História Maybe Someday (Adaptação Clexa) - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Anya, Clarke Griffin, Costia, Lexa, Octavia Blake, Raven Reyes
Tags Clexa
Visualizações 195
Palavras 4.518
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ooooi, como estão?
Como o capítulo ia ser muito curto, eu postei dois.
Boa leitura!

Capítulo 23 - Capítulo 22


Fanfic / Fanfiction Maybe Someday (Adaptação Clexa) - Capítulo 23 - Capítulo 22

CLARKE


Fique calmo, coração. Por favor, fique calmo.

Não quero que ela esteja diante de mim. Não quero que olhe para mim com essa expressão que espelha meus sentimentos. Não quero que sofra como eu. Não quero que ela sinta tanta saudade quanto eu. Nem que se apaixone por mim tanto quanto me apaixonei por ela.

Quero que ela fique com Costia. Que queira estar com ela, porque facilitaria tanto saber que não nutrimos os mesmos sentimentos uma pela outra. Se isso não fosse tão difícil para ela, seria bem mais fácil esquecê-la, mais fácil aceitar sua escolha. Em vez disso, sinto uma dor ainda maior por saber que esta despedida está lhe fazendo mal tanto quanto a mim.

Isso está me matando, porque nada nem ninguém poderia se encaixar na minha vida como ela.

Sinto como se estivesse disposta a destruir minha única chance de ter uma vida excepcional, aceitando uma vida medíocre sem que Lexa faça parte dela. As palavras do meu pai ressoam na minha mente, e estou começando a me perguntar se, no fim das contas, ele tem razão. Uma vida medíocre é uma vida desperdiçada.

Nossos olhos continuam se abraçando em silêncio por mais um instante até que desviamos o olhar para absorver cada detalhe da outra.

Seus olhos percorrem cuidadosamente o meu rosto, como se quisesse guardá-lo na lembrança. Mas esse é o último lugar que quero estar.

Daria tudo para sempre fazer parte do seu presente.

Apoio a cabeça na porta aberta do quarto e olho para as mãos dela segurando o batente. As mesmas mãos que nunca mais vou ver tocando violão. As mesmas mãos que nunca mais vão segurar as minhas. As mesmas mãos que nunca mais vão me tocar nem me abraçar para me ouvir cantar.

As mesmas mãos que de repente me alcançam, me puxando para um abraço tão apertado que nem sei se conseguiria me soltar se tentasse. Mas não estou tentando. Estou correspondendo. Abraçando-a com o mesmo desespero. Encontro conforto ao me apoiar em seu peito enquanto ela mantém o rosto apoiado no topo da minha cabeça. A cada expiração profunda e descontrolada que passa pelos seus pulmões, a minha respiração tenta acompanhar o ritmo. Só que estou mais ofegante, por causa das lágrimas escorrendo.


Already Gone - Sleeping At Last


Minha tristeza me consome, e nem tento contê-la, enquanto derramo lágrimas de angústia. Estou chorando pela morte de algo que nem teve a chance de ganhar vida.

A morte de nós duas juntas.

Lexa e eu continuamos abraçadas por vários minutos. Tantos que tento não contar, por medo de estar ali por muito mais tempo do que seria adequado. Parece que ela também nota isso porque desliza as mãos pelas minhas costas, chegando aos meus ombros, e depois se afasta de mim.

Assim que nossos olhares se encontram, ela solta meus ombros e envolve meu rosto com as mãos. Seus olhos ficam analisando os meus por um instante, e sua expressão me faz odiá-la por amá-la tanto.

Amo o jeito que ela está me olhando, como se eu fosse tudo o que importa. A única coisa que ela vê. Lexa é a única coisa que eu vejo. Meus pensamentos voltam para a letra da música que ela compôs:

E só o que penso é que quero ser a pessoa que foi feita pra você.

Seus olhos se alternam entre minha boca e meus olhos, quase como se não conseguisse decidir se quer me beijar, olhar para mim ou falar comigo.

— Clarke — sussurra.

