História Me before you - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, One Direction, Shawn Mendes
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui, Shawn Mendes, Zayn Malik
Tags Camren Vero
Exibições 26
Palavras 5.850
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Intersexualidade (G!P)
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura.

Capítulo 14 - Obrigada por me buscar..


                                                                                        * * *

Andei até o pub. Não podia ficar em casa, sozinha com meus pensamentos. Achei os Tratores do Triatlo na cervejaria, Austin se levantou, abrindo um lugarzinho para mim a seu lado.

— Não esperava que você fosse aparecer. Quer uma bebida?

— Daqui a pouco. *Eu só queria ficar um pouco ali sentada, descansar a cabeça no ombro de Austin. Queria me sentir como sempre: normal, despreocupada. Não queria pensar na morte.*

— Quebrei meu recorde de melhor tempo hoje. Vinte e cinco quilômetros em apenas setenta e nove minutos e dois décimos.

— Que legal.

— Chegando lá, hein, Aus? *comemorou alguém.*

— Isso é ótimo. De verdade. *Tentei parecer contente por ele.*

Então contei para Austin do trabalho que papai arrumou. Ele fez uma cara meio parecida com a que eu devia ter feito. Tive de repetir para ele confirmar que tinha ouvido direito.

— É... muito legal. Vocês dois trabalhando para ela.

Tive vontade de contar para ele, tive mesmo. Queria explicar que tudo isso estava ligado à minha batalha para manter  Lauren viva. E o medo que tinha por achar que Lauren queria comprar a minha liberdade. Mas sabia que não podia dizer nada. E manter o resto em segredo também, enquanto fosse possível.

— Hum... tem mais uma coisa. Lauren disse que posso ficar no quarto vazio da casa dela quando precisar. Para acabar com esse problema de onde dormir lá em casa.

Austin me olhou.

— Vai ficar na casa dela?

— Talvez. É uma ótima proposta, Aus. Você sabe como tem sido lá em casa. E você nunca está aqui. Gosto de ficar no seu apartamento, mas... para ser sincera, não é a minha casa.

Ele continuava me encarando.

— Então transforme em sua casa.

— Como assim?

— Mude-se para lá. Faça do meu apartamento a sua casa. Leve as suas coisas para lá. As suas roupas. Já estava na hora de morarmos juntos.

Só mais tarde, quando pensei sobre o assunto, percebi que ele parecia bem triste ao dizer isso. Não pareceu um cara que finalmente entendeu que não podia viver longe da namorada e decidiu concretizar a feliz união de duas vidas. Ele parecia ter sido derrotado por alguém mais esperto.

— Quer mesmo que eu me mude para lá?

— Quero, claro. *Ele coçou a orelha.* — Quer dizer, não estou falando para nós nos casarmos, nem nada. Mas faz sentido você se mudar, não?

— Não sei.

— Garanto, Mila, está na hora. Deve estar na hora há tempos, mas vivo enrolado com uma coisa ou outra. Mude-se para lá, vai ser bom. *Ele me deu um abraço.* — Vai ser muito bom.

— Sim *respondi* —vai ser bom.

 

                                                              -------------------------------------

 

O pior de se trabalhar como cuidadora não é o que as pessoas pensam. Não é carregar e limpar a pessoa, os remédios e os lenços de limpeza e o distante, mas de algum modo sempre perceptível, cheiro de desinfetante. Não é nem o fato de quase todo mundo achar que você faz isso porque não tem inteligência suficiente para fazer qualquer outra coisa. O pior é o fato de que, quando se passa o dia inteiro num estado de real proximidade com outra pessoa, não há como escapar do estado de humor dela. E nem do seu próprio.

Lauren ficou distante a manhã toda, desde que contei dos meus planos. Nada que uma pessoa de fora pudesse detectar, mas houve menos piadas, talvez a conversa tenha sido menos casual.

— É isso... que você quer fazer? *Os olhos se agitavam, mas o rosto não demonstrava nada.*

Dei de ombros. Depois, fiz que sim com a cabeça de maneira bem enfática.

Achei que minha resposta tinha algo de descaso.

— Realmente, está na hora. Quer dizer, eu tenho vinte e sete anos *falei.*

Ela observou meu rosto. Algo se retesou em seu maxilar. De repente, eu me senti insuportavelmente cansada. Tive aquela sensação peculiar de precisar me desculpar, mas sem saber bem por quê. Lauren fez um pequeno aceno com a cabeça, sorriu.

— Fico feliz que você tenha resolvido isso *disse ela, e levou a cadeira para a cozinha.*

Comecei a ficar bem chateada com ela. Nunca havia me sentido tão julgada quanto me senti, naquele momento, por Lauren. Foi como se eu ficasse menos interessante para ela por ter decidido ir morar com o meu namorado. Como se eu não pudesse mais ser o projeto preferido de Lauren.

