História Me before you - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, One Direction, Shawn Mendes
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui, Shawn Mendes, Zayn Malik
Tags Camren Vero
Exibições 29
Palavras 3.300
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Intersexualidade (G!P)
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura..

Capítulo 13 - 19 de março de 2007


                                                                                        * * *

 

Lauren saiu do hospital na quinta-feira. Fui buscá-la com o carro adaptado e trouxe-a para casa.

Na quarta-feira seguinte, à noite, fomos ao show de um cantor que ela tinha visto uma vez em Nova York.

No dia seguinte, eu a levei a uma degustação de vinhos promovida por uma vinícola numa loja especializada. Tive de prometer a Vero que não deixaria Lauren se embriagar.

Então, a caminho de casa, passamos por uma cidade a que não costumávamos ir e, como estávamos paradas no trânsito, olhei pela janela do carro e vi um estúdio de tatuagem e piercing.

— Sempre quis fazer uma tatuagem *comentei.*

Eu deveria saber depois de tudo que não se podia dizer uma coisa dessas na frente da Lauren . Ela não era do tipo que ficava enrolando, nem jogando conversa fora. Quis imediatamente saber por que nunca fiz uma.

— Ah... não sei. Por medo do que as pessoas iam dizer, acho.

— Por quê? O que elas iam dizer?

— Meu pai detesta tatuagem.

— Quantos anos você tem mesmo?

— Austin também detesta.

— E ele nunca faz nada de que você pode não gostar.

— Posso ficar nervosa. Posso mudar de ideia depois de fazer.

— Aí é só removê-la com laser, certo?

Examinei-a pelo espelho retrovisor. Os olhos estavam alegres.

— Então, vamos *disse ela.* — O que você quer tatuar?

Percebi que eu estava sorrindo.

— Não sei. Nada de cobras, nem nomes de pessoas.

— Não esperava que você quisesse um coração com uma faixa dizendo “mãe”.

— Promete não rir?

— Sabe que não posso. Ah, Deus, não vai tatuar um provérbio indiano em sânscrito ou algo assim, vai? O que não me mata, me fortalece.

— Não. Eu queria uma abelha. Uma abelhinha preta e amarela. Adoro abelhas.

Ela concordou com a cabeça, como se fosse algo perfeitamente razoável.

— E onde quer tatuar? Ou não devo perguntar?

Dei de ombros.

— Não sei. No ombro? No quadril?

— Pare o carro *disse ela, de repente, me assustando.*

— Por quê, você está bem?

— Apenas pare. Tem uma vaga ali. Olhe, à sua esquerda.

Parei o carro no meio-fio e dei uma olhada para trás, na direção dela.

— Vamos lá, então *disse ela.* — Hoje não temos mais nada para fazer.

— Vamos lá onde?

— No estúdio de tatuagem.

Comecei a rir.

— Ah, está bem.

— Por que não?

— Você engoliu o vinho, em vez de cuspir.

— Não respondeu a minha pergunta.

Virei-me no banco do carro. Ela estava sério.

— Não posso simplesmente entrar e fazer uma tatuagem. Assim, desse jeito.

— Por que não?

— Porque...

— Porque o seu namorado diz que não. Porque você precisa continuar sendo uma boa moça, mesmo aos vinte e sete anos. Porque é muito assustador. Vamos lá, Camila. Viva um pouco. O que a impede?

Fiquei parada na rua, vendo a fachada da loja de tatuagem.

A voz de Lauren penetrou nas minhas avaliações.

— Certo, se você fizer, eu também faço.

Virei-me para ela.

— Faria uma tatuagem?

— Se isso convencê-la, ao menos uma vez, a sair da sua casca.

Desliguei o motor.

— É um pouco permanente.

— Não existe “pouco” em relação a isso.

— Austin vai detestar.

— É o que você diz.

— E provavelmente contrairemos hepatite com as agulhas sujas. E teremos uma morte lenta, horrível e dolorosa. *Virei-me para Lauren.* — Não devem tatuar na hora. Não imediatamente.

— É possível que não. Mas vamos entrar e ver?

 

                                                                                            * * *

 

Duas horas depois, saímos da loja de tatuagens: eu, com menos oitenta pratas na carteira e um curativo no quadril, onde a tinta ainda estava secando. O tatuador disse que, como o desenho era relativamente pequeno, podia ser feito e colorido na mesma sessão, então ali estava. Pronto. Tatuada.

