História Matchmaker - Namjin - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Comedia, Gay, J-hope, Jikook, Jimin, Jin, Jungkook, Lemon, Namjin, Namjoon, Rap Monster, Romance, Seokjin, Suga, Taehyung, Vhope, Yaoi, Yoongi
Visualizações 326
Palavras 4.508
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, gente, esse capítulo quase não sai, por vários motivos, mas ele chegou e espero que gostem.

Boa leitura! >_<

Capítulo 4 - Tentando não ser um trouxa; Seokjin


Fanfic / Fanfiction Matchmaker - Namjin - Capítulo 4 - Tentando não ser um trouxa; Seokjin

Eu sou uma negação em pessoa, a vergonha personificada, aquele que passará o resto da vida sendo trouxa e que mentiu para vários alunos, ao fingir um atropelamento. O motivo pelo qual pedi a ajuda de Runch, foi o de me aproximar da pessoa que gosto e não passar mais vergonha publicamente. Não preciso de ajuda para isso! Mas o senhor 'Doutor do Amor', teve uma “brilhante” ideia e não quis voltar atrás, mesmo eu indo de contra e dizendo que seria muito perigoso. Até Jungkook insistiu que era um bom plano; um aluno que mal sabia o que estava acontecendo. Em menor número, minhas opiniões não tinham força.

Tive de ceder, ele era o profissional e eu, o seu cliente que estaria sujeito a todas as suas ordens. Até mesmo a de acordar às sete da manhã de um sábado para estar na casa dele às oito.

Estava começando a me arrepender de ter dado ouvidos a Taehyung.

Entretanto, dentro de mim ainda existia força de vontade, querendo dar continuidade ao que comecei e ver onde tudo daria. Ao sair do táxi que havia pego, conferi no papel pequeno e amassado em minha mão direita, o número da casa que Runch me informou por mensagem na noite anterior, e cheguei a ficar triste ao confirmar que eu estava na frente dela. Enfim, caminhei até a porta, com os passos mais curtos possíveis, pois, não queria ficar sozinho com alguém quase desconhecido. Até ver uma senhora no outro lado de uma cerca baixa — regando as flores do jardim em frente a casa vizinha —, olhar estranho para mim. Não me senti confortável com aquilo, então apressei os passos e bati na porta, repetidas vezes quando a alcancei. Impaciente, toquei a campainha também, desesperado.

— Bom dia! — disse Runch, após abrir a porta, tendo um grande e assustador sorriso no rosto. Eu só me perguntava como ele podia estar tão animado naquela hora do dia, e lindo, devo reforçar.

Que o consultor era bonito, isso eu já havia constatado, porém, ele tinha se superado no quesito beleza. Em nossos breves encontros o vi apenas com roupas formais, como um terno preto sobre uma camisa lilás de botões, mas naquele momento ele estava simples; bermuda jeans branca, camisa de mangas curtas rosa e chinelos. O cabelo castanho levemente bagunçado, mas, parecia proposital. Ele estava em casa, se sentia à vontade e eu me sentia o convidado exageradamente formal. Mesmo no calor de 32°, eu vestia um blazer marrom escuro por cima de uma camisa de botões azul-marinho, fechada até a gola. Não abandonei até os sapatos envernizados e calça social preta.

Na verdade, eu não sabia me vestir de forma diferente. Ou era isso, ou meus blusões, shots finos e camisas cheias de rasgos extremamente confortáveis que usava em casa.

— Bom seria às dez — devolvi, com tédio em meu tom de voz. Ajustando com o dedo médio os óculos de grau, que havia descido um pouco em meu nariz.

— Vejo que está bastante animado, então vamos entrando. — Apontou para dentro da residência, saindo da frente para que eu pudesse passar e assim o fiz, não deixando de reparar na impecável organização do lugar quando já estava na sala. Era tudo muito a cara dele, P&B por todos os lados. Não agradava a minha visão, para mim, faltava vida na ausência de luz dos objetos negros e cores nos brancos. Ele não tinha sequer um quadro colorido nas paredes alvas. — Sente-se — pediu, assustando-me ao tirar meu blazer sem aviso e o pendurou em um cabideiro de ferro bem inusitado, que se assemelhava a galhos de uma árvore. Ignorei esse fato e sentei no sofá preto de couro espaçoso, mas nada confortável. O meu bebê de três lugares, vermelho e todo felpudo era bem melhor que aquele. — Aceita alguma bebida…? Vinho, ou uísque? — perguntou ele, olhando para mim.

