História Medium - Capítulo 9


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Bo Burnham, Diabo, Drama, Espíritos, Ficção, Lendas Urbanas, Médium, Mistério, Original, Romance, Sobrenatural, Suspense, Terror, Violencia
Exibições 4
Palavras 1.362
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Capítulo 09. "HISTÓRIAS DE FANTASMA" (Parte 3)


Kelly ficou com uma expressão aterrorizada por alguns momentos, provavelmente por que eu e Hannah estávamos emanando desespero.

Não, Kelly não tinha a mesma habilidade de se aproveitar das auras de outras pessoas, mas seres humanos comuns as vezes conseguiam absorver auras sem nem sequer perceber. As vezes quando você se encontra em um lugar e está rodeado de pessoas felizes, você se sente feliz apenas estando ali. Ou num lugar em que uma pessoa esta estressada, você acaba se estressando também. Ou numa situação onde alguém está com medo, você acaba refletindo esse medo sem mesmo saber o porquê.

Aquilo devia estar acontecendo com Kelly. Tanto eu quando Hannah estávamos aterrorizadas pela mulher no espelho.

Mas então Kelly deve ter pensado que estava sendo estúpida, pois se livrou das minhas mãos que seguravam seu rosto, impedindo que olhasse para o espelho, e me olhou com desprezo.

"Ah, por favor... Vocês acham que podem me assustar assim?"

"Kelly, não olhe para o espelho, por favor..."

Kelly me lançou um olhar raivoso e olhou diretamente para o espelho, vendo a mulher. No mesmo momento, soltou um grito fino de puro medo, mas seu grito se tornou um engasgo doloroso.

Pude vê-la cair de joelhos no chão, encarando o espelho, com as mãos no pescoço e pude ver também uma lágrima de sangue cair de seus olhos.

Se eu não acabasse com aquilo logo, Kelly iria morrer. Por mais que eu não gostasse dela, que tipo de pessoa seria eu se deixasse alguém morrer desse jeito bem a minha frente sem fazer nada?

Puxei Kelly para dentro de um dos banheiros e fechei a porta, cortando todo e qualquer contato que ela pudesse ter com o espelho. Assim que a porta se fechou, pude ouvir ela recuperar a respiração.

Mary me olhou com suas órbitas vazias, parecendo poder ver minha alma, e caminhou calmamente para a porta do banheiro, a abrindo fazendo com que o reflexo de Kelly reaparecesse no espelho.

A garota voltou a chorar sangue e eu tentei fechar a porta novamente, sem ter sucesso.

"Liz, o que a gente vai fazer?" Hannah perguntou, assustada e respirando pesadamente

Olhei para ela, para Kelly e para o espelho tomando a única decisão possível naquela hora. Mary não iria dar atenção a mim, nem às minhas tentativas de expulsá-la daquele lugar, então precisava da atenção dela.

Corri até o espelho e olhei em meus próprios olhos, me arrependendo do que iria fazer em seguida.

"Bloody Mary, Bloody Mary, Bloody Mary."

Os engasgos de Kelly pararam novamente e tudo ficou silencioso. Não queria olhar para os lados, mantive meu olhar preso aos meus próprios olhos no espelho, quando de repente, uma dor surgiu na parte de trás dos meus olhos e comecei a me sentir estrangulada.

Pus as mãos no pescoço e olhei para o meu lado direito, encontrando Mary ali, parada, sorrindo para mim.

Olhei novamente para meus próprios olhos e vi a gota de sangue escorrendo deles.

Lutei contra a sensação de estrangulamento e a dor no fundo dos meus olhos, e encarei Mary.

"Saia daqui." falei com todo poder que pude colocar na voz, mas nada aconteceu

Mary pareceu rir e inclinou a cabeça como se fosse divertido me ver daquele jeito.

A dor aumentou e senti como se meus olhos estivessem sendo retirados do meu rosto.

Pude notar que Kelly tinha saído do banheiro e agora me encarava, assustada. Pude ver que Hannah a segurou para que ela não caísse desmaiada ali e a arrastou para longe de mim.

Meus ouvidos apitavam e as vozes de Hannah e Kelly gritando para sair daquele banheiro pareciam longe.

Olhei para mim mesma novamente. Meu rosto estava completamente manchado de vermelho com o sangue que descia dos meus olhos, minha boca completamente aberta num grito que não saía, e minhas mãos envolta do meu pescoço, querendo se livrar do estrangulamento invisível no qual eu me encontrava.

