História Medium - Capítulo 8


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Bo Burnham, Diabo, Drama, Espíritos, Ficção, Lendas Urbanas, Médium, Mistério, Original, Romance, Sobrenatural, Suspense, Terror, Violencia
Exibições 4
Palavras 1.386
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Capítulo 08. "HISTÓRIAS DE FANTASMA" (Parte 2)


O sol ainda não tinha se levantado mas eu já estava acordada. Odiava acordar cedo de mais, mas não tinha muita escolha.

Me remexi agoniada na cama e resolvi levantar para comer algo. Saí do quarto tentando não fazer barulho para não acordar Hannah ou Jimmy e desci as escadas até a cozinha.

Antes de entrar na cozinha, deixei que meus olhos vagassem pela sala de estar vazia da casa, notando alguma coisa do lado de fora pela janela.

O balanço da varanda parecia estar ocupado, e podia ver bem quem o estava ocupando.

A lembrança do sonho da noite passada veio e eu resolvi falar com Bo. Talvez eu conseguisse arrancar alguma coisa dele sobre o por quê dele se preocupar tanto comigo e tentar me ajudar sempre que pode.

Segui até a porta da frente e a abri, saindo de casa sem cerimônias. Bo rapidamente voltou seu olhar para mim e continuei meu caminho até o balanço, calada.

Sentei ao seu lado, tentando não encostar nele, e o encarei, curiosa.

"O que está fazendo aqui a essa hora?"

"Não é como se eu tivesse muita coisa para fazer, estando morto..." ele falou, inexpressivo

Franzi o cenho, confusa. Ele não estava com aquele brilho irritante nos olhos. Naquele momento, eles realmente pareciam o de uma pessoa morta: Vazios, sem luz e cheios de angústia.

Vê-lo assim me fez querer me afastar dele. A aura que ele estava emanando era desesperadora. A angústia que eu estava sentindo naquele momento não era normal.

"Bo... Você está bem?"

Ele virou o rosto, ainda inexpressivo para frente, me ignorando e franzindo o cenho.

"Eu..." hesitou

E então, como num passe de mágica, os olhos dele voltaram com seu brilho normal e sua aura mudou para a irritantemente feliz que eu estava acostumada a sentir quando estava perto dele.

"Ótimo... Estou ótimo." Bo falou, olhando para mim e sorrindo

"Mas você estava-"

"Eu acho que você devia tomar café da manhã, Liz. Você deve estar com fome."

-

Estava no ônibus escolar com Hannah e Jimmy, ainda pensando na súbita mudança de humor de Bo naquela manhã.

Assim que ele me mandou tomar café ele desapareceu, fugindo de qualquer pergunta que eu tivesse para ele.

Eu o achava irritante. Ele era o tipo de pessoa com a qual eu não me meteria se ele estivesse vivo e estudasse comigo. Mas ele não estava vivo, e eu o conheci pelo lado bom dele, o lado gentil e até mesmo meio protetor. Eu me preocupava com ele, mesmo não o deixando saber disso. Ele já tinha um ego muito grande.

Fui tirada de meus pensamentos quando notei Kelly ao lado do banco do ônibus em que eu e Hannah estavamos sentadas, com a típica cara de desgosto mal disfarçado dela.

"Olha se não é a duplinha estranha do colégio."

Ah, o que eu não daria para ser permitido jogar maldições em mortais. Ela ia ter um grande probleminha com pessoas das sombras se eu não respeitasse tanto as regras que meu pai me impôs.

"O que você quer, Kelly?" perguntei, tentando conter a vontade de jogar meu sapato na cara dela

"De vocês? Nada. Não ouso tocar nas suas coisas. Vai que sua esquisitice é contagiosa?"

"Você devia ser mais legal com as pessoas, Kelly. Essas atitudes suas vão voltar para você, sabe disso, não sabe?" Hannah disse, olhando a garota nos olhos com a expressão mais mortífera que eu já havia visto no rosto dela

"Quando elas voltarem, me avise, Jones." Kelly disse, rindo "Enquanto isso, zoar você e sua amiguinha que fala com os mortos é mais engraçado."

Não, Kelly não sabia que eu tinha poderes especiais. Ela pelo menos não acreditava naquilo. Quando eu era menor ela já havia me visto falando com Bo, e quando eu disse que eu estava falando com um fantasma, ela apenas riu de mim e saiu espalhando pela escola que eu era a esquisitona que achava que falava com os mortos.

