balançava ao sabor das investidas e ambos engasgavam-se com o prazer que não desejavam tão logo esgotar.

     A transa atingia o ponto alto, quando o passivo não aguentaria mais uma estocada em detenção plena de seus sentidos, os dedos do louro enfim escorregaram no leite melado expelido pelo membro satisfeito de Tony. Agitou-o com força para esvaziá-lo enquanto o parceiro, por uns instantes, perdia a noção do tempo e espaço. Logo em seguida foi a sua vez de chegar ao clímax. O corpo enorme de Steve espasmou colado ao tronco do moreno enquanto, no gozo total, deixava o ar sair ruidoso pela garganta. Ele se inclinou para trás, sentando nas próprias panturrilhas, trazendo Tony ainda conectado a si.

O manteve em seu colo.

Permaneceu abraçado às suas costas e juntos curtindo seus últimos arquejos, recuperando-se do prazer maravilhoso da carne de um pertencer ao outro.

No final de bons minutos, Tony tinha a sua cabeça caída para trás, deitada inerte sobre o ombro forte de Steve. A língua do louro procurou a do moreno e iniciou um longo e apaixonado beijo que fora imediatamente correspondido. Tony riu cansado, meio constrangido e já tentando afastar-se.

– Qualquer dia não sobra nada de mim. – murmurou brincando, fazendo o louro sorrir imodesto. – Minha culpa, claro. Por não tomar cuidado com você.

– Ainda bem que assume. – Steve deu um sorriso de lado, sentindo-se de certa forma, vitorioso.

Logo estavam refeitos, limpos como puderam, e Steve olhou para o namorado que já havia se erguido e agora se recostava a uma palmeira. Tony havia retirado enfim sua máscara e estava brincando com ela.

Steve decidiu aproximar-se.

– Eu devo ter perdido seu manual de instruções. – disse, retirando a sua máscara também.

– Quem disse que eu venho com um? – Tony esticou uma mão para puxá-lo para um abraço. Steve retribuiu, estreitando o menor entre seus braços musculosos, o melhor que pôde.

– Eu precisava de algumas certezas, Loirão. – sussurrou Tony.

O louro suspirou, encarando-o seriamente:

– Acho que eu não deveria estar declarando isso assim, mas o seu desprezo de hoje quase acabou com a minha noite, Tony. – esfregava-lhe o braço coberto pelo blazer preto. – As tais certezas que está procurando tem a ver com isso?

– Não. – Tony olhou pra cima, girou os dedos e depois pousou a mão sobre o peito dele. – Ou melhor, sim. Que seja. Na nossa última noite, em meu apartamento, me dei conta de que chegamos a um ponto irreversível, Steve. Então eu decidi arranjar um jeito de ter a confirmação de seus sentimentos por mim. Coisa de quem você sabe... – Tony respirou fundo. – Neuras.

Steve olhou para o lado e meneou a cabeça em negativa.

– Infantil.

– Não pode me condenar. Foi só para ver se você me queria mesmo por perto. – Tony se afastou um pouco, dando alguns passos pelo jardim. – Desprezei você sim, para confirmar se vinha atrás de mim, mas o fato é que eu também não resisti. Achei que esta máscara me ajudaria de alguma forma.

– Fica a prova então de que nunca fomos tão diretos um com o outro quanto deveríamos.

– Pare, por favor. – o moreno engoliu em seco, meio desconcertado da resposta.

– Você quem começou, Tony.

– Sutileza, Steve. Eu nunca gostei disso. Nem sempre é bom para um relacionamento. Sutileza gera mal entendidos.

O louro não respondeu. Continuou encarando Tony e deixando-o se expressar o quanto se sentisse à vontade. Essa conversa parecia muito importante para o futuro de ambos.

– Eu refleti muito e cheguei à conclusão de que só você, o primeiro homem com quem me relacionei, seria capaz de me fazer uma coisa grande de verdade… Por amor.

– Tony... me desprezou um dia inteiro!

– Uma dura prova para mim que estou tão apaixonado quanto! – decidiu se aproximar novamente.

