História Mean Boys - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Lu Han, Sehun, Suho, Xiumin
Tags Baekai, Baeksoo, Baekyeol, Chanbaek, Chankai, Exo, Hunhan, Kaibaek, Kaisoo, Kpop, Mean Girls, Mean Girls!au, Meninas Malvadas, Yaoi
Exibições 170
Palavras 7.339
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Não tenho desculpas para dar. Sinto muitíssimo pela demora excessiva e não, eu pretendo não voltar a repetir essa demora de dois meses.

Como todos - talvez - saibam, eu tenho outra chanbaek, Blackbird, que eu atualizo depois de atualizar essa. Depois que eu postei lá, resolvi me dar um tempo para descansar e só escrevi o começo desse capítulo, mas nunca mais tive tempo para terminar. Vieram provas, eu fiquei com tanta coisa para fazer, estudando, fazendo trabalho, impossível.

Faculdade é um terror, sabe?

O capítulo veio um pouco maior do que o planejado para compensar! Obrigada e espero que não tenham desistido de mim <3

Capítulo 4 - Presidente


Fanfic / Fanfiction Mean Boys - Capítulo 4 - Presidente

 Chanyeol estava feliz com o quão rápido a amizade com Jongdae e Junmyeon se tornara essencial e quase natural. Logo no primeiro dia, já tinha os dois em todas as redes sociais e, em uma semana, já conversavam por mensagem a toda hora. Durante esse tempo, Jongdae também o esperava perto do bebedouro no fim do corredor na hora do intervalo para irem juntos a cafeteria. Junmyeon os encontrava lá um pouco depois, sempre atrasado devido as suas tarefas na presidência.

 Em toda sua enorme estatura – que não o permitia passar despercebido nunca, muito menos quando fazia besteira – e muito mal jeito, completamente desacostumado com o dia a dia de uma instituição de ensino, Chanyeol sentia-se completamente perdido às vezes. Cada professor tinha um temperamento e foi bem difícil se adaptar e decorar o “fazer” e “não fazer” de cada um deles. Uma das vezes, quando levantou para ir ao banheiro, seu professor parou abruptamente a aula e abaixou os olhos, expressão séria sem revelar muito. Chanyeol chegou a ouvir uns risinhos abafados em meio a quietude tensa que se instaurara, mas estava muito distraído pensando no quanto sua bexiga estava a ponto de estourar para ligar para qualquer coisa ao seu redor. Saiu sem perceber nada. Objetivamente falando, quando voltou, levou o fora mais feio de sua vida bem na frente da turma, com seu professor sugerindo a falta de educação dele por interromper uma lição no meio e distrair os colegas saindo para o banheiro. Claro, sem nunca olhar para o seu rosto e nem citar seu nome, mas tudo ficou bem óbvio com a escolha de palavras e o tom usado.

 Aparentemente, todos sabiam que não se sai na aula desse professor por nada nesse mundo, exceto Chanyeol.

 Claro que isso rolou bem no dia que Jongdae havia cabulado a aula e Junmyeon estava muito ocupado para se preocupar com eletivas. Jongin estava sentado longe demais para impedi-lo quando levantou e ninguém quis avisar o aluno novo.

 Jongdae era quem o apresentava tudo no colégio: as pessoas, os grupos, os clubes, os lugares, eventos, quem ele devia falar e quem ele devia evitar. Nos primeiros dias esses eram os assuntos que ocupavam 99% de suas conversas, ao ponto de seu amigo ter escrito um pequeno mapa em esquema para mostrar-lhe onde normalmente ficava localizada a mesa de cada tribo da faculdade. Quase sempre a conversa dos dois acabava na figura loira de um metro e setenta e quatro de puro ego e personalidade forte, cuja presença poderia incendiar um andar inteiro se assim desejasse. O que era meio exagerado na visão de Chanyeol, mas a impressão que qualquer descrição de sua pessoa deixava era exatamente essa.

 Mesmo que fosse um fato que o Byun tinha poder, além de ser intimidadoramente bonito e, aparentemente, ameaçador, parecia um pouco demais endeusar tanto um ser humano universitário que, no fim das contas, era carne da mesma carne que qualquer outro ali.

 Chanyeol não era de se curvar para qualquer um.

 Não que ele fosse desafiador, destemido, corajoso, ou algo assim. Ele só queria ter um bom motivo se fosse prestar algum tipo de respeito exagerado para algo. Talvez Baekhyun não fosse tão mal, talvez aquela fosse apenas uma defesa dele. Todos têm tanto medo e o colocam em um pedestal tão alto, que o Byun pode não ter qualquer outra escolha além de ser o que queriam que ele fosse.

 Isso parecia bem lógico em sua cabeça. Tipo, psicologia básica.

 Chanyeol o trataria como um ser humano e isso deveria bastar.

 Deveria.

 O Park não chegou a contar para Jongdae do ocorrido depois que Jongin o deixara no ponto de ônibus, quando o carro do Byun jogou água por toda a sua roupa e ele rezou para que aquilo fosse apenas um mal entendido. Do jeito que o baixinho não falou com ele, mas também não fez cara feia ou o evitou, tentou aquietar um pouquinho de suas dúvidas e, logo, já nem ligava mais.

 Era verdade, no entanto, que seus olhos não evitaram viajar diretamente para Kim Jongin durante as aulas, porque sua figura era extremamente agradável aos olhos, e quem era ele para negar sua mente um pequeno alívio visual em meio a todas aquelas matérias universitárias complexas? Não é como se suas notas fossem cair por causa disso.

 Chanyeol era bom em olhar sem ser percebido, tão bom que não foi flagrado secando o rapaz nem uma vezinha. De toda forma, seu coração quase pulou para fora da boca quando o mesmo veio falar com ele, ainda repetindo a ação praticamente todos os dias, cumprimentando-o na entrada e puxando pequenos papos até que alcançassem a sala. Falavam banalidades, mas não era nada forçado ou desconfortável, eles conseguiam até rir. E o sorriso de Jongin era como um pequeno raio de sol na nova vida confusa do Park.