Ofegante, levo a mão ao peito. Ao ouvir a voz dela, meu coração parece prestes a se desintegrar.

— Eu não... falo... bem — diz ela em um tom de voz baixo e inseguro.

Ai, meu coração. Ouvi-la falar é quase mais do que aguento. Cada palavra que ouço basta para me deixar de joelhos, e nem é por causa do som da sua voz ou do que está dizendo. É porque ela escolheu este momento para falar pela primeira vez depois de 15 anos.

Lexa para antes de concluir o que precisa dizer, dando um tempo para meu coração e meu pulmão se recuperarem. A voz dela é exatamente como imaginei que seria, depois de ouvir sua risada tantas vezes. Sua voz é um pouco mais rouca que o riso, mas também um pouco destoante. De algum jeito, ela me faz lembrar de uma fotografia. Consigo entender suas palavras, mas estão destoantes. É como olhar para uma imagem e reconhecer a pessoa, mesmo sem foco... Como suas palavras.

Acabei de me apaixonar pela voz dela. Pela imagem fora de foco que está pintando com as palavras.

Por... ela.

Lexa inspira suavemente e solta o ar, parecendo nervosa, antes de continuar:

— Preciso que você... escute isto — declara ela, segurando meu rosto com as mãos. — Eu... nunca vou... me arrepender de você.

Batida, batida, pausa.

Inspire, expire.

Contraia, relaxe.

Acabei de perder oficialmente a guerra com meu coração. Nem me dou o trabalho de responder.

Minha reação é expressa pelas lágrimas. Ela se inclina para a frente e beija minha testa, depois solta meu rosto e se afasta lentamente de mim. Cada passo que ela dá para longe de mim faz meu coração se despedaçar. Quase consigo ouvi-lo se partindo. Também quase escuto o coração dela se rasgando no peito e caindo no chão bem ao lado do meu.

Por mais que eu saiba que ela tem que ir embora, estou quase implorando para que fique. Quero me ajoelhar bem ao lado dos nossos corações destruídos e implorar para que me escolha. A parte patética que existe em mim quer implorar por um beijo, mesmo que ela não decida ficar comigo.

Mas a parte de mim que vence é a que fica em silêncio, porque sei que Costia a merece muito mais do que eu.

Mantenho as mãos ao lado do corpo enquanto ela dá outro passo, preparando-se para virar as costas para a porta do meu quarto. Nossos olhares continuam fixos uma na outra, mas, quando meu celular toca no bolso, me sobressalto e desvio o olhar. Ouço o telefone dela vibrar no bolso também.

A interrupção repentina só fica clara para mim assim que ela me vê pegando meu celular ao mesmo tempo que tira o dela do bolso. Nossos olhares se cruzam por um instante, mas a interrupção do mundo externo parece ter nos trazido de volta para a realidade da situação. Retornando ao fato de que o coração dela pertence a outra pessoa e que este ainda é o momento da despedida.

Observo-a ler a mensagem de texto primeiro, incapaz de afastar os olhos dela para ler a que recebi. Sua expressão demonstra sofrimento ao ler o texto, e Lexa balança a cabeça lentamente.

Ela estremece.

Até aquele instante, nunca tinha visto um coração partindo bem diante dos meus olhos. Seja lá o que ela tenha acabado de ler, acabou com ela.

Ela não volta a olhar para mim. Com um movimento rápido, ela segura com força o telefone como se o aparelho fosse uma extensão de si mesma, depois segue até a porta da frente. Vou para a sala e fico olhando para ela, amedrontada, enquanto ando até a porta. Ela sequer a fecha ao sair e desce os degraus de dois em dois, pulando o corrimão para economizar dois segundos na sua corrida desesperada para chegar aonde quer que seja.

Olho para meu celular e desbloqueio a tela. O número de Costia aparece na última mensagem de texto. Abro-a e noto que Lexa e eu somos as únicas destinatárias. Leio com atenção, reconhecendo imediatamente as palavras que ela digitou para nós duas.

