História Me and Mrs Jones - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Piper Chapman
Tags Alex Vause, Piper Chapman, Romance
Visualizações 94
Palavras 3.288
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: FemmeSlash, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Ainda aquecendo...

Capítulo 2 - Head over feet


You've already won me over in spite of me
And don't be alarmed if I fall head over feet
And don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault

 

Os opostos se atraem, assim a Física nos ensina. No entanto, quando se trata de dois corpos humanos, suspeito que a atração prefira os dispostos às polaridades contrárias. Outro conceito físico é a força, ou seja, um agente capaz de alterar o estado de repouso ou de movimento de um corpo material. E a força do pensamento, ela existe? Eu não saberia vos dizer. Meu efêmero domínio vem de outro campo, a linguagem, e é através dela que vos conto partes de um passado compartilhado por Alex e Piper.

Como um pano de fundo, Alex havia penetrado a imaginação de Piper e ali coabitava com os outros pensamentos da loira, que em muita coisa pensava. Entre a listagem mental do que precisava repor em casa, a necessidade de marcar um check up médico, ligar para os pais, conferir alguns preparativos do casamento de Polly, e a agenda de compromissos de trabalho para a semana, às vezes, uma lembrança da noite no Lust emergia. Todavia, a morena não protagonizava apenas memórias. Piper se flagrou conjecturando sobre o talento artístico oculto de Vause, ou se as duas se veriam novamente.

Sedenta por um café expresso antes da reunião com o novo cliente, a qual aconteceria na hora seguinte, Piper abandonou seu pequeno escritório. O espaço não era muito utilizado por ela nem pelos três funcionários que integravam sua equipe. A maioria dos trabalhos poderia ser feita em casa e, principalmente, aplicadas nos estabelecimentos em que prestava consultoria. Chapman trabalhava com tecnologia da informação. Ela era especialista em análise de suporte para plataformas mainframe, ou seja, grande porte. Sua função era manter a infraestrutura, instalar e configurar protocolos e ambientes de programação e desenvolvimento, atuando também nos reparos, quando preciso. Referência para a solução de problemas de maior complexidade, Piper se envolvia desde as ferramentas para backup e otimização de espaço em disco, diagnóstico de problemas e auditoria, até a integração das plataformas entre os servidores.

Chapman apreciava imensamente as brechas no meio da tarde para se demorar no café próximo ao prédio comercial em que trabalhava. Ela fugia dos estabelecimentos costumeiramente cheios e evitava levar trabalho para a mesa. Gostava de aproveitar seus minutos de folga para ler algumas páginas, já que sempre carregava um livro consigo. Sentou-se na mesa habitual, com seu café de sempre, e um pedaço de bolo de laranja. Piper optou por não retirar seu sobretudo caramelo nem o lenço azul marinho que colocara no pescoço antes de sair do escritório.

Naquela mesma tarde, Alex também parou no mesmo café. Ela não o conhecia, mas sua acompanhante estava implorando por um chocolate quente. As duas foram às compras, plano que jamais teriam levado adiante, por causa do frio, caso não estivessem com pressa dos itens. De mãos dadas, e abarrotadas de sacolas, ambas entraram no café. A surpresa de Alex foi encontrar Piper, enquanto a loira processava o inesperado reencontro e a presença daquele ser ao lado dela.

A morena caminhou em direção a Piper para cumprimentá-la. Trocaram um beijo amigável e então Alex fez a devida apresentação entre a loira e sua acompanhante.

– Piper, esta é a Antonia.

– Antonia, esta é a Piper.

– Muito prazer, Piper. – Antonia estendeu-lhe a mão educadamente. Piper retribuiu e quis morrer com tanta fofura. – Você é amiga da minha mãe?

Alex tinha uma filha! Piper foi pega de surpresa pela descoberta, mas tão logo conheceu Antonia já queria apertar suas bochechas.

– Sua mãe e eu nos conhecemos há pouco tempo.

– Isso, querida. Foi no bar. – Alex complementou.

– Então você também conhece a minha dinda Nicky?