 Talvez sua amiga da Suíça tivesse razão, Chanyeol é fraco por pessoas com carisma demais.

  Ele não tinha sorte todos os dias, mas quando o universo achava que merecia presenteá-lo, Chanyeol conseguia sentar-se na cadeira bem atrás de Kai (nome pelo qual nunca o chamava pessoalmente, porque achava um tantinho íntimo). Nessas vezes, sempre tinha a visão privilegiada do campus pela janela quase panorâmica da sala, a sua esquerda, e podia puxar papos agradáveis por entre cochichos com Jongin sempre que o tédio batia. Falavam sobre professores e os clubes na maioria das vezes, mas quando se pegavam entretidos demais no papo, sempre escapavam para coisas mais pessoais de suas vidas, como gostos e fatos gerais.

 O Park não sabia porque, mas talvez Jongin também fosse uma das pessoas que tem medo do Byun, pois sempre que o rapazinho menor que os dois entrava, a conversa entre ele e Kai sumia. Ele não se interrompia nem nada, mas quase sempre apenas parava de puxar assunto. Chanyeol não sabe muito bem dizer se havia algum tipo de troca de olhares significativa entre os dois nesses momentos, pois elas eram tão breves e tão frias que pareciam apenas ilusórias, mas algo definitivamente acontecia e a tensão no ar era sempre grosseira.

 Depois, quando o papo retornava naturalmente, era como se absolutamente nada tivesse acontecido e Chanyeol quase acreditou que estivesse ficando um tantinho paranoico e consciente demais de Baekhyun.

 De toda forma, aquela primeira semana não se resumiu a apenas Jongdae, Jongin e Junmyeon. Esse último, na verdade, o havia instruído claramente a começar a tomar providências o mais rápido possível se quisesse entrar para a seleção de estágios da KBL, afinal, ele havia entrado bem tarde e quase todos já estavam situados e familiarizados. Se ele quisesse ter a confiança do corpo avaliador, ele precisava ter a confiança dos alunos, gerar fama própria e não viver para sempre da ideia de que era mais um cabeçudo. Era necessário ter influência e influência vinha de duas formas: intimidação ou admiração.

 Vocês já devem imaginar qual delas pertence a Byun Baekhyun.

 E Park Chanyeol nem fazia muito o estilo megera, quer dizer, sua cara de filho de pastor ou filhotinho de pet shop era um tantinho doce demais, mesmo com toda a sua altura, seria difícil engolir mais uma rainha má. Sua tática deveria ser outra.

 Junmyeon não entrou em detalhes muito profundos nas mensagens que trocaram por celular, disse que o explicaria no começo da terceira semana quando teria uma pequena folguinha e eles poderiam entrar mais fundo em detalhes mais importantes e complicados. Antes disso, a ordem imediata era: socializar. Conversar com todos os tipos de pessoas, tribos, se mostrar um cara simpático e prestativo, fazer a fama de “prodígio intelectual” evoluir para um pouquinho mais. Ter um bom papo informal e persuasivo e uma boa conversa mais profunda pode ser decisivo para conquistar o coração de um cliente importante em uma ação de milhões de dólares.

 O segundo comando foi não se vestir como um menino indo à igreja no domingo. Tornar-se um pinguim executivo cedo demais poderia fazê-lo parecer entediante para os alunos e logo ele entenderia o motivo para precisar ser mais “descolado” e chamativo do que limpo. Poderia até parecer uma contradição, tendo em vista que o objetivo era conseguir uma entrevista de estágio importantíssima em uma empresa enorme, mas havia caminhos mais tortuosos a serem alcançados antes.

 Chanyeol também percebeu que isso significava, de certa forma, que ele deveria estar visualmente a altura de Byun Baekhyun e isso era assustador demais. Porque Chanyeol não era apenas o cara que olhava para Kim Jongin quando ficava entediado, sua mente era cheia de muito mais coisas que não romance ou sexo (um dos motivos para estar ocupando uma cadeira privilegiada em uma instituição de ensino universitária de excelência), e um dos seus passatempos preferidos era descobrir o que havia de tão especial no “rei” Byun. Não era sempre, para falar a verdade, ainda que fosse interessante, Chanyeol havia herdado um pouco do medo de Baekhyun, talvez na hesitação e no suspense de não saber o que exatamente ele poderia fazer se flagrasse o Park o analisando (só que, mais uma vez, Chanyeol era bom em não ser pego nessas situações. No entanto, prevenir é melhor do que remediar). Enfim, Byun Baekhyun era um cara bonito demais. Nas quartas, como que religiosamente, seu rosto sempre parecia quase esculpido, com uma maquiagem que pareceria pesada no rosto de qualquer outra pessoa, mas na dele era natural. Como se sua beleza simplesmente esperasse o momento de ser destacada e reverenciada. Nas quartas, suas roupas eram sempre mais engomadas, seu cheiro empesteava o caminho por onde passava (mas não era enjoativo e isso o deixava ainda mais atraente) e os rostos se viravam para ele como se procurassem a última estrela brilhante no céu.

 Era louco e até engraçado.

 Chanyeol realmente achava que ele era lindo nesses momentos, mas seus olhos sempre seguiam Kim Jongin de qualquer forma. Porque seus “transes” de admiração em Byun Baekhyun eram curtos demais quando a voz do outro rapaz atingia suas orelhas e seu rosto se virava rápido para atendê-lo.

 Ainda assim, o Park era bonito também, virava algumas cabeças, mas não causava o mesmo frenesi que o seu rival. Talvez porque ainda não fosse tão consciente de seu potencial e sua autoestima se alocasse em níveis muito mais baixos do que o outro.  Seria preciso mais e Chanyeol nem sabia por onde começar.

 Ele sempre contava suas preocupações para Jongdae e ele ria, porque achava o Park completamente louco por apenas cogitar em tentar “destruir” uma única flor do reinado de Baekhyun, mas sempre dava suas próprias dicas. De forma sutil, ele também o ajudava, ainda que o chamasse de “pirado” e “suicida social”.

 Só que Chanyeol realmente não queria “destruir” nada.