Fiquei quase histérica de nervoso. Tentava alcançar com a vista, girando a cabeça para olhar o trabalho do tatuador até Lauren mandar eu parar, senão eu ia deslocar algum osso.

Lauren ficou descansada e contente, o que era bastante estranho. Não deram tempo para ela pensar. Já tinham tatuado alguns tetraplégicos, disseram, o que explicava porque lidaram com ela tão facilmente. Ficaram surpresos quando Lauren disse que sentia a agulha na pele.

O tatuador, de piercing na orelha, levou Lauren para a sala ao lado e, com a ajuda do meu tatuador, deitou-a numa mesa especial, de modo que, pela porta entreaberta, só dava para eu ver a parte de baixo das pernas dela. Eu podia escutar os dois falando baixo e rindo junto com o zunido da agulha, o cheiro de antisséptico penetrante no meu nariz.

Quando a agulha entrou na minha pele, mordi o lábio determinada a não deixar que Lauren ouvisse meu grunhido. Pensei em como ela estaria na sala ao lado, tentando ouvir o que os dois falavam, imaginando o que Lauren tatuaria.

Quando ela finalmente apareceu, depois que a minha tatuagem já estava terminada, não deixou que eu visse o que era. Achei que era algo relacionado a Keana.

— Você é uma péssima influência para mim, Lauren Jauregui *disse eu, abrindo a porta do carro e abaixando a rampa. Não conseguia parar de sorrir.*

— Mostre-me a sua.

Olhei a rua, virei-me e levantei um pouquinho a blusa na cintura.

— Lindo. Gostei da sua abelhinha. De verdade.

— Terei de usar calças de cintura alta quando estiver perto de meus pais pelo resto da vida. *Ajudei-a a manobrar a cadeira na rampa e levantei-a.*

— Cuidado, se a sua mãe souber que você também fez uma...

— Vou dizer que a garota do Centro de Trabalho me deixou louca.

— Certo, Jauregui, me mostre a sua.

Ela me olhou firme, meio sorridente.

— Terá de trocar o curativo quando chegarmos em casa.

— Sei. Como se eu nunca tivesse feito isso. Vamos. Não tiro o carro daqui se você não mostrar a tatuagem.

— Então levante a minha camisa. Do lado direito. A sua direita.

Debrucei-me nos bancos da frente, levantei a camisa dela e tirei a gaze. Ali, tinta escura sobre a pele clara, tinha um retângulo listrado de preto e branco tão pequeno que precisei olhar duas vezes antes de entender o que dizia. Validade: 19 de março de 2007

Fiquei olhando. Meio que ri, e meus olhos se encheram de lágrimas.

— Essa é a data...

— Data do acidente. Sim. *Ela olhou para o céu.* — Ah, pelo amor de Deus, Camila, não se comova. Era para ser engraçado.

— É engraçado. De um jeito horrível.

— Vero vai gostar. Ah, não faça essa cara. Não é como se eu tivesse estragado meu corpo perfeito, certo?

Desci a camisa de Lauren, virei-me para a frente e liguei a ignição. Não sabia o que dizer. Não sabia o que aquilo significava. Ela estava aceitando seu estado? Ou era apenas outra maneira de mostrar desprezo pelo próprio corpo?

— Ei, Camila, faça-me um favor *disse ela, assim que eu saí com o carro.* — Alcance minha mochila para mim. O bolso com zíper.

Olhei no retrovisor e puxei o freio de mão novamente. Debrucei-me nos bancos da frente e enfiei a mão na mochila, vasculhando lá dentro conforme ela pediu.

— Quer analgésicos? *Eu estava a poucos centímetros do rosto dela. Seu rosto estava mais corado do que jamais estivera desde que saiu do hospital.* — Tenho alguns na minha...

— Não, continue procurando.

Tirei um pedaço de papel e recostei-me no banco. Era uma nota de dez.

— Pronto. As dez pratas de emergência.

— E então?

— São suas.

— Por quê?

— Por essa tatuagem. *Ela sorriu.* — Até você se sentar naquela cadeira, não acreditei que fosse fazer.

 

                                                              -------------------------------------------

 

Não tinha jeito. A divisão dos quartos na hora de dormir não estava dando certo. Todo fim de semana que Sofi passava em casa, a família Cabello fazia um longo troca-troca de camas.

Num fim de semana, falei que dormiria no apartamento de Austin e, no fundo, todos ficaram bem aliviados.