– Conheço, mas eu não sabia que ela tinha uma afilhada tão linda.

– Obrigada. – a menina respondeu sem graça, segurando em uma das pernas da mãe.

Piper as convidou para se sentarem e o convite foi aceito. O assunto das duas adultas girou em torno da pequena, enquanto ela estava plenamente concentrada em seu chocolate quente e pedaço de bolo, também de chocolate. Antonia tinha encantadores olhos cor de mel, os cabelos eram castanhos, bem claros, e as pontinhas levemente cacheadas. As bochechas eram gordinhas e rosadas, amplamente tentadoras para que fossem apertadas. A menina estava com uma calça preta, botas ugg cinza e um poncho cor de cereja, combinando com a touquinha. Alex estava toda de preto, com exceção da blusa de lã cinza escura por baixo da jaqueta e da touca também cinza.

Antonia completaria cinco anos no fim da semana, motivo que fez a menina perguntar se Piper iria ao seu aniversário. Vause quase engasgou com seu cappuccino diante do inesperado convite, mas aceitou mantê-lo, ocasião que levou a morena a pegar o número de telefone da loira para que pudesse enviar seu endereço a ela. Alex duvidou que Piper fosse aparecer. Provavelmente ela teria algo mais convidativo para o sábado à tarde que um aniversário infantil. Por via das dúvidas, Vause enviara seu endereço para Piper e informou que ela poderia levar um acompanhante, se desejasse. Poucas pessoas foram convidadas, tendo em vista que a festinha seria no apartamento da família. Os únicos adultos eram “dinda Nicky”, Red, Daya, vovó Diane e a mãe, os outros eram algumas crianças com as quais Antonia costumava brincar. O tema da festa foi a volta ao mundo. A mesa foi decorada com algumas maletas de viagem com selos e carimbos de vários lugares, dois globos terrestres, um trem e um aviãozinho antigos em miniatura, e alguns balõezinhos pendurados.     

Antonia estava com um par de All Star brancos, calça legging creme, e uma jaqueta de tecido estampada de girassóis. Alex usava os mesmos sapatos, uma calça jeans skinning e uma blusa branca de alfaiataria com gola portuguesa. Piper apareceu, para a surpresa de Vause e Nicky. A loira não levara acompanhante e em meio a dificuldade de escolher um presente para a aniversariante, optou por um conjunto de Lego adequado à faixa etária da menina. Antonia adorou o presente e agradeceu com um beijo carinhoso na bochecha de Piper, derretendo a loira. Com o sobretudo retirado, Chapman usava apenas uma camisa jeans, calça preta justa e coturnos cor de café. A maquiagem era sutil, assim como a de Alex. Aproveitando a ocasião, Vause apresentou a loira à sua mãe, Diane. A semelhança física entre ela e a filha era imensa. Diane aparentava ter uns sessenta anos. Os cabelos tinham tom acinzentado e eram mais curtos que o da filha. A senhora também era mais baixa que Alex, no entanto, as duas transmitiam a mesma força no olhar, na postura. Observando-a discretamente, Piper notou a natural elegância com que Diane se movimentava, era como se ela dançasse graciosamente em vez de caminhar.

O apartamento era antigo, motivo pelo qual o imóvel era mais espaçoso que as construções mais recentes. A cozinha era relativamente espaçosa e integrada à sala. O branco predominava entre as cores da decoração, marcadamente escandinava. Algumas luminárias pendiam do teto, auxiliando na iluminação. Os poucos móveis conferiam um aspecto limpo, além do espaço necessário para uma criança poder se locomover sem esbarrar nem quebrar nada.

Piper se mantinha o mais respeitosa possível ao espaço, o que praticamente engessou seus movimentos. Para a loira, convidar alguém para a sua casa era algo delicado. Não que ela fosse supersticiosa, no entanto, Piper reconhecia no lar um local da intimidade, e isto não se abria a qualquer pessoa. Os motivos que a levaram ao aniversário ainda eram confusos em sua mente. Antonia claramente agira com o impulso infantil convidando-a. Alex talvez tivesse levado aquilo adiante por educação apenas, mas ali estava Piper. Por quê?

