História May we meet again - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Dra. Abigail "Abby" Griffin, Emori, Indra, Jasper Jordan, John Murphy, Lexa, Lincoln, Marcus Kane, Maya Vie, Octavia Blake, Personagens Originais, Raven Reyes
Tags Arkadia, Bellarke, Clexa, Romance, Skaikru, The 100
Exibições 47
Palavras 2.875
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Capítulo IV


Fanfic / Fanfiction May we meet again - Capítulo 4 - Capítulo IV

Monty

Acordei de supetão com o barulho de um raio caindo lá fora. A chuva pode ser mais assustadora do que pensamos e eu não gostaria de ser um dos guardas lá fora nessas horas.

Nenhum sinal de Raven ou dos outros. Não sei onde estão, mas espero que estejam bem e protegidos em algum lugar. A tempestade pode durar a noite toda e nenhum de nós checou a previsão do tempo - que tentamos adivinhar conforme a posição das nuvens ou das estrelas - antes de partirem.

Encarei as telas penduradas a minha frente. Nada de alertas ou perigos. Até a radiação deu uma trégua com a chuva forte. Os círculos vermelhos pararam de avançar há pelo menos seis horas, foi quando eu consegui fechar os olhos e dormir por algum tempo.

Agora estou acordado. Por mais que eu tente me convencer de que o raio estourando no céu tenebroso de hoje, me despertou do meu pesadelo, eu sabia que não era. Passos no corredor se aproximavam, pesados e apressados.

Alcancei um dos rádios a minha frente e o sintonizei com o de Raven. Devido ao mal tempo, as condições de comunicado estavam horríveis e precárias.

- Chamando Raven! Fomos descoberto! Eles sabem! Atenção! Repito! Eles sabem! - Disse rapidamente e desliguei o rádio sem obter respostas de ninguém.

A porta automática se abriu revelando Abby, Kane e alguns guardas armados. Seus olhos sobre mim não expressavam algo bom. Posso apostar que não estavam aqui para conversar. Se eles sabem vão ir atras dos outros e isso pode estragar tudo o que planejamos e perder o tempo que não temos. Porém, isso depende do quanto eles sabem.

- Abby! Kane! Está uma chuva lá fora... - Comecei, mas Abby se aproximou de mim em poucos passos e se apoiou nos braços da cadeira giratória que pertencia a Raven e que eu estava ocupando. Eu não conseguiria correr, ela bloqueada e me impedia de levantar.

- Onde eles estão? Onde a minha filha está, Monty? - Abby perguntou um tom acima de irritação e preocupação. Abri a boca para responder, porém fui bloqueado. - Não tente negar. Procuramos Clarke, Bellamy, Octávia, Jasper e até menos John Murthy e adivinha só? Não encontramos nenhum deles em Arkadia. E vejo que Raven também sumiu.

- Reunião em grupo? Acho que me esqueceram... - Falei tentando fazer parecer que eu realmente não sabia absolutamente nada. Só que eu sabia absolutamente tudo.

Kane se aproximou e parou ao meu lado, analisando as telas. Sorte a minha que não haviam ameaças piscando em algum canto, ou a minha pseudo verdade iria para o ralo. Literalmente com toda essa água caindo lá fora. Kane me encarou esperando o que eu não queria admitir.

- Monty por favor? Eles podem estar correndo perigo lá fora! Sabemos da radiação e conhecemos você e seus amigos o suficiente para sabermos que não vão parar até conseguir deter as ogivas. Então eles têm um plano e você sabe qual é. Nos ajude a ajudá-los. - Kane falou com toda a sua persuasão na voz. A persuasão que sempre vai funcionar. Bem, sempre funciona com pessoas que não sabem que ele a possui e a usa para conseguir o que quer.

- Não posso dizer. - Confessei num suspiro cheio de culpa.

- Por que? - Abby questionou ficando ereta e me olhando de cima com aqueles olhos críticos de mãe.

- Estão certos. Temos um plano. Mas, se eu disser, vão estragar. É nossa única chance de literalmente, salvar o mundo. Portanto não vou dizer nada a vocês e nem a ninguém até que eles voltem ou até que eu receba um sinal de que A.L.I.E. Esteja em nosso sistema e...