Quando Austin não estava treinando, participava de infindáveis reuniões com outros membros da equipe, comparando equipamentos e finalizando os acertos da viagem. Ficar com eles era a mesma coisa que estar com um grupo de pessoas que falam coreano. Eu não entendia nada do que diziam, nem tinha vontade de participar.

Eu pretendia acompanhá-los à Noruega, dali a sete semanas. Mas não consegui dizer-lhe que ainda não tinha pedido folga para os Jauregui. Como poderia? O Norseman Xtreme se realizaria a menos de uma semana do fim do meu contrato. Era infantil da minha parte não enfrentar a situação mas, sinceramente, eu só pensava em Lauren e no tique-taque de um relógio. Não conseguia me concentrar em mais nada.

A maior ironia de tudo isso era que eu nem dormia direito no apartamento de Austin. Não sei por quê, mas saía de lá para trabalhar com a impressão de estar dentro de uma redoma e parecendo que tinha levado um soco em cada olho.

 

                                                                                        * * *

 

— O que está acontecendo, Camila? *perguntou Lauren.*

Abri os olhos. Ela estava bem ao meu lado, a cabeça inclinada, me observando. Tive a impressão de que estava ali há algum tempo.

Automaticamente, coloquei a mão na boca, para o caso de estar babando. Os créditos do filme que eu devia ter assistido passavam na tela da TV lentamente.

— Nada, desculpe-me. É que está tão confortável aqui. *Eu me sentei, tentando me endireitar.*

— Em três dias, é a segunda vez que você adormece. *Ela analisou o meu rosto.* — E está com uma aparência horrível.

Então contei a ela. Falei da minha irmã, dos nossos arranjos para dormir e que eu não queria criar confusão, pois, toda vez que olhava para papai, ele mal conseguia disfarçar sua frustração por não poder dar à família uma casa onde todos conseguissem dormir direito.

— Ele ainda não encontrou outro emprego?

— Não. Acho que é por causa da idade. Mas não tocamos no assunto. É... *Encolhi os ombros.* — É bem delicado para todos.

Esperamos os créditos terminarem, então fui até o aparelho, tirei o DVD e o guardei na caixa. Não achava certo contar os meus problemas para Lauren. Pareciam constrangedoramente bobos, comparados com os dela.

— Vou me acostumar. Não tem problema. Ficarei bem *falei.*

Pelo resto da tarde, Lauren pareceu preocupada. Lavei o rosto, voltei e liguei o computador para ela. Quando trouxe um suco, ela manobrou a cadeira na minha direção.

— É bem simples *disse, como se ainda estivéssemos conversando.* — Você pode dormir aqui nos finais de semana. Tem um quarto vazio que passará a ter utilidade.

Parei, segurando o copo de suco.

— Não posso fazer isso.

— Por que não? Não vou lhe pagar hora extra.

Coloquei o copo com canudo no porta-copo.

— E o que sua mãe vai pensar disso?

— Não faço ideia.

Devo ter parecido preocupada, pois ela acrescentou:

— Não tem problema. Sou fácil de controlar.

— O quê?

— Se está achando que eu tenho um plano secreto e desonesto para seduzi-la, basta me desligar da tomada.

— Engraçadinha. *digo e ela da risada.*

— É sério. Pense a respeito. Este quarto pode ser a sua segunda opção. As coisas mudam mais rápido do que você imagina. Sua irmã pode resolver não voltar para casa todos os finais de semana, ou pode arranjar um namorado. Muita coisa pode mudar.

E você pode não estar mais conosco daqui a dois meses, pensei. E, imediatamente, me detestei por ter pensado isso.

— Explique uma coisa *disse ela, saindo da sala.* — Por que o Corredor não oferece o apartamento dele para você ficar?

— Ah, ele ofereceu *respondi.*

Ela olhou para mim como se fosse continuar a conversa.

Depois, pareceu mudar de ideia.

 

                                                                     ----------------------------

 

— Você encontrou meu pai no centro da cidade, outro dia.

— Ah, é. *Eu estava estendendo roupa.*

— Meu pai perguntou se você comentou alguma coisa comigo.

— Ah. *Fiquei inexpressiva. Depois, como Lauren pareceu esperar que eu continuasse, afirmei* — Claro que não.

— Ele estava com alguém?

Devolvi o último prendedor ao cesto. Peguei o cesto de prendedores e guardeio dentro do cesto vazio de roupa lavada. Virei-me para Lauren.

