História Megalomania - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Interativa, Original, Suspense, Terror
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Palavras 3.504
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Orange, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo Dois: Provas e Sonhos.


O frio era tanto que conseguia congelar até mesmo os ossos debaixo de seus músculos e pele. O coração batia levemente acelerado pelo nervosismo à medida que caminhava descalça, no escuro e no último lugar que ela queria estar. Não sabia ao certo como acabou chegando naquele hospital, ou em que hospital da cidade estava, mas pouco importava. Elizabeth só queria poder ir embora.

Aquele lugar era incrivelmente grande e quieto. Não havia nenhum sinal de vida ali além dela, nem ratos, tampouco insetos. A atmosfera pesada, quase que perturbadora, já bastava para que qualquer criatura com o mínimo de consciência se mantenha afastada de lá. Infelizmente Elizabeth não se lembrava de ter ido para um hospital, principalmente um que estava abandonado. Não sabia nem dizer que horas eram, poderia ser de noite por causa do imenso frio que fazia e o escuro que estava, porém ainda era época de verão, não tinha como o clima mudar tanto de repente em apenas algumas poucas horas.

O medo a fazia prestar atenção em qualquer mínimo barulho a sua volta, o que tornava as coisas mais angustiantes por causa do enorme silencio. A única coisa que Eliza conseguia escutar eram as batidas do próprio coração assustado junto dos tímidos passos que dava no escuro, procurando por uma saída o mais rápido que podia, mas hesitante em cada curva que dava para o próximo corredor.

Foi então que na sua ultima curva Elizabeth avistou algo que chamou a sua atenção, um brilho verde que vinha no final de um corredor cheio de portas, era uma placa escrito “Saída” que estava dependurada em cima de uma porta. Ansiosa para ir embora a garota correu até lá, não reparando em nada ao seu redor, apenas no objetivo de sair dali, e esse foi o seu erro. A apenas um metro de distancia da porta a garota acabou pisando em cacos de vidro, cortando toda a parte debaixo do pé. Xingou baixo pela dor que sentiu no momento, recuando para trás e só depois reparando no vidro quebrado do chão com os pequenos cacos refletindo a luz verde.

Por um pequeno momento ela sentiu raiva de si mesma por não enxergar aquilo bem na sua frente, porém não permaneceu assim por mais do que alguns poucos segundos. Suspirou fundo e então continuou seguindo o caminho até a porta, desviando do vidro quebrado enquanto andava manca até o seu objetivo.

Finalmente iria sair daquele lugar, entretanto, quando tentou abrir a porta Eliza percebeu que essa estava trancada. Furiosa por causa disso ela tentou abri-la a força, jogando o próprio corpo contra a porta para arrombá-la, mas não funcionou, tentou outra vez e não adiantou de nada. Percebendo que aquelas tentativas eram inúteis a garota desistiu de continuar com aquilo, suspirando fundo sem saber mais o que fazer.

Sem mais alternativas ela acabou entrando em um dos quartos, preferindo ficar distante da saída caso alguma coisa acontecesse e por isso precisasse correr para longe. Resmungava baixo o tempo todo enquanto andava por causa do machucado em um dos seus pés. Quando chegou perto de uma das portas ficou alguns segundos encarando a parte de dentro do quarto, mas o medo e o frio não permitiram que ela ficasse daquele jeito por muito tempo. Entrou e sentou na única cama ali disponível, pegando o cobertor e se cobrindo.

Aos poucos começou a tirar os pedaços de vidro presos na sola do pé, deixando que o sangue sujasse de vermelho o lençol, mas nem mesmo essa dor foi capaz de distraí-la por muito tempo do arrepio que sentia estando naquele lugar. A estranha sensação de estar sendo observada, de que algo ou alguém poderia sair das sombras a qualquer momento e agarrá-la.

Quando terminou de tirar todos os pedaços de vidro Elizabeth rasgou uma parte limpa do lençol e então o enrolou em seu pé, fazendo uma espécie de curativo improvisado, e arriscou se levantar. Seu pé já não doía tanto, porém ainda era difícil para si conseguir andar, mancando um pouco a cada passo.

