História Medium - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Bo Burnham, Diabo, Drama, Espíritos, Ficção, Lendas Urbanas, Médium, Mistério, Original, Romance, Sobrenatural, Suspense, Terror, Violencia
Exibições 9
Palavras 1.535
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Capítulo 02. "A CRIANÇA" (Parte 2)


Meu despertador tocou, me fazendo levantar num pulo graças ao susto que ele me deu. Sempre quis destruir aquela coisa por fazer um barulho tão alto no meu ouvido toda manhã, mas aquele barulho infernal era a única coisa que me fazia acordar de manhã cedo.

Levantei da cama e fui até o banheiro tomar banho e escovar os dentes, morrendo de sono, e nem um pouco afim de fazer provas naquele dia. Infelizmente eu não tinha muita escolha.

Arrumei minha mochila, sentindo um pouco mais de calma ao saber que eu não iria ter que trabalhar hoje. A aparição de ontem tinha mexido com meus sentidos.

Saí do meu quarto e corri escada a baixo, sentindo cheiro de sanduíches e suco de laranja. Sorri ao ver meu pai na cozinha, com uma xícara de café na mão e o jornal na outra. Parecia um típico pai de filmes americanos, mas aquilo era só na aparência. Nossos costumes não eram exatamente como os das famílias americanas normais.

Enquanto as famílias por aí iam ao parque se divertir, alheios a qualquer outro plano paralelo que existia além do deles, minha família tinha o poder de ver por sobre esses planos.

Desde a idade média, quando minha família ainda morava na Inglaterra, tinhamos um dom especial. Muitos de nossa família foram queimados nas fogueiras sendo chamados de bruxos e hereges, mas alguns sobreviveram, escondendo os dons que possuíam.

Minha família é composta de Mediums. Não, não aquelas mulheres que fazem leitura de mãos e se comunicam com seu cachorro morto ou coisa do tipo. Nós, os mediums, temos o dom de identificar –e, diga-se de passagem, atrair– presenças sobrenaturais, além de podermos ver os planos que compõem nossa realidade.

Os planos da realidade são uma coisa confusa de explicar. Imagine nossa realidade agora, tudo que você consegue ver, tocar e sentir fazem parte deste plano em que você vive. Esse é o primeiro plano, o mais grosso deles, chamado de Primeiro Plano. Agora imagine que por baixo desse plano grosso, outros milhões de planos estão escondidos, cada um com uma característica diferente do outro.

Minha família tem o dom de conseguir ver através do grosso véu da realidade até certa parte dos planos. Não podemos ver todos eles, é verdade, mas meus pais já me explicaram que, se pudessemos ver até o último plano, enlouqueceríamos. E, pra falar a verdade, só o que eu consigo ver e ouvir já são o suficiente, obrigada.

Não só minha família tem esse dom, mas muitas outras ao redor do mundo tem esse poder. Algumas mais fortes que as outras. E, como tradição, um medium só pode se casar com outro, para continuar a linhagem de mediums puros. Foi assim que meus pais se conheceram.

Minha mãe uma medium poderosa, capaz de, muitas vezes, controlar os seres dos outros planos sem precisar de esforço, e meu pai, um medium capaz de expulsar qualquer ser que tentasse passar para o primeiro plano. Eles dois juntos eram capazes de resolver qualquer problema "sobrenatural" dos arredores.

Eu ainda não sei se nasci poderosa como meus pais, mas já tenho certo controle sobre os planos. Sou capaz de expulsar os espíritos e algumas outras entidades que tentam se esgueirar para o primeiro plano. Infelizmente, ainda uso muita energia para fazer isso, não é tão fácil quanto meu pai faz parecer.

Cheguei até a mesa, pegando um sanduíche e procurando a jarra de café, sem exito.

"Cadê o café?" perguntei ao meu pai, já dando uma mordida no meu sanduíche.

"Hoje não tem café pra você. Você está tomando café de mais, Liz. A cafeína vai acabar te fazendo mal. "

"Mas eu não-"

"Café, não. Suco de laranja, sim." ele disse, abaixando o jornal e me olhando com uma sobrancelha erguida como se me desafiasse a discordar dele.

"Se eu dormir no meio da prova a culpa é sua por não ter me dado cafeína." disse, pegando um copo de suco de laranja e comendo tudo rapidamente

Ele apenas sorriu e voltou a ler o jornal.

Assim que terminei o café da manhã, sem café, coloquei os pratos sujos na pia e peguei um cookie no armário, não resistindo ao sabor daquilo.

A campainha tocou e meu pai se levantou pra atender a porta. Fui até a sala, pegando minha mochila, já sabendo quem era que estava na porta.

Meu pai abriu a porta e uma garota ruiva o olhou sorridente. Ela tinha olhos claros, com olheiras muito escuras debaixo deles, e um sorriso gigante. Seus cabelos ruivos estavam presos num coque totalmente esfarrapado já que ela não sabia como fazer um devidamente, e carregava uma mochila cheia de livros pesados.

