História Medium - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Bo Burnham, Diabo, Drama, Espíritos, Ficção, Lendas Urbanas, Médium, Mistério, Original, Romance, Sobrenatural, Suspense, Terror, Violencia
Exibições 4
Palavras 1.591
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Capítulo 06. "SOMBRAS" (Parte 3)



"O que diabos foi isso?" perguntei histericamente assim que Bo começou a levantar

"E-Eu não sei... Eu tinha acabado de voltar para cá depois que você me jogou em algum lugar perto do México e eu senti... Senti uma presença estranha. Depois disso não lembro de muita coisa."

Recuperei o ar que eu havia perdido e olhei para Bo novamente. Seus olhos estavam normais. Nunca pensei que ficaria feliz em ver aqueles olhos de novo.

"Liz, no que você está se metendo?"

"O que?"

"Primeiro aquele demônio, agora essa... Coisa... Alguma coisa está acontecendo. Os planos parecem estar se agitando."

Olhei para ele, pensativa e uma coisa que minha mãe me disse anos atrás parecia estar voltando a tona. Uma antiga canção de ninar macabra que ela cantava para mim antes de dormir.

"Quando os planos se agitarem, feche os olhos meu amor, quando as almas gritarem, cubra seus ouvidos; Algo grande está vindo, algo grande será ergido..."

Minha respiração ficou descompassada e eu queria deitar ali mesmo no chão para ignorar o peso que parecia estar nos meus ombros.

Não era possível que minha mãe pudesse ter me dado uma dica de alguma coisa que estava por vir, era?

Não, era só uma canção de ninar boba que ela cantava para mim. Minha mãe não poderia prever o futuro. Muito menos fazer uma música macabra para crianças sobre ele.

Sacudi a cabeça e olhei para Bo. Ele parecia tão apavorado quanto eu.

"Você está bem?" perguntei, realmente preocupada com o estado dele

Não sabia o que poderia acontecer quando um fantasma era possuído por outra coisa. E, a julgar pelo olhar de Bo, não parecia uma experiência muito boa.

"Sim, eu acho..." ele respondeu

"Vá descansar, acho que você precisa."

Ele assentiu e sumiu, me deixando sozinha com meus pensamentos.

"Meia noite, Elizabeth. E é bom que esteja lá na hora..."

-

Bufei fechando os livros do meu pai e esfreguei minhas têmporas, frustrada.

Não havia nada que me ajudasse com o Homem de Chapéu naqueles livros, apenas relatos dos encontros com ele e como todos eles correram de medo.

Olhei para o relógio ao lado da cama do meu pai.

11:50PM.

Hannah e Jimmy já estavam dormindo em meu quarto. Peguei um suéter do meu pai, que ficava quase em meus joelhos, e eu fiz meu caminho para a porta da frente, saindo de casa enquanto tentava não fazer barulho.

Estava frio do lado de fora, o que me fez esfregar minhas mãos em meus braços, em busca de um pouco mais de calor.

As ruas estavam vazias e o silêncio me incomodava enquanto eu fazia meu caminho para a casa de Hannah. Não sabia o que iria acontecer lá, mas a sensação era de que não seria nada agradável.

Senti a presença dele antes mesmo de falar alguma coisa e desejei ser possível dar um tiro em espíritos perseguidores.

"Você realmente não está indo ao encontro daquela coisa, está?"

"E se eu estiver?" perguntei, virando para encarar Bo que me olhava como se estivesse com raiva pelo que eu estava fazendo

"Você quer morrer ou algo assim? Você sentiu o poder daquela coisa! Você não pode contra ele."

"Seu apoio moral ajuda muito."

"Liz, é perigoso de mais!"

"E o que você tem haver com isso? Sinceramente, eu ainda não entendo por que você me importuna tanto. O que você quer de mim afinal?"

Assim como das outras vezes que fiz aquela pergunta, Bo fechou a cara, travando a mandíbula, como se lutasse para não dizer o motivo de estar sempre me seguindo.

Rolei os olhos e continuei a caminhar, esperando que ele fosse falar mais alguma coisa para me convencer a não continuar, mas tudo que aconteceu foi sua presença desaparecer.

Olhei para trás e não o vi ali. Ele havia desistido e isso era estranho. Ele geralmente me irritaria ao ponto de eu desistir só para que ele me deixasse em paz. Mas não dessa vez...

Sacudi a cabeça e continuei andando, chegando rapidamente á casa de Hannah. Assim que entrei pela porta, pude sentir a presença dele.

Parecia vir do andar de cima, do quarto de Jimmy. Comecei a andar, sentindo meu coração acelerar e tentei controlar isso. O que não estava sendo nada fácil.

Cheguei até a porta do quarto e a abri devagar, vendo a figura esfumaçada ao lado da cama de Jimmy. Seus olhos eram vermelhos vivos, assim como os de Bo mais cedo.

Engoli o terror que sentia e me aproximei, tentando parecer o mais corajosa possível, o que estava falhando.

"O que você quer?" perguntei, ouvindo minha voz sair mais fraca e trêmula que o normal

A figura apenas inclinou a cabeça para o lado, me olhando como se me desafiando a algo.

