História Matter Of Time - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, Justin Bieber, Selena Gomez, Shawn Mendes
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Justin Bieber, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais, Selena Gomez, Shawn Mendes
Tags Camren
Exibições 25
Palavras 4.376
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oiii galerinhaa!
Tudo bem com vocês? Espero que sim...
Bom, como prometido nós voltamos com o segundo capítulo.
Sobre o mesmo, ele é um pouco diferente do que vocês imaginaram, mas digo e repito, é essencial para a estória!
Hum, temos músicas para o Cap! Iremos usar muito essa alternativa (separamos músicas maravilhosas) e seria uma boa ouvirem para dar aquela vibe sabe... Bem, ela se chama "Daughters" do cantor John Mayer (um dos amorzinhos da Sor).

Obrigada desde já pelos favoritos e até mesmo os fantasminhas que leem no sigilo haha. Obrigada mesmo por darem uma chance ao bolinho MOT <33
Sem mais delongas, vamos ao capítulo.

Boa leitura!

Capítulo 2 - Imperium


Fanfic / Fanfiction Matter Of Time - Capítulo 2 - Imperium

04 de setembro, 2006. Miami – Flórida (EUA)

 

Controle.

 

Para muitos essa palavra é sinônimo de poder. Para outros, um estado em que a pessoa chega dentro de sua mente. Um efeito de plenitude e êxtase. Mas o que significa de fato a palavra controle? Ferramenta para o sucesso? Felicidade ou satisfação pessoal?

 

Bem, o controle é sim uma ferramenta para a vida do homem. Não importa idade, raça, gênero. Todos queremos o controle de nossas ações, e até mesmo das vidas de outras pessoas. A busca por tal sensação pode ser catastrófica. Gerar guerras, brigas, destruição, porém a principal consequência é a perdição. Durante a caminhada chamada vida, a pessoa se perde. Começa a existir em um planeta e esquece de viver. Ela se torna oca, sem princípios e sonhos fazendo com que a felicidade se extinguir assim como a plenitude.

 

Em outras palavras, é quando a pessoa morre, mas continua respirando.

 

No entanto, o controle não é um todo ruim. Ele é importante até um certo ponto já que precisamos buscar sempre algo mais em nossas vidas. Importante, mas em excesso se torna desnecessário. Na verdade, tudo em excesso faz mal e portanto, o controle não seria diferente.

 

Lauren sabia disso. Sempre soube e por isso, sua busca pelo aclamado controle era pequena. Ela queria alcançar suas metas como cursar uma boa faculdade e enfim, tornar-se médica. Assim que alcançasse, deixaria seus instintos guiá-la nas demais trajetórias, porém a jovem continuava humana e não me entenda mal, mas nossa espécie é falha. Ela cai diversas vezes para se erguer e talvez, só talvez, rumar para o caminho certo. Já diziam os antigos: Feliz o homem que olhar para frente e ajustar seu caminho conforme a necessidade.

 

Apesar de tantos conselhos, a morena de olhos verdes ainda era humana. Buscava a independência como todos os jovens de 17 anos e também em ter algumas cordas de sua vida em mãos para que não se perdesse. Um pequeno objetivo. Controlar o último ano do colégio e depois, seguir.

 

Apenas seguir.

 

Porém, sabemos que o destino adora brincar conosco. Tirar o famoso controle de nossas vidas. Deixar-nos cair em queda livre até alcançarmos o poço ou algo do tipo.

 

Com Lauren não seria diferente. Mal sabia a adolescente, mas ela estava prestes à perder o controle.

 

— Lauren querida, seu pai quer saber se consegue ficar pronta em 15 minutos, ele lhe dará uma carona - avisou Clara, colocando a cabeça através do arco da porta, o suficiente para ver a filha mais velha encher a boca com o resto do cereal que tinha no prato.

 

— S-só vou escovar os dentes - Lauren respondeu com a boca cheia e correu para o andar de cima pulando os degraus de dois em dois, enquanto engolia a comida, na medida do possível.