O encanto da aniversariante era inegável e ela foi um das poucas crianças que não fizeram com que Piper quisesse sair correndo. A loira não precisou desmarcar nenhum compromisso, afinal, não havia agendado nada para o sábado à tarde, no entanto, quando se é adulto, há sempre de se encontrar alguma pendência a ser cumprida no fim de semana. E para alguém na idade dela, festas infantis já não são eventos tentadores, na verdade, são um tipo de reunião social que se comparece, aparentemente, menos por consideração às crianças que aos pais. E falando em pais... Isto era uma dúvida irracional que rondava Piper. Qual era a história daquela menininha sorridente que completava cinco anos? Esta era uma pergunta ainda sem resposta. No entanto, Antonia era mais um subterfúgio para se descobrir a respeito de alguns não ditos da vida de Alex Vause. As poucas fotografias encontradas na sala e no corredor representavam apenas Nicky, Diane, sua filha e a neta, tampouco apareceu alguém que se apresentasse como companheiro/a de Alex ao longo da comemoração.

As horas novamente correram e os preparativos para os parabéns pareciam assinalar o fim da festa. Antonia se recusou a ficar sozinha atrás da mesa de doces, convocando a mãe, a madrinha e a avó para ficarem com ela ali atrás. Antes de todos começarem a cantar, a menina pediu que a mãe a pegasse no colo. Engano seria ver aquilo como dengo, quando, na verdade, a aniversariante só queria ficar mais alta e ninguém melhor que Alex para ajudá-la nisso. Piper ficou verdadeiramente encantada com o amor exalado pelas quatro figuras femininas. Sem que ninguém solicitasse, ela registrou o momento com a câmera do celular, fotos que depois enviaria para Vause.

Não tardou até que as crianças começassem a ir embora. Red e Daya anunciaram a partida junto com Nicky, afinal, as três tinham uma longa noite de trabalho no Lust. Diane também partiu, pois estava em cima da hora para a sua noite de pocker na casa de uma amiga. Alex ficaria sozinha para organizar a pequena bagunça, o que estimulou Piper a retardar sua partida e ajudar a mãe da aniversariante. Vause relutou, mas acabou aceitando a ajuda da loira. Auxílio que chegou em boa hora, tendo em vista que Antonia começou a dar os primeiros sinais de sonolência, então Alex precisava ser rápida para dar banho na pequena e colocá-la na cama. Enquanto Vause cuidava da filha, Piper organizou o máximo que pode, restando pouco por fazer quando Antonia finalmente pegou no sono e liberou Alex.    

O constrangimento de Vause fez com que ela insistisse em preparar algo para as duas comerem. Piper logo foi vencida e assim sua partida foi novamente postergada. Alex prometeu que seria rápida, optando por um simples espaguete com molho de tomates e manjericão, prático, porém não menos delicioso. Uma garrafa de vinho foi aberta quando Piper assegurou que permanecer ali não competiria com outra programação. As duas enveredaram por uma conversa amena, falando sobre trivialidades – reveladoras quando pouco se sabe a respeito do outro – até que abordassem Antonia. Logo soou pertinente revelar mais alguns aspectos de suas vidas uma às outras.

– Então, só vocês duas moram aqui? – Chapman cautelosamente perguntou, sem querer parecer invasiva, tampouco se revelar interessada demais na resposta.

– Bem, a minha família se resume a três pessoas: minha mãe, minha filha e Nicky, no entanto, aqui só moramos eu e a Antonia, mas a casa de Diane não fica longe daqui. E você?

– Eu cresci em Boston, mas me mudei para Nova York há uns sete anos. Meus pais continuam morando lá, meu irmão também. Ele teve uma filha, recentemente. Da minha parte, sem filhos e sem casamentos.

– Loba solitária? – Alex brincou.

– Achei que o título se encaixasse melhor em você. – devolveu com humor.

– Verdade – riu. – Eu sempre vivi bem sozinha, que dizer, nem sempre foi assim. – completou com um ar pesado. – Eu já fui casada, uma vez.