Eu não podia dizer nada disso para ela, é claro, mas agi tão friamente com ela quanto ela comigo. E isso foi, sinceramente, exaustivo. À tarde, bateram à porta dos fundos do anexo. Segui rápido pelo corredor, as mãos ainda molhadas de lavar louça, abri a porta e vi um homem de terno escuro e uma maleta na mão.

— Hum... estou aqui para falar com a Srta. Jauregui *disse o homem.*

— Deixe-o entrar *disse Lauren, surgindo atrás de mim.* — Pedi que ele viesse. *Quando continuei parada ali, ele acrescentou* — Está tudo bem, Camila... é um amigo.

O homem deu um passo adiante, ultrapassando o limiar da porta, estendeu a mão e me cumprimentou.

— Michael Lawler *disse ele.*

Estava prestes a dizer mais alguma coisa, mas Lauren pôs a cadeira entre nós, cortando efetivamente qualquer provável conversa.

— Vamos ficar na sala. Pode nos fazer um café e depois nos deixar a sós um pouco?

— Hum... ta bom.

O Sr. Lawler ficou por quase uma hora, na sala conversando com a Lauren.

Por fim, o Sr. Lawler apareceu. Fechou a pasta e seu paletó pendia do braço. Tinha deixado de parecer esquisito.

— Ah, poderia me mostrar onde fica o banheiro?

Mostrei o caminho, muda, e fiquei ali, inquieta, até ele voltar.

— Bom, é só isso.

— Obrigado, Michael *disse Lauren, sem olhar para mim.* — Espero notícias.

— Devo entrar em contato no final desta semana *disse Sr. Lawler.*

— Por e-mail será melhor que por carta.

— Sim. Claro.

Abri a porta dos fundos para ele sair. Então, quando Lauren sumiu na sala, segui o homem pelo quintal e disse, alegremente:

— Então... o senhor tem um longo caminho de volta?

— Venho de Londres, infelizmente. Espero que o tráfego não esteja muito ruim a esta hora da tarde.

— Então... hum... onde o senhor fica, em Londres?

— Regent Street.

— A Regente Street? Ótimo.

— É. Não é ruim. Certo. Obrigado pelo café, senhorita...

— Cabello. Camila Cabello.

— Ah. Srta. Cabello *disse ele, seu sorriso profissional suavemente reinstalado.* — Obrigado de todo modo.

Ele pousou a pasta com cuidado no assento de trás do carro, entrou e foi embora.

 

Naquela noite, quando ia para a casa de Austin, dei uma parada na biblioteca. Sentei-me no terminal e digitei “Michael Lawler” e “Regent Street, Londres” no site de buscas.

Informação é poder,Lauren, disse eu, silenciosamente.

Foram 3.290 resultados, sendo que os três primeiros mostraram “Michael Lawler, advogado, especialista em testamentos, certidões e procurações judiciais”, que ficava naquela mesma rua. Olhei para a tela durante alguns minutos, digitei o nome dele novamente, dessa vez buscando por imagens, e lá estava ele — Michael Lawler, especialista em testamentos e certidões, o mesmo homem que ficou quase uma hora com Lauren.

Eu me mudei para o apartamento de Austin naquela noite, na uma hora e meia entre o fim do meu expediente e a saída dele para o treino. Peguei tudo, menos a cama e as cortinas novas.

Mamãe chorou, achou que estava me expulsando.

— Pelo amor de Deus, querida. Está na hora de ela sair de casa. Tem vinte e sete anos *papai lhe disse.*

— Ela ainda é o meu bebê *lastimou mamãe*

Foi surpreendentemente fácil colocar minhas coisas no apartamento de Austin. Ele quase não tinha nada mesmo, nem eu.

— Fique à vontade *repetia ele, como se eu fosse uma espécie de visita. Estávamos nervosos, estranhamente sem jeito um com o outro, como duas pessoas num primeiro encontro. Enquanto eu desempacotava as coisas, ele me trouxe chá e disse:

— Pensei que esta poderia ser a sua caneca.

Ele tinha esvaziado duas gavetas e o guarda-roupa do quarto extra. As outras duas gavetas estavam cheias com suas roupas de ginástica. Minhas roupas loucamente coloridas deixaram muito espaço ainda vazio.

— Preciso comprar mais roupa só para encher o armário *constatei, olhando lá para dentro.*

Ele riu, nervoso.

— O que é isso?

Estava apontando para o meu calendário, pregado na parede do quarto extra, com as ideias em verde e os programas já marcados em preto. Quando alguma coisa tinha dado certo (música, degustação de vinhos), eu colocava uma cara sorridente na data. Quando não tinha (corrida de cavalos, galerias de arte), deixava vazio.

