História Medium - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Bo Burnham, Diabo, Drama, Espíritos, Ficção, Lendas Urbanas, Médium, Mistério, Original, Romance, Sobrenatural, Suspense, Terror, Violencia
Exibições 5
Palavras 1.896
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Essa história vai ser formada de capítulos divididos em pelo menos 3 partes cada um para ajudar na leitura.
Só queria deixar isso claro.

Capítulo 3 - Capítulo 03. "A CRIANÇA" (Parte 3)


Assim que a prova acabou, saí da sala indo direto para o refeitório. Hannah ainda não havia terminado e, a julgar pela expressão e o estado de espírito dela quando eu estava saindo da sala, ela não terminaria tão cedo.

O refeitório estava praticamente vazio. Apenas umas cinco pessoas estavam lá, esperando a hora em que a comida seria servida. Alguns mexendo em seus celulares, outros com a cabeça encostada na mesa, como se dormissem.

Sentei em uma das mesas mais afastadas daquelas pessoas e coloquei os cotovelos na mesa, apoiando o queixo em minhas mãos.

Assim que senti a presença dele, senti a irritação que me perseguia toda vez que ele estava por perto.

Olhei para o lado e, sentado bem próximo de mim estava Bo. Ele usava a mesma roupa de sempre: Camisa branca de botão, suspensórios, calças marrons, sapatos sociais e os cabelos loiros meio bagunçados eram escondidos por uma boina.

Não era como se ele tivesse opção de mudar de roupa. Ele estava preso naquele estado pra sempre, por ser um espírito. Os olhos azuis dele me encaravam com um brilho brincalhão e eu olhei ao redor, me certificando que ninguém o estava vendo.

Como sempre, Bo só estava visível pra mim. Por alguma razão ele insistia em me irritar algumas vezes, aparecendo e me fazendo falar com ele, o que fazia as pessoas que me viam fazer isso achar que eu estava louca.

"O que você quer?" perguntei, tendo certeza que minha voz estava baixa o suficiente para que as outras poucas pessoas no refeitório não me ouvissem

"Nada. Só queria saber se você está bem."

"E por que isso seria importante pra você?"

"Por que eu estava nas redondezas quando aquela... Criança... Apareceu."

Me virei para ele, com uma expressão indignada.

"Você anda me seguindo?"

"Claro que não. Só as vezes."

Revirei os olhos e respirei fundo. A última coisa que me faltava era um espírito de 1942 me seguindo por aí.

"Eu poderia te expulsar do primeiro plano agora mesmo e fazer você voltar para o seu. Quantos anos demoraria para que você conseguisse voltar? 10?12?"

"Você não faria isso."

"E por que não?"

"Por que você me ama."

Levantei as sobrancelhas e soltei uma risada, fazendo algumas pessoas olharem para mim como se estivessem se perguntando 'O que essa doida vai fazer agora?'

"Você realmente é cheio de si, não é mesmo?"

"Autoestima é tudo, querida."

Assim que ele disse isso, Hannah apareceu no refeitório e me viu, começando a andar em minha direção. Bo rapidamente segurou meu braço e o choque que percorreu meu corpo foi intenso demais, me fazendo perder um pouco os sentidos. Sempre que um espírito tocava um medium, a sensação era completamente inebriante e, as vezes, nos fazia entrar em transe, nos fazendo apenas ouvir, ver e sentir o que aquele espírito em questão nos mostrava.

O toque de Bo me deixou embriagada e o plano da realidade começou a ficar embaçado, revelando os outros planos embaixo deles, fazendo meus olhos doerem e meus ouvidos zunirem.

"Liz, escute, a presença que você sentiu ontem, ela ainda está aqui, mas você não a sente pois ela está escondida em um plano mais profundo do que sua visão pode chegar." ele disse, sua voz soando como um eco em meus ouvidos. "Haja o que houver, não deixe a criança entrar."

Assim que ele terminou a frase, ele soltou meu braço e minha visão e audição voltaram ao normal, me permitindo ver Hannah estalando os dedos na frente do meu rosto, tentando me tirar do transe.