– Alex, a gente pode trocar de assunto se você quiser...

– Não é preciso, Piper. Já não dói tanto quanto antes falar sobre isso. Eu fui casada com a mãe biológica da Antonia. Silvia e o melhor amigo gay decidiram ter um bebê por coparentalidade.

– Como assim?

– A Silvia e o Méndez queriam ser pais. Ele não queria recorrer a uma barriga de aluguel, ela não se sentia confortável com a ideia de um doador anônimo, e os dois não tinham paciência para uma longa espera na fila de adoção. Eles eram amigos desde a infância, moraram anos juntos... Tinha tudo para dar certo, e deu. Foi feita a fertilização in vitro, e nós duas acabamos nos envolvendo durante a gravidez dela. Na prática, Antonia tinha um pai e duas mães, no papel, um pai e uma mãe. Até que uma noite, os dois sofreram um acidente de carro. Ela tinha acabado de completar um ano. Eles morreram na hora. Então eu entrei com o pedido de adoção e consegui a guarda dela. Acabou sendo mais fácil tendo em vista que eu já convivia com ela. Resumidamente, foi isso.   

– Alex... Eu nunca poderia imaginar uma história dessas.

– Foi um período bem difícil, mas eu não podia me entregar. A Antonia precisava de mim, e eu também precisava dela.

– Se me permite dizer, você tem se saído muito bem com ela. Sua filha é um encanto.

– Obrigada, Piper. Tento fazer o melhor por ela. Felizmente conto com a ajuda da minha mãe e da Nicky. Mas, sabe, às vezes eu me pergunto como Diane deu conta de me criar sozinha. Não que eu fosse uma pestinha, mas é uma responsabilidade muito grande. Só dá para entender plenamente quando você se torna mãe. É um amor tão grande! Sério, eu jamais pensei que desse para amar alguém assim. Você quer proteger, fazer tudo certo, estar sempre ali para quando ela precisar. E não importa quão crescida e independente ela se torne, no fundo existirá sempre a menininha que corre para a minha cama quando tem pesadelo. Mas encontrar a medida é um exercício diário, sabe. Eu quero que a Antonia saiba se virar sozinha, que não tenha medo de sonhar grande e correr atrás do que ela quer. Foram coisas que eu aprendi com a minha mãe. Desde cedo Diane me ensinou que o mundo possui muitas belezas, mas não é um lugar justo. “Viver não é para amadores”, ela me dizia. Você nasce e morre sozinho, no entanto, muitos encontros ocorrem, e em alguns deles você acaba encontrando grandes companheiros de jornada. A Silvia e o Méndez não poderão acompanhar o crescimento da Antonia, mas ela ainda tem a nós, a família dela.

– É uma sorte ter uma mãe tão sábia assim. – Piper comentou, referindo-se a Diane e também à Alex. 

A conversa se enveredou por outros caminhos, mas, intimamente, Chapman repensava sua relação com a mãe. Carol e ela nunca viveram em um mar de rosas, no entanto, seria exagerado dizer que a interação entre mãe e filha fora um inferno. Com o passar dos anos, algumas modificações foram observadas, menos pela mudança de Carol que pelo próprio crescimento de Piper. A saída de casa foi um momento decisivo para as duas. Piper dera um passo irreversível rumo à consolidação de uma vida adulta fora da casa paterna. Conforme seu espaço foi conquistado, não era mais Carol ou Bill quem ditava as regras.

É verdade que a loira em muito os culpou, mas a maturidade a mostrou que havia um prazo de validade para culpabilizar exclusivamente nossos pais pelos próprios fracassos e limitações. No entanto, ainda não era fácil lidar com o casamento de aparência dos dois. Bill parecia já ter superado a fase de casos extraconjugais, mas o brilho inicial do matrimônio jamais se recuperou. Não que eles parecessem infelizes, era algo talvez pior: comodidade, mas não só. Carol precisava de Bill para manter a vida que ela não desejava abrir mão, enquanto ele também se beneficiava do valioso papel que uma esposa devotada atribuía a sua condição.