 

O primeiro andar da casa era divido entre três quartos - o de Chris, de seus pais e o seu e de Taylor -, um banheiro e o escritório do seu pai. Nada glamoroso. Na verdade, sua vida não tinha nada de glamorosa, vivia como qualquer garota de classe média, as vezes a situação decaia, mas nada exageradamente. No fim não podia reclamar de nada, sua família sempre estava forte e junta, nada mais importava.

 

A morena adentrou no banheiro, ao terminar de engolir tudo, e começou a escovar os dentes rapidamente. Odiava ter que andar até o colégio, e o ônibus sempre dava um jeito de atrasar, então valia a pena se engasgar um pouco em troca de uma carona.

 

Play – Daughters (John Mayer)

Menos de três minutos depois, Lauren já se encontrava em frente à casa de primeiro andar, e com um jardim verde. Seu pai já estava dentro do Jeep Compass, e a esperava enquanto tamborilava os dedos no volante ao som de “Daughters”, do John Mayer, cantor favorito da menina e seu pai. Por mais que o homem tivesse preferências ao John Lennon, ele sempre cederia espaço ao gosto de sua filha. Mas ambos tinham o mesmo gosto para músicas, a garota herdara isso do pai, era por isso que na maioria das vezes os dois se juntavam no escritório dele apenas para ficar ouvindo seus vinis enquanto faziam seus trabalhos em um silêncio incomum. Esses eram os momentos preferidos da garota, ficar com seu herói ouvindo seus outros heróis.

 

I know a girl

Eu conheço uma menina

She puts the color inside  of my world

Ela põe cor dentro do meu mundo

 

— Daughters? - questionou ao pai, entrando e ouvindo a música ressoar no som do carro.

 

But she´s just like a maze

Mas é como um labirinto

Where all of the walls all continually change

Onde todas as paredes mudam continuamente

 

— Exato - respondeu Mike sorrindo ao ver o brilho nos olhos de sua filha e o singelo sorriso que aparecera em seus lábios.

 

And I’ve done all I can

E eu fiz tudo que eu posso

To stand on her steps with my heart in my hands

Para seguir seus passos com meu coração nas mãos

Now I’m starting to see

Agora eu estou começando a entender

Maybe it´s got nothing to do with me

Talvez isso não tenha nada haver comigo

 

No fim do dia só a música conseguia tirar aquele sorriso bobo da menina. Ele sabia que quando ela se apaixonasse seria exatamente aquele sorriso que ele veria no rosto da garota, e era isso que temia. Que ela se apaixonasse e acabasse esquecendo da música, dos momentos únicos que eles tinham juntos com a música. Mas era claro que ele não diria isso a ela, não tinha necessidade disso por enquanto.

 

Fathers, be good to your daughters

Pais, sejam bons com suas filhas

Daughters will love like you do

Filhas amarão como vocês amam

Girls become lovers who turn into mothers

Meninas se tornam amantes que se transformam em mães

So mothers, be good to your daughters too

Então mães, sejam boas com suas filhas também

 

— Animada para o primeiro dia de aula? É seu último ano... Céus, passou tão rápido - suspirou, enquanto manobrava o carro para fora da rua estreita do bairro onde moravam, o Upper East Side.

 

Oh, you see that skin?

Oh, você vê essa pele?

It’s the same shes been standing in

É a mesma pessoa que está dentro

 

— Por favor papai, o senhor também não. Ontem a mamãe quase chorou quando me viu olhando o site da faculdade. Vocês estão muito sensíveis com esse assunto, mesmo sabendo que não vou sair de Miami - reclamou à menor enquanto ajeitava a mochila preta com roxo nos pés de seu all-star vermelho surrado.

 

Since the day she saw him walking away

Desde o dia em que ela o viu indo embora

Now she’s left

Agora ela está abandonada

Cleaning up the mess he made

Limpando a bagunça que ele fez

 

— Claro que estamos sensíveis! Você está crescendo Lauren, daqui a nove meses fará 18 anos e irá pra faculdade daqui a um ano, e mesmo que continue em Miami vai sair de nossas asas e morar sozinha. Nenhum pai se acostuma com a ideia de ter seu filho saindo de casa. Como vou sobreviver sem seu mal humor matinal?