Pisquei algumas vezes e olhei para o lado, percebendo que Bo sumira. Eu odiava quando ele fazia isso. Meus sentidos iam a loucura toda vez que ele fazia contato "físico" comigo, e, geralmente, eu ficava sem respirar direito durante os breves momentos em que ele me tocava.

Olhei para Hannah, vendo a expressão preocupada em seu rosto e dei um sorriso para ela, assegurando-a de que eu estava bem.

Mas as palavras de Bo ecoavam na minha mente. 'Haja o que houver, não deixe a criança entrar.'
-
As aulas haviam acabado e eu resolvi ir para a casa de Hannah, passar um tempo com ela e revisar aulas passadas. Os pais dela não estavam em casa, nem mesmo o irmão mais novo, o que deixava Hannah preocupada, mas depois de algum tempo consegui assegurar ela de que ele ficaria bem.

Passamos o resto do dia conversando e revisando os assuntos dados em aulas passadas, e não me dei conta de que já havia anoitecido.

Dei boa noite para Hannah e saí da casa dela, passando a caminhar para minha casa. Não era longe dali, apenas duas ruas de diferença.

Eram nove da noite e haviam poucas pessoas nas ruas. Quase todas elas chegando em suas casas.

Ao chegar na rua de minha casa, meu coração parou de bater por alguns segundos assim que a presença da noite passada apareceu novamente.

Olhei para os lados e não vi nenhuma criança. Ela estava escondida. Apressei o passo, chegando em casa e percebendo que a porta estava trancada. Meu pai não estava em casa ainda.

Peguei minhas chaves e assim que as coloquei na fechadura, senti um puxão de leve na minha blusa, como se alguém estivesse tentando chamar minha atenção.

Meus músculos estavam tensos e eu sentia o suor escorrer pela minha testa, mesmo com o frio que eu sentia, por estar tão perto daquela presença.

Olhei para trás, vendo a criança de ontem a noite com a mão em minha blusa, de cabeça baixa. Engoli em seco e tentei não parar de respirar.

"Com licença, moça. Você pode me deixar entrar? Eu me perdi dos meus pais, poderia usar seu telefone?" ele falou

A voz dele me fez tremer. Era calma e aveludada, como a de uma criança normal, mas alguma coisa nas palavras dele me deixavam nervosa.

Não o respondi, sendo incapaz de formular uma resposta, e pude sentir a impaciência do garoto.

"Moça, por favor, me deixe entrar." ele disse, ainda de cabeça baixa

Abri a porta de casa rapidamente e entrei, vendo que o garoto se aproximava para entrar também.

"Você não pode entrar." falei, sem muita emoção na voz

O garoto parou, e a aura de perigo que ele emanava fazia minhas pernas tremerem.

"Por favor." pediu

"Não."

E então ele levantou o rosto, me permitindo ver seus olhos. Eram negros assim como seus cabelos. Não havia íris ou parte branca, apenas uma globo ocular negro, como se a pupila tomasse o lugar do resto.

"Você tem que me deixar entrar!" ele falou, e eu pude sentir o poder em suas palavras

Me peguei quase abrindo a porta para que a criança entrasse, mas, antes que o fizesse, recobrei a consciência e fechei a porta em sua cara, trancando-a.

Assim que o fiz, me afastei da porta e pude ouvir as batidas fortes na madeira, junto aos berros que a criança dava, tentando me fazer deixa-la entrar.

Comecei a entrar em pânico e corri para o meu quarto, pegando o notebook, e indo pesquisar o que diabos era aquela criatura.

Não demorou muito para que eu achasse. Haviam vários artigos na internet sobre as crianças de olhos negros; Seres demoníacos que algumas vezes batiam na porta das casas das pessoas, tentando entrar para fazer não sei o que com elas.

Se aqueles relatos estivessem certos, aquilo era um demônio. Um ser do último plano, o qual apenas os mortos são capazes de ver ou alcançar. Poderoso e completamente perigoso.