Franzi o cenho para a pergunta, não podia ser sério. — São oito horas da manhã — o lembrei.

— Chá mate gelado com gengibre e limão, então?

Notei que ele estava apenas sendo educado, então assenti.

— Eu aceito o chá, estou com sede.

Ele sorriu sem mostrar os dentes, exibindo covinhas em suas bochechas e me deu as costas para seguir na direção contrária, adentrando um cômodo que de onde eu estava, deu para notar que era a cozinha, pois, a porta se encontrava aberta. Tudo preto e branco, e o cinza se fazia presente naquele meio também. Runch precisava de um pouco de cor em sua vida, ou pelo menos na casa.

O moreno não demorou muito para voltar com dois copos de chá gelado, dando um para mim antes de sentar ao meu lado. Dei um pequeno gole na bebida e sorri ao sentir seu delicioso sabor.

— Então... Por que me chamou aqui? — questionei, direcionando o meu olhar para ele, baixando o copo que eu segurava.

— Hoje vamos deixar de lado a sua vida amorosa e focar em você. Essa é a segunda parte do meu trabalho que gosto de chamar de “consulta com o psicólogo” — explicou. Meu rosto se contorceu em confusão.

— Mas eu não preciso de um psicólogo — avisei.

Ele riu.

— Não estou chamando-o de louco ou algo assim, todo mundo precisa se consultar com um psicólogo alguma vez, vamos apenas ter uma conversa tranquila. Como de amigos, certo? — Assenti, sem muita segurança nisso. — E para isso, vou estabelecer um laço de confiança com você, lhe revelando o meu nome. Eu me chamo Kim Namjoon e não pode dizer isso a ninguém. Uma vez uma moça veio na minha porta, sabendo quem eu sou e me xingou de vários nomes horríveis porque havia ajudado o, atualmente ex dela, a conquistá-la. Gritou que eu não deveria brincar de ser Deus, que o que eu faço é algo nojento e outras coisas sem importância. Eu não ligo. Gosto do meu trabalho e só quero que as pessoas sejam felizes e encontrem o amor — contou ele.

Fiquei surpreso com as palavras que ouvi e eu não esperava descobrir o nome verdadeiro dele, sem ao menos pedir. Kim Namjoon? Só porque já havia me acostumado a chamá-lo pelo nome horrível que usava em seu trabalho, mas poderia me acostumar com a nova informação.

— Não vou espalhar por aí o seu nome, pode ficar tranquilo. — Sorri para ele e recebi o mesmo em troca.

— Ok, vamos começar! — exclamou, deixando o copo ainda cheio com o chá sobre a mesinha de centro e se levantou, andando até o raque da TV, onde também estava um som. O ligou todo animado e colocou uma música famosa para tocar em volume baixo. — Gosta de música? — perguntou algo enfim.

— Claro — respondi baixo, sem saber onde ele queria chegar com aquilo. — Quem não gosta de música tem sérios problemas.

— O que gosta de ouvir?

— Clássico.

— Ah, então gosta de Guns N' Roses, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Beattles, Pink Floyd...? — citou-os, sorrindo.

— Não — neguei. — Gosto de música clássica, composta por Vivaldi, Mozart, Beethoven e outros artistas clássicos.

— Por isso que não tem namorado — murmurou. Sua sinceridade era pior que a de Taehyung. — Admire uma obra de arte musical… — disse ele, pegando um bloquinho de notas e uma caneta preta ao lado da enorme TV e olhou para mim. — Sweet Child O'mine, baby.

Mais uma vez deu aquele sorriso; acompanhado de um olhar que o decifrar da expressão me era desconhecido. Não sei o que houve naquele momento, mas a gola da minha camisa pareceu ter ficado mais apertada e o ambiente mais quente.

