História Me Deixe Entrar - Yoongi e Taehyung - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Homossexualidade, Hoseok, Jin, Jungkook, Namjoon, Park Jimin, Rap Monster, Romance, Sexo, Suga, Taehyung, Yaoi, Yoongi
Exibições 31
Palavras 1.963
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - Nove


Eu estou sentado no sofá da pequena sala da casa de Yura com os braços apoiados nas pernas. São por volta de 14h30 da tarde, e eu tive a brilhante ideia de chamar Yoongi para dar uma volta na praça do bairro. Parando para pensar, eu tenho feito muitas coisas com Yoongi ultimamente, esqueci até de ler o livro que trouxe para tédio repentino. Eu sempre tenho um livro comigo quando estou em lugares que possam me causar tédio. Mas nos meus momentos tediosos aqui nessa casa, nos últimos dias, eu não encostei um dedo sequer no livro.
Estico os dedos das mãos e me levanto, indo para o quarto em que Yoongi quase sempre está. Sentado no chão e olhando para um espelho, Yoongi parece mergulhado em pensamentos que eu nunca saberei quais são. Ecosto-me na porta e pigarreio um pouco, tendo sua atenção para mim. Ele me olha por alguns segundos e depois volta a olhar para o próprio reflexo. Vou ao seu encontro e sento do seu lado, pondo minha mão em seu ombro.

- Você está bem? - pergunto.

- Eu... Sim, sim. Estava só pensando - responde, tirando os olhos do espelho e agora olhando para mim - por que você veio aqui? Quer jogar xadrez de novo?

- Não. Eu vim te chamar para dar uma volta na praça, ver um pouco de natureza cercada por poluição. Sabe, a natureza acalma os seres humanos, foi comprovado - sorrio um pouco.

- Eu não estou com muita vontade de sair hoje, nem amanhã e nem depois de amanhã - responde, balançando as pernas esticadas no chão.

- Yoongi, vai ser bom, eu prometo!

- E o que pretende fazer na praça? Comprar algodão doce?

Penso um pouco. Eu sei para onde vamos, mas não sei o que faremos. Lembro que quando minha mãe está aqui, ela gosta de me levar para a praça, para conversar sobre tudo e nada.

- Conversar - falo, depois de algum tempo.

- Podemos fazer isso aqui. E por que você quer conversar comigo? Não tem nada mais importante para fazer?

- Primeiramente: não, não podemos. Eu quero conversar com você porque eu gosto de conversar. Eu não tenho nada mais importante para fazer. E segundamente: você faz muitas perguntas!

Ele suspira, e se levanta. Me pergunto aonde ele vai, e por um momento penso que ele vai me deixar falando sozinho. Mas ele não atravessa a porta, ele vai em direção ao guarda-roupa e pega uma camiseta básica cinza e amassada, uma calça de moletom preta e uns chinelos marrons. Creio que deve ter sido a primeira coisa que ele viu para vestir, talvez ele sempre decide que roupa vai usar assim, como se não se importasse se ficaria esquisito ou parecendo um pijama. Vai em direção ao banheiro e se troca rapidamente por volta de dois minutos. Como foi rápido demais, seu cabelo ficou bagunçado e de um jeito estranho, mas ele parece não se importar ou não notar. Levanto-me do chão, pego um par de tênis na mochila e os calço. Sem proferir nenhuma palavra, ele pega as chaves e abre a porta, eu saio em seguida, mas logo entro novamente para avisar para a Sra. Kim que eu e Yoongi vamos para a praça. Ela pergunta quanto tempo vamos ficar fora, eu respondo que só uma ou duas horas, afinal, seria só uma conversa normal.
Saio oficialmente da casa, Yoongi me espera sentado na escada, quando me vê, levanta e limpa a calça de moletom e desce as escadas. Desço logo atrás dele, acelerando um pouco o passo para o alcançar, já que ele não me esperou e começou a andar na frente.

O trajeto foi silencioso, por vezes ele limpa a garganta e tosse, deve estar um pouco doente. Quando enfim chegamos, digo à ele para sentarmos em um banco perto do parque das crianças e do xafariz. Assim fizemos, e agora eu apoio as minhas mãos nos joelhos. Está um silêncio gritante da nossa parte, que é totalmente cortado pelo barulho das crianças gritando e rindo, e do xafariz expelindo água repetidas vezes.

