História Me before you - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, One Direction, Shawn Mendes
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui, Shawn Mendes, Zayn Malik
Tags Camren Vero
Visualizações 31
Palavras 2.429
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Intersexualidade (G!P)
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura.

Capítulo 19 - Quase rolou..


Exatos dez dias depois, o carro do Sr. Jauregui nos deixou no aeroporto, Vero arrastava nossa bagagem num carrinho enquanto eu checava novamente se Lauren estava confortável.

 

— Cuidem-se. E façam boa viagem *recomendou o Sr. Jauregui, colocando a mão no ombro da Lauren.* — Não façam muita bobagem. *E literalmente piscou para mim ao dizer isso.*

A Sra. Jauregui não pôde sair do trabalho para ir também. Desconfio que, na verdade, ela não quis passar duas horas num carro com o marido.

Lauren concordou com a cabeça, mas não disse nada. Ela permaneceu surpreendentemente quieta no carro, olhando pela janela com seu olhar impenetrável, ignorando a conversa entre mim e Vero sobre o trânsito e o que já sabíamos que tínhamos nos esquecido de levar.

 

Até atravessarmos o pátio eu não estava muito segura de que fazíamos a coisa certa.

 

— Alguém da companhia aérea deve nos encontrar. Eles devem vir nos encontrar *afirmei, à medida que nos  encaminhávamos para o guichê do check-in, mexendo na minha papelada.*

 

— Relaxa. É pouco provável que coloquem alguém na porta *disse Vero.*

— Mas a cadeira tem que ser despachada como “equipamento médico frágil”. Conferi três vezes pelo telefone com a mulher. E temos de ver se eles não vão implicar com o equipamento médico de bordo de Lauren.

*O serviço on-line de tetraplégicos forneceu pilhas de informações, avisos, direitos e listas. Depois, conferi três vezes seguidas com a empresa aérea que seríamos alocados em assentos localizados na parte mais espaçosa da cabine e que Lauren embarcaria primeiro e não sairia de sua cadeira motorizada até que estivéssemos no portão de embarque.

Reservamos três assentos seguidos para que Vero pudesse dar a ajuda médica de que Lauren precisasse sem contar com olhares curiosos. A empresa aérea garantiu que os braços dos assentos levantavam, assim não machucaríamos os quadris de Lauren ao transferi-la da cadeira de rodas para o assento do avião. Ela poderia ficar entre nós dois o tempo todo. E seríamos os primeiros a desembarcar.*

— Ali está a moça da companhia aérea *falei, quando uma jovem de uniforme, com um grande sorriso e uma prancheta, veio rápido na nossa direção.*

— Bom, ela vai ser muito útil na transferência *Vero murmurou.* — Parece que não consegue levantar um camarão congelado.

— Vamos dar um jeito *respondi.* — Aqui entre nós, damos um jeito.

 

Duas horas depois, tínhamos tudo arranjado.

 

— Estão chamando o nosso voo *avisou Vero, ao voltar do Duty Free. Olhou para mim, levantou uma sobrancelha e respirou fundo.*

— Certo *respondi.* — Vamos lá.

 

 

                                                                                       * * *

Acho que não acreditei que tudo aquilo pudesse acontecer até que tivéssemos aterrissado no Aeroporto Internacional Sir Seewoosagur Ramgoolam. Surgimos, meia grogues, no portão de chegada, ainda enrijecidas pelo tempo de voo, e eu quase chorei de alívio ao ver o motorista do táxi especialmente adaptado.

 

Naquela primeira manhã, quando o motorista nos levou rapidamente ao resort, reparei muito pouco na ilha.

Então, atravessamos uma entrada de veículos ladeada de palmeiras, paramos do lado de fora de um prédio baixo e o motorista saltou e descarregou nossa bagagem.

Recusamos o chá gelado e um passeio pelo hotel. Encontramos o quarto de Lauren com a bagagem dela já descarregada, a deitamos na cama e, quase antes de fecharmos as cortinas, ela dormiu de novo. E ali estávamos nós.