Dei uma olhada em Austin. Eu podia vê-lo examinar o dia 12 de agosto, que estava sublinhado e tinha pontos de exclamação em preto.

— Hum... é para lembrar do meu trabalho.

— Acha que o seu contrato não será renovado?

— Não sei, Austin.

Patrick retirou a tampa da caneta, olhou o mês seguinte e rabiscou embaixo de onde se lia 28 semana: “Hora de começar a procurar emprego.”

— Desse jeito você está preparada para qualquer coisa que aconteça *disse ele. Deu-me um beijo e saiu do quarto.*

E então, quando ele saiu para correr, sentei-me e olhei as fábricas na direção do castelo e ensaiei dizer a palavra casa, silenciosamente, sob minha respiração.

 

                                                                                           * * *

 

Sou bastante incompetente para guardar segredos.

Uma coisa era não contar os planos de Lauren para meus pais, mas lidar com a minha própria ansiedade era uma coisa completamente diferente.

Passei as noites seguintes tentando saber o que Lauren pretendia fazer e o que eu poderia fazer para impedi-la, pensava nisso até enquanto conversava com Austin.

Só faltavam sete semanas.

E Lauren estava fazendo planos, mesmo que eu não estivesse. Na semana seguinte, se Lauren notou minha preocupação, não disse nada.

Cumprimos nossas rotinas diárias — levei-a de carro para dar breves passeios no campo, preparei suas refeições, cuidei dela quando estávamos em casa. Ela não fazia mais piadas sobre o Corredor.

Fomos simpáticas uma com a outra, quase excessivamente educadas. Senti falta das agressões, do mau humor dela.

Vero nos olhava como se estivesse observando algum tipo de espécie nova.

— Vocês duas brigaram? *perguntou um dia na cozinha, quando eu desempacotava as compras.*

— Melhor perguntar para ela *respondi.*

— Foi exatamente o que ela disse.

Vero me olhou e sumiu no banheiro para destrancar o armário de remédios de Lauren.

Levei três dias depois da visita de Michael Lawler para ligar para a Sra. Jauregui. Perguntei se podíamos nos encontrar em algum lugar fora da casa e marcamos num pequeno café, recém-inaugurado nos jardins do castelo.

— Camila, desculpe meu atraso. *Clara Jauregui disse quando entrou no café e se aproximou da mesa onde eu estava.* — Fiquei presa no tribunal. *ela se senta*

— Eu que peço desculpas. Por obrigá-la a sair do trabalho, quero dizer. Só achei que... bom, achei que não dava para esperar.

Ela ergueu a mão e falou algo com a garçonete, que trouxe um cappuccino em segundos. Então me olhou.

— Lauren chamou um advogado *falei.* — Descobri que ele é especialista em testamentos e certidões.

Não consegui uma maneira mais delicada de iniciar a conversa. Parecia que eu tinha lhe dado um tapa na cara. Percebi, tarde demais, que, na verdade, ela estava esperando que eu lhe dissesse alguma coisa boa.

— Advogado? Tem certeza?

— Procurei por ele na internet. Tem escritório na Regent Street. Em Londres. Chama-se Michael Lawler.

Ela piscou forte, como se tentasse entender.

— Lauren contou isso a você?

— Não. Acho que não queria que eu soubesse. Eu... eu descobri o nome do advogado e investiguei.

O café chegou. A garçonete colocou-o diante da Sra. Jauregui, mas ela pareceu nem notar.

— Mais alguma coisa? *perguntou a garçonete.*

— Não, obrigada.

— A sugestão do dia é bolo de cenoura. Feito aqui mesmo. Com um delicioso recheio de creme...

— Não *disse a Sra. Jauregui, ríspida.* — Obrigada.

A moça se retirou. E então eu continuei.

— Desculpe disse eu. *Você tinha dito que eu deveria avisar tudo o que fosse importante. Passei metade da noite acordada, pensando se deveria contar ou não.*

O rosto dela parecia pálido.

Eu sabia como ela se sentia.

— Como ela está? Você... você teve outras ideias? Passeios?

— Ela não dá a mínima. *Contei a ela sobre Paris e sobre a a de coisas que eu tinha compilado.*

— Qualquer lugar *disse ela.* — Eu pago. A viagem que você quiser. Pago para você. Para Vero. Apenas veja... veja se você consegue convencê-la a ir.

Fiz que sim com a cabeça.

— Se há algo em que conseguir pensar... só para ganharmos mais tempo. Pagarei seu salário além dos seis meses de contrato, claro.

— Isso... isso não é problema.

Terminamos os cafés em silêncio, as duas perdidas em pensamentos.

O som do relógio batendo duas horas pareceu tirá-la de um transe.

— Preciso voltar ao trabalho. Por favor, avise-me sobre qualquer coisa em que você... em que você consiga pensar, Camila. É melhor que essas conversas sejam fora do anexo.