 No dia anterior da tão importante conversa que teria com Kim Junmyeon, enquanto recebia uma carona do amigo na picape monstruosa, Jongdae apenas soltou, como quem fala do tempo, que resolveria o problema da aparência de Chanyeol e pediu que aguardasse só mais um pouco até que ele decidisse algumas coisas e achasse o dia perfeito.

 E o Park não fazia ideia de que tipo de momento seria tão perfeito assim, mas deveria ser uma boa ideia, porque Jongdae era estiloso. Estiloso o suficiente para ser o tipo de cara que não era popular por opção. Ele tinha colegas, muitos, daquelas pessoas que não sabem andar pelos corredores sem ser interrompido por alguém. Só que, ainda assim, comia apenas com Junmyeon (até Chanyeol aparecer) no canto mais afastado da cafeteria e parecia conformado assim.

 As pessoas naquela faculdade eram obsecadas por aparência e status.

 Chanyeol odiava isso.

 Porém, existem jogos que se é obrigado jogar para sobreviver na selva.

 

 Aproximadamente vinte e quatro horas depois, Chanyeol se viu sentado no pátio vazio, embaixo da sombra de uma das inúmeras árvores que tangenciavam a lateral do campo aberto, onde logo começaria uma aula. Fazia parte do programa de saúde da faculdade uma atividade semanal para manter os alunos saudáveis e ativos, talvez compensar todo álcool que ingeriam e as horas de estudo curvados sobre livros em um semi-sedentarismo. Para os que participassem de clubes de esportes ou dança era opcional juntar-se nos exercícios.  

 Junmyeon e Jongdae o arrastaram para lá no meio de uma eletiva de meio ambiente, alegando que não havia problema nenhum faltar uma aula em que o professor nunca lembraria de seu rosto e nem sentiria sua ausência, já que passava metade do tempo lendo um livro e fazendo esquemas no quadro de como reciclar, sem se incomodar muito em observar os estudantes.

 — Claro que você não pode ser dar ao luxo de fazer isso daqui para frente, mas, por hoje, vai ser necessário. Não sei quando terei tanto tempo livre assim de novo. — Junmyeon explicou e Chanyeol apenas concordou com um meneio de cabeça, não querendo discutir muito, já que não estava exatamente infeliz por perder uma aula tão chata.

  A única coisa que permanecia na cabeça do Park o dia inteiro era o conteúdo da conversa que teriam naquele momento. Já não conseguia mais parar de esfregar as palmas das mãos no tecido de sua calça jeans, descontando a ansiedade em movimentos repetitivos.

 Quando finalmente Jongdae soltou um “bom...”, com olhinhos brilhantes, e ajeitou-se no próprio traseiro sobre a grama fofinha, ouviu-se um apito de longe, anunciando o começo da próxima aula.

 Os grupos de alunos apareceram aos poucos, passando por uma das portas dos fundos da universidade, que dava acesso ao enorme campo onde estavam pelos vestiários, conversando e rindo, pouco notando os três, que se encontravam do lado exatamente oposto e mais distante. O professor de treinamento corporal escrevia algo em sua prancheta enquanto caminhava distraidamente para o centro. A primeira leva de pessoas era conhecida, a maioria também frequentava as mesmas primeiras aulas do começo da semana que Chanyeol. Nada de muito importante de início, já que ele se lembrava de ter dispensado esse horário para se colocar no de Jongdae. Mas bastou ver um familiar rosto doce aparecer com shorts largos no meio das coxas e uma regata larga de basquete, para que sua mente ligasse dois mais dois e percebesse quem mais estaria ali sem a menor sombra de dúvidas.

 Chanyeol tentou absorver o motivo para a quantidade surreal de pessoas ao redor de Luhan, o menino que parecia um bichinho de pelúcia, enquanto o mesmo parecia dar atenção igual a todas elas, andando bem devagar para que o acompanhassem. Não pareciam exatamente seus amigos, mais como colegas, mas, mesmo que nem todos se dirigissem a ele, era como se gravitassem ao seu redor apenas pela simples sensação de estar próximo. Em algum lugar ao seu lado, Junmyeon engasgou e Jongdae deu tapinhas nas costas dele, rindo de sua desgraça.

 — Você apaixonado é super patético, Myeonie. Vale lembrar que ele é só um garoto, tá? Não a última garrafa de tequila da festa.

 — Luhan não é só um garoto, Dae! —miou, parecendo uma criança birrenta, ao que o outro revirou os olhos, porque deus o livre começar a palhaçada de sofrimentos amorosos — Olha para aquilo, ele parece que acabou de sair dos-...

 — “Portões do paraíso”, ok. Chega, Junjun. Foco. — Chen bagunçou os cabelos do amigo, rindo mais um pouco quando esse deixou escapar um suspiro baixo, antes de voltar sua atenção para Chanyeol novamente. Para sua surpresa, este tinha as sobrancelhas vincadas em concentração, um rosto sério, que parecia infantil não importa o quanto olhasse (Jongdae precisava dar um jeito nisso rapidamente), analisando algo a frente com algum afinco. Ele seguiu o olhar do mesmo e, ignorando o já familiar vincar de seu coração, um muxoxo escapou de seus lábios antes que pudesse se controlar — Bom, parece que o Myeonie não é o único distraído com algo...

 Baekhyun havia acabado de alcançar o campo e foi impossível para Chanyeol não desviar a sua atenção de Luhan no mesmo momento, porque ele só conseguia pensar no quanto a sua intuição anterior estava certa.

 Ele usava uma camisa regata de academia preta apertada sobre o seu torso, agarrando o tronco em todos os lugares certos, acentuando as curvas dos quadris e os modestos músculos, principalmente o peitoral um tanto mais proeminente do que Chanyeol imaginava (nada muito exagerado ainda) e a barriga obviamente chapada. Os braços não eram exatamente enormes, já que o próprio Park facilmente tinha um pouquinho mais nos bíceps, mas a despeito de sua estatura pequena (ou melhor, menor do que a de Chanyeol) eram admiráveis o suficiente. A calça de moletom com um enorme símbolo da adidas em uma das coxas era cinza, laços desamarrados pendendo na fronte da peça, lhe caíam extremamente bem, como qualquer outra coisa. Era de se esperar. Estranho seria vê-lo menos do que impecável.