Eu tinha conseguido. Saí do quarto, finalmente soltando um grande suspiro, enquanto Vero olhava pela janela a arrebentação branca atrás do recife de coral. Não sei se foi a viagem, ou porque era o lugar mais lindo em que eu já tinha estado na vida, mas meus olhos subitamente se encheram de lágrimas.

— Está tudo bem *disse Vero, vislumbrando minha expressão. Depois, o que foi totalmente inesperado, ela se aproximou e me envolveu em um enorme abraço de urso. * — Relaxa, Mila. Tudo vai dar certo. Sério. Você fez tudo certo.

 

                                                                                       * * *

 

Precisei de quase três dias para começar a acreditar nela. Lauren dormiu durante a maioria das primeiras quarenta e oito horas — e então, começou a parecer melhor. Os espasmos diminuíram e ela voltou a comer, percorrendo devagar o interminável e extravagante bufê, dizendo o que ela queria que eu colocasse no prato. Soube que estava voltando a ser ela mesmo quando me instigou a comer coisas que eu nunca teria experimentado.

O hotel, conforme o prometido, tinha disponibilizado uma cadeira de rodas especial, com rodas largas, e quase todas as manhãs Vero transferia Lauren para ela e caminhávamos pela praia.

Ficávamos numa pequena praia perto de uma rocha, que emergia bem fora de vista da parte principal do hotel. Eu abria uma cadeira, sentava-me ao lado de Lauren, embaixo de uma palmeira, e olhávamos vero tentar praticar windsurf ou esqui aquático — às vezes, gritávamos palavras de incentivo e até uns xingamentos ocasionais — de onde estávamos na areia.

A princípio, os funcionários do hotel quase queriam fazer coisas demais para Lauren, oferecendo-se para empurrar a cadeira, insistindo em lhe trazer bebidas geladas.

Explicamos que não precisávamos deles e eles, alegremente, recuaram. Mas era bom, durante os momentos em que eu não estava com Lauren, ver porteiros e recepcionistas conversarem com ela, ou dar dicas de lugares aonde achavam que deveríamos ir.

Havia um jovem desengonçado, Nadil, que parecia ter nomeado a si mesmo o cuidador não oficial de Lauren quando Vero não estava por perto. Um dia, saí e descobri que Nadil e um amigo haviam gentilmente tirado Lauren da cadeira, colocando-a numa esteira acolchoada que tinham posicionado embaixo da “nossa” palmeira.

— Assim é melhor *disse Nadil, levantando o polegar num sinal de positivo, enquanto eu vinha pela areia.* — Basta me chamar quando o Srta. Lauren quiser voltar para a cadeira.

Eu estava prestes a reclamar e dizer que não deveriam tê-la tirado da cadeira. Mas Lauren havia fechado os olhos e se deitado com uma satisfação tão inesperada que apenas me calei e fiz que sim com a cabeça.

Quanto a mim, à medida que a preocupação com a saúde de Lauren foi diminuindo, comecei vagarosamente a achar que estava mesmo no paraíso.

Nossos dias pareciam seguir um padrão. Tomávamos café da manhã todas as três juntas. Depois íamos então para a praia, onde ficávamos — eu lendo, Lauren ouvindo música — enquanto Vero praticava esportes aquáticos.

Lauren ficava me dizendo que eu também deveria fazer alguma coisa, mas a princípio eu disse não. Apenas queria ficar perto dela. Quando insistiu, passei uma manhã praticando windsurfe e caiaque, mas eu ficava mais feliz estando só ao lado dela.

Na hora do almoço, íamos para um dos três restaurantes do resort.

Nas tardes, quando as temperaturas chegavam ao ápice, Lauren ia para o quarto e dormia algumas horas. Eu nadava na piscina, ou lia meu livro, e no final da tarde nos encontrávamos para jantar no restaurante à beira-mar.

Ao anoitecer, nós três conversávamos sobre nossa infância, nossos primeiros namorados, nossos primeiros empregos, nossas famílias e outros passeios que tínhamos feito, e lentamente vi Lauren ressurgir.

Só que era uma Lauren diferente. Aquele lugar parecia ter lhe concedido uma paz que ela não tinha ao longo de todo o tempo que eu a conheci.