Não havia maneira de que eu conseguisse expulsar um ser do último plano. Poucos mediums eram capazes de expulsar demônios, e muita energia era requerida para fazê-lo.

Ainda podia ouvir as batidas na porta no andar de baixo, e corri para a sala, sentando no sofá, encarando a porta, ouvindo os gritos da criança e sentindo o terror que a aura dele emanava.

"ME DEIXE ENTRAR!"

"Não. Saia daqui." falei, tentando me acalmar

"ME DEIXE ENTRAR! ME DEIXE ENTRAR! VOCÊ PRECISA ME DEIXAR ENTRAR!"

O poder usado naquelas palavras era forte, me fazendo querer abrir a porta e deixá-lo entrar, mas contive esse poder e me concentrei em minhas palavras.

"Volte para o lugar de onde você veio." eu disse

Assim que disse essas palavras, as batidas na porta pararam e eu pude ouvir a criança rir desdenhosa.

"Você sabe de onde eu vim, Elizabeth?" ele perguntou, me fazendo engolir em seco pelo fato dele saber meu nome

"Sei."

"Mas você sabe por quê eu vim?"

Franzi o cenho, me sentindo confusa. "Para me importunar, assim como todos os outros."

"Não, Elizabeth. Eu vim para lhe oferecer uma morte bem mais pacífica do que a que está destinada para você."

Me levantei do sofá, caminhando em direção a porta, ficando perto dela para escutar o que o garoto tinha a dizer.

"Eu sei como você vai morrer, sua tola. Sei o que você vai sofrer antes da grande tragédia acontecer... Eu posso te dar uma morte rápida e indolor, ao contrário da morte que a espera."

"E por que eu acreditaria num demônio?"

"Por que eu mentiria?"

"Por que é da sua natureza."

"Minha natureza é machucar, e o que mais poderia machucar um mortal como você do que a verdade?"

Engoli em seco e respirei fundo.

"Você não vai entrar."

Alguns segundos se passaram até que pude ouvir a risada da criança do outro lado da porta.

"Então, que assim seja." e sumiu

Sua presença deixou o lugar e o alívio me atingiu em cheio. Senti minhas pernas bambas e cambaleei até o sofá, me jogando nele enquanto tremia.

Dois minutos depois, eu ouço o barulho da tranca sendo aberta e me levanto num pulo, vendo meu pai entrar pela porta.

Ele me olhou confuso e fechou a porta atrás de si.

"O que houve?" perguntou

"Bem... É uma longa história..."
-
Já eram duas da manhã e eu ainda não havia conseguido dormir. As palavras do demônio pareciam ecoar na minha mente como se ele estivesse ali, falando aquilo pra mim.

Ouvi un barulho vindo do lado de fora da casa e gelei. O medo só se foi quando senti de quem era a presença. Levantei da cama, pondo um casaco para me proteger do frio, e corri para fora do quarto, descendo as escadas ligeiramente. Abri a porta da frente e pude ver Bo sentado nos degraus da varanda, em silêncio.

"O que diabos você está fazendo aqui?"

Ele olhou para trás, me analisando.

"Só vim checar você."

"Você não precisa 'me checar'."

Ele bufou e cruzou os braços.

"Só estou tentando ser útil."

Passei os dedos nas têmporas e olhei novamente pra ele, sentindo que ele estava triste com alguma coisa. Bufei e fiz uma expressão menos dura.

"Obrigada por me avisar sobre a criança mais cedo."

"Sem problemas."

Ele falou e olhou para a rua, pensativo.

"Acho melhor você ir, Bo. Está tarde e eu preciso dormir." falei, fazendo-o virar o rosto em minha direção.

"Ah, claro. Vou lhe deixar em paz..."

Assim que pisquei os olhos ele sumiu, me deixando sozinha novamente.

Senti o sono chegando e voltei para meu quarto, me ajeitando em meio aos lençois, não demorando muito para dormir. Mas ainda sonhando com os olhos negros da criança, vendo-o rir da minha escolha de ter uma morte dolorosa.



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