História Meia Noite em Madri - Capítulo 16


Escrita por: ~

Exibições 66
Palavras 2.564
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Esporte, Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Algumas falas/pensamentos desse cap são do livro da Demi Lovato - 365 dias do ano. Então vou destacar!
Boa leituraaa aaa ☕🌸

Capítulo 16 - Pingos nos is


Fanfic / Fanfiction Meia Noite em Madri - Capítulo 16 - Pingos nos is

Continuação do capítulo anterior...

 

- Me deixa na Pancha, por favor. - falei para o taxista assim que entrei em seu veículo. 


Flashback on

Mensagem de David Luiz para Aurora: Aparece aqui na Pancha, é só você dizer o nome ao motorista de táxi, não tem erro. Vem pra cá! Eu preciso da sua ajuda! E eu nem sei onde tô! (Rindo compulsivamente de mim mesmo)

Flashback off

Tudo o que eu precisava era uma pequena distração. Eu estava vivendo um turbilhão de emoções e faria qualquer coisa pra reprimir ou encontrar qualquer outra maneira de evitar a imensa dor que estava sentido.

A Pancha era um dos poucos lugares que eu conhecia em Madri, até porque eu só ia para a capital espanhola à trabalho, realmente nunca tive muito tempo de explorar por completo a cidade.
Assim que cheguei no local já fui direto na bilheteria e comprei um passe para entrar. Era impossível não lembrar a última vez que eu havia estado lá, David precisava de ajuda com Thiago que estava visivelmente alterado e meio bêbado naquela noite. Ri com a lembrança e me dei conta de que eu nem tinha parado para refletir sobre as coisas que o Thiago havia me dito no ateliê. Mas aquele também não era o momento.
Fui até o balcão e pedi uma bebida. Quando o garçom chegou com o meu drink resolvi tirar uma foto e mandei para o Dalu (David odiava quando eu o chamava assim hahaha) para relembrar os velhos tempos de festas da seleção.

- Maaaaana, que vestido bapho é esse! - um cara bem bonito e alto astral disse ao sentar ao meu lado, sorri com a pinta dele e então começamos a conversar.

Enquanto isso...

Thiago On

Eu já estava deitado, me preparando para dormir (já que meu vôo para o Rio de Janeiro sairia logo pela manhã) quando recebi uma mensagem. Era de David. Achei estranho pois fazia algum tempo que não nos falavamos. Assim que abri a conversa me deparei com uma foto de Aurora segurando um drink. Ela estava incrivelmente linda, no que me parecia ser uma casa noturna pelas luzes de neon e pessoas em volta.
David dizia:

"A Aurora me mandou essa foto, ela está na Pancha (você sabe onde é, não é?) Tô um pouco preocupado porquê ela parece um pouco alterada (bem louca mesmo) me mandou vários áudios (acho que ela tá bebada) e está sozinha (o que é estranho, e o tal do Ricky?) Enfim, eu sei que você também está em Madri. Vai dar uma olhada nela... quebra esse galho pro teu parça! Manda notícias depois."

- O que essa doida tá aprontando, senhor? - indaguei comigo mesmo ao levantar e ir atrás de uma roupa na minha pequena mala.

Aurora enchendo a cara numa balada e desacompanhada era uma perturbação à ordem.

 

...


Assim que cheguei na boate já me joguei na pista e fui dançando meio travado pra disfarçar enquanto eu procurava aquela doida. Ela ia ficar me devendo!
Não demorou muito e eu vi uma certa pessoinha requebrando em cima de uma mesa com um grupo de pessoas em volta agitando e gritando. Ri com a cena e entrei no meio da muvuca.

- Já chega, pessoal. Por hoje é só, circulando... - falei ao tentar afastar as pessoas.

Aurora me olhava um pouco retraída, mas continuou dançando e olhando diretamente para mim (o que me fez pensar se ela realmente estava me reconhecendo ou se estava bem louca mesmo).

