História Medium - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Bo Burnham, Diabo, Drama, Espíritos, Ficção, Lendas Urbanas, Médium, Mistério, Original, Romance, Sobrenatural, Suspense, Terror, Violencia
Exibições 4
Palavras 1.591
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Capítulo 10. "A MORTE" (Parte 1)


Fanfic / Fanfiction Medium - Capítulo 10 - Capítulo 10. "A MORTE" (Parte 1)

Eu odeio quartas-feiras. Odeio ainda mais que segundas. Quarta-feira, além de ter as piores aulas da semana, era um dia em que tudo parecia passar mais lentamente e geralmente meu humor não era dos melhores.

Saí da escola, direto para o trabalho, completamente entediada, pensando como aquele dia poderia ficar pior.

É claro que ficou.

Jenna Dawson, minha querida e amável chefe –se você não percebeu a ironia, você é muito inocente–, parecia não estar de bom humor também.

Assim que cheguei no trabalho ela já me lançou alguns olhares irritados pois havia chegado 5 minutos atrasada. É claro que estudar para ser o futuro do país não é uma desculpa boa o suficiente para se atrasar. Logo depois tive alguns problemas com clientes o que me rendeu uma advertência, mesmo que os clientes estivessem tentando jogar cantadas baratas pra cima de mim e eu apenas dei um fora neles, mas é claro que isso não é desculpa.

No meio do expediente me escondi em uma das araras de vestidos e tentei relaxar um pouco. Não estava com humor para nada daquilo.

Aqueles últimos dias já tinham sido estressantes demais pro meu gosto. Quase fui morta por uma criança demônio, recebi uma profecia de um cara feito de sombras e arrisquei minha vida para salvar uma pessoa que eu nem sequer gostava, quase morrendo nessa proeza também.

Infelizmente isso não valia de nada por que eu não podia contar para ninguém aquilo, pois achariam que eu era louca.

Passei a mão no rosto, respirando fundo, tentando achar um pingo de calma sequer para continuar o dia, sentindo que não havia mais nenhum.

Assim que fui sair da arara e ir fazer meu trabalho, senti minha camisa ser puxada para trás, me levando para dentro do monte de vestidos novamente.

Ia gritar, até sentir quem era. Queria gritar do mesmo jeito, mas o grito de susto que eu daria seria trocado por vários xingamentos.

Me virei para Bo, pronta para brigar com ele por me assustar daquele jeito, mas parei no mesmo instante ao ver sua expressão. Ele parecia com medo e desesperado.

"O que houve?" perguntei

"Liz, você precisa me ajudar... Eu não sei o que fazer. Não vou conseguir correr por muito mais tempo..."

"Correr de quê?"

Ele de repente parou e eu consegui perceber o por quê. A temperatura do local pareceu baixar e pude sentir um calafrio violento passar pelo meu corpo.

A presença não era hostil, mas era perigosa. Bo estava respirando como se lhe faltasse ar, o que era meio ironico por que ele estava... Você sabe... Morto.

"Bo... O que é isso?"

Me assustei enquanto olhava para ele, percebendo que a presença estava fazendo alguma coisa com ele. Pela primeira vez desde que o conheci ele realmente parecia um fantasma.

Se eu parasse para observar veria que sua pele estava levemente translúcida, me permitindo ver através dele, e seus olhos perderam a cor. As íris azuis dele se tornaram brancas como leite. Seus lábios estavam roxos como se o frio no recinto fosse de alguma maneira pior para ele do que para mim, seu cabelo loiro estava "apagado", como se perdesse a cor lentamente.

"Bo, o que diabos...?"

Ele então virou o rosto para mim com uma expressão desesperada.

"Você não pode deixar ele me levar... Elizabeth, por favor..."

Soltei a respiração que havia prendido sem perceber e me levantei da arara, notando que tudo parecia normal. Ninguém parecia estar notando a súbita baixa na temperatura. E não havia nada lá. Ainda sentia sua presença, como se estivesse se aproximando, mas não conseguia ver o que quer que fosse.

Me abaixei novamente e olhei confusa para Bo.

"O que é isso? Por que ele não permite que eu o veja?"

Bo soltou uma risada meio estranha, talvez pelo desespero e me olhou.

"Claro que você não pode vê-lo. Você não está morta."

Senti outro calafrio e pisquei algumas vezes, me aproximando de Bo, tentando conseguir respostas.

"Bo, o que está atrás de você?"

Ele então estendeu a mão, no intuito de que eu a segurasse. Hesitei em fazê-lo, já que as consequências seriam uma tontura dos infernos e um pouco de confusão mental.

Olhei em seus olhos e vi o pedido mudo neles para que eu segurasse sua mão. Assim que o fiz, a tontura chegou e eu comecei a ver através dos planos, como sempre acontecia.

Mas dessa vez Bo fez com que eu me concentrasse nele. Senti ele me abraçar, impedindo que eu caísse e fazendo com que minha mente visse apenas o que eu queria.