 — Baekhyun realmente levou a promessa de continuar na academia a sério, hm? Os efeito já estão tão visíveis... Fazem o que? Dois anos? — Jongdae comentou um tanto baixo para ninguém em particular.

 Chanyeol olhou brevemente para o amigo, a aparição o lembrando do motivo para estarem ali e para não poderem se distrair mais. Então, pegou a oportunidade para voltar ao papo inicial, a ansiedade virando apenas uma lembrança distante em sua cabeça.

 — Como eu faço para estar à altura de alguém assim? — ele apontou discretamente na direção do Byun, que já se movimentava para se alongar com Luhan. A multidão de pessoas que rodeavam esse último parecendo muito mais conscientes de repente, um tanto agitados.

 Baekhyun agiu como se não estivesse nem um pouco afetado com o efeito óbvio que causara, o grupo rapidamente voltou-se para ele tentando incluí-lo, provavelmente se dirigindo aos dois amigos agora e ele chegou a dizer algo de volta brevemente. Bem... Era o que parecia, pelo menos. De tão longe, nenhum dos três poderia ouvir a conversa. Mas depois de umas palavras e um gesto um tanto enfático de Baekhyun que sugeria que saíssem ou os dessem espaço, a multidão fez uma reverência rápida para os dois e um por um foram se afastando, deixando os dois amigos sozinhos.

 O menino bicho de pelúcia, Luhan, acenou em despedida para todos com um sorriso no rosto – mesmo que todos eles fossem continuar ali para a mesma aula. Baekhyun nem se incomodou com isso e apenas puxou a mão do amigo arrastando-o para perto para começarem a se alongar juntos.

 Isso pode soar repetitivo, mas realmente era incrível como todos pareciam gravitar ao redor dos dois. Como em uma reação em cadeia, o resto dos alunos também se movimentou para iniciar os alongamentos e o professor de treinamento pareceu satisfeito com a atitude, passando a dar instruções para guiar a atividade.

 — Não se chega à altura de Baekhyun, Chan. — Jongdae se esticou na grama, apoiando-se sobre os cotovelos para ficar mais relaxado — O que ele tem agora é produto de muitos anos. Baekhyun faz parte do sistema KBL desde pequeno, ele cresceu nele. Muitos daqui já o conhecem há um tempo, são os mesmos alunos de elite que apenas dão continuidade na rede, todos sabem da família dele, de tudo o que ele possui, do império que faz parte. Você simplesmente não chega na altura de alguém que lapidou e estabeleceu a própria reputação no âmago da KBL.

 — E o que devo fazer, então?

 — Estabelecer o próprio patamar de qualidade. — foi Junmyeon quem continuou dessa vez, não mais tão distraído com o menino bichinho de pelúcia — Durante esse tempo que nós não pudemos conversar, eu estive pensando um pouco sobre isso. Sobre colocar você em uma competição real com Baekhyun... E por mais que eu ainda ache uma ideia complicada, vale a tentativa. Eu vi que você tem seguido as dicas que eu te dei antes.

 — Ah, sim, você nunca mais veio com aquele cabelo bizarro de Bill Gates antes da fama. — Jongdae concordou, ao que Chanyeol teve que rir, porque era meio que verdade. O problema é que não sabia muito bem como fazer penteados diferentes e acabava deixando seu pai ou sua mãe se intrometerem quando se arrumava.

 Óbvio que isso nunca dava certo.

 — Eu realmente não sei o que deu em mim para usar gel.

 — O problema não é usar gel, Chanyeol, o problema é usar gel e fazer um atentado na sua aparência. De verdade, eu já nem sei de quantas formas diferentes você já não tentou suicídio social. Alguém precisava te parar.

 — Enfim — Junmyeon pigarreou — O que eu quero te dizer é que eu sei do seu empenho e antes eu tinha um plano para você, algumas coisas que você poderia imitar do Baekhyun e que dariam certo, mas percebi bem rápido que isso só deixaria a impressão de que você é um escalador social. O Byun ia ficar com mais raiva ainda, porque alguém na sombra dele ousaria se equiparar ao próprio e tudo o que a gente menos precisa é que ele te cace mais.

 — Como assim “caçar mais”? — o rapaz franziu o cenho, já sentindo suas mãos nervosas começarem a se movimentar em ansiedade novamente.

 — Ele vai te caçar, Chanyeol, é bem simples. — Jongdae foi direto — Ou você acha que ia simplesmente aparecer no meio do jogo dele e ficar imune? Acha que a gente disse que isso vai ser difícil só porque ele é influente e um herdeiro? Ah... Eu conheço essa cara que você está fazendo, Park. Em três semanas eu já tenho você todo adivinhando, realmente... Estamos todo esse tempo falando do senhor lorde das trevas e isso nunca passou por sua cabeça?

 Não. Realmente nunca passou pela cabeça de Chanyeol que Baekhyun fosse caçar ele. Não do jeito que eles diziam, talvez só tentando com mais empenho superá-lo, mas apenas isso.

 —... Fair Play? — Chanyeol murmurou e os dois amigos caíram na gargalhada, porque ele realmente era um achado.

 — Você é fofo, Yeol. — Jongdae apertou sua bochecha, com um sorriso debochado no rosto.

 — Deixe-o em paz, Dae. — Junmyeon deu um empurrãozinho no ombro do outro ainda com um sorrisinho no rosto, ao que Jongdae murmurou algo sobre “apenas disse a verdade”— O que interessa, Chanyeol, é que nós conseguiremos um novo lugar para você nessa universidade. Tentar tirar Baekhyun do trono ia ser longo e exaustivo demais e nós não temos esse tempo. Então eu pensei, porque não simplesmente coexistir? Vocês dois, lado a lado, ocupando lugares diferentes no topo da cadeia alimentar universitária, certo? As pessoas escolheriam o lado onde estariam mais confortáveis.

