História Medium - Capítulo 12


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Bo Burnham, Diabo, Drama, Espíritos, Ficção, Lendas Urbanas, Médium, Mistério, Original, Romance, Sobrenatural, Suspense, Terror, Violencia
Exibições 10
Palavras 2.453
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Capítulo 12. "A MORTE" (Parte 3)



Meu pai e meu tio prepararam a sala para o que quer que fosse que eles iriam fazer comigo para que eu falasse com a Morte.

Depois de muita briga com meu pai, consegui convencê-lo de que eu iria, não importava o que ele achasse. Precisava trazer Bo de volta. Alguma coisa me dizia que eu precisava dele ali.

Haviam velas por toda sala de estar e os sofás estavam amontoados nos cantos. As janelas estavam com as cortinas fechadas, para o caso de alguém da rua passar e presenciar o que estava acontecendo dentro da casa.

Havia um pano preto no chão da sala, um pouco maior que eu e meu tio mandou que eu deitasse nele, com as mãos em cima da barriga.

Deitei silenciosamente, sem saber o que aconteceria a seguir. Meu tio e meu pai se ajoelharam ao meu lado, sentando nas próprias pernas.

"Podem me dizer pelo menos o que vai acontecer?" perguntei, me sentindo nervosa

"Você precisa falar com a morte. Tentar negociar a volta de Bo. Não garanto que será fácil, a morte não é justa. Mas é o único jeito." meu tio disse, um pouco distraído

"Certo, mas pra que todas essas velas e eu deitada aqui?"

"Acontece que para falar com a morte você precisa estar, bem, morto... Precisa ser um espírito, apenas a alma, nada da forma física."

"Mas não se preocupe, não vamos matar você." meu pai se apressou em falar "Vamos fazer você simular um tipo de projeção astral. Sua alma estará fora de seu corpo até que você retorne para ela."

"Infelizmente, o único tipo de projeção astral forte o suficiente para te fazer ir para o Plano Fantasma é dolorosa e completamente perigosa. Se não for feita direito, sua alma ficará fora do seu corpo para sempre." meu tio disse, como se aquilo não fosse nada

"Por favor, faça ela corretamente então." falei, pensando em desistir daquilo

Mas eu não podia. Eu precisava trazer Bo de volta.

"Isso irá doer. Não queria ter que fazer isso mas é o único jeito." Meu tio disse, relutante em fazer o que quer que fosse aquilo

Vi ele pegar alguma coisa atrás dele e puxei uma grande quantidade de ar para meus pulmões e não o soltei quando reconheci o que era.

A adaga prateada brilhava em suas mãos e ele não parecia nada animado com o que viria a seguir, muito menos meu pai.

"Liz, lembre-se: Cuidado com a Morte. Ela é traiçoeira e irá tentar lhe enganar de alguma maneira." ele disse, se aproximando de mim um pouco mais "Tente também ser rápida. Eu e seu pai estaremos vulneráveis aqui já que removemos as proteções da casa para que seu espírito possa sair e entrar na casa."

As proteções nunca eram retiradas. Era perigoso demais tirá-las. Seres de outros planos tentariam invadir a casa enquanto elas não estivessem lá. Precisava ser rápida.

"Lembre-se: Assim que terminar o que quer que tenha a fazer, volte para casa e toque em seu corpo. Sua alma voltará instantaneamente e estará acabado. Procure o ceifeiro, ele é o único que pode lhe levar até a morte." meu pai me alertou e eu apenas assenti

Meu tio segurou a adaga com mais força e engoliu em seco. "Não se mova."

E então ele pôs a ponta afiada da adaga em minha pele, cortando-a. A dor era anormal. Parecia queimar. Mordi o lábio tentando não gritar e fazendo de tudo para me manter parada.

Meu tio arrastou a adaga pela minha pele, rasgando-a e me fazendo querer arrancar aquilo da mão dele. Queimava de mais, aquilo não devia queimar.