Levantei-me.

— Ah, a senhora vai precisar do meu novo telefone. Acabo de me mudar. *Enquanto ela procurava uma caneta na bolsa, acrescentei* — Mudei-me para a casa de Austin... meu namorado.

Não sei por que essa notícia a deixou tão surpresa. Ela me entregou a caneta.

— Não sabia que você tinha namorado.

— Não sabia que precisava lhe contar.

Ela se levantou, uma das mãos apoiada na mesa.

— Outro dia, Lauren comentou que... você poderia se mudar para o anexo. Nos fins de semana.

Rabisquei o telefone da casa de Austin.

— Bem, achei que seria mais simples para todo mundo se eu me mudasse para a casa de Austin. *Entreguei a ela o pedaço de papel com o telefone.*

Ficamos paradas ali. A Sra. Jauregui parecia agitada, sua mão corria pelos cabelos, segurava a corrente no pescoço. Por fim, como se não conseguisse se conter, ela falou sem pensar:

— Teria doído muito esperar? Só umas poucas semanas?

— Como?

— Lauren... acho que Lauren gosta muito de você. *mordeu o lábio.* — Não sei... não sei como isso pode ajudar.

— Espere um pouco. Está insinuando que eu não deveria ter me mudado para a casa do meu namorado?

— Eu disse apenas que o momento não foi o ideal. Lauren está num estado muito vulnerável. Estamos fazendo de tudo para deixá-la otimista... e você...

— Eu o quê? *Eu podia ver a garçonete nos observando, o bloco parado na mão.* — Eu o quê? Ousei ter uma vida fora do trabalho?

Ela abaixou a voz.

— Estou fazendo tudo o que posso, Camila, para impedir essa... coisa. Sabe o que estamos enfrentando. E estou apenas dizendo que eu preferiria, uma vez que Lauren gosta muito de você, que você tivesse esperado mais um pouco para esfregar sua... felicidade na cara dela.

Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Senti meu rosto ficar vermelho e respirei fundo antes de falar de novo.

— Como ousa sugerir que eu poderia fazer alguma coisa para magoar a Lauren? Fiz tudo em que pude pensar. Dei ideias, levei-a para passear, conversei com ela, li para ela, cuidei dela. *As últimas palavras explodiram do meu peito.* — Arrumei as coisas dela. Troquei o maldito cateter. Fiz ela rir. Fiz mais do que a sua maldita família tinha feito.

A Sra. Jauregui ficou paralisada. Colocou a bolsa embaixo do braço.

— Acho que essa conversa provavelmente terminou, Srta. Cabello.

— Sim. Sim, Sra. Jauregui. Acho que ela provavelmente terminou.

Ela se virou e saiu rapidamente do café.

Quando a porta se fechou com uma batida, percebi que eu também tremia.

 

 

                                                                                          * * *

A conversa com a Sra. Jauregui continuou me atormentando nos dias que se seguiram.  Não achei que Lauren pudesse ser afetada por nada do que eu fizesse. Quando ela pareceu ficar contrariada a respeito da minha decisão de me mudar para o apartamento de Austin, pensei que era porque ela não gostava do Austin, e não porque ela tivesse qualquer sentimento por mim.

Em casa, eu não conseguia afastar essa sensação de ansiedade. Era como se uma corrente de baixa tensão passasse por mim e se alimentasse de tudo o que eu fazia. Perguntei a Austin.

— Será que moraríamos juntos se minha irmã não tivesse precisado do meu quarto?

Ele me olhou como se eu fosse maluca. Inclinou-se para mim e me puxou para perto, dando um beijo no alto da minha cabeça. Depois, olhou para baixo:

— Precisa usar esse pijama? Detesto você de pijama.

— É confortável.

— Parece uma roupa que a minha mãe usaria.

— Não vou usar corpete e cinta-liga toda noite só para agradá-lo. E você não respondeu a minha pergunta.

— Não sei. Talvez. Sim.

— Mas não estávamos falando sobre isso, estávamos?

— Mila, a maioria das pessoas vai morar junto porque é mais sensato. Você pode amar alguém e ainda assim ver as vantagens práticas e financeiras.

— Eu só... não quero que pense que eu forcei isso. Não quero me sentir como...

Ele suspirou e deitou-se de costas.

— Por que as mulheres têm sempre que remoer as coisas até que elas virem um problema? Eu amo você, você me ama, estamos juntos há quase sete anos e não tinha mais lugar na casa dos seus pais. Na verdade, é bem simples.

Mas eu não sentia que era assim.

Parecia que eu estava vivendo uma coisa que não tinha tido a chance de planejar.