Arriscou procurar por outra saída, voltando a caminhar pelo hospital, deixando pequenas manchas vermelhas por onde passava. Não sabia por quanto tempo ficou fazendo esse mesmo processo, andando e entrando de sala em sala a procura de algo que pudesse ajudá-la a sair dali e falhando em sua busca. E, quanto mais andava, mais parecia que as sombras aumentavam.

Foi então que batidas fortes foram ouvidas, parecidas com algo ou alguém socando uma porta feita de alumínio, assustando a garota. O som ecoando por todo o cômodo e vindo de uma sala no fim do corredor. O medo a fazia pensar em se afastar o mais rápido possível do barulho, mas algo em seus instintos a mandava procurar pela origem do som.

Hesitante Eliza entrou em um quarto, um quarto completamente sujo, pior do que todo o resto do hospital. Camas velhas e sujas de um vermelho escuro. As paredes estavam arranhadas por todos os cantos, como se alguém tivesse ficado preso ali e quisesse sair a qualquer custo. No fundo do quarto haviam armários enferrujados, desgastados com o tempo, com a exceção de um, e o único que parecia ter alguma coisa dentro desesperada para sair.

Quanto mais Elizabeth se aproximava, mais alto e mais frequente as batidas ficavam, a assustando a cada passo que dava. O pensamento de recusar falando quase tão alto quanto a sua curiosidade, até que finalmente tocou na porta, fazendo os barulhos cessarem no mesmo instante. Decidida, Eliza abriu a porta com tudo, se surpreendendo por não encontrar nada lá dentro além de uma carta.

Sem entender nada ela pegou o objeto em mãos, não parecendo ter algo realmente interessante. Eliza poderia abri-lo, mas seria inútil tentar ler algo no escuro. Ela ficou assim por alguns segundos encarando a carta e, quando finalmente levantou os olhos, seus pulmões ficaram sem ar, o coração pareceu ter parado de bater e simplesmente ficou congelada no lugar.

Um animal morto, mais precisamente um coelho, apareceu no mesmo armário onde estava a carta.

Aos poucos tentou controlar as batidas de seu coração, se acalmando, mas falhou logo depois ao ouvir algo como um rosnado que vinha da sua esquerda, olhando rápido e se deparando com grandes olhos brilhantes e vermelhos, pêlos tão negros quanto à própria escuridão e dentes brancos afiados como facas.

Antes que Elizabeth pudesse sair de seu estado de choque à criatura avançou, atacando a garota, que desviou o mais rápido que pode, entretanto ainda conseguindo ser atingida de raspão no ombro. Desesperada, ela correu para fora do quarto e seguiu para qualquer outro lugar do hospital sem olhar para trás, mas sabendo que aquele animal estava correndo atrás dela.

Seu coração batia forte, prestando atenção aos objetos a sua frente e os derrubando, tentando formar obstáculos para parar aquele lobo, conseguindo um pouco de tempo até avistar uma porta que levava as escadas. Não pensou duas vezes e entrou, subindo o mais rápido que conseguia. Logo depois veio uma batida estrondosa, vendo pelo canto do olho a porta escancarada no chão.

Por sorte, aquele animal era grande demais para subir as escadas com rapidez, porém, não era lento o suficiente para desistir de alcançá-la.

Elizabeth tentava não olhar para trás com medo de ver aquela coisa perto dela, entrando rápido na primeira porta que viu, ficando cega por alguns minutos com a luz do lugar, e então fechou a porta antes que o animal pudesse alcançá-la. Ficando contra a porta enquanto a criatura tentava arrombá-la, batendo e arranhando ela com força, mais força do que qualquer animal normal poderia ter.

Eliza segurava a porta, não permitindo que o lobo entre, pois se entrasse, ela não teria para onde correr no terraço do hospital. Estava cercada, implorando, rezando a qualquer divindade que fizesse aquela coisa parar, que a deixasse em paz.

Isso se prosseguiu até que ela não aguentasse mais. Se afastou rapidamente da porta e viu essa se quebrar atrás de si. A luz do lado de fora apenas servindo para que ela ficasse mais horrorizada com a visão do animal a sua frente, mais parecendo um monstro gigante. Maior do que um lobo comum, talvez até maior do que ela, tão magro, completamente esquelético, como se tivesse ficado sem comer por dias, e agora teria a sua primeira presa.