Olhei para o braço e notei que ele estava escrevendo nele. A linguagem da magia... Aquilo era algum encantamento. Pelo visto, um dos fortes, já que tinha que ser escrito na pele.

Meu tio tremia e meu pai parecia querer sair daquele lugar. Não me aguentei e soltei um grito. Sentia como se todas as células do meu corpo estivessem sendo incineradas.

"Feche os olhos." meu tio mandou

Fechei os olhos e, depois de mais alguns cortes, a dor passou. Não estava sentindo mais nada, como se não houvesse um talho em meu braço.

Abri os olhos e notei que minha casa estava diferente. Podia vê-la, mas sabia que não era a mesma casa.

Foi então que notei que havia funcionado. Eu estava no Plano Fantasma. Levantei, notando que meu corpo permaneceu deitado. Eu era apenas um espírito.

"Você acha que funcionou?" ouvi meu pai perguntar ao meu tio

"Sim, você não está sentindo?" ele respondeu "Elizabeth, seja rápida. Não irá demorar para que perigos descubram que as defesas da casa foram abaixadas."

Apenas assenti, me dando conta que eles não podiam me ver e comecei a levantar, caminhando até a porta.

Saí na rua e meus olhos se arregalaram. Dezenas de espíritos perdidos e presos no Plano Fantasma caminhavam por ali.

Alguns me olharam curiosos e outros pareciam aflitos de mais para que me notassem.

Caminhei mais alguns metros até vê-lo e sentir a raiva me consumir. Alguns espíritos que caminhavam próximos a mim murmuraram assustados enquanto se afastavam, como se eu estivesse exalando uma presença hostil.

O ceifeiro riu, aquele som melodioso e macio que antes poderia até me fazer dar a mão a ele e deixá-lo me guiar para onde quer que fosse, mas agora tudo que esse som conseguia era me trazer raiva.

Aquele idiota havia levado Bo e me machucado gravemente. Não era como se eu fosse cair em algum dos truques dele.

"Sinceramente, senhorita, não pensei que fosse encontrar você neste plano tão cedo..." ele se aproximou

"Me leve até a morte."

Ele me olhou, confuso. Seus olhos revelando um brilho de admiração.

"Você realmente está se arriscando tanto para salvar aquele rapaz?"

O tom de admiração na voz dele era impossível de não se ouvir e ele me olhava como se eu fosse uma criatura muito interessante.

"Tal pai, tal filha..." ele disse apenas e eu pisquei algumas vezes

"Do que você está falando?"

"Ora, seu pai já passou por isso que você está passando. Ele me fez levá-lo até a morte para que Minha Senhora pudesse resgatar sua mãe."

"E não funcionou?"

O ceifeiro balançou a cabeça, parecendo até desapondado por não ter dado certo.

"Sua mãe é um caso a parte, Elizabeth. Ela não está morta. Ela está presa. Não é nada que a Morte possa interferir."

Engoli em seco, lembrando de minha mãe e sentindo lágrimas querendo cair de meus olhos. Balancei um pouco a cabeça e o olhei com raiva. Não estava ali para conversar, tinha que ser rápida.

"Me leve até a Morte."

"Elizabeth-"

"Não estou aqui para ouvir nada de você." o interrompi, me enchendo de raiva novamente "Você levou meu amigo, e eu pretendo trazê-lo de volta."

O ceifeiro respirou fundo. Por um momento pude ver cansaço em seu rosto, como se não aguentasse mais aquele trabalho e quisesse paz.

Ele me olhou novamente e me estendeu a mão. Sem hesitar, segurei-a e senti o mundo girar a minha volta.

Assim que tudo parou de girar, pisquei algumas vezes e não acreditei no que estava vendo.

Eu estava numa sala gigante, com teto muito alto e colunas gigantes de mármore o segurando no lugar.