"Por que não pede ajuda para os seus fantasmas, Elizabeth?" Kelly zombou, fazendo algumas pessoas dos bancos mais próximos rirem

E, como se ele soubesse que eu queria ele ali naquele momento, pude ver Bo encostado em um dos bancos, atrás de Kelly, me olhando como se esperasse uma ordem.

Não consegui evitar um sorriso ao vê-lo ali e voltei a olhar para os olhos de Kelly, tentando fazer uma cara de psicopata.

"Sabe Kelly, eu acho que você devia se preocupar mais é com o seu cabelo..." falei e logo depois voltei meu olhar para Bo "Parece que você vai ter um grande trabalho para tirar todos os nós dele."

Bo soltou uma risada e se aproximou da menina, mexendo no cabelo dela, fazendo nós sem que ela percebesse.

"Do que você está falando sua louca?"

Apenas apontei para o cabelo dela e Bo se afastou, rindo como uma criança. Kelly passou a mão no cabelo e sentiu os nós, fazendo uma cara de desespero quando não conseguiu os desfazer com a própria mão.

Hannah olhou para mim desconfiada e eu apenas sussurrei "Bo" para ela e ela pareceu conter uma risada.

"Isso é coisa sua, sua esquisita!" Kelly gritou, ainda tentando tirar os nós

"Como poderia ser, Kelly? Eu estava aqui, na sua frente, o tempo todo."

"Isso não vai ficar assim!" e saiu, quase chorando

Algumas pessoas do ônibus me olhavam assustadas, como se soubessem que, de alguma forma, eu estava por trás daquilo.

Ignorei elas e olhei para Bo, murmurando um "Obrigada" e vendo ele fazer uma reverência educada e desaparecendo logo em seguida.

-

Chegamos ao colégio, e subimos para a aula. Kelly não estava lá, provavelmente por que ainda estava tentando tirar os nós de seu cabelo.

A aulas pareceram mais longas que o normal, e eu tenho certeza que devo ter cochilado em pelo menos duas delas. Quando o sinal tocou, os adolescentes desesperados já começaram a correr para fora da sala, felizes pela "liberdade" que eles agora teriam.

Segui com Hannah para o banheiro, já que ela odiava ir desacompanhada para lá desde que afundaram a cabeça dela na privada dois anos antes.

Fiquei encostada ao balcão de pias, de costas para o espelho gigante e esperei que Hannah saísse do banheiro.

"Liz, aquela lenda da Bloody Mary é real?" pude ouvir a voz de Hannah perguntar de dentro do banheiro

Me virei instintivamente para o espelho, olhando meu próprio reflexo nele.

"Por que você quer saber?"

Hannah saiu do banheiro e foi lavar as mãos.

"Curiosidade... Já ouvi falar tanto sobre essa lenda mas nunca soube se era real."

"Sim, Hannah. Já houveram muitos encontros com o espírito dela. Um espírito vingativo e dos fortes."

"Bem, obrigada por avisar." ela disse, sorrindo, com sua alegria inabalável

"Vocês são realmente estranhas." ouvi uma voz dizer e uma porta do banheiro se abriu

Kelly saiu do banheiro com uma touca escondendo todo seu cabelo. Não devia ter conseguido tirar os nós, pelo visto. Ela nos olhava com desgosto, nada de anormal.

Ela então pôs um sorriso no rosto e se curvou no balcão das pias, colocando seu rosto perto do espelho.

"Bloody Mary..."

Arregalei os olhos ao entender o que ela estava fazendo.

"Kelly–"

"Bloody Mary..."

"Kelly, não!" Hannah gritou

"Bloody Mary."

Tudo ficou silencioso por alguns momentos. Prendi minha respiração, olhando para o espelho, tensa. O silêncio foi quebrado pela risada de Kelly.

"Nossa, vocês sao ridícu–"

E então as luzes se apagaram. Kelly soltou um grito surpreso e pude ouvir Hannah tropeçar para trás e cair, mas não consegui fazer nada. Estava estática.

Podia sentir com clareza a presença hostil no banheiro. Assim que pensei em arrastar as duas garotas para fora daquele lugar, ouvi a porta se trancar sozinha.

Ótimo.

As luzes então acenderam e eu instintivamente olhei para o espelho. Kelly ia fazer o mesmo, mas antes que ela o fizesse, corri até ela e segurei seu rosto para que não de virasse.

"Não. Olhe."

Olhei novamente para o espelho. Bem ao lado do reflexo de Kelly, estava uma mulher de vestido preto, ensopado de sangue. Seus olhos eram órbitas negras, e dessas órbitas jorravam lágrimas de sangue.

E tudo que a mulher estava esperando, era que Kelly olhasse para ela, para tornar seus olhos em órbitas vazias como os dela.



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