Costia: “Costia apareceu ontem à noite uma hora depois que voltei para o meu quarto. Eu tinha certeza de que você ia entrar e contar a ela como fui babaca por ter beijado você.”

Vou direto para o sofá e me sento, sem conseguir me manter de pé. Suas palavras me deixaram sem fôlego, sugaram todas as minhas forças e roubaram qualquer senso de dignidade que eu achava que tinha.

Tento me lembrar de onde Lexa me mandou aquela mensagem.

Do seu laptop.

Ai, não. Nossas mensagens.

Costia está lendo nossas mensagens. Não, não, não.

Ela não vai entender. Só vai ver o que a mágoa lhe mostrar. E não como Lexa estava lutando contra isso por causa dela.

Recebo outra mensagem de Costia, mas não quero ler. Não quero ver nossas conversas pelos olhos dela.

Costia: “Nunca achei que fosse possível ter sentimentos sinceros por mais de uma pessoa, mas você me mostrou como eu estava terrivelmente errada.”

Deixo o celular no silencioso e o jogo ao meu lado no sofá enquanto tapo o rosto com as mãos e começo a chorar.

Como pude fazer isso com ela?

Como pude fazer com ela o que fizeram comigo, sabendo que essa é a pior sensação do mundo?

Nunca senti uma vergonha como essa.

Vários minutos se passam, cheios de arrependimentos, antes que me dê conta de que a porta da frente está aberta. Deixo o telefone no sofá e vou até a porta para fechá-la, mas meus olhos são atraídos para o táxi que acabou de parar bem diante do nosso prédio. Costia salta e olha diretamente para mim enquanto fecha a porta do carro. Não estou nem um pouco preparada para vê-la, por isso saio do seu campo de visão para tentar me controlar. Não sei se devo me esconder no quarto ou ficar aqui e tentar explicar a inocência de Lexa em tudo isso.

Mas como posso fazer isso? É óbvio que ela leu todas as conversas. Sabe que nos beijamos. Sabe que ela admitiu gostar de mim. Por mais que eu tente convencê-la de que Lexa fez tudo o que podia para não sentir isso, não justifica que a garota que ela ama tenha admitido abertamente gostar de outra pessoa. Não tem desculpa, e me sinto uma merda por fazer parte de tudo isso.

Ainda estou parada ao lado da porta aberta quando ela termina de subir a escada. Está me olhando com uma expressão dura. Sei bem que não está aqui por minha causa, então dou um passo para trás e abro mais a porta. Ela olha para os próprios pés ao passar por mim, sem nem conseguir me encarar.

Não a culpo. Também não conseguiria olhar para mim. Se eu fosse ela, me daria um soco bem nesse instante.

Ela vai até a bancada da cozinha e coloca o laptop de Lexa ali em cima sem a menor delicadeza.

Depois segue direto para o quarto dela. Ouço ela remexer nas coisas e, por fim, sai com uma sacola em uma das mãos, e as chaves do seu carro na outra. Ainda estou parada, com as mãos na porta. Ela continua olhando fixo para o chão quando passa de novo por mim. Mas, dessa vez, ela leva a mão ao rosto para enxugar uma lágrima.

Ela passa pela porta, desce a escada e segue até seu carro, sem falar uma palavra.

Quero lhe dizer que pode me odiar. Quero que ela me dê um soco, grite comigo e me chame de vadia. Quero que me dê um motivo para ficar zangada, porque, nesse exato momento, estou com o coração partido por causa dela e sei que não há nada que eu possa dizer para fazê-la se sentir melhor.

Tenho certeza disso porque recentemente passei pela mesma situação na qual Lexa e eu a colocamos.

Acabamos de transformá-la em uma Clarke.

***


LEXA


A terceira e última mensagem chega assim que estaciono no hospital. Sei que é a última, porque foi retirada da última conversa que tive com Clarke menos de duas horas atrás. Foi a última mensagem que mandei para ela.

Costia: “Não me agradeça, Clarke. Não deveria fazer isso, porque falhei totalmente quando tentei não me apaixonar por você.”