 

                                                               ---------------------------------------

Naquela sexta-feira, choveu o dia todo. Lauren olhava pelas janelas como um cachorro impedido de passear. Vero chegou e saiu, com uma sacola plástica protegendo a cabeça. Enquanto Lauren ficava no computador, procurei me manter ocupada, para que não precisássemos conversar. Notei que o mal-estar entre nós era gritante e ficar no mesmo ambiente que ela o tempo todo só piorava a situação.

Estava limpando as torneiras do banheiro, quando ouvi a cadeira de Lauren atrás de mim.

— O que está fazendo?

Eu estava debruçada na banheira. Não me virei.

— Estou tirando as manchas das suas torneiras.

Eu podia sentir o olhar dela.

— Repete *disse ela, depois de um momento.*

— O quê?

— Repete.

Eu me endireitei.

— Por quê, está ouvindo mal? Estou tirando as manchas das suas torneiras.

— Não, só queria que você ouvisse o que está dizendo. Não tem por que tirar as manchas das minhas torneiras, Camila. Minha mãe não vai notar, eu não ligo e esse produto está fazendo o banheiro feder. Além do mais, eu gostaria de sair.

Afastei um cacho de cabelo do rosto. Era verdade. O ar tinha um cheiro ruim.

— Vamos. Finalmente parou de chover. Acabo de falar com meu pai. Ele disse que vai nos dar as chaves do castelo após as cinco horas, quando todos os turistas vão embora.

Não gostei muito da ideia de conversarmos educadamente durante um passeio pelos jardins do castelo. Mas a ideia de sair do anexo era sedutora.

— Certo. Preciso de cinco minutos. Tenho que tirar o cheiro de vinagre das mãos.

 

                                                                                          * * *

Lauren andou pelos jardins vazios do castelo a infância inteira, como ela mesmo me contou. O pai deixava-a perambular pelo lugar, confiando em que ela não tocaria em nada. Depois das cinco e meia da tarde, quando o último turista tinha saído, os jardineiros começavam a podar e arrumar as plantas, os faxineiros esvaziavam as latas de lixo e varriam as caixas de bebidas vazias e então o lugar todo se transformava em seu parque de diversões particular.Quando me contou isso, pensei que, se Sofi e eu tivéssemos tido a liberdade do castelo só para nós, ficaríamos correndo por todo lado, gritando.

— Meu primeiro beijo em uma garota foi na frente da ponte levadiça *disse ela, diminuindo a marcha da cadeira para olhar a tal ponte à medida que percorríamos a trilha de cascalho.*

— Você disse a ela que este lugar era seu?

— Não. Talvez devesse ter dito. Ela me trocou pelo garoto que trabalhava no mini mercado uma semana depois.

Virei-me e olhei para ela, chocada, mais ao mesmo tempo me segurando pra não rir.

— Terry Rowlands? Um garoto de cabelo preto comprido, tatuagens nos cotovelos? *perguntei*

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Ele mesmo.

— Ele ainda trabalha lá, sabe. No mini mercado. Se isso o faz se sentir melhor.

— Acho que ele não vai sentir muita inveja de como fiquei *disse Lauren, e parou de falar novamente.*

Era estranho ver o castelo daquele jeito, em silêncio, nós duas sendo as únicas ali, além do solitário jardineiro, ao longe.

— Muito bem, hora da confissão *comecei.* — Você nunca andou por aqui e fez de conta que era uma princesa guerreira?

Lauren me olhou.

— Sinceramente?

— Claro.

— Sim. Uma vez, até peguei uma das espadas que ficam na parede do Grande Salão. Pesava uma tonelada. Lembro que fiquei apavorada de não conseguir erguê-la para colocá-la de volta no suporte.

Estávamos no alto da colina e, de lá, na frente do fosso, víamos a longa extensão do gramado até o muro em ruínas que demarcava o limite da propriedade.

Ela parou a cadeira por um momento e girou-a para olharmos para o gramado.

— Estranho nunca termos nos encontrado *disse ela.* — Quando eu era criança, quero dizer. Nossos caminhos devem ter se cruzado.

— Por quê? Não frequentávamos os mesmos círculos. E eu devo ter sido o bebê que passou no carrinho enquanto você empunhava a espada.

— Ah, esqueci... eu sou definitivamente uma anciã se comparado a você.

— Seis anos certamente a qualificam como alguém “mais velha” *respondi.*

— Mesmo quando eu era adolescente, meu pai jamais me deixaria sair com uma pessoa mais velha.

— Nem se ela tivesse seu próprio castelo? *ela sorri*

— Bom, isso poderia mudar as coisas, obviamente. *retribuo o sorriso.*

— Vamos percorrer o labirinto. Não faço isso há séculos.

Fui arrancada dos meus pensamentos.

— Ah. Não, obrigada. *Dei uma olhada, notando de repente onde estávamos.*

— Por quê? Tem medo de se perder? Vamos lá, Camila. Será um desafio para você. Veja se consegue decorar o caminho de ida, então, depois, é só fazer o caminho contrário para voltar. Vou cronometrar seu tempo. Eu sempre fazia isso.