 — Eu não gostaria de tomar o trono de ninguém de qualquer forma. Eu só quero um estágio, não um império. Isso parece Idade Média do jeito que vocês falam... — era uma comparação justa, para falar a verdade, levando em conta o quão bárbaras competições assim podiam ficar — E escolher? Como assim?

 — Eu preciso que se eleja para Presidente do Centro Acadêmico, Chanyeol. — Junmyeon soltou e a respiração do outro pareceu parar bem na garganta — Essa é a única forma de te lançar para cima sem tanto esforço e rápido.

 — Junmyeon! — Jongdae arregalou os olhos — Isso é tipo, o maior cargo depois do seu que um aluno pode ocupar, o Chanyeol acabou de entrar no colégio!

 — E daí? Ele é um estudante de honra.

 — Ele vai ser comido vivo nas eleições. Chanyeol é bom, mas as pessoas não sabem o quanto ainda.

 — Nós vamos ajudá-lo a mostrar seu potencial, Jongdae. Eu sei que você consegue fazer isso por ele também, certo? Chanyeol vai se empenhar junto. — Junmyeon agora olhava direto nos olhos do Park, que assentiu com entusiasmo por mais que ainda estivesse com o coração cheio de receio. Ele lera algo sobre isso no manual do aluno, sobre os cargos de maior confiança da administração estudantil, mas isso parecia algo bem difícil de se alcançar e um Zé Ninguém como ele não se elegeria tão facilmente assim.

 — Chanyeol, você tem certeza? Isso será trabalhoso. Não um pouco e nem mais ou menos, mas muito muito trabalhoso.

 — Eu... — ele vacilou, só um tantinho. Não porque não quisesse, mas porque estava animado para fazer seu melhor, pelos seus objetivos. Se pelo menos pudesse minimizar um pouco do nervoso... — Sim, eu tenho.

 Junmyeon sorriu quase instantaneamente e por mais que Jongdae tivesse suas críticas, ele também deixou que seus lábios se repuxassem nos cantos. Esticou-se para frente e deu uns tapinhas na coxa de Chanyeol.

 — Temos muito a fazer daqui para frente.

 Dito e feito. Park Chanyeol foi bombardeado de ordens e conselhos logo depois. Dali a quatro dias abririam as nomeações para as eleições estudantis. O período de campanha seria de cinco meses e, no fim das votações, começaria o processo seletivo para o estágio da KBL.

 Chanyeol tinha um caderno no colo, anotando furiosamente tudo o que Junmyeon e Jongdae o diziam para fazer e não fazer. Sua cabeça já estava a mil, mas ele estava sob o efeito de certa adrenalina, aquela vontade fresquinha na sua mente de cumprir um objetivo difícil.

 — Ser eleito vai te levar para mais perto de conseguir o estágio. Eles levam muito a sério o currículo, então é importante que você tenha experiência em liderança, ainda mais um cargo reconhecidamente importante pelo corpo da KBL. — Myeon explicava. Chen, com a cabeça sobre sua coxa, brincava com os dedos enquanto dava uma ou outra sugestão no meio da conversa. Em uma dessas horas, ele interrompeu o que o amigo dizia e se virou abruptamente, apontando um dedo na direção de Chanyeol.

 — Precisamos mudar de mesa. Amanhã nós vamos conseguir uma no meio do refeitório, território livre, você precisa se misturar mais.

 — Mas sempre que a gente chega lá todas já estão ocupadas — o Park retrucou — teríamos que ir anos mais cedo para alcançar uma boa mesa.

 — Ótimo, então faremos isso. Guerra é guerra.

 — Isso não me parece relevante em uma guer-... — o menino começou a balbuciar, mas se arrependeu logo em seguida, quando precisou abafar o gritou que dera quando levou um tapa estalado na perna, cortesia de Chen.

 — Tudo é relevante, Park. Aprenda isso!

 Era melhor se ficasse quieto. E foi o que fez. Apenas anotando e concordando com a cabeça para mostrar que acompanhava as instruções, ao que os dois o diziam ordem sobre ordem, coisa sobre coisa. Chanyeol só queria fazer tudo do próprio jeito, para falar a verdade, algo mais light e fácil, quem sabe? Mas o que ele sabia sobre eleições?

Aparentemente, Jongdae fora um presidente do centro acadêmico no primeiro ano do Ensino Médio e não havia ninguém melhor do que alguém que já estivera na sua pele para lhe aconselhar.

 — Participe de eventos de caridade do colégio, seja um aluno ativo nas causas dos estudantes, seja um porta-voz. Você precisa construir uma imagem de alguém em que os universitários possam confiar quando precisem, que leve as reivindicações sem medo para os níveis superiores. E, lembre-se, socialize mais. Sempre mais. — Junmyeon acrescentou e Jongdae pareceu se lembrar de algo importante, pois levantou-se rapidamente e virou-se para Chanyeol com os olhos brilhando de excitação.

 No entanto, antes mesmo que as palavras pudessem atravessar a sua boca, eles ouviram um pigarro perto deles.

 Sinceramente, foi meio assustador virar-se para Baekhyun parado em pé, olhando-os de cima. Os olhos de Chanyeol foram os primeiros a serem presos pelos do rapaz loiro, “olhos de ressaca”, diria Machado de Assis, sugam tudo para suas profundezas.

 O coração do Park batia tão forte em seu peito, o sangue fugiu das suas bochechas em um segundo, a sensação era a de ter sido pego fazendo algo errado, como se a segundos atrás eles estivessem planejando o assassinato daquela mesma pessoa e não discutindo estratégias para o processo seletivo da KBL. Seu rosto, provavelmente, se encontrava bizarramente pálido. Junmyeon não estava muito longe de se equiparar ao grandão, mas a calma extra vinha naturalmente depois de tanto tempo lidando com o reizinho. Este que sem dirigir uma palavra para Chanyeol, virou-se para o presidente do conselho, levantando as sobrancelhas como quem diz “por que ainda está parado aí?”. Como um pequeno servo, o rapaz se levantou e aproximou-se de Baekhyun, quase tropeçando nos próprios pés, nada que não tivesse sido observado pelos olhos sagazes do Byun que deu um sorrisinho debochado.

 — Presidente, você não deveria estar na aula agora?