- O que faz aqui? - ela perguntou desconfiada assim que me aproximei um pouco mais.

- Vim te buscar.

- Eu não vou com você.

- Ah não? Tem certeza? - ri debochado e sem esperar resposta eu a peguei pela perna e a coloquei sob o meu ombro.
Sai pelos fundos enquanto ela tentava me socar nas costas e praguejava.
No entanto, logo a jornalista percebeu que não estava numa posição favorável e desistiu.

- Como sabia que eu estava aqui? - Aurora perguntou assim que entramos no meu carro.

- Tenho meus contatos. - coloquei o cinto - Tudo bem, agora eu vou te deixar em casa.

- Me deixa em qualquer lugar, menos em casa. - sua expressão não parecia muito boa.

- Aconteceu alguma coisa? 

Aurora não respondeu. Seu olhar estava distante, sua expressão era de dor e algo mais que eu não consegui decifrar. Resolvi ser paciente. Meu plano era simples: hospeda-lá no mesmo hotel que o meu, em um quarto perto do meu e tentar conversar com ela pela manhã.

Eu não via outra opção melhor do que mantê-la perto de mim, seria mais seguro. A única certeza que eu tinha era que algo de muito grave havia acontecido para Aurora estar daquele jeito. E isso me preocupava.

Depois de algum silêncio, Aurora voltou a falar.

- Lembra que nos conhecemos na Pancha?

- Como eu poderia esquecer. - ri fraco.

Pouco antes de chegarmos no hotel eu combinei com Aurora que ela entraria primeiro e passaria na recepção para pedir um quarto e em seguida eu entrava direto. Assim não chamaríamos atenção de nenhum paparazzi ou fofoqueiro de plantão. Mesmo que não tivessemos fazendo nada, com certeza a mídia iria distorcer e polemizar se nos visse juntos.
E o combinado deu certo, fui para o meu quarto e Aurora para o dela. Só que para a minha surpresa, pouco depois que cheguei no meu quarto, ela bateu na minha porta.

- Quero conversar. - ela fez uma carinha triste e assim dei espaço para que ela entrasse.

Sem nenhuma cerimônia Aurora já se jogou na minha cama e lá ficou, olhando para o teto.

- Me conta o que houve. - sentei no pé da cama e tirei os sapatos.

- Deixa eu tomar um banho primeiro? Estou exausta.

- Ah... sem problemas. Vou separar alguma camisa minha para você, com certeza vai ficar que nem um vestido, mas certamente é bem mais confortável que esse que você está usando. - apesar de que ela estava perfeitamente sexy com o tal vestido, mas isso ela não precisava saber.

Enquanto Aurora se banhava resolvi pedir algumas besteiras para comermos,
minha intuição dizia que a noite seria longa. Não demorou muito e um funcionário do hotel veio trazer as guloseimas: chocolate branco, creme de paçoca, lanches, refrigerantes e sorvete. Tudo que Aurora amava. Tudo para vê-la ao menos um pouco feliz (e um pouco gordinha kkkkk)
Não demorou muito e ela saiu do banho, estava uma graça com a minha camisa.
 

...


- Sabe quando você pensa que mais nada nessa vida pode te surpreender? - Aurora perguntou pensativa.

- Aham. - falei com a boca cheia de batata frita.

- Achei que a minha cota de decepções tinha chegado ao limite. - ela fez uma pequena pausa e riu - Meu Deus, como eu pude ser tão idiota?

- Afinal, o que o Ricky fez de tão grave?

- Aquela missão que ele foi capturado pelos terroristas... foi tudo planejado. Ele sabia de tudo e não me contou. Pra ser mais franca, só fiquei sabendo porque ouvi uma conversa dele com o seu superior. - seu olhar distante transbordava ódio - Tem idéia de como é duro ser traída pela pessoa que você mais confia no mundo?