She's got a smile that it seems to me

Reminds me of childhood memories

Where everything was as fresh

As the bright blue sky

Ele começou a cantar baixinho, vindo na minha direção. Claro, que tinha a intensão de se sentar novamente ao meu lado, mas não foi o que pareceu na primeira impressão. Sua voz era agradável de ouvir, contudo, isso não deveria fazer parte do trabalho dele. Quem canta uma música de gosto próprio para um cliente?

Now and then when I see her face

She takes me away to that special place

And if I stare too long

I'd probably break down and cry

Com os dedos indicador e o polegar da mão direita, encenou tocar uma guitarra com o bloquinho de notas. Não me segurei e ri, não dele, mas da situação. Ele cantava bem e me surpreendeu com sua interpretação. Eu só não poderia rir abertamente, pois, digamos que… Minha risada não fosse uma das melhores que existem.

Oh! Oh! Sweet child o' mine

Oh! Oh! Sweet love of mine

— Gostou, né? Está sorrindo. — Se sentou finalmente, observando-me. Isso me deixava completamente desconsertado. — Seu sorriso é muito bonito, Kim Seokjin. Deveria usá-lo mais vezes.

— P-podemos falar sobre o-outra coisa? — pedi baixo e nervoso.

— Tem razão, vamos conversar sério agora — concordou, mudando a sua postura quase de imediato. — Pelo pouco tempo que tivemos contato, percebi que você é muito inseguro, não tenho certeza se só consigo ou ao se relacionar com pessoas, quem sabe até os dois. Pode esclarecer?

— O-o quê?

Por favor, não me achem burro por ter perguntado isso. Até o momento eu estava surpreso com tudo o que Runch havia feito desde que cheguei à sua casa e eu não esperava tal questão vinda dele. Pensei que seu trabalho fosse apenas fazer com que duas pessoas virassem um casal.

— Inseguranças. Você tem alguma? Há algo que o deixa desconfortável ou envergonhado sobre si?

Baixei a cabeça e tentei pensar em uma resposta, e sim, havia muitas inseguranças que me perseguiam. Só não sabia como contá-las.

— Ah… Eu… Talvez quando… — murmurei, não conseguindo me expressar.

— Como pode querer se aproximar de alguém, se nem ao menos falar com ela consegue? Como imagina os dois em um encontro se não terá com ele um bom papo? Como pensa que teriam um momento mais íntimo se fosse ter medo, vergonha e corar o tempo todo? Como pode sequer pensar em tocá-lo se travaria a qualquer instante? — soltou todos os questionamentos, provavelmente sem esperar por resposta, pois voltou a falar. — Você tem que reconhecer as suas inseguranças, dar um basta nelas e ter iniciativa! Então… você tem alguma?

— A-acho que s-sim — gaguejei ao responder e assenti. Me sentia um idiota por gaguejar tanto, nem tinha dislalia e as palavras simplesmente pareciam se embaralhar na minha língua.

— Pode me dizer quais? Precisamos resolvê-las antes que eu te coloque na frente daquele cara, com o propósito de juntá-los e de nada adiantar porque você vai sair correndo ou travar quando isso acontecer — disse tocando o meu braço. “Não toque em mim”, pensei em dizer, mas não o fiz, apenas puxei meu braço para mais perto do meu corpo. — Muitas coisas podem causar essa sensação, como as espinhas na adolescência, os arrependimentos, os colegas de escola, um passado traumático ou uma experiência negativa.

— C-chega! — o interrompi. — Vou contar o que quer saber… — Suspirei antes de começar a falar. — Eu sempre fui muito introvertido, tímido e sempre tive problemas para fazer amizades por ser calado demais. Mas não quer dizer que nunca tive amigos, foram poucos, mas tive. Taehyung sempre esteve comigo desde os meus oito anos e conheci muitas pessoas por causa dele, até meu primeiro namorado, que… me trocou por outro. — Baixei a cabeça e soltei mais um suspiro com a lembrança.

— Entendi… — ouvi o outro dizer. — Mais alguma coisa?