 — Eu tive uma folga depois de ser liberado das minhas atividades no Conselho. — era uma mentira, mas não é como se Baekhyun ligasse.

 — Que bom pra você. — Byun respondeu, mas sua voz tinha tão pouca emoção que obviamente ele não sentia nenhuma das palavras que proferira. Chanyeol realmente queria saber como alguém ensopado de suor e os cabelos obviamente molhados depois de uns exercícios poderia parecer tão bem, como se tivesse acabado de sair de um ensaio fotográfico que o requeria aquele exato visual. Sinceramente, quando o Park suava ele ficava desgrenhado quase que imediatamente, péssima visão, na opinião do mesmo — Preciso que verifique os balanços para esse mês. Alguém me falou sobre a restauração do andar de música e faz algum tempo que os alunos vem pedindo por isso, acho que está na hora de levar esse assunto para outras instâncias.

 — Baekhyun, você sabe que pode fazer isso por si só, não é?

 — Junmyeon. — Baekhyun riu e seus olhos apenas firmaram-se no mesmo com uma falsa cautela e doçura — Você acha que se eu pudesse fazer isso por mim mesmo, eu ainda teria vindo gastar o meu tempo te pedindo?

 — Não, Baekhyun, mas...

 — Não seja irritante, Junma. — o Byun sorriu e aquilo foi tão falso, o modo como aquele repuxar não atingiu seus olhos, mas não era nada aparente. Tudo estava na forma como aquilo emanava de Baekhyun. Uma pessoa extremamente inocente não notaria a diferença — Você está ficando preguiçoso. Talvez você devesse rever suas amizades, o que acha?

 O Park pode ver pelo canto do olho o modo como Jongdae se remexeu ao seu lado. Mais irritado do que desconfortável. Baekhyun não o dedicara nem um mísero olhar desde que chegara, ao passo que Chen o encarava como se pudesse furar dois buracos no meio do crânio do rapaz loiro.

 — O que você acha, Chanyeol? — a voz veio mais macia do que antes, atravessando em direção ao rapaz ainda sentado de forma estranha e irritantemente consciente da tensão que os envolvia. Mais uma vez seus olhos se encontraram como um milhão de faíscas incandescentes.

 E aquela era só uma pergunta, mas soara tanto como uma ameaça. E ele nem sabia se a frase tinha realmente sido uma indireta para ele.

 Baekhyun não esperou uma resposta.

 — Só faça o que eu mandei, Junma. — Baekhyun sorriu para o rapaz outra vez e lançou um último olhar para o Park, sem sorrisos, antes de virar-se e ir embora.

 Chanyeol não percebeu que o estava encarando se afastar e sumir nos vestiários até ouvir os gritos frustrados de Jongdae, que agarrava a grama baixa com raiva, arrancando pequenos tufos vegetais no processo.

 — Ele é inacreditável! — Chen praticamente berrou, a frustração visível em seu semblante — Fala todas aquelas coisas e nem olha na minha cara. Eu devia ter quebrado ele quando tive a chance!

 Junmyeon virou-se para o amigo irritado e puxou-o para perto com certa força, enjaulando-o no meio dos seus braços.

 — Shhhh... Dae...

 — Chanyeol, nós precisamos vencer isso. — ele não conseguia parar de falar, a respiração acelerada — Nós vamos te fazer vencer essa eleição. Juro que nós vamos.

 — Dae... — ele repetiu, com paciência. Afagando a cabeça do amigo, que falava e falava e falava. A respiração um pouco mais calma, mas ele parecia apenas querer reclamar, como se Baekhyun tivesse acabado de estragar a parte de seu cérebro responsável pela fala.

 — Jongdae, tudo bem mesmo se eu não vencer. — Chanyeol interrompeu, lançando um sorriso na direção do amigo. Seja lá qual fosse o problema que o mesmo tinha com Baekhyun, ele saberia eventualmente. Quem sabe?

  Chen ia dizer mais algo, com certeza, mas antes que pudesse, o maior se levantou rápido e o puxou dos braços de Junmyeon.

 — Que tal irmos comer? Precisamos chegar cedo para clamar nosso lugar, certo?

 Myeon suspirou profundamente, um tantinho agradecido pelo Park querer distrair Chen. Foi andando um pouco mais atrás dos dois amigos em direção ao prédio da universidade.

 Baekhyun ficava cada vez mais difícil a cada dia e se os tais rumores fossem certos, sobre ele e Jongin, talvez ficasse pior.

 Imagina quando soubesse sobre Chanyeol querendo se eleger e ocupar a vaga de estágio da KBL?

 Junmyeon suspirou.

 E pensar que nem conseguira ver Luhan ir embora da aula.

 

 Baekhyun entrou no vestiário apinhado e abafado e alcançou o próprio armário sem olhar para os lados. Enquanto se desfazia das próprias roupas, tentou fingir que não sentia aquele nó na garganta que recusava a descer, o mesmo que sempre se instalava quando resolvia encarar Jongdae. Uma sensação horrível. O fazia se sentir fraco, mesmo depois de passados quase quatro malditos anos.

 Como ele ainda conseguia ficar afetado?

 Um grunhido saiu do fundo de sua garganta, enquanto abaixava a boxer escura e sumia com ela para dentro do seu pequeno saco de roupas sujas que deixava junto de seus pertences. Não havia quase ninguém naquela parte do vestiário, a maioria ocupava os primeiros chuveiros, por causa da pressa, mas, inconscientemente, eles também sabiam que aquele era o lugar onde o Byun gostava de ficar sozinho.

 Havia apenas uma pessoa, além de Luhan e Sehun, que se atrevia a aparecer por lá e Baekhyun aprendera a se acostumar com sua presença a ponto de permiti-lo ultrapassar o seu espaço sem reclamar muito.

 Ele apenas lhe dava um fora sem muita emoção para que o mesmo não se encostasse demais.

 Não que o outro ligasse.

 Provavelmente uma das poucas pessoas que conseguiam fazer isso e permanecer imunes.