Me calei. Eu sou idiota ou o que? Acabei de contar quase todo o nosso plano para duas pessoas que sem dúvida vão fazer de tudo para nos deter e nos atrapalhar. Nem Abby, nem Kane, nem ninguém de Arkadia confia em um bando de adolescentes que nos primeiros dois dias aqui na Terra conseguiram arrumar centenas de inimigos e causar uma guerra que nunca vai acabar.

Os olhos de ambos entravam sobre mim e a pressão me consumia de dentro para fora. Cale a boca, Monty! Gritei para mim mesmo em minha mente. A ordem não era suficiente para deter minha boca grande de falar cada detalhe do Plano R.

- Vocês vão trazer A.L.I.E. De volta? Vocês enlouqueceram?! - Foi Kane quem gritou.

- Monty isso é insano! Sabe o que ela fez com todos nós! Com o Jasper e seus amigos! - Abby argumentou segurando firme em meus ombros. - Diga a eles para pararem! - Neguei com a cabeça mordendo os lábios para não gritar - Diga!

O grito de Abby me assustou. A ordem foi clara, mas eu não a obedecia. Não quando sua filha era a chanceler e não ela. Não mais. Hoje eu não tenho regras para seguir.

- Não! - Gritei saindo da cadeira e me livrando das mãos delas em mim. - E não vamos trazer A.L.I.E. de volta! Não do jeito que estão pensando!

O silêncio tomou conta do local. A pequena sala da Raven estava um tumulto de três pessoas. Duas visões contra uma, distintas e com pensamentos completamente inversos uns dos outros... isso não é justo.

Abby engolia o choro e erguia a parede dentro dela para impedir que qualquer um ali visse o quanto queria chorar e berrar comigo. Kane segurava a arma na cintura, uma pequena ameaça, porém eu sabia que ele não faria isso.

- Se minha filha não voltar viva - Abby me encarou profundamente nos olhos e os mesmos eram como facas picando minha alma em pedacinhos cheios de agonia - Eu mato você!

E então saiu deixando Kane para trás, comigo dentro da sala. Agora ele podia fazer o que queria. Se atirasse, podia alegar que foi auto defesa e que eu o ataquei para proteger meus amigos e nosso plano suicida. Eu não sabia qual seria a decisão dele. E sim, eu a temia. Se eu morresse, Raven não teria o programa de A.L.I.E em Arkadia e explodiriam tudo em vão. O plano falharia e a esperança acabaria.

- Monty, se me disser onde estão, prometo que vamos ajudar. Vamos encontrar uma solução melhor do que...

- Sinto muito Kane. É a nossa última esperança. Raven acha que pode haver alguma coisa que A.L.I.E. Não nos contou. Sei que não confia em mim ou nos outros, mas, - Olho para ele com toda a minha coragem e confiança em meus amigos - Confie na mecânica que nos salvou. Ela sabe o que faz!

Kane continuou me olhando por alguns segundos. Veio até mim em poucos passos e bateu de leve em meu ombro duas vezes. Apoio? Isso é mesmo necessário depois de ter ameaçado colocar uma bala na minha cabeça? Mesmo que indiretamente?

- Pelo bem de todos nós, espero que saibam o que estão fazendo!

Depois saiu. Fiquei parado ali, encostado em uma das bancadas de alumínio cheia de materiais, fios e papéis. As portas de vidro se fecharam e Kane desapareceu no corredor.

Eu ferrei tudo.

Clarke

O calor que o corpo de Bellamy emanava bem ao lado do meu estava me deixando ansiosa demais. Passei um tempo na floresta por minha conta uma vez e sabia como era difícil esperar uma presa fácil - ou nesse caso nem tão fácil assim. Pois o veado que comia as cascas de árvore a alguns metros de nós nem se deu o trabalho de nós notar ali.

O silêncio estava me dando nos nervos. Qualquer movimento podia assustar o animal e ficaríamos sem comida por horas. Não poder me mover nem ao menos um centímetro me fez lembrar das cãibras que eu tinha na Arca quando ficava muito tempo abaixada no chão duro para desenhar. Eu precisava esticar as pernas.

- Atire logo e vamos embora. - Sussurrei perto do ouvido dele para que eu não precisasse repetir. Odiava quando as pessoas não me entendiam e me faziam falar duas ou mais vezes a mesma coisa.

- Me de um minuto! - Bellamy pediu mirando no veado. O olho espiando pelo buraco espelhado de um dos canos da arma, calculando o alvo.

- Estamos aqui faz duas horas. Ande logo ou Octávia vai vir nos procurar. - Argumentei.