— Ser desastrado também sempre foi um grande problema para mim e me trouxe vários outros, no ensino médio principalmente…

“Todos me achavam um otário nerd, me tratavam como lixo e me usavam como divertimento próprio, tirando brincadeiras idiotas com a minha cara e soltando piadinhas quando eu estava por perto. O extremo que chegaram, foi quatro imbecis me tirarem a força do banheiro masculino, quando eu tomava banho depois de uma aula de educação física e me largarem pelado no meio do pátio da escola, para todo mundo ver. Todo mundo riu de mim e não teve uma alma boa ali no meio que teve pena da minha situação. Minha sorte foi o Tae ter aparecido na hora. Ele não teve vergonha alguma ao tirar a própria calça e dá-la para que eu vestisse e ainda saiu comigo com o nariz empinado enquanto todos o viam de cueca. Mesmo com o apoio do meu melhor amigo, eu não consegui voltar a estudar e depois de semanas sem ir para aula, meus pais pediram minha transferência.”

Olhei para Runch, que tinha a boca levemente aberta após o meu relato e eu sentia vontade de chorar. Era doloroso lembrar de tudo que sofri.

— Nunca ouvi um caso de bullying tão grave assim, isso deve ter te causado muito sofrimento — disse baixo e eu concordei com a cabeça.

— O último ano foi mais tranquilo, mas fiquei um pouco isolado por não conhecer ninguém na nova escola e era inseguro demais para tentar me aproximar de alguém. Enfim, tudo foi uma grande droga até eu terminar a faculdade — eu continuava contando e ele me escutava atentamente, parecendo interessado em cada detalhe do que eu dizia. — As coisas só melhoraram quando eu conheci um amigo de uma prima. Ela nos apresentou, viramos amigos e com um tempo, começamos a sair em encontros românticos, nos envolvendo em um relacionamento depois. O problema era que o Jimin gostava muito de sair, ir à festas e estar rodeado de vários amigos. E é compreensível, ele é mais jovem do que eu e gosta de se divertir, mas eu não conseguia acompanhar o ritmo dele, então… resolvemos ser apenas amigos. — Sorri ao lembrar do rapaz que não via tinha um bom tempo.

— Fala como se fosse um velho, você só tem vinte e oito anos, Seokjin.

— Eu me sentia um velho perto dele. Depois do trabalho só queria chegar em casa, assistir minhas séries, ver um filme, ler um livro, limpar o meu apartamento, escutar o silêncio e tê-lo em meus braços no conforto do meu sofá. Mas o Jimin queria mais do que aquilo e eu não poderia dá-lo uma vida de aventuras, ainda mais tendo que corrigir trabalhos ou provas dos meus alunos fora do meu expediente. — Ri, mesmo sem haver graça. — Acho que foi melhor assim, ele encontrará alguém com a mesma energia dele e não terá alguém tão inferior como namorado.

— Desculpe, mas “inferior” como? — quis saber Runch.

— Ah… Ele é tão lindo e eu… — falei um tanto envergonhado e ajustei os óculos em meu rosto novamente.

— Quer dizer que não se sente bem com a sua aparência? — questionou cuidadosamente.

— A beleza nunca foi importante pra mim, mas tenho a plena consciência de que não chamo atenção por ser… como sou. — Dei de ombros.

— Certo que beleza não é tudo, mas se cuidar é importante! Não custa nada dar um trato no visual de vez em quando, isso aumenta a auto-estima da pessoa. E esse é um ponto que vou trabalhar com você, mas em outro momento. Enquanto isso, você pode abrir os primeiros botões dessa camisa e dobrar essas mangas até os cotovelos, está quente demais e não sei como ainda não desmaiou. — Ele riu baixo e mesmo estranhando seu pedido, o fiz lentamente. — Já que você se abriu comigo, eu quero que anote aqui… — empurrou o bloco de notas e a caneta até mim sobre a mesinha de centro —, todas as suas inseguranças, medos, enfim, tudo que o faça se sentir inferior. Em seguida, quero que rasgue o papel e pense que está se livrando de tudo isso e que nada irá impedi-lo de ser feliz a partir de agora — concluiu.