"Bom dia, senhor O'hare." disse a garota, com sua voz fraca e rouca

"Bom dia, Hannah. Como você está?" meu pai perguntou, simpático como sempre

"Eu estou bem hoje, obrigada por perguntar. E o senhor?"

"Estou ótimo, Hannah. Elizabeth está pronta pra ir pra escola, eu creio..." ouvi meu pai falar e comecei a caminhar em direção a porta, engolindo meu cookie.

"Sim, eu estou. Olá Hannah." cumprimentei

"Acho melhor vocês irem. O ônibus vai chegar na parada em alguns minutos, não quero vocês perdendo aula." meu pai disse, deu um beijo na minha testa e um sorriso simpático para Hannah. "Boa prova pra vocês."

Agradecemos ao meu pai e começamos a sair da minha casa, indo em direção a calçada para chegarmos na parada do ônibus.

Hannah era a única pessoa além do meu pai que sabia o que eu era. Eu a conhecia desde os seis anos de idade, e pareceu injusto não contar a ela o que eu era.

O único problema era que Hannah não conseguia ver que o que eu era não era exatamente bom. Era muito fácil fantasmas, demônios, entre outras entidades quererem me matar. Eu era perigosa de mais para eles.

Porem Hannah via tudo aquilo como uma grande aventura incrível. Mas eu não a culpava muito. Ela vivia com pais abusivos, que batiam nela por qualquer coisinha, e sua única felicidade era seu irmão mais novo, o qual passava horas cuidando pois os pais não o davam atenção. Era raro ela dormir mais de quatro horas por dia. Então talvez, na cabeça dela, ver espíritos e se comunicar com eles fosse uma coisa maravilhosa se comparada a realidade dela.

Olhei em seu rosto, reparando novamente as olheiras, mas me focando na parte que mais me intrigava nela. Não importava o que acontecia com ela, ela passava por isso com um sorriso no rosto. Sempre positiva, sempre vendo o lado bom das coisas.

Talvez por isso eu fosse amiga dela. As atitudes positivas dela sempre me contagiavam. A aura dela parecia me inundar, e, apesar de parecer bem estranho, eu podia pegar um pouco desse positivismo dela.

Veja bem, sendo uma medium, eu tenho um outro dom além de conversar com gente morta. Eu não sinto apenas presenças de espíritos dos mortos. As vezes, quando a pessoa tem um espírito forte, eu podia sentir essa pessoa também. E Hannah tinha um dos espíritos vivos mais fortes que eu já senti na vida. Sempre emanando uma aura de poder que me contagiava muitas vezes.

Em outras palavras, eu basicamente me utilizava da força de Hannah para conseguir a minha própria.

A garota reparou que eu a olhava e franziu o cenho.

"Alguma coisa errada comigo?"

Sacudi a cabeça um pouco e desviei o olhar. "Não, não... Só estava pensando..." falei "Aliás, como vai seu cachorro, Hannah?"

A garota alargou um pouco mais o sorriso e olhou para mim.

"Ele está bem. Desde que você me disse quem ele era antes de ser um cachorro, tenho me apegado mais a ele."

"Ah... Que bom..." falei, desviando o olhar, tentando não me sentir culpada

De vez enquando, animais de estimação são reencarnações de pessoas que já morreram. Assim que Hannah conseguiu o cachorro dela, eu pude sentir a aura dele. Hannah me pediu para tentar descobrir quem era o cachorro dela em outras vidas, e eu o fiz. Disse a ela que o cachorro era a reencarnação de um velho que havia morrido a alguns anos atrás, pacificamente, e que ele só procurava por um lugar para descansar.

Infelizmente, eu menti. Aquele cachorro era um pedófilo na vida passada, mas, por sorte, ele não lembrava disso. Era um espírito confuso. Não quis dizer a verdade pra Hannah. A garota já passa por muita coisa, achei que a informação de que seu cachorro um dia já foi um pedófilo seria de mais.

Chegamos à parada do ônibus e respirei fundo ao vê-lo ali. Hannah olhou pra mim, confusa, e depois olhou ao redor, não encontrando ninguém, a julgar pelo olhar que ela me lançou. Mas logo entendeu o que estava acontecendo.

"Ele está aqui?" Hannah sussurrou pra mim

"Diga a sua amiga que não adianta sussurrar, eu ouço muito bem." Bo falou, sorrindo brincalhão como sempre

"Não Hannah, não está, eu só estou cansada." falei, ignorando a presença do garoto

"Rude." ele falou e desapareceu, me fazendo ficar mais aliviada

"Oh, ok." Hannah disse

Ao longe, o ônibus escolar se aproximava, pronto pra me levar até a minha definição de inferno.



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