Pow!

A bala voo do cano da arma e acertou a lateral do corpo do animal, perto do pescoço. Não ignorei o susto que tomei ao ouvir o tiro no meio do silêncio insuportável que estávamos. Foi tão grande a surpresa, que eu consegui a proeza de me desequilibrar nos calcanhares e cair para trás, batendo com tudo a cabeça em uma pedra escondida entre a grama alta.

A dor comprovou o pressentimento que eu tinha. Mais um corte para a coleção de cicatrizes em meu corpo. Nunca me machuquei e agora sou um grande pedaço de pele humana remendado aqui e ali.

- Clarke, você está bem? - Bellamy disse se abaixando ao meu lado.

Segurei suas mãos e aceitei a ajuda para me sentar. Eu estava cansada, irritada e agora ferida. Bellamy pousou dois dedos sobre minha têmpora e recuei devido a dor. O ferimento ardia e eu sentia o sangue pulsar para fora dele enquanto os mecanismos de defesa do meu corpo tentavam fechá-lo.

- Estou. Não é nada com o que não tenha lidado antes. - Respondi olhando para minhas mãos a procura de um canto limpo para limpar o sangue que escorria na lateral do meu rosto.

Sujeira total. Terra e não sei nem mais o que ou que serem microscópicos habitam em minhas mãos agora. Se eu as colocasse no corte, morreria de infecção em algumas horas ou mais tardário um dia ou dois. 

Bellamy me encarava duvidando do que eu tinha dito. Ele rasgou uma parte do tecido da blusa - Onde, curiosamente, já havia sido rasgado uma vez antes por conta de um machucado passado ou um ataque - e se aproximou para limpar o líquido escarlate em minha bochecha e depois, estancar a abertura contaminada. Afastei suas mãos e suspirei.

- É só um corte, Bellamy! Vamos!

Me levantei, aumentando a distância entre nós a cada passo que eu dava em direção do veado morto no meio das árvores. A escuridão da noite não ajudava a visão humana. Nada de luz e muitas sombras ao nosso redor, talvez prontas para nos atacar e nos fazer de alimento, como fizemos com o pobre animal. É aquele ditado: 

"Os mortos já se foram e os vivos estão famintos."

Carregamos o veado pelo mesmo caminho tortuoso e úmido que fizemos antes. Perdi a noção do tempo depois que parei de contar cada minuto que se passava para calcular o quão longe estávamos do nosso acampamento improvisado. Levou cerca de uma hora e meia para encontrarmos a chama da fogueira crepitando, já baixa, nos paus de madeira um acima do outro dentro da caverna.

Mesmo Bellamy carregando o animal a cada intervalo de tempo que decidíamos já ser bom para trocarmos o peso, minhas costas estralaram quando as estiquei, deixando as patas traseiros do bicho cair aos meus pés.

Octávia se aproximou e levei o sorriso ao ver a comida como um agradecimento. Colocamos o animal e mais madeira na fogueira para assarmos. Isso daria um bom café da manhã e talvez o almoço do próximo dia se soubéssemos guardar para não estragar.

Nos sentamos, esperando a carne ficar no ponto para se comer e assim que concordamos que já estava comível, cortamos dividindo em pequenos espetos feitos com gravetos perdidos perto do acampamento e comemos. Meu estômago estava feliz comigo, mas meu cérebro não. Ele me odiava pelo fato de eu não ter dormido a dois dias seguidos.

A conversa fluiu entre os irmãos Blake, uma coisa que era rara se tratando de quem foram obrigados a se tornarem para não morrerem. Octávia era forte e Bellamy duvidava de tudo que pudesse, porém ainda era protetor o suficiente para se importar se a irmã estava com frio, fome ou sede.

Sai de fininho. Não queria atrapalhar o clima de família com uma retirada desastrosa. O machucado na cabeça ainda me deixava atordoada às vezes e eu não confiava em minhas pernas e no equilíbrio que me faltava.

Entrei na caverna e olhei para os meus amigos. Raven dormindo preciosas horas de sono que precisaríamos poupar quando chegássemos a casa da A.L.I.E., Murphy em um sono pesado segurando uma adaga grudada ao peito. Até nós sonhos temos que ter cuidado, pois eles podem se revelar realidade por poucos atos ao redor. Jasper abraçado com um cantil nas mãos. Ele ainda bebia e todos sabíamos que perder Maya foi demais para ele. Arrasou seu coração e sua vida.