 

— Ela está indo bem, não? *perguntou Vero, ao me encontrar no bufê.*

— Sim, acho que sim.

— Sabe... *Vero se inclinou na minha direção, temendo que Lauren visse que falávamos nela* — ...acho que aquele rancho com todas as aventuras teria sido ótimo. Mas, vendo-a agora, não posso deixar de pensar que este lugar deu mais certo.

 

                                                                                        * * *

 

Na quarta noite, Vero anunciou, apenas um pouco constrangida, que tinha um encontro. Lucy era uma amiga neozelandesa hospedada no hotel ao lado de Vero que tinha concordado em ir com ela ao centro da cidade.

— Só para garantir que ela vá ficar bem. Você sabe... não sei se é um lugar bom para ela ir sozinha

— É *disse Lauren, balançando a cabeça, solenemente.* — Muito gentil de sua parte, Vero.

— Eu acho que é uma atitude muito responsável. Muito cívica *concordei.*

— Danem-se vocês duas *disse Vero com um sorriso escancarado, e sumiu.*

Lucy logo se tornou uma companhia constante. Vero desaparecia com ela quase todas as noites e, embora voltasse para cumprir suas obrigações da noite, nós, tacitamente, demos a ela todo o tempo possível para que se divertisse.

Além do mais, eu estava secretamente satisfeita. Gostava de Vero e me sentia grata por ela ter vindo, mas preferia quando ficávamos só Lauren e eu.

Gostava da  intimidade fácil que surgiu entre nós. Gostava do jeito como ela virava o rosto e me olhava com deleite, como se, de algum modo, eu tivesse me tornado muito mais do que ela esperava.

Na penúltima noite, eu disse a Vero que não me incomodaria se ela quisesse trazer Lucy para o complexo. Ela vinha passando as noites no hotel dela e eu sabia que aquilo era complicado para ela, andar vinte minutos de cada vez para preparar Lauren para dormir.

— Não me importo. Se isso vai... você sabe... lhe dar um pouco de privacidade.

Ela ficou animada, já pensando na noite que teria, e não disse nada mais que um entusiasmado “Obrigada, companheira”.

— Que gentil de sua parte *disse Lauren, quando contei para ela.*

— Que gentil de sua parte, você quer dizer *respondi.* — Foi o seu quarto que cedi à causa.

Naquela noite, colocamos Lauren no meu quarto, e Vero ajudou Lauren a se deitar e lhe deu o remédio enquanto Lucy aguardava no bar do hotel. Troquei de roupa, vestindo a camiseta e a calcinha e então abri a porta do banheiro e me esparramei sobre o sofá, com o travesseiro embaixo do braço. Senti o olhar de Lauren me acompanhando, e me senti estranhamente consciente de que eu passara quase toda a semana anterior andando por aí de biquíni na frente dela. Encaixei meu travesseiro no braço do sofá.

— Camila?

— O quê?

— Você realmente não precisa dormir aí. Esta cama é grande o bastante para caber um time de futebol inteiro.

O fato é que eu nem sequer tinha pensado nisso. Pois é. Talvez os dias que passamos quase despidos na praia nos tivessem feito pirar um pouco. Talvez fosse a ideia de que Vero e Lucy estavam do outro lado da parede, enroladas uma na outra. Talvez eu quisesse apenas ficar perto dela.

Comecei a me encaminhar para a cama, então me encolhi ao ouvir um súbito trovão. As luzes falharam, alguém gritou lá fora. No quarto ao lado, Vero e Lucy irromperam em risadas.

Fui até a janela e abri a cortina, sentindo a brisa repentina, a queda abrupta da temperatura. Lá fora, no mar, uma tempestade ganhou vida. Flashes dramáticos de raios se partiam em várias direções iluminando o céu por um instante e então, como se fosse um adendo, uma pesada trovoada soou no dilúvio que atingia o telhado do nosso pequeno bangalô, tão barulhenta que abafou tudo.

— Melhor eu fechar as janelas *falei.*

— Não, não.

Virei-me.

— Deixe as portas abertas *disse Lauren, fazendo sinal com a cabeça.* — Quero ver.

