História ;matéria insignificante - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Periferia
Visualizações 9
Palavras 468
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - ;único


José saiu da rua de seu trabalho naquela madrugada com uma expressão melancólica no rosto. Limpou algumas lágrimas que ele havia feito esforço para que não tivessem saído de seu olho. Encarou aquele telefone antigo, que havia o deixado na mão tantas vezes, prestando atenção nas nove ligações perdidas. José fechou os olhos e jogou o celular longe.

O aperto no seu coração aumentava a cada passo que ele dava. Cada centímetro mais distante de seu ponto de partida era uma pontada no seu coração e outra na sua cabeça. O paletó que José tanto reclamava por apertar o seu pescoço já não o incomodava mais.

De longe, viu um morador de rua dormindo. Tirou o dinheiro da passagem para casa do bolso, jogando-o numa pequena embalagem com alguns centavos miseráveis pertencentes ao mendigo.

Voltou a caminhar, olhando ao seu redor. Via um casal de apaixonados, esboçando um sorriso que havia durado pouco. Logo deu atenção somente ao que vinha a sua frente.

Tinha um destino: a casa onde havia sido criado. A casa cheia de violência, aquela, abandonada, feita de barro. No topo do morro. Ele estava cada vez mais próximo da casa.

Quando chegou nela, José encarou pela última vez o sol. José o olhou como se fosse a coisa mais importante de sua vida. O que mais valia a pena naquele momento. No topo do morro ele se sentou. E ficou lá por horas. Horas e horas, até que sentiu que era a hora de parar. Era a hora de por um fim a tudo.

José passou pela pior situação que alguém poderia ser submetido. E essa é a única vez que essa história será contada. Maria das Graças, sua esposa. Isabela Silva, sua filha. Assassinadas a sangue frio por dois policiais. Não porque elas cometeram algum crime, nunca! A educação que Maria dava e Isabela recebia eram exemplares para sua situação. Mas porque a pele preta e vaidosa da criança os davam graça e os cuidados da velha mãe os davam dó.

Mais um tiroteio. Mais vidas tiradas. Nada fora do cotidiano de um “miserável preto da favela”. É assim que chamam?

E não acaba por aí. “Assim, seu José, a crise tá danada, não dá pra manter. Nós tá fazendo a limpa.  Desculpa, parceiro.”. Mais uma demissão pro histórico. Já estava sem propósitos, mesmo.

Quando José se levantou, entrou na casa. Atravessou o buraco de barro e palha que dava direto pro quarto de sua mãe. Pobre mamãe, que morreu que nem a neta e a genra. Só que foi dentro de casa. Tirou da gaveta do móvel desgastado uma arma. Só uma bala, porque a outra teve outro destino.

José agradeceu a Deus pela vida que teve e puxou o gatilho.

Mas, dessa vez, não teve noticiário que cobrisse essa matéria insignificante.

 



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