Lancei um olhar para trás, em direção à casa.

— Eu realmente prefiro não ir. *Só de pensar naquilo, fiquei com um nó no estômago.*

— Ah. Mantendo-se na zona de conforto de novo.

— Não é isso.

— Está bem. Faremos nossa caminhada chata e voltaremos para o pequeno anexo chato.

Sei que ela estava brincando. Mas alguma coisa em seu tom realmente me pegou. Dei uma olhada no labirinto com suas escuras e densas sebes bem-aparadas. Eu estava sendo ridícula. Talvez estivesse me comportando de forma ridícula havia anos. Afinal, tudo aquilo tinha acabado. E eu estava seguindo em frente.

— Basta se lembrar de cada lado que você escolher, depois fazer o caminho inverso para sair. Não é tão difícil quanto parece. De verdade.

Deixei-a ali na trilha antes que eu pudesse pensar sobre aquilo. Respirei fundo e entrei, passando pela placa que avisava “Proibido a crianças desacompanhadas”, caminhando rapidamente por entre as sebes escuras e úmidas, que ainda brilhavam com as gotas de chuva.

Não é tão ruim, não é tão ruim, peguei a mim mesma murmurando. São só uma porção de velhas sebes. Virei à direita, depois à esquerda, por um buraco na sebe. Outra vez à direita, à esquerda e, enquanto ia em frente, ensaiava na cabeça o caminho da volta, pensando por onde eu havia passado. Direita. Esquerda. Direita. Esquerda.

Meu batimento cardíaco começou a aumentar um pouco, por isso eu conseguia ouvir o bombear do sangue em meus ouvidos. Forcei-me a pensar em Lauren do outro lado da sebe, olhando o relógio. Era só uma prova boba. Eu não era mais aquela garota ingênua. Tinha vinte e sete anos. Morava com o namorado. Tinha um trabalho de responsabilidade. Era outra pessoa. Virei, segui direto e virei de novo.

E então, saído praticamente do nada, o pânico me invadiu como fel. Achei que tinha um homem andando rápido em minha direção no fim da sebe. Embora eu tenha dito a mim mesma que era só minha imaginação, ter me concentrado para me tranquilizar me fez esquecer as instruções para o caminho de volta. Direita. Esquerda. Buraco. Direita. Direita? Eu tinha pegado o caminho errado ali? O ar ficou preso na minha garganta.

Eu me obriguei a seguir em frente, apenas para perceber que havia perdido completamente meu senso de orientação. Parei e olhei ao redor, na direção das sombras, tentando descobrir para que lado ficava o oeste.

E fiquei ali até concluir que não podia fazer aquilo. Não podia continuar. Eu me virei rapidamente e comecei a andar para onde achei que era o sul. Eu ia conseguir sair. Tinha vinte e sete anos. O que era ótimo. Mas então, ouvi a voz deles, os risos de zombaria. Vi-os, entrando e saindo dos vãos das sebes rapidamente, senti meus pés balançarem como pés de bêbado nos meus saltos, o inesquecível espetar da sebe quando caí em cima dela, tentando me equilibrar.

— Quero sair daqui *disse a eles, com voz insegura.* — Chega.

Todos tinham sumido. O labirinto estava silencioso, havia apenas os sussurros distantes que poderia ser deles do outro lado da sebe — ou poderia ser o vento deslocando as folhas.

— Quero sair já *eu tinha dito, minha voz soando insegura até mesmo para mim. Eu tinha lançado um olhar para o céu, fiquei meio desequilibrada devido ao enorme e escuro espaço acima de mim. E então tinha pulado quando alguém me agarrou pela cintura — o de cabelos escuros. Aquele que tinha ido à África.*

— Não pode ir ainda *disse ele.* — Vai estragar a brincadeira.

Eu soube, então, só pelo toque de sua mão em minha cintura. Percebi que alguma coisa tinha mudado, que algum tipo de limite tinha começado a evaporar. E ri, empurrada por suas mãos como se fosse uma brincadeira, não querendo que ele soubesse que eu sabia. Eu o ouvi gritar por seus amigos. E escapei dele, correndo de repente, lutando para tentar achar a saída, os pés afundando na grama úmida.

Eu escutava todos eles ao me redor, suas vozes elevadas, seus corpos escondidos, e senti minha garganta se apertar de pânico. Estava desorientada demais para me localizar. Continuei em frente, virando nas esquinas, tropeçando, olhando esquivamente pelas frestas, tentando me afastar da voz deles. Mas a saída não chegava.