 

So fathers, be good to your daughters

Então pais, sejam bons com suas filhas

Daughters will love like you do

Filhas amarão como vocês amam

Girls become lovers who turn into mothers

Meninas se tornam amantes que se transformam em mães

So mothers, be good to your daughters too

Então mães, sejam boas com suas filhas também

 

Era sempre assim, mesmo quando o assunto pedisse para ser sério, o homem arrumava um jeito de tornar as coisas mais engraçadas e leves. Com uma leve risada Lauren olhou para o pai com ternura e lhe ofereceu um sorriso sincero.

 

Boys, you can break

Com meninos, você pode ser rude

You’ll find out how much they can take

Você verá o quanto eles aguentam

 

— Primeiro, eu melhorei muito no mal humor ok? Segundo, mesmo que eu seja necessária para sua sobrevivência naquela casa, não vou esquecer de vocês, ou sair do universo só por que estou indo para a faculdade. Eu amo vocês certo? Então larguem desse medo bobo.

 

Só bastou a última declaração da garota para desarmar o mais velho. Lauren era sempre amorosa com os mais, isso era inegável, nunca se envergonhava como a maioria dos adolescentes ao dizer que amava seus pais. Mas ouvir aquilo ainda continuava sendo motivo de emoção para Mike.

 

Boys will be strong

Meninos serão fortes

And boys soldier on

Serão soldados

But boys would be gone without warmth

Mas os meninos estarão perdidos sem o calor de

 

— Eu e sua mãe também te amamos filha, muito. Quando amar vai entender o nosso medo de perdê-la, é como perder uma parte de nós que nunca pode ser recolocada, por que quebra-cabeças se constroem por peças diferentes - desabafou enquanto acariciava o cabelos escuros da filha com a mão livre do volante.

 

A woman’s good, good heart

Um bom, bom coração de uma mulher

 

A morena não queria admitir, mas aquelas palavras tinham surtido um efeito mais forte que o esperado. Perder alguém que se ama não é uma opção, nunca é. É como perder o controle da própria opinião, pensamentos, movimentos e ações. Você perde a si mesmo nesse caminho. Afinal, perder o controle da vida é algo comum, algo incontrolável, nem todos os cálculos são exatos, era admissível perder controle sobre a vida para Lauren. Mas não perder o controle sobre quem se é, era como perder sua identidade, e ela não queria mudar, se agradava do que era.

 

On behalf of every man

Em nome de cada homem

Looking out for every girl

Cuidando de cada menina

 

Mas ela decidiu ignorar esses pensamentos ou entraria em um colapso existencial. Não podia se preocupar com paixões, pois não tinha se apaixonado, estar preocupada antes da hora era idiotice. Era nisso que acreditava, e seria nisso que focaria.

 

You are the god and the weight of her world

Você é o deus e o peso do mundo dela

 

— Está entregue - seu pai sorriu, parando o carro na frente do prédio onde a garota estudava a dois anos. - Vai precisar de carona na volta?

 

— Não, vou voltar com a Dinah, qualquer coisa eu ligo.

 

Dinah era a melhor amiga da garota desde o jardim de infância, uma amizade longa que se dependesse de ambas jamais teria um fim. Nunca se desgrudavam e conheciam tudo, - sem exceções - uma sobre a outra.

 

So fathers, be good to your daughters

Então pais, sejam bons com suas filhas

Daughters will love like you do, yeah

Filhas amarão como vocês amam, sim

Girls become lovers who turn into mothers

Meninas se tornam amantes que se transformam em mães

 

— Filha, - chamou Mike, quando a garota abriu a porta do carro puxando a mochila pela alça - eu te amo. Se comporte.

 

So mothers, be good to your daughters too

Então mães, sejam boas com suas filhas também

So mothers, be good to your daughters too

Então mães, sejam boas com suas filhas também

 

— Também te amo papai, não se preocupe, não colocaria fogo no assento da professora esse ano - piscou lançando um sorriso travesso - ao pai que apenas riu e balançou a cabeça, dando a partida no carro em seguida.