Me aconchego - se é que posso chamar um chão duro de pedra e uma parede áspera e rochosa de aconchegante - ao lado de Raven. Há uma faca presa em meu joelho e meus dedos foram direto para ela, segurando firme o cabo. É sempre melhor prevenir do que remediar.

Adormecer por alguns minutos e depois acordar - mesmo sem abrir os olhos - era irritante. A preocupação era tanta, que meu cérebro não conseguia desligar do mundo real nem para dormir. Algo que eu realmente precisava. E quando eu consegui, finalmente sonhar com algo bom, alguém me sacudiu pelos ombros rapidamente.

- Estamos indo. - Murphy disse passando os olhos por meu rosto, minha mão na faça e meu rosto novamente. - Bom saber que está atenta mesmo dormindo.

Me levantei bufando de cansado e irritação. Não gosto quando ele me toca ou quando ele diz coisas sem sentido algum e tão aleatoriamente. Faz parecer que é um louco psicótico, pronto para te matar.

- Dormindo? Hum! - Disse caminhando ao lado dele para fora da caverna, onde o Rover já estava pronto para partir com todos ao seus lugares - Não sei mais o que é.

Murphy sorriu de lado e subiu na traseira do Rover. Fechei a porta e fui para meu lugar ao lado de Bellamy no volante. Ele me encarou e sorriu de leve.

- Por que não me acordou? Eu podia ter ajudado a arrumar as coisas. - Falei encarnando seus olhos escuros.

- É a primeira vez que você dormiu desde que saímos de Arkadia. Achei melhor não te acordar. - Ele olhou pelo buraco atras de nós, onde via os outros conversando na parte de trás e depois sorriu ao encontrar meus olhos de novo - Precisava do seu sono da beleza, Princesa!

- Não me chame assim! - Falei na mesma hora desviando os olhos para as árvores que ficavam para trás conforme a velocidade do automóvel aumentava. Liguei o tablet no mapa de Raven e localizei onde estávamos. - De princesa para comandante da morte... Que ironia, não?

- Wanheda! - Bellamy falou ainda me olhando e sorrindo como se aquilo fosse engraçado. - É como um grito de guerra. Demonstra força.

- Não. - Disse confirmando se os níveis de radiação não aumentaram no mapa. - Demonstra medo e ódio.

- As pessoas não te odeiam, Clarke! - Bellamy disse.

- Sim, Bellamy. Elas têm medo de mim por que matei mais gente do que posso contar nos dedos das mãos e dos pés juntos e me odeiam por isso. Por eu ter matado pessoas que elas amavam. Por ter causado tudo isso. Os Trikru, os Skaikru e até mesmos nossos amigos - Olhei de canto de olhos para a janelinha atras de nós. A maioria estava prestando atenção nas próprias tarefas e não na conversa alheia - Jasper me odeia por que tirei Maya dele. Raven me odeia por que matei Finn. Octávia me odeia por que fiz com que Lincoln fosse morto por nos ajudar.  E Murphy... perdeu alguém e posso apostar que foi minha culpa também.

- Não se culpe por ter tomado decisões difíceis, Clarke! Elas fazem parte de quem você é hoje e não deveria ligar se isso faz com que te odeiem ou te amem. Você também perdeu pessoas que amava. - Bellamy falava enquanto alternava os olhos entre mim, o tablete e o caminho à frente.

- É! Só que...

- Só que nada! Você fez o que era preciso pelo seu povo e para proteger a todos. Se não entendem isso que se danem! Você não precisa da aprovação deles, Clarke. Você é Wanheda, Heda ou chanceler... Quer saber, dane-se isso também. Você é você! E eles não podem te culpar por isso! Garanto que nenhum deles tem um por cento da coragem que você tem para vir atras de você buscando vingança.

Encarei ele por longos segundos. Bellamy estava certo. Fiquei esse tempo todo me culpando por tudo, quando o que eu precisava mesmo era chorar por um ou dois dias, depois me levantar e fingir que nada aconteceu. Passado é passado e ressentimento envelhece.

Sorrio minimamente, agradecendo.

- Tem um ditado dos Trikru...

- Ah é? Qual é o ditado Wanheda? - Ballamy perguntou curioso, arqueando uma sobrancelha.

Sorri de volta e respondi:

- Os mortos estão mortos e os vivos estão famintos.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...