Para todo canto que eu virava, havia mais uma extensão de sebe. Tropecei numa fresta, exultante por um momento porque estava perto da liberdade. Mas então eu vi que estava de volta ao centro do labirinto, outra vez no lugar onde tinha começado. Eu me encolhi ao vê-los todos parados ali, como se estivem simplesmente à minha espera.

— Aí está você *disse um deles, e sua mão agarrou meu braço.* — Eu disse que ela estava pronta para isso. Venha, Mila-Mila, me dê um beijo e eu mostro a saída. *A voz era suave.*

— Dê um beijo em todos nós e todos nós mostraremos a saída.

A cara deles era um borrão.

— Só quero... só quero que vocês...

— Ora, Mila. Você gosta de mim, não gosta? Passou a tarde toda sentada no meu colo. Um beijo. Custa muito fazer isso?

Ouvi um risinho abafado.

— E você mostra como eu saio daqui? *Minha voz soava patética até para mim.*

— Só um beijo. *Ele se aproximou.*

Senti sua boca na minha, uma mão apertando minha coxa.

Ele se afastou e ouvi o curso de sua respiração mudar.

— Agora é a vez de Jake.

Não sei o que eu disse então. Alguém segurou meu braço. Ouvi a risada, senti uma mão nos meus cabelos, outra boca na minha, insistente, invasiva e então...

— Lauren...

Eu estava soluçando agora, encolhida.

— Lauren *Eu estava dizendo seu nome várias vezes, minha voz falhava, vindo de algum lugar do meu peito. Ouvi-a num lugar distante, do outro lado da cerca.*

— Camila? Camila, onde você está? Qual o problema?

Eu estava no canto, o mais embaixo da sebe que consegui. As lágrimas nublavam meus olhos, eu apertava os braços firmemente ao meu redor. Não conseguia sair. Ficaria presa ali para sempre. Ninguém iria me achar.

— Lauren...

— Onde você...?

E ali estava ela, na minha frente.

— Desculpe. *Olhei para ela chorando.* — Desculpe. Não consigo... fazer isso...

Lauren moveu seu braço alguns centímetros, o máximo que conseguia.

— Ah, meu Deus, o quê...? Venha cá, Camila. *Ela se adiantou, depois olhou para o braço, frustrada.* — Porcaria inútil... Está tudo bem. Apenas respire. Venha cá. Apenas respire. Devagar.

Sequei os olhos. Ao vê-la, o pânico começou a diminuir. Levantei-me, insegura, tentei recompor meu rosto.

— Desculpe... não sei o que houve.

— Você tem claustrofobia? *O rosto dela, a centímetros do meu, estava cheio de preocupação.* — Vi que você não queria. Eu só... eu só pensei que você estava sendo...

Fechei os olhos.

— Eu só quero ir embora agora.

— Segura minha mão. Vamos sair. *fiz o que ela disse*

Ela me tirou de lá em minutos. Conhecia o labirinto pelo avesso, ela disse enquanto caminhávamos, sua voz calma, confiante. Fora um desafio para ela, quando era menina, aprender a sair dali. Entrelacei meus dedos nos dela e senti o calor de sua mão como algo reconfortante. Eu me senti idiota quando percebi que, o tempo todo, estava muito perto da entrada.

Paramos num banco do lado de fora, soltei sua mão, procurei por um lenço na parte de trás da cadeira. Ficamos lá em silêncio, eu na ponta do banco ao lado dela, nós duas esperando que os meus soluços diminuíssem.

Ela ficou ali, lançando olhares para mim.

— Então...? *perguntou, por fim, quando pareceu que eu poderia falar sem desmoronar outra vez.* — Pode me dizer o que houve?

Torci o lenço nas mãos.

— Não consigo.

Ela fechou a boca.

Engoli em seco.

— Não foi você *disse eu, apressada.* — Não contei a ninguém... É... é bobagem. E faz muito tempo. Não pensei que... que eu fosse...

Senti seus olhos sobre mim, mas eu queria que ela não me olhasse. Minhas mãos não paravam de tremer e meu estômago parecia estar amarrado por um milhão de nós.

Balancei a cabeça, tentando dizer que havia coisas que eu não podia contar. Queria segurar na mão dela outra vez, mas achava que não devia.

Minha mente parecia congelada. Não sabia mais o que dizer sobre nada.

— Certo. Escute uma coisa *Lauren falou, por fim. Virei-me, mas ela não estava olhando para mim.* — Vou contar uma coisa que não conto a ninguém. Certo?

— Certo.

Ela respirou fundo.

— Tenho muito, muito medo de como as coisas vão ficar. *Deixou a frase se perder no ar entre nós e, então, em voz baixa e calma, continuou.* — Sei que a maioria das pessoas acha que viver como eu é a pior coisa que pode acontecer. Mas poderia ser pior. Eu poderia não conseguir respirar sozinha, poderia não falar. Poderia ter problemas circulatórios que me obrigariam a amputar braços e pernas. Poderia viver hospitalizada indefinidamente. Isso não é lá uma vida, Camila. Mas quando penso em como poderia ser pior... há noites em que me deito na cama e realmente não consigo respirar.