No início parecia bobagem aquele exercício, porém, fiz o que ele pediu, anotando resumidamente tudo o que me deixava mal sobre mim e minhas experiências passadas. Em seguida, rasguei o papel e sorri, ao tentar acreditar no sucesso do que havia feito.

— Bom, agora vamos falar sobre Oh Sehun. É esse o nome dele, não é?

Esse sim era um assunto que me interessava, e muito.

— Ah, ele é tão lindo, gentil, lindo, cheiroso, e lindo, tem uma voz tão bonita, é lindo, o sorriso dele sempre alegra o meu dia, às vezes eu não consigo parar de imaginar o quanto o beijo dele deve ser bom e já falei que ele é muito lindo? — falei todo animado; o sorriso em meu rosto deveria estar de orelha a orelha.

— Uau, você parece uma adolescente de quinze anos apaixonada quando fala dele — disse Namjoon, rindo de mim. Que maldade!

— Sei que é idiota, mas fico assim quando penso nele. Eu só queria não ter me interessado pelo meu colega de trabalho. Nossas conversas não passam de assuntos sobre a escola, os alunos, há uma troca de “bom dia” e “boa tarde” e na hora do almoço nunca ficamos sozinhos, pois sempre aparece algum outro professor para nos fazer companhia. E mesmo que isso acontecesse, eu não conseguiria ter uma conversa mais pessoal com ele e sempre travo quando tento dizer o que sinto e que quero sair com ele. Tenho medo de levar um fora também.

— Você ao menos sabe se ele gosta de homens? — Balancei a cabeça positivamente.

— Ele comentou isso, e sobre estar solteiro, com uma outra professora, que é amiga minha. Ela sabia do meu interesse por ele e correu para me contar.

— Ótimo, então não temos tempo a perder. Tenho outro plano e vamos colocá-lo em prática na segunda.

Um medo tomou conta de mim, sendo misturado a uma ansiedade que me fez tremer. Não queria passar mais vergonha e muito menos na frente do Sehun.

— Por favor, não me faça encenar um atropelamento mais uma vez, ou cair de uma escada, ou pular de uma ponte para chamar a atenção dele! — pedi alto e amedrontado.

— Relaxa. Você não fará nada disso e o Jungkook será a causa do seu momento com o Sehun segunda — falou calmo demais, sorrindo mais do que deveria e eu fiquei com medo.

— Esse era um ponto que eu queria falar com você… Será que dá para não envolver o meu aluno nisso?

— Tarde demais, ele já está envolvido.

Nada acabaria bem, eu tinha certeza disso.

[…]

A maldita segunda-feira não demorou a chegar, justo quando desejei que nunca chegasse. Runch fez segredo quanto aos seus planos e apenas me disse para “deixar as coisas rolarem”. Não sou o tipo de pessoa que “deixa as coisas rolarem” e liga o “foda-se” para tudo, sou do tipo que planeja e vê todos os planos fracassarem. A única coisa que o consultor pediu, foi para que eu não fugisse quando estivesse sozinho com Sehun. Como ele conseguiria fazer isso estando longe eu não sabia, mas que Jungkook estaria envolvido, com certeza estaria. E o que esse garoto aprontaria, para mim também era um mistério.

Se arrependimento matasse eu já teria virado pó debaixo do chão há muito tempo.

— Mas ele é tão gentil e educado e me trata tão bem… — era para eu estar ouvindo minha amiga que não parava de falar, mas minha cabeça estava em outro lugar. — E um bom partido está difícil de se conseguir hoje em dia — Hyuna continuava a dizer e eu queria morrer, por isso me debrucei sobre a mesa da sala dos professores, ainda sentado em uma cadeira desconfortável. — Você está me ouvindo, Jin?

Levantei a cabeça e a encarei, nada feliz. — Você quer um homem que te dê atenção o tempo todo, seja gentil, atencioso, romântico, repare em você sempre que mudar o cabelo, te elogie dezoito horas por dia e lhe encha de presentes, dizendo que você merece e é a mulher mais bonita do mundo, não é? — Ela assentiu e sorriu, fofa. “O que Taehyung diria?”, me perguntei internamente, tendo em mente palavras que ele certamente falaria, segundos depois. — Esse homem não existe, acredite, já estou procurando há tempos. O máximo que encontrará será um com metade das qualidades que procura.