"Liz, se concentre..." ouvi ele dizer e então consegui focar minha visão no plano em que Bo queria que eu visse

Ou melhor, nos planos.

O Primeiro Plano ainda estava lá, podia ver as araras de roupas e ao fundo a loja em si. Mas havia uma coisa diferente. O Primeiro Plano que eu estava vendo estava misturado com o Plano Fantasma.

Sim, cliché, eu sei.

O Plano Fantasma existia em conjunto com o Primeiro Plano. Eram quase o mesmo plano. Por isso que espíritos vivem aparecendo no Primeiro Plano. O plano deles é no mesmo que o nosso, porém, ao mesmo tempo, separado.

Difícil de entender? Imagine um universo paralelo. Mesmas coisas, mesmo mundo, exeto que ele é povoado apenas por pessoas que morreram no nosso universo. Agora imagine que esses dois universos existem um colado ao outro, sendo quase impossível de identificar onde começa um e termina o outro. Eles existem em um local diferente, que é ao mesmo tempo o mesmo local.

Assim que minha visão se ajustou para ver os dois planos ao mesmo tempo, pude ver do que Bo sentia medo.

Sua aparência não era amedrontadora, pra falar a verdade. Era até atraente de mais pro meu gosto.

Ele estava parado bem na porta da loja, nos olhando com um rosto tão sério e sem expressão que me deixou desconfortável.

O ser em questão tinha aparência humana. Cabelos pretos como piche e olhos cor de âmbar. Era consideravelmente alto e usava um terno preto.

O único problema era a presença que ele emanava: Fria e perigosa. O homem, ou seja lá o que fosse, começou a andar em nossa direção e Bo deu um passo para trás.

"Eu preciso sair daqui..." ele murmurou

Assim que falou isso, pude vê-lo correndo para a porta dos fundos, me arrastando com ele. O homem bufou, como se já estivesse cansado daquilo e começou a andar em nossa direção.

Assim que saímos da loja, fomos parar num beco que ficava atrás dela. Bo continuou a me puxar enquanto corria, mas parou abruptamente assim que viu o cara na saída do beco, o olhando como se quisesse repreendê-lo por correr dele.

Bo tentou correr para o outro lado mas era um beco sem saída. Pude ver o desespero em seus olhos e ele segurou minha mão com mais força, como se quisesse se certificar que eu ainda estava ali.

"Bo, quem é ele?"

"Não, eu não posso ir... Eu não quero..." Bo falava, a beira das lágrimas, olhando para o homem

"Bo!" gritei, tentando chamar a atenção dele para mim

Ele me olhou, desespero em seus olhos, e finalmente resolveu me responder.

"Ele é o ceifeiro." ele disse com sua voz falhando

Arregalei os olhos e os virei para o homem que se aproximava. Ele estava ali para tirar Bo daquele plano para sempre. Eu nunca mais o veria. Ele queria tirar o Bo de mim.

Senti o pânico me consumir e tentei ficar na frente de Bo.

"Você não pode levá-lo. Saia daqui." falei com toda autoridade que eu pude

O ceifeiro riu, um som doce e atrativo. A morte realmente fazia de tudo para lhe atrair...

"Sinto muito, senhorita O'Hare, tenho ordens para levá-lo comigo." sua voz era tão calma e doce que me fez pensar em deixá-lo levar Bo

Sacudi a cabeça e o olhei com seriedade.

"Não vai levá-lo."

O ceifeiro suspirou, como se estivesse acostumado com esse tipo de coisa e me olhou com um olhar terno e cheio de culpa.

"Então, eu sinto muito por isso."

Antes que eu pudesse perguntar alguma coisa, fui jogada na parede do beco, quebrando contato com Bo e perdendo a visão do Plano Fantasma.

Bati com o corpo na parede com força e caí em direção ao chão, batendo as costas numa lata de lixo, sentindo alguma coisa quebrar, antes de bater a cabeça na rua de tijolos, gemendo de dor.

Não sabia mais onde o ceifeiro estava e minha visão estava embassada, graças a dor.

"Elizabeth!" Bo gritou, indo de encontro a parede no final do beco

"Bo..." gemi, sem conseguir arranjar forças nem para respirar direito

Percebi que Bo tentou desaparecer dali, mas foi impedido, provavelmente pelo ceifeiro.

Bo então me lançou um olhar apavorado. E eu o retribuí. Só agora percebia o quanto gostava de Bo e precisava dele por perto.

Mesmo com as brigas, ele era um dos meus únicos amigos. Ele me salvou mais vezes do que eu podia contar, e ele estava lá por mim.

O pensamento de que eu não o veria nunca mais pareceu rasgar meu coração.

"Liz!" ele gritou e então desapareceu

Arregalei os olhos, não sentindo mais presença nenhuma.

"Não..." murmurei para mim mesma e me levantei, ignorando a dor lascinante que sentia em meu corpo

Fui até o local onde Bo estava e não pude senti-lo mais. Minha respiração estava rápida e descompassada e o desespero finalmente bateu.

Bo tinha ido embora. Para sempre.



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