Engoliu em seco.

— E sabe o quê? Ninguém quer ouvir esse tipo de coisa. Ninguém quer ouvir você falar que está com medo, ou com dor, ou apavorada com a possibilidade de morrer por causa de alguma infecção aleatória e estúpida. Ninguém quer ouvir sobre como é saber que você nunca mais fará sexo, nunca mais comerá algo que você mesmo preparou, nunca vai segurar seu próprio filho nos braços. Ninguém quer saber que às vezes me sinto tão claustrofóbica estando nesta cadeira que tenho vontade de gritar feito louca só de pensar em passar mais um dia assim.

Minha mãe está por um fio e não me perdoa por ainda amar meu pai. Minha irmã se ressente pelo fato de que, mais uma vez, eu fiz sombra para ela — e porque minhas lesões significam que ela não pode me odiar propriamente, como ela faz desde que éramos pequenos. Meu pai só quer que tudo isso acabe. Nos últimos tempos, eles só querem ver o lado positivo. Precisam que eu também veja.

Ela parou.

— Precisam acreditar que existe um lado positivo.

Fechei os olhos no escuro.

— Eu também faço isso? *perguntei, baixo.*

— Você, Camila *ela olhou para as mãos* —, é a única pessoa com quem eu sinto que posso falar desde que eu acabei nesta porcaria.

E então eu contei para ela.

Segurei a mão dela, a mesma que tinha me tirado do labirinto, olhei diretamente para meus pés, e respirei fundo e contei a ela sobre aquela noite toda, e sobre como eles riram de mim e zombaram de como eu estava bêbada e chapada, e como eu desmaiei e depois minha irmã disse que na verdade isso tinha sido até bom, não me lembrar de tudo o que eles fizeram, mas como aquela meia hora de desconhecimento me assombrava desde então.

Eu a completei, sabe. Eu a completei com as risadas, o corpo deles e as palavras deles. Eu a completei com a minha humilhação. Contei a ela como eu via o rosto deles sempre que ia a qualquer lugar fora da cidade.

Quando terminamos a conversa, o céu tinha escurecido e havia quatorze mensagens no meu celular perguntando onde estávamos.

— Você não precisa que eu lhe diga que a culpa não foi sua *garantiu ela, calma.*

Acima de nós, o céu tinha se tornado infindável e infinito.

Torci o lenço nas mãos.

— É. Bom. Ainda me sinto... responsável. Bebi demais para me exibir. Fui muito oferecida. Fui...

— Não. Eles foram os responsáveis.

Ninguém nunca tinha me dito aquilo com todas as letras. Mesmo o olhar solidário de Sofi sustentava uma acusação tácita. Bom, se você fica bêbada e age como boba com homens que não conhece...

Seus dedos apertaram os meus. Um gesto vago, mas que era real.

— Camila. Não foi sua culpa.

Então eu chorei. Sem soluçar desta vez. As lágrimas saíam em silêncio e me diziam que mais alguma coisa estava me deixando. Culpa. Medo. E algumas outras coisas para as quais eu ainda não tinha encontrado nomes. Encostei minha cabeça de leve no ombro dela e ela inclinou a dele até que estivesse repousada sobre a minha.

— Certo. Está me ouvindo?

Murmurei um sim.

— Então vou dizer uma coisa boa *anunciou ela, e esperou, como se quisesse ter certeza de que tinha minha atenção.* — Alguns erros... apenas têm consequências maiores que outros. Mas você não precisa deixar que aquela noite seja aquilo que define quem você é.

Senti a cabeça dela balançar contra a minha.

— Você, Camila, tem a escolha de não deixar isso acontecer.

O suspiro que saiu de mim então foi longo e trêmulo. Ficamos lá em silêncio, deixando que as palavras dela afundassem. Eu poderia ter ficado ali a noite inteira, acima do resto do mundo, o calor da mão de Lauren na minha, sentindo que o pior começava a escoar devagar de dentro de mim.

— Melhor voltarmos para casa *disse ela.* — Antes que eles chamem uma equipe de buscas.

Soltei a mão dela e me levantei, meio relutante, sentindo a brisa fria em minha pele.

Abaixo de mim, as luzes da cidade piscavam, um círculo de luz no meio da escuridão do campo entre nós. Virei-me para ela.

— Lauren?

— Sim?

Eu mal conseguia vê-la na luz fraca, mas sabia que estava me olhando.

— Obrigada. Obrigada por ir me buscar.

Ela balançou a cabeça e levou a cadeira de volta para a trilha.


Notas Finais


Awnn que fofinhas..

Desculpem os erros.


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