 — Chegando tarde, Baekie — ele ouviu a voz familiar, que se aproximava em passos calmos enquanto o outro amarrava uma toalha sobre a cintura para tampar suas intimidades no caminho até os chuveiros. Não é como se realmente precisasse, já que ali não haveria muito como flagrá-lo, mas essas eram apenas ações automáticas.  

 — Tem vários chuveiros lá na frente, Kyungsoo. Sinta-se a vontade para usá-los.

 — Boa tarde para você também. — o rapaz riu, ignorando-o com sucesso enquanto deixava a própria mochila sobre o banco antes de começar a despir-se — Agradeço a sua sugestão, mas dispenso... Onde mais eu teria a oportunidade de tomar banho junto com uma beldade do colégio? Privilégio de poucos.

 O Byun riu, já se afastando.

 — O que quer conseguir com isso, Kyungie?

 Ele não respondeu, um sorriso nos lábios, enquanto se despia e ajeitava os pertences com certo (e desnecessário) esmero.

 Baekhyun podia quase ouvir aquele sorriso sacana no rosto do outro.

 Os chuveiros eram divididos por paredes especiais, apenas com uma pequena porta que cobria o essencial, como modo de deixar o vapor escapar e evitar que atividades libidinosas demais tivessem lugar em meio às aulas.

 Nada que houvesse impedido Baekhyun antes.

 O rapaz entrou e pendurou sua toalha na portinha, o primeiro jato de água, mesmo frio, foi direto na sua cabeça e ele gemeu em satisfação pela boa sensação que trouxe aos seus músculos cansados e a pele quente.

 Baekhyun estava estressado, principalmente porque o aluno novo não o inspirava confiança e o modo como aquele olhos de filhotinho de beagle ficaram perto de Jongin não saíam de sua cabeça. Não era necessário muito para saber o que aquilo sugeria. O Park precisava de alguns limites. Principalmente Jongin, para falar a verdade.

 Sem contar como os dois começaram a ficar grudados nas aulas, sentando juntos, conversando, rindo. Kai nem ao menos olhava na sua cara mais e parecia que tudo era sobre o aluno novo. Ele esperava qualquer coisa, ele esperava que fosse buscar Kyungsoo ou Sehun, e com isso ele podia lidar, mas não.

 No entanto, Byun já não era mais tão desocupado quanto fora no ensino médio. Ele não tinha tanto tempo para por as coisas em seu devido lugar, dar suas famosas lições e lembrar a toda a KBL que Byun Baekhyun tinha tudo sobre controle. Tudo.

 Antes da pequena ceninha fofa dos dois, ele pensou por um momento que talvez não devesse pegar pesado demais com um calouro que vivia na selva, ou sei lá, antes de vir para a civilização da KBL, mas esse pensamento sumiu no segundo seguinte.

 E não é como se culpasse apenas o calouro pela ceninha. Quer dizer, ele não sabia sobre eles.

 Mas novatos precisam aprender quem manda antes que as coisas saíssem do controle.

 — Ei, Baekhyun — Kyungsoo passou pela sua cabine e entrou na logo ao lado, também se livrando da toalha e ligando o chuveiro — Como você está com Jongin?

 O Byun deixou escapar uma risada nada amigável.

 — Que tipo de pergunta é essa? Não brinque com a sua sorte, Soo...

 — Eu nunca faria isso, Byun. — o mesmo quase cantarolou, realmente despreocupado com qualquer tom violento vindo do loiro — Você me disse, não foi? Para ficar longe dele — ele riu — Você sabe que eu fico.

 Baekhyun mordeu os lábios com alguma força, porque, porra, ele realmente não sabia como conseguia tolerar Kyungsoo. Baekhyun tinha tudo para odiá-lo e ficar na defensiva, como fazia com qualquer pessoa com potencial de tirar Jongin de si, como queria fazer com o calouro.

 Seu coração doía toda vez, porque ele estava sendo um maldito possessivo. Um maldito idiota. Isso era babaca e ele odiaria se estivesse no lugar de Jongin, mas como qualquer outra dor que sentia, o Byun apenas ignorou.

 Ser um babaca abusivo e não ligar era tão Byun.

 Mas Baekhyun apenas fingia. Que nem o seu pai.

 Deu certo até agora, não?

 Definitivamente não.

 Talvez tenha sido isso que estragou tudo.

 Ou só a ponta do iceberg, sei lá.

 — Talvez eu só queira consolar você, Hyunee... — Kyungsoo quase ronronou, fazendo Baekhyun rir em sua própria cabine enquanto se esticava para alcançar o sabão corporal embutido no pequeno box.

 — Você consegue ser mais falso que eu, Kyungie.

 A risada do Do pode ser escutada, confortável e bonita, antes que o vestiário fosse novamente silêncio. Se banharam sem falar mais nada e Kyungsoo, mesmo sendo o último a entrar, foi o primeiro a sair.

 — Só me ligar se precisar de mim, Byunie.

 Baekhyun virou para trás a tempo de pegar a piscada do rapaz, que apenas jogou a toalha por sobre o ombro sem se incomodar com cobrir-se.

 

 Jongin estava descendo o corredor vazio, secando o rosto suado com uma pequena toalha, ansioso para entrar debaixo dos chuveiros e refrescar-se depois de uma demorada sessão de treinos de piruetas. Era frustrante como ele simplesmente havia perdido a prática depois que se machucara, parecia que seu ponto de equilíbrio simplesmente mudara depois desse mês de folga e isso o fazia ficar horas extras, ensaiando e ensaiando até que conseguisse não cair logo depois de girar mais de quatro vezes.

 Realmente frustrante.

 Por mais que Yixing o dissesse que logo ele conseguiria pegar o jeito de novo, era quase impossível não ficar um tantinho ansioso.

 Seus pensamentos, como sempre, estavam longe e foi realmente com um susto que sentiu alguém puxá-lo pelos pulsos no meio do nada. Não porque não soubesse quem era, pois já sentira aquele toque muitas e muitas vezes, mas porque o pegou de surpresa em meio aos seus devaneios sobre problemas e cansaço.

 — Baekhyun... — murmurou, as costas pressionadas contra os armários do corredor.