Elizabeth recuava para trás, ficando na beirada do prédio, vendo que ela iria morrer de qualquer jeito. Não tinha saída, se ficasse ela teria uma morte dolorosa, se pulasse ela morreria para o seu pior medo. Não iria sobreviver, não iria.

As esperanças já estavam perdidas até sentir uma mão gelada pegando o seu pulso e a puxando com força para baixo, caindo do terraço a tempo de escapar da mordida do lobo. Seu coração pulando para fora do peito enquanto via a sua queda até o chão, prevendo o impacto que iria sentir, fechando os olhos com força antes que pudesse ver a sua morte.

Foi só quando sentiu algo gelado que Elizabeth acordou, quase gritando com o susto e levantando da cama, tremendo de frio e procurando por quem teria feito tal ousadia enquanto ela estava dormindo, vendo ninguém mais do que o seu amigo Edgar, carinhosamente apelidado de Eddie, com uma expressão impaciente por debaixo da maquiagem extravagante, podendo ser confundido facilmente com uma mulher para quem não o conhecesse, segurando um balde d’água com uma mão e a outra apoiada na cintura.

— A bela adormecida não acordava, então tive que dar o meu jeito... — Respondeu assim que Eliza abriu a boca, a fechando logo em seguida e olhando irritada para ele — Pare de me olhar com essa cara de bunda! Não tenho culpa da senhorita dormir que nem pedra. Parecia até que estava em coma.

— Tá, tá. Eu já entendi, eu fui uma má pessoa só por que não consegui acordar — Disse irônica rolando o olhar para o amigo, só agora se lembrando de um detalhe — Como conseguiu entrar na minha casa?

— Eu olhei embaixo do tapete e, querida, se quiser que ninguém invada a sua casa com tanta facilidade tente procurar um lugar melhor para esconder as chaves — Sugeriu, sentando na beirada da cama — Agora troque de roupa logo se não quiser ficar atrasada para ir ao colégio. Não se esqueça que hoje é dia de prova e eu, como alguém que não quer virar um simples figurante da vida, não quero acabar reprovando pro sua culpa.

Elizabeth rolou o olhar mais uma vez, repetindo o que o amigo disse em um tom de desgosto, recebendo um olhar desaprovador do mesmo. Afastou as cobertas molhadas do corpo e então foi até a beirada da cama, levantando e quase caindo em seguida com a dor que sentiu em um dos seus pés, como se tivesse acabado de pisar em vidro.

Por um momento o seu coração falhou ao bater, se lembrando das imagens que teve em seu sonho. Congelou no lugar assustada, ficando parada por algum tempo e jurando que sentia o braço doer bem no lugar onde havia sido arranhada. O ambiente parecia que havia ficado mais frio enquanto sombras pareciam se erguer, querendo levá-la de volta para aquele mundo.

— Algum problema, querida? — Perguntou Eddie, fazendo a garota sair dos próprios delírios e voltando a se concentrar na realidade.

— Não é nada — Respondeu rápido, tentando não deixar evidente a dor que sentia ao andar até o guarda roupa e pegando as roupas que iria usar, parando por um minuto e olhando para o seu amigo, esse esperando que Eliza falasse algo — Vai ficar ai mesmo ou eu preciso te expulsar daqui?

— Tudo bem, tudo bem. Já entendi o que quer dizer — Levantou da cama e foi até a porta, saindo do quarto — Eu viro um bom amigo te acordando para não se atrasar, e como me recompensa? Me expulsa do quarto — Proferiu com o melhor tom de magoa que conseguia produzir — Quanta gratidão.

— Para de ser “Rainha do Drama”. Isso não te dá o direito de me ver trocando de roupa — Disse irritada, ouvindo uma pequena risada do lado de fora do quarto — Isso não tem graça!

— Pra você não, querida. Mas pra mim é hilário.

Com a chegada do meio-dia já era possível ouvir as pessoas reclamando do calor e isso também incluía os alunos do colégio de Stone Pine, ainda mais sendo que o colégio se encontrava próximo ao centro da cidade, chegando a ser um dos lugares mais quentes já que ficava afastado da floresta.