 

So mothers, be good to your daughters too

Então mães, sejam boas com suas filhas também

 

 Observando o veículo se afastar da construção, a adolescente finalmente decidiu caminhar para a entrada do colégio. Por ser o primeiro dia, as aulas seriam mais leves. Apenas uma introdução dos capítulos acreditava Lauren.

 

(Fim da música)

 

— Folha A4! 

Céus. 

― Dinah Jane – disse a garota revirando os olhos enquanto caminhava pelo corredor principal da instituição. – Ainda com os apelidos? 

― Sim, ainda. Cada dia que passa você está mais pálida. Desse jeito terei que levá-la para a praia urgentemente. 

― Cala a boca, DJ – resmungou a mais velha. 

― Pelo menos o humor não mudou. Vem aqui! – antes que Lauren pudesse raciocinar, a polinésia se aproximou agarrando o pescoço da morena e envolvendo-a em um abraço apertado. – Estava com saudades, branquela. 

― Me solte, Dinah. A gente ficou quase a metade das férias juntas e ontem nos vimos. Solta, mamute – pedia a garota tentando se desvencilhar da maior. – Meu Deus, você está mais forte. Larga, desgruda, caramba! 


― Ok, anti-social – mesmo a contragosto, Dinah afrouxou o aperto e instantes depois, se afastou da outra. – Quais aulas temos juntas esse ano? 

Ao escutar a pergunta, Lauren começou a procurar sua agenda na bolsa. Uma semana antes, as informações sobre os horários das aulas eram disponibilizados para os estudantes e como sempre, a jovem anotava em sua agenda de anotações para caso de esquecimento. 

― Aqui... – bradou ao retirar o objeto da mochila e em seguida, abri-lo. – Temos sociologia, história, física e inglês juntas, DJ. 

― Ótimo, não vou sofrer sozinha com física. Aliás, você viu a Velcronica? 

― Você não tem medo mesmo de morrer, hein. Se a Vero te escutar, adeus Dinah Jane. 

― Não dramatize, Gasparzinho. A miss velcro não faz mal nem a uma mosca, quem dirá eu. 

― Quem não faz mal a uma mosca? – perguntou Veronica se aproximando da dupla de alunas que aquela altura, já se encontravam próximas dos armários. – Hey Laur. Mamute. É tão bom ver a cara feia de vocês! 

― O sentimento é recíproco, Vero – comentou a morena de olhos verdes já se aproximando para depositar um beijo casto na bochecha direita da amiga. – Como foi a viagem? 

― A mesma bosta de sempre – respondeu antes de abraçar rapidamente Dinah. – Vocês viram nossas aulas? Só estamos juntas em história. Talvez com a Lauren eu esteja em matemática também. 

― Parece que alguém vai encarar física sozinha... 

― Nem me diga. Só em pensar já estou querendo chorar – suspirou cruzando os braços e alternando o olhar entre suas duas amigas – Nos vemos mais tarde, então. E Lauren, desmanche essa cara, garota. Parece que deu e não gostou, cruzes. 

― Cala a boca, Vero. 

As provocações continuariam se não fosse pelo sinal indicando que a primeira aula estaria começando. Veronica teria inglês enquanto Lauren e Dinah biologia. Atrasar no primeiro dia e ainda mais em uma aula do professor Sanders era algo que simplesmente não poderia ocorrer. 

― Ai meu Deus, tenho que ir. Tenho biologia avançada com o Sanders agora! Tchau, Vero e Dinah. Depois nos falamos – disse em uma rapidez considerável enquanto discava a senha em seu cadeado de combinação. Feito isso, Lauren abriu a mochila colocando alguns livros no armário para que o peso diminuísse. Ao terminar, fechou a porta trancando-o em seguida. 

― Vai, gesso! A Velcro já foi e a maioria dos alunos também. 

― Ok, ok. Vai na frente. - murmurou Dinah, ignorando a pressa da amiga.


[...]

― Vamos, Lauren. Tem sociologia agora... 