Meus ouvidos mal podiam acreditar no que acabaram de ouvir. Era surreal ver que o projeto de Capitão América não era tão perfeito assim como todos pintavam. Não sou hipócrita a ponto de dizer que eu não tinha ficado um tanto feliz com tal descoberta, mas o preço disso era muito alto: ver a mulher da minha vida sofrendo, mesmo que por outro homem. E eu não entendia o porquê de me sentir assim, me sentia até um pouco idiota por isso.
Apesar dos pesares, Ricky era a minha única expectativa de que Aurora fosse realmente feliz. E se não fosse comigo, que fosse com ele. Era isso que eu mais queria: vê-la feliz! Vê-la bem e realizada.

- Eu não sei o que dizer... - eu ainda estava afónico e não sabia como colocar as palavras.

Aurora estava cabisbaixa mas pude ver que uma lágrima rolando pelo seu rosto. Senti meu coração apertar. Eu não sabia o que fazer, como reagir. O nervosismo me consumia aos poucos. Eu precisava reverter aquela situação. Vê-la naquele estado era desesperador.

- Tô me sentindo uma idiota por estar aqui desabafando com você. Que vergonha, você tá me vendo chorar. - ela riu e em seguida, com um pouco de receio eu passei meus polegares sobre seu rosto para secar algumas lágrimas.

- Nunca se envergonhe do que sente. Você tem o direito de sentir qualquer emoção. De um jeito ou de outro, as emoções não são um sinal de fraqueza, mas de força e paixão. E quer saber mais? A decepção é um bom sinal; significa que tentamos conseguir alguma coisa. Sempre haverá momentos em que tentamos genuinamente conseguir alguma coisa e acabamos nos decepcionando. Isso significa que estamos dispostos a nos arriscar. Mesmo que a mágoa seja dolorosa, espero que você se lembre de que é um bom sinal porque mostra seu interesse. É um reflexo de todo o amor que você tem dentro de si. - Aurora levantou a cabeça, parecia surpresa, até eu estava surpreso com as minhas palavras.

Inesperadamente ela me abraçou, repousando sua cabeça em meu ombro. Respirei fundo e fechei os olhos, como eu estava com saudade daquele abraço.

- Eu o amo tanto, tanto... mas isso já não é o suficiente. - sua voz embargou e soou descompensada por conta do choro.

- Às vezes a vida é muito difícil, mas lutar contra a tristeza vale muito a pena. É melhor sentir todos os tipos de sentimentos do que não sentir nada. É mais corajoso atravessar o fogo de olhos abertos.

Eu não pedi para que ela parasse de chorar, naquele momento o choro com certeza seria sua maior válvula de escape, de se libertar de todos os sentimentos ruins. Apenas a abracei mais forte e acariciei lentamente os seus cabelos. Eu estava machucado também, as circunstâncias que se deram no nosso afastamento ainda mexiam muito comigo, mas deixei tudo de lado, o que importava era passar força para ela.

Thiago Off


Aurora On

Nos braços de Thiago eu encontrei um pouco de conforto, mas ainda era estranho aquela situação toda. Ele era a última pessoa no mundo que eu imaginava que pudesse me fazer sentir um pouco melhor. Nem parecíamos aquelas duas pessoas daquela cena no ateliê, durante a prova de vestidos de noiva. E suas palavras realmente eram sábias, pela primeira vez eu senti algo por ele chamado de admiração.

- Falando desse jeito você nem parece aquele babaca de meses atrás. - resolvi quebrar aquele clima fofo que estava pairando no ar e me soltei de seu abraço.

- Você fala assim mas não se lembra que naquela mesma semana da festa do Trapp você me chamou de Ricky.

Se fosse um desenho animado meu queixo teria ido no chão.

- Eu fiz isso? - arregalei os olhos.

- Por que acha que eu fiquei tão bravo aquela noite?

- Foi por isso? - ri surpresa, as coisas estavam fazendo sentido agora.

Porque na minha cabeça eu achava que ele tinha dado aquele show por que estava com ciúmes por eu estar dançando com o Kevin... não que justificasse a atitude ridiculamente infantil dele.