Só faltava alguns poucos minutos para os portões do colégio fecharem, mesmo assim ainda possuía alguns poucos adolescentes teimosos que insistiam em ficar do lado de fora esperando por seus amigos que não chegavam. Aos poucos esse número diminuía até sobrar exatas três pessoas, duas reclamando do calor e uma reclamando por não terem entrado logo na escola.

— Por quanto tempo mais eles vão demorar? Está um verdadeiro inferno aqui! — Reclamou Neil, roendo as unhas com impaciência — Eu demorei quase uma hora inteira para prender o meu cabelo em um coque lindo para acabar suando embaixo do sol quente e estragar tudo por culpa daquela palhaça que se acha a rainha do mundo.

— Ninguém mandou você ficar aqui fora, sabia? —Rebateu irritada Khyara, não gostando nem um pouco do tom de voz do amigo.

— Ela tem razão... — Acrescentou Renne, recebendo um olhar zangado de Neil e se arrepiando com esse mesmo olhar. Virando o rosto rápido e reparando em um carro que se aproximava — Viu só? elas chegaram. Não custou nada ter tido um pouco de paciência.

Ao longe um carro azul, mais precisamente um Ford Landau, se aproximava. Graças à cor e ao modelo ele se destacava em meio aos carros na rua, tanto por ser um modelo dos anos 80 quanto por sua cor em si, já que a maioria dos outros carros eram modernos e com cores mais simples e menos extravagantes.

Assim que pararam no estacionamento do colégio três pessoas saíram de uma vez, sendo eles Edgar, Elizabeth e uma outra garota chamada Mikann, a qual terminava de arrumar o seu Dread Look em uma espécie de rabo de cavalo, não reparando nos amigos se aproximando do carro.

— Pensei que não iriam conseguir chegar a tempo — Disse Khyara, a primeira a se aproximar do carro, cumprimentando o Eddie e logo depois Elizabeth — O que aconteceu para demorarem tanto?

— A princesinha aqui demorou para acordar —Falou, não dando espaço para a Eliza responder— E aquela outra ainda demorou para terminar de arrumar o ninho de ratos que ela chama de cabelo.

— O nome é Dread Look! — Rebateu irritada, ficando próxima ao grupo — E você é a última pessoa que tem que julgar alguém, cara dos anos oitenta.

— Usar roupas de época é diferente de sair por ai parecendo um drogado.

— Escuta aqui!

— Acho que todos nós deveríamos entrar antes de ficarmos presos no lado de fora — Interrompeu Renne, se atropelando nas próprias palavras e acabando por misturar um pouco do inglês com o francês, mas conseguindo cumprir o seu objetivo que era separar a briga, por outro lado recebia dois olhares irritados que o arrepiaram até a alma — S-só acho que isso é melhor do que ficar aqui fora e perder uma prova importante...

Com esse argumento o loiro conseguiu por um fim na discussão, apesar do clima pesado ainda estar presente, porém sendo deixado de lado assim que Eddie caminhou em direção a porta do colégio e cruzando com o caminho de Neil. Os dois trocaram olhares de ódio um para o outro sem dizer uma palavra sequer, e então se afastaram, cada um em uma direção.

— Essa bicha barraqueira pensa que é quem para agir desse jeito? — Comentou Neil, sendo o último a se aproximar dos amigos — Ridículo, parece um palhaço fantasiado.

Sem mais tempo para ficarem no estacionamento, o pequeno grupo andou para dentro do prédio, acabando por se separarem nos corredores e indo cada um para sua sala sem muita empolgação. Afinal, hoje seria a semana de provas e todas as salas iriam ter uma avaliação todos os dias até o fim de semana chegar, algo que o ruivo não conseguiria fazer tão facilmente.

O tempo foi passando e mais Neil ficava nervoso. Mesmo com a expressão tranquila e despreocupada, ainda sim não conseguia se acalmar na hora de responder as perguntas da prova. Não se lembrava de nada que estudou nos últimos dias, ficava desesperado e, naquela altura do campeonato, a tampa da caneta já estava completamente mordida.

No final do dia, quando o último sinal tocou, todos entregaram suas folhas e saíram da sala. O ruivo não fez diferente, foi um dos primeiros a entregar a folha e sair quase tão rápido que nem mesmo Khyara teve tempo de acompanhá-lo, acabando por ficar sozinho no lado de fora do prédio.