A primeira e segunda aulas transcorreram relativamente bem. Senhor Sanders introduziu uma matéria sobre ecologia que, pelo menos para Lauren, era fácil. Na verdade, a garota possuía uma facilidade em determinadas matérias. Gostava de descrições, saber a história por trás de pequenas informações, porém sua paixão mesmo era o corpo humano. Sistemas, tecidos, órgãos, tudo.  A morena era simplesmente fascinada por medicina desde os 11 anos quando prometeu a si mesma que ajudaria as pessoas não importando os comentários fúteis de seus colegas - já que a família apoiava muito seus sonhos. 

― Oh, sim. Até amanhã senhor Sanders – despediu-se com um breve aceno e em seguida, caminhou para perto da amiga. – Desculpe, DJ. Eu me perdi falando sobre uma pesquisa que vi de células-tronco para o professor. Sabia que, se der certo, há uma chance considerada alta para os paraplégicos voltarem a andar? 

― Acho que você comentou comigo, Laur. Parece legal... 

― Legal? Dinah, isso mudaria o mundo! Salvaria milhares de pessoas e--... 

― Ei, ei, o papo fica para depois. Vamos, tem aula da senhora Chase. 

Concordando, Lauren voltou a caminhar pelo corredor juntamente com a polinésia. Não tardou para que as adolescentes chegassem na sala de Meredith Chase ou como todos chamavam, senhora Chase. 

― Bom dia, professora – disseram em uníssono e foram recebidas por um leve sorriso da mais velha. 

― Olá, meninas. Sentem-se, por favor – pediu com extrema educação enquanto as alunas apenas caminhavam para duas carteiras disponíveis na terceira fileira do recinto. 

― A sala está cheia... – ponderou Jane observando os diversos alunos que estavam com os respectivos livros em mãos. 

― Sim, agora dorme Dinah.     Depois eu te acordo – sussurrou Lauren para a amiga que se encontrava ao lado direito de sua mesa enquanto retirava o estojo e livro da mochila. 

― Bom dia, alunos. Para os novatos, sou Meredith Chase. A professora de sociologia. Por favor, permaneçam em silêncio para que a aula possa fluir e no final, debatermos sobre um assunto interessante. 

Meredith era loira, podendo estar na casa dos 50 anos. Sua pele era clara havendo algumas poucas rugas. Hoje, a mulher estava de calça jeans de cós alto com uma blusa de malha branca. Em mãos, anéis e uma aliança de prata. Simples, porém sofisticada. 

― Vamos começar. Bem, na aula de hoje abordaremos alguns conceitos. Primeiro, o que seria sociologia? – questionou a mulher observando com atenção os jovens. Alguns no mundo da lua ou dormindo - que era o caso de Dinah Jane - e outros interessados na disciplina. – Pode falar, senhorita Jauregui. 

― A Sociologia é uma ciência social, professora. Ela tem como base as relações sociais e considera as interações que ocorrem na vida em sociedade seja pela divisão das classes sociais e estudo de grupos. Em outras palavras, a sociologia é uma ciência que estuda a sociedade por meio da observação do comportamento humano. 

― Sim, está correto. Como a Jauregui disse, a sociologia se baseia na sociedade. Tudo que envolve o homem e sua habilidade em conviver com o próximo é sociologia. Agora, eu quero entrar em um ponto e quem sabe, abrir discussões a respeito do tema controle. Na disciplina, há dois tipos de controle: o Mediador que nada mais é que a supervisão de redes públicas e o de Ordem Social, ou conjunto de normas e regras dentro de uma sociedade. No entanto, há o controle pessoal. Capacidade de controlar suas próprias ações. Vocês ainda são jovens, mas logo saberão a dificuldade que é controlar sua vida. Ter “os pés no chão” é essencial para a felicidade e satisfação pessoal, pois todos precisam--... 

― Eu discordo, professora. 

Aquela era exatamente a resposta que Lauren daria. Para a morena, aquilo era o cúmulo. Controle em excesso faz mal e todos sabiam disso, mas mesmo não concordando, ela não interromperia a professora. Iria deixar para lá como em todas as vezes que não concordava com alguma opinião alheia, porém um dos alunos não permitiu. 

― O que disse? – questionou a professora erguendo uma das sobrancelhas já esperando pelos argumentos da jovem. 

― Eu disse que discordo. 