 Jongin achou que a primeira vez que se falaram depois de toda a tempestade fosse ser pior que isso. Tanto que brincara junto desse jogo de rejeitar e ignorar. Mas, naquele momento, cara a cara com o Byun, sentia-se estranhamente calmo.

 — Nini, por favor, vamos conversar. — ele pediu, um tantinho afobado, dedos já se infiltrando nos cabelos da nuca do rapaz.

 Por mais que ele quisesse ficar irritado com o Byun, ele não conseguia. Quem começara com essa palhaçada de ignorar e se irritar fora o mesmo afinal de contas, claro que Jongin esperava que isso fosse mais uma das estratégias dele de fazê-lo voltar ou tirar alguma reação desesperada do mesmo, mas o Kim queria mostrar que não ia mais se deixar manipular. Por mais carinho que tivesse com o menor, sua decisão era final.

 No fundo, ele também era culpado de ir na do Byun, mas é só que Kai simplesmente não sabia o que fazer.

 — Eu estou cansado, Baekhyun. — ele sussurrou com cuidado, segurando delicadamente os pulsos do menino para tirá-lo de si.

 — Jongin, por favor — o Byun o soltou, mas apenas para agarrar seu queixo com uma das mãos e virá-lo para si, olhos chocolate presos com firmeza nos do rapaz.

 Kai ficou em silêncio, apenas fitando o loiro. Seus ombros relaxaram e ele se apoiou de vez no armário, olhos atentos ao outro esperando que este continuasse a falar.

 O Byun soltou a respiração presa, braços rapidamente envolvendo o pescoço de Jongin, coração batendo dolorosamente contra o peito. A sensação amarga de se pisar lentamente no próprio ego cutucando-lhe pela espinha. Suspendeu-se pelas pontas dos pés, ficando testa com testa com o rapaz que se rendeu, deixando que suas mãos repousassem na cintura da figura menor que si.

 — Você pensou sobre nós, Nini?

 Jongin tinha os olhos fechados agora, porque não aguentaria olhar no fundo das íris de Baekhyun sem cometer um erro.

 Concordou com a cabeça levemente, ainda com o rosto sufocantemente próximo ao do outro.

 — Então é final? Acabou? — Baekhyun não sabe bem como conseguiu pronunciar aquelas palavras sem que doesse mais do que deveria, sem gaguejar. Fazia um tempo já que decidira ignorar Jongin, deixar que o término caísse em seu estômago pesado e ele nem sabia mais se ainda estava fazendo aquilo por amor ou ego, as coisas costumavam se confundir muito em sua cabeça. Mas ele sabia quanto apreço tinha por Kai. Uma das poucas pessoas, perto de Sehun e Luhan, que o suportavam em todas as suas densas camadas.

 O Byun definitivamente era uma pessoa difícil e sabia disso.

 Ele só não conseguia mudar. Sei lá, porque... Era como se ele precisasse virar como seu pai.

 Isso o assombrou por tanto tempo. Virar o seu pai.

 O assombrava todos os dias.

 E ele não fazia nada sobre.

 — Não dá mais, Baekhyun — Jongin sussurrou, abrindo de leve os olhos — Eu te amo demais para deixar que as coisas ficassem como estavam.

 — Você diz que me ama, uhm? — ele riu, sem realmente achar muita graça. Do jeito que seu coração doía...

 — Eu amo, você sabe que sim. A quanto tempo não nos conhecemos?

 Baekhyun sorriu e deixou que seu narizes se esbarrassem em um carinho singelo.

 — Só não do jeito certo, não é?

 Jongin mordeu os lábios e afastou o rosto de Byun, um arfar escapando de sua boca quando puxou a cabeça do menor para o seu peito, olhos no teto para não ter que encarar as órbes chocolate outra vez sem que toda a dor que tentara esquecer voltasse para assombrá-lo. Aquele ser tão frágil em seus braços não era nada como o que a escola conhecia.

 Difícil era saber qual era o verdadeiro.

 — Não, Baek.

 

 Mergulhado até o pescoço na banheira de água quente, pernas brancas nuas meio suspensas no ar enquanto calmamente as ensaboava, pedaço por pedaço, uma por uma, em um trabalho delicado ainda que mecânico. Sua mente estava longe do banho, ainda que seus pensamentos estivessem quase vazios.

 “Rejeitado”, ele riu consigo mesmo e seus dedos viajaram para as coxas, massageando-as enquanto aproveitava mais do ar impregnado de vapor e rosas artificiais do banho.

 “Rejeitado”

 Nini era gentil demais.

 Só que até ele tinha um limite.

 Os dedos agarraram o celular antes que pudesse pensar melhor no que estava fazendo. Suas costas deslizaram pelo mármore até que estivesse mergulhado até o pescoço na água, apenas as mãos do lado de fora, apertando o nome tão familiar na lista de contatos do aparelho.

 Fazia um tempo...

 Fechou os olhos ao som dos bipes da chamada.

 Na terceira, a voz ainda fresca em sua mente o reconheceu:

 — Ei, Baekie, o que foi?

 — Kyungsoo, você ainda sabe onde eu moro, certo?

 O rapaz do outro lado da linha riu. Sua voz em mousse:

 — Chego em vinte minutos.


Notas Finais


>>>> SUPER OBSERVAÇÃO <<<<
EU NÃO APOIO NENHUM TIPO DE RELACIONAMENTO/RELAÇÃO/LAÇO AFETIVO, FRATERNAL, DE AMIZADE, DE TRABALHO, O QUE FOR, ABUSIVO. CIÚMES EXCESSIVO NÃO É AMOR. POSSESSÃO NÃO É AMOR. O QUE O BAEKHYUN TÁ FAZENDO TÁ ERRADO. E LOGO ELE SE AJEITA. SPOILER OU NÃO, NÃO ACHEM BONITINHO ESSE CIÚMES OU ELE TER RAIVA DO CHANYEOL POR CAUSA DO JONGIN. NÃO É.
Só para esclarecer :)


Estou pensando se vai ter um tiquinho de +18 no próximo capítulo. Hm....HMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

twitter: @orelhadoyeol :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...