Não aguento mais. Jogo o celular no banco do carona e saio do carro. Corro pelo hospital até chegar ao quarto dela. Abro a porta e entro depressa, me preparando para fazer o possível para ela me ouvir.

Mas, assim que entro no quarto, fico angustiada.

Ela se foi.

Toco a testa com as mãos e ando de um lado para outro no quarto, tentando descobrir como posso resolver aquilo. Ela leu tudo. Todas as conversas que tive com Clarke no meu laptop. Cada sentimento que compartilhei com sinceridade, cada piada que fizemos e cada defeito e imperfeição que listamos.

Por que fui tão descuidada?

Vivi 24 anos sem nunca ter experimentado esse tipo de ódio. É o tipo de ódio que domina completamente nossa consciência, que tenta arranjar desculpas para ações indesculpáveis, que pode ser sentido em cada centímetro do nosso corpo e em cada ponto da alma. Nunca havia sentido isso até então. E nunca odiei tanto nada nem ninguém como estou me odiando agora.

***


CLARKE


— Você está chorando? — pergunta Raven sem nenhuma pena, quando entra no apartamento.

Octavia vem logo atrás dela, mas para no instante em que nossos olhares se encontram.

Não sei quanto tempo faz que estou sentada no sofá sem me mexer, mas não é o suficiente para absorver tudo o que aconteceu. Ainda tenho esperança de que tenha sido tudo um sonho. Ou um pesadelo. As coisas não deveriam ter acabado desse jeito.

— Clarke? — chama Octavia, hesitante.

Ela sabe que tem alguma coisa errada porque meus olhos injetados e inchados dão uma boa pista.

Tento formular uma resposta, mas não consigo pensar em nada. Por mais que eu faça parte disso tudo, ainda sinto que a situação entre Lexa e Costia não diz respeito a mim para poder compartilhar.

Por sorte, Octavia não precisa me perguntar o que tem de errado, porque sou poupada pela chegada de Lexa. Ela entra apressada pela porta da frente, atraindo a atenção de Raven e Octavia.

Passa entre as duas e segue direto para o quarto. Abre a porta e sai pelo banheiro segundos depois. Ela olha para Octavia e faz alguns sinais. A amiga dá de ombros e responde, mas não consigo acompanhar a conversa delas.

Quando Lexa diz outra coisa, Octavia olha diretamente para mim.

— O que ela quer dizer? — pergunta.

Dou de ombros.

— Não aprendi a usar a Língua de Sinais desde a última vez que conversamos, Octavia. Como é que vou saber o que ela quer dizer?

Não sei de onde veio meu sarcasmo gratuito, mas tenho a impressão de que Octavia deve ter previsto isso.

Ela balança a cabeça.

— Cadê Costia, Clarke? — Octavia aponta para a bancada onde está o laptop. — Lexa disse que ela estava com o computador dela, então veio para cá quando saiu do hospital.

Olho para Lexa para responder, mas não consigo negar o fato de que o ciúme está me corroendo por dentro ao observar sua reação quando o assunto é Costia.

— Não sei aonde ela foi. Só entrou, deixou o computador e pegou suas coisas. Já faz meia hora que ela saiu.

Octavia sinaliza para Lexa tudo o que falo. Quando termina, Lexa passa a mão pelo cabelo, sentindo-se frustrada. Depois dá um passo na minha direção. Seus olhos estão zangados e magoados, e ela começa a fazer sinais, movimentando as mãos com força. É óbvio que a raiva dela me faz recuar, mas sua decepção comigo desperta minha raiva.

— Ela quer saber como você pôde deixar que Costia simplesmente fosse embora? — pergunta Octavia.

No mesmo instante me levanto e encaro Lexa.

— O que você esperava que eu fizesse, Lexa? Trancasse a garota dentro de um armário? Você não pode ficar brava comigo por causa disso! Não fui eu que não apaguei as mensagens que não queria que ninguém lesse!