— E se um dia eu encontrar um com todas as qualidades que procuro? — perguntou ela, cruzando os braços. — Tenho certeza que já encontrei.

— Um cara que conheceu em uma loja de lingerie, comprando calcinhas para a mãe? Sério, Hyuna? Homem nenhum faz isso. — Ri alto.

— Esse cara está claramente te usando, querida — disse uma outra professora que estava ali na sala, que tinha quase o dobro da minha idade.

— Viu? Escute a voz da sabedoria. — Continuei rindo, vendo um fofo biquinho nos lábios de minha amiga. — Já pensou em virar lésbica? Ouvi dizer que a maioria das garotas tem todas essas qualidades que você procura em um homem, teria mais chances de encontrar alguém que valha a pena — falei mais baixo, só para ela ouvir.

— Eu teria que experimentar para saber se gosto, né? — tentou dizer brava, mas tive quase certeza que ela pensou no que eu disse.

Estava prestes a respondê-la no estilo Taehyung, quando alguém abriu a porta da sala e enfiou apenas a cabeça para dentro. Ver aquele sorrisinho, com os dentinhos da frente grandinhos e gengivas a mostra, me fez estreitar os olhos. Mal podia esperar para saber o que Jungkook fazia ali, se ele era do tipo de aluno que queria distância dos professores.

— Professor Jin, o senhor pode vir aqui, por um segundinho, por favor? — chamou, juntando as duas mãos rente ao peito.

Pedi licença às professoras para me levantar e segui até o aluno, sendo puxado para fora da sala por ele em seguida.

— O que deu em você, Jeon? Diga logo o que quer, menino — falei irritado pelo comportamento dele.

— Apenas ande — disse simples, me empurrando para começar a andar, e eu não saberia dizer para onde.

— Andar para onde, pode me dizer? — questionei, tentando parar, mas uma de suas mãos em minhas costas me impediu. Se ele tivesse uma arma em mãos, com certeza pareceria estar me fazendo de refém.

— Siga em frente e não pare — praticamente ordenou.

— Jungkook, o que está fazendo?

O garoto havia me deixado cego, mais do que já era, empurrando-me sem me dar a chance de desviar de alguns alunos que transitavam pelos corredores largos, mas bastantes cheios por ser intervalo de aulas. Se a nota dele fosse vermelha no final do semestre ele já saberia o porquê.

— O que me pediram para fazer — respondeu, dando de ombros.

— Se isso é algo que o Runch pediu não precisa fazer.

— Ele vai me pagar por isso. Agora pede desculpas.

— O quê? — questionei confuso. “É para pedir desculpas pra ele?”, me perguntei.

— Só pede desculpas pra ele.

— Ele qu…? — Não tive tempo de terminar a pergunta, Jungkook me empurrou novamente, fazendo-me trombar com alguém e arregalei os olhos ao ver quem era a pessoa. O nervosismo se fez logo presente e tentei maquinar em minha cabeça sobre o que dizer. Acabei por ficar calado, sendo mais uma vez trouxa na frente dele.

— Está apressado, Jin? — Sehun perguntou para mim, sorrindo.

Jin. Ele me chamou de Jin, e não Seokjin. Mas ele me chamava das duas formas, então não era tão importante assim. Queria dizer que devolvi uma resposta boa, mas as palavras me traíram mais uma vez.

— Ele quis pedir desculpas por não prestar atenção, só estava tentando me acompanhar — respondeu meu aluno para ele, depois da minha sessão de palavras gaguejadas. — Estávamos conversando sobre um projeto que preparei para a escola, que muitos alunos gostariam e até mesmo os professores — continuou.

— Ah é? E o que seria? — Sehun colocou alguns papéis entre o braço esquerdo e a região das costelas e olhou para o garoto, aparentemente interessado no que ele tinha a dizer. Eu fazia cosplay de estátua.