– Então? – digo, cortando o silêncio.

– Então o quê? – responde, focando seu olhar em mim, que antes estava concentrado no movimento repetido da água.

– Sobre o que vamos conversar?

– Eu não sei, foi você que me chamou para conversar, nāo o contrário. Achei que você sabia – volta a olhar para a fonte com o xafariz.

Percbi que ele tem razão. Eu o chamei para conversar, mas não tenho um assunto. E uma conversa sem assunto, não existe. Novamente ficamos em silêncio.
Encaro a fonte e a água jorrando, pensativo. Lembro novamente da minha mãe, de quando ela me trazia aqui. Nós conversávamos sobre diversas coisas, de jogos até amor, de comida até estudos. Minha mãe sempre tem um tema para nossas conversas, e quando não tem, inventa. Uma das coisas que ela sempre pergunta é se eu preciso desabafar sobre algo. Sim, é isso! Desabafar, esse é nosso assunto.

– Yoongi? – chamo-o, me alinhando no banco.

– Hum? – fala, chutando algumas pedras no chão e matando formigas que passeavam pelo banco.

– Você quer desabafar?

– Sobre o quê? – encara os sapatos, como se fosse a coisa mais interessante presente.

– Sobre qualquer coisa. Você pode falar dos seus problemas ou sobre como você odeia uma comida. Há várias formas de desabafar.

– Eu não sei... Não quero encher você com meus conflitos internos.

– Você não vai me encher, vai colocar pra fora. É sempre bom desabafar, li na internet que é bom. Se você não quiser falar nada, pode deixar que eu converso sozinho.

Ele suspira e se vira em minha direção. Yoongi parece estar tomando fôlego para começar a falar, espero um pouco e ele finalmente começa:

– Eu vou falar de... De quando fui expulso de casa. Nunca falei detalhadamente para ninguém, apenas para o meu psicólogo. Desabafar é colocar as coisas para fora, não é? Nunca desabafei de verdade, deve ser por isso que me sinto tão cheio e sufocado – ele faz uma pausa para respirar, como se falar aquilo tivesse sugado o ar de seus pulmões – bom, naquele dia eu acordei, assim como todos os dias. Me arrumei para ir para a escola, como todos os dias. Cheguei em casa e... Não foi como todos os dias. Eu ainda me lembro bem, assim que coloquei o pé dentro de casa, percebi que meus pais estavam brigando, ou melhor, meu pai estava brigando com minha mãe no meio da sala, aos gritos, sem se importar se os vizinhos estavam escutando ou não. Ele gritava na cara da minha mãe, as palavras dele eram como: você é uma imprestável, não trabalha, não arruma a casa direito como toda mulher deve fazer, só serve para pegar o dinheiro que ganho com longas horas de trabalho honesto e gastar em bebidas! . Minha mãe estava encolhida, com as mãos nos ouvidos para abafar os gritos. Ela tinha me visto e começou a olhar para mim, que estava parado na porta. Meu pai parou de gritar porque percebeu que ela fitava algo, ele se virou na minha direção, caminhou lentamente até mim e disse apenas três palavras: vai pro quarto. Eu me desencostei da porta e fui para o meu quarto de cabeça baixa, contra a minha vontade, pois eu sabia o que ia acontecer assim que eu saísse de lá, mas não podia impedir. Ele fazia isso sempre, mas era ruim em todas as vezes, aquela era só mais uma. Apenas me encostei na porta e chorei, como se estivesse no lugar da minha mãe. Eu ouvia cada estalo, e era como se doesse em mim, mas não na pele, e sim no coração e na consciência, porque eu sabia que não podia fazer nada, eu nunca teria força e coragem o suficiente para enfrentar meu pai. Ele não estava descontando a raiva em mim, mas eu queria que fosse comigo, seria menos desesperador. Quando eu ouvi o silêncio, abri a porta e espionei pelo corredor. Meu pai estava sentado no sofá, respirando fundo, e minha mãe não estava lá. Eu já sabia onde a minha mãe estava, afinal, por mais que ele batesse nela, ela sempre iria buscar conforto no álcool. Ela estava em um bar, mesmo acabando de apanhar. Para minha mãe, beber era como uma refeição, como sentimentos – ele joga a cabeça para trás e suspira –  naquele dia ela foi levada para o hospital, meu pai e eu só fomos avisados depois. E, bem, você já sabe o que acontece...