Não espero Octavia terminar de sinalizar tudo para Lexa. Vou para o meu quarto, bato a porta e me jogo na cama. Pouco depois, também ouço a porta do quarto de Lexa bater. Os barulhos não param por aí. Escuto objetos sendo jogados nas paredes do quarto, enquanto ela desconta a raiva em todas as coisas inanimadas à sua frente. Não ouço a batida na porta devido ao barulho que vem do quarto de Lexa. A porta do meu quarto se abre, e Octavia entra, encostando-se na porta.

— O que aconteceu? — pergunta ela.

Viro o rosto, sem vontade de responder. Também não quero olhar para ela, porque sei que não importa o que eu diga, só vai deixá-la ainda mais decepcionada comigo e com Lexa. E não quero que ela se decepcione com Lexa.

— Você está bem? — A voz dela está mais próxima de mim. Ela se senta ao meu lado na cama e coloca uma das mãos nas minhas costas para me confortar. Seu toque tranquilizador me faz desmoronar outra vez, então enterro o rosto nos braços. Sinto como se estivesse me afogando, sem forças para tentar subir à superfície para respirar.

— Você disse alguma coisa sobre mensagens para Lexa. Costia leu alguma coisa que pudesse chateá-la?

Viro a cabeça e olho para ela.

— Vá perguntar para Lexa, Octavia. Não devo me meter nos assuntos de Costia.

Ela comprime os lábios formando uma linha fina, balançando lentamente a cabeça enquanto pensa.

— Mas acho que você deve, sim, não é? Isso não tem tudo a ver com você? E não posso perguntar para Lexa. Nunca a vi assim e, sinceramente, estou com um pouco de medo dela agora. Mas estou preocupada com Costia e preciso que você me conte tudo o que aconteceu para que eu possa descobrir alguma forma de ajudar.

Fecho os olhos, imaginando como posso responder à pergunta de Octavia de um jeito simples.

Abro os olhos e o encaro.

— Não fique brava com ela, Octavia. A única coisa que Lexa fez de errado foi não apagar algumas mensagens.

Octavia inclina a cabeça e estreita seus olhos cheios de dúvida.

— Se Lexa só fez isso de errado, por que Costia está a evitando? Está me dizendo que as mensagens que ela leu não foram um erro? O que estava acontecendo entre vocês não era errado?

Não gosto do tom condescendente em sua voz. Eu me sento na cama e me afasto, aumentando a distância entre nós enquanto respondo:

— O fato de Lexa ter sido sincera durante nossas conversas não foi algo errado. O fato de ela gostar de mim também não é errado, ainda mais quando você sabe exatamente como ela lutou contra esse sentimento. As pessoas não conseguem controlar o que se passa no coração, Octavia. Elas só podem controlar suas ações, e foi o que Lexa fez. Ela perdeu o controle uma vez por dez segundos, mas depois disso, sempre que a tentação mostrava sua cara horrenda, Lexa se afastava. A única coisa que ela fez de errado foi não ter apagado as mensagens e, assim, não conseguiu proteger Costia. Não conseguiu protegê-la da difícil verdade que ninguém escolhe por quem se apaixona. As pessoas só decidem por quem podem continuar apaixonadas.

Olho para o teto e pisco para afastar as lágrimas.

— Ela escolheu continuar apaixonada por Costia, Octavia. Por que Costia não consegue enxergar isso? Isso vai ser muito pior para Lexa do que para ela.

Eu me deito de novo na cama, e Octavia continua ao meu lado, imóvel e em silêncio. Depois de algum tempo, ela se levanta e anda até a porta.

— Devo um pedido de desculpas a você, Clarke — declara ela.

— Desculpas pelo quê?

Ela olha para o chão e mexe os pés.

— Não achei que você fosse boa o suficiente para Lexa, Clarke. — Ela ergue os olhos devagar até encontrar os meus. — Mas você é. Você e Costia são. Desde que conheço Lexa, esta é a primeira vez que não estou com inveja dela.

Octavia sai do meu quarto, mas, de alguma forma, me faz sentir um pouco melhor e muito pior ao mesmo tempo.