Após uma xícara de café, o bom senso advertiu que Piper deveria ir embora. A hora irremediavelmente avançara, e ela já não teria um pretexto tão plausível para se manter no apartamento da morena. Todavia, a conversa poderia se prolongar por mais horas a fio, com ou sem vinho, com ou sem a playlist de Bob Dylan, desde que as duas continuassem juntas.

Despediram-se com um abraço rápido, sem que uma pudesse se demorar no cheiro da outra. Na solidão de suas casas, as duas se demoraram no banho, rememorando as últimas horas daquele dia de festa. Exausta, Alex logo adormeceu. Piper ainda postergou a ida para a cama, avançando sua maratona de séries. Na manhã seguinte se recordou de enviar as fotografias do aniversário de Antonia para Alex. A morena logo visualizou as mensagens e tomou a iniciativa de ligar para Piper. As duas não demoraram mais que cinco minutos ao telefone. Vause agradeceu pelas fotos e após as perguntas de praxe se estavam bem, convidou-a para irem juntas a uma exposição na terça-feira à noite. Piper aceitou o convite antes de saber qual seria a exposição, algo que Alex não tardou a informar.

Tratava-se de uma instalação com os desenhos de Apollonia Saintclair, pseudônimo de uma desenhista que nunca se identificou, apesar do sucesso que seu trabalho conquistou na Internet, através de sua conta no tumblr. Usando sempre tons de preto, branco e cinza, seus desenhos flertavam com o prazer feminino, e a restrita palheta de cores lhe permitia explorar aspectos como a silhueta, as sombras e a geometria. Dois dias depois, Alex e Piper se encontraram no lugar combinado. Não haveria guia melhor que Vause, mas a loira pouco se reteve às explicações sobre as influências de pintores como Da Vinci e Caravaggio, e escritores como Jorge Luis Borges, H. P. Lovecraft, Gustave Flaubert e Anaïs Nin no traço de Saintclair. Tampouco a consolidação da visão como principal sentido que levava aos pecados luxuriosos, antes da segunda metade do século XVI atrelados menos aos olhos que à dança e à música, ganhou destaque na mente de Piper.  

Chapman estava atônita em meio àqueles desenhos, os quais expunham tão livremente aspectos da sexualidade que seu discurso familiar tanto negligenciou. É claro que relatos de sexo entre freiras não estava entre o esperado para uma conversa entre mãe e filha, no entanto, as imagens, as falas de Alex e as próprias experiências de vida de Piper se cruzavam vertiginosamente. As representações de sexo entre mulheres lhe atraíam quase pecaminosamente, emergindo como fantasias trancafiadas em uma caixa pequena demais para contê-las.

Por dentro, Piper era um frisson. Por fora, havia Alex em primeiro plano. Alex e seus olhos verdes demais, sua pele pálida demais, seus cabelos negros demais, e sua boca, de repente, tentadora demais. Quão real era aquilo? Mero devaneio? Piper não sabia e por isso manteve o controle. Vause parecia tão calma, à vontade, e era difícil para a loira definir se o convite configurava um flerte. Era apenas um encontro amigável – afirmação que Chapman repetia tentando, talvez, se convencer daquilo. Mas, era apenas um encontro amigável? A dúvida pesava mais que a certeza, martelando, incansavelmente, sem cessar a cada volta completa do relógio.

Alex e Piper foram para suas casas e seguiram suas rotinas. A comunicação entre as duas era esparsa, ao contrário da frequência com que se flagravam pensando uma na outra. Pequenas memórias, involuntários devaneios, e a vontade de se reverem marcaram os dias após a exposição, junto a sintomas físicos do que uma vinha causando a outra: olhares de brilho divagante, sorrisos para a tela do celular, e um adolescente frio na barriga. 

 E a ocasião do reencontro surgiu, novamente pela iniciativa de Alex. Cerca de vinte dias após o último encontro, dar-se-ia a misteriosa apresentação de Vause no Lust, para a qual Chapman logo foi convidada, e embora ela não soubesse o que a aguardaria como público, confiava que não se decepcionaria.

 

 

 

 



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