Hesitei, mas, devagar, abri com cuidado as portas envidraçadas que davam para o terraço. A chuva martelava todo o complexo do hotel, pingando de nosso telhado, escavando rios que corriam do terraço em direção ao mar. Senti a umidade em meu rosto, a eletricidade no ar. Os pelos dos meus braços se arrepiaram na mesma hora.

— Você está sentindo? *perguntou ela, atrás de mim.*

— Parece o fim do mundo.

Virei-me e caminhei até a cama, sentando-me na beira. Enquanto ela me olhava, me inclinei e delicadamente puxei seu pescoço bronzeado na minha direção. Agora, eu sabia exatamente como mexer nela, como eu poderia fazer com que seu peso, sua solidez, trabalhassem a meu favor. Segurando-a perto de mim, debrucei-me por sobre ela e coloquei um gordo travesseiro branco atrás de seus ombros antes de apoiá-la novamente.

Ela tinha cheiro de sol, parecia entranhado na pele, e eu me peguei inalando aquele cheiro silenciosamente, como se fosse algo delicioso. Então, ainda não completamente seca, subi na cama ao lado dela, tão perto que minhas pernas tocaram as suas.

O mundo ao nosso redor pareceu encolher, até que ele fosse somente o som da tempestade, o mar azul-escuro cor de malva e as cortinas finas delicadamente se inflando.

Alcancei a mão de Lauren e a segurei entre as minhas. Pensei, por um instante, que nunca mais me sentiria tão intensamente conectada ao mundo, a outro ser humano, como naquele momento.

— Nada mal, hein, Camila? *disse Lauren em meio ao silêncio. Diante da tempestade, o rosto dela estava parado e calmo. Ela se virou um pouco e sorriu para mim, e havia algo em seus olhos, algo triunfante.*

— É *respondi.* — Nada mal mesmo.

Fiquei deitada imóvel, ouvindo a respiração dela lenta e profunda, o som da chuva por trás dela, senti seus dedos cálidos entrelaçados nos meus. Eu não queria voltar para casa. Pensei que poderia nunca mais voltar. Ali, Lauren e eu estávamos seguras, trancadas no nosso pequeno paraíso.

Toda vez que eu pensava em voltar para a Inglaterra, a grande garra do medo prendia meu estômago e começava a apertá-lo bem forte. Vai dar certo. Tentei repetir para mim mesma as palavras de Vero. Vai dar certo.

Finalmente, virei-me de lado, de costas para o mar, e olhei para Lauren. Ela virou a cabeça para me olhar na luz fraca e eu senti que ela me dizia a mesma coisa. Vai dar certo. Pela primeira vez na vida, tentei não pensar no futuro. Tentei apenas estar, simplesmente deixar as sensações da noite passarem por mim.

Não sei quanto tempo ficamos assim, apenas olhando uma para a outra, mas aos poucos as pálpebras de Lauren ficaram mais pesadas até que ela murmurasse, se desculpando, que achava que estava... A respiração ficou mais profunda, ela fechou a pequena fenda e caiu no sono, e então eu fiquei apenas olhando o rosto dela, que havia novas sardas em seu nariz.

Disse a mim mesma que eu precisava ter razão. Precisava ter razão. A tempestade finalmente se dispersou lá pela uma da manhã, sumindo em algum ponto mar adentro, seus lampejos de raiva ficando cada vez mais suaves até desaparecerem por completo, levando a tirania meteorológica para algum outro lugar invisível.

Aos poucos, o ar acalmou em volta de nós, as cortinas pararam de esvoaçar, a água que restava foi drenada num gorgolejo. Em algum momento da madrugada eu me levantei, tirei delicadamente minha mão da de Lauren, fechei as portas envidraçadas, abafando o quarto no silêncio. Lauren dormiu — um sono audível e calmo que ela raramente tinha em casa. Não dormi. Fiquei lá, olhei-a e procurei não pensar em mais nada.

 


Notas Finais


Desculpe os erros e até o próximo..

Fic nova: https://spiritfanfics.com/historia/the-proposal-7255729


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...