História Medium - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Bo Burnham, Diabo, Drama, Espíritos, Ficção, Lendas Urbanas, Médium, Mistério, Original, Romance, Sobrenatural, Suspense, Terror, Violencia
Exibições 5
Palavras 1.120
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Capítulo 07. "HISTÓRIAS DE FANTASMA" (Parte 1)


Fanfic / Fanfiction Medium - Capítulo 7 - Capítulo 07. "HISTÓRIAS DE FANTASMA" (Parte 1)

O meu choro ecoava pelos corredores vazios da escola. O barulho dos meus soluços eram a única coisa que conseguia ouvir, enquanto esperava que alguém do lado de fora da sala me ouvisse também.

Mas eu sabia que não havia ninguém. Eu estava sozinha, como sempre. Ninguém viria me tirar daquele armário escuro e apertado no qual eu me encontrava presa. Ninguém viria ao meu resgate pois eu não tinha ninguém.

Todos me achavam estranha. Elizabeth, a garota de 13 anos esquisita e assustadora do colégio. Eu era, sim, diferente, mas parecia que ser diferente era errado.

Daria de tudo para não ser diferente. Talvez se eu não fosse diferente eu teria mais amigos além de apenas uma. Talvez as pessoas parassem de se afastar de mim quando eu andasse perto deles. Talvez parassem de me prender no armário.

Talvez pudesse ter uma vida como todos aqueles que me rodeavam. Preocupações normais, problemas normais, vida normal.

Enquanto chorava, desejando ser qualquer um menos eu naquele momento, senti uma presença. Essa presença era estranha. Não parecia ser perigosa, mas não podia dizer exatamente do que era.

"Oi, você está bem?" pude ouvir uma voz falar, bem em frente ao meu armário

"Quem é você?"

"Precisa de ajuda, não é? Calma, eu vou te tirar daí, baixinha."

Enxuguei as lágrimas e tentei olhar entre as brechas da porta do armário para ver quem estava do outro lado. Tudo que consegui ver foram olhos azuis completamente concentrados, provavelmente em tentar abrir o cadeado do armário.

Os olhos de quem quer que fosse me olharam de volta e pude dizer pelas rugas que surgiram em volta dele que a pessoa estava sorrindo para mim.

"Quem é você?" perguntei novamente, sem ser capaz de reconhecer aqueles olhos

"Ah, pode me chamar de Bo."

"Bo... Não conheço você..." falei, sinceramente

Não lembrava de nenhum Bo em minha escola, mas lá estava ele. No entanto, lembrei que havia sentido uma presença um pouco antes de Bo aparecer. Me concentrei e percebi que a presença vinha dele.

"O que é você?"

Seus olhos encararam um ponto fixo por um momento, como se pensasse no que responder. Pude ver quando ele me encarou novamente e sorriu.

"Gasparzinho."

"Você é um fantasma?" indaguei, curiosa e empolgada

Nunca havia visto um fantasma antes. Sabia que alguns eram espíritos vingativos, mas outros apenas eram pessoas que não conseguiam deixar o Primeiro Plano por serem muito apegados a ele, e se recusavam a "ir para a luz".

"Sou sim. E você parece bem animada com isso... Caramba, por que esses cadeados não podem ser mais fáceis de abrir?"

"Eu nunca vi um fantasma antes... Você não é um espírito vingativo, é?"

"Olha, sou muito perigoso, sabe? As vezes eu gosto de salvar pessoas dos armários que elas estão presas. Muito perigoso." ele falou em ton de sarcasmo e eu consegui ouvir o barulho do cadeado abrindo. "Ahá!"

Ele abriu a porta do armário e eu saí o mais rápido que pude, alongando os braços e pernas já dormentes pelo pouco espaço do armário.

Olhei para Bo, agora podendo ver mais do que seus olhos. Ele usava uma camisa de botões branca e suspensórios, junto a uma boina cobrindo os cabelos loiros bagunçados. Ele era bem mais alto que eu, tanto que eu tinha que levantar o rosto para olhar para o dele. Seu sorriso parecia com o dos garotos que gostavam de me pregar peças, colocando almofadas de pum em minha cadeira ou coisas do tipo, o que me fez recuar um pouco ao vê-lo. Mas seus olhos pareciam gentis e tinham um brilho de vida neles, o que era estranho, já que ele estava morto. Mas havia algo a mais naqueles olhos. Parecia que eles refletiam algum tipo de angústia ao me olhar.

Percebi que estava olhando para ele em silêncio por tempo de mais e já devia estar parecendo uma louca.

"Hm... Obrigada por me tirar de lá..." falei e tentei dar um sorriso simpático para ele

"Ora, disponha." e se curvou um pouco num gesto de cavalheirismo me fazendo soltar uma risadinha

"Eu sou Elizabeth." falei, estendendo a mão

"Prazer em conhece-la, Elizabeth" ele disse e apertou minha mão

Só quando sua mão encostou na minha foi que eu percebi o erro que eu havia cometido. Não lembrei das lições de meu pai sobre o que acontecia quando se tocava um fantasma, e, quando lembrei, já era um pouco tarde.

Minha cabeça se tornou mais leve e minha visão ficou confusa. Pude ver diferentes planos, todos ao mesmo tempo, e senti que toda aquela informação estava me fazendo mal.

Pensei em desfazer o contato com Bo, mas não conseguia me mexer, apenas sentir tudo aquilo. Pude ouvir a voz de Bo como um eco distante. Ele chamava meu nome.

Do nada, tudo voltou ao normal e eu estava sentada no chão, encostada nos armários, com Bo na minha frente me olhando preocupado e com as mãos estendidas, como se quisesse me segurar para que eu não caísse para o lado, mas relutante já que seu toque pioraria a situação.

"Eu sinto muito." ele falou, um pouco aflito

"Está tudo bem, só... Não me toque mais, por favor..."

E então acordei subitamente, como se tivesse acabado de sair de um pesadelo, o que não era verdade, já que aquilo não era bem um pesadelo.

Respirei fundo, como se tivesse prendido a respiração durante o sono e me ajeitei na cama de meu pai, já que estava dormindo ali até que Hannah e Jimmy voltassem para sua casa.

A "ameaça" já havia ido embora da casa deles, mas decidi acolhe-los pelo fim de semana, enquanto meu pai viajava. Hoje era a última noite deles ali, já que era domingo e meu pai chegava no dia seguinte.

Havia ido na casa de Hannah apenas para checar se estava tudo bem, se não havia mais nada lá, e parecia tudo calmo.

Meus olhos não queriam mais fechar. Por alguma razão a lembrança de como havia conhecido Bo me fazia ficar intrigada.

Talvez pela lembrança da angústia que eu vira em seus olhos naquele dia, em meio ao seu típico brilho de vida anormal.

Aquela não fora a última vez que o vi me olhar daquele jeito. Algumas outras vezes eu notava o mesmo olhar nele, e sempre me perguntava de onde vinha aquela angústia.

Talvez fosse por estar morto. Era uma razão plausível.

Passei a mão no rosto e fechei os olhos novamente. Precisava dormir, tinha escola amanhã. Mas tudo que eu conseguia ao fechar os olhos era ver as íris irritantemente azuis de Bo me encarando com aquela angústia contida, me fazendo, por alguma razão desconhecida, ficar curiosa para saber o motivo dela.



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