— Estava.

— Com uma mulher.

— É.

— Ruiva?

— É.

Lauren refletiu um instante.

— Peço desculpas se esperava que eu contasse *falei.* — Mas... achei que não era da minha conta.

— Não é um assunto agradável.

— Não.

— Se serve de consolo, Camila, essa não é a primeira vez *acrescentou ao entrar no anexo.*

 

                                                                                            * * *

 

Eu agora conseguia tirar Lauren de casa, mas já tínhamos feito tudo o que era possível num raio de uma hora de distância e eu não tinha ideia de como convencê-la a ir mais longe que isso.

Todos os dias, enquanto Lauren assistia a TV ou estava ocupado com alguma outra coisa, eu usava o computador dela para procurar o programa mágico que deixaria Lauren Feliz. Mas o tempo foi passando e vi que a lista de coisas que não podíamos fazer e de lugares a que não podíamos ir estava maior do que a lista do que podíamos efetivamente fazer.

Com isso, voltei às salas de bate-papo virtual e pedi sugestões.

 

Olá!, escreveu Ritchie. Bem-vinda ao nosso mundo, Abelha.

 

Nos bate-papos seguintes, aprendi que ficar bêbado numa cadeira de rodas tem seus próprios riscos, pode-se inclusive enfrentar problemas com o cateter, cair na calçada e ser levado para a casa errada por outros bêbados.

Aprendi também que não há um lugar onde os não cadeirantes sejam mais ou menos prestativos, mas que Paris era a cidade menos amigável do mundo para tetraplégicos. Isso me deixou um pouco decepcionada, pois um pedacinho otimista de mim ainda esperava que fossemos lá.

Comecei a preparar uma nova lista: coisas que não se pode fazer com uma tetraplégica.

1. Andar de metrô (a maioria das estações não tem elevador), o que excluía metade dos programas em Londres, a menos que fôssemos de táxi.

2. Nadar sem ajuda.

3. Ir ao cinema, a menos que reserve antes um lugar na frente, ou que os espasmos de Lauren não estejam frequentes no dia. Passei no mínimo vinte minutos de quatro no chão durante Janela indiscreta, catando as pipocas que Lauren involuntariamente jogou para o alto após uma contração do joelho.

4. Ir à praia, a menos que a cadeira seja adaptada com “rodas gordas”. A de Lauren não era.

5. Viajar de avião quando a “cota” para deficientes físicos estiver completa.

6. Fazer compras, a menos que todas as lojas estejam equipadas com as rampas obrigatórias. Muitas lojas ao redor do castelo argumentavam que não podiam instalar rampas por estarem em um prédio histórico.

Em alguns casos, era verdade.

7. Sair para jantar fora, se a pessoa se incomoda de ser alimentada por outra ou, conforme o estado do cateter, se o banheiro do restaurante tiver escada.

8. Ir a qualquer lugar onde haja uma multidão. Isso significa que, com a proximidade do verão, passear ao redor do castelo ficou mais difícil e quase todos os lugares aos quais eu planejava ir (feiras temáticas, peças ao ar livre, shows) acabaram sendo descartados.

Em busca de novas ideias, perguntei aos tetraplégicos dos chats o que eles mais gostariam de fazer e a resposta foi quase unânime: sexo. Deram até alguns detalhes não solicitados.

Mas, no fundo, não foi uma grande ajuda. Faltavam oito semanas e eu estava sem ideias.

 

                                                                                         * * *

 

Dois dias depois da nossa conversa embaixo do varal de roupas, cheguei em casa e encontrei papai em pé no corredor. O que já era estranho por si só, pois, nas últimas semanas, ele passava os dias recluso no sofá, com a desculpa de fazer companhia para o vovô. Mas ele vestia uma camisa passada, fez a barba e o corredor cheirava a loção pós-barba Old Spice. Eu tinha certeza de que ele tinha esse vidro de loção desde 1974.

— Você chegou.

Fechei a porta de casa.

— Cheguei.

— Você pode preparar seu próprio chá esta noite? *perguntou papai.*

— Claro. Devo encontrar Austin no pub mais tarde. Por quê? *Pendurei meu casaco num gancho.*

— Porque vou levar sua mãe para jantar fora.

Fiz alguns cálculos mentalmente.

— Esqueci o aniversário dela?

— Não. Vamos comemorar. *Ele abaixou o tom de voz, como se fosse um segredo.* — Arrumei um emprego.