Só então me lembrei do que ele havia disse.

'Aprenda a ouvir o outro plano também'

Fechei os olhos e me concentrei. Não deveria ser muito difícil me concentrar em ficar no plano do Povo das Sombras, era o plano logo abaixo do meu. Cruzar a linha da realidade entre eles deveria ser fácil.

Me concentrei até que pude ouvir uma risada. Abri os olhos e me encontrei flutuando na escuridão com dois olhos vermelhos encarando os meus bem na minha frente.

Não sei explicar, mas o plano das sombras era literalmente isso: Sombras. Não havia matéria, apenas escuridão e as sombras relativamente mais escuras que a escuridão que compunha o Plano das Sombras.

Podia ver bem o Homem de Chapéu flutuando perto de mim e podia jurar que via um sorriso cruzar seu rosto.

"Fico feliz que tenha entendido minha mensagem, Elizabeth. Precisamos mesmo conversar."

Sua voz era um sussurro distante, assim como o que eu havia ouvido enquanto Bo falava mais cedo.

"Quem é você?"

"Você provavelmente me conhece como 'Homem de Chapéu', que é como os humanos resolveram me chamar, mas meu verdadeiro nome é Nuntius. É um prazer conhecê-la." Nuntius fez uma reverência mas eu não continuei parada, em parte por que não conseguia controlar meu corpo tão bem naquele plano. Alguma coisa me dizia que eu agora também era apenas uma sombra.

"Nuntius?"

"Sim. Creio que em uma de suas muitas línguas meu nome signifique 'notícia'..."

"Por que me queria aqui? Por que estava tentando se comunicar com Jimmy Jones?"

Nuntius deu uma risada como se achasse graça de mim.

"Ora, eu não queria me comunicar com a criança, mas com você. Apenas o usei para fazê-la me notar."

"Pra quê usar uma criança?"

"Pensei em usar sua amiga, mas ela não parecia em condições de ver uma aparição... Ela já sofre de mais. Outro trauma seria prejudicial a mente dela. Já seu irmão, bem, ele parecia a escolha certa."

"Você se importa com humanos?"

"Mas é claro que sim! Vocês são criaturas curiosas e impressionantes. As mudanças que vocês foram capazes de fazer em seu plano? Esplêndidas! Claro que vocês tiveram um pouco de ajuda com a presença da matéria em seu plano... Mas isso não vem ao caso. Minha prioridade é falar com você."

"Falar o quê comigo?"

"Sobre profecia, ora!"

"Profecia?"

"Sim, minha jovem. Por eras tenho tentado revelar à sua espécie, em especial os mediums, a profecia que foi revelada a mim a anos atrás. Levou muito tempo para que eu conseguisse, mas sua mãe era inteligente. Ignorou o medo e me escutou. Uma mulher encantadora ela era..."

"Minha m– Olhe aqui, eu não sei do que você está falando."

"Sim, você sabe, Elizabeth."

Pude ouvir a risada dele quando ele viu que eu havia entendido. A música macabra. Minha mãe estava me cantando uma profecia.

"Cante."

Olhei para Nuntius e inspirei o máximo de ar possível antes de minha voz ecoar pela escuridão do Plano das Sombras.

"O primeiro cairá, os outros hão de se quebrar
Pelo canto do desesperado, os planos irão ceder, e a luz irá se erguer
Quando os planos se agitarem, feche os olhos meu amor, quando as almas gritarem, cubra seus ouvidos;
Algo grande está vindo, algo grande será ergido.
Algo que não irá se render, algo que nao irá ceder."

Nuntius me encarava, seus olhos vermelhos parecendo poder ver minha alma.

"Interessante..."

"O que é interessante?"

"Como eu suspeitava, ela não chegou a ouvir a ultima parte..."

Antes que pudesse perguntar, o sussuro que era sua voz cantou em meus ouvidos.

"Algo que só virá a desaparecer
Por meio de poder
Poder obtido a partir do sacrifício
Poder obtido no limbo de um amor antigo."

Não falei nada, nem havia o que ser falado. Seja lá o que aquilo tudo queria dizer, não poderia ser bom.

"Essa profecia está em minhas mãos a séculos, finalmente a tenho fora delas, posso finalmente descansar."

"Mas eu não faço ideia do que isso significa!"

"Isso você terá de descobrir sozinha, Elizabeth. Mas agora, acho que é hora de você ir. Você é forte, mas passar tanto tempo assim em outro plano é desgastante."

"Mas eu–"

"Apenas vá... Boa sorte, Elizabeth."

-

Assim que voltei para o meu plano, me encontrei caída no quarto de Jimmy, o sol batendo no meu rosto.

Me levantei correndo e saí dali. A presença de Nuntius não estava mais lá, mas talvez fosse melhor que Hannah e Jimmy passassem mais um dia na minha casa só por garantia.

Engoli em seco enquanto corria de volta para casa, sentindo meus olhos queimarem. Lágrimas querendo se formar neles.

Seja lá o que estivesse para acontecer e que tivesse haver com aquela profecia, não seria agradável para ninguém e isso me apavorava.



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