Continuo deitada na cama, tentando ouvir o barulho da raiva de Lexa, mas não há nada. O apartamento está em completo silêncio.

Pego meu telefone pela primeira vez desde que deixei no modo silencioso e vejo que não li uma mensagem que Lexa mandou alguns minutos antes.

Lexa: Mudei de ideia. Preciso que você vá embora hoje.

***


LEXA


Jogo algumas coisas em uma mala, esperando realmente precisar disso tudo quando chegar à casa de Costia. Não faço a menor ideia se ela vai me deixar entrar, mas só o que posso fazer é me manter otimista, porque a alternativa é inaceitável. Completamente. Eu me recuso a aceitar.

Sei que ela está magoada e que me odeia, mas precisa entender o quanto significa para mim, e que meus sentimentos por Clarke nunca foram intencionais.

Cerro os punhos de novo, perguntando-me, para início de conversa, por que diabo falei aquelas coisas com Clarke. Ou por que não apaguei as mensagens. Nunca imaginei que Costia pudesse ter acesso a elas. Acho que, de certa forma, simplesmente não me sentia culpada. Eu não queria sentir aquilo por Clarke, mas os sentimentos existem, e me recusar a fazer qualquer coisa em relação a eles desde nosso primeiro beijo me exigiu muito esforço. De um jeito estranhamente sádico, até senti certo orgulho por ter conseguido lutar tanto.

Mas Costia não enxerga esse lado das coisas, e eu entendo. Eu a conheço, e se leu todas as mensagens, deve estar mais chateada com a ligação que tenho com Clarke do que com o beijo que demos. Mas não tenho como me livrar do que sinto por Clarke de uma hora para outra.

Pego minha mala e meu celular e vou para a cozinha buscar o laptop. Quando chego à bancada, noto que há um pedaço de papel no computador: um post-it colado na tela.

Lexa, nunca tive a intenção de ler suas mensagens pessoais, mas quando abri seu computador, tudo apareceu bem ali na minha frente. Li as mensagens, mas queria nunca ter feito isso. Por favor, me dê um tempo para processar o que aconteceu antes de você vir atrás de mim. Daqui a alguns dias entro em contato com você quando estiver pronta para conversar.

Costia.

Alguns dias?

Meu Deus, por favor, ela não pode estar falando sério. De jeito nenhum meu coração vai sobreviver por mais alguns dias.

Jogo minha mala na direção da porta do meu quarto, pois não vou precisar dela tão cedo. Apoio os cotovelos na bancada, sentindo-me derrotada ao amassar o bilhete. Olho para o laptop diante de mim.

Merda de computador.

Por que não coloquei a porra de uma senha? Por que não o trouxe comigo quando saí do hospital?

Por que não apaguei a porra das mensagens? Por que fui escrever para Clarke?

Nunca odiei tanto um objeto inanimado quanto este computador. Fecho-o e lhe dou um soco com toda a minha força. Gostaria de ter escutado o laptop quebrando. Gostaria de ter escutado o som do meu punho o atingindo a cada vez. Gostaria de ter escutado o computador se despedaçando sob meu punho do mesmo modo que meu coração está se despedaçado no peito.

Eu me empertigo e o jogo no balcão. De soslaio, vejo Octavia sair do quarto, mas estou puta demais para me importar se estou fazendo muito barulho. Continuo batendo o laptop com força no balcão, mas isso não diminui o ódio que sinto por esse objeto, e também não causa muitos danos ao seu exterior. Octavia vai até a cozinha e alcança um dos armários, enfiando a mão lá dentro para pegar algo. Depois se aproxima de mim. Interrompo meu ataque e noto que ela está segurando um martelo. Eu o pego com satisfação e atinjo o laptop com toda a minha força. Dessa vez, consigo ver as rachaduras surgindo a cada golpe.

Muito melhor.

Eu o acerto diversas vezes e observo os pedaços voarem para todos os lados. Também estou causando muitos danos na bancada sob o computador destroçado, mas não me importo. Bancadas são substituíveis. O que este computador destruiu em Costia, não.