Um tom calmo, voz aveludada. Não reconhecia e, portanto, a curiosidade era praticamente palpável, porém a jovem se deteve em apenas observar a expressão da senhora Chase cair. 

Aquela garota era audaciosa. 

― Seu conceito de controle é equivocado. Não precisamos ter o controle absoluto de nossas ações. Se tivéssemos, não seríamos humanos, mas sim máquinas. Não haveriam erros e portanto, não haveria aprendizado. O homem apenas aprende errando e todos sabem disso. Aliás, tudo em excesso faz mal e o controle não é diferente. Não faz sentido viver uma vida totalmente programada, professora. Se tivéssemos 100% o controle, não haveria anseios. Medos. Sonhos. Fé. Diga-me, gostaria de viver em um mundo sem essas sensações? Pois eu não. O que nos torna humanos é essa busca desenfreada pelo controle. Pela felicidade e satisfação pessoal. Nós temos que temer, sonhar e batalhar por nossos objetivos. Não me entenda mal, ele é sim importante. Devemos tê-lo um pouco para não nos perdemos no meio do caminho, mas ele não é tão necessário como à senhora está dizendo. Ele não é primordial. 

Após a fala da garota desconhecida, a sala inteira se calou. Lauren estava estupefata pela cena e um tanto impressionada pelos argumentos que ouviu e ainda ecoavam por seus ouvidos. 

Eram muito parecidos com os dela... 

― Bem, você está certa, senhorita. Sua linha de raciocínio é impressionante. Se me permite, como é seu nome? 

E foi então que todos os pares de olhos curiosos - menos o da morena de olhos verdes que parecia imersa em tantos pensamentos - vagaram para a figura da menina magra que mantinha uma pose serena, orgulhosa de si mesma. 

― Karla. Karla Camila. 

[...]

Após o breve momento, a aula transcorreu normalmente assim como as demais até que finalmente o sinal soasse anunciando o intervalo. Desse modo, Lauren caminhou com calmaria até o refeitório. Ao chegar, se deteve em apenas buscar a bandeja contendo um almoço simples. Sem regalias. 

― Jauregui! – bradou uma voz bem conhecida enquanto se aproximava com um sorriso nos lábios. – Vamos logo, mulher! Eu estou com fome e você atrasando aqui na fila. 

― Depois eu sou a rude né? Grossa – disse revirando os olhos e finalmente deixando a fila para seguir até uma mesa à esquerda do refeitório onde se podia observar Dinah, Alycia e Thomas em uma conversa que parecia ser amigável. – Cadê o Jake? 

― Jake faltou hoje, Laur. Não estava se sentindo muito bem. 

Concordando com um leve balançar, Lauren e Veronica caminharam até sentarem nas duas de quatro cadeiras disponíveis. Com cumprimentos simples, o grupo de amigos não perdeu tempo e logo estavam falando sobre as aulas que tiveram, porém a morena nem sequer jazia no mesmo plano que os demais. Observava sua comida remexendo-a enquanto relembrava a situação um tanto inusitada que ocorreu na aula de sociologia. Não poderia negar, os argumentos que escutou estavam deixando-a curiosa. Quem seria aquela menina? Ela era uma novata? 

― Lauren... Lauren, terra chamando! Jauregay! 

― O que é? – questionou com um semblante fechado e em seguida, cruzando os braços abaixo dos seios. – Posso mais pensar não? 

― Você está em silêncio há mais de 3 minutos. Achamos que havia morrido, quem sabe – deu com os ombros forçando um descaso. 

― Eu sei que choraria no meu enterro DJ, mas estou bem. Ótima na verdade apenas estava... estava pensando na aula de sociologia. 

― É verdade, eu derramaria algumas lágrimas. Hum, pessoal vocês perderam hoje. Uma novata contrariou a professora Chase na frente de todos. Só faltou chamá-la de burra! 

― Nossa... 

― Você estava acordada? – ergueu uma das sobrancelhas desacreditada. Jane sempre dormia em todas as aulas de Meredith. 

― Estava jogando bolinha de papel no babaca do Phillip, mas eu iria me aconchegar em alguns instantes se não fosse pela latina petulante. Era realmente sabia o que falava. 