 Respirou fundo e então soltou o ar de seus pulmões. Ter ficado naquela sala fechada por tanto tempo em uma situação nervosa o fez entrar em um estado de pânico, não poderia ter ficado nem mais um minuto lá dentro sem ter o risco de enlouquecer.

Sabia que estaria ferrado quando visse as notas das suas provas, não como se fosse de todo ruim, afinal, ninguém realmente se importava, entretanto ainda seria muito humilhante acabar repetindo agora por conta disso. Só seria um motivo a mais para o seu pai desprezá-lo e ignorá-lo por completo, como sempre. Chegava a ser até engraçado de tão miserável que era.

— Neil? Já está aqui fora? — Perguntou uma voz feminina atrás de si, se virando e vendo os cabelos negros voando com o vento quente daquele fim de tarde. Focando nos olhos de cor castanhos claro e só depois reparando no rosto da dona deles.

— Professora Yoko? Já está aqui? — Desviou da pergunta, achando estranho a presença da japonesa lá fora sendo que essa deveria estar dentro da sala ainda — Não deveria estar lá dentro? As provas nem terminaram direito.

— É isso que eu me pergunto, você também deveria estar lá dentro essa hora — Respondeu — Mas não espere que só por que sou professor que vou ficar lá o tempo todo. As salas estão muito quentes, e eu também precisava relaxar um pouco.

— Entendo — Disse sem muito interesse, virando os seus olhos para outro canto que julgava merecer mais a sua atenção.

— Eu escutei do professor Matthew que vocês tiveram uma discussão na semana passada — Comentou, chamando a atenção do garoto — Estava fazendo piadas de mau gosto com o garoto, não era? — Neil não respondeu, ainda fingindo que não havia ouvido a pergunta — Neil, você deveria tentar ter um pouco mais de respeito com as pessoas.

— Falando assim você se parece com ele, não vai me dizer que é uma hipócrita também.

— O professor Matthew não é um hipócrita por se importar com os outros, e você, no mínimo, deveria parar de tentar julgar as pessoas assim o tempo todo. Isso machuca bastante, sabia?

Mais uma vez Neil não respondeu, ocupado demais se concentrando em um canto que parecia mais interessante que a própria conversa, ou fingia que era. Yoko não continuou, apenas suspirou fundo antes de tentar mudar de assunto, porém, uma voz grossa chamou sua atenção e a do garoto, se virando e percebendo se Matthew.

— Estou interrompendo alguma coisa? — Perguntou, vendo a cara fechada de Neil e o mesmo se afastar para longe na mesma hora, ficando sem entender nada — Foi alguma coisa que eu disse?

— Não, ele só está nervoso por causa das provas — Mentiu Yoko, mudando de assunto rápido — E suponho que você também esteja nervoso por causa dos alunos, não é?

— Um pouco... — Disse quase que automaticamente, mas  mais concentrado em ver o garoto se afastando e indo em direção aos poucos amigos que saíram do prédio do que com a resposta que deu — Estou mais incomodado mesmo com o calor que fez hoje. Foi um dia tão quente que poderia jurar que a escola iria pegar fogo a qualquer momento — Brincou, mesmo com a cara séria seu olhar e tom de voz mostravam que não falava sério de verdade, e com isso, conseguindo arrancar uma pequena risada da japonesa que mostrava divertimento e despreocupação.

Quase que na mesma hora, depois de falar tais palavras, uma explosão ocorreu, começando um incêndio na parte de dentro da escola. As pessoas que estavam fora do prédio gritaram assustadas, olhando aterrorizadas o fogo que começava a sair pelas janelas. Alguns alunos conseguiram sair pela porta da frente, mas com a rapidez que o fogo se alastrou, a maior parte ficou presa lá dentro, pedindo por ajuda. Uma visão quase tão horrível quanto o próprio inferno.

E o medo e culpa invadiram Elizabeth, sentindo o bolso da sua blusa ficar mais pesado por conta do envelope lá dentro. Se culpando por não ter entendido o que estava escrito quando leu a carta mais cedo, mas se arrependendo ainda mais por agora poder ver o que o texto no papel queria dizer.

E agora se preocupava com as outras frases que não se profetizaram.



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