Aquela seria uma maneira vergonhosa de morrer.

Assim que eu pensei que aquele era meu fim e que não havia mais saída para mim, a dor passou como se nunca tivesse existido e o ar, que antes era pouco, voltou a entrar nos meus pulmões.

Olhei para onde Mary estava e pude ver que havia outra pessoa com ela. Nunca fiquei tão feliz em vê-lo.

Bo segurava Mary pelo pescoço, enquanto a garota tentava se desvencilhar dele. Hannah e Kelly pareceram notar que eu tinha parado de morrer e olharam para mim, notando os dois reflexos brigando no espelho.

Bo não estava comigo, estava no espelho com Mary. E isso me deixou assustada. E se ele ficasse preso ali para sempre?

Fui tirada de meus pensamentos quando Mary conseguiu se soltar e tentou atacar Bo. Assim que a garota pulou em cima dele, Bo a segurou e a jogou no chão com força, fazendo-a abrir a boca como se gritasse de dor.

Bo então a arrastou para uma das portas do banheiro, com ela se debatendo em relutância, e colocou ela sentada de um jeito que sua cabeça ficasse aonde a porta se fecharia.

Antes que ela pudesse se levantar, Bo fechou a porta com força. Atrás de mim, ouvi o barulho da porta batendo contra alguma coisa invisível.

Bo estava com uma expressão de raiva no rosto, e a força com que ele atingia a cabeça da garota era tanta, que sangue começou a escorrer dela enquanto tinha sua cabeça amassada contra a porta.

A garota parou de se mexer, sua cabeça completamente aberta, e desapareceu como uma miragem.

Bo desapareceu também, mas reapareceu ao meu lado respirando pesadamente e com um olhar preocupado.

"Liz, você está bem?" ele perguntou

Hannah e Kelly o olhavam assustadas. Bo não costumava aparecer para outras pessoas além de mim. Pisquei algumas vezes, sentindo a ardência nos olhos graças ao sangue, e assenti vagamente.

Ele respirou fundo, aliviado e olhou para a porta do banheiro na qual ele "matou" a garota.

"Ela ainda está por aí. Não pode morrer de verdade. Já está morta, morrer uma segunda vez é impossível." ele comentou e olhou para meu rosto

Ele ameaçou tentar limpar o sangue do meu rosto mas parou no meio do caminho. Ele ficou sério, sabendo que tocar em mim me faria ficar ainda pior do que eu já estava, e olhou para Hannah.

"Cuide dela, por favor..."

Hannah piscou algumas vezes e assentiu.

"Por que você me salvou?" perguntei, com a voz fraca

Ele fechou a cara e travou a mandíbula, mostrando que aquela pergunta não seria respondida. Respirei fundo, cansando desse mistério todo. Mas, antes que pudesse reclamar, ele já havia ido embora.

-

As aulas haviam acabado e eu não fazia ideia do que tinha acontecido nelas. Estava mais preocupada em não me lembrar do ocorrido no banheiro.

Eu e Hannah já estávamos a caminho do ônibus escolar, quando a voz de Kelly nos chamando nos fez parar.

Olhamos para ela, desconfiadas, e a garota parou a nossa frente, com uma expressão incerta no rosto.

"Eu só... Eu só queria agradecer por ter me salvado lá no banheiro... Eu fui estúpida..."

"Sim, você foi." falei, com raiva

Graças à estupidez dela, eu quase morri. Ela pareceu se encolher um pouco com minha resposta grosseira.

"Eu sinto muito. Não achei que fosse verdade..." ela disse, como se fosse chorar

Respirei fundo e tentei relaxar, não era exatamente tudo culpa dela. Ela estava assustada, e isso eu podia entender.

"Tudo bem. Só não faça isso novamente. Lendas podem ser bem reais as vezes."

"É... Elizabeth, por que me salvou? Pensei que não gostasse de mim..."

"Não sou um monstro. Por mais que você me dê vários problemas, não desejo a morte para ninguém."

Ela apenas assentiu e nos olhou, como se quisesse dizer mais alguma coisa, mas desistiu e apenas disse um mero tchau antes de entrar no ônibus.

Hannah olhou para mim de lado e deu um sorriso.

"Talvez agora ela deixe de nos irritar..."

"Se não deixar, quem sabe eu não chame nossa amiga Mary novamente?"

Hannah me repreendeu com um murrinho no ombro e eu sorri, voltando a caminhar para o ônibus, pronta para ir para casa.



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