Então por que o fez? Steve agora gostaria muito que Tony fosse mais objetivo e que suas palavras não soassem tais como diminutas sementes de dente-de-leão pairando ao vento. Olhava, em volta, pensativo… Ele sabia da índole arrogante do namorado, então que fosse algo bem importante mesmo, pois a cicatriz deixada pelo sorriso cínico do início da festa ainda ardia. Muito mais do que o ato intenso que acabaram de praticar.

Tony continuou inquieto. O farfalhar de seu traje chamou os olhos de Steve para sua pessoa. Foi quando o moreno pareceu soltar do nada:

– Você viu os noticiários da semana passada?

– Noticiários? – ele sacudiu sutilmente a cabeça e os ombros. – Não tenho muito tempo para tevê, você sabe.

– Bem, eles me levaram a ir atrás disto. – Tony retirou do bolso uma pequena caixa encapada por veludo azul e a ofereceu para Steve. Desconfiado, este crispou as sobrancelhas e pousou seus dedos sobre a caixinha. Porém, por um instante, hesitou em tomá-la da mão dele.

– É para você. – Tony insistiu.

Quando Steve decidiu receber e então abrir a caixa, deparou-se com um brilhante par de alianças. Seu coração deu um salto, fazendo-lhe voltar seus olhos para encarar a luz ambarina que havia nas íris de Tony.

– Essa deveria ser a nossa fantasia no próximo baile. – o moreno sorriu divertido. – Num dia de carnaval como hoje, em que todos usam máscaras, inclusive nós, eu preferi a contradição dessa simbologia e provar algo verdadeiro para você. Quando ouvi a notícia de que em todos os estados deste país está legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo, eu...

– Tony...

– Não estou te pedindo em casamento. Não para agora. Ainda temos muitos carnavais pela frente. – ele deu um risinho nervoso. – Mas quero que nosso lance seja sério a partir de hoje. Olhe o desenho entalhado no aro das alianças.

– Máscaras?

Propositalmente irônico. Ou cabível se preferir este termo. Será o nosso símbolo. – Tony aproximou-se novamente para aninhar o rosto de Steve entre suas mãos. Beijou seus lábios de maneira breve. – É o jeito de me lembrar em sempre ir contra o pensamento de muitos sobre o nosso relacionamento. Contra o que dizem, que um homem como eu não possa ser sincero ao se apaixonar por alguém de uma classe inferior... Não a menos que eu seja um mascarado.

– Eu não estou surpreso. – o louro ergueu uma sobrancelha.

– Ora, Steve, não estrague o momento.

Então ambos riram e o maior abraçou-o forte, inebriando-se novamente do aroma adocicado que instantes atrás o tinha levado ao delírio.

Steve e Tony vestiram cerimonialmente as alianças um no outro e sorriram ao vislumbrar suas mãos postas lado a lado: uma grande e forte e outra esguia e charmosa. Um belíssimo contraste ornado pelo mesmo laço. A alvorada os abençoava com a claridade melíflua que já recaía sobre o jardim do resort. 

– Me faz compreender o paradoxo. – Steve disse, feliz. – Toda vez que eu vir esta pequenina máscara entalhada em meu anel...

– Se lembrará de ser verdadeiro com aquele que tem seu nome nela. E o mesmo para mim.

– E o mesmo para você. E para nós.

– E para sempre. Ou não... – o moreno provocou, olhando de lado. Steve então ergueu a mão direita do namorado e referiu-se à aliança:

– Sem chances, Tony, você é meu agora. – sorriu.

– Nada disso, Lourão. Quem define isso sou eu. – piscou e puxou-lhe pela nuca.

– Veremos...

As mãos fortes de Steve pousaram ousadas sobre cada uma as nádegas de Tony e os lábios uniram-se fraternais. A língua do louro procurou acariciar a do moreno e ambos sorveram da paixão finalmente selada pela bela aliança de compromisso. Depois do beijo, Steve continuou afetuoso, explorando com a ponta de seus dedos o rosto bonito do namorado. Ambos apaixonados na nota final que a bela manhã lhes tocava. E a mensagem crucial era de que, a partir daquele doce instante, os rapazes deixassem suas máscaras apenas figurando em suas brilhantes alianças.

FIM

 


Notas Finais


Eu quis fazer algo realmente quente pra esses dois e espero que tenha conseguido.

Por favor, me deixem saber a sua opinião!

Muito obrigada e até a próxima <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...