Latina? 

Franzindo o cenho, Lauren estava prestes à perguntar sobre a aparência da jovem quando Dinah a cortou anunciando com um sorriso sarcástico estampado no rosto. 

― Ali ela! A menina que deixou Chase no chinelo – apontou com um maneio de cabeça para que os demais reconhecessem a garota. – Ela até que é bonitinha. O que acha Laurenzo? 

― Vai se foder. Já falei para parar de me chamar assim, droga – resmungando, virou o corpo para poder enxergar a tal latina. Como se fosse premeditado, Camila ergueu os olhos do livro que até então lia e fixou as orbes castanhas nos verdes. 

O primeiro olhar. O primeiro castanho no verde. 

Lauren encarou-a até escutar o pigarreio de Vero e se envergonhar quebrando o olhar. 

― O que foi isso, Lauren? 

― Nada. 

― Nada? Hum, ok. Vou falar com ela e perguntar se foi nada mesmo. 

― Dinah! – repreendeu tentando manter a compostura não denunciando seu nervosismo. A verdade era que aquele encontro de olhares havia mexido com a morena. Muito mais do que ela poderia admitir ou sequer entender no momento. 

― Calma, por Deus, só vou chamá-la para a mesa. A coitada está sozinha e hoje é o primeiro dia. Ninguém merece ficar só no primeiro dia de aula, Lauren. Eu já volto. 

Muito a contragosto, a Jauregui apenas bufou irritadiça revirando pela enésima vez os olhos para enfim seguir a polinésia com o olhar. 

― Não vamos perder essa – decidiu Veronica levantando-se e agarrando o braço de Lauren. Sem chances de contestar, a garota se deixou ir aos puxões da amiga enquanto atravessavam o refeitório se aproximando de Dinah e consequentemente da mesa. 

― Hey – cumprimentou Dinah sorrindo abertamente para o corpo magro à sua frente. – Sou a Dinah. 

― Oi... Sou Camila – disse com educação devolvendo o sorriso acolhedor da maior. 

― Bem, essa é a Vero e a outra branquela ali é a Lauren – quase que imediatamente, Veronica marchou para ainda mais perto tendo a outra em seu encalço para então estender a mão à Camila. 

― Meu nome mesmo é Veronica, mas pode me chamar de Vero também. É um prazer, Camila – esperou pelo cumprimento simples e assim que veio, não tardou em abrir espaço para Lauren se apresentar. – Laur... – cutucou a jovem que parecia bem interessada em seu all-star gasto. 

― Ai – ralhou e engolindo em seco, deu dois passos para frente estendendo a mão direita para Camila que não se importou em fixar mais uma vez os castanhos verdes. – Como elas disseram, eu sou a Lauren. É um prazer conhecê-la Camila. Desculpe a falta de modos de minhas amigas, elas são humanóides ainda. 

Céus, eram os olhos mais lindos que já vira na vida. 

― Er, tudo bem. Aliás, o prazer é todo meu Lauren – saboreou o nome da mais velha em seus lábios e sorriu como resposta. Em seguida, encaixou a palma na outra e ao desfazer o aperto, elogiou. – Belos olhos. 

― O-obrigada – sorriu se afastando e rezando para que suas bochechas não se fragmentassem em pigmentos vermelhos. 

― Agora que todas estão apresentadas, não gostaria de almoçar conosco? É o primeiro dia letivo e ficar só não é legal... 

― Eu aceito, mas não estou sozinha. Quer dizer, minha amiga está comprando nosso almoço. 

― Pode levar ela também – sugeriu Vero dando com os ombros. – Como ela se chama? 

― Normani Hamilton.

 


Notas Finais


***

OBS; Não podemos usar palavras de baixo calão aqui, por isso o pequeno (*). Desculpe, mas são as regras :/


Gostaram?
Ashuashu, qualquer coisa pode perguntar aqui ou no Twitter, gente. Não mordemos *carinha de lua* @hipolito_elaine @Sor_Sorvette

Um xero! Até domingo! (dica: preparem os cores porque tá tenso)

― Ells & Sor


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