Haviam quadros nas paredes, e reconheci eles como cenas históricas violentas. As mais próximas de mim, mostravam o que parecia a guerra que acontecia no oriente médio. Pude ver algumas mais longe desta: 2ª e 1ª Guerra Mundial, A batalha de Napoleão, Revolução Russa, entre outras cenas de batalha que eu sabia que estavam ali pela quantidade de mortes.

Olhei para minhas costas e notei que o corredor terminava numa sombra preta e havia um quadro pendurado na parede, perto do suposto fim do corredor, mas não havia nada nele a não ser as inscrições "O Despertar".

Senti um arrepio ao ler aquilo e voltei a me virar para frente.

Um tapete negro levava até um trono feito completamente de ouro. No trono estava assentada uma senhora com vestes pretas esvoaçantes.

A senhora não era velha ao extremo. Haviam algumas rugas em seu rosto, mas, fora isso, era bela. Suas mãos estavam apoiadas em seu queixo enquanto seus cotovelos se apoiavam nos encostos de braços de seu trono. Ela parecia me analisar com seus olhos negros.

Dei um passo para trás ao perceber que seus olhos eram como os da criança que tentara me matar alguns dias atrás.

Ela sorriu ao perceber minha hesitação e se encostou na parte de trás do seu trono, tomando uma pose autoritária, como se ela mandasse ali.

E de fato ela mandava.

"Não se assuste, criança. Soube que um de meus filhos lhe atacou. Temo que as ordens tenham sido minhas." Sua voz soou como um sussuro

Mesmo que sua boca se mexesse, o som de sua voz parecia vir de todos os lados.

Cerrei os olhos ao perceber o que ela disse e sentir a raiva me consumir novamente.

"Você mandou que me matassem?"

"Não tenho muito contato com meus filhos do último plano. Eles não me vêem como exemplo para eles, sabe? Me veem como "boazinha de mais"... Para eles, a Morte deveria ser violenta e demorada, como eles a fazem. Mas eu sou calma e pacífica... Infelizmente eu não podia matar você por causas naturais, então tive que mandar um de meus filhos para cuidar disso."

"Por que você queria me matar?" perguntei, a beira de ter um surto e gritar xingamentos para aquela mulher

"Pelo mesmo motivo que tirei seu amiguinho de você. Para evitar uma catástrofe. Veja, seu futuro já está escrito, Elizabeth O'hare. Sua morte já está em minhas mãos, mesmo que o tempo ainda não tenha chegado. E com sua morte, muitos outros irão morrer também. Não posso deixar que isso aconteça."

"Engraçado, a Morte tentando impedir... Bem... a morte."

Ela soltou o ar pela boca, como se achasse graça de mim.

"A questão não é imperdir a morte, Elizabeth. A questão é impedir a morte antes do tempo. Se você e seu amigo estiverem vivos, milhões irão morrer antes de seu tempo. Idosos, adultos e crianças que ainda tem muito pela frente terão suas vidas ceifadas graças a sua vida."

"Eu não entendo... Como eu poderia ser responsável pela morte de milhões?"

"Não será você, minha querida, mas terão haver com você. Eu não posso lhe revelar o que vem pela frente, mas posso lhe dizer que deixar seu amigo aqui comigo é a escolha certa."

Lágrimas caíram pelos meus olhos sem que eu pudesse impedi-las e quis poder matar a Morte. Não achava que isso era possível, mas talvez, se eu tentasse com ardor...

"Eu sinto muito, Elizabeth, mas é o melhor. Além do mais, já estava na hora dele."

"Não, não estava." falei com raiva "Traga-o de volta."

"Elizabeth, eu não–"

"TRAGA-O DE VOLTA!" gritei e minha voz ecoou pelas paredes "VOCÊ NÃO VAI TIRÁ-LO DE MIM. TRAGA-O!"

Ela me olhou e seus olhos negros pareciam confusos. E então ela me deu um sorriso. Um sorriso carregado de pena.