— Mentira! *E então reparei: ele estava radiante. Voltara a ter uma boa postura, o rosto estava marcado pelo sorriso. Parecia anos mais jovem.* — Papai, que maravilha.

— Pois é. Sua mãe está nas alturas. E, como você sabe, ela teve uns meses difíceis, com a partida de Sofi, os cuidados com seu avô e tudo mais. Por isso quero sair com ela esta noite, fazer um agrado.

— Qual é o trabalho?

— Chefe da manutenção. Lá no castelo.

Pisquei.

— Mas é o lugar...

— Onde o Sr. Jauregui trabalha. Isso mesmo. Ele me ligou e disse que estava precisando de uma pessoa e o sua patroa, a Lauren, tinha dito que eu estava disponível. Estive lá esta tarde, mostrei o que posso fazer e vou ficar um mês em experiência. Começo sábado.

— Você vai trabalhar para o pai da Lauren?

— Bom, ele disse que o primeiro mês será de experiência, pois preciso atender às exigências e tal, mas falou que não tem dúvidas de que eu irei preencher todas.

— Isso... isso é ótimo *falei. A notícia me deixou um pouco tonta.* — Eu nem sabia que tinha uma vaga.

— Nem eu. Mas é maravilhoso.

Papai estava animado como eu não via há meses. Mamãe apareceu ao lado dele. Tinha passado batom e usava seu melhor par de sapatos de salto alto.

— Seu pai terá sua própria van. E o salário é bom, Mila. Até um pouco maior do que o que ele recebia na fábrica.

Ela o olhava como se ele fosse uma espécie de herói invencível. Quando olhou para mim, percebi que eu devia fazer o mesmo. O rosto de minha mãe podia passar um milhão de recados e aquele dizia que meu pai merecia ter seu grande momento.

— Parabéns, papai. *Dei um abraço nele.*

— Bom, você precisa agradecer a Lauren. Que grande sujeita. Estou profundamente grato por ela ter se lembrado de mim.

 

                                                                                       * * *

 

Pude ouvir quando eles saíram, mamãe se ajeitando no espelho do corredor, papai insistindo que ela estava ótima, linda como nunca. Ouvi-o bater nos bolsos à procura das chaves, carteira, troco, e dar risada. A porta então se fechou, o carro deu a partida e só restou o zunido distante da TV no quarto de vovô. Sentei-me na escada. Peguei o celular e liguei para Lauren.

Demorou um pouco para que ela atendesse. Imaginei-a mexendo no aparelho e apertando a tecla com o dedo.

— Alô?

— É isso o que você estava tramando?

Fez-se uma breve pausa.

— É você, Camila?

— Você arrumou emprego para o meu pai?

Ela pareceu meio ofegante. Pensei, distraída, se estaria bem acomodada.

— Achei que você ia gostar.

— Gostei. Só que... não sei bem. Estou me sentindo esquisita.

— Não devia. Seu pai precisava de trabalho. O meu precisava de alguém eficiente na manutenção.

— É mesmo? *Não consegui evitar o ceticismo na minha voz.*

— Por quê?

— Não tem nenhuma ligação com o que você me perguntou no outro dia? Sobre seu pai e a outra mulher?

Houve uma longa pausa. Eu era capaz de vê-la, na sala, olhando pelas portas envidraçadas do anexo.

Quando ela conseguiu falar, foi cuidadosa.

— Acha que eu ia chantagear meu pai para conseguir um emprego para o seu?

Posto dessa forma, parecia um despropósito.

Sentei-me outra vez.

— Desculpe. Não sei, só achei estranho. É tudo meio conveniente.

— Então, alegre-se, Camila. É uma boa notícia. Seu pai vai se sair muito bem. E isso significa... *Ela hesitou.*

— Significa o quê?

— ...que um dia você poderá sair de casa e viajar pelo mundo sem se preocupar se seus pais conseguirão se sustentar.

Senti como se ela tivesse me dado um soco. Todo o ar deixou os meus pulmões.

— Mila?

— Sim?

— Você está quieta demais.

— Estou... *Engoli em seco.* — Desculpe. Estava distraída. Vovô está me chamando. Mas, obrigada por... recomendá-lo.

Eu tinha de desligar. Porque de repente um enorme nó se formou na minha garganta e eu não sabia se seria capaz de dizer mais alguma coisa.

 


Notas Finais


Desculpem os erros e até o próximo..


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