- Eu fiquei com a Alessandra só pra preencher o meu ego. - a sinceridade dele estava me admirando.

Eu não me lembrava de ter tido uma conversa com Thiago tão honesta como essa. Sem drama, sem ofensas, fomos francos, sem rodeios, sem titubear... pingos nos i's.

- Falando nela, o que houve que vocês não estão mais juntos?

- Nosso namoro relâmpago estava difícil, nossas rotinas não batiam e curiosamente ela só aparecia em eventos, me acompanhando. Curioso não? - ele fez uma cara bem cínica de indagação e me fez rir. - Há boatos de que agora ela tá na cola de um figurão de Hollywood, é cada uma viu... - rimos.

- Por um momento eu cheguei a acreditar que você estava apaixonado por ela. Vocês dois eram patéticos. - ri fraco só de lembrar o quão forçado os dois eram.

- Por que nunca havíamos falado tão francamente sobre tudo isso hein? - Thiago perguntou.

- Porque você estava tão apaixonado por você mesmo que se eu dissesse que meu coração estava dolorido pareceria uma metáfora barata. Simples. - ri.

O zagueiro ficou um tempo me fitando, com um leve sorriso nos lábios. Fazia tempo que eu não via aquele olhar.

- Você parece um pouco melhor. Já está até rindo.

- Ao menos algo de bom e definitivo o Ricky trouxe para a minha vida, minha Hayat... - sorri ao lembrar da minha princesa. - Não quero nem pensar em como será amanhã, encará-lo novamente... - minha cabeça doía só de imaginar como seria voltar para casa.

- Você não tem que pensar nisso agora. - Thiago levantou da cama e me puxou - Está uma noite linda lá fora, vem! - fomos até a sacada do quarto que tinha uma vista privilegiada para a capital espanhola.

Madri estava especialmente iluminada naquela noite, eu nunca tinha parado pra pensar no quão bonita era aquela cidade, ainda mais com tantas estrelas no céu. O clima estava agradável, com brisas leves e frescas. Fechei meus olhos e fiz uma pequena oração ao papai do céu. O pedi força e coragem para tudo que eu viesse enfrentar dali pra frente, e que fosse feita a sua vontade. "A boa, agradável e perfeita vontade de Deus."
Fiquei um tempo admirando cada ponto de luz daquelas ruas e casas, estava tudo muito bem enfeitado para o natal que estava próximo. Eu amava o natal.
Por um momento eu me senti mais leve. Thiago sabia me fazer bem quando queria.

- Obrigada. - falei ainda sem tirar os olhos da paisagem.

- Pelo o quê?

- Por ser você mesmo. - lhe ofereci um sorriso grato, dali em diante eu só queria pessoas sinceras e de verdade na minha vida.

As atitudes de Thiago naquela noite, seu esforço e paciência para me ver melhor... compensava tudo o que ele já tinha me feito passar. Pela primeira vez acreditei que ele se importava comigo e me senti profundamente grata por isso. Ficar de bem com ele era um peso a menos para carregar.

- Espera aí. - ele disse ao voltar para o quarto. Logo ele retornou com todos os cobertores e travesseiros do quarto. Os arrumou no chão e deu um sorriso como quem dizia "tcharaaam". Thiago era louco. - Eu sei que você não vai ficar muito tempo, mas pelo menos por en... - o interrompi.

- Ficarei aqui. - sorri de lado e me deitei naquela cama de edredons.

Thiago se deitou ao meu lado e ali ficamos em silêncio observando ora o céu, ora Madri. Encostei minha cabeça em seu peito e passei meu braço pela sua cintura. Já passava de 00h00.
 

***

 


Acho que a vida gosta de fazer isso com a gente de vez em quando; te joga num mergulho em alto-mar e, quando parece que você não vai suportar, ela te traz pra terra firme de novo.

 


Notas Finais


Não sei vocês mas eu estava com sdd de um cap mais Aurora e Thiago 💗
Fui de jet 😎🚀


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...