A Morte bufou e balançou a cabeça, ainda com um sorriso no rosto.

"Eu não sei como é possível vocês ainda serem tão apegados depois de tantas eras. Parece que vocês realmente me venceram..." ela murmurou e balançou a mão a sua frente

Uma figura tremeluziu aos pés do trono e arregalei os olhos quando percebi que era Bo, desacordado. Ao menos ele parecia bem.

Corri até ele e fiquei ao seu lado, hesitante em tocá-lo.

"Você não está em sua forma física, criança. Pode tocá-lo." ouvi a Morte falar e encostei em Bo

Puxei-o mais para perto, sentindo as lágrimas continuarem a cair ao vê-lo ali. Ele abriu os olhos e me olhou confuso, piscando algumas vezes.

"Liz...?"

"Bo, seu idiota!" falei e bati no braço dele com força, ouvindo-o reclamar "Nunca mais morra..."

E então eu o abracei. Nunca havia abraçado ele, graças ao que acontecia toda vez que nos tocávamos, mas agora eu podia fazer isso antes de espancá-lo mais uma vez.

Ele ficou confuso mas logo correspondeu o abraço, me segurando com força, como se quisesse que eu nunca mais saísse dali.

"O que está acontecendo?" ele sussurrou no meu ouvido

"Eu te explico depois."

O silêncio se fez na sala até ser quebrado pela voz da Morte.

"Acho que devem ir agora. Boa sorte, Elizabeth. Creio que a verei em breve..."

O ceifeiro então apareceu do nada e eu senti o mundo girar a minha volta novamente. Assim que notei, estava na frente da minha casa, sentada na rua, com Bo em meus braços.

Olhei para o ceifeiro e ele apenas sorriu melancolicamente para mim antes de desaparecer.

Soltei Bo e me levantei, pronta para voltar para o meu corpo quando fui impedida por Bo, que segurou meu braço.

Ele me puxou e me abraçou novamente. Como ele era mais alto que eu, minha cabeça estava descansando em seu peito. Não ouvi batidas de coração e respirei fundo, percebendo que gostaria de ouvi-las.

Ele me largou e me olhou, seus olhos cheios de lágrimas.

"Eu... Obrigado." ele falou

Apenas assenti com a cabeça e lhe dei um sorriso.

"Preciso voltar pro meu corpo..." falei, me sentindo aliviada por saber que ele estava ali

Eu havia conseguido.

"É... Claro..." e então desapareceu

Fiquei parada por alguns minutos, apenas olhando para a rua vazia.

"Eu não sei como é possível vocês ainda serem tão apegados depois de tantas eras." a morte havia dito.

Senti que ainda havia muita coisa que eu precisava descobrir, mas por enquanto, precisava descansar.

Entrei em casa, vendo meu pai e meu tio ainda sentados perto do meu corpo e pude notar que eles sentiram minha presença.

Toquei em meu corpo e abri meus olhos, sentindo o chão em minhas costas. Levantei num pulo e respirei fundo. Eu estava de volta.

As palavras em meu braço haviam sumido e já não doia mais. Me sentia cansada e com uma dor de cabeça dos infernos.

"E então?" pude ouvir meu pai falar

Olhei para ele e sorri, assentindo, para que ele soubesse que tudo tinha dado certo.

Meu tio soltou o ar, sorrindo feliz.

"Alguma coisa atacou enquanto eu estava desacordada?" perguntei

"Assustadoramente, não. Meio estranho, se levarmos em conta que você e seu pai são poderosos o suficiente para atrair milhares de seres de planos bem profundos..." meu tio começou a falar

Meu pai o repreendeu com os olhos e depois olhou para mim ternamente.

"Agora acho melhor você ir para cama, Liz. Está tarde..."

"Ok... Boa noite..." falei e comecei a fazer meu caminho para o meu quarto, pronta para ter uma noite calma de descanso.



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