Quando não há mais nada para ser destruído no laptop, finalmente largo o martelo no balcão.

Estou sem fôlego. Eu me viro e escorrego até me sentar no chão.

"Está se sentindo melhor?", pergunta Octavia, usando sinais. Ela se senta à minha frente no chão, apoiando as costas na parede.

Nego com a cabeça. Não me sinto melhor, pelo contrário. Agora sei que não é com meu computador que estou brava. É comigo. Estou furiosa comigo mesma.

"Posso fazer alguma coisa para ajudar?"

Reflito sobre a pergunta dela. A única coisa que poderia me ajudar a convencer Costia a voltar para mim seria provar que não existe nada entre mim e Costia. Para isso, eu não poderia ter qualquer interação com ela, o que é um pouco difícil, considerando que ela mora no quarto ao lado do meu.

"Você pode ajudar Clarke a se mudar?", pergunto. "Ainda hoje?"

Octavia baixa o queixo diante do meu pedido, lançando-me um olhar de decepção.

"Hoje? O apartamento dela só vai ficar pronto daqui a três dias. Além disso, ela precisa de móveis, e o que encomendamos essa manhã só vai chegar no dia da mudança".

Pego a carteira no bolso e tiro um cartão de crédito.

"Leve-a para um hotel, então. Pago pelo quarto até o apartamento ficar pronto. Preciso que ela saia. Não pode estar aqui se Costia decidir voltar".

Octavia pega meu cartão e fica encarando-o por vários segundos antes de olhar de novo para mim.

"Você sabe que isso não é certo, considerando que tudo o que está acontecendo é culpa sua, não é? Não espere que eu vá pedir para ela ir embora hoje. Você deve isso a Clarke".

Sou obrigada a admitir que a reação de Octavia me surpreende. Ontem ela parecia odiar Clarke. Mas hoje está agindo como se fosse sua protetora.

"Já falei que preciso que ela vá embora hoje. Faça-me o favor de se certificar de que tudo dê certo na mudança essa semana. Compre tudo o que ela precisar. Mantimentos, móveis e o que mais for necessário".

Estou começando a me levantar quando a porta do quarto de Clarke se abre. Ela está andando de costas, puxando suas duas malas. Octavia fica de pé, e, assim que ela se vira, nossos olhares se encontram, deixando-a paralisada.

A culpa por estar fazendo isso com ela me atinge em cheio quando vejo seus olhos cheios d'água.

Ela não merece isso. Não fez nada para merecer tudo pelo que a estou fazendo passar. Eu me sinto muito mal por saber que a fiz sofrer tanto, e é exatamente por isso que ela precisa ir embora, pois eu não deveria me importar assim.

Mas me importo. Meu Deus, eu me importo muito com ela.

Desvio o olhar e me volto para Octavia.

"Obrigada por ajudá-la", sinalizo.

Volto para o meu quarto, pois não quero vê-la partir. Não consigo imaginar perder as duas no intervalo de algumas horas, mas é exatamente o que está acontecendo.

Octavia segura meu braço quando passo, forçando-me a olhar para ela.

"Você não vai nem se despedir dela?", pergunta.

"Não posso me despedir se não quero que ela vá embora".

Continuo andando até meu quarto, grata por não ter como ouvir a porta fechando quando ela sair.

Pego meu telefone e me deito na cama. Mando uma mensagem para Costia.

Eu: Dou o tempo que você quiser. Amo você mais do que imagina. Não vou negar nada do que disse para Clarke porque é tudo verdade, principalmente as partes sobre meu amor por você. Sei que você está magoada e que traí sua confiança, mas, por favor, você precisa saber como lutei por você. Por favor, não acabe as coisas assim.

Envio, coloco o celular no meu peito e começo a chorar.




Notas Finais


Sei que está ficando cada vez pior para elas, mas as coisas vão melhorar.
Qualquer erro, só avisar!
Até a próxima.


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