– Ela entrou em coma alcólico – completo.

– Sim, quando meu pai soube que gastaria muito dinheiro para mantê-la lá, ele quis me obrigar a trabalhar. Isso foi uns dois dias depois da notícia. Eu recusei, disse que queria continuar estudando como um adolescente normal. Ele explodiu, disse que eu não sou um adolescente normal, que meu sonho de ser rapper era uma merda e pura idiotice fantasiosa de jovem. Falou que eu nunca seria bem-sucedido assim, que o melhor caminho era os estudos. Também disse que eu nunca seria um adolescente normal por uma vez, ter dito em um jantar de família que gostava de um ex-amigo meu.

– Você  é... Gay? – pergunto.

– Te surpreende? Eu tenho vários problemas, esse é só mais um.

– Mas ser gay não é um problema.

– Não importa. Continuando, ele me ofendeu de todas as formas, e, depois de desferir um tapa na minha cara, que ele disse que era um tapa de desgosto, ele avisou que eu estava expulso de casa por ser um fardo para ele, e que no próximo dia iria mandar desligar os aparelhos que mantiam minha mãe viva. Nesse momento o meu mundo caiu. Eu me vi na rua, sem ter para onde ir, sem amigos, e sem o que eu um dia chamei de família. Passei meses ali, até que Yura me acolheu e foi na justiça, para conseguir os documentos para concluir minha adoção. Quando cheguei aqui, eu estava muito mal, minha mãe adotiva, como se importava e se importa muito comigo, me levou até um psicólogo, e eu fui diagnosticado com depressão. Fui encaminhado para um psiquiatra, e ele passou tratamentos e remédios, também tinha sessões com um psicólogo, até hoje tenho, e assim eu fui melhorando. Mesmo hoje, depois de anos, eu ainda tenho que conviver com esses ataques de ansiedade, com sombras do passado, com meus traumas, com os remédios. Eu estou melhorando lentamente, mas algumas vezes penso em desistir, em largar tudo isso que eu chamo de vida. Pode parecer dramático, mas é isso que eu vivo, é com isso que eu convivo. Sei que depressão não tem cura, e sim uma grande melhora. Muita gente acha que só porque você tem depressão e postar uma foto sorrindo, quer dizer que já está curado. Conseguir tirar uma foto sorrindo pode ser um grande passo, ou apenas um disfarce, assim como sorrir todos os dias mesmo estando mal. Para uma pessoa depressiva com um grau muito avançado da doença, a maior vitória do dia pode ser conseguir levantar da cama, o que pessoas normais fazem todos os dias.

Ele solta um grande e último suspiro. Eu estou impressionado, não consegui falar nada depois do seu grande – discurso – desabafo.

Ele encosta a cabeça no meu ombro, e eu me surpreendo pelo contato, já que ele é fechado e na dele, eu não esperava por isso. Apoiei minha cabeça sobre a dele, e ficamos fitando a fonte e o xafariz, sem dizer nada, apenas com aquele clima de compreensão que tem quando uma pessoa desabafa.


Notas Finais


OIOIOI

Sim, eu ainda estou viva, eu não morri.

Faltando apenas um dia para fazer um mês sem atualizar, surge um cap novo.

Ok, eu tinha trabalhos de escola e feira de conhecimentos para me preocupar, por isso acabei deixando a fic um pouco de lado. Mas vocês sabem como é a IV unidade em escolas, né? E sem contar que na próxima semana começa as provas :')

Eu tentei me esforçar para escrever esse capítulo, porque eu tô achando os outros meio pombo, sem os pensamentos do Taehyung, meio vazio, sabe? Sem descrição das coisas, etc...

Aah, e eu estou fazendo um plot de uma fanfic, se tudo der certo e eu não desistir dele e escrever a fanfic, talvez eu poste aqui ou no Wattpad *-*

(Alguém lê essa fanfic?)

Me sinto falando sozinha nas notas, mas mesmo assim, beijoos ♡

*Qualquer erro, é só avisar :)

Miimy Xx


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