— Um projeto para convencer o diretor e o coordenador a colocarem uma máquina com refrigerantes e sucos no corredor principal da escola e outra com doces e salgadinhos. É um bom investimento, garanto. — O que Jeon queria dizendo aquilo com certeza não tinha nada a ver comigo e Sehun. — Adolescentes adoram comer besteiras e isso deixaria a escola um pouco mais interessante.

— Acho que eles não aceitariam isso, ainda mais se tratando de alimentos não saudáveis — contrapôs Sehun, parecendo se divertir com aquela conversa.

— É só usarem produtos com pouco açúcar, gordura, sódio, essas coisas — rebateu, dando de ombros antes de pôr as mãos nos bolsos da calça. Esse menino tinha péssimas manias. — O professor Jin concordou com a minha ideia e disse que assinaria o documento do projeto. Não é? — Ele olhou para mim; meu corpo enrijeceu.

— Eu… É… Não sei… Quer dizer, a-acho que sim… — Comecei a rir, sem motivo algum.

Tudo que Namjoon tinha me dito no sábado tinha se tornado branco em minha mente, até aquele exercício do papel com minhas inseguranças parecia ter sido em vão. Acho que no mundo todo não existia pessoa mais tímida do que eu. Concentração, Jin.

— Parece ser… uma ideia bacana, e crianças gostam de comer besteiras, não custa nada tentar conseguir as máquinas. — Sorri desajeitado e desviei meu olhar para o chão.

— Enfim — Jungkook retomou a conversa. — Vou tentar conseguir assinaturas de outros alunos, tchau.

Levantei a cabeça somente para assisti-lo se afastar, incrédulo. Se fosse meu filho, lhe daria uma boa lição, com certeza. Tentei ignorar Sehun ao meu lado, mas não poderia fazê-lo por muito tempo e quando olhei para ele, o vi sorrindo, de uma forma exorbitantemente linda. Eu queria dizer algo para quebrar o silêncio, mas fiquei com medo de falar algo vergonhoso, e graças ao G-Dragon, ele que resolveu puxar assunto.

— Você concordou mesmo com a ideia do garoto?

— Sim — respondi hesitante. Pena que não baixava em mim o espirito Taehyung quando estava na frente de alguém com quem queria flertar. — Mesmo achando absurda, gosto de vê-lo empenhado nisso.

— Entendi… — Assentiu ele, rindo baixo. Esperava que isso fosse algo bom. — Estava indo para a sala dos professores?

Tive de pensar para responder. Não fazia sentido acompanhá-lo, mesmo querendo muito. Runch certamente me diria para aproveitar a oportunidade. — Estava… Jungkook tomou minha atenção e acabei me esquecendo de pegar minhas coisas.

— Tenho que pegar os equipamentos para passar alguns vídeos para os meus alunos agora — disse animado, começando a andar na direção de onde eu tinha vindo. Nunca gostei de química, entretanto, adorava aquele professor, mesmo não sendo meu. O acompanhei, andando ao seu lado e apenas escutei o que ele dizia. — As crianças gostam de coisas assim, às vezes entra algo na cabeça delas… — “Queria que algo seu entrasse em mim”, pensei em dizer, mas onde estava a coragem? Esta tinha ido passear antes que minha mãe me botasse no mundo. — Toda vez eu digo para eles que química é sim interessante e que ela está em muitas coisas… — “E entre nós, ela está?”, pensei em dizer novamente. Nunca passava disso: pensamentos. — Queria saber o que fazer… — “Eu também, Sehun. Eu também”.

Como sempre, nossa conversa não passou de assunto sobre a escola, os alunos, nosso trabalho e tudo que não envolvia algo romântico. Minha boca se manteve fechada a maior parte do tempo, enquanto tinha a atenção totalmente voltada para ele e trocamos um simples “até mais”, antes de seguirmos para as salas onde daríamos aula. Minha vida amorosa era um lixo. Eu era um lixo.


Notas Finais


Namjin virá, muita calma nessa hora, e eu sou o Jin dessa fic. Espero que tenham gostado e até a próxima.

Bjs da Mika :*


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